O que o Ajinomoto disse para Ajinomota? Ele disse: — Vamos agir no mato?
Por que comecei esse texto com essa piada infantil? É uma tentativa de fazer você entender (e jamais esquecer) algo muito profundo e verdadeiro: você TEM QUE agir.
Agir não é opcional, é obrigatório. Você sempre TEM QUE agir. Por sempre, me refiro à cada instante. Por instante, me refiro à essa unidade de tempo conhecida como “agora”.
Não há nada que você possa fazer para evitar o imperativo da ação contínua aqui e agora. Mesmo quando decide se abster, também está agindo, pois “abster” também é verbo, também é ação.
Você não consegue deixar de agir porque você é parte integrante da vida universal. Para que você conseguisse se libertar da obrigação de agir, você teria que se separar do universo.
E como você faria isso, sendo que o universo é tudo? Para onde no universo você iria a fim de se separar do universo?
A pergunta acima vale todo seu esforço de pensamento. Recomendo este esforço. Vai te libertar de um dos maiores equívocos do ser humano. Mas deixo por sua conta. Vou prosseguir agindo no mato.
Você é um agente universal, logo, está sempre agindo. Entenda isso para avançar no jogo e jogar melhor. Agir é inevitável, o que você pode fazer é decidir O QUE fazer, COMO agir, QUAL ideia realizar.
O que você decide fazer, você faz. Como você decide agir, você age. O que você decide realizar, você realiza.
Você sabe disso, desde o dia que decidiu colocar a chupeta na boca e colocou, desde o dia que decidiu andar e andou. Não tem segredo. Basta arbítrio para agir rumo a realização do seu desejo.
Arbítrio, benção ou maldição? Agir não está sob seu controle, mas COMO agir, é 100% responsabilidade sua. Por isso, você passa a vida se perguntando: “O que eu faço? Como devo agir?”.
“O que eu faço?” é a pergunta que te incomoda dia e noite, do nascimento até a morte. Incomoda até quando você vai tirar par-ou-ímpar. Mas por que decidir incomoda tanto?
Incomoda porque escolhas têm consequências.
Escolher é fácil. Quando você vai tirar par-ou-ímpar, por exemplo, basta você decidir colocar um ou dois. Simples, não?
Claro que não! Pois escolhas têm consequências.
Sua decisão entre um e dois pode resultar em derrota. Pode bloquear a realização do seu desejo. Pode fazer você fracassar.
Se a possibilidade de escolher mal e fracassar no jogo de par-ou-ímpar já é estressante e angustiante, mais ainda é a possibilidade de escolher mal e fracassar no jogo da vida.
Escolhas têm consequências.
Você sabe que essa experiência contínua que você chama de vida é feita das contínuas consequências das suas escolhas. Você não tem dúvida disso. Por isso se pergunta: “O que eu faço?”.
E saí em busca de uma resposta. Quando você é criança, busca a resposta nos seus pais e educadores, conforme vai crescendo, busca em outros lugares. E vai buscando e buscando….
O mundo está cheio de respostas. Respostas muito bem escritas, desenhadas, pintadas e cantadas. Respostas descritas em equações matemáticas e com fundamento científico.
Você pode ler todas as respostas do mundo. Pode estudá-las. E mesmo que estejam corretas e você as entenda, ainda assim, sua dúvida e sua pergunta permanece: “O que eu faço?”.
Por que nenhum conhecimento responde qual é a melhor ação? Por que nenhuma resposta responde se você deve colocar um ou dois no par-ou-ímpar?
Ora, porque de nada adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma. A experiência humana não é um jogo de aquisição, tipo banco imobiliário, é um jogo de autorrealização, tipo fazer música.
O objetivo da vida humana não é TER, é SER. Se o objetivo fosse ter, ganhar, adquirir e acumular, caixão teria gaveta.
A resposta à pergunta “o que eu faço?” é óbvia e tem sido esfregada na sua cara todo dia, através das filosofias e religiões mais requintadas até os textos de auto-ajuda mais chinfrim.
A resposta é: seja você!
Sem agente, não tem ação. Sua ação (viver) é um desdobramento da sua existência. Só que você não vive em acordo com sua existência, você não vive sendo você, você vive em autonegação.
Sendo assim, por princípio, pouco importa o que você faz, é sempre uma ação destinada ao fracasso no objetivo da experiência humana, pois autonegação é o oposto de autorrealização.
Resumindo, você vive mal porque acredita que deve FAZER a coisa certa, quando, na verdade, você deve SER a coisa certa. A ação vem do agente. O fazer é desdobramento do ser.