SIM PRA MIM

02/12/2016 by in category Livros with 0 and 0
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01 | AUTORREALIZAÇÃO

Imagine que você ainda não é ser humano. Você é um ser, mas não é humano. Daí, você decide brincar de ser humano. Mas antes de entrar na brincadeira, você decide investigar um pouquinho para saber do que se trata. Você vai conversar com alguém que já conhece a brincadeira:

— Como funciona a brincadeira de ser humano?
— É uma brincadeira de autorrealização.
— Como assim?
— Você precisa responder sim ou não.
— Só isso!? Sim ou não?
— Exato! Só responder sim ou não.
— Responder para quem?
— Para si mesmo.
— Como assim?
— Sim pra mim ou não pra mim.
— Só isso mesmo?
— Só isso! Sempre a mesma pergunta.
— O que acontece quando respondo sim pra mim?
— Você experimenta o inútil prazer de ser você.
— E quando respondo não?
— Você experimenta o útil desprazer de ser outro.
— E como a pergunta é feita?
— Através de circunstâncias.
— Então, são muitas perguntas?
— Todas as circunstâncias são a mesma pergunta.
— É muito simples essa brincadeira!
— Sim, muito simples!
— Vou entrar nessa brincadeira.

Então, você entra na brincadeira e começa a ser humano.


02 | DOIS JEITOS DE VIVER

Aliás, não entra, já está dentro. Sendo assim, eu te pergunto: ser humano é tão simples como você pensou que era?

PARTICIPANTE: De jeito nenhum, me enganaram! Quando voltar vou dar um pau em quem falou que era simples.

Qual é a complexidade, se basta responder sim ou não?

PARTICIPANTE: Se eu soubesse o que é sim e não, era simples, só que não sei.

Exatamente! A brincadeira é simples, mas não é fácil. É simples porque basta responder sim ou não. Mas é difícil, pois para responder sim ou não é preciso autoconhecimento, e você chega na brincadeira sem nenhum autoconhecimento, zero, ignorante de tudo, até de que existe. Com autoconhecimento vai ficando mais fácil. A simplicidade de ser humano não muda nunca. O funcionamento da brincadeira é sempre o mesmo: responder sim ou não. Difícil é saber responder sim. Vamos entender melhor isso.

Você quer um morango?

PARTICIPANTE: Sim.

Você respondeu sim para o que?

PARTICIPANTE: Para sua oferta. Aceitei o morango.

Ótimo! Quando te ofereço morango e você diz sim, você está dizendo sim para minha oferta de morango. Quando você aceita viver sendo você, você está dizendo sim para o que?

PARTICIPANTE: Sim para mim, para o meu gabarito.

Exatamente. Viver autoísta é SIM PRA MIM. É quando você se permite viver sendo você. Sim pra mim: eu me permito ser eu, eu me permito viver sendo eu, eu me permito viver de acordo comigo.

Ficou claro o que é o sim?

PARTICIPANTE: Ficou.

Responder “sim ou não” não é questão de pronunciar a palavra. Se não é uma questão de você falar verbalmente, de pronunciar, então, como é que você responde sim ou não?

PARTICIPANTE: Com o arbítrio.

Isso mesmo! Então, o que é o arbítrio?

PARTICIPANTE: Arbítrio é o jeito como respondo sim ou não.

Exato! Tem dois jeitos de você viver. E só dois:

SIM PRA MIM – Viver Autoísta – Quando você se permite ser você.
NÃO PRA MIM – Viver Outroísta – Quando você se obriga ser outro.


03 | MELHOR PARA MIM

PARTICIPANTE: Sim é quando opto pelo que é melhor para mim?

Quase. Tem uma sutileza ai. Vamos voltar na intenção. Sua intenção é sempre optar pelo que é melhor para você. Você sempre quer o bem. Você nunca intenciona optar pelo mal. Ninguém tem essa intenção. Então, a intenção é sempre pelo bem. Isso é natural. Todos os seres querem o bem. Uma planta, por exemplo, busca sol e água, ou seja, busca o que faz bem para ela. Mas se todo ser sempre opta pelo bem, então, tem algo errado ai. Pois na prática não é isso que acontece com você. Então, o que que está errado?

PARTICIPANTE: Eu acredito que é melhor, mas me engano.

O que está faltando é a palavra acreditar. Você não opta pelo que é melhor, você opta pelo que ACREDITA que é o melhor. Se você optasse pelo que é melhor, não tinha a experiência humana, não tinha brincadeira de ser humano, porque não tinha essa coisa no meio, que se chama crença. Você opta pelo que você acredita que é melhor, e experimenta sua opção, para colocar a prova sua crença. Se você optasse pelo que era melhor diretamente, não precisava confirmar nada, você já tinha ido direto.

PARTICIPANTE: E o que muda entender isso? Ajuda em que?

Ajuda você a viver melhor. Ajuda você a lidar melhor com sua experiência. Quando você estiver experimentando uma opção que não é a melhor, você sabe que o problema não é a opção.

PARTICIPANTE: O problema é a crença.

Isso! Daí você vai no lugar certo. Ao invés de ficar tentando mudar a opção, você muda de ideia.

Está claro isso?

PARTICIPANTE: Sim, está.


04 | DOIS LADOS DA MOEDA

Vamos dar mais um passo.

Quando você responde SIM, você está ao mesmo tempo respondendo NÃO. Por exemplo, quando eu lhe ofereci o morango, você respondeu sim para o morango. Você comendo o morango é você respondendo sim para o morango. Só que você comendo o morando também é você respondendo não. Você comendo o morango é você respondendo não para a goiaba, para a banana, para o tomate, para a uva, etc.

PARTICIPANTE: Eu não sabia que estava respondendo não para goiaba. Nem tinha intenção.

Não precisa saber. Basta saber que na hora que você responde sim para uma opção, você está respondendo não para as outras. Inevitavelmente. Sim e não são os dois lados de uma mesma moeda. Então, quando você responde SIM PRA MIM, você está respondendo NÃO para o outroísmo. SIM PRA MIM é você se permitindo viver em acordo com seu gabarito, logo, você está respondendo não para o gabarito dos outros.

Está claro isso?

PARTICIPANTE: Sim, está.

Vamos dar mais um passo.

Para responder sim ou não, tem que existir a possibilidade de negação de si. O universo é afirmação de si. O viver universal é SIM. Cada um sendo cada um. Isso é o natural. Então, precisa ter algo que faça resistência ao natural para existir a possibilidade de responder sim ou não. Que algo é esse?

PARTICIPANTE: É a cultura, é o gabarito do outro em mim.

Exato! O desafio do SIM é o gabarito dos outros dentro de você, e a pressão constante da convivência para você viver de acordo com esses gabaritos alheios.

PARTICIPANTE: É uma pressão enorme!

Sim! É Davi contra Golias! Por isso escolhi o filme “Inquebrável” para essa conversa. O rapaz do filme sofre tudo quanto é tipo de pressão para negar a si mesmo.


05 | JORNADA DO HERÓI

A jornada da autorrealização é a jornada do herói. Um herói é um indivíduo que é colocado à prova e responde SIM PRA MIM. O filme Invencível, que conta uma história verídica, é um desses casos.

Tem duas cenas nesse filme que são muito representativas do SIM PRA MIM. Numa cena, o herói do filme está num campo de concentração japonês, só apanhando. Apanha dia e noite. Daí, os japoneses tiram ele do campo de concentração, dão banho, comida, roupas limpas e depois levam ele para um programa de rádio para que ele leia uma carta em público.

— Não vou dizer isso — ele diz aos japoneses.
— Por que não? — perguntam os japoneses.
— Porque isso é mentira — responde o rapaz.
— Se não ler irá voltar para o campo de concentração — ameaçam os japoneses.

O rapaz havia saído de um buraco sujo, fedido e estava no restaurante de um hotel chique, comendo ovos mexidos, tomando suco, sentado numa cadeira confortável, mas optou por voltar para o campo de concentração. O rapaz não se vendeu ao suborno. O rapaz optou pelo SIM PRA MIM.

Outra cena representativa do SIM PRA MIM, é a cena final. O rapaz leva uma porrada na perna e mal consegue ficar em pé. O sargento ordena que ele levante uma viga de madeira acima da cabeça e fique segurando. Se deixar cair, será baleado. O rapaz olha para o sargento e o sargento lhe ordena abaixar a cabeça: “Não olhe para mim!” O que o rapaz faz? Problema seu! SIM PRA MIM. Ele ergue a cabeça e olha no olho do sargento, como quem diz, “Quer me balear? Baleia! Quer dar porrada? Pode dar! Mas em mim mando eu”. O rapaz não se submeteu a ameaça e a punição. Depois ele ainda levanta a viga de madeira acima da cabeça e dá um puta grito! Um grito que faz o sargento desmoronar por dentro. Que grito é aquele? SIM PRA MIM. O sargento não sabe o que fazer. O que fazer contra um ser que opta pelo SIM PRA MIM? Nada! Quando você opta pelo SIM PRA MIM, pelo inútil prazer de ser você, o outro pode te bater, chicotear, triturar, nada adianta. Você usa seu arbítrio e o outro perde todo o controle sobre você.


06 | TENTAÇÃO DO OUTROÍSMO

PARTICIPANTE: Eu achava que SIM PRA MIM tinha que agradar o outro também.

Isso é um equívoco muito recorrente. Você quer se permitir viver de acordo com seu gabarito, mas não quer permitir que o outro fique chateado com você sendo você. Assim você continua preso no outroísmo, pois para evitar isso, ou você volta atrás e veste o gabarito do outro, ou então, fica brigando com o outro para aceitar você sendo você. Dois tiros no pé. Pois o outro tem liberdade de não aceitar sua liberdade. E você não precisa da aceitação do outro para se permitir viver de acordo com seu gabarito.

PARTICIPANTE: Mas o outro faz pressão, faz chantagem, etc.

Isso! A tentação do outroísmo não é pouca. Se fosse pouca todo mundo vivia autoísta. Se fosse pouca essa brincadeira era fácil e a sociedade não estava do jeito que está. Você vive de forma outroísta porque a pressão é tremenda. Castigo, punição, etc. Toda vez que você diz SIM, o outroísmo chicoteia você, dá porrada, põe você de castigo, te prende, difama, faz o diabo. E o desafio fica maior porque são as pessoas mais queridas que colocam seu SIM a prova. Sua família, seu pai, sua mãe, seu marido, seus filhos, etc.

PARTICIPANTE: Por isso a tendência é viver outroísta?

Exatamente. E quando o outro é autoísta, você dá porrada nele também. Você coloca ele de castigo, faz bico, fica de mal, deleta ele do seu facebook, etc.

PARTICIPANTE: É o jogo do controle?

Isso! Estamos estudando cada aspecto dele.

Ficou claro o que é SIM PRA MIM?

PARTICIPANTE: Sim.

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