REALIDADE MULTIMÍDIA

19/10/2017 by in category Livros with 0 and 0
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INTRODUÇÃO

Realidade não é multidimensional, realidade é multimídia. Dimensão é um conceito físico, materialista. Realidade não é material, é experiencial. A materialidade da realidade é apenas uma das mídias dessa experiência que você está experimentando e que você chama de realidade. Sei que isso parece estranho para você. Aliás, mais do que estranho, parece um absurdo. O caminho para transformar esse absurdo em óbvio é a autociência. Por isso, ao invés de ler esse livro, use-o como mapa para comprovar por si mesmo e em si mesmo o autoconhecimento que está sendo explicado aqui. Só assim a explicação de que realidade é multimídia pode se tornar a comprovação de que realidade é multimídia.


01 | O QUE É REALIDADE?

Realidade é tudo que você experimenta. Essa é a definição experimental de realidade. A definição física não inclui você (experimentador), pelo contrário, a definição física exclui você. Realidade é tudo que você experimenta, é uma definição autocientífica, objetiva, direta e prática. Basta você pegar tudo isso que você está experimentando agora e sempre e escrever na legenda: realidade. Pronto! Ao fazer isso, você já sabe, agora e sempre, sem teoria, o que é realidade. Não tem complicação nessa explicação. Não tem nenhuma teoria.

Tudo que você experimenta = realidade.
Realidade = Tudo que você experimenta.

PERGUNTA: Eu também experimento imaginação. Então, imaginação também é realidade?

Sim! Sendo que realidade é tudo que você experimenta. Sendo que você experimenta imaginação. Então, imaginação é realidade. É por isso que estamos partindo da definição de que realidade é tudo que você experimenta. Não tem definição mais abrangente do que essa. Tudo é tudo. Tudo é sem exceção. Estamos começando do tudo, sem exceção, para depois entrarmos nas particularidades desse tudo.


02 | DO QUE TUDO É FEITO?

Realidade é tudo que você experimenta. Tudo é tudo, sem exceção. Só que esse tudo que você experimenta, que você está experimentando agora e sempre, é multimídia. Então, tudo é feito de tudinhos. Em outras palavras, realidade é feita de sub-realidades. Essas sub-realidades da realidade que você está experimentando agora e sempre são as mídias da realidade.

Realidade feita de sub-realidade é como as mídias do audiovisual. Quando você está assistindo um filme na televisão, você está experimentando duas mídias simultaneamente: a mídia da imagem e a mídia do som. Por serem simultâneas e sincronizadas, você tem a experiência de filme.

Realidade também é multimídia. Agora e sempre você está experimentando mídias simultâneas e sincrônicas que resultam nessa realidade que você está experimentando agora e sempre. Mas assim como você não percebe que um filme é multimídia (imagem e som), você também não percebe que realidade é multimídia. E por que não? O que falta para você perceber?


03 | SEPARANDO O INSEPARÁVEL

Falta discernimento para você perceber que realidade é multimídia. Você não tem clareza, lucidez, de que essa realidade que você está experimentando é feita de mídias em sincronia. Você não está consciente de que a realidade é multimídia. Então, para decompormos a realidade, o primeiro passo é dar nome aos bois, ou seja, nomear cada uma das mídias que compõem a realidade. Conforme nomeamos as mídias, começamos a entender o que é uma e o que é outra e no que uma difere da outra. Igual quando nomeamos as mídias de um filme com o nome de vídeo e áudio, as palavras vídeo e áudio são fundamentais para o entendimento e para diferenciação.


04 | REALIDADE OBJETIVA

Uma das mídias dessa realidade que você está experimentando é a mídia da realidade objetiva. O que é realidade objetiva? É essa mídia que você chama de cinco sentidos. Você está agora e sempre experimentando visão, olfato, paladar, tato e audição. Você está experimentando constantemente o fluxo dessas cinco mídias. Junte essas cinco mídias em uma só e escreve na legenda: realidade objetiva.

Isso que você está vendo, o frio que você está sentindo, o som que você está ouvindo, é você experimentando a mídia da realidade objetiva. Quando você fala “o mundo”, você está se referindo a realidade objetiva. Uma câmera fotográfica fotografa a realidade objetiva.

Realidade objetiva é uma sub_realidade dessa realidade que você está experimentando agora e sempre.

Você tem experiência de OBJETO através da mídia da Realidade Objetiva. Essa cadeira, essa mesa, essa parede, esse computador, seu corpo, tudo isso é você experimentando a mídia dos sentidos, a mídia da Realidade Objetiva.


05 | REALIDADE SIMULADA

Só que você não experimenta objetos apenas feitos de realidade objetiva. Por exemplo: pense em uma rosa. Sinta o cheiro dessa rosa. Segura no cabo da rosa e sinta os espinhos. Percebe? Você experimenta objetos mesmo sem estar experimentando a mídia da realidade objetiva. Então, tem uma outra mídia que também possibilita você ter experiência de objeto. Que mídia é essa?

Você chama essa mídia de imaginação. E através dela você experimenta objetos e acontecimentos como se fosse a mídia da realidade objetiva, como se fosse a mídia dos sentidos. Quando algo é “como se fosse”, esse algo é uma cópia, uma imitação. Quando você imagina um objeto, ou um acontecimento, não é mídia da realidade objetiva, mas é como se fosse mídia da realidade objetiva, então, é uma mídia de realidade simulada.

Imaginação é outra sub_mídia da realidade que você está experimentando agora e sempre, mas sendo que imaginação é simulação da realidade objetiva, sendo que imita a realidade objetiva, a partir de agora, vamos chamar a imaginação de mídia da realidade simulada.

Sendo assim, agora já temos duas mídias que compõem sua realidade. Tem uma mídia que é a mídia dos sentidos, nomeada mídia da Realidade Objetiva, e tem uma mídia que simula a mídia da realidade objetiva, que é a imaginação, e que vamos nomear de mídia da realidade simulada.


06 | GÊNESE SIMULADA

A mídia da realidade simulada (imaginação) não é como a mídia da realidade objetiva (sentidos), que você já nasce experimentando. A mídia da imaginação é construída. Como isso acontece? Acontece através das experiências de realidade objetiva. Para simular uma rosa na imaginação, primeiro você precisa ter a experiência objetiva de rosa, você memoriza, e então, pode simular uma rosa na sua imaginação. Se você não teve a experiência objetiva da rosa, se nunca viu uma rosa, como vai conseguir simular na imaginação o que você nunca viu? Simular é imitar. Como imitar algo que você nunca experimentou?

Quanto mais experiências de realidade objetiva você tem, mais você está construindo potencial de realidade simulada, mais você está agregando repertório para criação de realidade simulada. Assim que você tem uma experiência de rosa-objetiva, já pode imaginar uma rosa-simulada. Assim que você tem uma experiência de melancia-objetiva, já pode imaginar uma melancia-simulada. Assim que você tem uma experiência de cavalo-objetivo, já pode imaginar um cavalo-simulado. E assim por diante. Quanto mais experiência de realidade objetiva, mais repertório para produzir realidade simulada.

Quando você tem experiencia de realidade objetiva, o que essa experiencia está fazendo com você? Está criando memória. Por isso se eu falar uma palavra agora, você vai experimentar essa palavra através da mídia de realidade objetiva e depois vai conseguir simular essa palavra. Por exemplo: beterraba. Se eu te perguntar qual palavra eu falei, você vai imitar o que memorizou e me dizer: beterraba.

Você é um gravador ligado. Tudo que está chegando em você pelo gravador, ou seja, pelos cinco sentidos, você está registrando e uma vez registrado, você consegue simular. Você não consegue não registrar, não memorizar. A produção de memória é um processo ininterrupto e involuntário.

Viver é traumatizante. Experimentar realidade objetiva traumatiza a sua memória. Assim como o som traumatiza a memória de um gravador, tudo que você experimenta da realidade objetiva, você registra, memoriza. Trauma não é negativo, nem positivo, trauma é impacto. A mídia da realidade objetiva impacta a sua memória e produz um trauma, um registro, um arquivo de memória.

Eis como se deu a gênese da sua realidade simulada: trauma, trauma, trauma, trauma…


07 | SOBREPOSIÇÃO SIMULADA

A separação entre a mídia da realidade simulada e a mídia da realidade objetiva não é uma separação de fato, é uma separação de discernimento. De fato, o que você experimenta, é a mídia da realidade simulada indivisivelmente sobreposta a mídia da realidade objetiva. Sobreposição é uma coisa por cima da outra. A mídia da realidade simulada é a imaginação que se sobrepõe a mídia da realidade objetiva. Por exemplo: você experimenta na realidade objetiva a visão objetiva de uma pessoa andando pela rua usando uma camisa vermelha sem estampa, só que você pode, através da sobreposição simulada, colar bolinhas brancas na camisa da pessoa, listras pretas, ou mesmo tirar a camisa da pessoa, tirar toda a roupa e deixar a pessoa pelada.

Esse discernimento era o que NÃO acontecia com o John Nash, no filme Uma Mente Brilhante. O Jonh Nash confundia Realidade Simulada com Realidade Objetiva. Ele não tinha o discernimento de que eram duas realidade sobrepostas. Ele fundia as duas realidades em uma, ou seja, co_fundia (confundia). Ele vivia a realidade simulada supondo que era objetiva. Era essa confusão que atrapalhava ele viver bem.

Quando você dorme e sonha, você faz a mesma confusão do John Nash. Por isso você entra em pânico quando está em um pesadelo. Você supõe que o sonho é mídia de realidade objetiva. Você só percebe que sonho é realidade simulada quando acorda. Nesse sentido, o John Nash acordava, mas continuava sonhando. Você também acorda, mas continua sonhando, pois continua imaginando. Só que você tem um bom discernimento de que são realidades sobrepostas. Se você perde esse discernimento, você passa a viver igual ao Jonh Nash. E muitas vezes você perde esse discernimento. Não tão profundamente como o John Nash, mas perde e vive mal.

Mas enfim, o principal nesse capítulo é entender que Realidade Objetiva e Realidade Simulada são duas mídias diferentes, porém, sobrepostas. E não estou inventando isso. Só estou explicando como é, para que você possa despertar e discernir o que está inconsciente para você.


08 | PROBLEMA DA FALTA

Tem uma cena no filme Uma Mente Brilhante, que o John Nash diz ao seu médico: “Eu só tenho que resolver um problema e resolver problema é minha profissão”. E o médico responde que no caso dele, o problema não era que ele tinha um problema, o problema era que ele não tinha ciência do problema que ele tinha. Ou seja, o problema do John Nash não era uma gripe, um tumor, uma dor de dente, enfim, algo que ele tinha, o problema dele era algo que ele não tinha. O problema dele era falta de discernimento. Por isso ele não conseguia resolver. John Nash é um caso gritante e extremo que mostra o que acontece quando você confunde realidade objetiva com simulada. Se fosse possível eu desligar seu discernimento, você viveria igual o John Nash.


09 | SOLUÇÃO DO PROBLEMA

John Nash decidiu que iria encontrar uma solução para sua falta de discernimento. E encontrou. O filme Uma Mente Brilhante mostra qual foi a solução. Tem uma cena no filme que ele diz para a esposa que a criança imaginária nunca envelhece. O que ele entendeu nesse momento? Ele entendeu que a mídia da Realidade Simulada funciona de forma diferente da mídia da Realidade Objetiva.

Imagine que você está segurando uma rosa na mão. Você está experimentando essa rosa simulada na sua mão simulada agora mesmo. Mas como é que essa rosa se fez presente na sua mão? Como chegou até você? Você plantou a rosa? Regou? Foi até uma floricultura? Comprou a rosa? Pagou com dinheiro? Não! Nada disso. Eu falei, você imaginou e a rosa-simulada está aí na sua mão-simulada, como por mágica.

Na mídia da realidade objetiva, o funcionamento é diferente. Para você segurar uma rosa na sua mão, tem todo um processo objetivo e temporal de realização. Você precisa plantar a rosa, regar, esperar crescer, colher e daí segurar a rosa na sua mão. Ou então, você precisa sair de casa, caminhar até a floricultura, comprar a rosa, pagar com dinheiro e daí segurar a rosa na mão.

Realidade objetiva e realidade simulada funcionam de forma diferente. É percebendo isso que você consegue separar uma da outra, embora você esteja sempre experimentando ambas sobrepostas.


10 | BICHO PAPÃO

O bicho papão dentro do armário só existe na mídia da realidade simulada. Quando você abre o armário e vê o armário vazio, o que aconteceu? O bicho papão sumiu? Não, continua no mesmo lugar de sempre, na mídia da realidade simulada. O que sumiu foi o equívoco, a suposição de que o bicho papão é realidade objetiva.


11 | SIGNIFICANTE NÃO É SIGNIFICADO

Agora que já separamos Realidade Objetiva de Realidade Simulada, vamos juntar ambas por semelhança. O que realidade simulada e realidade objetiva tem em comum? A resposta é: ausência de significado.

Pense em um filme, o que você vê na tela é só imagem, não tem significado em si. Realidade objetiva e realidade simulada são apenas significantes. Quando você experimenta uma imagem você está apenas experimentando a imagem. Quando você escuta uma palavra, você está apenas escutando um som.

Significante não tem significado em si. Essa é uma das coisas mais difíceis de discernir, porque quando você experimenta um significante (objetivo ou simulado), simultaneamente você experimenta também um significado. Por exemplo, quando você imagina uma rosa, junto com a imaginação você experimenta um significado também. Você tem sentimentos em relação a rosa, tem valores, tem gostos, tem preferências, etc. Tudo isso são significados que você experimenta junto com o significante rosa.

Por que isso acontece? Porque realidade é multimídia. Junto com a experiencia dos significantes (mídia da realidade objetiva e simulada), você também experimenta a mídia dos significados.


12 | REALIDADE SIGNIFICATIVA

Realidade objetiva e simulada é sua experiência de objeto. Mas atenção! Pois tem experiencia “de” objeto e tem experiência “com” o objeto. Experiência “de” objeto é quando você toma consciência do objeto. Só isso. Experiência “de” objeto é significante. O significado que você experimenta e que supõe estar nos objetos, não está nos objetos, está associado aos objetos através da mídia dos significados.

Pense no seu marido, ou filho, ou irmão. Você experimenta um significado junto com a imagem deles, não é? A mídia do significado é sua experiência “com” o objeto. A mídia do significado são os valores pessoais que você tem associado aos objetos.

Sendo que você experimenta significados, sendo que realidade é tudo que você experimenta, então, significado também é realidade. Vamos chamar a mídia do significado de Realidade Significativa. E vamos definir o termo. Realidade Significativa é a mídia de valor que você associa aos seus significantes. Assim, já temos discernidas três mídias com os seguintes nomes:

1) Mídia da Realidade Objetiva
2) Mídia da Realidade Simulada
3) Mídia da Realidade Significativa


13 | GÊNESE DO SIGNIFICADO

Da mesma maneira que a Realidade Simulada é construída em você através da memória, a Realidade Significativa também. Viver é traumatizante. Sua memória é traumatizada, marcada, tanto com os significantes como com os significados. A diferença é que Realidade Simulada é feita da sua memória DE objeto e a Realidade Significativa é feita da sua memória de interação COM o objeto. Ao mesmo tempo que você tem experiência DE objeto (objetiva ou simulada) você também tem lembrança de interação COM o objeto. Vamos entender isso.

Fogo é um objeto, é um significante. Ao mesmo tempo que você tem experiência DE fogo (objetiva ou simulada), você também tem lembrança de interação COM o fogo. Essa lembrança de interação pode ser, por exemplo, se queimar, e consequentemente, a conclusão “fogo é ruim”. Fogo é objeto, significante. Ruim é significado, resultado da sua interação com o fogo.

Tem outros tipos de significado e variantes de significados que você pode criar. Por exemplo, sua interação com o fogo pode ser de calor numa noite de frio. E daí você cria o significado “fogo é bom”. Sua interação com o fogo pode ser de iluminar um ambiente escuro. Daí você cria o significado “fogo é útil”. E assim por diante, você pode ter vários significados para o mesmo significante.


14 | O QUE É CRENÇA?

Significante e significado juntos formam uma estrutura mental. Essa estrutura é o que você chama de crença.

Crença é uma memória feita de duas memórias: significante e significado.

Crença = significante + significado.


15 | O PODER DA CRENÇA

O que a crença faz? Qual é o poder da crença? A crença possibilita você PREVER o futuro. Essa que é a função das crenças. Possibilitar que você possa atribuir significado aos objetos com os quais você interage e assim prever e optar pelo tipo de interação que é melhor para você. Por exemplo, é através da crença, “fogo queima, queimar é ruim”, que você pode prever e optar por não colocar a mão no fogo. Se você não tivesse crenças, você não poderia prever que “fogo queima, queimar é ruim”, e assim, não poderia optar pela melhor opção.


16 | PROBLEMA DAS CRENÇAS

Ter crenças ajuda você a viver bem, pois ajuda você a lidar bem com os objetos. Saber que fogo queima, por exemplo, te ajuda a lidar bem com o fogo (conviver bem com o fogo). Mas então, por que as crenças são tão condenadas como se fossem um problema? Qual é o problema com as crenças?

Uma crença é problemática quando é uma crença de correlação equivocada. Se você acreditar que fogo molha, por exemplo, essa crença é uma crença equivocada. Daí você vai tentar tomar banho com fogo e vai se queimar. Se for uma crença de correlação correta, não tem problema. Se for de correlação incorreta, daí ao invés de te ajudar a viver bem, vai te fazer viver mal. Se você acreditar que dentro do armário tem um bicho papão, essa crença não vai te ajudar a viver bem. Se você acreditar que dentro do armário tem roupa, essa crença vai te ajudar a viver bem.


17 | POR QUE VOCÊ VIVE MAL?

Vamos agora à pergunta fundamental. Caminhamos até aqui para responder essa pergunta:

Como é possível produzir uma crença equivocada? Como???

Através da informação não comprovada. Eu falo para você que fogo molha. Você simula essa experiência de que fogo molha. E passa a acreditar que essa sua experiência simulada é objetiva. Se todas as suas crenças fossem criadas a partir da sua própria experiencia, não haveria equívoco e não haveria mal viver. Ou seja, você vive mal porque suas crenças não são suas.


18 | COMO VIVER BEM?

Como voltar a viver bem? Caindo do cavalo. Desmascarando suas crenças e percebendo que não são suas, que não foram criadas a partir da sua própria experiencia. Dando a si mesmo o que está faltando: a experiência, o óbvio. Por exemplo, se você acredita que “fogo molha”, basta você colocar a mão no fogo e pronto! Fim do equívoco. Fogo não molha, fogo queima. Óbvio.


PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: Realidade é multimídia porque são três coisas interligadas. É isso?

Não são coisas interligadas, são mídias simultâneas. Coisa é dimensão, mídia é experiência. É fundamental entender o que é mídia para ficar claro quais são as mídias da realidade. Não é a toa que o livro se chama Realidade Multimídia, se fosse coisa, se chamaria Realidade Multicoisa. Mídia não é coisa. Mídia é tipo de experiência.


PERGUNTA: Qual é o significado da realidade objetiva?

Nenhum. Realidade objetiva é apenas experiência sensorial, experiência DE objeto, não tem valor nenhum em si, não tem significado nenhum, é apenas significante.


PERGUNTA: Por que tudo tem significado para mim?

Porque ao mesmo tempo que você tem experiência DE objeto (significante) você tem também experiência COM o objeto (significado). São duas mídias diferentes da mesma experiência, mas você experimenta como se fosse uma só, assim como num filme tem a mídia do áudio e a mídia do vídeo, mas você experimentando como se fosse uma só, o filme.


PERGUNTA: Sendo que multimídia é tudo junto e misturado, como separar?

Mídias não são coisas, então, não adianta usar faca para separar. Não tem espaço entre as mídias. Não é possível colocar uma mídia em cima e outra em baixo. São inseparáveis. A separação só é possível pelo discernimento. Essa é a dificuldade. Você não tem prática em discernir. Ninguém jamais te incentivou a desenvolver o discernimento. Na escola, te ensinaram a ler e escrever, te ensinaram o nome dos estados e das capitais, te ensinaram a cantar o hino nacional, te ensinaram química, biologia, história e etc. Mas nunca, jamais, em momento algum, te estimularam a desenvolver o discernimento. Por isso a dificuldade em separar as mídias.


PERGUNTA: Em que ajuda dar nome aos bois? Ou seja, nomear as mídias?

A nomeação ajuda na prática do discernimento. Imagine que você está bebendo um suco agridoce. Você não entende aquele gosto, daí o barman te explica: “Isso é uma limonada, que é uma mistura de suco de limão, que é o gosto ácido, e açúcar, que é o gosto doce, por isso o gosto agridoce”. O barman não passou uma faca na limonada e separou o ácido do doce, mas ao dar nome aos sabores, ajudou você a discernir que agridoce = ácido + doce. Analogamente, quando esse livro dá nome aos “sabores da realidade” que você está experimentando, o nome não está lhe dando o discernimento, isso é impossível, mas está lhe ajudando a discernir. Assim como as palavras doce e ácido lhe ajudam a discernir os dois aspectos do agridoce, as palavras objetiva, simulada e significativa, junto com a explicação de cada palavra, têm a função de lhe ajudar a discernir essas três mídias da realidade.


PERGUNTA: Qual é o problema das crenças?

Absolutamente nenhum. O problema é você, não são as crenças. Crenças são apenas crenças. Crenças são fundamentais para experiência humana. Sem crenças é impossível brincar de ser humano. O problema é quando você acredita em crenças que não foram produzidas a partir da sua própria experiência. E você faz isso o tempo todo no automático. Isso lhe impede de viver bem. Por exemplo, vamos supor que você quer ter um companheiro, tipo um marido ou namorado, mas você acredita que homem não presta. De onde vem essa crença? Sua bisavó foi uma escrava em 1900 que sofreu com os homens, daí criou essa crença e passou para sua avó, que passou para sua mãe, que passou para você. E aí está você, vivendo sozinha porque acredita numa crença herdada da sua mãe, que nem dela era.


PERGUNTA: Realidade simulada pode ser entendida como subjetividade?

Sim, esse é um termo filosófico. Optei por usar o termo “realidade simulada” ao invés de “realidade subjetiva” por alguns motivos. Um deles é que a realidade objetiva também é subjetiva. Outro motivo é que o termo “subjetivo” não colabora com a indicação de que imaginação é simulação da realidade objetiva.

PERGUNTA: Realidade significativa também é subjetiva?

Realidade é subjetiva. Ponto. Não existe realidade que não seja subjetiva. A palavra “objetiva” de realidade objetiva, não quer dizer realidade absoluta ou externa, diz respeito a experiencia DE objeto.


PERGUNTA: Uma pessoa sob efeito de drogas está experimentando uma realidade objetiva distorcida.

Está experimentando uma realidade objetiva diferente da usual uma vez que os cinco sentidos estão em estado diferente do usual. O raciocínio “realidade objetiva distorcida” sugere que existe uma realidade externa que está sendo percebida de forma “distorcida”. Mas não existe realidade externa. Então, não é que a realidade objetiva está sendo percebida de forma “distorcida”, a realidade objetiva esta sendo criada de forma não usual. Isso é o mesmo que está acontecendo com um cego, ou um surdo, por exemplo.


PERGUNTA: Como perceber melhor a realidade objetiva?

Colocando o foco do seu saber nos cinco sentidos. Veja que você vê e fique vendo ver. Sinta que você sente e fique sentindo sentir. Ouça que você ouve e fique ouvindo ouvir. Perceba que você saboreia e fica saboreando saborear. Perceba que você cheira e fica cheirando cheirar. Enfim, quanto mais você praticar ficar consciente dos seus sentidos, melhor você vai perceber sua realidade objetiva.


PERGUNTA: Se a experiência de realidade simulada é de significantes (objetos) assim como a experiência de realidade objetiva, quer dizer que ambas são objetivas?

Não, realidade simulada é simulação da realidade objetiva. Vou usar dois termos para possibilitar discernimento e comunicação. Você experimenta dois tipos de significantes, ou seja, dois tipos de objetos: A) Objeto-Objetivo – mídia de realidade objetiva, por exemplo: visão de cadeira. B) Objeto-Simulado – mídia de realidade simulada, por exemplo: imaginação de cadeira.

PERGUNTA: Qual é a diferença entre um Objeto-Objetivo e um Objeto-Simulado?

A diferença entre um Objeto-Objetivo e um Objeto-Simulado é que você não é fonte de manifestação do Objeto-Objetivo, mas você é a fonte de manifestação do Objeto-Simulado. Por isso que você pode fazer um Objeto-Simulado aparecer e desaparecer apenas usando a imaginação, mas não pode fazer o mesmo com um Objeto-Objetivo. 

PERGUNTA: Então, não sou criador da minha realidade?

Você está criando essa resposta que está lendo? Sim e não. Sim, porque ler é decodificar minha manifestação e decodificar é criar sua realidade. E não, porque a fonte de manifestação desse texto sou eu e não você. Ou seja, a palavra criar, muitas vezes é usada, onde o mais apropriado é dizer “decodificar”.


PERGUNTA: Significante é o objeto que estou vendo?

Significante é forma sensorial. Como a visão é o sentido mais dominante e mais usado, é quase inevitável pensar em significante como objeto. Mas as formas dos outros sentidos também são significantes. Por exemplo, cor é significante, som é significante, calor é significante, sabor é significante, aroma é significante, etc.


PERGUNTA: O John Nash experimenta qual realidade?

Todas. Igual você. Realidade é multimídia, sempre. O que acontece com o John Nash, em grau bem acentuado, é conFUNDIR realidade objetiva com simulada.


PERGUNTA: A crença de que sou HUMANO SER faz parte da imaginação? Com o despertar da consciência essa crença desaparece?

HUMANO SER não é uma crença, é uma PERSPECTIVA PERCEPTIVA. Essa perspectiva é o que faz você se perceber como um corpo contido no espaço. Enquanto você está optando por brincar de ser humano você experimenta essa perspectiva, não desaparece, mesmo com o despertar da consciência. O que acontece quando você desperta a consciência é que fica óbvio que “corpo contido no espaço” é apenas uma PERSPECTIVA PERCEPTIVA. Despertar da consciência não muda o jogo, muda seu jeito de jogar.


PERGUNTA: Minha realidade são minhas crenças materializadas?

Quase! Sua realidade é seu arbítrio realizado. Só que você opta usando seu cardápio de crenças. Então, sim, faz sentido você pensar que sua realidade é suas crenças realizadas.


PERGUNTA: Eu atribuo valor de acordo com minhas crenças?

Uma crença já é uma estrutura mental: objeto-valor. Por isso quando você experimenta um objeto (significante) junto você experimenta um valor (significado).


PERGUNTA: O sofrimento surge na realidade simulada?

Não. Se fosse, você lidava com o sofrimento assim como lida com a imaginação.


PERGUNTA: Tudo que experimento sou eu que escolho?

Sim, é resultado do seu arbítrio. Por que não seria?

PERGUNTA: O sexo do meu filho, por exemplo, eu que escolhi?

O sexo do seu filho é arbítrio do seu filho, não seu. Você optou pela maternidade, o que inclui tudo que vem nesse pacote.


PERGUNTA: Se a realidade simulada imita a objetiva, então, posso sofrer com a imaginação?

É exatamente isso que você faz todos os dias. Primeiro você imagina unicórnios assassinos e depois começa a sofrer com o ataque deles.


PERGUNTA: Como desequivocar de uma crença que não pode ser experimentada na realidade objetiva, ou seja, que só reside na simulada? Exemplo: crença de vida após a morte.

Mostrando a si mesmo que essas crenças são o que são: crenças. O problema nesses casos é você dar as essas crenças o status de fato, quando de fato, para você, são apenas crenças (teorias). E não precisa ser uma teoria tabu como você está dizendo. Tudo que para você é pessoal, pra mim é crença. Vamos supor que você me diga que gosta de chá de boldo. Para você é fato, para mim, é crença (outrociência). Não acredito, nem desacredito, considero. Se dou ao que você está dizendo o status de fato, daí é problema, porque você pode estar mentindo. Se mantenho sendo o que é: o que você está dizendo. Sem problemas.


PERGUNTA: É difícil entender significante e significado. De onde você tirou isso?

A primeira vez que ouvi as palavras significante e significado foi na faculdade de comunicação, numa matéria que todo mundo levava bomba, chamada semiótica. Eu quase levei bomba também. A professora explicava, reexplicava, mas não entrava na minha cabeça que o significado não era o significante. Nessa época achava essa matéria (semiótica) uma grande besteira. Não entendi porque tinha essa matéria chata e inútil em um curso de comunicação. Quando despertei a consciência existencial, os termos significante e significado ressurgiram na minha cabeça e encaixaram feito luva. Na semiótica, o conceito de significante é usado apenas para símbolos e signos de comunicação, na 1ficina, extrapolei o conceito de significante para toda realidade objetiva e simulada. Ou seja, se já é difícil discernir o significante e significado na concepção da semiótica, mais difícil na concepção da 1ficina, que extrapola o conceito e o explica como parte da realidade multimídia. Então, entendo sua dificuldade com a leitura. Mas recomendo que estude o assunto com compromisso e discernimento. Entender que realidade é multimídia é fundamental para viver e conviver bem. O tempo e o compromisso investido nesse estudo vale cada segundo investido.

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Por que você busca autoconhecimento nos outros, nos mestres, nos livros, nas doutrinas, ao invés de buscar em si e por si? O que você quer com isso? Você quer saber com a consciência dos outros. “Buda disse isso, Jesus disse aquilo, Einstein disse que é relativo, Freud explicou, Sócrates sabe que nada sabe, etc”. E assim você segue copiando e colando sabedoria, porém, jamais sabendo. Não adianta acreditar que fogo queima, você precisa colocar a mão no fogo para saber. O mesmo com o autoconhecimento. Você deve caminhar pela autociência para saber de si e por si, não pela crença. Acreditar não é saber, é copiar e colar. Só autociência produz autoconhecimento.

Crenças são explicações que nascem da ignorância e só sobrevivem na ignorância. Você só acredita quando ignora. Quando é óbvio, acreditar é impossível, pois a própria evidenciação é a explicação. Quando você é criança, por exemplo, você ignora como nasceu. Então, você vai perguntar sobre seu nascimento a alguém que, segundo sua memória, já existia antes de você existir. Você pergunta aos seus pais: “Como eu nasci?”. Seus pais decidem que não é apropriado lhe apresentar ao óbvio ainda e respondem: “Uma cegonha trouxe você”. Para reforçar essa crença, eles lhe mostram uma linda ilustração. Você acredita, pois ignora o óbvio. Passado algum tempo, se você é homem, você introduz o óbvio em sua parceira, ou então, se você é mulher, o óbvio é introduzido em você. Nove meses de gestação. Nasce seu filho. Morre a crença na cegonha.

Você é um consumidor de significados. Claro que você não tem consciência disso, mas é isso. Produto é significante, coisa, objeto. Seu consumismo não é por significante, você não compra coisas, você compra o significado que está mentalmente associado as coisas.

Coisa é substantivo, significado é adjetivo associado ao objeto. Então, o que você deseja em uma coisa é o que não está na coisa. O que você deseja ao comprar um produto é o significado que está associado ao produto e não o produto. Por isso, tão logo você percebe que a coisa que você comprou é o que é, uma coisa, você perde o interesse pela coisa. Ver coisa como coisa retira da coisa o que nunca esteve nela, o significado.

O sorriso encantador não está no creme dental. A beleza não está no vestido, nem no sapato, nem nos cosméticos. O orgasmo não está na lingerie, nem no chocolate. A festa não está dentro da lata de cerveja. O sucesso e a masculinidade não estão no cigarro. A família feliz não está no pote de margarina. A juventude não está na garrafa de coca cola. O American Dream não está no Big Mac.

E associação mental não acontece só para produtos físicos e monetariamente lucrativos, acontece para produtos ideológicos e socialmente lucrativos também. Por exemplo. O reino dos céus não está no cristianismo. A iluminação não está no budismo. A verdade não está no espiritismo. O bem estar não está na yoga. A saúde não está no veganismo. A igualdade social não está no comunismo. A liberdade não está no capitalismo. E assim por diante.

Consumismo é você usando uma coisa (dinheiro) para comprar outra coisa (produto). Só que seu desejo não é por coisas (significantes), seu desejo é por valor (significados). Então, quando seu consumismo é inconsciente, comprar é apenas desperdício de dinheiro e de oportunidade de autoconhecimento.

Eu controlo pensamento. Duvida? Estou controlando seu pensamento agora mesmo e vou continuar controlando até o final desse abacate. Ops! Pensou em abacate? Até o final dessa tartaruga. Ops! Pensou em tartaruga? Até o final desse liquidificador. Ops! Pensou em liquidificador? Até o final dessa leitura. Entendeu agora?

Pensamento é reação mental automática. Tudo e qualquer coisa controla seu pensamento. Até um pernilongo controla seu pensamento. Trocando a palavra “controle” por “influência”, tudo e qualquer coisa influencia seu pensamento. Só que no caso da convivência humana essa influência é executada com um requinte tecnológico extraordinário. Nesse exato momento estou usando essa tecnologia com você, chama-se “palavras”. Cenoura, melancia, bola, avião, chinelo. Percebe? Estou usando palavras para controlar seu pensamento.

Chocado? Ótimo! Mas atenção! Influenciar não é determinar. Pensamentos influenciam, mas é você que decide acreditar ou não neles. Tudo controla seu pensamento, mas nada pode controlar seu arbítrio. Acreditar ou não em um pensamento é arbítrio incorruptível e intransferível.

Tudo controla seu pensamento, inclusive você. Então, aproveita, porque desde que nasceu estão aproveitando de você.

PERGUNTA: Como você lida com nossas crenças enraizadas?

Simples, não lido! Ema, ema, ema, cada um com seus problemas! Lidar com suas crenças é problema seu. Professor de autociência não é conselheiro, nem guru, nem terapeuta. Meu trabalho é ajudar você a ficar consciente de como funciona seu arbítrio e de que forma esse funcionamento afeta a qualidade da sua experiência. Crenças são apenas objetos mentais. O buraco é mais embaixo. Para viver bem, ao invés de trocar uma crença por outra, você deve ficar consciente sobre o que é acreditar. Como funciona? Para que serve? Enquanto você não estiver consciente sobre o que é acreditar, pouco importa quais são suas crenças, você só irá trocar cocô por bosta e vai continuar na merda.

Uma coisa é somar coisas, como uma laranja e um abacate, por exemplo. Outra coisa é somar fantasmas, como xis mais ípsilon. O resultado da soma de xis mais ípsilon é tão fantasmagórico como xis e ípsilon.

Esse é o problema de equacionar conceitos sem ter ciência do que se está equacionando. Saber a explicação não é saber, é saber que não se sabe. Quando você precisa de explicação é porque você ignora. Que explicação você precisa para saber que fogo queima? Que explicação você precisa para saber que azul é azul?

Explicações são meu bem meu mal na prática do autoconhecimento. Explicações são mapas para lhe ajudar no despertar da consciência. Só que o mapa não é o território. Por isso, quanto mais você soma, divide e multiplica conceitos, mais você afunda na matemática de fantasmas e menos entende. Saber a explicação não é estar ciente do que está sendo explicado, é apenas saber a explicação.

Quer sair da teoria? Livre-se dos livros e leia-se!

O que você diz não é o que o outro escuta. E vice-versa. Isso acontece porque o significado das palavras não vem das palavras. Significado é um acidente de trânsito dentro da cabeça, surge da colisão entre as palavras e o conteúdo mental. Sendo que cada cabeça é um universo, eis o alicerce da torre de babel. Você produz palavras, emite sons, digita letras e só. Emitir palavras não é comunicação. Palavra não tem significado em si. É assim que funciona. E não tem como evitar de ser assim. Comunicação é impossível. Comunicação só fica possível quando você está lúcido de que é impossível. Quando você está ciente de que cada um tem um dicionário diferente dentro da cabeça, você pode, durante uma conversa, buscar entender o que o outro quer dizer com o que está dizendo. Essa simples atitude revoluciona a qualidade da comunicação.

Tanto falar como acreditar são atividades que você executa de forma automática (subconsciente). Mas você sempre pode se tornar consciente sobre uma execução subconsciente. Como? Através da autoobservação. É através da autoobservação, e só através da autoobservação, que você sai da ignorância e se torna consciente do que estava inconsciente.

Eis porque iluminação não é crença. Assim como observar o processo de falar não é você falando, é você consciente do falar que está executando, observar o processo de acreditar também não é você acreditando, é você consciente do acreditar que está executando.

Iluminação não é crença porque não é você acreditando saber, é você sabendo o que é acreditar. Só que você não sabe o que é acreditar. Você acredita que sabe. Por isso, para você, iluminação é crença.

Imagine que tem uma fruta em cima da mesa. Você olha para essa fruta e chega a seguinte conclusão: É uma maçã! Sua conclusão de que a fruta é uma maçã não surge por milagre, surge porque você executa um processo mental que tem como fim essa conclusão. Que processo mental é esse?

— Memória.

Sim, envolve memória, mas a memória não é a operação mental em si, a operação mental é uma operação mesmo. Que operação é essa?

— Não sei.

Seja um autocientista. Faça a experiência. Coloque uma maçã em cima da mesa e se pergunte: Que processo mental estou executando para concluir que isso é uma maçã?

— Eu observo a fruta e comparo com o que já sei.

Pronto! Você descobriu qual é o processo.

— É a comparação?

Sim. Agora, vamos aplicar essa descoberta ao fracasso. Imagine uma PESSOA em cima da mesa. O nome dessa pessoa é VOCÊ. Você olha para VOCÊ e chega a seguinte conclusão: sou um fracasso! A conclusão de que você é um fracasso não surge por milagre, surge porque você executa um processo mental que tem como fim essa conclusão. Que processo mental é esse?

— O mesmo da maçã: comparação.

Exato! Só que para você executar o processo mental da comparação é preciso ter um PAR, é preciso ter dois, é preciso ter uma coisa e outra coisa. Com o quê você compara a fruta em cima da mesa para chegar a conclusão de que é uma maçã?

— Comparo com outra maçã.

E onde está essa outra maçã?

— Agora sim, na memória!

Isso! Vamos chamar a memória de dicionário. Você observa algo em cima da mesa, daí sua memória, que é seu dicionário, lhe diz que você está observando uma maçã. Confere?

— Sim, confere.

Então, para concluir que a fruta em cima da mesa é uma maçã, você compara a maçã OBSERVADA com uma maçã PENSADA. Você compara a maçã OBSERVADA com uma IDEIA de maçã. Confere?

— Isso mesmo!

Quando a maçã observada é IGUAL a maçã pensada, você conclui que é uma maçã. Quando a maçã observada é DIFERENTE da maçã pensada, você conclui que não é uma maçã. Confere?

— Parece pegadinha, mas sim, confere.

É pegadinha! A experiência humana é uma pegadinha. Estou lhe ajudando a entender a pegadinha para sair dela. Prosseguindo… Sendo que o processo mental de conclusão sobre a maça é exatamente o mesmo processo mental de conclusão sobre si, como você chega a conclusão de que você é um fracasso?

— Comparando também.

Comparando o quê com o quê?

— Não sei.

Comparando você OBSERVADO com você PENSADO. Quando você observado é IGUAL você pensado, você conclui que você é um sucesso. Quando você observado é DIFERENTE de você pensado, você conclui que é um fracasso. É assim que você chega a conclusão que é um fracasso. Confere?

— Sim, confere.

Ótimo! Agora vamos ao principal ponto dessa investigação. Quem é VOCÊ PENSADO? Como VOCÊ PENSADO nasceu? Como foi morar dentro da sua cabeça?

— Desde criança, meus pais, principalmente minha mãe, tinha muitas expectativas sobre mim. Até hoje, muitas pessoas, amigos e clientes, tem muitas expectativas em relação a mim, em relação ao meu trabalho, em relação a minha conduta e aos meus métodos.

Sendo assim, do que esse VOCÊ PENSADO é feito?

— É feito de expectativas.

Expectativas de quem?

— Dos outros sobre mim.

Sacou a pegadinha? VOCÊ PENSADO é seu pai, sua mãe, seus amigos, os professores, a sociedade, a igreja, Jesus Cristo e os 12 apóstolos, o Papa, o Buda, o Dalai Lama, o comercial da coca cola, todos os filmes de Hollywood, todos os vídeos pornôs da internet, todos os partidos políticos, a torcida do Corinthians, do Palmeiras e do Flamengo, os comentários do Galvão Bueno e da Ana Maria Braga, a revista Veja, a revista Caras, o jornal Folha de São Paulo, todo o conteúdo do Facebook, etc. VOCÊ PENSADO é feito da expectativa dos outros. VOCÊ PENSADO é o OUTRO dentro de você. Olha só que loucura! Você se compara com VOCÊ PENSADO e chega a conclusão que é um fracasso porque você não é os outros, porque você não é igual aos outros, porque você é diferente dos outros. Sendo assim, pergunto: Você é igual os outros?

— Obviamente que não!

Se é tão óbvio assim, porque você SE OBRIGA a viver como se fosse?

— Não sei a resposta.

Espantoso, não? Você se chicoteia, se condena, se nega, se proíbe de ser você. Depois se obriga a ser outro. Mas você nem percebe que vive assim. Ficou automático. Você se programou para viver de uma forma doente e agora vive dessa forma doente sem sequer se dar conta disso. Entende?

— Entendo, é isso mesmo!

Ótimo! Então, agora que você tem duas opções: A) Continuar ignorando sua doença e consequentemente continuar vivendo mal. Ou B) Sair da ignorância e iniciar um processo de cura. Qual é sua opção?

— Opto pela opção B.

Sábia decisão.

Trauma é marca, registro, memória. Tudo que você experimenta gera memória. Viver é traumatizante. Viver gera memórias. Acontece que você usa a palavra trauma só para memórias desagradáveis, mas tanto memórias desagradáveis como memórias agradáveis são traumas. Entendido isso, é importante perceber também que você precisa da memória para viver. Sem memória é impossível você viver. Sem memória é impossível você fazer qualquer coisa, pois saber fazer é lembrar como faz. Então, viver é reviver traumas. Isso não é bom nem ruim, é fato. A forma como você lida com esse fato pode resultar em bem viver ou mal viver. Para lidar bem, é preciso autoconhecimento. Para lidar mal, ignorância serve.

Ouvir uma voz falando dentro da cabeça é muito estranho. E não é uma só! Sua cabeça parece um fórum de debates. Caos total. Cada voz querendo ganhar no grito da outra. Pensa bem, é muito estranho experimentar pensamentos. Você só não acha estranho porque se acostumou e não tem como desligá-lo. Mas escutar o pensamento é estranhíssimo. Por isso o povo antigo acreditava estar ouvindo a voz de deus. Imagine que você nunca tivesse escutado seu pensamento e, de repente, começasse a escutá-lo. Na melhor das hipóteses, você iria achar que ligaram um chip de celular na sua cabeça, ou então, que é a voz do seu criador. E você estaria certo e errado ao mesmo tempo. Certo porque de fato o pensamento é a voz do seu criador. Errado por que esse criador não é outro, é você mesmo.

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