INTRODUÇÃO

Realidade não é multidimensional, realidade é multimídia. Dimensão é um conceito físico, materialista. Realidade não é material, é experiencial. A materialidade da realidade é apenas uma das mídias dessa experiência que você está experimentando e que você chama de realidade. Sei que isso parece estranho para você. Aliás, mais do que estranho, parece um absurdo. O caminho para transformar esse absurdo em óbvio é a autociência. Por isso, ao invés de ler esse livro, use-o como mapa para comprovar por si mesmo e em si mesmo o autoconhecimento que está sendo explicado aqui. Só assim a explicação de que realidade é multimídia pode se tornar a comprovação de que realidade é multimídia.


01 | O QUE É REALIDADE?

Realidade é tudo que você experimenta. Essa é a definição experimental de realidade. A definição física não inclui você (experimentador), pelo contrário, a definição física exclui você. Realidade é tudo que você experimenta, é uma definição autocientífica, objetiva, direta e prática. Basta você pegar tudo isso que você está experimentando agora e sempre e escrever na legenda: realidade. Pronto! Ao fazer isso, você já sabe, agora e sempre, sem teoria, o que é realidade. Não tem complicação nessa explicação. Não tem nenhuma teoria.

Tudo que você experimenta = realidade.
Realidade = Tudo que você experimenta.

PERGUNTA: Eu também experimento imaginação. Então, imaginação também é realidade?

Sim! Sendo que realidade é tudo que você experimenta. Sendo que você experimenta imaginação. Então, imaginação é realidade. É por isso que estamos partindo da definição de que realidade é tudo que você experimenta. Não tem definição mais abrangente do que essa. Tudo é tudo. Tudo é sem exceção. Estamos começando do tudo, sem exceção, para depois entrarmos nas particularidades desse tudo.


02 | DO QUE TUDO É FEITO?

Realidade é tudo que você experimenta. Tudo é tudo, sem exceção. Só que esse tudo que você experimenta, que você está experimentando agora e sempre, é multimídia. Então, tudo é feito de tudinhos. Em outras palavras, realidade é feita de sub-realidades. Essas sub-realidades da realidade que você está experimentando agora e sempre são as mídias da realidade.

Realidade feita de sub-realidade é como as mídias do audiovisual. Quando você está assistindo um filme na televisão, você está experimentando duas mídias simultaneamente: a mídia da imagem e a mídia do som. Por serem simultâneas e sincronizadas, você tem a experiência de filme.

Realidade também é multimídia. Agora e sempre você está experimentando mídias simultâneas e sincrônicas que resultam nessa realidade que você está experimentando agora e sempre. Mas assim como você não percebe que um filme é multimídia (imagem e som), você também não percebe que realidade é multimídia. E por que não? O que falta para você perceber?


03 | SEPARANDO O INSEPARÁVEL

Falta discernimento para você perceber que realidade é multimídia. Você não tem clareza, lucidez, de que essa realidade que você está experimentando é feita de mídias em sincronia. Você não está consciente de que a realidade é multimídia. Então, para decompormos a realidade, o primeiro passo é dar nome aos bois, ou seja, nomear cada uma das mídias que compõem a realidade. Conforme nomeamos as mídias, começamos a entender o que é uma e o que é outra e no que uma difere da outra. Igual quando nomeamos as mídias de um filme com o nome de vídeo e áudio, as palavras vídeo e áudio são fundamentais para o entendimento e para diferenciação.


04 | REALIDADE OBJETIVA

Uma das mídias dessa realidade que você está experimentando é a mídia da realidade objetiva. O que é realidade objetiva? É essa mídia que você chama de cinco sentidos. Você está agora e sempre experimentando visão, olfato, paladar, tato e audição. Você está experimentando constantemente o fluxo dessas cinco mídias. Junte essas cinco mídias em uma só e escreve na legenda: realidade objetiva.

Isso que você está vendo, o frio que você está sentindo, o som que você está ouvindo, é você experimentando a mídia da realidade objetiva. Quando você fala “o mundo”, você está se referindo a realidade objetiva. Uma câmera fotográfica fotografa a realidade objetiva.

Realidade objetiva é uma sub_realidade dessa realidade que você está experimentando agora e sempre.

Você tem experiência de OBJETO através da mídia da Realidade Objetiva. Essa cadeira, essa mesa, essa parede, esse computador, seu corpo, tudo isso é você experimentando a mídia dos sentidos, a mídia da Realidade Objetiva.


05 | REALIDADE SIMULADA

Só que você não experimenta objetos apenas feitos de realidade objetiva. Por exemplo: pense em uma rosa. Sinta o cheiro dessa rosa. Segura no cabo da rosa e sinta os espinhos. Percebe? Você experimenta objetos mesmo sem estar experimentando a mídia da realidade objetiva. Então, tem uma outra mídia que também possibilita você ter experiência de objeto. Que mídia é essa?

Você chama essa mídia de imaginação. E através dela você experimenta objetos e acontecimentos como se fosse a mídia da realidade objetiva, como se fosse a mídia dos sentidos. Quando algo é “como se fosse”, esse algo é uma cópia, uma imitação. Quando você imagina um objeto, ou um acontecimento, não é mídia da realidade objetiva, mas é como se fosse mídia da realidade objetiva, então, é uma mídia de realidade simulada.

Imaginação é outra sub_mídia da realidade que você está experimentando agora e sempre, mas sendo que imaginação é simulação da realidade objetiva, sendo que imita a realidade objetiva, a partir de agora, vamos chamar a imaginação de mídia da realidade simulada.

Sendo assim, agora já temos duas mídias que compõem sua realidade. Tem uma mídia que é a mídia dos sentidos, nomeada mídia da Realidade Objetiva, e tem uma mídia que simula a mídia da realidade objetiva, que é a imaginação, e que vamos nomear de mídia da realidade simulada.


06 | GÊNESE SIMULADA

A mídia da realidade simulada (imaginação) não é como a mídia da realidade objetiva (sentidos), que você já nasce experimentando. A mídia da imaginação é construída. Como isso acontece? Acontece através das experiências de realidade objetiva. Para simular uma rosa na imaginação, primeiro você precisa ter a experiência objetiva de rosa, você memoriza, e então, pode simular uma rosa na sua imaginação. Se você não teve a experiência objetiva da rosa, se nunca viu uma rosa, como vai conseguir simular na imaginação o que você nunca viu? Simular é imitar. Como imitar algo que você nunca experimentou?

Quanto mais experiências de realidade objetiva você tem, mais você está construindo potencial de realidade simulada, mais você está agregando repertório para criação de realidade simulada. Assim que você tem uma experiência de rosa-objetiva, já pode imaginar uma rosa-simulada. Assim que você tem uma experiência de melancia-objetiva, já pode imaginar uma melancia-simulada. Assim que você tem uma experiência de cavalo-objetivo, já pode imaginar um cavalo-simulado. E assim por diante. Quanto mais experiência de realidade objetiva, mais repertório para produzir realidade simulada.

Quando você tem experiencia de realidade objetiva, o que essa experiencia está fazendo com você? Está criando memória. Por isso se eu falar uma palavra agora, você vai experimentar essa palavra através da mídia de realidade objetiva e depois vai conseguir simular essa palavra. Por exemplo: beterraba. Se eu te perguntar qual palavra eu falei, você vai imitar o que memorizou e me dizer: beterraba.

Você é um gravador ligado. Tudo que está chegando em você pelo gravador, ou seja, pelos cinco sentidos, você está registrando e uma vez registrado, você consegue simular. Você não consegue não registrar, não memorizar. A produção de memória é um processo ininterrupto e involuntário.

Viver é traumatizante. Experimentar realidade objetiva traumatiza a sua memória. Assim como o som traumatiza a memória de um gravador, tudo que você experimenta da realidade objetiva, você registra, memoriza. Trauma não é negativo, nem positivo, trauma é impacto. A mídia da realidade objetiva impacta a sua memória e produz um trauma, um registro, um arquivo de memória.

Eis como se deu a gênese da sua realidade simulada: trauma, trauma, trauma, trauma…


07 | SOBREPOSIÇÃO SIMULADA

A separação entre a mídia da realidade simulada e a mídia da realidade objetiva não é uma separação de fato, é uma separação de discernimento. De fato, o que você experimenta, é a mídia da realidade simulada indivisivelmente sobreposta a mídia da realidade objetiva. Sobreposição é uma coisa por cima da outra. A mídia da realidade simulada é a imaginação que se sobrepõe a mídia da realidade objetiva. Por exemplo: você experimenta na realidade objetiva a visão objetiva de uma pessoa andando pela rua usando uma camisa vermelha sem estampa, só que você pode, através da sobreposição simulada, colar bolinhas brancas na camisa da pessoa, listras pretas, ou mesmo tirar a camisa da pessoa, tirar toda a roupa e deixar a pessoa pelada.

Esse discernimento era o que NÃO acontecia com o John Nash, no filme Uma Mente Brilhante. O Jonh Nash confundia Realidade Simulada com Realidade Objetiva. Ele não tinha o discernimento de que eram duas realidade sobrepostas. Ele fundia as duas realidades em uma, ou seja, co_fundia (confundia). Ele vivia a realidade simulada supondo que era objetiva. Era essa confusão que atrapalhava ele viver bem.

Quando você dorme e sonha, você faz a mesma confusão do John Nash. Por isso você entra em pânico quando está em um pesadelo. Você supõe que o sonho é mídia de realidade objetiva. Você só percebe que sonho é realidade simulada quando acorda. Nesse sentido, o John Nash acordava, mas continuava sonhando. Você também acorda, mas continua sonhando, pois continua imaginando. Só que você tem um bom discernimento de que são realidades sobrepostas. Se você perde esse discernimento, você passa a viver igual ao Jonh Nash. E muitas vezes você perde esse discernimento. Não tão profundamente como o John Nash, mas perde e vive mal.

Mas enfim, o principal nesse capítulo é entender que Realidade Objetiva e Realidade Simulada são duas mídias diferentes, porém, sobrepostas. E não estou inventando isso. Só estou explicando como é, para que você possa despertar e discernir o que está inconsciente para você.


08 | PROBLEMA DA FALTA

Tem uma cena no filme Uma Mente Brilhante, que o John Nash diz ao seu médico: “Eu só tenho que resolver um problema e resolver problema é minha profissão”. E o médico responde que no caso dele, o problema não era que ele tinha um problema, o problema era que ele não tinha ciência do problema que ele tinha. Ou seja, o problema do John Nash não era uma gripe, um tumor, uma dor de dente, enfim, algo que ele tinha, o problema dele era algo que ele não tinha. O problema dele era falta de discernimento. Por isso ele não conseguia resolver. John Nash é um caso gritante e extremo que mostra o que acontece quando você confunde realidade objetiva com simulada. Se fosse possível eu desligar seu discernimento, você viveria igual o John Nash.


09 | SOLUÇÃO DO PROBLEMA

John Nash decidiu que iria encontrar uma solução para sua falta de discernimento. E encontrou. O filme Uma Mente Brilhante mostra qual foi a solução. Tem uma cena no filme que ele diz para a esposa que a criança imaginária nunca envelhece. O que ele entendeu nesse momento? Ele entendeu que a mídia da Realidade Simulada funciona de forma diferente da mídia da Realidade Objetiva.

Imagine que você está segurando uma rosa na mão. Você está experimentando essa rosa simulada na sua mão simulada agora mesmo. Mas como é que essa rosa se fez presente na sua mão? Como chegou até você? Você plantou a rosa? Regou? Foi até uma floricultura? Comprou a rosa? Pagou com dinheiro? Não! Nada disso. Eu falei, você imaginou e a rosa-simulada está aí na sua mão-simulada, como por mágica.

Na mídia da realidade objetiva, o funcionamento é diferente. Para você segurar uma rosa na sua mão, tem todo um processo objetivo e temporal de realização. Você precisa plantar a rosa, regar, esperar crescer, colher e daí segurar a rosa na sua mão. Ou então, você precisa sair de casa, caminhar até a floricultura, comprar a rosa, pagar com dinheiro e daí segurar a rosa na mão.

Realidade objetiva e realidade simulada funcionam de forma diferente. É percebendo isso que você consegue separar uma da outra, embora você esteja sempre experimentando ambas sobrepostas.


10 | BICHO PAPÃO

O bicho papão dentro do armário só existe na mídia da realidade simulada. Quando você abre o armário e vê o armário vazio, o que aconteceu? O bicho papão sumiu? Não, continua no mesmo lugar de sempre, na mídia da realidade simulada. O que sumiu foi o equívoco, a suposição de que o bicho papão é realidade objetiva.


11 | SIGNIFICANTE NÃO É SIGNIFICADO

Agora que já separamos Realidade Objetiva de Realidade Simulada, vamos juntar ambas por semelhança. O que realidade simulada e realidade objetiva tem em comum? A resposta é: ausência de significado.

Pense em um filme, o que você vê na tela é só imagem, não tem significado em si. Realidade objetiva e realidade simulada são apenas significantes. Quando você experimenta uma imagem você está apenas experimentando a imagem. Quando você escuta uma palavra, você está apenas escutando um som.

Significante não tem significado em si. Essa é uma das coisas mais difíceis de discernir, porque quando você experimenta um significante (objetivo ou simulado), simultaneamente você experimenta também um significado. Por exemplo, quando você imagina uma rosa, junto com a imaginação você experimenta um significado também. Você tem sentimentos em relação a rosa, tem valores, tem gostos, tem preferências, etc. Tudo isso são significados que você experimenta junto com o significante rosa.

Por que isso acontece? Porque realidade é multimídia. Junto com a experiencia dos significantes (mídia da realidade objetiva e simulada), você também experimenta a mídia dos significados.


12 | REALIDADE SIGNIFICATIVA

Realidade objetiva e simulada é sua experiência de objeto. Mas atenção! Pois tem experiencia “de” objeto e tem experiência “com” o objeto. Experiência “de” objeto é quando você toma consciência do objeto. Só isso. Experiência “de” objeto é significante. O significado que você experimenta e que supõe estar nos objetos, não está nos objetos, está associado aos objetos através da mídia dos significados.

Pense no seu marido, ou filho, ou irmão. Você experimenta um significado junto com a imagem deles, não é? A mídia do significado é sua experiência “com” o objeto. A mídia do significado são os valores pessoais que você tem associado aos objetos.

Sendo que você experimenta significados, sendo que realidade é tudo que você experimenta, então, significado também é realidade. Vamos chamar a mídia do significado de Realidade Significativa. E vamos definir o termo. Realidade Significativa é a mídia de valor que você associa aos seus significantes. Assim, já temos discernidas três mídias com os seguintes nomes:

1) Mídia da Realidade Objetiva
2) Mídia da Realidade Simulada
3) Mídia da Realidade Significativa


13 | GÊNESE DO SIGNIFICADO

Da mesma maneira que a Realidade Simulada é construída em você através da memória, a Realidade Significativa também. Viver é traumatizante. Sua memória é traumatizada, marcada, tanto com os significantes como com os significados. A diferença é que Realidade Simulada é feita da sua memória DE objeto e a Realidade Significativa é feita da sua memória de interação COM o objeto. Ao mesmo tempo que você tem experiência DE objeto (objetiva ou simulada) você também tem lembrança de interação COM o objeto. Vamos entender isso.

Fogo é um objeto, é um significante. Ao mesmo tempo que você tem experiência DE fogo (objetiva ou simulada), você também tem lembrança de interação COM o fogo. Essa lembrança de interação pode ser, por exemplo, se queimar, e consequentemente, a conclusão “fogo é ruim”. Fogo é objeto, significante. Ruim é significado, resultado da sua interação com o fogo.

Tem outros tipos de significado e variantes de significados que você pode criar. Por exemplo, sua interação com o fogo pode ser de calor numa noite de frio. E daí você cria o significado “fogo é bom”. Sua interação com o fogo pode ser de iluminar um ambiente escuro. Daí você cria o significado “fogo é útil”. E assim por diante, você pode ter vários significados para o mesmo significante.


14 | O QUE É CRENÇA?

Significante e significado juntos formam uma estrutura mental. Essa estrutura é o que você chama de crença.

Crença é uma memória feita de duas memórias: significante e significado.

Crença = significante + significado.


15 | O PODER DA CRENÇA

O que a crença faz? Qual é o poder da crença? A crença possibilita você PREVER o futuro. Essa que é a função das crenças. Possibilitar que você possa atribuir significado aos objetos com os quais você interage e assim prever e optar pelo tipo de interação que é melhor para você. Por exemplo, é através da crença, “fogo queima, queimar é ruim”, que você pode prever e optar por não colocar a mão no fogo. Se você não tivesse crenças, você não poderia prever que “fogo queima, queimar é ruim”, e assim, não poderia optar pela melhor opção.


16 | PROBLEMA DAS CRENÇAS

Ter crenças ajuda você a viver bem, pois ajuda você a lidar bem com os objetos. Saber que fogo queima, por exemplo, te ajuda a lidar bem com o fogo (conviver bem com o fogo). Mas então, por que as crenças são tão condenadas como se fossem um problema? Qual é o problema com as crenças?

Uma crença é problemática quando é uma crença de correlação equivocada. Se você acreditar que fogo molha, por exemplo, essa crença é uma crença equivocada. Daí você vai tentar tomar banho com fogo e vai se queimar. Se for uma crença de correlação correta, não tem problema. Se for de correlação incorreta, daí ao invés de te ajudar a viver bem, vai te fazer viver mal. Se você acreditar que dentro do armário tem um bicho papão, essa crença não vai te ajudar a viver bem. Se você acreditar que dentro do armário tem roupa, essa crença vai te ajudar a viver bem.


17 | POR QUE VOCÊ VIVE MAL?

Vamos agora à pergunta fundamental. Caminhamos até aqui para responder essa pergunta:

Como é possível produzir uma crença equivocada? Como???

Através da informação não comprovada. Eu falo para você que fogo molha. Você simula essa experiência de que fogo molha. E passa a acreditar que essa sua experiência simulada é objetiva. Se todas as suas crenças fossem criadas a partir da sua própria experiencia, não haveria equívoco e não haveria mal viver. Ou seja, você vive mal porque suas crenças não são suas.


18 | COMO VIVER BEM?

Como voltar a viver bem? Caindo do cavalo. Desmascarando suas crenças e percebendo que não são suas, que não foram criadas a partir da sua própria experiencia. Dando a si mesmo o que está faltando: a experiência, o óbvio. Por exemplo, se você acredita que “fogo molha”, basta você colocar a mão no fogo e pronto! Fim do equívoco. Fogo não molha, fogo queima. Óbvio.


PERGUNTAS E RESPOSTAS

Humano ser não é crença, é perspectiva perceptiva. Essa perspectiva é o que faz você se perceber como um corpo contido no espaço. Enquanto você está optando por brincar de ser humano você experimenta essa perspectiva, não desaparece, mesmo com o despertar da consciência. O que acontece quando você desperta a consciência é que fica óbvio que corpo contido no espaço é apenas uma perspectiva perceptiva. Despertar da consciência não muda o jogo, muda seu jeito de jogar.

Mostrando a si mesmo que essas crenças são o que são: crenças. O problema nesses casos é você dar as essas crenças o status de fato, quando de fato, para você, são apenas crenças (teorias). E não precisa ser uma teoria tabu como você está dizendo. Tudo que para você é pessoal, pra mim é crença. Vamos supor que você me diga que gosta de chá de boldo. Para você é fato, para mim, é crença (outrociência). Não acredito, nem desacredito, considero. Se dou ao que você está dizendo o status de fato, daí é problema, porque você pode estar mentindo. Se mantenho sendo o que é: o que você está dizendo. Sem problemas.

Eddie Vedder mudou a correlação entre significante e significado. Ele mudou de Alive = tragédia, para Alive = benção. Só que não funciona fazer isso se a correspondência não for verdadeira. Não funcionaria se ele mudasse para Alive = pastel de frango. Funcionou porque a correspondência é verdadeira para os dois casos, tanto para tragédia como para benção. Só que ele nunca havia considerado a segunda possibilidade até aquele momento. Conhece aquela metáfora do copo meio cheio e meio vazio. As duas correspondências são verdadeiras, o copo está meio cheio e meio vazio. Você escolhe no que focar. O Eddie Vedder só via o copo-meio-tragédia, não via o copo-meio-benção. Quando viu o copo-meio-benção, decidiu trocar de foco e a tragédia virou benção.

Colocando o foco do seu saber nos cinco sentidos. Veja que você vê e fique vendo ver. Sinta que você sente e fique sentindo sentir. Ouça que você ouve e fique ouvindo ouvir. Perceba que você saboreia e fica saboreando saborear. Perceba que você cheira e fica cheirando cheirar. Enfim, quanto mais você praticar ficar consciente dos seus sentidos, melhor você vai perceber sua realidade objetiva.

A primeira vez que ouvi as palavras significante e significado foi na faculdade de comunicação, numa matéria que todo mundo levava bomba, chamada semiótica. Eu quase levei bomba também. A professora explicava, explicava, mas não entrava na minha cabeça que o significado não era o significante. Nessa época achava essa matéria (semiótica) uma grande besteira. Não entendi porque tinha essa matéria chata e inútil em um curso de comunicação. Quando despertei a consciência existencial, os termos significante e significado ressurgiram na minha cabeça e encaixaram feito luva. Na semiótica, o conceito de significante é usado apenas para símbolos e signos de comunicação, na 1ficina, extrapolei o conceito de significante para toda realidade objetiva e simulada. Ou seja, se já é difícil discernir o significante e significado na concepção da semiótica, mais difícil na concepção da 1ficina, que extrapola o conceito e o explica como parte da realidade multimídia. Então, entendo sua dificuldade com a leitura. Mas recomendo que estude o assunto com compromisso e discernimento. Entender que realidade é multimídia é fundamental para viver e conviver bem. O tempo e o compromisso investido nesse estudo vale cada segundo investido.

A nomeação ajuda na prática do discernimento. Imagine que você está bebendo um suco agridoce. Você não entende aquele gosto, daí o barman te explica: “Isso é uma limonada, que é uma mistura de suco de limão, que é o gosto ácido, e açúcar, que é o gosto doce, por isso o gosto agridoce”. O barman não passou uma faca na limonada e separou o ácido do doce, mas ao dar nome aos sabores, ajudou você a discernir que agridoce = ácido + doce. Analogamente, quando esse livro dá nome aos “sabores da realidade” que você está experimentando, o nome não está lhe dando o discernimento, isso é impossível, mas está lhe ajudando a discernir. Assim como as palavras doce e ácido lhe ajudam a discernir os dois aspectos do agridoce, as palavras objetiva, simulada e significativa, junto com a explicação de cada palavra, têm a função de lhe ajudar a discernir essas três mídias da realidade.

Uma crença já é uma estrutura mental: objeto-valor. Por isso quando você experimenta um objeto (significante) junto você experimenta um valor (significado).

Quase! Sua realidade é seu arbítrio realizado. Só que você opta usando seu cardápio de crenças. Então, sim, faz sentido você pensar que sua realidade é suas crenças realizadas.

Todas. Igual você. Realidade é multimídia, sempre. O que acontece com o John Nash, em grau bem acentuado, é conFUNDIR realidade objetiva com simulada.

Realidade é tudo que você experimenta. Essa é a definição de realidade da 1ficina. Você experimenta sonho, então, sonho é realidade, pois realidade é tudo que você experimenta, e tudo é tudo, sem exceção. Só que o funcionamento do sonho não é igual o funcionamento físico. No sonho, por exemplo, você consegue se deslocar de um lugar para o outro num click.

Sendo assim, se realidade é tudo que você experimenta, qual das duas é realidade? E qual não é? Essa pergunta está baseada no equívoco materialista de que realidade física é material. Realidade física não é feita de matéria, é feita de experiência de fisicalidade. Sem experiência de fisicalidade, que matéria tem para você experimentar? Nenhuma. Zero. Por que? Porque matéria é feita de experiência de fisicalidade.

Realidade física é feita de altura, largura, profundidade, cheiro, sabor, cor, temperatura, etc. Todos esses atributos da realidade física não são intrínsecos da realidade física, são produções mentais, são os cinco sentidos humanos. Claro que nem você nem ninguém se dá conta disso. Mas é isso! E quando você pratica autoobservação existencial, isso fica óbvio.

E daí que a coisa fica doida! Pois se realidade física é feita de produção mental igual um sonho, exatamente igual um sonho, então, a realidade é um sonho. Mas se é um sonho, qual é a diferença entre realidade física e sonho? A diferença, como disse acima, é que são experiências com dinâmicas de funcionamento diferentes, mas só isso.

Entendido isso, é o fim do equívoco do materialismo. Tanto sonho como realidade física são igualmente realidade, igualmente experiências que você está constantemente experimentando. Sim, constantemente, porque você não sonha só quando está dormindo na cama, você sonha o tempo todo, ininterruptamente, pois sonho nada mais é do que imaginação e você está constantemente experimentando imaginação.

Realidade é multimídia. Essa é uma das explicações da 1ficina mais difíceis de ficar consciente. É óbvio que realidade é multimídia, mas essa obviedade está soterrada pela mentalidade materialista. Tem um livro da 1ficina com esse título, REALIDADE MULTIMÍDIA, que explica detalhadamente isso. Você está a todo instante tendo duas experiências simultâneas: realidade física e imaginação. São duas experiências mentais, só que em mídias diferentes.

Uma analogia para entender realidade multimídia é pensar em um filme. Som e vídeo são duas mídias simultâneas que você experimenta quando está assistindo um filme, mas não são a mesma mídia, são duas mídias distintas. O mesmo acontece com você o tempo todo, você está constantemente experimentando a mídia da imaginação e a mídia da realidade física, e ambas formam essa experiência total que você está constantemente experimentando.

Quando você confunde uma mídia com a outra, imaginação com realidade física, você vive muito mal e é considerado louco. Então, desde o começo da brincadeira de ser humano, você aprende a discernir uma mídia da outra. Você aprende sozinho, mas aprende, afinal, a experiência da mamadeira imaginária não mata sua fome, o que mata sua fome é a experiência da mamadeira física. E chorar imaginariamente também não convence sua mãe a lhe dar mamadeira, você precisa chorar fisicamente.

Por fim, você fica tão focado na mídia física, devido a fome, sede, alimentação e todos os outros aspectos da sobrevivência, que você passa a considerar que a mídia da imaginação não é realidade. Eis como nasce o equívoco materialista: realidade antônimo de imaginação. Quando, de fato, ambas são a mesma coisa: experiência humana, só que mídias diferentes.

Dito isso, quando você deita na cama e dorme, o que acontece é o oposto do que acontece quando você está acordado, você altera o foco da sua consciência. Ao invés de ficar focado na mídia física, você foca na mídia da imaginação.

O entendimento de que realidade é multimídia irá revolucionar a ciência que hoje em dia chamamos de “física”. A mecânica quântica é o embrião dessa revolução. O que impede o avanço da revolução da física e que os físicos, que são os produtores e validadores do conhecimento físico, ainda acreditam que o estudo da matéria é um estudo cientifico, ou seja, que deve ser feito OLHANDO PARA FORA através de instrumentação científica, como telescópios, microscópios, aceleradores de partículas e etc. Só que é o oposto. O estudo da matéria é um estudo AUTOcientífico, ou seja, que deve ser feito OLHANDO PARA DENTRO através da prática da autoobservação existencial.

Porque ao mesmo tempo que você tem experiência DE objeto (significante) você tem também experiência COM o objeto (significado). São duas mídias diferentes da mesma experiência, mas você experimenta como se fosse uma só, assim como num filme tem a mídia do áudio e a mídia do vídeo, mas você experimentando como se fosse uma só, o filme.

Absolutamente nenhum. O problema é você, não são as crenças. Crenças são apenas crenças. Crenças são fundamentais para experiência humana. Sem crenças é impossível brincar de ser humano. O problema é quando você acredita em crenças que não foram produzidas a partir da sua própria experiência. E você faz isso o tempo todo no automático. Isso lhe impede de viver bem. Por exemplo, vamos supor que você quer ter um companheiro, tipo um marido ou namorado, mas você acredita que homem não presta. De onde vem essa crença? Sua bisavó foi uma escrava em 1900 que sofreu com os homens, daí criou essa crença e passou para sua avó, que passou para sua mãe, que passou para você. E aí está você, vivendo sozinha porque acredita numa crença herdada da sua mãe, que nem dela era.

Nenhum. Realidade objetiva é apenas experiência sensorial, experiência DE objeto, não tem valor nenhum em si, não tem significado nenhum, é apenas significante.

Não são coisas interligadas, são mídias simultâneas. Coisa é dimensão, mídia é experiência. É fundamental entender o que é mídia para ficar claro quais são as mídias da realidade. Não é a toa que o livro se chama Realidade Multimídia, se fosse coisa, se chamaria Realidade Multicoisa. Mídia não é coisa. Mídia é tipo de experiência.

Sim, esse é um termo filosófico. Optei por usar o termo “realidade simulada” ao invés de “realidade subjetiva” por alguns motivos. Um deles é que a realidade objetiva também é subjetiva. Outro motivo é que o termo “subjetivo” não colabora com a indicação de que imaginação é simulação da realidade objetiva.

Realidade significativa também é subjetiva?

Realidade é subjetiva. Ponto. Não existe realidade que não seja subjetiva. A palavra “objetiva” de realidade objetiva, não quer dizer realidade absoluta ou externa, diz respeito a experiencia DE objeto.

É exatamente isso que você faz todos os dias. Primeiro você imagina unicórnios assassinos e depois começa a sofrer com o ataque deles.

Não, realidade simulada é simulação da realidade objetiva. Vou usar dois termos para possibilitar discernimento e comunicação. Você experimenta dois tipos de significantes, ou seja, dois tipos de objetos: A) Objeto-Objetivo – mídia de realidade objetiva, por exemplo: visão de cadeira. B) Objeto-Simulado – mídia de realidade simulada, por exemplo: imaginação de cadeira.

 Qual é a diferença entre um Objeto-Objetivo e um Objeto-Simulado?

A diferença entre um Objeto-Objetivo e um Objeto-Simulado é que você não é fonte de manifestação do Objeto-Objetivo, mas você é a fonte de manifestação do Objeto-Simulado. Por isso que você pode fazer um Objeto-Simulado aparecer e desaparecer apenas usando a imaginação, mas não pode fazer o mesmo com um Objeto-Objetivo.

Então, não sou criador da minha realidade?

Você está criando essa resposta que está lendo? Sim e não. Sim, porque ler é decodificar minha manifestação e decodificar é criar sua realidade. E não, porque a fonte de manifestação desse texto sou eu e não você. Ou seja, a palavra criar, muitas vezes é usada, onde o mais apropriado é dizer “decodificar”.

Mídias não são coisas, então, não adianta usar faca para separar. Não tem espaço entre as mídias. Não é possível colocar uma mídia em cima e outra em baixo. São inseparáveis. A separação só é possível pelo discernimento. Essa é a dificuldade. Você não tem prática em discernir. Ninguém jamais te incentivou a desenvolver o discernimento. Na escola, te ensinaram a ler e escrever, te ensinaram o nome dos estados e das capitais, te ensinaram a cantar o hino nacional, te ensinaram química, biologia, história e etc. Mas nunca, jamais, em momento algum, te estimularam a desenvolver o discernimento. Por isso a dificuldade em separar as mídias.

Significante é forma sensorial. Como a visão é o sentido mais dominante e mais usado, é quase inevitável pensar em significante como objeto. Mas as formas dos outros sentidos também são significantes. Por exemplo, cor é significante, som é significante, calor é significante, sabor é significante, aroma é significante, etc.

Está experimentando uma realidade objetiva diferente da usual uma vez que os cinco sentidos estão em estado diferente do usual. O raciocínio “realidade objetiva distorcida” sugere que existe uma realidade externa que está sendo percebida de forma “distorcida”. Mas não existe realidade externa. Então, não é que a realidade objetiva está sendo percebida de forma “distorcida”, é a realidade objetiva esta sendo criada de forma não usual. Isso é o mesmo que está acontecendo com um cego, ou um surdo, por exemplo.

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