PORQUE VOCÊ É UM FRACASSO

22/12/2017 by in category Textos with 0 and 0

Imagine que tem uma fruta em cima da mesa. Você olha para essa fruta e chega a seguinte conclusão: É uma maçã! Sua conclusão de que a fruta é uma maçã não surge por milagre, surge porque você executa um processo mental que tem como fim essa conclusão. Que processo mental é esse?

— Memória.

Sim, envolve memória, mas a memória não é a operação mental em si, a operação mental é uma operação mesmo. Que operação é essa?

— Não sei.

Seja um autocientista. Faça a experiência. Coloque uma maçã em cima da mesa e se pergunte: Que processo mental estou executando para concluir que isso é uma maçã?

— Eu observo a fruta e comparo com o que já sei.

Pronto! Você descobriu qual é o processo.

— É a comparação?

Sim. Agora, vamos aplicar essa descoberta ao fracasso.

— Tudo bem, vamos nessa!

Imagine uma PESSOA em cima da mesa. O nome dessa pessoa é VOCÊ. Você olha para VOCÊ e chega a seguinte conclusão: sou um fracasso! A conclusão de que você é um fracasso não surge por milagre, surge porque você executa um processo mental que tem como fim essa conclusão. Que processo mental é esse?

— O mesmo da maçã: comparação.

Exato! Só que para você executar o processo mental da comparação é preciso ter um PAR, é preciso ter dois, é preciso ter uma coisa e outra coisa. Com o quê você compara a fruta em cima da mesa para chegar a conclusão de que é uma maçã?

— Comparo com outra maçã.

E onde está essa outra maçã?

— Agora sim, na memória!

Isso! Vamos chamar a memória de dicionário. Você observa algo em cima da mesa, daí sua memória, que é seu dicionário, lhe diz que você está observando uma maçã. Confere?

— Sim, confere.

Então, para concluir que a fruta em cima da mesa é uma maçã, você compara a maçã OBSERVADA com uma maçã PENSADA. Você compara a maçã OBSERVADA com uma IDEIA de maçã. Confere?

— Isso mesmo!

Quando a maçã observada é IGUAL a maçã pensada, você conclui que é uma maçã. Quando a maçã observada é DIFERENTE da maçã pensada, você conclui que NÃO é uma maçã. Confere?

— Parece pegadinha, mas sim, confere.

É pegadinha! A experiência humana é uma pegadinha. Estou lhe ajudando a entender a pegadinha para sair dela. Prosseguindo… Sendo que o processo mental de conclusão sobre a maça é exatamente o mesmo processo mental de conclusão sobre si, como você chega a conclusão de que você é um fracasso?

— Comparando também.

Comparando o quê com o quê?

— Não sei.

Comparando você OBSERVADO com você PENSADO. Quando você observado é IGUAL você pensado, você conclui que é um sucesso. Quando você observado é DIFERENTE de você pensado, você conclui que “não é um sucesso”, ou seja, é um fracasso. É assim que você chega a conclusão que é um fracasso. Confere?

— Sim, confere.

Ótimo! Agora vamos ao principal ponto dessa investigação. Quem é esse VOCÊ PENSADO? Como esse VOCÊ PENSADO nasceu? Como foi morar dentro da sua cabeça?

— Desde que era criança, meus pais, principalmente minha mãe, dizia que eu tinha um futuro brilhante. Muitas pessoas, amigos e clientes tem uma expectativa de sucesso em relação a mim, em relação ao meu trabalho, em relação a minha conduta e aos meus métodos. Acho que é isso.

Sendo assim, do que esse VOCÊ PENSADO é feito?

— É feito de expectativas.

Expectativas de quem?

— Dos outros sobre mim.

Sacou a pegadinha? VOCÊ PENSADO é seu pai, sua mãe, seus amigos, seus professores, sua sociedade, a igreja, Jesus Cristo e os 12 apóstolos, o papa, o buda, o dalai lama, o comercial da coca cola, todos os filmes de hollywood, todos os vídeos pornôs da internet, todos os partidos políticos, a torcida do Corinthians, do palmeiras e do flamengo, os comentários do Casa Grande, do Galvão Bueno e da Ana Maria Braga, a revista Veja, a revista Caras, o jornal Folha de São Paulo, todo o conteúdo do Facebook, etc. VOCÊ PENSADO é feito da expectativa dos outros. VOCÊ PENSADO é o OUTRO dentro de você. Então, você se compara com VOCÊ PENSADO e chega a conclusão que é um fracasso, porque você não é os outros, porque você não é igual aos outros, porque você é diferente dos outros. Sendo assim, pergunto: Você é os outros?

— Obviamente que não!

Se é tão óbvio assim, porque você SE OBRIGA a viver como se fosse?

— Não sei a resposta.

Espantoso, não? Você se chicoteia, se condena, se nega, se proíbe de ser você e se obriga a ser outro, mas você nem percebe isso, ficou automático. Em outras palavras, você se programou para viver de uma forma doente e agora vive de forma doente sem sequer se dar conta disso. Entende?

— Entendo, é isso mesmo!

Você tem duas opções: A) Continuar ignorando sua doença e consequentemente continuar vivendo mal. Ou B) Sair da ignorância e iniciar um processo de cura. Qual é sua opção?

— Sem dúvida, opto pela opção B.

Sábia decisão.

© 2018 · 1FICINA · Marcelo Ferrari