PERGUNTAS E RESPOSTAS

O primeiro motivo é a forma como se pratica ciência. A eureka científica é uma inferência causal. O que é inferência? Inferir é concluir, deduzir. Então, praticar ciência é praticar ficar consciente da causa através do efeito. Você citou Newton e a lei da gravidade. Esse é um exemplo clássico de eureka científica. Conta a história que Newton cochilava debaixo de uma macieira quando uma maçã caiu e atingiu sua cabeça. Um acontecimento trivial, mas que, justamente pela trivialidade, acabou levando o cientista a ter uma eureka revolucionária: a lei da gravidade. E o que é a lei da gravidade? É uma conclusão, uma dedução, uma inferência causal pensada pela cabeça de Newton a partir da observação de um efeito: a queda dos corpos.

Inferir é uma capacidade humana que envolve observar um efeito e raciocinar a causa. Só que capacidade não é competência. Nenéns, por exemplo, são seres humanos, possuem a capacidade de inferir, mas não são capazes de fazer inferências complexas, porque ainda não desenvolveram a competência em raciocinar. Competência é capacidade desenvolvida. Todo ser humano nasce com capacidade de raciocinar, mas só aqueles que praticam essa capacidade a desenvolvem. Dito isso, o fato é que ninguém gosta de pensar. Resultado, são 8 bilhões de seres humanos adultos com a mesma competência de raciocínio de um neném.

Pensar é uma atividade que requer esforço assim como levantar peso na academia. Então, assim como é mais fácil e confortável ficar no sofá, comendo batata frita e assistindo televisão do que ir até a academia fazer exercício, também é mais fácil e confortável acreditar no que lhe ensinam do que pensar e descobrir por si mesmo. Pensar cansa. E em verdade, em verdade, vos digo: você é um preguiçoso mental, você tem preguiça de pensar.

Claro que somado a sua preguiça mental está a falta de incentivo. Você nunca é incentivado a pensar, só é incentivado a acreditar. Seus pais lhe incentivam a acreditar neles e lhe punem quando você pensa por si mesmo, seus amigos fazem o mesmo, seus professores fazem o mesmo, sua sociedade faz o mesmo, as religiões fazem o mesmo, e assim por diante. Ou seja, como se não fosse desafiador e desagradável suficiente vencer a própria preguiça mental para pensar por si mesmo, você ainda precisa estar disposto a levar porrada de tudo e de todos.

Eis um dos motivos de você não perceber o que está na frente do seu nariz: preguiça de pensar e medo de apanhar por pensar diferente. Só que até agora estive falando de ciência, no caso da AUTOciência, tem um segundo motivo. Ciência é observar e pensar o funcionamento da natureza, ou seja, observar e pensar o funcionamento do outro, por exemplo: observar e pensar a queda da maçã. AUTOciência é observar e pensar o funcionamento do observador da natureza, ou seja, observar e pensar o próprio funcionamento, por exemplo: observar e pensar o pensamento. Daí que a falta de competência é total.

O ser humano tem a capacidade de autoobservação e autoanálise, mas sua competência nessa capacidade é zero. São 8 bilhões de nenéns em autociência. Tanto é assim que a palavra AUTOCIÊNCIA sequer existia na internet antes da 1ficina. Tive que inventar essa palavra para poder explicar qual é a prática que torna possível ver o que está na frente do nariz. E como praticá-la.

Eis então os dois motivos pelo qual você não vê o que está na frente do seu nariz. Só que você não está condenado a viver igual neném. Você pode praticar sua capacidade de pensar e se tornar um pensador competente. Você pode praticar sua capacidade de autoobservação e autoanálise e se tornar um autocientista competente. Basta decidir por isso e começar. Mas você também pode continuar praticando a preguiça mental, a dependência mental e a birra (resistência), igual um neném. Você não tem obrigação de praticar autociência e se tornar competente em ser humano (adulto). É apenas uma opção. Você decide o que é melhor para você.

Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e tem alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou deus.

No caso da observação de si (autoobservação), não se trata de ferramenta mais APROPRIADA, se trata de ferramenta menos ATROFIADA. A qualidade da autoobservação depende do grau de lucidez do observador. Só que ninguém nunca te incentivou a desenvolver clareza de percepção e entendimento, ou seja, lucidez. Pelo contrário, todos seus educadores lhe ensinam a decorar e acreditar. Até porque, seus educadores também foram ensinados a decorar e acreditar. Mesmo na fase adulta, podendo mudar isso, você ainda permanece nesse tipo de educação porque é mais fácil decorar e acreditar do que observar e pensar. O resultado é que sua lucidez atrofia ao invés de se desenvolver.

Não existe grau de autociência, o que existe é grau de autoconhecimento.

Autociência e autoconhecimento são coisas diretamente relacionadas, mas não são a mesma coisa. Autociência é a prática que produz autoconhecimento. Autoconhecimento é o produto da prática de autociência. Essa é a relação entre ambas. Vou fazer uma analogia com o conhecimento científico para ampliar esse entendimento.

O conhecimento científico também é produzido através de uma prática. Qual? Através da prática da ciência, que consiste em observar e estudar a natureza material (aquilo que o observador observa). A prática da ciência produz conhecimento científico como biologia, química, física, etc. Quanto maior o grau de estudo científico, maior o grau de conhecimento científico.

Autoconhecimento também é produto de uma prática científica: autociência. A diferença é que na autociência, o objeto de estudo não é a natureza material, é a natureza humana e a natureza consciencial (o observador em si). Então, , tal como na prática científica, quanto maior o grau de estudo autocientífico, maior o grau de autoconhecimento.

Fazendo essa correção e colocando na primeira pessoa, sua pergunta fica assim:

PERGUNTA: A qualidade das minhas escolhas depende do meu grau de autoconhecimento?

Sim, completamente, totalmente, absolutamente.

Feche os olhos e tente tomar café da manhã, por exemplo. Suas escolhas serão péssimas. É capaz que você coloque suco de manga no café pensando que é leite. Isso se conseguir fazer café de olhos fechados. Quer outro exemplo? Feche os olhos, entre no seu carro e dirija de olhos fechados da sua casa até seu emprego. Suas escolhas serão tão ruins que você não conseguirá sequer sair da garagem.

Viver mal é optar mal. Oooooooobivu! Ululante! Mas nem você nem ninguém opta pela pior opção. Todos sempre optam pelo que acreditam ser a melhor opção. Mesmo com os olhos fechados você opta pelo que acredita ser a melhor opção. Você coloca suco de manga no café porque acredita que é a melhor opção, você acredita que é leite. Então, você não vive mal porque opta pelo pior, você vive mal porque ignora o que é melhor e pior.

O mal viver é causado pela má escolha, mas a má escolha é causada pela ignorância. Seu arbítrio funciona perfeitamente, igual um carro, levando você pra lá e pra cá, o problema é que o motorista (você) está dirigindo com os olhos fechados.

Por isso, para viver bem, é preciso lucidez (autoconhecimento). Só que autoconhecimento é produto de uma prática. Autoconhecimento não surge do nada, não é um produto que você compra no supermercado ou no shopping center. Autoconhecimento é produto da prática de autociência, só e sempre.

Então, em verdade, em verdade, vos digo: é impossível viver bem sem praticar autociência. Para viver mal, ignorância basta, mas para viver bem, só com lucidez e maestria. E quanto mais lucidez (autoconhecimento) e maestria, melhor você opta, então, melhor você vive.

Sim. Só que deus não é outro (deusoutro). Deus é você (deuseu).

Imagine dois cegos jogando ping pong. Assim é sua convivência. Você ignora a causa do seu comportamento e o outro ignora a causa do comportamento dele. Como uma convivência baseada na ignorância pode ser de boa qualidade? Impossível. E não adianta força de vontade. Não adianta tentar resolver comportamento atuando sobre o comportamento. Fazer isso é como tentar curar febre atuando sobre o termômetro. Comportamento é efeito. Para resolver sua febre você deve descobrir a causa da sua febre. Para melhorar a qualidade da sua convivência você deve descobrir a causa do seu comportamento. Sendo que a causa do seu comportamento está em você, para descobri-la, só tem um jeito: praticando autociência. Eis como jogar bem o jogo da convivência.

Não! John Lennon errou. All you need is not love. Você deve despertar a consciência. Amor não é solução, amor é o problema. Quer ver? Por que o homem bomba faz kabum? Porque ama deus. Por que os alemães dizimaram os judeus? Porque amavam sua pátria. Por que os adoradores da ideologia A difamam a ideologia B e vice versa? Porque amam suas ideologias. Por que seu pai lhe obriga a usar um sapato 36 sendo que você calça 37? Porque seu pai te ama. Por que você aceita? Porque você ama seu pai. Por que você coloca uma coleira na sua namorada e a proíbe de ter outros namorados? Porque você ama sua namorada. E assim por diante. Percebe? É tudo por amor! Sempre! Inevitavelmente! Essa é a primeira obviedade para qual você deve despertar. A segunda é que você não sabe amar. Você ama em absoluta ignorância do que é, para que serve e como funciona. Mas o sonho não precisa acabar, apenas deve se tornar um sonho lúcido. Ou então, você vai continuar criando o problema e cantando “love, love, love…”.

Seu GPS está funcionando perfeitamente. Seu GPS nunca erra. Quem erra é você, quando não entende como usar a informação que seu GPS está te dando.

Qual é meu equívoco nesse caso?

Seu equívoco está bem explícito na sua pergunta. Vou destacá-lo para você. Você disse: “Acho que meu GPS está ME CONDUZINDO errado”. Você está transferindo para o GPS a responsabilidade por dirigir o carro (conduzir). O responsável por dirigir o carro é o motorista e não o GPS. Sofrimento é só uma informação emocional, não tem arbítrio. Quem tem arbítrio é você. Então, mesmo que seu GPS lhe avise que você está fora do seu destino e deve mudar de direção, você é livre para continuar indo para o lado errado. Seu GPS não tem como evitar isso. A única coisa que seu GPS pode fazer para lhe alertar da besteira que você está fazendo, é aumentar a intensidade do alerta, aumentar o sofrimento. Então, tem dois equívocos para você perceber. 1) Você está transferindo seu arbítrio para o GPS. 2) Você está indo na direção oposta do que seu GPS está lhe aconselhando.

Altruísmo é egoísmo. Não existe abnegação. Você opta pela abnegação quando é bom para você. Dito isso, você pode ser altruísta tanto por outroísmo como por autoísmo. É preciso analisar. Cada caso é um caso. Por exemplo, se você gosta de ajudar os outros, se isso é prazeroso para você, se ajudar os outros te faz bem, então, você ajuda porque isso é você sendo você, sendo autoísmo. Se você não gosta de ajudar os outros, se acha um saco, um fardo, mas ajuda para fingir santidade, fingir bondade, fingir que é uma boa pessoa e receber o apreço dos outros, dai você não está ajudando, está manipulando os outros a gostarem de você por algo que você não é. Daí é outroísmo.

Sei exatamente o que você está dizendo. Também é assim comigo. Eu amo banana. Sou apaixonado por banana. Só que a banana não me ama. O que eu faço?

Engraçadinho!

Não estou fazendo piada, estou falando sério.

Quando você ama alguém, não quer reciprocidade? Eu amo e tenho que ficar sozinha com meu amor? Amando só dentro de mim? Sem reciprocidade do outro?

Tudo que você experimenta é solitário, só acontece em você, só você experimenta. Amor é você experimentando desejo. Então, não é exceção, é uma experiência tão solitária como todas as outras. Dito isso, volto ao exemplo do meu amor pela banana. Eu amo a banana, desejo a banana, quero comer a banana. Mas se a banana não quer ser comida por mim. Se a banana me rejeita. Respeito a vontade da banana. Não vou pegar a banana a força e comê-la contra sua vontade. Continuo amando a banana, mesmo ela me rejeitando. Só que, ao invés de comer a banana, como a maçã. Simples, fácil, sem drama e sem complicação.

Safado! Então, você não ama a banana!

Em verdade, em verdade, vos digo: não amo nem a banana, nem a maçã, nem a melancia, nem a pera, nem fruta alguma. Eu me amo. Só isso! Sou egoísta. Sou fiel ao amor, só e sempre, jamais ao objeto amado. Amo o sabor adocicado das frutas. Quando a fruta está azeda, jogo fora. Odeio fruta azeda. Você também é assim: egoísta. Todos os seres do universo são egoístas. É inevitável. Só que alguns, como os seres humanos, fingem que não são. E fingem por egoísmo, o que é mais irônico. Mas não recomendo. Fingir não ajuda a viver bem.

Você muda de objeto de desejo. Come outra fruta que também seja doce, é isso?

Exatamente! Por isso, se você ama a banana do rapaz, mas a banana do rapaz não te ama, tem outros rapazes com outras bananas no universo, não precisa se prender ao rapaz nem prendê-lo a você. Essa opção não produz bem viver nem boa convivência.

Porque você dá à palavra “amor” o significado de afeto (sentimento). Toda doutrina é feita de palavras. O significado que você dá às palavras de uma doutrina, não vem da doutrina, vem da sua cabeça. Quando você entra em contato com uma doutrina que fale do amor, mesmo que você seja criança, você já ouviu pelo menos umas 10 mil vezes sua mãe lhe dizendo “eu te amo”. Sua mãe estava se referindo ao afeto (sentimento) dela por você, estava dizendo que você é muito querido para ela, muito especial, muito importante. Só que sua mãe não te explicou que amor é desejo, que desejo é quaternário e que afeto (sentimento) é um dos quatro desejos humanos. Menos ainda que amor é fácil, difícil e impossível. Então, só lhe resta grudar esse significado afetivo e maternal à palavra amor. Amor = afeto (sentimento) que minha mãe tem por mim.

Daí, quando você entra em contato com uma doutrina que fale do amor e recebe um ensinamento que diz que você deve amar o próximo, o que você entende? Entende que deve amar o outro assim como sua mãe ama você. Ou seja, você deve dar mamadeira para o outro, fazer cafuné, lavar a louça, lavar a cueca, fazer almoço e janta, ficar preocupado, limpar a bunda do outro se ele cagar nas calças, enfim, você deve cuidar do outro assim como sua amorosa mãe cuida de você. E mais! Você deve ter afeto (sentimento) pelo outro, sempre, faça ele o que fizer. Mesmo que o outro abuse de você, lhe violente, lhe desagrade, você deve amar o abuso, a violência e o desagrado, assim como sua mãe ama você.

Isso é amor impossível. Você pode respeitar a violência, o abuso e o desagrado, mas amar é impossível. Só que sua mãe não te explica isso quando diz “eu te amo”, nem as doutrinas religiosas, quando lhe dizem: “ame ao próximo como a si mesmo”. Eis porque você não consegue amar o próximo. Amar o próximo não é afeto, não é sentimento, é dar liberdade ao outro de ser outro, diferente de você. Só isso! E isso é inevitável. O outro é o outro, diferente de você. O outro não precisa da sua permissão para ser outro. Mas você, internamente, proíbe o outro de ser outro. E daí fica vivendo o inferno da proibição. Só você sofre com isso. O outro nem sabe que você está lhe proibindo de ser diferente de você. Só você sabe disso e só você sofre com isso. Então, no final das contas, o ensinamento “ame ao próximo” visa ajudar você a se libertar do inferno da proibição e não fazer com que você seja o salvador da humanidade.

Todo relacionamento é amoroso. Quando é odioso, não tem relacionamento. Agora, quais amores estão sendo satisfeitos em um relacionamento? Requer análise.

No outro está acontecendo a mesma coisa?

Sim, relacionamento é sempre 4 x 4. Seus quatro amores se relacionando com os 4 amores do outro

Então existe um outro “do lado de fora” e não somente dentro de mim?

Lado de fora é um entendimento materialista de alteridade, mas entendo o que quer dizer. Sim. Tem o outro de fato. E esse outro tem natureza intrínseca. O detalhe e sutileza é que o outro que você experimenta não é o outro em si, enquanto ser, é sua experiência do outro. E sua experiência do outro é feito dos seus significantes e seus significados, logo, é o seu outro. Por exemplo, você está conversando comigo. Eu sou outro. Sou o Ferrari. Mas eu sou o seu Ferrari. Sou o Ferrari-Suzanado. O Ferrari da Alexa é outro, diferente do seu. O Ferrari da Alexa é o o Ferrari-Alexado. E assim por diante.

Eu vivo no automático. Só saio do automático quando o piloto automático está me levando para merda. Daí, assumo o controle, reprogramo o piloto automático e pronto, fim do problema. Essa ideia de que se vive conscientemente o tempo todo é um equívoco espiritualista. Tente passar um minuto respirando conscientemente e verá que não conseguirá nem 30 segundos. O piloto automático (subconsciente) não é um problema, é uma ajudante incrível, só cria problema quando mal programado.

Não! O único que experimenta o que quer que seja é você. Você é o experimentador (consciência). Quem experimenta as emoções é você. No livro Quatrix explica a relação entre as emoções e cada unicidade. Nojo, por exemplo, é indicativo de ruim, que é indicativo de unicidade sensorial.

Praticando autociência você fica competente em lidar bem com tudo que você experimenta, o que inclui seus pensamentos.

Vamos supor que na infância você queria ter uma bicicleta e aprendeu que devia escrever uma carta para o papai noel, enviar sua carta para o polo norte e esperar o gordinho descer pela chaminé com sua bicicleta. Sua casa sequer tinha chaminé, você morava em um apartamento, mas ainda assim acreditou no que aprendeu e por isso vivia assim. Agora que você é adulta, está óbvio que papai noel não existe, que é uma fantasia para entreter as crianças e que a bicicleta que você ganhou de natal foi comprada de fato pelo seu pai. Ao descobrir isso, você DESAPRENDEU a história do Papai Noel? Não! Apenas colocou a aprendizagem no seu devido lugar: fantasia para entreter as crianças. Para viver bem, você não precisa desaprender nada, você precisa se desequivocar. Imagine se até hoje você acreditasse que para obter algo desejado você tivesse que escrever cartas para o Papai Noel? Você iria viver bem assim? Não! O que impede você de viver bem é que você acredita em equívocos. Só que você PENSA QUE SABE. Então, o problema não é nem que você ignora seus equívocos, você ignora que ignora. É passo a passo para sair dessa cebola de equívocos. Mas não precisa desaprender nada, basta despertar. Desaprender é outra arapuca do equívoco da aprendizagem, é apenas trocar uma aprendizagem por outra.

Conhecimento de causa é através do efeito. É muito importante entender a sutileza disso. Não tem como conhecer a causa pela causa, conhecimento é sempre pelo efeito. Por exemplo, você não conhece a gravidade em si, você conhece pelo efeito. Você não conhece a luz em si, você conhece pelo efeito. O mesmo acontece com o autoconhecimento. Você é a causa da sua experiência. Sua experiência é efeito. Praticar autociência é se conhecer como criador através da sua criação, ou seja, através do efeito, e não diretamente como causa, como criador. E para descobrir a causa é preciso observar e pensar o efeito. Não tem outro jeito. Por isso, sem pensar, esquece autoconhecimento, é impossível.

Não! Ninguém experimenta a realidade do outro. O que você decodifica e experimenta em si é a manifestação do outro e não a realidade do outro.

Não! Cada unicidade é um GPS.

Praticar ciência do óbvio é praticar ficar consciente de si, do ser humano que você é. O estado consciencial oposto ao estado consciente é o estado de ignorância, que é sinônimo de inconsciente. Então, na prática da autociência, você não investiga seu estado de consciência, você observa o ser humano que você é, para que através da autoobservação você saia do estado de ignorância (inconsciente) e passe para o estado de lucidez (consciente).

Humano ser não é crença, é perspectiva perceptiva. Essa perspectiva é o que faz você se perceber como um corpo contido no espaço. Enquanto você está optando por brincar de ser humano você experimenta essa perspectiva, não desaparece, mesmo com o despertar da consciência. O que acontece quando você desperta a consciência é que fica óbvio que corpo contido no espaço é apenas uma perspectiva perceptiva. Despertar da consciência não muda o jogo, muda seu jeito de jogar.

Se você fosse meu aluno no ciclo de estudos Eureka, você receberia uma resposta assim: “Você tem o telefone do Max Weber? Liga pra ele e pergunta!”. É isso que respondo aos meus alunos quando me perguntam dos outros. Faço isso para evitar confusão desnecessária. Dá confusão falar pelos outros. Cada autor tem um jeito particular de usar as palavras e só o autor pode responder por suas palavras. Mas aqui não serei tão rigoroso como no ciclo de estudos e, para lhe responder, vou assumir que Max Weber está se referindo ao que a 1ficina chama de outroísmo, mais especificamente, outroísmo impositivo.

Infelizmente nossa convivência é de dominação. Mas não precisa ser obrigatoriamente assim. Pode ser diferente. A qualidade de uma convivência é determinada pelo arbítrio dos conviventes. Sendo assim, para convivermos melhor, sem dominação, bastaria optarmos por uma convivência sem dominação. O que leva a seguinte pergunta: Por que não fazemos isso?

A resposta é a mesma de todo mal viver: ignorância.

Um ser humano lúcido sabe que dominação pode gerar conforto para o dominador, mas jamais vai gerar boa convivência. E sabe também que não tem maior desconforto do que má convivência, uma vez que viver é conviver. Então, um ser humano lúcido, jamais opta por uma convivência de dominação. Só um ser humano em estado de ignorância opta pela dominação.

Atualmente somos uma coletividade de seres ignorantes. Isso é fato e a qualidade da nossa convivência é demonstrativa desse fato. Mas se não bastasse isso! Somos uma coletividade de seres ignorantes que ignoram que são uma coletividade de seres ignorantes. Entende o tamanho do buraco? Ignoramos que ignoramos. O que resulta em acreditar que sabemos. O que resulta em não nos abrirmos para um despertar consciencial, pois somos cegos que acreditam enxergar.

Você pode falar. Claro que pode! Tanto pode, que fala, e fala, e fala… E você não é o único que pode e fala. Todos os seres humanos podem e falam, diariamente, repetidamente e insistentemente. Vai no facebook, vai no youtube, vai no whatsapp. O que tem todo dia na rede social de cabo a rabo? Seres humanos cagando regra. Seres humanos recitando o gabarito do certo e do errado. Seres humanos dizendo o que pode e não pode comer, o que é bom e o que é ruim, o que está na moda e o que é brega, o que é pecado e o que é virtude. São oito bilhões de caga-regras dizendo uns aos outros como cada um deve viver sua vida.

Não existem índios nesse planeta, só existem caciques. Mas a divina ironia da tragédia humana não para por aí. Como se não bastasse os seres humanos serem oito bilhões de caga-regras, são também oito bilhões de super heróis, todos tentando salvar o mundo. E salvar o mundo do que? Do errado. O cristão quer salvar o mundo do islamismo e o islâmico quer salvar o mundo do cristianismo. O ateu quer salvar o mundo da crendice e o crente quer salvar o mundo do ateísmo. Os heterossexuais querem salvar o mundo da homossexualidade e os homossexuais querem salvar o mundo da heterossexualidade. A esquerda quer salvar o mundo da direita e a direita quer salvar o mundo da esquerda. Os pais querem salvar os filhos e os filhos querem salvar os pais. Resultado, treta, guerra, soco, pontapé, facada, mágoa, inimizade, ódio, etc. E tudo em nome de ajudar o outro.

Ajudar o outro o caralho! Cada um quer ajudar a si mesmo. Cada um quer que o outro reze a sua cartilha. Cada um quer que a sua regra seja a regra coletiva. Se pelo menos os seres humanos não fossem hipócritas, isso sim ajudaria. Mas não, são todos certos e santos. O vilão é sempre o outro. A culpa é sempre do outro. É o outro que é egoísta. O inferno é o outro. Eu sou o salvador. Eu imponho minhas regras ao outro porque são as regras da santidade, da verdade, do amor e da salvação.

Então, você pode sim cagar sua regra para o outro, assim como o outro pode cagar a regra dele para você. O que não significa que a regra que você caga para o outro, serve para o outro, assim como a regra que o outro caga para você, serve para você. E nem precisa praticar autociência para perceber isso. O outro calça 37, você calça 36, como seu sapato pode servir para o outro? Não pode. Impossível. O que serve para você, serve para você. O que serve para o outro, serve para o outro. Seu viver, suas regras. Viver do outro, regras do outro. Cada um optando pelo que serve para si e todos vivendo e convivendo bem.

Dito isso, você pode expor sua opinião e seu critério de valores ao outro sem ser um caga regras. Como fazer isso? Exatamente como estou fazendo aqui nesse texto: explicando. Nessa resposta estou lhe explicando como funciona a atual forma de convivência humana e porque resulta em mal viver. E só estou fazendo isso porque você me perguntou. Se não tivesse me perguntado, não lhe explicaria nada, pois estaria sendo invasivo. Então, expor é diferente de impor, explicar é diferente de implicar. Expor e explicar é saudável e produz bem viver. Impor e implicar é violento e produz mal viver. E cada um que decida como viver.

Expliquei?

Sua pergunta contém alguns equívocos. Vou explicitá-los para que você possa se libertar deles. Assim como dança e dançarino não são a mesma coisa, religião e religioso também não. Alguma vez você foi na igreja e assistiu a religião rezando a missa? Claro que não! Quem reza a missa é o padre. Alguma vez você foi ao terreiro de umbanda e conversou com a umbanda? Também não! Você conversa com os médiuns e as entidades. Quem se comporta assim ou assado são os religiosos e não a religião. Comportamento é sempre de um corpo. Dança não tem corpo, então, não tem comportamento, quem tem comportamento é o dançarino. Religião também não tem corpo, então, também não tem comportamento, quem tem comportamento é o religioso: o padre, o bispo, o papa, o médium, o monge, o pastor, etc. Estando isso esclarecido, sua pergunta corrigida fica assim:

Como os religiosos deveriam se comportar diante da política?

Suponho que você considere errada a maneira como os religiosos estão se comportando, por isso está perguntando. Se considera errado, é porque vai contra o que considera certo. Sendo assim, lhe pergunto, como os religiosos deveriam se comportar? Como seria o certo? Sugiro que você escreva uma carta para os religiosos expressando o que eles estão fazendo de errado e como eles deveriam se comportar. Não estou brincando, nem sendo irônico, escreve mesmo, coloque no papel o que pensa e sente. Faça uma lista de todos os erros cometidos e outra lista de como eles deveriam se comportar, de como é o jeito certo. Coloque no título da carta: “Gabarito do certo e errado”. Coloque a carta em um envelope. Vá até o correio e envie a carta para si mesmo. Assim que chegar, leia e viva de acordo com o seu gabarito e permita que o outro vida de acordo com o gabarito dele. E não faça isso pelos outros, por benevolência, tolerância ou respeito. Não! Faça por si mesmo, pelo seu próprio bem. Viver censurando e corrigindo a vida dos outros só serve para você perder sua vida.

Usando o arbítrio.

Eu queria estar agora na Grécia, passeando, gastando e me divertindo. Mas estou em casa assistindo o Caldeirão do Huck.

Querer não é optar. Se você quer experimentar a realidade de passear na Grécia, levanta a bunda do sofá e sai andando rumo à Grécia. Não adianta querer ir para Grécia, mas optar pelo Caldeirão do Huck. Você experimenta o que opta e não o que quer.

Arbítrio é a experiência optada?

Não! Arbítrio é optar

Mas tem um longo caminho até a Grécia.

Que será percorrido por uma sequência infinita de arbítrios. O primeiro desses arbítrios é você optar por levantar a bunda do sofá ao invés de ficar reclamando de uma realidade que você mesmo está criando: assistir Caldeirão do Huck.

Primeiro é preciso entender que uma crença é o que é: uma crença. Só isso! Nem positiva, nem negativa. Apenas um pensamento. Sem valor e sem poder nenhum. Quem dá poder e valor a uma crença não é a crença, é quem está acreditando nela. Por exemplo, os ensinamentos cristãos são crenças que só tem poder e valor para uma pessoa que acredite nele, um cristão, mas não tem poder nenhum para uma pessoa que não acredite, como um budista, um judeu ou um ateu, por exemplo. Crença é crença, não é acreditar. É o ato de acreditar que dá valor e poder às crenças.

Dito isso, acreditar em uma crença pode possibilitar que você viva em acordo com sua unicidade ou impedir isso. Unicidade é sua individualidade. Quando você acredita em uma crença que está EM acordo com sua unicidade, você vive bem. Quando você acredita em uma crença SEM acordo com sua unicidade, você vive mal. Isso responde a primeira parte da sua pergunta, para descobrir qual crença lhe impede de viver bem, você deve pegar seu mal viver como objeto de estudo.

Vamos supor que você está vivendo mal no emprego. Você deve “virar o olho do avesso”, ou seja, praticar autoobservação, e observar tudo que acontece dentro de você quando está no emprego. Tudo que você sente e pensa. Primeiramente o que sente, que será algum tipo de sofrimento, uma vez que se trata de um mal viver. Vamos supor que, ao fazer isso, você descubra que sente tédio, porque é um emprego muito burocrático e você gosta de trabalho criativo sem burocracia.

Uma vez descoberto o tipo de sofrimento, a pergunta que você deve se fazer, é: “Se não quero experimentar essa realidade, no que estou acreditando que está me fazendo experimentar essa realidade?” Essa pergunta vai levar você diretamente para dentro do seu sistema de crenças. Continue se perguntando, se investigando, feito um detetive: “Se não quero experimentar essa realidade, no que estou acreditando que está me fazendo experimentar essa realidade?”. Em algum momento você terá uma EUreka. Você irá visualizar a crença em que você está acreditando e que está lhe impedindo de viver em acordo com sua unicidade.

Para exemplificar, vamos supor que seja uma crença assim: “Melhor um passarinho na mão do que dois voando”. Para deixar de acreditar nessa crença, questione-a. E atenção! Questionar não é ficar doutrinando sua crença, falando que é errada, que é uma crença limitante, blábláblá, etc. Questionar é investigar a veracidade da crença, investigar se o que ela está afirmando ser é de fato. Investigue sua crença conversando com ela. Tipo assim:

Por que é melhor um passarinho na mão do que dois voando?
Por que devo continuar acreditando nisso?
E se não for?
Não quero esse passarinho que está na minha mão, não gosto dele, então, por que continuar segurando ele?
Como posso pegar o passarinho que quero sem soltar o que não quero?
Qual é o problema de soltar esse passarinho?
E daí que pode acontecer aquilo?
Qual o problema com aquilo?

Interrogue sua crença até você se convencer que deve continuar acreditando nela, ou então, até ficar óbvio que ela não merece mais sua fidelidade. Uma vez que fique óbvio, você deu início ao processo de desacreditar na crença.

Você não precisa alterar suas crenças. Isso é desnecessário. E mais! É impossível. Crença é feita de memória e você não consegue deletar memória. O que você pode e deve fazer é alterar a forma como você se relaciona com suas memórias. Como disse no começo, uma crença é apenas uma crença, não tem nenhum poder nem valor. O poder e o valor de uma crença está em você. É você que dá poder e valor a uma crença ao acreditar nela. Então, basta você descreditar da crença que está produzindo mal viver e o bem viver reaparece.

Claro que o hábito de acreditar numa crença faz você voltar a acreditar nela e voltar a viver mal. Mas agora você está consciente do buraco que se habituou a cair e sabe como sair. Levanta, sacode a poeira, sai do buraco e segue até cair de novo, por causa do hábito. E assim até não cair mais. Pronto! Mau hábito reprogramado.

Mostrando a si mesmo que essas crenças são o que são: crenças. O problema nesses casos é você dar as essas crenças o status de fato, quando de fato, para você, são apenas crenças (teorias). E não precisa ser uma teoria tabu como você está dizendo. Tudo que para você é pessoal, pra mim é crença. Vamos supor que você me diga que gosta de chá de boldo. Para você é fato, para mim, é crença (outrociência). Não acredito, nem desacredito, considero. Se dou ao que você está dizendo o status de fato, daí é problema, porque você pode estar mentindo. Se mantenho sendo o que é: o que você está dizendo. Sem problemas.

Eddie Vedder mudou a correlação entre significante e significado. Ele mudou de Alive = tragédia, para Alive = benção. Só que não funciona fazer isso se a correspondência não for verdadeira. Não funcionaria se ele mudasse para Alive = pastel de frango. Funcionou porque a correspondência é verdadeira para os dois casos, tanto para tragédia como para benção. Só que ele nunca havia considerado a segunda possibilidade até aquele momento. Conhece aquela metáfora do copo meio cheio e meio vazio. As duas correspondências são verdadeiras, o copo está meio cheio e meio vazio. Você escolhe no que focar. O Eddie Vedder só via o copo-meio-tragédia, não via o copo-meio-benção. Quando viu o copo-meio-benção, decidiu trocar de foco e a tragédia virou benção.

É justamente o oposto. É impossível cada um seguir o que acha pior. Todo ser sempre segue o que acha melhor. Você só segue uma regra quando é a melhor opção para você, se não for, você não segue, você vai para a opção que acha melhor.

Perguntando a cada uma sobre o assunto a ser conversado.

O que vou usar para perguntar, consciência?

Você deve usar as palavras mesmo, igual quando você conversa com outra pessoa. A consciência é você assistindo a conversa, feito um telespectador de Big Brother. Você já faz isso o tempo todo, apenas vai poder fazer com maior eficiência a partir de agora por estar mais lúcida sobre seu Quatrix.

Pode acontecer de uma unicidade não querer conversar naquele momento?

Tudo pode acontecer. Mas quando uma unicidade não quer conversar, o fato de não querer conversar já é ela conversando, já é ela expressando algo a ser observado e entendido.

Toda vez que vocês me perguntarem sobre meu comportamento, vão me ouvir respondendo a mesma coisa: Tudo é circunstancial. Não tenho um comportamento padrão para nada. Não vivo de forma engessada, vivo com inteligência. Analiso as circunstâncias e uso minha inteligência para interagir com aquela circunstância naquele instante. Assim que faço isso, já são outras circunstâncias e outro instante. Analiso a nova circunstância naquele novo instante e uso minha inteligência novamente. E assim por diante. Então, meu comportamento depende das minhas circunstâncias. Se minha inteligência, após análise das minhas circunstâncias num dado momento, me disser que devo me comportar assim, me comporto assim, se disser que devo me comportar assado, me comporto assado. Não sigo regras de ouro, mandamentos, receitas de bolo de caixinha, nem sabedoria dos outros, nem sabedorias engessadas minhas: sigo minha inteligência viva.

Dito isso, posso dar o testemunho que, na maioria das vezes, opto por falar como o outro no idioma mental do outro (sistema de crenças do outro). Em Roma falo como os romanos. Na Grécia falo como os gregos. No materialismo falo como os materialistas. Na religião falo como os religiosos. Ou seja, ao invés de impor meu 1ficinês aos outros, eu traduzo o idioma do outro para o 1ficinês e entendo em mim o que estão me dizendo, depois devolvo a interação no idioma do meu interlocutor (idioma do outro). Não me proíbo de falar o que quero, penso e sinto, mas adapto isso ao idioma mental do meu interlocutor (sistema de crenças do outro). Se eu for falar 1ficinês, ninguém entende nada. Vou passar esse ano ensinando vocês a falarem 1ficinês aqui e nem assim vocês vão me entender. Então, muitas vezes interajo com vocês aqui na 1ficina usando o idioma de vocês. Por isso não trato vocês todos iguais, trato vocês todos diferentes. Sei que vocês são diferentes, o que inclui usarem diferentes idiomas mentais (terem diferentes sistemas de crenças). Só que aqui faço bem menos, puxo vocês para o 1ficinês, pois vocês vieram aqui para aprender a praticar autociencia e o 1ficinês é o melhor idioma para isso. Então, passo a passo, estou ensinando vocês a falarem 1ficinês.

Da mesma forma que você explica a sua. Você sabe explicar a sua? Dito isso, percebe como a mentalidade vitimista luta para provar que é vítima? A mentalidade vitimista não aceita a responsabilidade nem fudendo. Junta isso com a crença no deusoutro, ou qualquer outro unicórnio espiritualista e fudeu! Você vai viver mal e não vai conseguir sair do mal viver, pois acredita que é uma vítima impotente. Suponha que você consiga provar que você é vítima. E daí? Você estaria provando pra quem? E por que? Viver com mentalidade materialista, acreditando que é um espermatozoide em evolução, não é fácil. O espermatozoide pira! Não tem paz dentro da mentalidade materialista, só tem medo. Mesmo que você seja um espermatozoide que acredita em deusoutro, mesmo que você seja o mais fervoroso dos crentes, é um inferno, porque acreditar não dá certeza e você sabe disso. E se você é um espermatozoide ateu, coloca a culpa na matéria, no Big Bang, na vida, na evolução. O espermatozoide teísta reza para deus, o espermatozoide ateu reza para evolução. Dá na mesma, só muda a etiqueta do deusoutro. E para fugir do medo, para viver em paz, o que o espermatozoide faz? Cerveja, pinga, maconha, Rivotril, chocolate, chocolate, netflix, trabalho, trabalho, sexo, punheta, política, religião, facebook, outra cerveja, casamento, filhos, muitos filhos, enfim, qualquer coisa que adormeça a consciência. Ah! Cigarro, muito cigarro, para, se possível, morrer logo e dar fim ao sofrimento.

Eis a questão! Além de todo blablabla, nheco nheco, chic chic e balancê, o que importa mesmo é fazer a melhor opção, pois só assim a experimentamos. Tem loteria aí em Angola? Aquela que você marca os números e ganha um montão de dinheiro se acertar. Aqui no Brasil tem uma loteria que se chama Megasena. Vc precisa acertar seis números para ganhar. Os brasileiros adoram participar. Quando fica acumulada, faz fila de dobrar o quarteirão da casa lotérica. Imagina qual é a pergunta que as pessoas na fila estão se perguntando. Você acha que elas estão se perguntando sobre deus? Sobre a existência? Sobre quem são de onde vieram e para onde vão? Sobre o funcionamento psicológico humano? Sobre os fundamentos da filosofia? Sobre os fundamentos da ciência? Sobre política? Sobre o sistema social instituído? Não mesmo! Estão todos se perguntando exatamente a mesma pergunta que você. No caso da loteria, a pergunta se adapta para: “Quais os seis números que devo escolher?” Como fazer a melhor opção parece ser é a única pergunta que importa. Só que essa ainda não é a pergunta que resolve. Porque para você fazer a melhor opção, antes você precisa saber o que é melhor. Como optar pela melhor opção sem saber o que é melhor. Sendo assim, lhe pergunto: o que é melhor?

Experimentar as opções que tenho para descobrir qual é a melhor?

Tem como saber sem experimentar?

Você não convive de verdade. É fingimento. Você e o outro não foram ao cartório oficializar a farsa, mas vocês têm um contrato de fingimento. Por isso o outro te elogia e você elogia o outro. Vocês estão cumprindo o contrato. Elogiar um ao outro é uma forma de dizer: “Continue fingindo que eu também continuo”. Convivência desse tipo funciona feito jogo de xadrez, não há lugar para espontaneidade. Cada movimento precisa passar por rigorosa análise do que dirão antes de vir ao tabuleiro. É muito sofrido viver assim. Ninguém aguenta. Por isso você deseja rasgar o contrato. O outro também. Só que ninguém toma iniciativa. Fica um esperando o outro desistir do fingimento. Esperando, esperando, esperando… E é assim que cada um ajuda a perpetuar o que todos desejam que acabe.

Praticando autociência, mais especificamente, autoobservação. Vou usar a analogia da mágica como exemplo. Se você observar atentamente os movimentos do mágico no vídeo abaixo, você se tornará consciente do truque que o mágico está executando. Você é um ser humano. Sua humanidade é um mágico. É sua humanidade que está produzindo o truque da experiência humana que inclui sua experiência de materialidade e externalidade. Autoobservação é assistir seus próprios movimentos mentais até que o truque da materialidade e da externalidade se tornem evidentes. Uma vez que se tornam evidentes, não tem mais mágica, virou autoconhecimento.

Você não foi criado. Você existe.

PERGUNTA: De onde originou minha existência?

Existência não tem origem: existência existe.

Como lidar bem com o medo se você ignora o que é e pra que serve? Impossível. Sua luta CONTRA o medo só serve para você continuar sofrendo. Para começar a lidar bem com o medo, pare IMEDIATAMENTE de lutar CONTRA o medo e faça do seu medo um objeto de estudo. Coloque seu medo no microscópio do consciente e o investigue. Não lute CONTRA seu medo, ESTUDE seu medo. Seja um cientista e não um lutador de box

Seres conscientes vivem bem. Se você está vivendo mal, está na ignorância

Você sabe o que é amor e ódio? Você sabe para que serve? Sabe como funciona dentro de você? Se você ignora a natureza, a serventia e o funcionamento do amor e do ódio em você, como pode lidar bem com o amor e o ódio nos outros? Não pode! Impossível. Percebe? É sua ignorância de si que lhe impede de lidar bem com o comportamento dos outros.

Quando você é consciente do seu próprio funcionamento, fica simples lidar bem com o comportamento dos outros, porque o outro é outro você, ser humano igual você. Então, o primeiro passo para lidar bem com o amor e o ódio dos outros, é virar o olho do avesso. Ou seja, ao invés de ficar olhando para fora, para o outro, olhe para o seu amor e o seu ódio. Observe do que se trata. Entenda para que serve. Veja como funciona.

Fazer isso é você praticando autoobservação. Autoobservação produz autoconhecimento. Quanto mais autoconhecimento você produz, menos ignorância. Quanto menos ignorância, maior sua competência em lidar com o comportamento dos outros, melhor você vive e convive.

Daí, você pode me perguntar: Como você sabe que me ignoro?

Se você não se ignorasse não estava me perguntando sobre algo que acontece em você.

Daí, você pode pensar: E você precisa jogar minha ignorância na minha cara?

E o que você espera que um professor de autociência faça com sua ignorância? Que a coloque em cima de um altar, acenda velas, se ajoelhe e a idolatre? “Louvada seja essa ignorância para sempre seja louvada!” Eu posso até fazer isso, mas em que isso vai lhe ajudar a viver melhor? Jogar sua ignorância na sua cara é uma ajuda que lhe ofereço para que fique consciente dela e assim possa sair dela. E você não precisa aceitar minha ajuda. Minha oferta é voluntária, gratuita e sem expectativas de aceitação.

Daí, você pode concluir: “Então, não vou perguntar mais nada, vou ficar caladinho, assim escondo minha ignorância e vou parecer sábio”.

Isso é o que você tem feito sua vida inteira. Isso é o que todos os seres humanos têm feito desde sempre. Se funcionasse, já tinha funcionado. Então, porque não experimentar um novo caminho: expor a ignorância. Só de curioso. Só para fazer uma experiência. Só para ver se expor a ignorância é uma opção melhor do que escondê-la. Se não for, sem problemas. Só voltar para o esconderijo.

Se sua irmã fosse fazer uma cirurgia, você não faria nada? Tipo, mandar energia positiva, rezar para dar tudo certo, ou algo assim?

Já faz tempo que matei minha família. Não tenho mais irmã, nem mãe, nem pai, nem nada. Despertar da consciência faz você ficar órfão. Quando você desperta para o óbvio de que você é um ser humano (fábrica de realidade humana) convivendo com outros seres humanos (outras fábricas), o que você chama de família, desaparece. Estudamos isso no livro Apocalip-se. TUDO é apenas você brincando de Apocalip-se. Para mim é óbvio que meus familiares são seres humanos brincando de AUTORREALIZAÇÃO assim como eu. E assim como o outro não tem competência para saber e optar pelo que é melhor para mim, eu também não tenho competência para saber nem optar pelo que é melhor para o outro. Sendo que sou consciente disso, por que cometeria a besteira de executar uma competência que sei que não tenho?

Me sinto uma irmã desnaturada.

Percebe onde começa seu equívoco? Você estudou que é um SER HUMANO e não um HUMANO SER, mas ainda não despertou para isso. Você apenas trocou os unicórnios que tinha antes pelas explicações da 1ficina. Autociência não é trocar um unicórnio por outro, mesmo que for um unicórnio autocientífico. Enquanto você não despertar para sua UNItrindade, para o SER HUMANO que você é, não adianta saber de cor tudo que a 1ficina explica, você não está sabendo por consciência própria, você PENSA QUE SABE.

Quando vou matar minha família igual você?

Não é algo que você faz, é resultado do despertar existencial. Quando você tem um despertar existencial fica óbvio que assim como vc é uma UNItrindade o outro ser humano também é. Quando você ainda não despertou existencialmente fica parecendo que isso é ruim, que é o fim do mundo, que é o fim da convivência, mas é justamente o oposto, só a partir daí que você FINALMENTE começa a ver o outro como OUTRO. E conviver com o outro como OUTRO. Antes disso, O OUTRO NÃO EXISTE. O que existe é mãe, pai, filhos, esposa, chefe, cliente, patrão, empregado, cachorro, planta, mesa, etc… E o outro? Não existe!!! Como pode existir o outro quando você ignora sua própria existência? Não pode. É impossível.

Autoísmo é viver EM ACORDO com a própria unicidade. Então, seu comportamento, seja qual for, é efeito da sua opção dentre: viver autoísta ou viver outroísta.

Da mesma forma que esse texto está aparecendo no seu whatsapp. O outro se manifesta, você recebe a manifestação do outro, decodifica essa manifestação com seu sistema (atualmente) humano e experimenta essa manifestação decodificada em si.

Cada click dispara um pacote de realidades. Você opta por uma coisa mínima, como usar determinada roupa para um compromisso, por exemplo, só que no pacote dessa opção está uma pneumonia. Você pensa que optou pela roupa, mas optou por ficar com pneumonia. Como se dá isso? Por causa da vaidade, você opta por usar uma roupa bonita, mas sem mangas, bem aberta. Seu encontro é em um restaurante que tem o ar condicionado mais frio do planeta. Você passa duas horas no restaurante morrendo de frio, mas fingindo que está tudo bem, para não colocar um casaco feio que lhe ofereceram, pois vai estragar o look. Resultado, você opta pela roupa e vai parar no hospital com pneumonia. Só que você não entende essa relação. Você não entende que quando clicou na roupa estava clicando na pneumonia. Mas estava. E pior! Você não clicou na roupa. Roupa é só um objeto, uma coisa, só uma significante, não tem significado. Você clicou no significado da roupa. A roupa significava sua vaidade. Então, a pneumonia não estava no pacote da roupa, estava no pacote da vaidade. Você vai para no hospital por causa da sua vaidade. Só que você não consegue nem entender que está com pneumonia por causa da roupa, menos ainda que é porque clicou na vaidade. Tem a questão psicossomática também. Cultivar mágoa, por exemplo, é passar a vida tomando veneno. Não tem corpo que aguenta. Raiva igualmente. Ansiedade igualmente, etc…

Colocando o foco do seu saber nos cinco sentidos. Veja que você vê e fique vendo ver. Sinta que você sente e fique sentindo sentir. Ouça que você ouve e fique ouvindo ouvir. Perceba que você saboreia e fica saboreando saborear. Perceba que você cheira e fica cheirando cheirar. Enfim, quanto mais você praticar ficar consciente dos seus sentidos, melhor você vai perceber sua realidade objetiva.

A palavra responsabilidade pode ter múltiplos significados. Não sei qual significado você está usando. Se a pessoa a que você se refere é um filho, por exemplo, você é legalmente responsável por ele até completar 18 anos. Essa é uma responsabilidade constitucional. Agora, enquanto ser humano, você só pode optar por si, então, você só pode ser responsável por si.

A palavra responsabilidade é a soma de duas palavras: responsa + habilidade. Responsa é responder. Habilidade é capacidade. Responsabilidade é sua capacidade humana de responder as circunstâncias da vida. Porém, nenhum ser humano é capaz de responder pelo outro. Então, é impossível você ser responsável por qualquer outro ser humano além de si mesmo.

Cada ser humano é o único usuário de si, único usuário da própria unicidade. Ninguém é usuário da unicidade do outro. Então, cada um é o único responsável por si.

Eu não minto e não gosto de mentira, então, por que estou atraindo gente mentirosa para minha realidade?

A palavra “atraindo” não é uma boa palavra para você entender criação de realidade. É ótima para vender livros, criar misticismo e equívocos, mas péssima para entender criação de realidade. Então, para lhe ajudar no esclarecimento, vou substitui-la por “experimentar”.

Fazendo isso, sua pergunta fica assim:

PERGUNTA: Eu não minto e não gosto de mentira, então, por que estou experimentando gente mentirosa na minha realidade?

A resposta curta, grossa e desagradável, é: porque você está optando por isso. Criação de realidade funciona assim: agora se opta, agora se experimenta. Realidade é efeito do arbítrio. Você pode replicar: “Você está errado, pois eu não opto por conviver com gente mentirosa, pois eu detesto mentira e gente mentirosa”. Ora, mas você opta por conviver com pessoas, não opta? Você dirá: “Sim, opto”. Pois então, pessoas mentem! Entendeu? Ao optar por conviver com pessoas, vem junto tudo que pessoas fazem: respirar, mijar, soltar pum, sorrir e mentir. Opção é kinder ovo, vem com surpresa dentro.

Quando seu carro é roubado, você se pergunta: “Por que meu carro foi roubado? Como atraí isso? Por que estou experimentando essa realidade? Quando foi que optei por isso?”. Você optou por isso quando comprou o carro. Como você poderia ter seu carro roubado se você não tivesse optado por comprar o carro? Não poderia. “Ah, mas eu optei por comprar o carro, não optei por me roubarem o carro!”. Sim, mas vem no pacote da opção de comprar o carro, vem dentro do kinder-carro. Surpreeeeesa!

“Puta merda!” você pensou agora. Pois é! Descupaê, mas é assim que funciona criação de realidade coletiva. Não inventei a brincadeira, só explico como funciona. Agora se opta, agora se experimenta. E mesmo que você opte por uma experiência específica, vem um monte de experiências surpresas e correlatas dentro do pacote. O que nos leva a sua segunda pergunta:

Como posso ser 100% responsável por ter a experiência de conviver com pessoas mentirosas como afirma o ho’oponopono?

Quem executa seu arbítrio é 100% você e mais ninguém. Simples assim. Óbvio assim. Se não quer conviver com pessoas mentirosas, não deve optar por conviver com pessoas, deve optar por conviver apenas com plantas, animais e eletrodomésticos, pois pessoas mentem. Se quer conviver com pessoas que mentem pouco, você pode, por exemplo, fazer uma entrevista com as pessoas candidatas a se relacionarem com você antes de você optar por se relacionar com elas, tipo uma entrevista de emprego. Mas os candidatos podem mentir na entrevista também. Agora já sabe porque, né? Isso mesmo! Pessoas mentem.

Você não sabe, mas você sente. Você sente sua unicidade a cada passo, então, basta se permitir ser você a cada passo, e assim, passo a passo, você estará sendo você, mesmo sem saber quem você é.

Autoobservação produz despertar da consciência >>>
Despertar da consciência produz autoconhecimento >>>
Autoconhecimento produz melhores escolhas >>>
Melhores escolhas produzem melhores comportamentos >>>
Melhores comportamentos produzem melhor convivência >>>
Melhor convivência é melhor realidade.

Por que melhor convivência é melhor realidade?

Porque realidade é TUDO QUE VOCÊ EXPERIMENTA. E tudo que você experimenta é você convivendo com os outros. Então, quanto melhor sua convivência, melhor o que você está experimentando.

Você não precisa preencher o vazio, basta retirar o que está bloqueando sua integridade. É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar. É tentando preencher o vazio que você bloqueia a si mesmo. “Eu tenho que isso! Eu tenho que aquilo!”. O que você chama de vazio é você cheio de medo de ser autêntico. Vazio é o fruto da sua busca pelo pote de ouro no final do arco íris. Pote de ouro = perfeição. Não existe perfeição. Tudo no universo é único, singular, impar_feito. Perfeição é um equívoco. Perfeição é a suposição que você deve viver de acordo com algum padrão coletivo. Isso é impossível. Se fosse possível você já teria conseguido.

A solução não é preencher o vazio com algo artificial, mas retirar o que está bloqueando o natural. Um tratamento médico não produz saúde, apenas retira o que está bloqueando a saúde. Retirado o bloqueio, a saúde volta naturalmente. Saúde é natural. Impar_feição é natural. Sua crença na perfeição que é o bloqueio. Quando você desperta e percebe a insanidade que é tentar ser perfeito, você imediatamente para de tentar e se permite ser você (impar_feito). Despertar para impar_feição é você se curando do equívoco da perfeição. Quanto mais você se cura, mais evidente fica que o vazio não era vazio, era você cheio de negação de si.

Resistência, psicologicamente falando, é preguiça. Para sair de um nível de consciência, é preciso vencer a resistência mental, ou seja, é preciso vencer a preguiça de pensar. O ser humano é um ser atolado na resistência mental. O ser humano se orgulha de ser racional, se diz pensante, mas fica só no orgulho mesmo. O ser humano não pensa. Até para fazer as quatro operações matemáticas básicas o ser humano usa a calculadora, tamanha é a resistência mental em que está atolado. O que o ser humano faz é decorar nomes, discursos alheios, explicações acadêmicas, preconceitos culturais e repetir isso até babar. O que o ser humano faz é copy paste do copy paste do copy paste. E o ser humano chama isso de pensar. E ainda briga de faca, metralhadora e bomba atômica com quem discorda do que ele pensa que pensa. O ser humano é um ser com profunda preguiça mental. Observe, por exemplo, o tanto de cursos e livros que prometem resolver seus problemas por você. A pessoa paga os tubos para resolver algo que basta pensar 5 minutos e já está resolvido. Mas e a preguiça de pensar? Paga 10 mil reais e até mais se for preciso, mas… Pensar não! Pensar nunca! Pensar jamais! Por isso não faço terapia com ninguém. Fazer terapia é empurrar pedra. Você já empurrou uma pedra? O que acontece quando você pára de empurrar? A pedra volta a ficar parada. Fazer terapia é empurrar preguiçoso. A pessoa tem preguiça de pensar e paga o terapeuta para pensar para ela. Quando uma pessoa assim me procura, digo que não sou terapeuta e aconselho entrar no ciclo de estudos. A pessoa sai correndo. Tem que pensar! Pensar não! Pensar nunca! Pensar jamais! E vai tomar antidepressivo, ayahuasca, fazer curso de unicórnio quântico, qualquer coisa, menos pensar. Então tá! Continua sofrendo sem entender porque!

Imagine que você está jogando futebol e toda vez que a bola vem para você o juiz apita e marca falta. Você não consegue sair desse ciclo, fica preso nele, dentro dele. Basta alguém passar a bola para você e o ciclo se repete, o juiz apita e marca falta. Então, você decide descobrir porque está preso no ciclo do apito. Você investiga o jogo e descobre que futebol se joga com os pés e você está usando a mão. Por isso que toda vez que passam a bola para você se repete o ciclo do apito. Você está pegando a bola com a mão. Ao ficar consciente disso, você para de pegar a bola com a mão e sai do ciclo do apito. Analogamente, o mesmo acontece com o ciclo da violência. Você fica preso no ciclo da violência porque combate violência com violência. Para sair, você deve ficar consciente que está dentro.

O que acontece se você passar três dias sem beber água?

Eu desidrato.

O mesmo acontece com qualquer habitante da casa. Quando você ignora seu afetivo, por exemplo, seu efetivo fica desidratado. E assim com cada um.

E como dou água para o meu afetivo?

Afeto é valor, importância. Dê para si o que você considera importante, valoroso.

Você não sabe, você sente. Felicidade e sofrimento serve por isso. Por exemplo, você calça 37, mas acredita que deve usar sapato 35. Você compra um sapato 35. Dói o pé. O dedão fica roxo. Para que tanta dor? Para você ficar consciente que 35 não é o numero ideal para você. E qual é o numero ideal para você? Você precisa tentar novamente, optar novamente pelo que acredita ser o ideal. Você acredita que é 36. Compra um sapato 36. Dói menos. O dedão passa de roxo para azul marinho. Mas ainda dói. Por que ainda dói? Para você ficar consciente que 36 ainda não é o numero ideal para você. E qual é o numero ideal? Você precisa tentar novamente, optar novamente pelo que acredita ser ideal. Você opta por 37. Compra um sapato 37. Ah! Que maravilha. Que felicidade! O dedão fica rosinha, normal, relaxado dentro do sapato. Seu pé atingiu a iluminação. É o pé_raíso! Claro que é 37! Óbvio que é 37! Evidente que é 37! Eureka! Eu_sou_37

Imagine uma televisão que esteja assistindo a si mesma. Melhor! Imagine uma televisão que “nasceu” assistindo a si mesma. Essa televisão vai acreditar que as imagens na tela é a tela. As imagens estão mais perto do que perto, estão na tela e a televisão nasceu assistindo as imagens, então, a televisão não tem como colocar um espaço entre a tela e a imagem. Até porque, não existe de fato espaço separando a tela da imagem na tela. Como separar? Simples. A tela é o que possibilita e fabrica a imagem que é produto. Analogamente o mesmo está acontecendo com você. Você-causa = televisão. Você-efeito = realidade. A televisão está assistindo a si mesma, você também.

Dizem que Michelangelo pintou a Capela Sistina deitado em um andaime. Até aí tudo bem. Mas foi ele que teve que construir o andaime. Imagina, o cara louco para fazer a pintura, já imaginando todos os detalhes da imagem, mas tendo que construir uma merda de um andaime. Bem chato, né? Mas se não construísse o andaime, não pintava a capela.

Se metaforizarmos o andaime de Michelangelo, veremos que o andaime está presente em todos os aspectos da nossa vida. Representa uma chatisse, que se não for aceita e suportada, nos impedirá de chegarmos a realização de algo desejado, nos impedirá de pintar a Capela Sistina.

Vou pegar um exemplo pessoal de andaime. Eu ando de skate. Skatistas se dividem basicamente em dois grupos, os que conseguem executar kickflip e os que não conseguem. Ou seja, kickflip é uma manobra difícil, requer muita competência para ser executada. Outro dia, mudei de nível. Acertei meu primeiro kickflip. Adivinha quanto tempo tive que praticar para conseguir executar uma manobra que demora 5 segundos para ser executada?

Um ano! Um ano de tentativa e erro, erro, erro, erro, erro, erro. E vai, e vai, e vai, e vai, e vai, e vai, e vai…. e nada. E vai de novo, de novo, de novo, de novo… e nada, nada, nada. Um ano de absolutamente nada. Um ano de fracasso após fracasso. Um ano!

E minha cabeça falando assim: “Desiste dessa merda, essa merda não é pra você, você está muito velho, nem os moleques conseguem, vai fazer outra coisa, um ano tentando e ainda não conseguiu, desiste logo, não vai conseguir nunca! esquece isso!”. Não desisti. E por que não desisti? Porque já fui professor de inglês. Como assim? Explico.

Um aluno que vai aprender inglês (segundo idioma) não se lembra do processo pelo qual passou para aprender o primeiro idioma. Ninguém lembra. Então, surge a crença (equivocada) de que aprendizagem é um processo sem processo. O aluno acha, aliás, delira, que o simples ato de pagar um professor para lhe ensinar já é o suficiente para aprender. Grande engano. O professor já fala o segundo idioma porque já passou pelo processo de aprendizagem. Quem não passou pela aprendizagem ainda foi o aluno. E só tem um jeito de passar: passando.

Para aprender, o aluno deve passar pelo processo de aprendizagem. Óbvio! Só que tem uma coisa no processo de aprendizagem do segundo idioma, que teve no processo de aprendizagem do primeiro idioma, mas que o aluno esqueceu e não está interessado em lembrar. O que é?

Sim, senhoras e senhores: repetição. Infinitas horas de repetição. Tediosas horas de repetição. O saco explodindo de não aguentar mais repetir a mesma palavra, a mesma estrutura gramatical, o mesmo som, o mesmo vocabulário, o mesmo mesmo. Eu vi aluno chorando, se descabelando, fazendo promessa, implorando de joelhos, oferecendo pagar o dobro, o triplo, o que fosse preciso para aprender sem precisar passar pelo processo de aprendizagem.

Vi também muitos alunos desistirem. Muuuuuitos. A maioria desistia. Alguns voltavam depois. E desistiam novamente. E voltavam de novo. E ficavam assim, rodando em círculos na estaca zero. Mas também vi o milagre da aprendizagem acontecendo naqueles que não desistiam, que pagavam o preço da aprendizagem, que suportavam e sobreviviam ao tedioso processo da repetição.

E de tanto ver isso, repetidamente, ficou óbvio para mim que a prática faz a prática. Por isso não desisti de acertar o kickflip. Para mim é óbvio que êxito é produto da prática. Difícil é falta de prática. Só isso. Quem pratica adquire prática. Quem tem prática, executa com facilidade. Por isso, não me incomodo de repetir, repetir, repetir e repetir. Sei que a cada repetição me aproximo mais do êxito e da maestria. Nunca falha.

Claro que desisto de praticar muitas coisas. Mas são coisas que não são importantes para mim, são de pouco interesse. Dessas eu desisto logo. Quanto mais rápido desisto, melhor. Por exemplo, teve uma vez que comecei a fazer Tai Chi Chuan. Eu gostei bastante. Mas logo percebi que era algo que precisava de dedicação e não era prioridade para mim. Assim que entendi isso, desisti imediatamente. Fui gastar minha energia e minha prática com outras atividades que tinham maior prioridade.

Suponho até que futuramente, práticas como Tai Chi Chuan ou similares, se tornarão importantes para mim, e daí vou praticar, praticar, praticar muito para ficar competente nessa prática. Por enquanto, pratico, pratico, pratico outras coisas, que são as que entendo como importantes agora.

O que isso tem a ver com andaimes e realização? A tediosa e infinita repetição é o andaime que leva a competência. Só vocação não é suficiente. Vocação facilita, mas não substitui o processo de repetir para desenvolver a competência. Se não trabalhamos nossa vocação, ela não se desenvolve. E pior! Apodrece.

Eu vejo gente apodrecendo para todo lado. E por que? Por conta de não querer pagar o preço de lidar com o desprazer da repetição. E no final das contas, essas pessoas se tornam mestres em justificativa, vitimização e reclamação, porque essa é a prática que repetem diariamente.

O que me leva a conclusão deste texto e explicação do título. Podemos dividir nossa história em AC e DC. Antes do Corona e Depois do Corona. Depois do Corona é você colhendo o que esteve praticando Antes do Corona, tanto particularmente como coletivamente. Então, para saber como será Depois do Corona, pense no que esteve praticando antes.

Surgem naturalmente e inevitavelmente toda vez que você experimenta um significante, seja esse significante realidade objetiva ou simulada.

Significante  > (dispara) > significado
Significado   > (dispara) > emoção

A emoção é o que você experimenta de fato. Você experimenta emoções e associa a qualidade do que está experimentando aos conceitos significativos de bem e mal, bom e ruim, caro e nulo, vero e falso. Imagine seu sorvete favorito. Parece que ao imaginar você experimenta junto o significado “bom” (gostoso). Mas, de fato, você experimenta prazer (emoção da unicidade sensorial). Só que você já tem em si a associação prazer = bom. Por isso parece que você está experimentando o significado bom, mas de fato, está experimentando prazer. O mesmo para cada unicidade.

EGO não é o ego da psicologia, nem das doutrinas espiritualistas, nem nada disto. EGO é um dos aspectos da sua UNItrindade. EGO é você-realizador. O termo EGO é uma sigla para explicar o que você-realizador faz. Você-realizador não surge, você existe. Uma sigla de informática melhor para explicar o que você-realizador faz, é a sigla CPU (Central de Processamento Único).

Sua pergunta não é uma pergunta de autociência. É uma pergunta pessoal. Porém, é muito recorrente. Já devo ter respondido essa pergunta umas 100 vezes, então, vou responder 101 vezes e vou colocar no site, daí, quando me perguntarem novamente, é só enviar o link.

Como fazer um bolo de chocolate? Como emagrecer em duas semanas? Percebe? Quando perguntamos “como”, estamos buscando a receita infalível, estamos buscando o tutorial do sucesso. O youtube está cheio de tutoriais. Acho ótimo. É uma das coisas que mais assisto no youtube. Principalmente de informática. Contudo, a unicidade e as circunstâncias de cada um não é um android nem um windows. Então, são três os problemas na busca pelo tutorial do sucesso.

1) O que funciona 100% para mim, só funciona 100% para mim, pois eu sou único, singular, diferente de todos os seres do universo. E vice versa. O que funciona 100% para você, só funciona 100% para você, pois você é único, singular, diferente de todos os seres do universo.

2) Na metodologia científica, para que uma experiência obtenha ao mesmo resultado da outra (mesmo sucesso), uma deve reproduzir exatamente as mesmas condições da outra, ou seja, as mesmas circunstâncias. Só que isso é impossível entre pessoas. É impossível para tudo. Mas enfim, as minhas circunstâncias também são singulares, diferente de todos os seres do universo. E vice versa.

3) Circunstâncias são circunstanciais. O que funciona num instante pode ser a pior opção no instante seguinte. Problema é dinâmico, vivo, muda de instante a instante. Então, solução precisa ser dinâmica também, viva, mudar de instante a instante. Não dá para engessar o sucesso em um tutorial porque problema nenhum é engessável. Uma solução que funcione para mim mesmo hoje, mudando as circunstâncias, pode ser minha ruína amanhã.

Dito isso, já posso responder sua pergunta:

Como você consegue se manter financeiramente fazendo um trabalho gratuito?

Minha unicidade, minhas circunstâncias e minhas escolhas possibilitam isso.

Vou começar pela unicidade. Sou uma pessoa sem ambições materiais. Minha ambição é por sabedoria. Se tivesse ambições materiais, não teria abandonado os empregos lucrativos que já tive. Mas alerto que isso sou eu. Não me forço a ser assim. Não aprendi a ser assim. Não me doutrinaram para ser assim. Eu sou assim desde que nasci. Cada um tem um jeito de ser. Esse é o meu. Se você se forçar a ser igual a mim, só conseguirá viver mal. Não recomendo. Para viver bem, seja você mesmo.

Sobre minhas circunstâncias. Atualmente tem 50 anos, sou casado e não tenho filhos. Não ter filhos é uma circunstância que favorece muito trabalhar gratuitamente. Creio que se eu tivesse filhos, seria inviável fazer um trabalho gratuito. Outro fator favorecedor é ser proprietário de um imóvel em São Paulo, um apartamento. Antes de começar o trabalho da 1ficina, eu morava nesse apartamento e trabalhava para pagar as contas, o que incluía o condomínio do apartamento. Daí tive a ideia de alugar o apartamento e ir morar em um lugar mais barato. O que estava consumindo minha renda mensal passaria a gerar renda mensal. Coloquei a ideia em prática e vim morar em Uberlândia, Minas Gerais. Com a renda do aluguel do apartamento, pago minhas contas aqui, vivo bem, e principalmente, posso trabalhar com o que amo e pelo inútil prazer de fazer o que amo. Se o mercado imobiliário falir, minha vaquinha vai pro brejo, vou ter que encontrar outra solução para continuar fazendo o trabalho da 1ficina. Mas meu desejo é manter gratuito sempre.

Sobre minhas escolhas, estão implícitas nas explicações acima, mas vou explicitá-la. Chegou um momento na minha vida em que desisti de tudo. Absolutamente tudo. Perdi as esperanças. Decidi que não iria mais fazer opções esperando esse ou aquele resultado. Decidi que iria fazer o que achava melhor e foda-se. Me desliguei do resultado. Me concentrei totalmente em investigar minhas circunstanciais opções, eleger a melhor para aquela circunstância e colocar em prática. Só isso. Nada além disso. Se aquela opção me levasse para o buraco, iria para o buraco feliz. Se me levasse para cima da montanha, iria para cima da montanha feliz. Ou seja, fosse para onde meu arbítrio me levasse, eu iria feliz. E isso que importava. Se eu chegasse em um lugar indesejado, bastaria eu optar novamente e seguir viagem feliz. Trabalhar gratuitamente é uma dessas opções. Me mantenho trabalhando gratuitamente porque continuo considerando a melhor opção.

Para terminar, faço uma observação interessante. Trabalho gratuito em inglês se diz “free work”. O que dá um duplo sentido. Ao pé da letra a tradução é “trabalho livre”. É isso! Não trabalho gratuitamente, sou um free worker, sou um trabalhador livre. Recomendo. Creio que esse é o futuro do trabalho. Mas para isso precisamos nos libertar do que nos impede de trabalharmos livremente. E para nos libertarmos do que nos impede, daí tem receita sim: praticar autociência.

Quando a água é aquecida, vira vapor. Tanto faz se você goste ou desgoste disso, tanto faz se você considera certo ou errado, tanto faz se você acha que deveria ser diferente. É assim que funciona. Mesmo que você convença todas as pessoas do planeta que o comportamento da água está errado, que deveria ser diferente, ainda assim a água continuará tendo o mesmo comportamento. Você pode criar uma lei proibindo a água de virar vapor. Você pode mandar prender a água. Você pode até condenar a água a pena de morte por desobedecer sua lei. E ainda assim a água continuará tendo o mesmo comportamento.

Ou seja, a natureza não funciona de acordo com a moral, funciona de acordo com o natural. Por isso, o trabalho de um cientista é observar e estudar o funcionamento da natureza, não é fazer julgamento moral sobre esse funcionamento. Um cientista não é moralista, nem imoral, é amoral. O mesmo acontece com a autociência. O trabalho de um autocientista é observar e estudar o funcionamento da natureza humana, não é fazer julgamento moral sobre esse funcionamento. Por isso, tanto faz minha opinião moral sobre a sexualidade humana. A sexualidade humana funciona como funciona e não muda por conta da minha opinião moral, nem por conta da opinião moral de ninguém.

Dito isso, posso compartilhar um pouco do que já observei e descobri sobre o funcionamento da sexualidade humana. O mais importante a ser observado e comprovado é que sexualidade não se resume a sexo. Atração sexual é atração pelo prazer. Se imagine fazendo sexo com um liquidificador, por exemplo. Isso te dá tesão? Claro que não! Por que não? Porque ao fazer sexo com um liquidificador você irá experimentar o oposto do prazer, você irá experimentar dor. Você faz sexo para experimentar prazer. Só que sexo não é a única forma de você experimentar prazer. Você pode experimentar prazer ouvindo música, comendo macarrão, praticando esporte, assistindo filmes, conversando, contando piada, entrando no mar, rolando na areia, etc.

Sexualidade é sensorialidade. Sensorialidade é lidar com o prazer e o desprazer. Cada um tem uma sensorialidade única, particular, diferente dos outros. Então, cada um tem um critério de prazer e desprazer único, particular, diferente dos outros. Eu, por exemplo, detesto comer jiló, pois não tenho prazer em comida amarga, é desprazeroso para mim. Mas tem pessoas que adoram comida amarga. Eu detesto techno music também, mas tem pessoas que adoram techno music justamente pelo mesmo motivo que detesto, o repetitivo som de bate estaca.

Sensorialidade funciona assim, você tem tesão pelo que te dá prazer e brocha com o que te dá desprazer. Porém, só você é capaz de saber O QUE te dá prazer, QUANDO te dá prazer e COMO te dá prazer, pois mesmo a coisa prazerosa, no momento errado ou de forma errada pode gerar desprazer ao invés de prazer. Então, cabe a você decidir o que, quando e como é prazer e desprazer para você. Ninguém pode fazer isso por você, porque só você tem acesso a sua unicidade e a sua experiência humana.

Dito isso, vou responder o resto da sua pergunta:

Como viver em paz com a própria sensorialidade (sexualidade)?

Simples, não entrando em guerra. Onde não há guerra, há paz.

…que precisa ser aceita pelo outro para que possamos conviver bem?

Essa sua crença é um equívoco. Quem deve aceitar sua sensorialidade é você, não o outro. Ninguém tem obrigação de aceitar sua sensorialidade. Ninguém tem obrigação de aceitar nada. Não existe obrigação no universo. Uma pessoa pode até respeitar sua sensorialidade voluntariamente. Mas só fará isso se for uma pessoa iluminada, um ser humano consciente sobre o que é respeito e porque é a melhor opção de convivência. Seres humanos assim são raros. Então, se você ficar esperando o outro aceitar sua sensorialidade para viver bem, tudo que irá conseguir será morrer esperando e vivendo mal. O que você pode fazer é se libertar dessa esperança. Você pode desistir de esperar que o outro lhe aceite e se aceitar. Isso sim irá lhe ajudar a viver e conviver melhor.

Meu trabalho com autociência e meu trabalho com arte são trabalhos distintos, quase antagônicos. Como professor de autociência, meu trabalho é explicar, deixar explícito o que estou mostrando, sem dar espaço para interpretações. Uma explicação autocientífica é objetiva como uma equação matemática, só que ao invés de números, usa palavras. Como artista, meu trabalho é o oposto, é esconder o que estou querendo dizer, é dizer sem dizer, é deixar a mensagem implícita para que o leitor possa brincar de interpretação.

Esse meu poema, por exemplo:

ESCUTANDO SOPAS

Comecei escutando sopas
depois escutei um limão
a capela
frente a frente
nota por nota
gomo a gomo

Se você ainda mastiga
cardápios e hábitos
permaneça escutando sopas
escutando sopas
escutando sopas
escutando sopas
(no repeat)
até o dia amanhecer
no céu da boca

Em casos graves
de bloqueio clariauditivo
escute soro caseiro
e paçoquinha amor

Esse poema não explica nada, pelo contrário, esconde o assunto. Isso possibilita que você (leitor) possa brincar de interpretação. Você fica pensando: “O que será que ele quer dizer com escutar sopa? É impossível escutar sopa, então, essa sopa deve ser outra coisa. Mas o quê? Será que sopa significa isso? Será que significa aquilo?” E assim por diante, você começa a divagar. Quando estou produzindo uma explicação auto científica é o oposto, sou explícito justamente para que você (leitor) não divague. Por exemplo, quando explico: “Sofrimento é emoção desagradável”. É isso e ponto. Emoção + desagradável = sofrimento. Não tem duplo sentido, não tem divagação, não tem o que interpretar. É óbvio, é explícito, é isso aí e fim de papo.

Linguagem científica tem uma função, linguagem poética (artística) tem outra. Uma não é melhor que a outra, são diferentes. Cada uma em seu lugar e tudo funciona bem. Dito isso, vou responder suas perguntas considerando apenas meu trabalho como professor de autociência porque esse é o motivo de estarmos aqui na 1ficina estudos.

Como você lida com o reconhecimento do trabalho da 1ficina?

Da mesma forma que lido com tudo que experimento: com lucidez. Mas talvez sua pergunta seja outra. Talvez sua pergunta seja: “Como você se sente com o reconhecimento do trabalho da 1ficina?”. Eu fico contente. Eu acho que é um trabalho de muitas qualidades e muita eficiência. Então, fico contente quando alguém reconhece isso.

Você almeja sucesso?

Sucesso é uma palavra de muitos significados. Se a palavra sucesso significar êxito, não almejo sucesso, experimento o sucesso da 1ficina todos os dias. O objetivo do trabalho da 1ficina é ajudar o ser humano em seu processo de autorrealização. Todos os dias a 1ficina triunfa nesse objetivo, cada vez com mais amplitude e eficiência.

Se a palavra sucesso significar reconhecimento, não almejo também, experimento o reconhecimento do trabalho da 1ficina todos os dias, principalmente entre os participantes do ciclo de estudos EUreka.

Se a palavra sucesso significar fama, daí sim almejo, mas por um motivo específico. O trabalho da 1ficina ajuda as pessoas a lidarem melhor com o sofrimento e viver melhor. Porém, a maioria das pessoas ignoram a existência do trabalho da 1ficina. Um site na internet é como uma azeitona flutuando no meio do oceano. Então, conforme o trabalho da 1ficina ganha fama, ganha também visibilidade e mais pessoas podem usufruir dele.

Depois que fica óbvio que o sofrimento é o mestre, você não precisa fazer nada para se manter aluno, sua própria lucidez faz isso. E se você adormece, se por um lapso de insanidade você volta a acreditar que você é o mestre do sofrimento, não tem problema, você volta a sofrer até perceber que retornou ao equívoco.

Fico triste. Acho ruim. Sobre como lido com isso, só sei na hora.

Dito isso, sua pergunta contém um equívoco que todo aluno de autociência comete no começo dos estudos, acreditar que existe receita de certo e errado, solução de bolo de caixinha para viver bem. Não existe. Tudo é circunstancial e uma circunstância nunca é igual a outra. Então, o que funciona numa circunstância pode não funcionar na outra, o que é melhor numa circunstância pode ser pior na outra, e assim por diante.

Um ser humano lúcido nunca usa uma receita de bolo de caixinha para lidar com uma circunstância, usa o raciocínio. Ele olha para sua realidade com atenção, analisa e pensa na melhor maneira de lidar com aquela realidade. É isso que faço de instante em instante, circunstância após circunstância. É isso que faria para lidar com a traição de um amigo. É isso que sugiro que você faça.

Você pode replicar: “Ah! Mas eu não tenho a mesma qualidade de raciocínio que você para lidar com minha realidade”. Sim, fato, cada um tem sua própria qualidade de raciocínio. A minha é diferente da sua, que é diferente do outro, etc. Cabe a cada um usar o próprio raciocínio para lidar com sua realidade. Um não tem como usar o raciocínio do outro. Mas você pode fazer do limão uma limonada.

Você pode e deve usar circunstâncias desagradáveis como oportunidades para exercitar e melhorar a qualidade do seu raciocínio. Quanto mais você exercita seu raciocínio, mais você desenvolve a qualidade dele, quanto mais desenvolve, melhor você opta, quanto melhor você opta, melhor você vive.

Resumindo: Honre ter um cérebro: pense!

Vamos supor que deus aparecesse na sua casa. Você acreditaria que deus é deus? Esse é o problema da certeza. Talvez você pedisse uma prova para ter certeza que deus é deus. Vamos supor que deus lhe desse várias provas. Para exemplificar, vamos supor que deus transformasse sua televisão num pão de queijo. Você teria certeza que deus é deus? Ainda assim deus poderia ser o diabo, não é mesmo? O diabo também tem super poderes. Percebe que mesmo que deus lhe prove que é deus, acreditar não resolve, não lhe dá certeza? Quem garante que deus é deus? Esse é o ponto! Quem garante? Percebe o problema da certeza? Eu não tenho certeza, eu tenho SERteza. Certeza é conhecimento, SERteza é autoconhecimento. Certeza é algo que você acredita sobre o outro, SERteza é saber de si. Eu sei que sou o criador da minha realidade. Isso é óbvio pra mim, eu tenho SERteza do que sou.

Que distância? Qual é a distância entre você e sua realidade? Eis uma ótima EUrekatividade! Observe a distância entre você e sua realidade. Pegue uma régua e procure medir a distância entre você e sua realidade. Você irá perceber que a régua também é realidade, então, não serve para você medir a distância entre você e sua realidade. Mas você pode colocar a régua na frente do seu corpo e medir a distância entre seu corpo e a parede. Só que tanto seu corpo, como a régua, como a parede, são a mesma experiência, é a mesma realidade. O desafio é você medir a distância entre você e sua realidade. Se você faz essa EUrekatividade, se faz mesmo, você desperta e percebe que não existe distância, que distância também é experiência de fisicalidade. Você não consegue medir a distância entre você e sua realidade porque você está MAIS PERTO DO QUE PERTO. Você é simultaneamente o criador da sua realidade e a realidade que está experimentando. Não tem distância entre criador e criatura, entre observador e observado. Essa separação é o equívoco em que está alicerçado o materialismo. Por isso que a Física Quântica é ciência e não AUTOciência. Veja a famosa experiência da fenda dupla, o observador está separado do observado, esse é o equívoco do materialismo e dos cientistas.

Sim, tudo que você pratica, você desenvolve competência. Quando você é neném, por exemplo, quase que você só exercita o bicho e a criança. Depois de vai crescendo, começa a praticar o pai e a mãe, por isso se desenvolve o adulto dentro de você. Tanto que, se você não pratica, você fica só bicho e criança, sem adulto. É muito recorrente isso. O contrário também é muito recorrente. Pessoa que fica só adulto. Só pai e mãe. Raro é quem tenha os quatro habitantes em plena competência.

PERGUNTA: E crianças com atitudes e vocabulários de adultos?

Pois é! Os pais acham que estão ajudando, mas estão bloqueando o desenvolvimento do bicho e da criança nesses seres humanos.

Convivência é experiência coletiva?

Não! Experiência é sempre particular. Coletiva é a cocriação. Igual no whatsapp, cocriamos conversas coletivamente, mas cada um experimenta particularmente a cocriação coletiva no seu próprio whatsapp.

Seu sistema emocional (GPS) não aponta seu erro. Seu sistema emocional aponta se algo está ou não em acordo com sua unicidade. Todo resto é com você. Seu sistema emocional é sua ferramenta de navegação pela experiência humana. Se você não sabe usar sua ferramenta de navegação, a culpa não é da ferramenta, é sua. É você que usa a ferramenta e não a ferramenta que usa você. Consciência e responsabilidade de uso é do usuário.

Quando mais poderia ser? O passado também é uma experiência. Passado é a experiência de lembrar. O futuro também é uma experiência. Futuro é a experiência de imaginar. Toda experiência é criada e experimentada agora. Então, tanto seu passado como seu futuro é criado e experimentado agora.

Você existe, ou seja, você vem de si mesmo e vai para si mesmo. Simples assim.

A primeira vez que ouvi as palavras significante e significado foi na faculdade de comunicação, numa matéria que todo mundo levava bomba, chamada semiótica. Eu quase levei bomba também. A professora explicava, explicava, mas não entrava na minha cabeça que o significado não era o significante. Nessa época achava essa matéria (semiótica) uma grande besteira. Não entendi porque tinha essa matéria chata e inútil em um curso de comunicação. Quando despertei a consciência existencial, os termos significante e significado ressurgiram na minha cabeça e encaixaram feito luva. Na semiótica, o conceito de significante é usado apenas para símbolos e signos de comunicação, na 1ficina, extrapolei o conceito de significante para toda realidade objetiva e simulada. Ou seja, se já é difícil discernir o significante e significado na concepção da semiótica, mais difícil na concepção da 1ficina, que extrapola o conceito e o explica como parte da realidade multimídia. Então, entendo sua dificuldade com a leitura. Mas recomendo que estude o assunto com compromisso e discernimento. Entender que realidade é multimídia é fundamental para viver e conviver bem. O tempo e o compromisso investido nesse estudo vale cada segundo investido.

A palavra autociência não existe no dicionário. No começo da 1ficina eu usava a palavra “autoconhecimento” para me referir ao conteúdo das explicações. Só que autoconhecimento é o produto da prática da autociência, não é a prática. Então, para fazer essa distinção, criei a palavra autociência.

Não sei nada disso. Já li algumas teorias sobre esse assunto, mas não tenho nenhuma experiência pessoal com isso. Contudo, sua pergunta me dá a oportunidade de fazer uma explicação. Tudo te influencia, você se determina. É muito importante entender isso. Não são apenas os reptilianos que te influenciam, tudo te influencia. Quando digo tudo, quero dizer, tuuuuuudo. A umidade do ar, o preço da gasolina, a velocidade da internet, a temperatura do sol, a quantidade de sal na comida do self service, o ph da água, a estrutura de uma molécula invisível chamada vírus, enfim, tudo, sem exceção, te influencia. Porém, só você pode optar por você. Arbítrio é incorruptível. Então, embora tudo te influencie, você se determina. Ou seja, é você que opta o que fazer com a influência que recebe, é você que opta como conviver com a influência, seja qual for.

O que você tem é uma experiência que você chama de dejavu e não dejavu. A experiência é realidade. A teoria sobre dejavu que você soma a experiência, não é a experiência, é uma teoria que você soma a experiência, ou seja, é uma crença.

Para isso não precisa despertar a consciência, basta usar um revólver.

Não quero matar ninguém, quero saber se com a prática da autociência conseguirei lidar bem com pessoas desagradáveis.

Depois que você fizer todo o ciclo de estudos, estará equipada para fazer autoanálise, praticar despertar pessoal, e assim, lidar melhor com a manifestação dos outros na sua realidade.

Isso que queria saber. Penso que podemos seguir a dança em harmonia e não um funk desgovernado.

Imagina um baile funk de cegos. É um pisando no pé do outro. Para que isso pare de acontecer é preciso voltar a enxergar (despertar a consciência). Mas cada um deve despertar por si, ninguém desperta o outro.

Não! Despertar existencial é consequência da prática de autoobservação existencial. Por isso que você pode ter um despertar existencial e continuar vivendo mal. Seu despertar existencial não lhe faz consciente de como sua natureza humana funciona. Você pode despertar para sua existência, mas continuar ignorante do óbvio psicológico e assim continuar vivendo mal.

Não! Apenas é assim que a brincadeira funciona. A brincadeira de ser humano é uma brincadeira de destino inconsciente, assim como brincar de cabra-cega é uma brincadeira que você fecha os olhos. Se você abrir os olhos na brincadeira de cabra-cega, não tem brincadeira de cabra-cega, é impossível brincar de cabra cega com os olhos abertos. Se você estiver consciente do seu destino, não tem brincadeira de destino inconsciente, é impossível brincar de destino inconsciente estando consciente do destino.

Mentira é fantasia, então, deusoutro, sim, é uma mentira, pois é uma fantasia. Só que é uma fantasia convictamente acreditada por você, assim como papai noel era na infância. Só que não tem como você descobrir que deus é mentira através do mesmo método que descobriu que papai noel era mentira. Você se aproximou do papai noel, arrancou a roupa dele e descobriu que era seu pai disfarçado. Não tem como você se aproximar de deus e arrancar a roupa dele porque deus é você. Então, não tem como você descobrir que deus é mentira através do método científico, só através do método autocientífico. Quando você pratica autoobservação existencial, fica óbvio que o criador da sua realidade é você (deus é você). Sendo óbvio que deus é você, óbvio que deus não é outro. Fim da mentira!

Você é culpado pelas suas opções. Os outros são culpados pelas opções deles. Ou seja, todos os culpados são culpados, cada um com sua parcela. Assuma sua parte da culpa e deixe com os outros a parte deles. Por exemplo, uma vez eu estava dirigindo um buggy nas dunas de Fortaleza e o buggy bateu de bico. As duas moças que estavam sentadas atrás, meteram a cabeça no santo antônio (ferro de contenção do buggy). Quase racharam a cabeça e quase morreram. De quem foi a culpa pela má direção? Foi do motorista. Quem era o motorista? Era eu. Então, de quem foi a culpa pela má direção? A culpa pela má direção foi minha. As moças não morreram, mas um delas ficou com uma cicatriz na testa. Eu tenho culpa pela cicatriz dela? Parcialmente sim. E a moça é vítima? Não, pois foi ela que optou passear de buggy. Essa opção é culpa dela. E o dono da empresa que aluga o buggy tem culpa também, pois optou por alugar os buggies. E assim por diante. Cada um tem sua parcela de culpa. Assuma sua parcela de culpa e bola pra frente.

Você deve colocar cada morador no seu lugar. Pai para cuidar de assuntos racionais. Mãe para cuidar de assuntos afetivos, etc. O problema é colocar o afetivo para resolver assunto racional e vice versa. A consciência põe ordem na casa, não muda os habitantes da casa. É isso que acontece comigo. Minha lucidez mantém todos os habitantes ativos, funcionando a máxima potência e em cooperação. O resultado disso é viver bem.

Intuição é o nome que você dá para um dos 4 significados do Quatrix, ou 2 deles, ou 3, enfim… Geralmente chama-se de intuição o significado racional. Seu racional lhe diz que algo é verdadeiro ou falso. Quando seu racional acerta, você chama de intuição. Quando erra, você chama de pensamento.

Observe como grande parte do meu trabalho aqui com vocês não é responder, mas retirar os equívocos contidos nas perguntas. Pergunta equivocada não produz resposta esclarecedora. Então, primeiro retiro os equívocos, só depois respondo. E como eu faço isso? Andando para trás. Eu leio a pergunta e ao invés de andar para frente, rumo a resposta, ando para trás, identificando cada suposição assumida como verdadeira na estrutura da pergunta. Muitas vezes basta um pequenino passo para trás e a questão já se esclarece. Sugiro que façam o mesmo. Pratiquem andar para trás antes de sairem correndo para frente em busca da resposta.

Tem uma suposição falsa na estrutura da sua pergunta, mas que você assume como verdadeira. Vou explicitá-la. Você parte do princípio que o homem é mau. Primeiro você assume isso, depois você questiona: “O homem é mau por natureza ou é a sociedade que o torna mau?”. Ao fazer isso, você parte em busca da resposta esclarecedora, mas que está construída em cima de uma suposição equivocada. Então, tudo que irá encontrar pela frente será mais equívocos.

No direito, existe uma teoria chamada “fruto da árvore envenenada”. Diz que se uma prova for falsa, tudo que deriva daquela prova (qualquer fruto) é falso (envenenado). É o mesmo que estou explicando aqui. Sua pergunta é uma árvore envenenada. Se você andar para frente em busca de uma resposta, tudo que encontrará será frutos envenenados (mais equívocos). Para esclarecer sua questão você deve andar para trás, você deve investigar a raiz da árvore (da pergunta), você deve investigar as premissas que você está assumindo como verdadeiras na estrutura da sua pergunta.

Nessa sua pergunta, seu equívoco é assumir como verdadeira a premissa de que o homem é mau, quer por natureza, quer por influência social. Isso é um equívoco. O homem não é mal, nem bom, o homem é homem. Só isso. A árvore é árvore. A gaivota é gaivota. O fogo é fogo. E o homem é homem. Simples assim.

Bem e mal não dizem respeito ao que o homem é, dizem respeito ao comportamento do homem. O comportamento de um homem pode gerar bem viver (boa convivência) ou mal viver (má convivência). Mas daí sua pergunta não faz mais sentido. Corta a árvore envenenada e planta uma nova árvore. Joga a pergunta equivocada no lixo e produz uma nova pergunta, uma que traga esclarecimento. Vou fazer isso por você. Por que o homem se comporta de maneira a produzir mal viver e má convivência? Ou melhor ainda:

PERGUNTA: Por que o ser humano se comporta de maneira a produzir mal viver e má convivência?

Observe como a pergunta correta produz resposta esclarecedora: O ser humano se comporta de maneira a produzir mal viver e má convivência porque o ser humano ignora o que é ser humano. A má convivência entre os seres humanos não é produto de uma maldade intrínseca, nem de uma corrupção social, é produto da ignorância dos seres humanos sobre o que é ser humano.

Retirada a ignorância, a má convivência desaparece automaticamente, pois nenhum ser do universo jamais opta pelo pior, opta sempre pelo melhor. Um ser só opta pelo pior quando está equivocado, ou seja, quando está em estado de ignorância. Por isso só o despertar da consciência produz bem viver e não precisa de mais nada.

Dito isso, para não perder a viagem, tem outro equívoco implícito na sua pergunta que vou explicar, pois é um equívoco recorrente seu e de toda coletividade humana. Trata-se do equívoco do vitimismo. Sua pergunta busca encontrar um culpado. Sua pergunta é tipo assim: “Quem é o culpado por essa má convivência que experimento todo dia?”.

Se você está buscando um culpado, então, é porque você é vítima. Só que não! O culpado pela má convivência humana é a ignorância de todos os seres humanos, o que inclui você. Então, você não é vítima, você é parte integrante da criação da má convivência. A culpa é sua também.

Você pode argumentar: “Mas não tenho culpa de ignorar uma vez que ignoro”. Sim, perfeito, é isso mesmo. Mas você permanece na ignorância por opção. Você pode optar por sair. E como sair da ignorância? Essa é a pergunta que vale o paraíso, o nirvana e 10 mil litros de cerveja em Valhalla. A resposta é: praticando autociência. Que tal começar agora mesmo?

A tão perseguida felicidade é o inútil prazer de ser você.

Não são leis naturais, é o funcionamento da interface. Você e todos os seres humanos estão usando uma interface humana de comunicação chamada: humanidade. Isso faz com que você e todos os seres humanos tenham experimentação humana. Essa experimentação tem diversos aspectos. A cultura humana determina palavras para cada aspecto. Palavras como matéria, objeto, deslocamento, velocidade, altura, cor, luz, energia, líquido, som, etc. Só que você e todos os seres humanos ignoram que tudo isso é efeito da interface humana. É como se você acreditasse que tudo que está na tela do computador estivesse ali sem um programa por trás, sem o Windows (sistema operacional) para organizar. Então, por ignorarem a interface humana, você e todos os seres humanos passam a acreditar que a realidade que estão experimentando está sendo organizada por LEIS NATURAIS, quando de fato, está sendo organizada pela interface humana.

Claro que é mais fácil dizer que é difícil. Claro que é mais fácil fazer mimimi. Claro que é mais fácil ficar na mesmice, na zona de conforto, censurar e depois dizer vitorioso: “Eu não disse que era loucura!”. Mas é esse tipo de vitória que você quer experimentar? A vitória do mais do mesmo? A vitória da inércia? Ou será que você está louco de vontade de pirar nas possibilidades, de se atirar de cabeça nos desafios, de colocar o delírio em prática, de realizar o absurdo e depois dizer: “Eu não disse que era loucura!”. Quem quer inventa um meio, quem não quer inventa um freio. Se você quer mesmo. Se quer de doer no osso. Se quer de ficar com febre. Então, de que importa o tamanho do desafio? Não há dificuldade capaz de vencer sua inteligência e vontade. Difícil é viver mal.

Creio que onde você diz normal, você está querendo dizer natural. Então, antes de responder sua pergunta, vou diferenciar normal de natural. Essa diferenciação é fundamental para viver bem.

Normal e natural não é a mesma coisa. Natural, para você que é ser humano, é tudo que diz respeito ao funcionamento da sua natureza humana. Se você fosse uma árvore, por exemplo, seu natural seria tudo que diz respeito ao funcionamento da natureza vegetal. Natural não muda e é igual para todos os seres daquela natureza. Por exemplo, todos os seres humanos pensam. Faz parte do funcionamento da natureza humana pensar. É natural pensar.

E normal? O que é normal? Normal vem de norma. Norma é definida no dicionário: (Princípio que serve de regra, de lei: normas escolares. Modelo, exemplo a ser seguido; padrão: normas da empresa. Aquilo que determina um comportamento, conduta, ação; regra). Então, normal é a qualidade do comportamento de um indivíduo perante as normas sociais, sejam essas normas explícitas (legais) ou tácitas (culturais).

Sendo assim, um comportamento pode ser normal ou anormal. Quando está em acordo com as normas, é um comportamento normal, quando está em desacordo com as normas, é um comportamento anormal. E ambos, normal e anormal, mudam a todo instante, pois a legalidade e a cultura mudam.

Por exemplo, houve uma época que era permitido andar de carro sem precisar usar cinto de segurança, era legalmente normal, mas atualmente é proibido. Também já foi normal mulheres usarem espartilho, hoje em dia é anormal. Normalidade muda de uma sociedade para outra também. Por exemplo, na China é normal comer gato e cachorro como refeição, no Brasil, é anormal. Na sociedade islâmica, é normal mulher usar Burca, em outras sociedades é anormal.

Enfim, na convivência social, existe o normal e o anormal, porém, na natureza, não existe o anatural. Tudo no funcionamento da natureza humana é natural. Um funcionamento natural pode ser considerado normal ou anormal, mas isso não faz com que deixe de ser natural. Por exemplo, cagar é natural, faz parte da natureza humana, porém, não é normal cagar na cozinha, o normal é cagar no banheiro. Essa é a norma.

Dei toda essa volta para poder refazer sua pergunta. Você me perguntou: É normal sentir raiva? Minha resposta é: não sei. Só você pode saber. Depende da cultura em que você foi criada. Tem culturas, como a cultura Viking, por exemplo, que sim, é normal sentir raiva. Muitas das batalhas Vikings eram simplesmente por vingança e isso era normal. Em outras culturas o normal é o oposto. Em algumas culturas religiosas, por exemplo, é anormal sentir raiva.

Agora, se sua pergunta for: É natural sentir raiva? Sim, é óbvio que sentir raiva é natural. Por isso que você e todo ser humano sente raiva. Experimentar emoções faz parte da brincadeira de ser humano e cada emoção tem uma função específica dentro da brincadeira. A raiva, por exemplo, tem uma função diferente da alegria. Observe isso. A raiva tem a função de apontar para o prejuízo. Você sente raiva quando se sente prejudicado. Como você lida com a circunstância e com o alerta da raiva, daí não é como a raiva, é com você. Você que deve pensar e optar pela melhor opção em cada circunstância, sempre.

Recapitulando e finalizando.

É natural sentir raiva?

Sim, sentir raiva é natural, saudável e inevitável.

Não determina, deixa explicito. Seu destino é ser você (autorrealização) Como uma opção poderia estar em desacordo com seu destino se não houvesse destino? Não poderia. Para uma opção estar em desacordo com seu destino é preciso que exista um destino, senão, falar em acordo e desacordo é um absurdo. Então, se chamarmos as opções em acordo com o destino de “bem” e as opções em desacordo de “mal”, daí podemos dizer que bem e mal deixam explicito a existência do destino.

Conviver sim, o reino animal é exemplo disso. Para conviver de forma organizada, daí é preciso convenções para organizar a convivência. Um idioma, por exemplo, é uma convenção social que organiza a convivência. Contudo, convenções servem para organizar a convivência e não para autorrealização.

Sim, eu já odiei usar fio dental, por exemplo, hoje em dia é amor quase fácil. Também já amei cigarro, hoje em dia é amor impossível. Tudo é circunstancial. É muito importante considerar isso. Quando você está odiando algo, odiando você está. Então, nesse momento, o que é amor impossível, impossível é. Mas no próximo instante tudo pode mudar. Ou seja, não tem receita de bolo. Viver é dinâmico. Viver bem também é dinâmico.

É mais do que possível! É imprescindível! Pois viver é administrar a constante crise de ser humano. Só que não é com ignorância que se administra bem nada, por isso despertar é fundamental. Viver bem é só para mestres. E não tem choro nem vela. Enquanto você se ignora, não lhe sobra outra opção senão viver mal, pois você não consegue enxergar outra opção. Eu vejo vocês sofrendo, se descabelando, se preocupando com a estrutura quântica do unicórnio e me fazendo pergunta sem pé nem cabeça. É tragicômico. É como se eu estivesse jogando EU VOU PRA LUA com vocês. Eu gostaria de fazer plim e despertar vocês para o óbvio, mas não tem como. O único jeito que tem de fazer plim é explicar o óbvio gerando a possibilidade de que vocês despertem. Eis o que faço. Eis o trabalho da 1ficina.

O espiritual é o existencial. O mental e o ego, é o Quatrix. Quatrix = E.G.O = psique = mental = natureza humana. Não existe O inconsciente. O que existe é ESTADO de inconsciência. Você É consciência (saber). Você pode ESTAR consciente de algo = sabendo. Você pode ESTAR INconsciente de algo = ignorando.

Sim, é um equívoco. Meditar é saber de si existencial. O que acontece é que saber não é pensar, pois isso se diz pedagogicamente que na meditação não tem pensamento. Só que ninguém explica para o aluno que é só pedagogia, então, lá vai o aluno tentar o impossível, e pior, desnecessário. Meditação é muito simples, basta você ficar consciente que saber não é pensar. Quando você faz isso, você desfoca do pensamento e foca na consciência que está sabendo do pensamento, ou seja, no existencial.

A nomeação ajuda na prática do discernimento. Imagine que você está bebendo um suco agridoce. Você não entende aquele gosto, daí o barman te explica: “Isso é uma limonada, que é uma mistura de suco de limão, que é o gosto ácido, e açúcar, que é o gosto doce, por isso o gosto agridoce”. O barman não passou uma faca na limonada e separou o ácido do doce, mas ao dar nome aos sabores, ajudou você a discernir que agridoce = ácido + doce. Analogamente, quando esse livro dá nome aos “sabores da realidade” que você está experimentando, o nome não está lhe dando o discernimento, isso é impossível, mas está lhe ajudando a discernir. Assim como as palavras doce e ácido lhe ajudam a discernir os dois aspectos do agridoce, as palavras objetiva, simulada e significativa, junto com a explicação de cada palavra, têm a função de lhe ajudar a discernir essas três mídias da realidade.

O que você está chamando de liberdade, na verdade, é livre-arbítrio. Não precisa ensinar ninguém a ter livre-arbítrio, todos sempre tem arbítrio e nem conseguem deixar de ter.

Exato! Você só tem duas opções. Você pode:

(A) Viver AUTOísta (viver em universalidade – viver respeitoso)
(B) Viver OUTROísta (viver em uniformidade – viver violento)

Não tem terceira opção. Então, sua opção por viver de forma outroísta resulta em você executar atos de natureza outroísta (atos violentos).

Despertar da consciência serve pra isso. Só pra isso. Por isso que tem um texto da 1ficina que digo que autoconhecimento é inútil. Autoconhecimento não te faz rico, não te faz bonito, não aumenta seu status, não deixa você mais atraente, não paga as contas no fim do mês, não coloca comida na sua mesa. Autoconhecimento é inútil, só serve para você viver bem. Nada além disso. Dito isso, é preciso lembrar que são três tipos de despertar: existencial, psicológico e pessoal. E não adianta só despertar existencial. Você deve despertar nos três casos, senão, vai continuar ignorante do porque está criando o sofrimento, então, vai continuar vivendo mal.

Exatamente! Viver em universalidade é viver consciente da unimultiplicidade. Unimultiplicidade significa que toda unidade é feita de múltiplas unidades igualmente diferentes. Por exemplo, todos os órgãos do corpo são igualmente o corpo e cada órgão do corpo é um órgão diferente. Aplicando a unimultiplicidade na coletividade humana, todos os seres humanos são igualmente a coletividade humana e cada ser humano é um ser humano diferente. Ou seja, o que separa você dos outros seres humanos, não é que você é diferente, mas que você tenta ser igual. Você vive tentando ser igual os outros ou tentando fazer os outros serem iguais você. Os outros tentam fazer o mesmo. Mas sendo que uniformidade é impossível, devido a universalidade do universo, você só consegue fracassar. Sendo que fracassar é dolorido, você sofre. Ao sofrer, culpa o outro e o outro culpa você pelo sofrimento que estão causando por si mesmo e em si mesmo. Como solução ao sofrimento, excluem uns aos outros socialmente, ou moralmente, ou afetivamente, ou fisicamente. Vivem juntos e separados.

Agora tem o último passo!

Qual?

Render-se a próprio destino.

Você fala em arbítrio e depois em render-se ao destino. Rendição dá impressão de deixar acontecer, não optar, aceitação. É isso mesmo?

Render-se ao próprio destino é optar por viver sendo você (autoísmo), ao invés de optar por viver sendo outro (outroísmo).

Então, ter arbítrio me prejudica?

A forma como você usa seu arbítrio, sim. Você usa seu arbítrio contra si mesmo, negando sua unicidade. Daí você vive mal. E como arbítrio é incorruptível, nem jesus na causa. De certa forma, melhor seria que você não tivesse arbítrio, assim não se condenaria a viver mal.

Nem jamais irá sentir. Despertar existencial não é sentir a realidade dentro de você, é estar consciente de que a realidade externa não é externa, é experiência de externalidade. Fica óbvio que o mundo externo não é externo, só que a experiência de externalidade continua tal e qual, sem tirar nem por, igualzinha como era antes. Então, quando você desperta você não sente nada, apenas fica óbvio: “Atá! Eu existo. E a realidade externa não é externa, está dentro de mim”. Só que é tão simples que você começa: “Não pode ser só isso. Não mudou nada, está igual antes. Tem que ter mais alguma coisa. Não tô sentindo que sou deus. Cadê o êxtase cósmico? Cadê a porra toda? Eu quero a porra toda!”. E você fica nessa porra até ficar óbvio que despertar existencial é só isso mesmo. Sempre foi. Sempre será. Apenas você ignorava. Depois, como não tem nada para você fazer com seu despertar existencial, nem com o fato de que você existe, você muda o foco e vai trabalhar no despertar psicológico e pessoal, pois é nessa parte que estão os equívocos subsequentes que te fazem viver mal.

Não, você entra no jogo em ABSOLUTA ignorância de si e do funcionamento do jogo. Tem um jeito de jogar bem, mas você precisa descobrir. Eu descobri e explico o que descobri para quem tem interesse em cortar um atalho.

Ué, quantas possibilidades você consegue imaginar?

Sim, você pode usar essa terminologia se quiser. Na prática, pouco importa a terminologia.

Infelizmente não! O problema é que você acredita que pensar é saber e por isso acredita também que autociência é aprendizagem. Autociência não é aprendizagem, autociência é a prática de investigar a ignorância para sair dela. Quando você investiga sua ignorância, você não está aprendendo nada, você está DEScobrindo o que está ENcoberto. Encoberto = ignorado. Descoberto = óbvio. O que está encoberto? O ser humano que você é. Para praticar autociência você deve se debruçar sobre si e não sobre a vida. Vida é mentalidade materialista. Não existe vida. Só existe viver. Para praticar ciência do óbvio você deve investigar o que é viver e como você vive, não a vida.

Primeiro você acredita que algo que possuí está sendo ameaçado, então, com o intuito de proteger esse algo, ataca o outro, pois a melhor defesa é o ataque. Essa é a lógica da guerra. Matar para não morrer. Destruir para não ser destruído. Entender a lógica da guerra ajuda você a viver melhor, pois gera autoconhecimento. Quando você está atacando o outro, com palavras ou granadas, pode e deve se perguntar: “Estou atacando o outro para proteger o que em mim?”. A descoberta do que você está tentando proteger ajuda você a lidar melhor com as circunstâncias, ou seja, viver melhor.

Guerras têm lados, bandeiras, brasões, hinos, enfim, verdades (ideologia). Cada lado ataca para defender suas verdades. Quando um não quer dois não brigam, mas enquanto dois querem, o pau come. Gregos e troianos, judeus e muçulmanos, petistas e bolsominions, são alguns exemplos disso.

Claro que, diante de um conflito, você pode simplesmente vestir sua verdade e sair atirando no inimigo até matá-lo. Depois de muito sangue e sofrimento, sua verdade pode finalmente ganhar da verdade do outro. Mas você terá perdido a oportunidade de autoconhecimento. Te garanto que não vale a pena viver assim. É fácil perceber porquê. Basta observar que embora você mate e morra por uma ideologia, jamais uma ideologia fez ou fará nada por você, a não ser te separar e te impedir de viver em paz com os outros.

Uma crença já é uma estrutura mental: objeto-valor. Por isso quando você experimenta um objeto (significante) junto você experimenta um valor (significado).

A palavra “certo” serve para os dois, por isso a confusão. O certo AFETIVO é o que você deve FAZER. Por exemplo, é certo escovar os dentes para evitar cáries. O certo RACIONAL é o que você deve SABER. Por exemplo, é certo usar a escova de dentes para escovar os dentes e não um cabide .

Quem é você para confiar em si mesmo? Quem é você para confiar em seu sentimento, sensibilidade, autoridade e juízo!? Que absurdo! Pirou? Para você viver bem, você precisa do aval do Dalai Lama, do Buda, de Jesus, do Papa, do Xamã Pena Branca, do Einstein, do Stephen Hawking, da NASA, do Freud, do Jung, do Allan Kardec, do teorema de Pitágoras, do Guru da Baba Azul e, principalmente, do Elvisleno, o camelô, filho do Elvis Presley com o John Lennon, que vende relógio suíço na rua 25 de Março, em São Paulo. Quer algo em que confiar? Confie no horóscopo, na propaganda política, no facebook, na previsão das cartomantes, nos comerciais de margarina, na novela das oito que começa às nove, nos filmes do Chuck Norris e nas revistas de fofocas. Confie em qualquer coisa. Confie na fada do dente. Confie nas fitinhas do Senhor do Bonfim. Confie em São Longuinho. Só não cometa a insanidade de confiar em si mesmo. Jamais! Quem avisa amigo é! Confie em mim.

Não! Você existe! Existir não é opcional, é existencial. Existir = ser. Você está escolhendo ser humano. Nascer e existir não é a mesma coisa. A mentalidade materialista iguala nascer com existir. Você acredita na mentalidade materialista e daí passa a acreditar no equívoco subsequente: que a morte é o fim da existência. Existência existe. Existência não tem fim porque não tem começo. A morte é o fim de uma realidade e não da fábrica da realidade.

Você está usando a lógica materialista para tentar entender a natureza existencial. Isso é muito comum. Todo calouro de autociência comete esse equívoco. É inevitável. Eu também cometi esse equívoco quando era calouro. Mas não funciona. Você não vai conseguir. Não dá para entender o maior pelo menor.

Eu digo que você não nasce e não morre, que você existe, e você pensa em si como um fantasma ou algo do tipo. Isso é lógica materialista. Mas não é isso. Existência é nada. Nada é nada. Nada é coisa nenhuma. Nada é zero. Um fantasma é uma coisa. E pior! O nada que você é contém tudo que você está experimentando. Tudo está dentro do nada. Daí que a lógica materialista pira mesmo, pois a lógica materialista é o menor.

Você só entende de fato sua existência quando tem um despertar existencial. Você desperta e fica consciente que você existe, sempre existiu, sempre existirá. Antes disso você só consegue fritar os neurônios tentando entender o maior pelo menor. Faz parte. Mesmo fracassando sucessivamente, quanto mais você fracassa, mais se aproxima do seu despertar existencial.

Dito isso, respondo sua pergunta:

Eu existo para que? Qual é a utilidade? Para que serve existir?

Existir não serve para nada. Não tem utilidade nenhuma. É absolutamente inútil. Existir é apenas a natureza dos seres. Seres existem. Só isso. Por que existem? Porque ser é existir.

A resposta é ambos e simultaneamente. Vou pegar eu e você de exemplo. Você não está me experimentando enquanto ser. Isso é impossível. Você está experimentando minha manifestação decodificada pelo seu sistema de decodificação. Essa manifestação decodificada é o que você chama de Ferrari e entende como sendo eu. Esse eu (Ferrari) dentro de você é o SEU FERRARI. Minha mãe experimenta o Ferrari dela. Minha esposa experimenta o Ferrari dela. Meu cachorro experimenta o Ferrari dele. O pernilongo experimenta o Ferrari dele. Até eu experimento um Ferrari diferente, meu Ferrari. Sendo assim, existem tantos Ferraris como seres que convivem comigo. Qual é o Ferrari verdadeiro? Todos e nenhum! Cada Ferrari é verdadeiramente a experiência que aquele ser está tendo e que ele chama de Ferrari. Só que nenhum desses Ferraris, nem mesmo o meu próprio ferrari, SOU EU. Eu sou um ser. Eu existo. Eu sou uma fábrica de realidade. Eu sou a fonte sem a qual nenhum desses Ferraris poderiam estar sendo experimentados, nem mesmo o meu Ferrari.

Você acredita que se viver sendo você, espontaneamente você, o outro vai te rejeitar, te excluir, te odiar, te crucificar, enfim, vai te matar (metaforicamente falando). A menos que esse outro seja um repolho, uma melancia, uma parede, um tatu, enfim, algo não humano, você está certo, provavelmente o outro vai te matar sim. Então, o que você faz para evitar que o outro te mate? Você se suicida (metaforicamente falando). Você mesmo se mata fingindo ser outro. Fingindo ser o que não é. Você sofre com isso, claro! Imagine a dor de um cavalo se obrigando a cacarejar e botar ovo! Imagine a dor de uma águia se obrigando a rastejar feito cobra! Não tem nada mais sofrido do que viver em negação de si. É uma tortura. Então, se quer viver bem, pare de se rejeitar para ser aceito pelo outro. Você não tem obrigação de agradar ninguém. Tire essa corda do pescoço. Viva bem!

Não existe matéria, o que existe é experiência de matéria, então, não existe materialização. Seu corpo de carne e osso não é feito de carne e osso, é feito de experiência de carne e osso. Você não está transformado em um corpo humano de carne e osso e por isso está sendo humano, é o oposto. Você está optando por ser humano e por isso está se experimentando como um corpo humano de carne e osso contido no espaço e interagindo com outros corpos, etc.

Não, é Impossível. Cada um só tem acesso a si, tanto existencialmente, como psicologicamente e pessoalmente. Porém, na brincadeira de ser humano existe a possibilidade da comunicação conceitual. Então, através de palavras, mesmo sem termos acesso uns aos outros, mesmo sendo impossível, podemos usar as palavras para simular uma espécie de acesso ao outro. Não é acesso de fato, é uma estratégia muito falha e ruidosa, mas é melhor que nada.

Basta perceber que já está, não precisa colocar. Quanto aos estudos, qualquer trabalho de despertar da consciência que não explique que o caminho para o autoconhecimento é a PRÁTICA da autoobservação, não serve pra nada, só serve para produzir unicórnios espiritualistas.

Porque não adianta QUERER viver bem e não SABER viver bem. Sua própria ignorância lhe condena a viver mal. Isso é para tudo. Feche os olhos e tente ir da sua casa até a padaria de olhos fechados. Se você sobreviver, já está ótimo. Abra os olhos e veja como é fácil comprar o pão nosso de cada dia. A ignorância não permite que você faça nada bem. Absolutamente nada. Para você lidar bem consigo mesmo é preciso que você saia da ignorância de si. E não tem outro caminho para sair da ignorância de si senão praticar autociência. Mais praticar muito muito muito mesmo! E praticar não é ler e estudar explicações. Isso é o básico do básico. Praticar é viver praticando, viver em eurekatividade. O resultado disso produz lucidez e maestria em ser humano fulano. O resultado da lucidez e maestria em ser humano fulano, é viver bem.

Culpa é responsabilidade. Responsabilidade não dói. O que dói é desejo insatisfeito. Vc deseja mudar o passado. Não consegue. Desejo insatisfeito. Dói. E vai doer até desistir da missão impossível.

A função da 1ficina não é lhe dizer como você deve viver. A função da 1ficina é lhe explicar O QUE É VIVER. Como você opta por viver é seu arbítrio. Cabe a você decidir. Cabe a você criar sua realidade.

Sim! Mas é preciso entender o que significa infinito e eterno. Para mentalidade materialista, infinito é algo muito muito muito grande, eterno é o que dura muito muito muito tempo. Isso é um equívoco. Muito muito muito grande, não é infinito, é muito muito muito grande. Muito muito muito tempo, não é eterno, é muito muito muito tempo. E o que é infinito, então? Infinito é adimensional. E o que é eterno, então? Eterno é atemporal. O atemporal é a fábrica do tempo. O admencional é a fábrica das dimensões (forma, grandeza). Você (ser) é atemporal e admencional. Fábrica do espaçotempo.

Autoobservação doentia é um jeito de descrever o problema, porém, mais correto é dizer autoanálise doentia. Para curar seu mal viver não basta só você se observar sem discernimento do que está observando. Fazer isso é igual você mostrar um celular para um neném. O neném vai ver tudo, mas não vai entender nada. Por isso não vai conseguir lidar bem com o celular. Então, você precisa aprimorar seu discernimento e entendimento do que está observando para poder curar seu mal viver. E para isso, claro, você precisa de um mestre absolutamente infalível que lhe ajude nesse trabalho. Esse mestre se chama sofrimento. Estudaremos isso com profundidade em outros livros: o sofrimento é o mestre.

Você não atrai realidade, você cria realidade. Como? Optando. Você está experimentando essa realidade que está experimentando porque está optando. Se você mudar de opção, começará a experimentar outra realidade. Pensar e desejar entram no processo do arbítrio, mas pensar e desejar não cria realidade. Só arbítrio cria realidade.

Existe algum tipo de arte que não é artística? Existe algum tipo de religião que não é religiosa? A resposta a sua pergunta é não, pois educação é outroísmo. Toda educação é o outro lhe programando para viver dentro de um sistema de crenças que não é o seu. Isso é óbvio, pois não há necessidade de ninguém lhe educar para viver dentro do seu próprio sistema de crenças, uma vez que já é seu e o outro nem tem acesso. Agora, imagina que eu dissesse que sim, que a educação autoísta (universalista) é fazer isso, aquilo, grilo e crocodilo. Vamos até ilustrar com uma palavra bonita e idolatra pela cultura humana. Vamos supor que eu dissesse que educação autoísta (universalidade) é amar o próximo. Daí, pegamos essa máxima e educamos todas a pessoas a viverem assim, amando o próximo. Que universalidade teria? Nenhuma. Seria a mesma uniformidade de sempre.

Não! Porém, para ter um despertar existencial, você deve praticar autoobservação existencial. Autoobservação psicológica não produz despertar existencial, produz despertar psicológico.

Sim, serve de metáfora para o despertar existencial. É muito útil citar a Alegoria da Caverna de Platão em meios acadêmicos, pois é uma das poucas explicações desse tipo que faz parte do mundo acadêmico. Platão explicou o funcionamento do cinema 2000 anos antes da invenção do cinema. E explicou que a realidade é virtual antes da invenção do computador e da realidade virtual. Platão foi genial. Merece toda nossa admiração.

A resposta é sim e não. O problema nessa pergunta é o entendimento sobre separação. Na lógica materialista, separação necessita de espaço e tempo. A cadeira está separada da mesa no espaço-tempo, o passado está separado do presente no espaço-tempo. Então, se você tentar separar o ser do humano assim, não vai conseguir, pois não existe essa separação. Você não é um ser humano, você é um serumano. Não tem separação.

Nos termos da 1ficina, serumano é uma UNIdualidade. Ou seja, é uma unidade com dois aspectos, duas naturezas: natureza existencial e natureza humana. Mas se é uma UNIdualidade, se são duas naturezas, então, tem uma separação? Sim, tem. Só que não é uma separação espaço-temporal. Você jamais irá conseguir colocar o ser aqui e o humano ali, pois o serumano que você é, não é produto do espaço-tempo, é a fábrica do espaço-tempo. Por isso também que você jamais irá conseguir encontrar o ser nem o humano no espaço-tempo.

Os espiritualistas procuram de todo jeito, estudam estudam, fazem yoga, bebe chá de bambu, pratica meditação zen, zoom, carnal, transcendental, os cambau, e só conseguem ampliar a angústia de não entender que o que buscam está mais perto do que perto: é o serumano que são. Os cientistas também procuram de todo jeito, inventam telescópios, microscópios, aceleradores de partículas, escaneiam o cérebro, mexem e remexem no corpo e na massa cinzenta, e nada de encontrar o fantasma dentro da máquina. Vivem exatamente a mesma angústia dos espiritualistas.

Mas se é uma UNIdualidade, então, tem uma separação sim entre ser e humano, mesmo que não seja espaço-temporal. E se tem, como se faz para separar algo que é INSEPARÁVEL? Usando o DISCERNIMENTO. Essa é a função do discernimento: separar o inseparável.

Por exemplo, olhe para um objeto, qualquer objeto, e você verá que esse objeto tem três dimensões: altura, largura e profundidade. Você consegue separar no espaço-tempo a largura, da altura, da profundidade? Consegue colocar a largura do objeto em cima da mesa, a altura no bolso e segurar a profundidade na mão? Não. São inseparáveis. Contudo, você sabe claramente que não são a mesma coisa. É óbvio. São três dimensões. Como você sabe que são três dimensões separadas? Através do DISCERNIMENTO.

Analogamente, também é através do DISCERNIMENTO que você separa o serumano que você é em dois: ser e humano. E faz isso apenas para fins de estudo e entendimento, pois você sabe que serhumano é uma UNIdualidade indivisível.

Ao invés de pensar em termos de “dimensão principal”, sugiro pensar em “outroísmo dominante”. Seu outroísmo dominante é o mais recorrente dos seus outroísmos

Sim! A prática da autoobservação existencial é feita através da observação da observação. Você deve observar o observar. Você deve ficar ciente sobre a ciência. Você deve saber da sua cognição. O objeto da sua observação deve ser sua própria observação.

Devo observar pura e simplesmente ou analisar a observação?

Raciocínios (pensamentos) surgem na autoobservação porque são objetos psicológicos observados. Basta perceber isso. Só perceber. Observe os pensamentos superficialmente. Seu trabalho na autoobservação existencial não é entrar na lógica dos raciocínios, é apenas constatá-los como realidade (experiência). Raciocínios são experiência. Só isso. Mas se você entrar em processo de analise, se entrar na lógica de um raciocínio, tudo bem, você nem irá perceber que entrou e tão logo perceber, é porque já saiu. Entenda que se você está praticando autoobservação existencial para sair da mentalidade materialista, é porque você está dentro dela. Então, faça igual Renê Descartes, vai saindo passo a passo. Tudo que você observar, perceba que é apenas um observado, uma experiência. Só isso! Você vai fazendo isso e daí se dá conta que, por mais que você observe, você não consegue observar a observação. E é assim que você se dá conta da “observação pura”. Fica óbvio. E fica óbvio também que o que existe é observação e não observado. Como quem está observando é você… EUreka! Eu existo! Despertar existencial! Essa é a explicação do óbvio. Mas a explicação do óbvio não é o óbvio. Então, boa prática!

Isso que você está sempre experimentando e chama de “vida” é o passado do seu arbítrio. Então, só existe vida passada. Vida é sempre passado.

Você não é ser, você é UM ser. Você é uma unicidade existencial singular, diferente dos outros seres. Dito isso, você-ser está se manifestando através da natureza humana, então, você está experimentando sua singularidade existencial humanizada, ou seja, com qualidade humana. Então, é os três: existencial, psicológico e humano. Sempre os três.

A 1ficina encara tudo e todos de frente, cabeça erguida e olhando nos olhos. No caso das explicações alheias, canta o mantra: “Ema, ema, ema!” Ou seja, o que as outras escolas, mestres, instrutores, gurus dizem, não é problema da 1ficina. O trabalho da 1ficina se baseia apenas nas explicações da 1ficina. Mas esse tipo de pergunta é muito frequente, pois quando vocês chegam aqui, vocês estão cheio de bagagens. São informações acumuladas de diversas escolas, tradições e culturas. Essas informações ficam martelando dia e noite dentro da na cabeça de vocês. Além de serem um fardo, são conflitantes e estressantes. Uma informação briga com a outra. É um inferno. Para ilustrar a briga, vamos dar nome aos lutadores. O budismo briga com o cristianismo, que briga com espiritismo, que briga com o materialismo, que briga com o pensamento positivo, que briga com o carma, que briga com lei da atração, que briga com Nietzsche, que briga com Platão, que briga com Aristóteles, que briga com a Física Quântica, que briga com O Segredo, que briga com o caralho-a-quatro. Nada encaixa em nada. Ao invés de solução, paz e felicidade, que foi o motivo de vocês acumularem tanta bagagem, só aumenta o problema e o sofrimento. Então, quando você chega aqui, você joga suas bagagens para cima de mim e diz: “Me resolve!”. E eu aceito sua ordem de serviço. O trabalho da 1ficina é lhe ajudar a se resolver. Só que o motivo de nada se encaixar não é que nada se encaixa, é que você está DESencaixado de si. Então, a 1ficina simplesmente ignora suas bagagens e coloca você para praticar CIÊNCIA DO ÓBVIO, pois sabe que a única forma de ajudar você a se resolver e fazer tudo se encaixar é ajudando você a se encaixar em si.

Não! Fato = observado. Óbvio é quando você (observador) está consciente do observado. Só que os dois (observado e consciência do observado) acontecem ao mesmo tempo em você. Quando você não está consciente do observado, não existe observado para você. Então, é por isso que tudo que é fato para você, é óbvio para você, mas óbvio e fato não são a mesma coisa.

A função desse livro é cuspir na sua cara, xingar sua mãe de feia e te chamar pro pau. Ficar indignado é o mínimo que espero de você. Se a leitura do livro Apocalip-se não te deixar revoltado, puto ou entristecido, sugiro que desista da autociência. Vai fazer curso de floral, reiki, física quântica, lei da atração, barra access, coaching, psicologia transpessoal e oscambal. Vai ler a biblioteca inteira de autoajuda. Vai tomar chá de bambu. Vai fumar folha de bananeira.  Vai rezar. Vai fazer contato com extraterrestre em Machu Picchu. Vai fazer meditação com cobertura de ovomaltine. Vai assistir palestra no youtube. Vai comprar cristal na feirinha hippie. Tantufaz. Toma a pílula azul e continua pensando que sabe. Autociência não é para você.

Sua natureza existencial é irracional. SABER é irracional. Por isso você não consegue pensar o saber. É o saber que sabe do pensar e não o pensar que sabe do saber.

O pensamento que acha que sabe é um pensamento?

Exato! Porém, quem sabe e acredita nesse pensamento é você, não é o pensamento.

Saber é o SER?

SABER é um dos 3 aspectos da UNItrindade que você é.

Então o raciocínio é incapaz de saber de mim, saber o que sou, saber da minha UNItrindade?

O raciocínio é incapaz de saber. Ponto final. Fim de papo. Assim como um livro é incapaz de ler, raciocínio é incapaz de saber. Raciocínio não sabe, raciocínio é sabido. O problema é que você acredita que pensar é saber.

Posso aprimorar o raciocínio até chegar no ponto de saber de mim?

Impossível, pois pensar não é saber. Mas você pode e deve usar seu raciocínio para questionar o que é saber e assim ter um despertar existencial.

Quem deve se esclarecer é você. Quem arbitra é você, não são as unicidades. As unicidades são quatro lógicas, quatro GPSs. Quem dirige o carro é o motorista e não GPS. O que acontece é que você coloca seu arbítrio no automático e muitas vezes a opção automática gera desarmonia, daí você deve colocar as unicidades para conversar para se esclarecer sobre o que está acontecendo e poder optar melhor.

Tudo isso que você citou NÃO É AUTOCONHECIMENTO, é conhecimento. Quando você lê sobre Hermetismo, por exemplo, você não está produzindo AUTOconhecimento, você está produzindo conhecimento sobre a explicação de uma pessoa que DE FATO praticou autoconhecimento, Hermes.  O mesmo com a 1ficina. Eu sou um praticante de autociência. Ao praticar autociência, eu produzo AUTOconhecimento. Daí escrevo os livros colocando em palavras o autoconhecimento DESPERTADO. Quando você lê o que eu explico, você não está produzindo SEU autoconhecimento, você está pegando MEU autoconhecimento EMPRESTADO como DICA para ajudar você a produzir o SEU de fato. Autoconhecimento MESMO só é produzido quando você LÊ A SI MESMO, lê o ser humano que você é. Autoconhecimento mesmo só é produzido através da prática da autociência.

Quando você tem informação dos livros, o que você tem é exatamente isso: informação. Por isso que o povo pira com as informações contraditórias das diferentes escolas de autoconhecimento. Não são contraditórias de fato, às vezes são aspectos diferentes do ser humano, como você observou, e as vezes é apenas semanticamente diferente (usam palavras diferentes).

Quando eu ainda não tinha autoconhecimento, quando meu autoconhecimento era decoreba, eu também achava tudo conflitante. Nada encaixava em nada. Até que comecei a praticar autociência e produzir autoconhecimento de fato. Foi assim que eu comecei a encaixar em mim, e consequentemente, tudo se encaixou.

Eu não falo das religiões na 1ficina, mas conheço relativamente bem as principais, e atualmente, entendo exatamente o que estão dizendo e não vejo mais conflito nenhum entre uma e outra. Religião é muito metafórica. É preciso consciência desperta para abrir as metáforas religiosas. Não funciona ler metáfora e interpretar ao pé da letra. De vez em quando, como tem bastante 1ficineiro de cultura religiosa, eu abro uma metáfora ou outra. O livro Apocalip-se é um exemplo disso. Quem não é 1ficineiro, que é o resto do mundo, vai morrer acreditando que apocalipse é o fim do mundo, etc. O livro Deus da Cara Preta visa abrir a maior das metáforas humanas, maior tabu também.

Mas enfim, não me aprofundo muito em abrir as metáforas religiosas, porque toda vez que faço isso, os Phds das religiões vem de pau para cima de mim, cagando o blablabla decorado deles, e ao invés de ajudar meu trabalho, atrapalham. Então, cada um que abra a porta das suas prisões. O problema é que a chave para abrir é praticar autociência, mas como o prisioneiro pensa que já sabe, devido ao autoconhecimento emprestado, fica só perpetuando a ignorância Phd.

Quando você analisa sua história você pode fragmentá-la em quantas partes quiser para análises especificas. Casamento, trabalho, família, saúde, lazer, por exemplo. Você pode fragmentar inclusive uma parte em subpartes, por exemplo, alimentação matinal, alimentação diurna e alimentação noturna. Enfim, você pode fragmentar sua história do jeito que quiser e analisar com o critério de feliz ou infeliz. E você pode sim fazer uma escala de graus infinitos do extremo feliz ao extremo infeliz, ou seja, nuances. Claro que o resultado de um fragmento da sua história não é sua história inteira. Só que você esquece disso. E por quê? Vamos entender isso.

Imagine um lençol branco. Olhe para esse lençol. Você está vendo o lençol? Sim, você está. Agora coloque um pontinho preto de tinta no meio desse lençol. Olhe para esse lençol. Você ainda está vendo o lençol? Não está mais! Agora você só está vendo o pontinho preto. O lençol desapareceu!

PENSAMENTO SÓ VÊ PROBLEMA. Você nunca pensa no que está bem, só pensa no que está mal. Seu corpo está funcionando 99,999999% bem, com exceção de um fiapo de manga no seu dente. No que você pensa? Que você está respirando bem? Que seu coração está bem? Que seu pescoço está bem? Enfim, que 99,999999% está bem? Claro que não! Você pensa que ESTÁ INFELIZ porque tem um fiapo de manga no seu dente. É só nisso que você consegue pensar até tirar o infernal fiapo de manga do seu dente. E o resto da sua história? Não tem resto! Só tem a história de São Jorge contra o Dragão de Manga. PENSAMENTO SÓ VÊ PROBLEMA. É assim que pensamento funciona. E quem deve perceber que é assim e lidar bem com isso, é você, porque pensamento não percebe nada, pensamento é funcionário seu, apenas funciona.

Em termos científicos, da física, sim.

PERGUNTA: E em termos psicológicos?

É desejo.

PERGUNTA: Mas se desejo é amor, então, amor é magnetismo?

Exato! Por isso o que você ama é atraente e o que você odeia é repelente.

Sensorial total. Freud explica.

Não! Lucidez é quando você sabe, quando você está consciente. Maestria é quando você tem competência em executar e executa com facilidade. Você pode saber o que é bicicleta, saber o que é equilíbrio e ser incapaz de andar de bicicleta porque não tem maestria em executar o equilíbrio sobre a bicicleta.

Matéria é experiência de fisicalidade. Toda experiência é limitada pelo TIPO DE NATUREZA que você (ser) está usando para produzir experiência. Você está brincando de ser humano. Então, só pode brincar de produzir e experimentar experiência humana.

Acho que você está confundindo os termos “amor difícil” com “amor impossível”. Mesmo que não esteja, é muito comum fazer essa confusão, pois o antônimo de fácil é difícil. Então, quando você pensa no oposto de “amor fácil”, automaticamente pensa em “amor difícil”. É quase inevitável pensar assim. Só que o antônimo de “amor fácil” é “amor impossível”. As palavras “fácil, impossível e difícil” ajudam por um lado, mas confundem por outro, eu sei. Por isso, é preciso muita atenção ao usá-las, e principalmente, autoconhecimento.

Amor difícil não é amor, não é desejo. Amor difícil é uma prática consciencial que RESULTA em respeito. Nem respeito é. Pois se você não executar a prática consciencial de ficar consciente do funcionamento do desejo, você não consegue chegar ao resultado que é o respeito. Sem a prática de ficar consciente do funcionamento do desejo você apenas se obriga a respeitar os outros, e fazer isso é engolir sapo, é outroísmo submisso, é você desrespeitando a si mesmo, desrespeitando sua unicidade. Então, não é respeito, não produz bem viver, nem boa convivência.

Dito isso, para você evitar confundir os termos, sugiro DELETAR a palavra amor do seu dicionário mental. Sugiro pensar assim: amor fácil = desejado, amor impossível = indesejado, amor difícil = prática consciencial que resulta em respeito. Entendido isso, nunca mais use a palavra amor. Deleta da cabeça.

A 1ficina só usou a palavra amor nesse livro para libertar você do equívoco da abnegação. Se a 1ficina não lhe explicasse o funcionamento do desejo usando a palavra amor, o equívoco da abnegação continuaria. Mas agora que você já se esclareceu sobre o equívoco da abnegação, sugiro deletar a palavra amor, pois de fato o que existe é o desejado, o indesejado e a prática consciencial que resulta em respeito.

Coragem é o que os outros pensam de você quando você liga o foda-se. Coragem é o que os outros pensam de você quando você pula sem a corda. Vou usar um exemplo para esclarecer isso. Tem um fiapo de manga no seu dente. Está incomodando. Mas o fio dental está no banheiro e você está confortavelmente sentado no sofá. Levantar do sofá é doloroso, requer muito esforço, vai doer mais do que o fiapo de manga. Então, você fica sentindo a dor que julga ser menor. Só que o fiapo de manga inflama o nervo do dente. A dor fica latejante e insuportável. Você se levanta do sofá, vai até o banheiro, pega o fio dental e tira o fiapo de manga do dente. Quem te vê levantando do sofá, pensa: “Como ele é corajoso!!! Ele pulou do sofá, foi até o banheiro, pegou o fio dental e tirou o fiapo de manga do dente!!! Ele é meu herói!”. Só que não teve coragem nenhuma no seu feito. Foi a dor que te fez pular para fora do sofá. A dor era tanta que você pensou: “Foda-se! Vou pular fora desse sofá!”. E pulou!

A palavra meditação está mais adulterada do que gasolina de posto barato. Atualmente a palavra meditação é usada para tudo. Meditação para ficar rico, meditação para aumentar o tamanho do pênis, meditação para trazer marido de volta, meditação do empoderamento, meditação da família, etc. Um show de horrores. Algumas pessoas fazem dinâmicas de imaginação e chamam de meditação, deveriam chamar de imaginação, uma vez que é imaginação. Tem pessoas que dão exercícios de relaxamento e concentração e chamam de meditação. Deviam chamar de relaxamento e concentração, uma vez que é relaxamento e concentração. Meditação mesmo é a prática da autoobservação. Sendo que a prática da autociência é executada através de três tipos de autoobservação: existencial, psicológica e pessoal. Então, meditação pode ser existencial, psicológica e pessoal.

O problema não é que mentira é pecado, ou errado, ou antiético. O problema é que viver fingindo ser outro é exaustivo. Quanto maior a mentira, mais exaustivo. Mentira não se sustenta por si só, requer constante esforço para permanecer parecendo verdade. Mentir é igual segurar pedra. Toda pedra quer cair, quer voltar para o chão. Uma pedra só fica na sua mão enquanto você a impede de voltar para o chão. Analogamente, para viver fingindo ser outro você precisa ficar se impedindo de ser você. Segurar uma pedra o dia inteiro já é exaustivo, muito mais exaustivo é viver se segurando a vida inteira. Ninguém aguenta, nem merece, nem precisa. Desista de viver sendo outro. Abra a mão, a pedra cai sozinha.

Seu sistema emocional (GPS) não desregula nunca. Isso é impossível. Você pensa de forma equivocada e seu sistema emocional reage perfeito como sempre, lhe dizendo se o que você pensou está ou não em acordo com sua unicidade. Só que seu sistema emocional não sabe que seu pensamento está equivocado, nem jamais saberá, quem sabe (deve saber) das suas crenças é você.

Não necessariamente. Mas muitas vezes, por causa do outroísmo, acontece do seu paitrix ser uma cópia do seu externo, ou a antítese. O mesmo pode ocorrer com a mãetrix , a criançatrix e o bichotrix.

Não, é o mesmo saber de sempre, sem tirar nem pôr, nem maior nem menor, apenas focado no existencial.

Se essa liberdade da frase for o livre arbítrio, não, pois livre arbítrio é incorruptível. Nunca um pode acabar com o arbítrio do outro. Se essa liberdade da frase for a liberdade mesmo, daí sim. Tudo que interage com você interfere na sua liberdade. Uma parede, por exemplo, limita sua visão da paisagem. Só que você pode usar seu arbítrio e interferir na liberdade do outro. Você pode, por exemplo, fazer uma janela na parede.

Então, considerando que liberdade é limite, o arbítrio do outro é um desses limites?

Sim, bem observado. Você não tem liberdade para arbitrar pelo outro, assim como não tem liberdade para respirar pelo outro, assim como não tem liberdade para peidar pelo outro, assim como não tem liberdade para enxergar pelo outro, etc. Resumindo, você não tem liberdade para viver pelo outro. Você pode influenciar o outro, mas influenciar não é arbitrar.

Quase! Sua realidade é seu arbítrio realizado. Só que você opta usando seu cardápio de crenças. Então, sim, faz sentido você pensar que sua realidade é suas crenças realizadas.

O que é resolver? Resolver é quando sua vontade prevalece sobre a vontade do outro? Se sim, basta você pegar um revólver e matar o outro. Pronto! Resolvido!

Entendimento funciona por antônimo. Se digo que está frio, você simultaneamente pensa no antônimo de frio que é calor, por isso entende frio. Esse é o problema. Seu pensamento está condicionado a acreditar que realidade e ilusão são antônimos, porém, realidade e ilusão são sinônimos.

Não! É falta de pratica em autoobservação existencial. Relaxa e prossiga praticando. Não se constrói uma casa começando pelo telhado. A opção de estudar a natureza existencial do ser humano, como toda opção, tem prós e contras. O principal contra é explicar. Não é nada fácil explicar o que está mais perto do que perto. O pró é a aniquilação total do vitimismo. Teve uma época que pensei: “Se nem os cientistas, que estudam o espaço tempo, entendem o que estão estudando, que dirá pessoas que nunca pensaram no assunto!”. Daí pensei: “Se quem entende não explicar, quem irá explicar?”. O segundo pensamento me convenceu. Por isso prossigo explicando.

Você está escolhendo brincar de ser humano, por isso está experimentando respirar. Faz parte dessa opção.

Amor fácil e amor impossível é o mesmo amor. São os dois lados de uma mesma moeda. Amor fácil e amor impossível não são opcionais. Amor fácil é fácil justamente porque não é opcional, é inevitável. Quando você ama algo, você não tem opção de não amar, pois você ama. E por amar, simultaneamente, odeia o oposto, pois o ódio é o outro lado da moeda do amor. Então, amor fácil e impossível não é opcional. Amor difícil, esse sim, é opcional. Amor difícil é você executando seu arbítrio no sentido de dar liberdade para si mesmo e para o outro de amar fácil. Amor difícil é libertação. Dar liberdade é difícil porque você criou o HÁBITO de proibir a si mesmo (outroísmo submisso) e ao outro (outroísmo impositivo) de amar fácil. Abnegação é a crença de que é possível, louvável e saudável amar o que se odeia, ou seja, amar o mal, o ruim, o nulo e o falso. SUA abnegação é outroísmo submisso. É você se obrigando a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para você. Esperar abnegação DO OUTRO é outroísmo impositivo. É você obrigando o outro a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para ele.

Sim, sou consciente da criação da vida. E não tem mistério. A criação da vida é a criação da realidade. Quando você está consciente de como você (Fábrica da Realidade) funciona, você está consciente da criação da vida. O que acontece é que quando você ignora a UNItrindade que você é, você passa a acreditar que a vida é externa e criada por um deusoutro. Eis como o simples e óbvio vira um mistério.

Exato! Seu comportamento é desdobramento da sua opção entre viver autoísta ou viver outroísta. Seja qual opção de comportamento você optar no cardápio outroísta, é viver outroísta. Seja qual opção de comportamento você opta no cardápio autoísta, é viver autoísta.

E qual é o gabarito que vai servir de base para todos seguirem? O seu?

Depende de quem tem essa necessidade. Requer análise. Dinheiro é só um objeto. Bem, bom, caro e vero não está no objeto, está no sujeito que está se relacionando com o objeto. Por isso, é necessário analisar o sujeito para descobrir qual é o TIPO de relação que esse sujeito tem com o objeto. Um sujeito pode ter uma relação física com o dinheiro, outro sujeito pode ter uma relação afetiva, etc. Geralmente, dinheiro é dimensão física, porque é benefício (bem) e benefício é unicidade física. Mas pode representar status, por exemplo, e daí é dimensão afetiva. A cabeça de cada um é um emaranhado de associações mentais e é preciso investigar profundamente e detalhadamente essas associações mentais para descobrir a relação do sujeito com o objeto.

Você ama a experiência do bem, bom, caro e vero que o outro estimula em você e não o outro. Por isso que ninguém ama ninguém. No instante em que o outro para de estimular experiência de bem, bom, caro e vero em você e começa a estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso, imediatamente e inevitavelmente, você começa a odiar o outro. Amor fácil não é pelo outro, é pela experiência de bem, bom, caro e vero. Amor difícil sim é pelo outro. Amor difícil é sua opção de dar liberdade ao outro de ser diferente de você apesar dessa diferença lhe estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso. Interessante observar que você faz isso com os objetos, plantas e bichos, mas não faz com os outros seres humanos. Manga tem sabor de manga. Se você acha ruim o sabor da manga, você não obriga a manga a ter sabor de morango. Ou seja, não obriga a manga a ser diferente do que é. Vaca dá leite. Se leite te faz mal, você não obriga a vaca a botar ovo. Ou seja, não obriga a vaca a ser diferente do que é. Fogo queima e você não obriga o fogo a fazer cafuné. Ou seja, não obriga o fogo a ser diferente do que é. Enfim, você não obriga os objetos, plantas e bichos a serem diferentes do que são, pois você sabe que isso é impossível e sabe que tentar realizar o impossível é se condenar a fracasso eterno. Porém, você faz isso consigo mesmo e com o outro. Você se obriga a fazer, gostar, valorizar e pensar igual o outro e obriga o outro a fazer, gostar, valorizar e pensar igual você. E ao invés de você chamar isso de insanidade, você chama de amor, abnegação, altruísmo, espiritualidade, religiosidade, nobreza, ética, virtude, educação, etc.

Eis como nasce outro deusoutro. Quando você diz “O” nada, você está terceirizando a si mesmo. Você está apenas trocando o nome do deusoutro. Primeiro você chama deusoutro de “deus”, daí você vai estudar filosofia, ou ciência, ou esoterismo, e troca a palavra “deus” pela palavra “nada”. Agora sim! Agora o criador da sua realidade não é mais uma crendice religiosa de gente analfabeta. Agora o criador da sua realidade tem carimbo da universidade. Agora o criador da sua realidade é “O” nada. Olha só que chique! Agora você está acima dessa gentalha! gentalha! gentalha! Mas o que mudou de fato? Só mudou o rótulo do mesmo deusoutro de sempre. Não existe “O” nada. Nada é você. Nada é o ser que você é. Você é nada.

Não tira seu chão, desmaterializa seu chão. Você continua pisando no chão, só que se torna consciente que o chão que está pisando não é externo nem feito de matéria. Nem o chão, nem seu pé, nem nada. Tudo muda sem que nada mude. Tudo continua como antes, mas já não é o mesmo tudo, não é mais um tudo material e externo, é um tudo imanente e feito de experiência de matéria. Essa é a metáfora da ressurreição do Neo no filme Matrix. Ele leva um tiro e morre, mas depois renasce e começa a ver os pixels da Matrix. Essa cena é uma metáfora do despertar existencial, do fim do mundo externo. O Neo morre na mentalidade materialista e renasce para mentalidade existencialista. Só que quando você tem um despertar existencial, você não começa a ver pixels, isso é só uma metáfora. Quando você tem o despertar existencial, você apenas entende que a matéria é só uma experiência de matéria, e que não é externa, é imanente.

O equívoco é acreditar que a palavra liberdade e a palavra limite são antônimos quando são sinônimos.

Todas. Igual você. Realidade é multimídia, sempre. O que acontece com o John Nash, em grau bem acentuado, é conFUNDIR realidade objetiva com simulada.

A grosso modo, a realidade sensorial (realidade física) é igual para todos os seres humanos, pois todos estão usando a mesma interface humana para se manifestar e receber manifestação. A prova disso é que, caso contrário, seria impossível a comunicação humana.

Quem enfia a faca não sente a dor. Por isso é importante gritar quando dói, ou seja, falar sobre a facada recebida para quem enfiou a faca. Senão, o outro não tem como tomar consciência do efeito do seu ato e, consequentemente, não tem como mudar de comportamento. Geralmente é impossível e improdutivo falar na hora. O outro está de cabeça quente, você também está de cabeça quente e não tem comunicação de fato. Qualquer palavra é como jogar gasolina no fogo. Espere a tempestade passar para que o barco da comunicação possa navegar com eficiência. Quando seu agressor estiver receptivo, abra seu coração e comunique sua dor para ele, sem medo de ser feliz. Provavelmente seu agressor irá lhe entender e pedir desculpas. Mas pode ser que seu agressor não se importe. Pode ser que ele enfie outra faca no seu coração. Tudo bem! Você estará diretamente se curando e, indiretamente, curando seu agressor e sua coletividade inteira.

Ninguém SABE que deus é outro. Deusoutro é uma crença. Quando você acredita que deus não é você, que deus é outro, você não está sabendo, está acreditando saber, está pensando que sabe. Sendo assim, o que diferencia um ser do outro é justamente saber disso.

Mas no viver? No dia a dia? O que muda?

Muda sua forma de viver. Quando você acredita no deusoutro, você vive de forma vitimista. Afinal, se o criador da sua realidade é deus, você é só uma vítima dele. Quando você está lúcido de que deus é você, não tem mais espaço para o vitimismo, pois você sabe que a realidade que está experimentando é criação sua.

Não é um exercício. Autoobservação é saber de si. Só isso! E você já está sabendo de si. Você sempre está sabendo de si, inevitavelmente, caso contrário, você sequer saberia que existe. O que acontece é que você está sabendo de si com pouca lucidez. Sua autoobservação é CONFUSA. Você está constantemente, ininterruptamente e inevitavelmente se autoobservando, mas você não tem DISCERNIMENTO sobre o que está “vendo”. Você sequer entende que está observando a si mesmo. Você ACREDITA que está vendo o mundo, a realidade, o universo, a vida, enfim, algo que não é você mesmo. Esse é o equívoco da transcendência. Ele acontece por falta de discernimento. É como se o seu discernimento estivesse bêbado ou adormecido. Então, ao invés de você aprofundar no autoconhecimento, você fica rodando no mesmo lugar. Ou pior! Amplia a confusão. Com o desenrolar do ciclo de estudos você vai receber dicas de discernimento que irão lhe ajudar a melhorar sua autoobservação e diminuir a confusão.

Ego é uma palavra feita de três letras: e+g+o. Só isso! Palavras tem significados diferentes em contextos diferentes. Ego significa vaidade no contexto moral, significa mediador no contexto psicanalítico e significa falso-eu no contexto espiritualista. Tem outros significados em outros contextos.

Eu não uso a palavra ego na literatura da 1ficina, não recomendo usar, nem incentivo o uso. Além da multiplicidade de significados, trata-se de uma palavra rançosa, carregada de mal entendidos e usada sem conhecimento de causa. Ou seja, quem usa a palavra ego geralmente está apenas papagaiando o que decorou e reproduzindo sem saber do que está falando. Então, para o bem do meu leitor, evito o uso da palavra ego.

Dito isso, mesmo sendo uma palavra que evito usar, ainda é interessante refletir sobre o significado de “falso-eu” atribuído a palavra ego. O que seria um falso-eu? Ou melhor, o que seria um falso-você? Bem, para haver falso é preciso haver verdadeiro. Óbvio! Mas se há um você verdadeiro, onde está? E por que o falso toma o lugar do verdadeiro?

Imagine que você adore música dançante, com tambores e batidas fortes, mas você nasceu e vive em um mundo que despreza esse tipo de música e só valoriza música erudita, tipo Mozart, Beethoven, Bach, etc. Você coloca uma música dançante e seus amigos começam a te zuar. Seus pais tratam esse seu gosto musical como um defeito. Ninguém te convida para as festas, nem conversa com você, pois você é estranho, você gosta de música dançante. O que você faz para ter a aceitação do mundo?

Vamos supor que seu nome é Pessoa. Para ser amado pelo mundo, você cria um falso você, a Pessoa fake, que é você fingindo que não gosta de música dançante e adora música erudita. Esse exemplo é simplificado, mas ilustra bem o que é o falso você e porque você o coloca no lugar do verdadeiro. A verdadeira Pessoa não é amada pelo mundo, e como você prefere ser amado do que ser você, você tranca a verdadeira Pessoa no porão da autonegação e coloca a Pessoa fake no lugar dela.

A Pessoa fake não é o que você verdadeiramente é, naturalmente é, espontaneamente é. A Pessoa fake é um fingimento, é uma estratégia de manipulação que você executa dia e noite para ser amado pelo mundo. E fingir o gosto musical não é o único fingimento que a Pessoa fake precisa executar para ser amada. A Pessoa fake precisa fingir que concorda com o que todo mundo concorda, que acha importante o que todo mundo acha importante, que acha certo o que todo mundo acha certo, etc.

Tudo que você faz repetidamente se torna um hábito, você começa a fazer automaticamente, igual dirigir carro. Então, quanto mais você repete o fingimento de que você é a Pessoa fake, mas automático fica você ser a Pessoa fake. Depois de muito tempo de autonegação, a verdadeira Pessoa fica soterrada pelo hábito do fingimento e você se torna a Pessoa fake. Você até esquece que é uma Pessoa verdadeira, a máscara vira sua pele.

A Pessoa fake é seu ego (falso-eu). Na 1ficina eu chamo esse comportamento de “outroísmo submisso”. Outroísmo porque você deixa de ser você mesmo e se torna outro. Submisso porque viver sendo outro, é você se submetendo aos critérios e ideais do outro.

O termo “outroísmo submisso” é melhor que a palavra “ego” pelos motivos que expliquei no começo. E mais! O termo “outroísmo submisso” deixa explícito seu comportamento e coloca a responsabilidade por você viver mal no executor do seu comportamento: você. A palavra “ego” faz o oposto, esconde seu comportamento e coloca a responsabilidade por você viver mal em um bode expiatório chamado o ego. Esconder não resolve fingimento, perpetua. Então, usar a palavra “ego” é apenas mais uma estratégia que você usa para perpetuar sua autonegação.

Ignorância PHD é quando você ignora que ignora o que é ser humano. Ou seja, é quando você pensa que sabe.

É o EGO vazio.

PERGUNTA: Vazio de quê?

Vazio de programação.

PERGUNTA: A programação é o Quatrix?

Sim! Quatrix é sua natureza humana.

PERGUNTA: O que você quer dizer com variações do Zerotrix?

Seu E.G.O é existencial e pode rodar infinito programas, infinitos jogos, assim como um playstation. Seu E.G.O pode rodar um programa animal, ou vegetal, por exemplo. No seu caso, seu E.G.O está rodando um programa chamado “natureza humana”, ou seja, está rodando o Quatrix.

Um equívoco é uma crença de correspondência equivocada. Por exemplo, se você acredita que fogo molha, você está equivocado, pois fogo não molha, fogo queima. Mas se você JÁ SOUBESSE que fogo queima, você não acreditaria que fogo molha. Então, você é incapaz de reconhecer um equívoco como equívoco até que já tenha se DESequivocado.

Então, é um ciclo vicioso?

Sim, pois quando você está equivocado, você ignora que está equivocado. E como ignora, como sair de um equívoco que você nem sabe que está dentro?

Então, não tem como sair?

O sofrimento é alerta de equívoco. Quando você abre a porta para o sofrimento, segura na mão dele e segue o sofrimento até sua origem, você chega na descoberta do equívoco.

Ué! Não é exatamente isso que você está fazendo para conversar comigo? Ou você acha que estou lendo seu pensamento?

PERGUNTA: Estou digitando o que penso, por isso você está lendo. E se eu pensar em 1 milhão de dólares, vai se realizar na realidade objetiva igual escrever um texto?

Já se realizou. Você digitou 1 milhão de dólares e eu li.

PERGUNTA: Quero dizer, se eu pensar em 1 milhão de dólares, pensar com muita fé, com todo poder do meu pensamento, vai aparecer um milhão de dólares na minha realidade objetiva.

Faz o teste agora e me diz se funcionou. Eu fico esperando.

INTERLOCUTOR: Fiz, não funcionou.

Pois é! Fé não é pensar positivo. Fé é arbítrio. Fé é o que você escolhe acreditar. Pensamento positivo é uma crença. E pior! É uma crença equivocada.

PERGUNTA: Equivocada porque? Qual é o equívoco.

É mais de um. Vou citar três:

CARA E COROA DO PENSAMENTO

Não tem como pensar sem antônimo. Ao pensar em calor você está também pensando em frio, pois calor é o antônimo de frio. Sem antônimo o pensamento não funciona. Como você poderia rotular um pensamento de positivo senão em relação ao negativo? Não poderia. Impossível. Então, quem pratica pensamento positivo está simultaneamente praticando pensamento negativo também, pois um só existe em função do outro. Daí fica, o praticante irá passar o tempo todo brigando com o pensamento negativo, tentando fazer o pensamento negativo desaparecer, sem perceber que o pensamento negativo só está ali por causa da prática do pensamento positivo. E vai viver nesse inferno.

PERGUNTA: Você disse três equívocos. Quais os outros dois?

PENSAMENTO POSITIVO NÃO SUBSTITUI COMPETÊNCIA

Outro equívoco da crença no pensamento positivo, é a suposição de que pensar positivo substitui a competência. Para comprovar esse equívoco basta você pegar a pessoa mais otimista que você conhece e levá-la para executar uma tarefa na qual ela não tem nenhuma competência. Por exemplo, pegue um super otimista que não sabe nem andar de bicicleta e leva ele para participar de uma corrida de motocross. Por mais pensamento positivo que o otimista tiver, ele vai se espatifar no primeiro obstáculo.

Na época que era instrutor de PNL, tive um aluno que era apaixonado por carnaval. O sonho dele era ser carnavalesco, tipo Joãozinho Trinta. Daí, ele queria que eu lhe ensinasse a reprogramar sua mente para ser o maior carnavalesco do mundo. Quando perguntei que competência ele tinha para a função, ele disse que nenhuma. Não sabia desenhar, nem modelar, nem cortar isopor, nem nada. Ele sequer pertencia a uma comunidade de escola de samba. Mas queria que eu lhe ensinasse a reprogramar sua mente retirando crenças limitantes e colocando crenças fortalecedoras que o levassem a realizar seu sonho: ser o maior carnavalesco do mundo. A primeira crença que tentei ajudá-lo a se livrar foi a crença de que pensamento positivo substitui competência. Ele não gostou nada da minha explicação, ficou bravo comigo, disse que era o sonho da vida dele e que eu deveria ajudá-lo. Eu disse que estava ajudando, porém, o mais importante era ele se ajudar desenvolvendo a competência necessária para a função. O aluno foi embora dizendo que iria procurar outro profissional mais competente em reprogramação mental.

PERGUNTA: Qual é o terceiro equívoco?

PENSAMENTO SÓ TEM PODER DE CRIAR REALIDADE SIMULADA

A crença do pensamento positivo supõe que pensar positivo, ou seja, pensar repetidamente sobre o que se deseja, é uma estratégia capaz de realizar desejos objetivamente. Óbvio que não! Você pode passar a vida inteira imaginando que vai ganhar na megasena, se você apenas imaginar isso, e não for até a casa lotérica, marcar 6 números no bilhete e registrar sua aposta, você jamais irá ganhar. Esse exemplo não é suficiente? Na hora do almoço, sente-se na mesa e use o poder do pensamento para fazer o almoço aparecer sobre a mesa. Aliás, nem precisa ser um almoço, pode ser uma azeitona. Azeitona é muito grande? Pode ser um grão de arroz. Não, também não funciona? Pois é! Poder do pensamento só funciona para criar realidade simulada, não funciona para criar realidade objetiva. Para criar realidade objetiva você precisa optar por uma estratégia de realização e colocá-la em prática.

É a semente que produz a árvore ou é a árvore que produz a semente? O que você poderia fazer se você não existisse? Sua existência é sua semente. O que você faz transforma sua realidade, não você, não o que você é. Você existe. O que se transforma é sua realidade, não sua existência.

Mas minha realidade não sou eu fazendo, logo sendo?

Realidade é efeito. Se não entendeu isso ainda, não entendeu nada.

Sim, é efeito das minhas escolhas

Exato! Então, é você que cria sua realidade, não é sua realidade que cria você. Você não é criável. Você existe. Ser = existir.

Você já viu aqueles filmes de tribunal? É parecido. Cada um dos quatro amores é um advogado. Cada um expõe seu caso, defende seus interesses. Você é o juiz. Você decide.

Mas meus advogados sou eu.

Sim e não. É, mas também não é. São aspectos diferentes de você. Desejo não tem consciência. Não sabe de si. É você (consciência) que sabe dos seus desejos. Então, você ouve as partes e decide o que é melhor. E deve explicar para seus quatro advogados porque aquela decisão é a melhor, deve deixar óbvio. Você fazendo isso, é você explicando o óbvio para si mesmo.

Se faço isso, meus amores param de brigar?

Vão brigar contra o que? Contra o óbvio? É caso perdido. Contra o óbvio não há argumentos.

Entre outras coisas, antes de despertar a consciência eu acreditava que era um corpo físico contido no espaço, tal qual você está acreditando atualmente, com o despertar da consciência não perdi essa perspectiva, mas passei a viver consciente de que é apenas um truque mental. Claro que essa lucidez me possibilita viver melhor e conviver melhor por vários motivos. Então, mudou também a qualidade do meu viver. Eu vivia mal e passei a viver bem.

Caro companheiro de viagem, suponho que deve estar experimentando um tanto de sofrimento para estar se expondo assim, embora de forma anônima. Não é comum um homem abrir seu coração e expor seu sofrimento. Geralmente o homem sofre calado até enlouquecer ou até que o cardiologista abra seu coração por ele. Não é seu caso. Sua opção é por retirar o sofrimento do porão ao invés de acrescentar mais um cadeado. Fico feliz por você. Recomendo que permaneça nessa opção.

Contudo, não tenho como lhe ajudar a entender o que está acontecendo dentro de você, sem que primeiro eu entre dentro de você. Caso contrário, seria como um médico lhe dar um diagnóstico sem antes lhe examinar. Na medicina psicológica também é preciso examinar primeiro antes de produzir um diagnóstico.

Na medicina física, o médico entra dentro de você com agulhas, eletrodos, radiografias e outros aparatos físicos. Na medicina psicológica, a única maneira do médico entrar dentro de você é se você se colocar para fora. Como? Pela boca. Conversando com o médico (terapeuta) sobre o seu sofrimento. É por isso que o trabalho de um psicólogo acontece todo através do diálogo. A comunicação é a entrada USB do ser humano.

Dito isso, fica fácil de te explicar e de você entender, que para lhe ajudar com seu sofrimento eu preciso conversar com você sobre seu sofrimento e analisá-lo. Ou seja, teria que ser seu terapeuta e você ser meu paciente. Só que eu não faço terapia com ninguém. Eu sei fazer, mas não faço. Pois se for fazer terapia com cada um que vem me pedir ajuda com seu sofrimento, só vou fazer isso na vida e não vou ter tempo de ser professor. Eu faço terapia com meus alunos do ciclo de estudos EUreka, mas apenas uma única vez e só depois que estudaram seis meses de autociência. E não faço isso como brinde, mas para guiá-los e ajudá-los a aprenderem a ser terapeutas de si mesmos.

Só que você está batendo na porta e pedindo ajuda com seu sofrimento. Então, para fins de estudos, posso conversar com você aqui no grupo e te analisar como estudo de caso. Assim, eu poderia lhe oferecer a ajuda que está me solicitando e você ajudaria todos os 1ficineiros aqui com seu estudo de caso. Mas já lhe adianto que se você aceitar minha proposta você ficará pelado em público, pois precisará expor aqui no grupo tudo que está dentro de você e que, provavelmente, mantém guardado a sete chaves.

Se tiver interesse na minha oferta, me responda que dou início a realização do seu estudo de caso. Se você declinar da minha oferta por causa da exposição, tenho uma segunda oferta para você. Posso perguntar aos meus alunos veteranos se algum deles têm disponibilidade para conversar em particular com você e lhe ajudar com seu sofrimento. Se você declinar dessa oferta também, sugiro que procure um terapeuta de sua escolha ou então um amigo, ao menos para desabafar seu sofrimento. Desabafar não resolve tudo, mas ajuda bastante

Cada um deve ser o analista do seu próprio caso. Sou professor de psicologia, não sou psicólogo. Meu trabalho é capacitar você para fazer auto análise e não fazer análise com você.

Mas para que me torne um bom auto analista preciso aprender com outro auto analista mais experiente, ou não?

Sim, está aprendendo. Você nem sabia que a natureza humana é quaternária. Agora aprendeu isso. Mas para produção de autoconhecimento pessoal, só você tem acesso a sua pessoa. Para lhe ajudar no autoconhecimento pessoal eu teria que conversar com você e lhe analisar. Esse não é meu trabalho. Sou professor de psicologia, não sou psicólogo. Quando chegar na fase das egofonias, vou demonstrar como fazer auto análise fazendo uma egofonia com cada um de vocês, um por vez. Depois, quem tiver interesse em prosseguir no autoconhecimento pessoal com ajuda da 1ficina, pode participar do grupo de práticas. Lá, ajudo vocês quinzenalmente.

Sim, tanto as competências que você vê em Fulano, como sua admiração por essas competências, estão em você. Mas tem uma sutileza nesse entendimento. Vou explicitá-la. Mas primeiro, para facilitar a explicação, vamos nomear as competências que você admira em Fulano. Vamos chamá-las de Respeito e Lucidez.

Se você não tivesse ao menos o conceito de Respeito e Lucidez em si, você seria incapaz de reconhecer isso em Fulano, e consequentemente, de admirar. Uma criança pequena, por exemplo, não é capaz de reconhecer a mentira, nem a inveja, nem a cobiça, nem a amizade, nem a paciência, nem o respeito, nem a sinceridade, nem qualquer competência do outro, pois a criança sequer tem a ideia abstrata dessas competências dentro de si. Conforme a criança vai vivendo, tendo experiências e fazendo abstrações, ela vai criando todos os conceitos das competências humanas, e daí sim, vai se tornando capaz de reconhecer essas competências nos outros.

Contudo, você só é capaz de reconhecer a competência do Respeito e da Lucidez em Fulano, porque Fulano possui tal competência, caso contrário, seria impossível. Como você poderia ver o cabelo ruivo de Fulano se Fulano tivesse cabelo preto? O mesmo com as competências humanas. Como você poderia ver o Respeito e a Lucidez de Fulano se Fulano fosse impositivo e ignorante? Não poderia. Então, a competência que você vê em Fulano, está tanto em Fulano como em você. Talvez ela seja apenas um conceito para você e uma maestria para Fulano, mas o espelhamento só acontece porque estão em ambos.

Por fim, tem a questão da admiração. O fato de você admirar o Respeito e a Lucidez de Fulano significa que são competências desejadas por você, que você também deseja ser uma pessoa respeitadora e lúcida, caso contrário, você sentiria desprezo por essas competências e não admiração.

Então, é a função espelho que lhe permite identificar competências nos outros e sucessivamente ficar consciente se são competências desejadas ou indesejadas. Se forem desejadas, significa que você deve praticá-las e transformá-las em maestria, que irá viver melhor. Se forem indesejadas, significa que você deve abandoná-las e praticar as competências opostas, que irá viver melhor.

Resumindo, tanto admiração como desprezo são informações psicológicas que surgem para lhe aconselhar qual competência você deve praticar e desenvolver para viver melhor. Mas esse é o limite da função espelho. Para que você olhe no espelho e veja essa competência desenvolvida em si mesmo, você deve praticá-la até se tornar uma maestria. Então, mãos a obra!

Não sei qual terminologia e fonte de informação você está usando para perguntar. Mas sei o que é consciência, o que é estado de consciência e o que é dimensão. Vou responder sobre isso. Consciência é o que você é, é o que todo ser é. Consciência pode estar desperta (consciente) ou pode estar adormecida (inconsciente / ignorante). Não tem um terceiro estado de consciência. Só tem dois: consciente e inconsciente (ignorante). Sendo assim, você pode estar consciente ou ignorante de diversos aspectos da sua experiência humana. Um cego, por exemplo, é um ser humano ignorante do aspecto visual da experiência humana. Se por “quinta dimensão” você se refere a algum aspecto incomum da experiência humana, deve ser algo que ignoro. Sou um ser humano basicão. Não tenho super poderes nem faculdades cognitivas incomuns. Meu autoconhecimento é basicão e o que explico é o funcionamento do basicão. Então, não tenho nada a dizer sobre “quinta dimensão”.

Eu penso o óbvio. São dois óbvios:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO É O QUE ESTÁ ACONTECENDO.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO É IRRELEVANTE.

O que está acontecendo não importa, pois está acontecendo, o que importa é a forma como você lida com o que está acontecendo. Só tem duas formas de você lidar com o que está acontecendo: lidar bem ou lidar mal. Lidar bem é viver bem. Lidar mal é viver mal. O que importa para viver bem é lidar bem com o que está acontecendo, seja lá o que estiver acontecendo. Entendido isso, surge a pergunta que não quer calar: como lidar bem com o que está acontecendo? Surge também a resposta que nenhum aluno quer escutar: com autoconhecimento.

É impossível viver bem em estado de ignorância. É impossível viver bem sem autoconhecimento. Mas se fosse só isso estava bom! E pior! Muito pior! Você não apenas ignora o que é ser humano, você ignora que ignora. E por ignorar que ignora, você pensa que sabe. E se você já sabe, para que estudar o que já sabe? Essa é a armadilha do “pensa que sabe”. Essa é a armadilha que mata mais do que covid. São 8 bilhões de seres humanos vivendo mal porque estão presos nessa armadilha. E só tem um jeito de sair dessa armadilha, percebendo que está dentro dela.

Para acender a luz você precisa perceber que está no escuro. Para sair da ignorância você precisa perceber que está na ignorância. Esse é o primeiro passo. Aluno é uma palavra composta de duas palavras: A+luno. A significa “não”. Luno significa “luz”. Aluno significa sem luz. Só que o planeta terra não tem nenhum aluno. São 8 bilhões de seres humanos iluminados, todos lúcidos e mestres. Só que não! Então, como viver bem? Impossível.

E como sair da armadilha do pensa que sabe? Quem pode salvar o aluno da ignorância? A resposta é isso que você, todos seus familiares e os 8 bilhões de seres humanos estão experimentando: sofrimento. O sofrimento é o mestre. É o sofrimento que salva o aluno da ignorância, porque é o sofrimento que explica para o aluno que ele está na ignorância.

Produzir luz (lucidez) é a razão de ser do sofrimento. Você só experimenta sofrimento para ficar consciente que está na ignorância. E experimenta felicidade para ficar consciente que saiu. Por isso você está sofrendo, você está na ignorância. Por isso os 8 bilhões de seres humanos sofrem todos os dias, desde antes do covid e continuarão sofrendo depois do covid, se continuarem cultivando a ignorância.

Quanto ao comportamento dos seus familiares, é apenas mais um comportamento produzido pela ignorância do que é ser humano, assim como milhares de outros comportamentos.

Musica é arte, não é autociência. Quando estou produzindo arte (musica, literatura) não uso as palavras com o mesmo rigor autociêntifico que uso para produzir os textos da 1ficina. O rigor autocientífico que uso para produzir os textos da 1ficina é extremo. Tem hora que fico até de saco cheio com tanto rigor. As vezes uma preposição faz toda a diferença. O leitor em geral não percebe isso. Tem 1ficineiros que já leu 30 vezes um livro da 1ficina e ainda não percebeu as sutilezas no rigor das palavras. A palavra “existe” por exemplo, é um grande exemplo disso. Quase ninguém entende. As pessoas usam a palavra “existe” a torta e a direita como se entendessem o que estão dizendo, mas não fazem a menor ideia. A palavra existe é incompreensível. Só pode ser entendida com o despertar existencial. Antes, o usuário da palavra está condenado a usá-la de forma equivocada. Mas enfim, aprendi, a duras penas, que o rigor autociêntifico é fundamental para a prática da autociência. Então, mesmo sendo um saco, sou rigoroso. Mas não faço o mesmo na arte. Na 1ficina me esforço ao máximo para ser claro e conduzir o 1ficineiro à comprovação do óbvio. Na arte tô nem ai. O leitor ou ouvinte que se vire. Mas já que perguntou, vou fazer esse paralelo para você. A letra dessa música diz assim: “Eu busquei no tempo e no espaço outra vida melhor do que a minha,  fui vencido pelo cansaço e ainda perdi a vida que eu tinha”. Em termos 1ficineiros, seria assim: “Eu tentei negar minha natureza humana para viver um vida espiritual e tudo que consegui foi perder minha experiência humana”.

O racional é significado racional (conceitual). Realidade objetiva é experiência de objeto, significante. A definição conceitual que você dá para um objeto é atribuição racional, significado racional. Esse significante, por exemplo: melancia. Objetivamente é só uma palavra, um significante, é seu racional que está dizendo que esse significante é uma melancia.

O que vc quer dizer quando diz “paz”? Me explica.

Quero dizer viver em paz é não viver com medo, incertezas, se sentindo ameaçado pela morte, pelo próximo perigo.

Então, sua pergunta fica assim: É possível viver sem medo? A resposta é não. Só que você não precisa entrar em guerra com o medo. Você pode viver em paz com o medo. Isso sim é possível.

Como é possível viver em paz com o medo?

Para viver em paz com o medo você precisa praticar autociência e descobrir 3 coisas:

1) O que é o medo?
2) Como o medo funciona?
3) Para que serve a experiência do medo?

Uma vez que você fica consciente dessas 3 coisas, você deixa de ter “medo do medo” e começa a viver em paz com o medo. Você se torna amigo do medo. Passa a usá-lo para viver bem e cada vez melhor.

Medo é uma coisa sem trégua?

Sim, você experimenta medo durante toda sua experiência humana, ininterruptamente.

Teve uma época que participava de um grupo de poetas e fazíamos uma oficina de literatura aos finais de semanas, num centro cultural. Basicamente pedíamos para os participantes escreverem redações. Quando era minha vez de coordenar, acontecia muito de deixar o tema livre. Passava uma folha em branco e pedia para que escrevessem sobre o que quisessem. Ninguém escrevia nada. Era impressionante. Ficava todo mundo travado olhando para folha em branco. Daí eu encaixotava eles num tema. Dizia, por exemplo: “Escrevam sobre a amizade”. Pronto! Uma vez encaixotados, começavam a escrever. Ou seja, você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser um deus autônomo, criativo, autor da sua própria criação, por isso você segue os mandamentos dos outros, seja deusoutro, seja qualquer outro. Você troca sua liberdade de criador por segurança. É mais seguro escrever dentro da caixa, escrever a redação que lhe dizem para escrever e não sua própria. Você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser deus ao máximo. Você é um deus mendigo, um deus que morre de fome em um universo que é um banquete de infinitas possibilidades. Você é um deus que prefere a mediocridade do que dar um passo para fora do conhecido, do certo, do conforto, do seguro.

São três tipos de óbvios: óbvio existencial (ser), óbvio psicológico (humano) e óbvio pessoal (fulano). Então, são três tipos de absolutos: absoluto existencial (ser), absoluto psicológico (humano) e absoluto pessoal (fulano). Ou seja, todos os seres que despertam existencialmente ficam conscientes da mesma coisa: o que é ser (existir). Todos os seres humanos que despertam psicologicamente ficam conscientes da mesma coisa: o que é ser humano. Cada um, ao despertar pessoalmente, fica consciente de algo singular: o que é ser humano eu.

Verdade é correlação. “Tomate é fruta” é uma verdade. As pessoas tem correlações diferentes e por isso tem verdades diferentes. “Tomate é legume” é uma correlação diferente de “tomate é fruta”. Só briga pela verdade quem ignora que verdade é correlação, logo, pessoal. Quem sabe que verdade é correlação não é tonto de ficar perdendo energia para brigar sobre correlação. “Eu tenho a minha verdade e você tem a sua”, ou seja, “eu tenho a minha correlação e você tem a sua”. Sim, isso mesmo! Óbvio!

Entra no SER. Você é um ser humano, não um humano ser. Sua natureza existencial (ser) é sua natureza espiritual. Estudar sua existência (ser) é estudar sua espiritualidade. O problema é que sua existência não está em nenhum livro, nenhuma explicação, etc, sua existência está no ser que você é. Então, embora explicações possam lhe ajudar a despertar para sua natureza existencial (espiritualidade), sem a prática da autociência, você permanece sendo uma teoria para si mesmo. E você não é uma teoria. Óbvio que não!

Não está em lugar nenhum, é você (você-ser). “Onde” é a mentalidade materialista tentando construir a casa começando pelo telhado. A mentalidade materialista precisa objetivar tudo, coisificar, dar dimensão, localidade, duração, etc, para ter onde se segurar. Como que a mão vai pegar nada? O problema da mentalidade materialista é o no_thing (não_coisa). Pior do que não ter coisa nenhuma para pegar, é perceber que até a mão que pega também é no_thing (não_coisa).

Pense em um piano. Ao pressionar uma tecla, você produz um som. O que é o som? É a resposta sonora do piano ao estímulo que você imputou nele. Pressionar é INPUT, o som é OUTPUT. Porém, o som que você escuta não é qualquer output, é um output correspondente. Se você pressionar a tecla Dó, o output sonoro correspondente é a frequência de 264 Hz (Dó). Se você pressionar a tecla Ré, o output sonoro correspondente é a frequência de 297 Hz (Ré). Se você pressionar a tecla Mi, o output sonoro correspondente é a frequência de 330 Hz (Mi). E assim por diante.

Agora, pense no seu sistema emocional como um piano de quatro notas. Cada instante de realidade que você experimenta é um INPUT pressionando uma tecla no seu piano emocional. E qual é o output? Qual é o som que seu piano emocional produz? São as emoções.

Se o input é dimensão física,
o output emocional correspondente é uma frequência
que vai de graça a raiva.

Se o input é dimensão sensorial,
o output emocional correspondente é uma frequência
que vai de alegria a tristeza.

Se o input é dimensão afetiva,
o output emocional correspondente é uma frequência
que vai de amor a mágoa.

Se o input é dimensão racional,
o output emocional correspondente é uma frequência
que vai de paz a ânsia.

Sofrimento é você experimentando emoções desagradáveis: ânsia, mágoa, tristeza ou raiva. Felicidade é você experimentando emoções agradáveis: paz, amor, alegria ou graça. Só tem oito tipos de emoções, porque seu piano emocional é um piano humano e o piano humano é quaternário. Sobre a função das emoções, vou pular, pois você já sabe que é função de GPS para viver bem. Então, agora vou responder sua pergunta:

Onde está instalado o sofrimento?

Onde estão instaladas as notas de um piano? Em lugar nenhum e no piano inteiro. As notas de um piano são o fantástico resultado do funcionamento do piano como um todo. Analogamente, o mesmo acontece com as emoções, não estão instaladas em lugar nenhum do sistema emocional, mas no sistema emocional inteiro. Suas emoções são o fantástico resultado do funcionamento do seu sistema emocional como um todo. Ou seja, experimentar um estado emocional é como ouvir uma música. Podemos pensar, por exemplo, na raiva como um solo de guitarra de heavy metal e na graça como uma sonata de Bach.

Muito louco ser humano, não acha?

Não só doenças físicas, psicológicas também, como depressão, crise de pânico, etc.

Os quatro habitantes são quatro lógicas. Se você é um pianista e pedirem para você tocar uma nota verde, não fará sentido para você, pois verde é cor, não é som. Visão e audição são lógicas diferentes. Analogamente, as quatro razões da Casa da Razão Humana também são lógicas diferentes. Bem e mal é um tipo de lógica, é a lógica do benefício. Bom e ruim é outro tipo de lógica, é a lógica do prazer. Caro e nulo é outro tipo de lógica, é a lógica do valor. Vero e falso é outro tipo de lógica, é a lógica do raciocínio.

Não existe egoísmo mal. Você é que usa mal seu egoísmo. Você é o usuário do seu egoismo. Você que decide como usá-lo. Pense na energia elétrica. Não é boa nem má, é o que é, energia. Você pode usar a energia elétrica para fazer o chuveiro funcionar e tomar um banho quente, por exemplo. Mas também pode usá-la para eletrocutar alguém ou a si mesmo. A energia elétrica não se recusa a fazer nenhuma das duas coisas. A energia elétrica sequer sabe para o que está sendo usada. Consciência é atributo do usuário da energia elétrica. A energia elétrica é a coisa que está sendo usada, não é o usuário. O mesmo acontece com o desejo (egoísmo). Desejo é eletricidade, impulso, vontade. Seu desejo é a força que possibilita você se manifestar. Como você se manifesta, de que forma, de que jeito, é responsabilidade sua, usuário do desejo. Seu desejo não tem consciência, não sabe o que é bem e mal, certo e errado, melhor e pior. Quem sabe disso é você. Por isso não existe egoísmo mal e sim egoísmo mal usado.

Primeiro vamos definir evolução. Como você está brincando de ser humano, vamos definir evolução como ampliação da maestria em ser humano. Dito isso, evolução é só pela dor. Você só pensa porque dói. Você só pensa para evitar dores futuras e resolver dores presentes. O pensamento é uma máquina de resolver dor, em outras palavras, máquina de resolver problemas. Sem dor o pensamento não acontece. Você está constantemente pensando porque está constantemente vivendo e viver é dolorido. E mais! Viver é dor insolúvel, igual fome. Assim como você nunca resolve a dor da fome, você também nunca resolve a dor de viver. O que você pode fazer é ficar mestre em LIDAR BEM com a dor de viver. Ampliar sua maestria na SOLUCIONÁTICA da insolúvel PROBLEMÁTICA. Isso é evoluir. Então, você evolui para sofrer menos. Esse é o motivo. O sofrimento é o mestre. Felicidade não ensina nada. Felicidade é apenas a comprovação de que você aprendeu com o sofrimento.

Você não é O nada, você é UM nada. O universo é uma coletividade de nadas (zeros). Universo = 0 + 0 + 0 + 0 + (…) O universo é Zeroverso. Dito isso, você cria realidade porque essa é a única brincadeira que tem para brincar no universo. Seres são deuses, criadores de realidade, fábricas de realidade. A única coisa que uma fábrica de realidade tem para fazer é fabricar realidade. De que tipo? Daí é variado. Você, por exemplo, é um ser que está brincando de fabricar realidade humana, por isso está experimentando uma experiência humana, que é o produto da sua fabricação.

Você é a fábrica da sua realidade. Realidade é produto. Sua fabricação de realidade funciona assim: sua vontade produz seu pensamento, que produz seu comportamento, que produz sua realidade. Sendo assim, o natural seria que você vivesse em constante autorrealização, ou seja, que sua realidade fosse reflexo da sua vontade. Mas não é isso que acontece. Por que não? Porque você tem arbítrio. Você é livre para NEGAR sua vontade. Não é agradável, mas é possível. Então, você nega sua vontade para realizar a vontade dos seus pais, dos seus amigos, dos seus professores, da sua sociedade. Você nasce e morre em autonegação. O resultado de viver assim, é uma profunda e constante insatisfação, uma sensação de que sua realidade está errada, de que você está vivendo a vida de outra pessoa, de que sua realidade não é sua. Claro que é sua! Só que não!

Primeiro é preciso lembrar que tem três tipos de iluminação: existencial, psicológica e pessoal. E não tem nada de fácil no despertar pessoal, é trabalho, trabalho, trabalho do começo ao fim. Depois, para falar, basta ter boca. Então, deixem que digam, que pensem, que falem. “Segue o teu destino, rega as tuas plantas,
ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias”. Para chegar no autoconhecimento onde estou, tive que trair tudo e todos. Você terá que fazer o mesmo. Não quero ser um estorvo no seu despertar, mas serei. Um dia você terá que trair tudo e todos também (inclusive a 1ficina) se quiser ter seu próprio autoconhecimento ao invés de autoconhecimento emprestado.

Você traiu os outros, mas não traiu a si mesmo.

Isso mesmo! Por isso que o grupo de práticas da 1ficina se chama: Traidores. É inevitável. Quando você decide ser fiel a si mesmo, essa decisão é uma traição para todo resto.

Metaforicamente falando, sim. Só que de fato isso é impossível, pois não tem espaço entre você-observador e você-observado. Por isso fiz questão de descrever a UNItrindade com um palavrão: exismanifesperimentação. A separação entre você-observador e você-observado é causal. Quando você desperta para relação causal entre você-realidade (produto) e você-existência (fábrica), você é imediatamente jogado para trás, pois você sempre esteve atrás, apenas ignorava isso. Despertar existencial é a volta dos que não foram.

Aquela história da minha maior experiência espiritual, por exemplo. Aquela era uma decisão racional. Aquele ritual de natal que participava era falso para mim, só permanecia participando por conta do meu afeto por minha mãe. Só que abrir mão de algo falso para mim não diminui meu afeto por minha mãe. E se ela acredita que diminui, engano dela e problema dela.

A lição “sofra!” é se permitir sofrer, se permitir sentir o sofrimento, igual expliquei no texto “morra de raiva”. A lição “sofra!” está repetindo o mesmo que foi explicado na primeira lição “eu sou o mestre, você é o aluno”. Você se proibindo de sofrer é você tentando ser o mestre do sofrimento. O sofrimento vem, você fica dando aula para o sofrimento, dizendo que ele está errado, que deve ir embora, que a culpa é de fulano, etc e tal. Então, enquanto você não aprende a primeira lição, você também não consegue executar a lição “sofra”, é a mesma lição.

Ótima pergunta. Aliás, essa é A pergunta: “O que me impede de ser eu?”. Mas antes de responder preciso que você se sente e relaxe. Você está sentado? Se não estiver, por favor, se sente para não cair duro com a resposta. E você está relaxado? Se não, relaxe, por favor. Caso contrário você terá um ataque de fúria ou de pânico.

Vamos fazer um breve exercício de respiração para provocar o relaxamento. Puxe o ar pelo nariz. Segura. Conta até sete. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Solta o ar calmamente. Repete o exercício. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Isso! Repete mais uma vez. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Solta o ar calmamente. Ótimo! Agora que você está sentado e relaxado, vou responder: o que impede você de viver sendo você é seu arbítrio.

Ops! Respira, respira, respira… Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete… Segura! Isso! E pára de bater a cabeça na mesa e na parede. Isso! Solta o ar calmamente. Ótimo! Vou continuar…

A laranjeira consegue dar laranja e você não consegue dar você, porque a laranjeira não tem arbítrio. Ou seja, não existe, no caso da laranjeira, a possibilidade de autonegação. A laranjeira está condenada a dar laranja. Não pode jamais dar jaca, nem jabuticaba, nem goiaba, nem tomate. Laranjeira dá laranja e pronto! Não tem liberdade para ser diferente disso. Você é um ser humano, você têm liberdade de optar, ou seja, tem arbítrio. Então, você pode se proibir de dar você e viver sendo outro.

Por favor, não se levante e pare de bater a cabeça na parede. Respira. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Isso!

Sei que é desagradável ouvir essas palavras, mas é o remédio amargo que cura. Leia tudo que irá lhe ajudar. Recapitulando… Você tem arbítrio, então, você pode se proibir de viver sendo você e viver sendo outro. Isso é o que a 1ficina chama de outroísmo. Você pode optar por viver igual seus pais querem, igual seus amigos querem, igual a igreja quer, igual seu guru quer, igual o comercial da coca cola quer, etc. Você pode optar por viver sendo outro e não você mesmo. O resultado dessa opção é viver mal, mas você pode fazer isso, a laranjeira não pode.

A laranjeira não consegue sair do paraíso. A laranjeira não tem arbítrio. A laranjeira não pode comer a maçã. Você pode cair em tentação e comer a maçã (viver sendo outro). O resultado dessa opção é ser expulso do paraíso. É impossível viver bem sendo outro, é doloroso, é um inferno. Mas você pode optar por viver sendo outro. Prova disso é que você vive sendo outro. E mesmo eu te explicando aqui a besteira que está fazendo, você continuará fazendo. E pior! Nada nem ninguém é capaz de te impedir de continuar.

Lembra que expliquei ontem que arbítrio é incorruptível, e que isso tem um lado bom, mas que também tem um lado ruim. Eis o lado ruim. Nada nem ninguém é capaz de te impedir de viver outroísta. Nem Jesus na causa! Nem os vingadores! Mesmo que todos os seres do universo se juntem para te impedir de optar por um viver outroísta, ainda assim, você é livre para continuar se proibindo de ser você mesmo.

O universo é absolutamente impotente perante seu arbítrio. Olha que loooooco! Leia pausadamente. O universo…. é… absolutamente… a.b.s.o.l.u.t.a.m.e.n.t.e… im.po.tente… perante seu arbítrio. Entende o tamanho do seu poder??? Quer mais empoderamento que isso??? Não existe! Você é um ser humano. Você é o ser mais empoderado do universo. Por um lado, isso é ótimo, pois nada, absolutamente nada, pode te impedir de viver bem, mas por outro lado, nada pode te impedir de viver mal.

Eis a grande questão do arbítrio: benção ou maldição?

Você decide.

Porque o despertar existencial faz sua busca espiritual entrar em colapso total. Sua busca espiritual fica sem sentido. Que sentido tem você buscar deus quando você descobre que deus é você? Para onde você vai evoluir se você não tem como sair de si? Que êxtase, que experiência transcendente você pode ter, se toda experiência é imanente?

Se te pergunto O QUE é isso, apontando para uma cadeira, por exemplo, você foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é cadeira e responde: isso é uma cadeira. Se te pergunto O QUE é você, você executa o mesmo processo, foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é corpo e responde: sou um corpo contido no espaço. Ou seja, você acredita que sua existência se resume a ser um corpo contido no espaço porque você usa como base existencial o critério materialista de existência. O critério materialista de existência se baseia nos 5 sentidos. Para o materialismo, O QUE EXISTE é o mensurável, o perceptível, o experimentável, mesmo que através de medição instrumentalizada, como microscópios, radares, etc. O critério materialista de existência não é errado. Mas é incompleto e invertido. Você não é apenas um corpo contido no espaço, você também é o espaço que está contendo o corpo. Você é nada e tudo: nadatudo. Você-corpo é tipo uma imagem no espelho. Assim como a causa da imagem no espelho não é a imagem no espelho, a causa de você se experimentar como corpo não é o corpo. Esse é o problema de usar o critério materialista de existência. Você passa a ignorar que você-corpo (tudo) está dentro de si mesmo (nada). Você passa a acreditar que sua existência é você-cheio, você-objeto contido no espaço. Só que é justamente o oposto. Sua existência é o espaço que contém o seu corpo. VoSer é o espaço. Você está contido em voSer. Isso é inconcebível para o critério materialista de existência. Eis a dificuldade do despertar existencial.

Lamúria é uma estratégia de controle. Visa convencer o outro de que você é vítima e fazer com que o outro sinta pena de você.

Porque realidade é efeito. Efeito é desdobramento da causa. A causa da realidade é o arbítrio. Logo, não é a aleatoriedade. Aleatoriedade é o nome materialista e cientifico do vitimismo.

Você ama fácil ALGO. Vamos chamar esse algo de OBJETO do seu amor fácil. Você ama fácil esse OBJETO e é isso. Por que você ama fácil esse OBJETO? Qual o motivo? Você não sabe. Você sabe que ama fácil porque está amando, então, é obvio que você ama fácil. Só que você não sabe porque está experimentando esse amor. Você ignora o motivo. Nesse livro a 1ficina explica o motivo. Você ama fácil ALGO porque é bem, bom, caro ou vero para você. E mais! QUANDO é bem, bom, caro ou vero para você. Isso é o amor fácil. O oposto do fácil você odeia. O que você odeia é amor impossível.

Porque você tenta uniformizar seu amor fácil. Você ama estrogonofe, então, você quer que tudo tenha sabor de estrogonofe. Quer que seu marido tenha sabor de estrogonofe, que seus filhos tenham sabor de estrogonofe, que eu e todos os seres do universo tenham sabor de estrogonofe. Só que cada um tem seu próprio sabor. Mas você é cabeçuda, teimosa, impositiva e burra, então, está determinada a fazer com que todos os seres do universo satisfaçam suas expectativas. E como ninguém consegue ser diferente do que é, começa a treta. Se você for o única cabeçuda, teimosa, impositiva e burra do universo, a treta é pouco. Agora, imagina se cada um quiser que o outro tem o sabor do seu prato preferido? Imagina o tamanho da treta?

Você não cultiva o sofrimento, você cultiva a ignorância, que resulta em viver mal, que resulta em sofrimento.

Você quer ser aceito pelo outro, quer ser amado, então, você finge ser outro para ser aceito. Seus pais não te aceitam assim, então, você finge ser assado. Seus amigos não te aceitam redondo, então, você finge ser quadrado. O casamento não aceita a libido, então, você finge ser capado. A religião não te aceita egoísta, então, você finge ser abnegado. Cada fingimento que você executa é um tijolo a mais que você coloca nas costas. Você vive soterrado, mas não deixa ninguém relar em um tijolo sequer. São seus troféus. É o fruto da sua negação de si. Anos e anos aprimorando a competência subconsciente em ser outro. Você nem sabe mais ser você. Ser outro é tudo que lhe resta. Por isso você defende seu outroísmo apesar do sofrimento.

Porque não é do dia pra noite que você reprograma um hábito. Você pode pensar que seu outroísmo é um grande bloco de gelo, tipo um iceberg. Um bloco de gelo é feito de partículas de água. Analogamente, seu outroísmo é feito de partículas de outroísmo. Então, para “derreter” seu outroísmo, não basta derreter apenas uma partícula, é preciso derreter o iceberg inteiro, partícula por partícula, passo a passo

A prática da autociência é executada através da prática de autoobservação. A dificuldade em despertar a consciência ocorre devido a falta de prática em autoobservação. Tem uma pergunta na parte de perguntas e respostas do livro CIÊNCIA DO ÓBVIO que amplia um pouco mais o entendimento dessa dificuldade.

PERGUNTA: A qualidade da observação do céu depende da ferramenta mais apropriada. No caso da observação de si, qual é a ferramenta mais apropriada?

No caso da observação de si (autoobservação), não se trata de ferramenta mais APROPRIADA, se trata de ferramenta menos ATROFIADA. A qualidade da autoobservação depende do grau de lucidez do observador. Só que nunca ninguém te incentivou a desenvolver clareza de percepção e entendimento, ou seja, lucidez. Pelo contrário, todos seus educadores lhe ensinam a decorar e acreditar. Até porque, seus educadores também foram ensinados a decorar e acreditar. Mesmo na fase adulta, podendo mudar isso, você ainda permanece nesse tipo de educação porque é mais fácil decorar e acreditar do que observar e pensar. O resultado é que sua lucidez atrofia ao invés de se desenvolver.

Dito isso, acrescento que existem três tipos de autoobservação:

Autoobservação existencial
Autoobservação psicológica
Autoobservação pessoal

Cada uma tem sua dificuldade específica. Mas não adianta eu lhe falar das dificuldades específicas sem que antes você entenda o que é cada prática. Para entender, você pode ir até o site da 1FICINA e ler o livro CIÊNCIA DO ÓBVIO.

Sobre a outra parte da sua pergunta…

Despertar é de uma vez ou por camadas?

Despertar existencial é instantâneo, puf, despertou, acabou, pois não tem nada abaixo do ser (existência). A existência é o fundamento da experiência e não tem camadas de existência.

No caso do despertar psicológico, não são camadas, são mídias simultâneas, ou seja, sua natureza psicológica é multimídia. Você experimenta emoção, pensamento, sensações, desejo, valores, crenças, tudo ao mesmo tempo. Cada coisa é uma coisa, mas a experiência é simultanea. É como se você estivesse ouvindo dez músicas diferentes ao mesmo tempo. Vira uma confusão. Você confunde a música da emoção com a música do desejo, como a música do pensamento, com a música das sensações etc. Para você conseguir discernir uma música da outra é preciso bastante prática de autoobservação psicológica.

No caso do despertar pessoal, daí sim, são camadas, feito uma cebola. A prática do despertar pessoal é você descascando sua cebola. Você descasca uma camada e tem outra e outra e outra. A prática do despertar pessoal não acaba nunca. Você irá descascar cebola sua vida inteira. Mas não precisa chorar. Quanto mais descascar sua cebola, melhor será a qualidade do seu viver.

Porque não se constrói uma casa começando pelo telhado. Começamos pelo alicerce até chegarmos no telhado. Existência, vivência e convivência. A convivência é o telhado. A brincadeira de ser humano acontece mesmo é no telhado. É no telhado que o bicho pega. É no telhado que a coletividade humana está em chamas. Apagar o fogo do telhado humano é urgente para que os seres humanos não se autodestruam. Por isso tem trabalhos que pulam o alicerce e vão direto para o telhado. São trabalhos de pronto socorro. Trabalhos de bombeiro que visam apagar o fogo da má convivência. Tudo tem prós e contras. Ao meu ver, a opção de pular o existencial tem mais contras do que prós. Melhor do que ficar curando os feridos é acabar com a guerra. Por isso não pulo o alicerce existencial, mesmo que ninguém entenda.

Primeiro porque não é de entender, é de ficar consciente. Dito isso, um dos maiores obstáculos para o leitor com as explicações da 1ficina é a palavra VOCÊ. Quando eu falo VOCÊ, quando aparece a palavra VOCÊ nos textos da 1ficina, significa Você_Ser_Humano, só que você, leitor, lê Eu_Humano_Ser. Até cair essa ficha, demoooora! Tem instrutores que usam a palavra SER, ou mais comum ainda, usam a palavra ESPÍRITO. Só que é tiro no pé, pois usar qualquer palavra que não VOCÊ, para se referir a você, acaba terceirizando você. Por isso as pessoas acreditam que TEM um espírito. As vezes uso a palavra VOSER para fazer a diferenciação e ao mesmo tempo não criar a terceirização.

Fazer é apenas significante. Você faz uma casa. Objetivamente falando, é só isso que você fez, uma casa. Parede, porta, janela, telhado, etc. O que esse fazer significa? Daí não está no fazer em si, está na sua relação com esse fazer. Fazer uma casa pode estar EM acordo ou SEM acordo com sua unicidade. Esse acordo ou desacordo não diz respeito a fazer a casa, mas ao que essa opção (fazer a casa) representa para você. Se fazer a casa está em acordo, então, representa você realizando seu destino. Outra coisa, é que fazer é desdobramento do ser. Fazer é você (ser) se manifestando. Então, quando você está sendo você, seu fazer é você realizando seu destino, seja que fazer for. Esse entendimento liberta seu fazer para qualquer fazer disponível correspondente. Você não precisa fazer algo para o qual está destinado, basta você ser você e seu fazer, seja qual for, será você realizando seu destino: ser você.

Provavelmente porque você não quer perder. Ninguém quer perder, mas é preciso saber perder para viver bem, pois viver é perder. A todo instante você perde um punhado de coisas, neurônios, energia, o tempo que passou, etc. E ganha outras. Mas está sempre perdendo. O incômodo vem de não saber perder. Um sábio não se incomoda em perder um debate, o sábio se alegra, pois se perder é porque estava no equívoco e perdeu o equívoco, então, não perdeu, ganhou lucidez.

No livro Apocalip-se a 1ficina está explicando que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER. A 1ficina está lhe dizendo que você ignora o que você é. Você pensa que sabe. Mas não sabe. Você está equivocado. Só que o fato de você ler em um livro que você ignora o que você é, e que você está equivocado, não desperta sua consciência. Despertar da consciência não é fruto de leitura, nem de estudo: é fruto da prática da autociência. Você pode tatuar a frase “eu sou um ser humano e não um humano ser” no seu corpo e passar o dia inteiro lendo essa frase que não vai adiantar nada. Então, você é um HUMANO SER tentando entender o que é SER HUMANO. Esse é o problema. Você continua na lógica do HUMANO SER, que é a lógica materialista, lógica espaço-tempo. É IMPOSSÍVEL entender o que é ser humano na lógica do HUMANO SER, na lógica do espaço-tempo.

O maior não cabe dentro do menor. O android não está dentro do whatsapp, é o whatsapp que está dentro do android. Analogamente, o ser não está dentro do humano, é o humano que está dentro do ser. Então, é preciso sair da ilha para ver a ilha. Só que o iniciante não entende isso AINDA. O iniciante quer ver a ilha cavucando a ilha e enfiando a cabeça dentro do buraco. Os cientistas tentam sair da ilha cavucando a matéria. Os espiritualistas tentam sair da ilha passeando de unicórnio e imaginando que a realidade é o produto do pum verde da minhoca extraterrestre.

Nenhum desses dois caminhos resolve. O que resolve é a autociência. Ou seja, se sou EU que estou vendo a ilha, então, ao invés de investigar a ilha, vou investigar O QUE SOU EU. Essa investigação é a prática da autociência. E é essa investigação que deixa EVIDENTE que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER.

Nesse ciclo de estudos, vocês leem vários livros. Mas é como se vocês estivessem lendo um livro só com vários capítulos. Se eu fizesse esse ciclo de estudos sem responder pergunta nenhuma, do começo até o fim, e só abrisse para perguntas depois da leitura do último livro, muito provavelmente vocês não teriam pergunta nenhuma no final. É isso que aconteceu em todos os ciclos anteriores. Quanto mais se aproximava do fim, menos pergunta tinha. Mas se eu fizesse assim, teria prós, mas teria contras também. Por exemplo, perderíamos essa nossa interação diária que é tão rica. Então, mesmo que me dê muito mais trabalho conduzi-los assim como faço, prefiro assim.

Você que me diga, seu interesse é seu.

Porque uma das funções do estudo da sua natureza existencial é fazer você entrar em crise existencial. Quem não entra em crise existencial com esses estudos é porque não está entendendo nada, ainda está confundindo realidade com existência.

Por que você quer ser alguma COISA. Segundo o critério materialista de existência, se você não é ALGUMA COISA, mesmo que uma COISA espiritual, ou uma COISA transcendental, ou uma COISA quântica, ou uma COISA metafísica, etc, então, você não existe. E você sabe que existe. É óbvio. Mas você quer ser ALGUMA COISA. Você não quer ser nada. Só que sua existência é nada, que é a fábrica de todas as coisas.

Você quer ser culpado pelo bem-bom, mas não quer ser culpado pelo bem-mal. Você faz que nem o Homer Simpson: “Se a culpa é minha eu ponho em quem eu quiser”. Bode expiatório não falta. Pais, cônjuge, filhos, sociedade, governo, ets, lei de murphy, lei de darvin, mente, karma, vidas passadas, deus e o diabo. Esse seu jeito de viver chama-se omissão. É uma opção. E tem intenção positiva: resolver seu sofrimento. Só que não resolve. Pelo contrário, perpetua. Assumir a responsabilidade pela solução do próprio sofrimento é fundamental para resolvê-lo, pois assim como ninguém pode fazer xixi por você, ninguém pode resolver você por você.

Não se sinta burro de não entender as explicações da 1ficina sobre espaço-tempo (materialismo) e sobre existência. Ninguém entende enquanto não desperta. Nem os cientistas mais fudidos entendem. Não porque é difícil de entender. É simples e óbvio. Mas é impossível entender o espaço-tempo olhando para fora. Até Einstein cometeu esse equívoco. Até a física quântica, que tenta sair desse equívoco, reforça o equívoco. Então, relaxa com isso.

Muitas escolas de autoconhecimento pulam o estudo da natureza existencial do ser humano e vão direto para a natureza psicológica. “Já que ninguém entende essa porra, então, vamos pular!” essas escolas devem pensar. hehehe… Mas como tenho dito, não se constrói uma casa começando pelo telhado. A opção de estudar a natureza existencial do ser humano, como toda opção, tem prós e contras. O principal contra é explicar. Não é nada fácil explicar o que está mais perto do que perto. Mas como o lema da 1ficina é #problema_vem_nimim, a opção da 1ficina é explicar o inexplicável, pois apesar deste contra, o pró vale a pena: aniquilação total do vitimismo.

Teve uma época que também pensei em pular o estudo existencial. Sendo que os 1ficineiros não são cientistas, pensei assim: “Se nem os cientistas, que estudam o espaço tempo, entendem o que estão estudando, quem dirá pessoas que nunca nem pensaram no assunto!”. Mas daí pensei assim: “Se quem entende não explicar, quem irá explicar?”. O segundo pensamento me convenceu, e embora soubesse que estava comprando dor de cabeça, prossigo explicando.

Porque ninguém tem interesse que você seja você. Seu pai quer que você seja outro. Sua mãe quer que você seja outro. Sua esposa quer que você seja outro. Seu marido quer que você seja outro. Seus filhos querem que você seja outro. Seus amigos querem que você seja outro. Seus professores querem que você seja outro. A sociedade quer que você seja outro. O padre quer que você seja outro. E mais! Segundo a bíblia, até Deus quer que você seja outro. Ora, se o universo inteiro e até o criador do universo quer que você seja outro: quem é você para ser você? De onde vem essa arrogância suprema de cagar para as expectativas e o recalque alheio? Que egoísmo escancarado, fedido e mesquinho é esse de ser autêntico? É acreditando nessas certezas e duvidando de si que você opta pela uniformidade e vive sendo outro.

Porque experiência tem QUALIDADE. Uma experiência pode ser desejada ou indesejada, sintonizada ou dessintonizada. Você pode usar seu arbítrio para ir de uma qualidade para outra.

Viver não é sempre um mar de rosas. Viver é um pacote de viagem completo que contém tudo, tanto as partes boas como as partes ruins. Viver é mar que sobe e desce alternando dores e delícias. A mesma onda que te afunda na dor, assim que muda de fase, te eleva ao pico mais alto da felicidade, depois te afunda novamente e te eleva novamente. E assim por diante, num sobe e desce sem fim. Então, só um jeito de evitar a dor: não vivendo. É isso que você faz. Você se proíbe de viver. É uma delícia passear ao ar livre sentindo a brisa, mas você pode pegar um resfriado. É uma delícia sentir o aroma das rosas, mas você pode se furar com os espinhos. É uma delícia brincar com o mágico, a trapezista, a bailarina, o domador de leões e todos os integrantes do circo humano, mas eles podem te fazer de palhaço. Viver é perigoso. Melhor não viver para não arriscar sentir dor. E como faz para não viver? Você pensa em duas opções. Opção A: sair da brincadeira (suicídio). Opção B: fazer igual os três porquinhos, construir uma casa bem forte, impermeável e morar dentro dela para não ser comido pela dor do infortúnio, da rejeição, da frustração, da decepção, etc. Você se encolhe e vive entocado feito tartaruga. Ao fazer isso, além de não ganhar da dor, você ainda perde a alegria de viver. Por isso volta a pensar na opção A. Mas tem também a opção C, que você nunca considera: se permitir sentir dor. O benefício da opção C é finalmente conseguir realizar o motivo de ter nascido: viver.

Dei o nome de Romeu para seu marido para facilitar responder. A resposta é simples! Você permanece casada com Romeu porque opta por permanecer casada com Romeu. Ninguém te obriga a permanecer. Nada lhe impede de mudar de opção. Todo dia você acorda e continua casada com Romeu porque todo dia você diz sim para Romeu, igual você disse no dia do seu casamento. No momento em que você decidir dizer não para Romeu, pronto, será o fim do seu casamento com Romeu.

Entendido isso, você pode me perguntar: E por que eu opto por continuar casada com Romeu?

Eu lhe pergunto: Quem opta por permanecer casada com Romeu?

Você responde: Sou eu que opto.

Eu lhe pergunto: Então, por que está perguntando o motivo para mim?

Entende? Eu não sei o que acontece dentro de você. Certamente você tem um motivo para optar por continuar casada com Romeu. Porém, só você tem acesso a você, então, só você pode saber o motivo. E se quiser saber, se pergunte: por que opto por permanecer casada com Romeu? Encare a resposta, seja qual for. Uma vez que você descobrir o motivo, você pode avaliar se é um bom motivo se perguntando exatamente isso: esse motivo é um bom motivo para permanecer casada com Romeu? Se você continuará casada com Romeu depois disso, não sei, você decidirá, mas você ficará mais consciente do motivo de permanecer casada e isso lhe ajudará a optar melhor.

Ser não morre porque não nasce. O que não nasce, não morre. Voser (você-ser) não nasce, logo, não morre. Voser (você-ser) existe. Existência existe.

Ser não tem começo?

Começo é tempo. Voser (você-ser) cria o tempo e o espaço. O que cria o tempo e o espaço não está no tempo e no espaço, cria o tempo e o espaço.

Porque ao mesmo tempo que você tem experiência DE objeto (significante) você tem também experiência COM o objeto (significado). São duas mídias diferentes da mesma experiência, mas você experimenta como se fosse uma só, assim como num filme tem a mídia do áudio e a mídia do vídeo, mas você experimentando como se fosse uma só, o filme.

Porque não somos todos um, somos todos uns. Não é a mesma coisa, são as mesmas coisas. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Eu sou outro você. Você é outro eu. Mas eu não sou você, nem você sou eu. Eu sou eu e você é você. A luz de uma estrela é luz, igual a luz de outra estrela, mas a luz de uma estrela é a luz de uma estrela e não de outra. Um dedo é a mão, outro dedo é a mão, os cinco dedos são a mesma mão, mas retirado os dedos, que mão tem? Universo não é unidade, é UNImultiplicidade. Coexistimos e convivemos, mas isso não significa que somos todos um, significa que somos uns, pois como poderia haver coexistência e convivência sem alteridade?

Porque você é UM. Ou seja, você é singular, único, sui generis, diferente de todos os outros. Então, o jeito de viver que serve para você, serve SÓ PARA VOCÊ, exclusivamente para você e para mais ninguém. O jeito de viver que serve para você é errado para todos os outros seres do universo. E vice versa.

Só que os outros estão sempre te dizendo o que é certo. Seus pais te dizem o que é certo. Seus familiares te dizem o que é certo. Seus amigos te dizem o que é certo. Seus professores te dizem o que é certo. O comercial da coca cola te diz o que é certo. A revista caras te diz o que é certo. Enfim, tudo e todos te dizem o que é certo. E como você acredita que o que lhe dizem é CERTO, você vive tentando acertar e não entende porque vive mal. Ora, você vive mal porque quer ACERTAR, ou seja, quer viver do jeito que o outro diz que é certo para você. Só que o jeito que o outro diz que é certo para você, não é, pois o outro não tem como saber o que é melhor para você. Por isso que o caminho que leva você até você é o caminho errado. Errado “aos olhos dos outros” que acreditam que sabem o que é melhor para você.

Por isso quando você vem me pedir conselhos eu não dou. Primeiro porque sou consciente da minha ABSOLUTA INCOMPETÊNCIA em saber o que é melhor para você. Depois, porque não tenho interesse nenhum em incentivar sua DOENÇA, muito pelo contrário. Você me pede conselhos porque quer saber o CERTO. Quer que eu te dê uma receita de bolo de caixinha para que você possa imitar a receita e seguir pelo caminho certo. Mas se você me imitar, você não estará sendo você mesmo, estará sendo um clone do Ferrari. Quer me imitar, no sentido de assumir a própria unicidade e viver bem? A receita é essa: ERRE. É isso que faço.

Para esclarecer o equívoco de considerar apenas a racionalidade como razão. Como você pode perceber ao ler o livro, cada unicidade tem sua lógica, sua razão. A racionalidade é apenas uma das razões humanas e não a única. Esse equívoco precisava ser esclarecido.

Fazendo psicoanálise, comigo e com outras pessoas, descobri que a personificação é o melhor processo para conscientização. Nomear já produz conscientização, personificar produz muito mais. As lógicas de cada unicidade são abstratas. Abstração dificulta a conscientização, personificação facilita. Os mitos, ritos, arquétipos e simbolismos são exemplo disso. Durante uma psicoanálise uso sempre a personificação para dar corpo concreto ao abstrato. A 1ficina fez o mesmo com esse livro e pelo mesmo motivo.

Por causa da representatividade do masculino e do feminino. Masculino (homem) é popularmente associado à racionalidade e feminino (mulher) é popularmente associado à afetividade.

A finalidade da prática da autociência não é APRENDER o que é ser humano, é DESPERTAR para o ser humano que você é. O benefício de despertar para o que é ser humano é o mesmo benefício de descobrir como funciona o whatsapp, como funciona um liquidificador ou como funciona uma escova de dentes.

Para você poder identificar onde está seu outroísmo, se é um outroísmo racional, ou afetivo, ou sensorial, ou físico.

PERGUNTA: Se estou consciente das quatro dimensões humanas consigo fazer a autoanálise mais rápido?

Também. Mas principalmente, com maior eficiência

Antes de responder sua pergunta vou fazer uma troca de palavras. Onde você usou o termo “minha mente” vou substituir por “meu raciocínio”. Feito isso, você não consegue entender o que esse livro explica porque esse livro está explicando que você é nada e seu raciocínio é parte integrante do tudo.

Pensar não é saber (raciocinar não é saber). Pensar é processar informação, feito um computador. Quando você pensa algo, se você não fosse autoconsciente, você sequer saberia que pensou. Você sabe o que está pensando porque sabe que está pensando. Isso é tão óbvio que você não percebe. Você confunde pensar com saber e acredita que pensar é saber. Não é! Um computador pensa (processa informação) mas não sabe que pensa, pois não tem consciência do próprio pensamento.

É ai que começa o problema do raciocínio com a consciência e com a existência. Saber é inegável. Você sabe que sabe. Só que você não consegue explicar como sabe, nem porque sabe. Você apenas é consciente de que é consciente e é isso! É óbvio que você sabe! É inegável! Mas é só isso! O raciocínio não tem como processar nada sobre o saber, pois o raciocínio é o sabido (objeto do saber).

Ou seja, saber é irracional (irracionalizável). Não tem como entender o saber. Não tem lógica. Você simplesmente sabe e pronto! E não há nada que você possa fazer para evitar isso. Por isso que saber é inconcebível embora inegável, pois é o saber que sabe do raciocínio, não o oposto. Por isso que sua existência também é inconcebível embora inegável, pois você sabe que existe e não pensa que existe.

É inconcebível para a racionalidade que a realidade (que inclui a racionalidade) existe “dentro do saber”. Por isso que os cientistas estudam a realidade através do estudo da matéria. Por isso também que o caminho para o autoconhecimento não é a ciência, mas a AUTOciência, feita através da autoobservação (saber de si).

Seres humanos pisam uns nos outros para se sentirem por cima. Ironia e tiração de sarro servem para isso. Xingamento também. Maledicência e injúria também. A estratégia muda, mas o objetivo é sempre o mesmo: ficar por cima. E funciona. Principalmente entre aqueles que temem serem pisados também ou que querem pegar carona na subida. Só que pisar nos outros não produz boa convivência, produz mágoa e sentimento de vingança. Além do que, depois de esmagar todas as cabeças para chegar no topo da pirâmide, o que você descobre é que o vencedor está só. Vale a pena viver assim? O que está feito, feito está. A merda não volta para o cu. O que você pode fazer é usar as cagadas do passado como adubo para melhores opções. Você pode trocar os pés pelas mãos dadas. Que tal?

Porque é assim que funciona quando você está sendo humano. Se você estivesse sendo uma abelha, ou sendo uma pedra, por exemplo, estaria experimentando diferente.

É para colocar a obra na frente do autor. Se uso meu nome, o foco fica em mim, na minha pessoa, se digo 1ficina, o foco fica na explicação e não no explicador. O importante na 1ficina é prestar o serviço, ajudar no despertar da consciência e não idolatrar o funcionário que está prestando o serviço. Além disso, é um trabalho coletivo, todos que participam estão produzindo o trabalho, você inclusive.

Você é um ser humano. Todo ser humano é livre para definir o que quiser do jeito que quiser. Então, você não precisa pedir minha autorização para fazer suas definições, apenas as faça. No livro Apocalip-se, estou definindo viver e vida, assim:

Viver = Eurekatividade (atividade de autoconhecimento).
Vida = equivoco de acreditar que viver é outra coisa senão uma eurekatividade.

Faz parte. O EGO é o transformador de INput em OUTput. Só que o EGO não é humano, o EGO é apenas o transformador. Todos os seres são uma UNItrindade e tem o aspecto EGO. Para brincar de uma modalidade de criação de realidade você deve instalar no seu EGO a modalidade que deseja brincar. Por exemplo, se você quiser brincar de criar realidade de SAMAMBAIA, vc deve instalar o programa NATUREZA VEGETAL no seu EGO. Atualmente você está brincando de criar realidade humana porque instalou o programa NATUREZA HUMANA no seu EGO.

Deus inconsciente = você acreditando que o criador da sua realidade é outro, que não é você.
Deus consciente = você consciente que o criador da sua realidade é você, que não é outro.

Suponho que você não considere a palavra “brincadeira” uma boa palavra para descrever a experiência de ser humano uma vez que envolve sofrimento. Mas é uma brincadeira sim, apenas é uma brincadeira que envolve sofrimento. E toda brincadeira envolve sofrimento de alguma forma. Afinal, como você poderia saber o que é felicidade sem saber o que é ausência de felicidade, ou seja, sofrimento?

Ninguém escolhe brincar de sofrer.

Exatamente! Eis a função do sofrimento na brincadeira de ser humano.

Não entendi. Pode esclarecer?

Você não escolhe sofrer, mas está sofrendo. Por que está sofrendo?

Não sei. Se soubesse, resolvia meu sofrimento.

Exato! Sofrimento é febre. A febre deixa evidente que você está doente. O sofrimento deixa evidente que você não sabe brincar de ser humano, caso contrário, resolvia seu sofrimento.

Ficar consciente que lugar é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que seu corpo é experiência de fisicalidade. Ficar consciente de que seu corpo deslocando pelos lugares é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que o ato de experimentar não é uma experiência. Ficar consciente que o ato de experimentar seu corpo deslocando pelos lugares não sai do lugar.

Humano Ser é o que você acredita ser. Ser Humano é o que você é.

Violência física é violar a unicidade física do outro. Você tenta forçar um BEM para o outro, mas o seu BEM resulta em um MAL. Ex: Você me obriga a beber suco de laranja. Vai me fazer MAL. Coisa ácida faz MAL para mim. Violência sensorial é violar a unicidade sensorial do outro. Você tenta forçar um BOM para o outro, mas o seu BOM resulta em um RUIM. Ex: Você me obriga a escutar funk. Vai ser RUIM. Ouvir funk é um desprazer para mim. O suco de laranja é prazeroso, mas a acidez me faz mal. Percebe que uma mesma interferência pode ser violenta em uma dimensão e não em outra? Não é fácil ser quaternário.

As duas disciplinas acadêmicas mais próximas da autociência são a filosofia e a psicologia.

Ótima pergunta! Quase 7 anos de 1ficina e nunca ninguém me fez essa simples pergunta. A evidência é o arbítrio. Realidade não é arbitraria, é arbitrada. Sua experiência atual (humana) é como toda e qualquer realidade que você experimenta: produto do seu arbítrio.

Entendido isso, sua pergunta contém um equívoco. Vou explica-lo.

Você não OPTOU ser humano.
OPTOU – verbo no passado.

Você ESTÁ OPTANDO ser humano.
OPTANDO – verbo no gerúndio, ou presente contínuo, como se diz em inglês.

Esse é o equívoco da gênese materialista, que é tão incentivado pela bíblia cristã e também pela teoria do big-bang. No texto bíblico esse equívoco começa assim: “No princípio era o verbo…. e todas as coisas foram feitas…” Observe: “No princípio”, então criação já foi, já aconteceu, no passado. “Era o verbo”, então criação já era, já foi, no passado. “Foram feitas”, então já foi feito, no passado. Exatamente o mesmo equívoco ocorre com a teoria do Big-Bang. Teve uma explosão, tudo FOI criado no passado e pronto. Percebe? Essa gênese é morta. Essa gênese mora no passado. Gênese é criação. Criação é viva. Gênese é o verbo no presente contínuo (gerúndio). Gênese é agora, agora, agora, agora… Gênese é TIC TAC. Então…

Você não OPTOU por ser humano (verbo no passado). Isso é um equívoco. Você ESTÁ OPTANDO ser humano (verbo no gerúndio).

A prova disso é que você está sendo humano.

Primeiro é preciso entender que importância e benefício nunca é da coisa ou atividade em si. Uma coisa ou atividade pode ser importante e benéfica para você e desimportante e maléfica para o outro. Comer açúcar, por exemplo, é benéfico para um atleta e maléfico para um diabético. Estudar anatomia é importante para um médico e desimportante para um arquiteto. E assim por diante. Importância e benefício é particular. Além de particular é circunstancial, como tudo na vida. Mas não vou entrar nessa questão agora, fica apenas o apontamento.

Dito isso, eu divido a arte em três fases. É uma pedagogia de entendimento minha. Uso comigo. Me ajuda a evitar rotineiros conflitos que acontecem nas conversas sobre esse tema. Vou explicar quais são as três fases da arte e falar um pouco de cada uma. Espero com isso responder sua pergunta.

FASE UM: PRODUÇÃO ARTÍSTICA

A fase um da arte é exclusividade do artista. Por exemplo, quando um compositor está sozinho no quarto compondo uma canção, ele está executando a fase um. Mas não precisa ser um grande profissional para executar a fase um. Quando uma criança está desenhando em uma folha de papel sulfite com lápis de cor, ela também está executando a fase um.

Produzir arte é terapêutico porque a obra espelha o autor. Minha mãe, por exemplo, quando escuta uma música minha ou lê algum dos meus poemas, é capaz de dizer a que parte da minha história aquela música ou poema se refere. Ela é capaz de fazer isso porque conhece o autor e a obra espelha o autor. Todo verdadeiro artista sabe disso e usa sua produção artística como divã, como terapia, como processo de autoconhecimento.

FASE DOIS: EXPOSIÇÃO DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA.

A fase dois não envolve necessariamente o produtor da obra artística. Alguns produtores são expositores também. Mas o produtor artístico pode simplesmente ficar só na fase um e terceirizar a fase dois. Quando um escritor entrega uma peça de teatro para o diretor, por exemplo, é isso que ele está fazendo, terceirizando a fase dois. Quando um compositor entrega sua composição para um intérprete ou um maestro, também. A maioria dos músicos e atores são artistas de fase dois, eles não produzem a obra artística, eles a expoem.

Expor uma obra artística pode ser muito terapêutico também, pois para dar vida a obra, o artista expositor incorpora e vivencia em si um tema de auto análise proposto e iniciado pelo autor da obra que ele está expondo. O mundo artístico é cheio de grandes artistas expositores. Cantores, músicos, atores, etc. Muitos relatam o aspecto terapêutico da exposição artística.

FASE TRÊS: CONSUMO DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA

A fase três da arte é a que todos executam de uma forma ou de outra, em maior ou menor intensidade. Na fase três, você não precisa ser nem produtor, nem executor, basta ser humano. Quando você liga o rádio para ouvir música, você está executando a fase três. Quando você liga a televisão para assistir um filme, você também está executando a fase três. Críticos de arte são consumidores especializados na execução da fase três.

Consumir uma obra artística pode ser muito terapêutico também, pelo mesmo motivo da fase dois. Ao consumir uma obra artística você também incorpora e vivencia em si um tema de auto análise proposto e iniciado pelo autor da obra.

Entendida as três fases, fica fácil de perceber que a arte, seja na fase um, dois ou três, proporciona efeito terapêutico em quem a está executando. Eu executo as três fases e recomendo a execução das três. Para mim as três são importantes e benéficas.

A lógica da explicação existencial é a lógica existencial. Só que a lógica existencial é uma lógica atemporal e adimensional. Então, não tente entender a lógica maior pela lógica menor. Não tente encaixar o atemporal e adimensional dentro do temporal e dimensional. Isso é impossível. Faça o oposto. Perceba que a lógica do materialismo está contida na lógica existencial, perceba que temporalidade e dimensionalidade é produto da existência. Percebido isso, problema resolvido.

Acho muito complexo a lógica existencial.

Pelo contrário, simples lógica de causa e efeito.

Tenho dificuldade de pensar nisso.

Pensar não é saber. Desperte para isso. Problema resolvido.

O outroísmo mais difícil de curar é o próprio. Até porque não tem outro para você curar.

Meio termo, em si, não tem problema. O problema é obrigação de chegar a um meio termo. Eu e você estamos numa convivência, discordamos, daí você vem rezando o sermão da montanha de que TEM QUE chegar num meio termo. E se eu não quiser meio termo? Percebe? TEM QUE ter meio termo é uma cagação de regra DISFARÇADA de democracia. Não é democracia de fato.

Absolutamente nenhum. O problema é você, não são as crenças. Crenças são apenas crenças. Crenças são fundamentais para experiência humana. Sem crenças é impossível brincar de ser humano. O problema é quando você acredita em crenças que não foram produzidas a partir da sua própria experiência. E você faz isso o tempo todo no automático. Isso lhe impede de viver bem. Por exemplo, vamos supor que você quer ter um companheiro, tipo um marido ou namorado, mas você acredita que homem não presta. De onde vem essa crença? Sua bisavó foi uma escrava em 1900 que sofreu com os homens, daí criou essa crença e passou para sua avó, que passou para sua mãe, que passou para você. E aí está você, vivendo sozinha porque acredita numa crença herdada da sua mãe, que nem dela era.

Essa confusão faz surgir em você sua primeira doença psicológica. Uma doença com a qual você irá lutar até a morte.

PERGUNTA: Que doença é essa?

A vida.

PERGUNTA: A vida é uma doença?

Sim, claro! A vida é a doença do envelhecimento. E não tem cura.

Nenhum. Realidade objetiva é apenas experiência sensorial, experiência DE objeto, não tem valor nenhum em si, não tem significado nenhum, é apenas significante.

Quando digo que não existe vida, não estou usando meu entendimento, pois para mim, não existe vida. Então, como vou dizer o que não é. Entende? Por exemplo, se digo que não existe bicho papão e você me pergunta o que é bicho papão, não tenho como te dizer o que é bicho papão, pois bicho papão não é, não existe. Só que se você ACREDITA que bicho papão existe e lhe digo que bicho papão não existe, o que estou dizendo é que sua crença é exatamente isso: uma crença. Ou seja, bicho papão não é um fato (existência) é uma ideia na sua cabeça. O mesmo com vida. De fato, o que existe é viver. Não existe vida. Só que você ACREDITA que existe vida, assim como uma criança acredita que existe bicho papão. Então, ao dizer que não existe vida, estou dizendo que isso que você acredita que existe de fato, não é um fato, é uma crença.

Só tem duas maneiras de viver. Você pode: A) viver BEM ou B) viver MAL. Para viver BEM é preciso despertar para o que é ser humano. Para viver MAL, ignorância serve.

Em última análise, você sempre foge da mesma coisa, do sofrimento. Mas como o sofrimento é feito fome, que quanto mais você ignora mais aumenta, quanto mais você foge mais você sofre e assim por diante. Por isso é difícil resolver o sofrimento embora baste você decidir parar de fugir. As vezes me chamam de mestre. Entendo porque. Mas é um equívoco. Só existe um mestre no universo: o sofrimento. E o sofrimento é infalível no ensino de criar história feliz. Então, nossa aprendizagem é inevitável. Podemos adiar. Podemos e adiamos, adiamos, adiamos… Porém, quanto mais adiamos mais forte fica o sofrimento, então, mais poderosa está sendo a lição.

Pergunta clássica sobre o sofrimento:

__Estou sofrendo! Como resolvo isso?
__Sofrendo!

Vou te chamar de Mario Bros para facilitar responder.

Você está fazendo duas suposições. A primeira suposição é que a morte do corpo é a morte do Mario Bros, ou seja, morte da sua pessoa. A segunda suposição é que a morte de Mario Bros é o fim da brincadeira de ser humano. Suas suposições podem estar corretas, mas também podem estar equivocadas. A morte do Mario Bros pode ser uma mudança de fase na brincadeira de ser humano, igual um videogame, e não o fim da brincadeira.

No mundo tem pessoas que acreditam e defendem a suposição de que a morte é uma mudança de fase e tem pessoas que acreditam e defendem que é o fim da brincadeira. Só que o próprio fato de acreditarem e defenderem deixa evidente que não sabem do que estão falando, pois ninguém precisa acreditar em um fato, muito menos defender um fato. Acreditar e defender é para teorias, hipóteses e suposições. Então, para você (Mario Bros) saber o que acontece de fato, só tem um jeito: morrendo. E você (Mario Bros) vai morrer. Então, para que se preocupar com isso agora? Se for uma mudança de fase, você descobrirá inevitavelmente, e se for o fim da brincadeira, não haverá Mario Bros para saber que acabou.

Dito isso, dizer “o ser” é um equívoco. Ao dizer “o ser” você terceiriza a si mesmo. Você não tem um ser, você é um ser. O melhor para se referir a sua existência sem terceirização, é dizer: “eu ser”. Fazendo essa troca de palavras sua pergunta fica assim: “Eu-ser me torno nada?”.

Não! Você-ser já é nada, sempre foi e sempre será. Transformação diz respeito ao que tem forma e tempo. A água se torna vapor. A semente se torna árvore. A lagarta se torna borboleta. Existência é a fábrica da forma e do tempo, logo, não tem forma nem tempo. Existência é adimensional e atemporal. Você-ser é uma fração infinitesimal de existência, logo, você-ser é adimensional e atemporal. Ou seja, você-ser é 1 nada. Já é. Sempre foi. Sempre será.

Só que isso que estou explicando, para você, é só uma explicação. E assim como a explicação do que é um pão não mata sua fome, a explicação do que você-ser é não te faz consciente de si. Para ficar consciente de que você é nada, adimensional, atemporal, você deve praticar autoobservação existencial, que basicamente consiste em responder a seguinte pergunta: o que é existir?

Nada é existência?

Sim, são duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa.

Existência tem consciência?

Não! Existência é consciência.

Existência tem desejo?

Não! Existência é desejo.

Você-ser é uma UNItrindade. Ou seja, você-ser é um com três aspectos: existência, potência (desejo) e consciência. Por isso que existência é consciência e desejo, não são três coisas distintas, são três aspectos do que você é.

Quando alguém interfere no meu arbítrio…

Isso é impossível. Se fosse possível não era seu arbítrio era de quem executasse primeiro. Arbítrio é feito mouse de computador. Vc está usando o seu. Eu estou usando o meu. Cada um no seu arbítrio. A interferência é na realidade. Você está lendo minha mensagem nesse momento porque usei meu arbítrio para interferir na sua realidade. Arbítrio é particular e ninguém tem acesso ao do outro.

Então, refraseando sua pergunta…

PERGUNTA: Quando o outro interfere na minha realidade para me convencer das ideias dele, mesmo com a minha aceitação, isso é violência?

Se o outro está tentando violar sua unicidade racional, sim. Essa é a definição de violência. Só que o outro não tem acesso a sua unicidade racional, então ele não sabe que está violentando você. Muito provavelmente acredita que está fazendo um bem, tal quando as mães obrigam os filhos a isso e aquilo, convictas de que estão fazendo uma coisa boa. Por fim, se você discorda das ideias do outro, mas decide viver em acordo com elas, daí você está se submetendo racionalmente, está sendo outroísta submisso racional.

Você não PRECISA ficar consciente nunca. Não é uma obrigação. E nem consegue ficar por muito tempo. Tente ficar consciente da sua respiração por cinco minutos, por exemplo. Se você conseguir um minuto, é recordista mundial. E consciente de si você sempre está em algum nível. Então, você DEVE ficar MAIS consciente de si quando é necessário. Quando não é necessário, necessário não é. E quando é necessário? É necessário quando você está vivendo mal. Por que é necessário quando você está vivendo mal? Porque você só vive mal quando está ignorante, quando você está consciente, você vive bem. Então, para sair do mal viver e entrar no bem viver, você deve ficar consciente do que está sendo ignorado e que, por estar sendo ignorado, está resultando em viver mal. Para fazer isso você deve praticar autoobservação e autoanálise tendo como objeto de estudo o mal viver que está experimentando. Eis quando é fundamental ficar super consciente, no nível mais alto possível.

Me refiro ao outro em todos seus três aspectos: existencial, humano e pessoal. Você nunca tem, nunca teve e nunca terá acesso ao outro de forma alguma. Você é você porque não é o outro, porque não tem acesso ao outro. Só cada um sabe de si, tanto existencialmente, como humanamente e pessoalmente. Porém, quando eu desperto para minha existência, o que fica óbvio para mim é o mesmo que fica óbvio para qualquer outro ser do universo: que eu existo. Então, é como se eu tivesse acesso a você (outro). Por isso posso lhe falar sobre o que você irá descobrir quando despertar existencialmente. E quando desperto para minha humanidade, o que fica óbvio para mim é o mesmo que fica óbvio para qualquer ser humano: que sou humano. Então, é como se eu tivesse acesso a você também. Por isso também posso lhe falar sobre o que você irá descobrir quando despertar psicologicamente. Mas quando desperto pessoalmente, o que fica óbvio para mim é justamente meu diferencial, por isso só serve pra mim.

Sim, exatamente. O sofrimento (emoção desagradável) é a porta que leva a causa do mal viver. Quando faço egofonia com vocês, é como se eu entrasse dentro do Quatrix de vocês para investigar o outroísmo de vocês. Como tenho mais prática em análise quaternária do que vocês, eu vejo o que está acontecendo dentro de vocês melhor do que vocês. Mas como entro em vocês através do que me contam, e muitas vezes vocês omitem e distorcem o que tem dentro de vocês, mesmo com prática, minha análise fica falha ou equivocada.

Não tem um evento específico. Mas o motivo veio da impossibilidade de viver sem sofrimento e da falta de lógica dessa impossibilidade. Ou seja, o sofrimento simplesmente não fazia sentido, só servia para infernizar a vida. Mas tudo tem uma função. Isso era e é óbvio pra mim. Então, o sofrimento não poderia ser exceção, o sofrimento também deveria ter uma função. Essa inquietude de entendimento, que em si também é um sofrimento, me levou ao estudo da função do sofrimento. Sem saber, só por estar estudando a função do sofrimento em mim, já estava me tornando aluno do sofrimento. Me debrucei sobre meu sofrimento com todas as perguntas que tinha. O que é sofrimento? Como acontece? Porque acontece? Pra que acontece? Onde acontece? Porque sofro com isso e não com aquilo? Porque fulano sofre com isso e eu não sofro? Enfim, estudei a função do sofrimento como se fosse o aluno mais CDF dessa matéria. No final deste estudo me dei conta do óbvio: o sofrimento é o mestre.

Autoísmo é uma prática. Prático desde que nasci.

Não existe criança. Você não é um HUMANO SER, você é um SER HUMANO. O que existe é um ser brincando de ser humano, numa fase da brincadeira que chamamos de infância. O que acontece com essa criança a que você está se referindo é exatamente o mesmo que acontece com você. Você opta por brincar de ser humano, mas você não tem ideia do que irá experimentar nessa brincadeira, assim como quando você compra um disco que você nunca ouviu antes. Você compra para ouvir, para descobrir que musica tem ali. Então, sua opção é só essa: sim vou entrar nessa brincadeira de ser humano só pra descobrir do que se trata. Daí você entra. Mal chega o médico já te lasca um tapa na bunda. No dia seguinte você sente uma puta dor de barriga. Creeeeedo! O que tá acontecendo? É vontade de cagar, mas você nunca cagou antes, não sabe o que é ser humano. E assim você vai descobrindo o que é ser humano. Pode ser que você ganhe na loteria e pode ser também que você seja estuprada, faz parte das possibilidades da brincadeira. Seja qual for sua experiência na brincadeira, é sempre EFEITO da sua opção de estar brincando. Ninguém te obrigou a brincar de ser humano, nem tem esse poder. Você está brincando por opção sua. O mesmo com todos os seres humanos, o que inclui o ser humano que você está chamando de criança.

Despertar existencial não é um processo, é instantâneo. É como acordar de um sonho. Num instante você está sonhando, no outro não está mais, você despertou. No caso do despertar existencial, num instante você acredita que é um humano-ser no outro você percebe que é um ser humano, num instante você acredita que a realidade é feita de matéria e no outro você percebe que é feita de experiência de materialidade, num instante você acredita que a realidade é externa e no outro você percebe que é imanente. Essa transição consciencial é papum, é um click. A dificuldade em fazer o despertar existencial acontecer vem da falta de prática em autociência. Isso é a dificuldade antes. Uma vez que você desperta, surge uma dificuldade em lidar com o “sentido da vida”. Perceber que tudo é apenas uma experiência, abala seu sistema de crenças materialistas sobre a vida. Mas como você não tem outra opção senão existir, e agora você está consciente disso, só lhe resta duas opções: existir bem ou existir mal. Para existir bem, você precisa entender o que é existir mal. E só tem um jeito de você descobrir, praticando autociência. Você segue praticando autociência e a vida volta a fazer sentido, um outro sentido, mas volta.

PERGUNTA: Mas tem um processo para dar esse click, certo?

Sim, a água a 100 graus entra em ebulição imediatamente, mas não chega a 100 graus imediatamente. Por isso estamos aqui, estudando e praticando autociência. Quanto mais você praticar autociência, mais está se aproximando do seu ponto de ebulição.

Um índio é um ser humano do mesmo tipo que você. Não tem dois tipos de seres humanos, só tem um. Você é um ser humano fulano. Você-ser existe igual a todos os seres do universo. Você-humano possui uma natureza humana igual a todos os seres humanos. Você-fulano, daí sim, pode ser dividido em diferentes tipos. Por exemplo, você é um fulano brasileiro, casado, advogado, com ensino superior completo, etc. Outro é um fulano índio, guerreiro, cacique, com três penas amarelas no cocar, etc. Ou seja, a diferença tipológica entre você (ser humano fulano A) e um índio (ser humano fulano B), é cultural. Você é um ser humano cheio de cultura do tipo A e o índio é um ser humano cheio de cultura do tipo B.

Eles nem sabem que são índios.

Ainda bem, né? Você também não sabia que se chamava Fulano até seus pais lhe darem um nome. Ou foi você que escolheu seu nome? Você nasceu e disse: “Olá, meu nome é fulano, eu sou brasileiro, meu RG é 123456789, meu CPF é 987654321, sou advogado e torcedor do palmeiras, que a propósito, não tem mundial”. Creio que não, né? Mas aproveito sua observação. Ela me fez lembrar de uma história bem ilustrativa da época da colonização do Brasil. Os portugueses chegaram no Brasil e ficaram espantados que os índios não usavam terno e gravata, que eles andavam pelados. Então, escreveram uma carta para o Rei de portugal: “Prezado Rei, envie urgentemente padres para evangelizar os índios brasileiros, pois eles andam pelados e não sabem o que é pecado.” Mais uma vez: ainda bem, né?

Podemos ver os índios como seres animais e vegetais?

Você é livre para colocar o rótulo que quiser no outro, assim como seus pais fizeram com você ao te darem um nome. Dito isso, sua pergunta é interessante, pois leva a outra: o que um ser humano tem que o faz humano e o difere dos animais e vegetais? A resposta é consciente, raciocínio e arbítrio. Um índio tem consciente, raciocínio e arbítrio, então, é um ser humano igual você. Como expliquei acima, a diferença é que você foi educado em um tipo de cultura e o índio em outra.

Ou seja, índios são cem por cento autoístas?

Autoísmo é sua opção individual por viver em acordo com sua unicidade, não é uma aprendizagem cultural. A cultura é justamente uma proposta de uniformidade. Todo mundo assim, todo mundo assado. E não importa se é uma cultura civilizada ou indígena, é uma proposta de uniformidade do mesmo jeito. Então, do mesmo jeito que você, que vive em uma cultura civilizada, só vive de forma autoísta por opção e não por aprendizagem cultural, o mesmo com um índio em uma cultura indígena.

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seus pais.

Quer dizer então que não amo meus filhos?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seus filhos.

Quer dizer então que não amo meu cachorro?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seu cachorro.

Quer dizer então que eu não amo porra nenhuma?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama essa porra.

Não! Tudo que você faz é você optando, arbitrando, usando sua natureza humana. Mas seu arbítrio só pode ser exercido dentro das possibilidade da interface humana, assim como tudo que você pode postar no whatsapp é só dentro das possibilidades do whatsapp.

Nem eu, nem você, nem ninguém ou coisa alguma. Só que eu sei disso e você ignora.

Como faço para saber também?

Apocalip-se!

Exatamente! Igual na metáfora do cinema. O projetor está permanentemente criando o filme, por isso o filme na tela é impermanente, dinâmico, vivo. O mesmo está acontecendo com isso que você chama de realidade. Você é o projetor e o filme é a realidade que você está experimentando, por isso sua realidade é impermanente, dinâmica, viva. Caso contrário, você passaria a eternidade assistindo uma fotografia.

Não são coisas interligadas, são mídias simultâneas. Coisa é dimensão, mídia é experiência. É fundamental entender o que é mídia para ficar claro quais são as mídias da realidade. Não é a toa que o livro se chama Realidade Multimídia, se fosse coisa, se chamaria Realidade Multicoisa. Mídia não é coisa. Mídia é tipo de experiência.

É mais do que isso! Você é a realidade que está experimentando. A separação entre experimentador e experimentado é apenas pedagógica para fins de estudos.

Sim, esse é um termo filosófico. Optei por usar o termo “realidade simulada” ao invés de “realidade subjetiva” por alguns motivos. Um deles é que a realidade objetiva também é subjetiva. Outro motivo é que o termo “subjetivo” não colabora com a indicação de que imaginação é simulação da realidade objetiva.

Realidade significativa também é subjetiva?

Realidade é subjetiva. Ponto. Não existe realidade que não seja subjetiva. A palavra “objetiva” de realidade objetiva, não quer dizer realidade absoluta ou externa, diz respeito a experiencia DE objeto.

Sim, totalmente. Porém, é um tiro no pé, pois é impossível fugir da responsabilidade. Até para fugir da responsabilidade você precisa optar por isso e optar é você executando sua responsabilidade. Ou seja, fugir da responsabilidade é tipo você gritando: “Eu sou mudo!”.

Schopenhauer está certo dentro da mentalidade materialista. Ele entende o ser humano como um espermatozoide em evolução, logo, não entende a função pedagógica do sofrimento. Ele vê o sofrimento apenas como uma espécie de maldição da vida.

O que pode estar certo ou errado é a qualidade do seu arbítrio. O objetivo da brincadeira de destino inconsciente é você realizar seu destino: viver sendo você. A todo instante você executa seu arbítrio. Então, seu arbítrio pode ser de duas qualidade: A) Arbítrio EM acordo com seu destino. B) Arbítrio SEM acordo com seu destino. Para acertar seu destino, você deve optar EM acordo com seu destino. Quando você opta SEM acordo, você errou o objetivo da brincadeira.

É exatamente isso que você faz todos os dias. Primeiro você imagina unicórnios assassinos e depois começa a sofrer com o ataque deles.

Você não reclama com o caixa eletrônico, mas você reclama com o funcionário humano do banco que executa o mesmo serviço do caixa eletrônico. Por que?

Até reclamo com o caixa eletrônico, mas sei que não vai dar em nada.

Por que não vai dar em nada?

Porque o caixa eletrônico é um robô programado.

O caixa eletrônico se comporta sempre de acordo com o gabarito dele (programação dele). E o ser humano?

O ser humano tem autonomia para tomar decisões e mudar de comportamento. Por isso reclamar com o atendente do banco é diferente de reclamar com o caixa eletrônico.

Ao invés do termo “autonomia para tomar decisões” vou usar a palavra “arbítrio”. Você não reclama com o caixa eletrônico porque sabe que o caixa eletrônico não tem arbítrio, logo, é impossível convence-lo a mudar de comportamento. Você sabe que pode chorar, espernear, chantagear e até explodir o caixa eletrônico, ele não vai mudar de comportamento para satisfazer seu desejo. Por isso você nem tenta. Mas você tenta com o outro ser humano, por que?

Porque o outro ser humano pode decidir mudar de comportamento e atender minha reclamação.

Exato! Você não consegue convencer o caixa eletrônico a lhe agradar, mas consegue convencer um ser humano. Mesmo que você apontar uma arma para um caixa eletrônico e disser “Me dá todo seu dinheiro ou eu atiro e te mato!”, o caixa eletrônico não vai mudar de comportamento. Você sabe disso. Então, você nem tenta. Porém, na infância, quando sua mãe tirou a teta da sua boca, você chorou. E sua mãe, mesmo cansada, mesmo sem leite, mesmo com o bico do peito doendo, ou seja, mesmo contrariada, deu a teta de volta para lhe agradar. Nesse momento você fez a matricula na faculdade do outroísmo e teve sua primeira lição de como transformar um ser humano em um escravo seu. Basta chorar e reclamar. Muita prática e hoje você é o mestre do mimimi. O problema é que são milhões de seres humanos no mundo e apenas um deles é sua mãe. Então, quando está convivendo com esse outros seres humanos, por mais que você chore, reclame e tente, a teta não vem.

Então, acredito que o amor impossível é possível porque o outro ser humano pode optar por me agradar, mesmo que ao fazer isso ele esteja desagradando a si mesmo?

Exato! E vice versa. Você tem arbítrio, então, você pode se obrigar a optar pelo que é mal, ruim, falso e nulo. Você sofre e vive mal quando faz isso. Mas isso é possível. Então, você passa a acreditar que é possível amar o que você odeia. Amar não é possível, por isso você odeia. Mas é possível optar por viver assim. Isso é o outroísmo submisso. No outroísmo impositivo, você tenta obrigar o outro a fazer, gostar, valorizar ou pensar igual você. Você não tem como controlar o arbítrio do outro, mas o outro se deixa ser controlado por você. Isso lhe dá a falsa impressão de que você consegue controlar o arbítrio do outro e por isso você acredita que consegue fazer o outro amar o que odeia.

Autorealização é a diversão dos seres. Você (sem forma) brinca de ser você (com forma). O universo é o playground dos seres.

O outro pode interferir totalmente na sua realidade. E vice-versa. O universo é liberdade absoluta. Todos os seres são absolutamente livres. Seres que estão sendo humanos, seres que estão sendo animais, seres que estão sendo insetos, seres que estão sendo samambaia, seres que estão sendo pedra. Enfim, todos. Essa liberdade absoluta é tanto fonte das dores como das delícias da convivência entre os seres. Dito isso, acrescento que um é absolutamente impotente em determinar a realidade do outro. Interferir não é determinar. Vamos estudar isso em outros livros.

Um dos motivos é justamente sua ignorância disso, de que é você que cria seu sofrimento. Tem outros motivos. Estudaremos todos em breve. Mas sua pergunta tem uma lógica implícita muito interessante de observar. Vou explicitá-la. Você aceita que deus crie sofrimento para você, mas não aceita que você mesmo crie sofrimento para você. Ou seja, você acha um absurdo que você, pequenina inteligência humana, fosse um criador impondo sofrimento a sua criatura (você mesmo), mas não acha absurdo nenhum que deus, inteligência suprema, faça isso com você. Não deveria ser o oposto?

Sim, você vai morrer. Tudo que nasce morre. Você nasceu então vai morrer. O que acontece quando você desperta a consciência existencial, é que você fica consciente de que você existe e que sua existência não nasce nem morre, existe.

Exatamente como estou lhe explicando. Exatamente como explico no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO). Você é um materialista convicto, apenas tem conceitos espiritualistas e religiosos, mas ainda se entende como HUMANO SER. Aliás, creio que é mais fácil explicar a natureza da realidade para um materialista convicto do que para um materialista disfarçado de espiritualista. A explicação no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO) até quase o finalzinho é a explicação científica materialista, só quando o vídeo explica que o cérebro também é um objeto mental que explode o materialismo.

Não! Você pode praticar autoobservação sua vida inteira e ainda assim JAMAIS irá obter êxito em ter uma experiência de despertar. O motivo é simples. DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA NÃO É UMA EXPERIÊNCIA, DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA É SE TORNAR CONSCIENTE SOBRE O QUE É EXPERIMENTAR. Ninguém jamais experimentou ou irá experimentar o despertar da consciencial. Despertar da consciência é se tornar consciente sobre o processo mental de criar realidade.

1) Se o seu trabalho for ajudar o outro, você ajudando o outro, é você cuidando do seu problema. 2) Todo trabalho é, de certa forma, você ajudando o outro. Padeiro não faz pão para si. Laranjeira não chupa laranja. 3) A convivência é coletiva. Quando você ajuda o outro a viver melhor, está melhorando a qualidade da sua convivência, ou seja, está se ajudando.

Criação de realidade funciona igual whatsapp. Sua realidade é a tela do seu whatsapp humano. Minha realidade é a tela do meu whatsapp humano. Eu te vejo na tela do meu whatsapp (minha realidade) e você me vê na tela do seu whatsapp (sua realidade). A natureza humana é o programa de whatsapp que está criando você na minha realidade e vice versa. Usamos o mesmo whatsapp humano, então, podemos nos comunicar de forma humana. Ou seja, eu crio você na minha realidade e você me cria na sua realidade e interagimos nesse vai e vem intermediado pela natureza humana. Mas tem uma sutileza nesse entendimento. Quando eu crio você na minha realidade, não estou criando você enquanto ser. Você-ser existe. O que existe, existe, não é criado. O que eu crio através da natureza humana é minha decodificação humana da sua manifestação. E você, vice versa.

Manifestação também não se desloca. Nada se desloca. Deslocamento é experiência de fisicalidade. Experimente jogar um videogame de fórmula 1, por exemplo. Tipo esse aqui:

O carro na tela vai se deslocando, ultrapassando os outros carros e depois de 60 voltas, ganha a corrida. Só que a televisão não saiu do lugar. O deslocamento do carro no videogame não foi deslocamento, foi experiência de fisicalidade, que inclui experiência de deslocamento.

PERGUNTA: Se não há deslocamento porque tenho que ir no Vaticano para ver o papa?

Porque o papa é experiência de fisicalidade e é assim que funciona experiência de fisicalidade.

PERGUNTA: Então, para experimentar abraçar minha mãe que mora lá longe, vou ter que usar o arbítrio e o cartão de crédito para viajar e encontrá-la.

Exato! Você deve executar uma INFINIDADE de arbítrios consecutivos até transformar sua realidade na experiência de fisicalidade de abraçar sua mãe. Assim como deve fazer o mesmo para vencer a corrida de fórmula 1 no videogame.

Não existe substantivo no universo, só existe verbo. Substantivo é fotografia mental do verbo. Só existe substantivo dentro da sua cabeça. Até a palavra “universo” é um substantivo. Não existe universo, o que existe é coletividade de seres. E pior! A palavra “cabeça” também é um substantivo. Mas enfim, o mesmo acontece com a morte. Não existe morte, o que existe é morrer.

Estou brincando de descobrir o que é morrer também?

Sim, faz parte do pacote da brincadeira. São as dois lados de uma mesma brincadeira: viver. Tudo que nasce, morre. E para experimentar o que é morrer, você precisa nascer.

Se fosse assim os bichos não sobreviveriam. Trata-se de outra razão: razão instintiva. Você está racionalizando o bicho. Para entender o bicho, observe o bicho, ao invés de pensar o bicho.

Lembra do filme Uma Mente Brilhante? Lembra que mesmo quando o John Nash entendeu que as pessoas que ele via eram imaginárias, ele continuou vendo essas pessoas? O mesmo acontece com o viver autoísta, você continua experimentando seu outroísmo, essa opção continua presente, mas você está lucido que é optar por viver mal, então, você apenas não opta mais, muda de opção.

Você não pratica o perdão, você pratica engolir sapo. O que você chama de perdão, não é você dando liberdade ao outro de ser outro, diferente de você, é você se obrigando a aceitar o que não aceita. Se você não aceita, como aceitar? Impossível. Mas você acredita que perdoar é aceitar, então, você se obriga a aceitar o que não aceita. Ao fazer isso, você nem perdoa, nem vive bem, pois violenta a si mesmo. Se obrigar a aceitar não funciona, se funcionasse, já tinha funcionado. Sua mágoa continua porque perdão não acontece com você se obrigando a aceitar o que não aceita, pelo contrário, acontece com você se permitindo não aceitar o que não aceita. Quando você considera algo errado, aceite que considera errado. Ao invés de engolir o sapo, saboreie o óbvio. Esse é o primeiro passo para o perdão. Enquanto você não dá o primeiro passo, é impossível você dar o segundo, que é considerar que do ponto de vista do outro, o que você chama de problema o outro considera solução. O terceiro passo é perceber que isso é fato. É claro que do ponto de vista do outro ele considera certo o que faz, por isso opta por fazer. Quando você chega no terceiro passo, você não precisa mais executar o perdão, pois os três passos é o perdão sendo executado.

Não, realidade simulada é simulação da realidade objetiva. Vou usar dois termos para possibilitar discernimento e comunicação. Você experimenta dois tipos de significantes, ou seja, dois tipos de objetos: A) Objeto-Objetivo – mídia de realidade objetiva, por exemplo: visão de cadeira. B) Objeto-Simulado – mídia de realidade simulada, por exemplo: imaginação de cadeira.

 Qual é a diferença entre um Objeto-Objetivo e um Objeto-Simulado?

A diferença entre um Objeto-Objetivo e um Objeto-Simulado é que você não é fonte de manifestação do Objeto-Objetivo, mas você é a fonte de manifestação do Objeto-Simulado. Por isso que você pode fazer um Objeto-Simulado aparecer e desaparecer apenas usando a imaginação, mas não pode fazer o mesmo com um Objeto-Objetivo.

Então, não sou criador da minha realidade?

Você está criando essa resposta que está lendo? Sim e não. Sim, porque ler é decodificar minha manifestação e decodificar é criar sua realidade. E não, porque a fonte de manifestação desse texto sou eu e não você. Ou seja, a palavra criar, muitas vezes é usada, onde o mais apropriado é dizer “decodificar”.

O que muda é o foco. Os três tipos de autoobservação são três focos diferentes.

Errado! Fé = arbítrio = acreditar = clicar. Você está sempre e inevitavelmente acreditando em alguma opção, por isso está sempre e inevitavelmente experimentando JUSTAmente o que está acreditando, optando, clicando, botando fé.

Mídias não são coisas, então, não adianta usar faca para separar. Não tem espaço entre as mídias. Não é possível colocar uma mídia em cima e outra em baixo. São inseparáveis. A separação só é possível pelo discernimento. Essa é a dificuldade. Você não tem prática em discernir. Ninguém jamais te incentivou a desenvolver o discernimento. Na escola, te ensinaram a ler e escrever, te ensinaram o nome dos estados e das capitais, te ensinaram a cantar o hino nacional, te ensinaram química, biologia, história e etc. Mas nunca, jamais, em momento algum, te estimularam a desenvolver o discernimento. Por isso a dificuldade em separar as mídias.

Sim! O que você chama de matéria não é matéria, é experiência de fisicalidade. Experiência de fisicalidade é feita de uma gama de atributos, altura, largura, profundidade, cor, peso, textura, cheiro, etc. Esse atributos da experiência de fisicalidade são atribuídos pela sua natureza humana. Sua natureza humana está em você. Então, quando você estuda os atributos da matéria, está estudando a si mesmo, está estudando sua humanidade. Não existe conhecimento sem conhecedor, então, todo conhecimento é autoconhecimento.

Ser é feito de existência.

Antes de responder sua pergunta, preciso esclarecer, pelo menos brevemente, o que é ser humano. E para fazer isso, preciso começar pelo equívoco do materialismo. Ser humano não é o que você pensa que é. Você se entende de forma materialista. Por isso está me perguntando sobre evoluir. Evolução é lógica materialista. Na lógica materialista, tudo nasce, cresce (evolui), involui e morre. Quando você aplica essa lógica para entender o ser humano que você é, você passa a acreditar que você é um espermatozoide em evolução. Essa é uma analogia que uso para explicar o equívoco do materialismo. Que equívoco é esse?

Segundo a lógica materialista, você não existia antes de nascer. Então, certo dia, seus pais, cheios de hormônios, decidiram transar no banco de trás do fusca. Seu pai não usou camisinha, sua mãe não tomou a pílula do dia seguinte, então, você, que não existia, começou a existir. E mais! Começou também sua jornada de espermatozoide em evolução. Dentro da barriga da sua mãe você já começou a evoluir desenvolvendo braços, pernas, órgãos, etc. Depois, você saiu de dentro da barriga da sua mãe e continuou evoluindo, aprendeu diversas habilidades, desenvolveu competências, ganhou dentes, pelo no sovaco, etc. Até chegar num limite que cessou sua evolução e começou sua involução. Você começou a definhar, atrofiar, apodrecer e vai chegar um momento que você irá morrer, ou seja, deixará de existir.

Essa é a lógica da sua existência segundo o materialismo. É uma lógica correta no que diz respeito a sua experiência humana. Porém, está incompleta, porque você não é SÓ humano, você é um SER humano. Você existe antes de nascer. Você é a existência sem a qual seria impossível sua experiência, pois a existência antecede a experiência. Só que isso é inconcebível para a lógica materialista, pois ela é baseada na experiência. Para lógica materialista, só existe o que é experimentável, aferível (palavra incomum para maioria das pessoas, mas que os cientistas materialistas adoram). Então, para a lógica materialista, ser humano é apenas um espermatozoide em evolução, ser humano é só humano.

Para você ir além da lógica materialista, você precisa praticar autoobservação existencial e ter um despertar existencial. O que você descobre quando você tem um despertar existencial é que você não é SÓ humano, que você é um SER humano. Sua existência fica óbvia. Você fica consciente que você existe aqui, agora e sempre, porém, que você existe antes do que está experimentando. Você fica consciente que espermatozoide em evolução é sua experiência e não sua existência. Você fica consciente que você, enquanto ser, não morre porque não nasce. Enfim, você fica consciente que você é existência.

Dito isso, fica bem simples responder sua pergunta:

Ser humano evolui? Para onde?

Tudo que nasce, evolui, involui e morre. Você, enquanto pessoa humana, nasceu e irá morrer. O destino de tudo que nasce é morrer. Sua experiência humana nasce e evolui até chegar ao fim. O que não nasce, não evolui, não involui e não morre. Você, enquanto ser, não nasce, não evoluiu e não morre. Você, enquanto ser, existe.

 

Significante é forma sensorial. Como a visão é o sentido mais dominante e mais usado, é quase inevitável pensar em significante como objeto. Mas as formas dos outros sentidos também são significantes. Por exemplo, cor é significante, som é significante, calor é significante, sabor é significante, aroma é significante, etc.

Sim, as explicações da 1ficina vai comendo você pelas bordas e você nem percebe. Quando você se dá conta, já é tarde demais, o óbvio engoliu você. Primeiro fica óbvio que você é um ser desejante. Depois que desejo é egoísmo. Quando você entende isso, está igual peru de natal, pronto para o abate. Daí vem a machadada final. Amor é desejo. Kabum!!! Pode tocar a marcha fúnebre. The lovecórnio is dead!

Um é o criador e outro é a criatura. Igual piano e música. O piano produz a música. O sistema emocional produz as emoções. Ânsia e paz, amor e mágoa, alegria e tristeza, raiva e graça, são as oito notas do seu piano emocional. Você é o ouvinte.

Irmão é pouco! Irmão você até se permite odiar. Pior é quando você não ama sua mãe ou seu pai? Simplesmente não ama. É amor impossível para você? Daí vem a biba dizendo que “tem que amar pai e mãe” ou tá fudido. Ou então, quando seu filho não te ama. Simples assim. Não te ama e pronto. Como aceitar que um filho não te ama?

Sim, o que importa não é a FORMA da realidade que você está experimentando e sim o SABOR que tem para você. De que adianta você se colocar numa realidade de meditação quando o que você quer mesmo é andar de bicicleta? Que gosto bom pode ter uma realidade que se cria a contra gosto? Só que esse equívoco é muito comum. E pior! É santificado, glorificado e pintado de elevação espiritual. Olha só o que pode acontecer! Você cria a realidade de meditação, que você não quer, mas é o que aprendeu que é certo, santo e sagrado, ao invés de andar de bicicleta, que você quer, mas aprendeu que é errado, profano e pecado. Resultado: sofrimento, sofrimento, sofrimento, até virar depressão. Para resolver a depressão, você começa a tomar antidepressivos. A depressão aumenta. Final da história: você babando e pensando em matar tudo e todos, até a si mesma. Quando a solução era simples: andar de bicicleta.

Posso fazer um. Fique observando TUDO isso que você está experimentando e perceba que é TUDO uma experiência só, seja pensamento, seja objeto, seja som, seja tato, seja o que for, observe que TUDO isso é parte integrante de um TUDÃO. Fique observando esse TUDÃO e perceba que esse TUDÃO é uma experiência de TUDÃO da qual você está sabendo, caso contrário, não estaria sabendo. Procure no TUDÃO esse saber que está sabendo do TUDÃO. Você não irá encontrá-lo em lugar nenhum, embora seja inegável que sem esse saber você não estaria sabendo do TUDÃO que está sabendo. Perceba então, que se esse saber é inegável, mas não está no TUDÃO que você está observando, então, esse saber é o próprio NADA. Sendo que esse saber é você-sabendo, então, esse NADA é você.

A terminologia da pré-existência é uma terminologia pedagógica para explicar o que é existência para interlocutores de mentalidade materialista. Interlocutores de mentalidade materialista igualam realidade com existência. Se você perguntar para um interlocutor de mentalidade materialista se a cadeira existe, por exemplo, ele dirá que sim, que a cadeira existe. Então, para dar a esse tipo de interlocutor a noção de causa, uma vez que ele está fundindo e confundindo causa e efeito, uso a terminologia pedagógica da pré-existência. É uma terminologia ruim, materialista, e outrocientifica, mas uma vez que o interlocutor está acreditando na mentalidade materialista, é útil e o ajuda a vislumbrar o que ele está confundindo. Os vídeos no youtube são assistidos por muitas pessoas leigas em autociência, por isso, para conversar com essas pessoas leigas e de mentalidade materialista, uso em alguns vídeos a estratégia pedagógica da pré-existência.

Tocar é realidade. Você não toca os objetivos, você tem uma experiência de fisicalidade de que você é um corpo físico tocando outros objetos físicos. Parece concreto porque experiência de fisicalidade é exatamente assim, experiência de forma, experiência de corpo, experiência de objeto, experiência de concretude.

Esse bordão “tudo é ilusão” é o mantra da fuga de si mesmo. Autociência não é fugir de si, é se encarar. Realidade é real, por isso chama real_idade. Você está a todo instante, ininterruptamente, experimentando sua realidade. Não tem nada além de realidade para você experimentar. Como não é real? Óbvio que é real! Só que a materialidade da realidade é uma experiência de fisicalidade e não material. Por isso se diz que realidade é ilusão. Dito isso, a dificuldade de entendimento está na palavra “real”. O raciocínio funciona por antônimos. Para o raciocínio, calor é antônimo de frio. No caso da palavra ilusão, o antônimo é real. Só que a 1ficina iguala real com ilusão. A 1ficina diz que real_idade = ilusão. Ou seja, a 1ficina pega algo que seu raciocínio considera antônimo e diz que é sinônimo. Daí seu raciocínio pira, pois ele fica sem base de oposição. E para piorar, a 1ficina diz que o oposto de ilusão é você. Daí trava tudo! Falha na matrix!

Sim, realidade = tudo que você experimenta. Tudo = tuuuuuudo, sem exceção.

Sim. O esperto pensa que sabe, o desperto sabe que pensa. Quando comecei a falar sobre iluminação, despertar da consciência, usava o termo “sei que sei”. Você estava no “sei”, então, se deu conta: “Peraí, eu sei, mas como eu sei que sei?”. E daí despertou para o óbvio. Você sabe que sabe porque você é saber (consciência). Consciência é uma das suas três naturezas existenciais. Tem mais duas. Estudaremos todas as três durante o ciclo de estudos.

Talvez você e a outra pessoa estejam falando a mesma coisa de jeitos diferentes. Você é 100% culpado pelo que você opta. O outro é 100% culpado que ele opta. Então, quando você e o outro se relacionam, sendo que você é 50% do relacionamento e o outro é 50%, está correto dizer que cada um é 50% culpado pela produção do relacionamento. E assim por diante. Num time de futebol, por exemplo, cada jogador do time tem 9,09% de culpa no resultado do jogo, pois são 11 jogadores. Se somar com os 11 jogadores do outro time, cada um tem 4,5% de culpa, pois foram os 22 jogadores que produziram o resultado do jogo, cada um com 100% de culpa por suas opções.

Está experimentando uma realidade objetiva diferente da usual uma vez que os cinco sentidos estão em estado diferente do usual. O raciocínio “realidade objetiva distorcida” sugere que existe uma realidade externa que está sendo percebida de forma “distorcida”. Mas não existe realidade externa. Então, não é que a realidade objetiva está sendo percebida de forma “distorcida”, é a realidade objetiva esta sendo criada de forma não usual. Isso é o mesmo que está acontecendo com um cego, ou um surdo, por exemplo.

Sim, devido ao hábito. Você se habitua a sobrepor uma unicidade sobre as outras, essa sobreposição se torna uma competência subconsciente. Ou seja, primeiro o homem faz o hábito, depois o hábito faz o homem. Se for um hábito danoso, tá danado.

A neutralidade científica existe sim, de uma certa forma, só que também não existe de outra forma. Existe porque quando Newton, por exemplo, observa e explica que caiu uma maçã na cabeça dele, ele não está dando uma opinião, está descrevendo uma queda que é factual e todos os seres humanos podem observar (experimentar) assim como ele. Só que essa observação (experimentação) é humana. Na ciência das minhocas, por exemplo, o que os seres humanos chamam de maçã em queda pode ser (e deve ser) algo completamente diferente. Então, nesse caso, a neutralidade científica desaparece, porque os cientistas humanos assumem o PONTO DE VISTA HUMANO como absoluto. E é absoluto entre seres humanos, mas os seres humanos não são os únicos seres do universo.

Você está escolhendo brincar de ser humano, o que descreveu é sua realidade atual.

Vamos supor que nasci em condições precárias, que estou vivendo na miséria, sem o básico, nem mesmo o amor da minha mãe, estou escolhendo isso?

Você está escolhendo brincar de ser humano, o que descreveu é sua realidade atual.

Seu cu! O que descrevi é a injustiça social! Não escolho essa realidade, é imposta.

Não é imposta porque é você que está optando por brincar de ser humano. E o que você chama de “injustiça social” é uma opção de brincadeira social dentro da brincadeira de ser humano. Se não lhe agrada brincar de injustiça social, você pode propor aos brincantes brincar de outra brincadeira.

1) Primeir0 é preciso lembrar que palavras são apenas instrumentos de comunicação. Então, primeiramente, vida é só uma palavra, é apenas a soma das letras v+i+d+a. Só isso!

2) Uma vez consciente disso, e só consciente disso, fica possível entender que a palavra vida tem tantas DEFINIÇÕES quanto o numero de usuários da mesma. E que cada usuário é livre para dar a DEFINIÇÃO que bem entender para as palavras. Por exemplo, se você definir vida como um amontado de cocó de cachorro, é isso que será vida para você. Se o outro definir vida como movimento subatômico, é isso que será vida para o outro. E assim por diante.

3) Uma vez consciente disso, e só consciente disso, fica possível entender que tem certas definições que são ACORDOS COLETIVOS. Essas definições de acordo coletivo são as que estão no dicionário. É sobre essa definição coletiva de dicionário que a 1ficina se refere no livro Apocalip-se.

4) Não existe vida, o que existe é viver. Mas essa explicação da 1ficina, embora simples e óbvia, é bem profunda e requer profundo autoconhecimento para ficar óbvio. No livro Apocalip-se, a 1ficina ainda não chegou nesse aprofundamento. A explicação de que não existe vida fornecida no livro Apocalip-se visa esclarecer que tudo que você experimenta é eurekatividade (atividade de autoconhecimento). Você acredita que está experimentando ACONTECIMENTOS aleatórios e você chama esses acontecimentos de MINHA VIDA. Isso é um equívoco. Seu emprego não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Seu casamento não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Seu time de futebol não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Sua dor de barriga não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Sua dívida no cartão de crédito não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. O país que você mora, sua sociedade, não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Essa conversa aqui na Lousa, o bate papo no recreio, não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Tudo. Tuuuuuuuuuuuudo que você experimenta e chama de vida, não é vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano.

5) Então, não existe vida, só existe atividade de autoconhecimento (eurekatividade). Essa é a explicação inicial que o livro Apocalip-se está te dando para você começar a despertar para o que é ser humano.

Vingança é uma estratégia de convivência. Mas é uma estratégia de convivência outroísta (violenta), então, geradora de atos violentos.

Não! Viver bem é consequência do despertar da consciência. Consciência não se desenvolve, consciência desperta. O conceito de “desenvolvimento da consciência” acontece quando você iguala consciência com raciocínio. Quando você era criança você tinha um raciocínio pouco desenvolvido e com o uso foi desenvolvendo. O raciocínio sim se desenvolve. Consciência é saber, ou melhor, é você-saber. Você-saber é o mesmo saber sempre. Pense no saber que você chama de tato. Você tem mais tato agora que é adulto do que tinha na infância? Não! É o mesmo tato. Tato é saber sensorial. Saber não se desenvolve, saber desperta, fica mais lúcido do que está sabendo.

Culpa é responsabilidade. Você é único culpado pelas suas opções. Fugir da culpa é entrar no vitimismo, talvez por isso a depressão. Não resolve fugir da culpa, só mantém você preso no vitimismo. Eu, por exemplo, fiz muita merda na vida. E tudo culpa minha. Uso as merdas que fiz para adubar o jardim das melhores escolhas. Cagou está cagando. Não adianta chorar o leite derramado, nem a cagada. Limpa o leite, usa merda de adubo para melhores escolhas. Mas isso só é possível se você entender que é culpado por suas escolhas, senão, vai viver fugindo da sua responsabilidade e inventando bodes expiatórios para colocar a culpa.

Não. Vou contar uma experiência. Não gosto de falar sobre o que não é óbvio, mas nesse caso vale o desconforto. Certa vez, fizeram a seguinte pergunta a um extraterrestre que estava se manifestando através de um médium: “Como será quando os ETs chegarem?”. O extraterrestre respondeu: “Vocês se sentirão envergonhados!”. Uma pessoa no grupo perguntou: “Envergonhados com o que? Com vocês? Com a forma como vocês vivem?”. O extraterreste respondeu: “Não, vocês ficarão envergonhados com vocês mesmos, com a forma como vocês vivem e convivem!”. Poucos entenderam a resposta do extraterrestre. Até porque era preciso já estar envergonhado para entendê-la. Descendo na escala astronômica, recentemente um rapaz da minha cidade se suicidou. Ele foi a médicos, psiquiatras, tomou os remédios recomendados, fez terapia, por fim, se matou. O motivo do suicídio foi vergonha. O rapaz se envolveu com corrupção na prefeitura, a corrupção foi descoberta, veio à tona nos jornais, o rapaz não suportou a vergonha e se suicidou. O motivo do suicídio me fez lembrar dos ETs: “Vocês se sentirão envergonhados!” Ora, só mesmo com a consciência muito adormecida para não sentirmos vergonha da forma como vivemos e convivemos. Hipocrisia, recalque, violência, vingança, luta pelo poder. E seguimos sem remorso! Como? Que nível de inconsciência é esse que acha isso normal? Como disse, não gosto de falar sobre o que não é óbvio, mas se extraterrestres não são evidentes para você, o que um deles explicou é mais do que evidente, é extra-ululante.

Sim, eu sofro, igual você, igual qualquer ser humano, igual antes do despertar da consciência, igual sempre. A crença de que o despertar da consciência é o fim do sofrimento é um equívoco. Sofrimento é você experimentando emoções desagradáveis: raiva, angústia, medo, ansiedade, tristeza, nojo, repulsa, desprazer, etc. Quando você desperta a consciência, você continua experimentando emoções desagradáveis, então, você continua sofrendo. O que muda é que você entende porque e para que experimenta emoções desagradáveis, e sendo assim, você lida bem com elas. Lidar bem com as emoções desagradáveis, é viver bem, lidar mal, é viver mal. Viver mal e sofrimento não são a mesma coisa. Experimentar emoções desagradáveis é inevitável. Viver dói. Viver bem ou viver mal é resultado da sua lucidez e maestria em ser humano. Quanto mais lucidez e maestria, mais você vive bem, mesmo sofrendo.

Minha motivação para fazer o trabalho da 1ficina vem do prazer de executar esse trabalho e experimentar o resultado da execução. Por isso ajudo vocês. Puro egoísmo. Adoro trabalhar com autociência. Pense no seguinte, para que eu possa ter o prazer de executar esse trabalho, eu preciso que tenham pessoas interessadas em recebê-lo. Então, são vocês que me ajudam e não eu que ajudo vocês. No final das contas, é uma troca, eu ajudo vocês a se esclarecerem sobre o que é ser humano e vocês me ajudam a ter o prazer de fazer isso.

Não é correto dizer que comprovei com o verbo no passado, pois é um saber constante, no gerúndio. Eu vivo em constante comprovação. Eu vivo sabendo que matéria é experiência de fisicalidade. Imagine que você assiste um mágico tirando um coelho da cartola, todo dia, repetidamente, durante anos e anos, até que um dia você descobre o truque e percebe que o coelho não está saindo da cartola, que é apenas um truque que dá a impressão de que o coelho está saindo da cartola. A partir dai, você nunca mais consegue ver o coelho saindo da cartola, pois você se tornou consciente do truque que fazia você acreditar que o coelho estava saindo da cartola. Se tornar consciente de que matéria não é matérial, que é experiência de fisicalidade, é análogo a isso. Através da autoobservação você investiga a natureza disso que você está constantemente experimentando (sua realidade). Conforme vai aprofundando na autoobservação, chega um ponto que fica óbvio que matéria é experiência de fisicalidade. A partir dai, assim como você não consegue mais ver o coelho saindo da cartola, pois está consciente do truque do mágico, você também não consegue mais ver matéria como material, pois você está consciente do truque mental da materialidade e da externalidade.

Aluno é preguiçoso. Aluno tem preguiça de pensar. Aluno que gosta de praticar autociência não precisa de professor, ele pratica autoobservação, pensa e descobre sozinho.

Porque o motivo final da busca pelo despertar da consciência é resolver o sofrimento. Ninguém desperta a consciência para despertar a consciência. Ciência em si não serve pra nada. Ciência serve para você ficar ciente sobre o funcionamento de algo e assim poder lidar bem com esse algo, ou seja, deixar de sofrer com a ignorância do funcionamento.

Ciência serve como ferramenta de descoberta, não?

Descobrir para quê? Descobrir por descobrir também não serve para nada. Descobrir também é meio, estratégia, não é OBJETIVO. Descobrir é estratégia para você eliminar sua ignorância. Mas eliminar sua ignorância também é meio, também é estratégia. Sua ignorância lhe impossibilita de lidar bem com o funcionamento das coisas. Se a coisa ignorada é você mesmo, o ser humano que você é, a ignorância de si lhe impossibilita de viver bem. Viver mal é sofrido. Então, no final das contas, a motivação científica (motivação em descobrir) é sempre a mesma: fim do sofrimento. Sem sofrimento não há motivação para sair da ignorância. O motor da ciência é o sofrimento.

Justamente o oposto. O dinheiro te atrai porque você não tem dinheiro. Igual chocolate. Você fica esperando a pascoa. Quando chega a páscoa, depois de comer o oitavo ovo de páscoa, você não quer nem mais ver chocolate na frente. O chocolate não te atraí mais. O dia que você ficar rica, vai enjoar do dinheiro. Mas enquanto for pobre, vai desejá-lo. Outro exemplo é o casamento também. Quem está dentro quer sair, quem está fora quer entrar.

Mas se o dinheiro me atraísse, ele estava na minha realidade

Está, só que está na sua imaginação (realidade simulada).

Dinheiro na imaginação não é dinheiro, não serve pra nada.

Serve para você saber que quer dinheiro.

Se eu quisesse dinheiro fazia alguma coisa para conseguir.

Você faz. Você reclama que não tem dinheiro. O problema é que reclamar não é uma estratégia eficiente para você conseguir dinheiro.

Seu questionamento é você buscando provar que é vítima. “Tá vendo! Eu sou uma vítima! Tem obrigação sim, não é escolha minha!”. Eu honro sua busca. Também não me dobrei até comprovar o contrário. O vitimismo não morre nem que deus chegue na sua orelha e te fale que você está equivocado. Só morre quando você desperta a consciência. Dito isso, vamos supor que você consiga provar que você é vítima. Para quem você estaria provando? Para deus? “Olha aqui deus, sou uma vítima sua, eis aqui a prova”. Ou então para os outros? “Olha aqui meu povo, somos vítimas da vida, do universo e da porra toda, eis aqui a prova”. Para mim? “Você está errado cara, eu sou uma vítima”. Enfim, para quem você quer provar que é vítima? E pra que?

PERGUNTA: Como ficou óbvio para você que no universo não existe obrigação, que é tudo opcional?

Praticando autociência e despertando a consciência existencial.

Tem dois tipos de pensar. Tem o pensar subconsciente, que é automático, tal como você está apontando. E tem o pensar consciente, que é pensar o pensamento. Pensar o pensamento = autoanálise. O ser humano tem preguiça e incompetência para fazer autoanálise, ou seja, pensar o pensamento.

Você pode optar 100% nas opções:

(  ) Acredito pouco
(  ) Acredito médio
(  ) Acredito muito
(  ) Acredito nada
(  ) Acredito etc

Culpa é sinônimo de responsabilidade. São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Responsabilidade é sinônimo de arbítrio. Também são duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Então, culpa é arbítrio. Você é o único culpado por tudo que você opta. Logo, você é 100% culpado por suas opções. Por exemplo, você decide comer feijão. Quem é culpado por você estar comendo feijão? Você. É 100% culpa sua, pois foi você e só você que optou por comer feijão. Você decide se casar. Quem é culpado por você estar casado? Você. É 100% culpa sua, pois foi você e só você que optou por se casar. E assim com tudo. Você é sempre 100% culpado por tudo que você opta. Se não, quem é?

Suicídio é só uma experiência dentro das possibilidades de experiência do viver humano. Viver é existencial. Você não deixa de viver por nada. Viver é você-ser sendo. Assim como é impossível você-ser não-existir, é igualmente impossível não-saber e não-viver. Existir, saber e viver (manifestar) são os três aspectos da UNItrindade que você é. Costumo dizer assim: O problema não é que você vai morrer, o problema é que você não vai morrer, nunca. Se fosse possível você morrer, todo seu sofrimento se resolvia por decreto fatal. Só que não. Ou você resolve ou não-resolvido permanece.

Não! Você continua tentando me encaixar dentro de uma caixinha ideológica. Eu sou eu. Anarquismos parece liberdade, mas também é uma caixinha ideológica. Eu não sou uma ideologia. Viver não é uma ideologia. Conviver não é uma ideologia. Não me interessa ideologias. Me interessa ser, viver e conviver.

Sua pergunta não é uma pergunta de autociência. É uma pergunta pessoal e tudo que eu responder, você não tem como comprovar. Você poderá apenas acreditar ou não. E autociência não se pratica através da acreditação, mas da autoobservação. Tudo que explico na 1ficina é comprovável. Basta você praticar autoobservação e comprovar. A minha história de vida não é comprovável. Qualquer coisa que eu te contar da minha história de vida, para você, será apenas isso, uma história, assim como as histórias nos livros e nos filmes, assim como os contos de fada. Por isso, não compartilho minha história no trabalho da 1ficina, a não ser quando é para servir de exemplo para alguma explicação. Porém, também não é pecado, e como sua curiosidade pode ser a curiosidade de outros, e meu testemunho pode colaborar para esclarecer e desmistificar esse assunto, vou te responder.

Sim, já conversei com entidades, várias vezes, dentro de centros espíritas, centros de umbanda e fora também. Vou contar como começou essa história. Teve uma época que fui “contratado” para ajudar em um trabalho espiritualista. Até então, nunca havia conversado com uma entidade antes, mas o meu “patrão”, ou seja, o coordenador do trabalho, era uma entidade que se manifestava através de um médium. Foi a primeira entidade com quem conversei. Depois dele, conversei com muitas outras entidades por conta da natureza espiritualista do trabalho. Conversei com entidades sábias, que o povo chama de espíritos de luz, e conversei com entidades raivosas, coléricas e rebeldes, que o povo chama de obsessores. Na umbanda as entidades se manifestam em quatro posturas: pretos velhos, caboclos, erê e exú. Já conversei com as quatro em várias oportunidades.

Fazia parte do meu trabalho no grupo espiritualista ir até os grupos espalhados pelo Brasil e coordenar reuniões. As reuniões em São Paulo aconteciam na minha casa, no meu apartamento de um dormitório. O apartamento ficava empilhado de gente. Uma molecada doida. A maioria tinha no máximo 25 anos. Tinha umas pessoas nesse grupo que estavam começando a praticar a mediunidade. Então, no fim das reuniões, a gente fazia várias experiências. Ninguém entendia do assunto, ninguém sabia o que fazer, então, a gente apenas deixava acontecer para ver o que acontecia. E acontecia muita coisa. Nenhum evento sobrenatural como objetos levitando. Isso nunca aconteceu.

O que mais acontecia eram processos de cura e comunicações com entidades através dos médiuns. Incomum era o tipo de entidade. Por exemplo, conversei com monges tibetanos, taoístas, extraterrestres, entre outros. Lembro de uma entidade que a gente chamava de Vazio. Foi uma das mais pitorescas e interessantes que conversei. Era uma entidade que não sabia nada de si, que não tinha memória, era vazia. Conversar com ela era como conversar com um neném recém nascido, com a vantagem de que era um neném que já nasceu falando português. Toda vez que eu ia conversar com o Vazio, tinha que explicar tudo para ele, pois ele não sabia nada. E nessa de me explicar para o Vazio, eu me enchia de esclarecimento. hehehe… Belo truque pedagógico, não? Eu me esvaziava no vazio e tinha várias eurekas.

O final das nossas reuniões em São Paulo se tornaram um grande laboratório de doidos. Não tinha regra nenhuma, a gente apenas deixava as loucuras aflorarem. Toda manifestação era permitida, toda manifestação era bem vinda, um, dois, três e já! hehehe… Neguinho pirava e estava tudo bem. Um começava a chorar, outro começava a correr e pular, outro começava a berrar, outro começava a dançar. Era um hospício total. Mas problema nenhum. Tudo era bem vindo no laboratório. E o mais doido era assistir aquela loucura toda se harmonizando e se encaixando uma na outra. Eu ficava perplexo. Toda vez era assim. Começava um completo caos e, de repente, o próprio caos se resolvia.

Experimentei a mediunidade em mim mesmo. Fiquei intrigado com aquilo. Queria entender a tal da mediunidade na pele, digamos assim. Minha conclusão, após minhas experiências, é que você não tem como saber se quem está se manifestando é você mesmo ou não. Você não tem como saber se é coisa da sua cabeça ou não. Até porque, você não sabe quem você é para poder dizer quem você não é. hehehehe… Já pensou nisso? O que você percebe é que as coisas ficam um pouco diferente sim, ficam incomuns, como se sua personalidade tradicional fosse para o banco de reservas e desse vez para a manifestação de uma outra personalidade que não é a tradicional, como um alter ego.

Sei que, em termos psiquiátricos, isso é chamado de esquizofrenia. Pode ser mesmo. Várias vezes me senti falando como se fosse outra pessoa. Eu pensava e depois falava, como sempre. Podia escolher as palavras, podia não falar, tudo normal. Mas eu sentia vontade de falar umas coisas incomuns e de um jeito incomum. E minha postura corporal também se alterava. E minha concentração também. Eu me concentrava e permanecia concentrado num assunto.

Foi muito rico em aprendizagens esse laboratório no grupo de São Paulo, para mim e para todos que participaram. Foi muito intenso e durou por volta de um ano. Depois foi diminuindo e acabou. Eu também fui me desligando desse tipo de trabalho. Quando criei a 1ficina, em 2011, sabia que para poder ajudar as pessoas a produzirem autoconhecimento, e consequentemente, viver bem, eu deveria me focar totalmente na prática da autociência, pois as práticas e rituais espiritualistas, infelizmente, e devido a baixa lucidez dos participantes, produz mais malefício do que benefício. Malefícios como idolatria, fanatismo, servidão, dependência afetiva, dependência intelectual, etc.

Acertei na minha decisão de focar 100% na prática da autociência. Estou 100% satisfeito com ela. Todos os dias o trabalho da 1ficina ajuda muitas pessoas de forma simples e profunda, e também, ajuda as pessoas que convivem com essas pessoas. E o trabalho da 1ficina não produz idolatria, fanatismo, servidão, nem dependência. Embora, esse seja um vício da nossa coletividade, que por mais prevenção se tenha, sempre encontra uma brecha para entrar, mas é bem pouco na 1ficina.

Então, tá contado! Prossigamos…

A 1ficina não mata deus, mata deusoutro, é diferente. Nesse sentido, a 1ficina ressuscita deus. Faz você, deus morto na ignorância, despertar para o óbvio: deus sou eu. Quem mata deus é a religião, ou melhor, os religiosos.

Sendo que você é o criador da sua realidade, então, a causa da sua realidade é você. Criador = Causador. São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Só existem duas opções de causa: A) Eu sou criador da minha realidade. B) Eu não sou criador da minha realidade. Não tem terceira opção. Se você quiser chamar a opção B de Deus, carma, reencarnação, Big Bang, fraternidade branca, Shiva, física quântica, vírus, obsessor, etc… é tudo opção B. Agora, se você acredita que não é a causa da sua realidade, praticar autociência é um absurdo e uma absoluta perda de tempo, pois sua realidade não tem relação causal com você, você não é a causa, você é apenas efeito. E por fim, sugiro observar que sua pergunta está procurando justificar o vitimismo. É muito justo você fazer isso, pois para viver bem não adianta você ACREDITAR que é criador da sua realidade, isso precisa ser óbvio, irrefutável, evidente.

Amor é desejo. Desejo é egoísmo. Então, amor é egoísmo. Eu sei que dói matar o unicórnio do amor. Por isso usamos estratégias de fuga como amor incondicional, amor verdadeiro, compaixão, abnegação, altruísmo e oscambau. Tudo besteira. Amor é egoísmo. Não tem outro amor, só tem egoísmo mesmo. E para viver bem é imprescindível deixar isso óbvio. Pra mim, é óbvio ululante. Não existe outra MOTIVAÇÃO senão a busca pelo bem, bom, caro e vero. Faço o que faço porque desejo o bem, bom, caro e vero. Não faço nada por abnegação. Não faço nada por amor incondicional. Não faço nada por compaixão. Não faço nada por altruísmo. Faço por egoísmo puro. Faço porque desejo o bem, bom, caro e vero. Simples assim. Sem mistério. Sem segredo. Sem idolatria. E pra mim é óbvio que assim também é com todos os seres, não apenas os seres humanos, mas com todos os seres do universo. Pra mim é óbvio que o egoísmo é a única motivação de todos os seres do universo porque é a motivação do universo. O universo é o egoísmo absoluto. O universo só se interessa por seu próprio bem. Até porque, que outra motivação o universo teria sendo que o universo é tudo. Dito isso, para se realizar um objetivo, não basta desejar realizar, é preciso usar uma estratégia eficiente. Eu uso a melhor estratégia que conheço: viver de forma autoísta. Não existe estratégia melhor do que essa para realizar o egoísmo. Desconheço estratégia melhor. Se um dia eu descobrir que tem uma estratégia melhor para realizar meu egoísmo, mudo de estratégia imediatamente.

Nunca mais tive despertar existencial porque vivo nele. Imagina que você é cego e começa a enxergar. No primeiro momento é um despertar! Aha! É isso! Agora sim! Só que você não para de enxergar, então, se acostuma. Até porque não tem nada para vc fazer existencialmente senão existir. E isso nem é opcional. Então, você muda o foco do existencial para o psicológico é vai trabalhar no despertar pessoal, que é o que está fazendo você viver mal.

Primeiramente: Despertar da consciência não é uma experiência, despertar da consciência é se tornar consciente sobre o que é experimentar. É muito importante esclarecer esse equívoco. 100% dos buscadores espirituais vivem presos nesse equívoco. Por isso que buscam, buscam e nunca encontram. Despertar da consciência não é uma experiência. Isso precisa ficar bem claro, senão, você nunca irá encontrar o que está buscando. Os próximos livros na sequência desse ciclo de estudos irão lhe ajudar a sair desse equívoco. Dito isso, vou corrigir sua pergunta: “Com o despertar da consciência, você passou a perceber algo além do puramente físico-material?”

Pior do que isso! Desmaterializei toda a matéria do universo. Explico. O despertar da consciência não faz você perceber além da matéria. Isso é impossível. Tudo que você percebe é matéria (objeto da percepção). Tem vários tipos de matéria, assim como tem vários tipos de cor, mas assim como toda cor é cor, todo objeto percebido é matéria. O despertar da consciência deixa óbvio que matéria (seja de que tipo for) é apenas uma perspectiva perceptiva. Depois que você desperta a consciência, a matéria continua “lá”, “do lado de fora”, dura e tridimensional, exatamente como antes. Nada muda. A única coisa que muda, é que antes de despertar, você ignorava que matéria é perspectiva perceptiva, depois que você desperta, isso fica óbvio.

Autociência não ensina como você deve viver, revela como você já está vivendo. Você já vive. E já vive mal. Mas ignora o que é viver e porque vive mal. A prática da autociência deixa óbvio o que é isso que você já faz: viver. E porque faz isso mal (vive mal). Se você não quer descobrir o que é isso que você já faz, viver, tudo bem, não é obrigatório, é opcional. Se você prefere continuar vivendo mal, tudo bem. Viver lúcido é melhor do que viver ignorante. Viver bem é melhor do que viver mal. Mas a função de um instrutor de autociência não é te convencer disso. É apenas te explicar isso.

Afeto é desejo afetivo, é você desejando o caro e rejeitando o nulo.

Então, sinto afeto ao que é caro para mim?

Sim, suas filhas são valorosas para você, por isso você as ama. As filhas do meu vizinho Egberto não tem valor nenhum para você, por isso você não as ama. As filhas de uma pessoa que você detesta, capaz que você deteste também, por tabela.

Afeto é o que me leva a prática do amor difícil?

Não! O que leva você a prática do amor difícil é o sofrimento. Viver é conviver. Ou você aprende a amar difícil ou morre de tanto sofrer com a convivência.

Somos todos igualmente seres (nadas), mas cada um é um nada diferente do outro. Sua UNItrindade é sua individualidade existencial (você-nada). Caso contrário, você seria eu e eu não seria outro pra você. E, obviamente, eu não sou você, nem você sou eu, somos um e outro.

De uma única massa eu faço vários pastéis. Quero saber se todos viemos do mesmo lugar, do mesmo nada, da mesma massa. Entende? 

Se você quer saber mesmo, deve praticar autociência e descobrir por si próprio. Se quer meu testemunho, sim, você existe, eu existo, nós existimos. Todos os seres existem. E todos somos igualmente nada (existência). Porém, ser não vem de lugar nenhum. Lugar é lógica materialista. Ser existe.

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari