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Estou pendurado na internet quando ouço o pedido: “Por favor, tire essa toalha molhada de cima da cama e a pendure no banheiro”. Pego o ser de pano pelo meio e o penduro no gancho, perto do chuveiro. A toalha fica surpresa no ar. Meu olhar se despendura de mim e vai buscar um ponto fixo na parede, mas escorrega de marcha ré até um ponto de interrogação: “A toalha está pendurada no gancho, que está pendurado na parede, que está pendurada na casa, que está pendurada na rua, que está pendurada no bairro, que está pendurada na cidade, que está pendurada no estado, que está pendurada no país, que está pendurada no continente, que está pendurada no planeta, que está pendurada na galáxia… Se tudo que vem a vista está pendurado em algum ponto, onde está dependurado o ponto de vista?”.

Inferência é muito importante na ciência e na autociência. Têm coisas que não são possíveis de serem comprovadas através da observação direta. A lei da gravidade, por exemplo, é uma inferência. Nunca ninguém viu a lei da gravidade. O que vemos é a queda dos objetos. As coisas caem. Isso vemos. Daí se inferiu uma força que regula o comportamento dos corpos e se deu a essa dedução o nome de lei da gravidade. A eletricidade também é uma inferência. Alguém levou um choque e a partir do choque deduziu uma teoria de transmissão de energia que recebeu o nome de eletricidade. Tem vários exemplos de inferência na ciência. Na autociência também tem inferência.

Tudo que é existencial não é passível de observação direta, só se torna conhecido por inferência. A inferência existencial é inegável, mas é uma inferência. A primeira inferência existencial é você-consciência.

Nunca ninguém jamais observou, nem jamais conseguirá observar a consciência, pois consciência é a própria capacidade de observação. Contudo, o resultado da observação é inegável. Você vê objetos, sente cheiros, sente o peso dos objetos, a temperatura, a textura, o sabor, etc. Logo, você-consciência é inegável, pois como você poderia saber qualquer coisa se você não fosse senciente, se não fosse saber?

Fazendo uma analogia, o olhar nunca viu o olhar, nem jamais verá, contudo, é inegável que o olhar existe. A prova disso são os objetos que o olhar vê. O olhar também é uma inferência, não é uma observação direta.

Enfim, você-consciência é inegável, mas é uma inferência. Você-consciência é a primeira inferência existencial.

Você-existência é a segunda inferência existencial. Você-existência é uma obviedade baseada na impermanência da realidade. Sendo que a realidade observada é impermanente (acontece), logo, isso que observa, existe, ou seja, é permanente. É através da impermanência da realidade que se faz a inferência da sua existência, daquilo que é permanente: você-existência.

Você-potência é a terceira inferência existencial. Você-potência é uma obviedade baseada na realidade. Sendo que a realidade é forma, logo, existe uma fôrma criando a realidade. É através da inegabilidade da realidade que se faz a inferência da potência, daquilo que dá forma a realidade: você-potência.

Caso a consciência fosse negável, todas as duas inferências subsequentes, a existência e a potência, não teriam como serem inferidas. Só que é impossível negar a consciência, pois até para negar a consciência você precisa de consciência. Tente negar sua consciência e comprove isso.

Por fim, escrevi esse livro por três motivos:

1) Esse livro explica porque algumas escolas param na consciência e não explicam a existência e a potência do ser que você é. Uma vez que se desperta a consciência para consciência, é preciso seguir na inferência para ficar consciente dos outros dois aspectos da unitrindade do ser: a existência e a potência.

2) Esse livro explica no que me baseio para afirmar a unitrindade do ser. Me baseio na auto-observação e na inferência.

3) Agora que você tem o mapa do caminho, seja um autocientista: percorra o caminho.

PERGUNTAS

A impossibilidade do ser se ver é o que impossibilita o bem viver?

Primeiro é preciso entender que, embora seja impossível você-ser se ver, a inferência existencial é inegável, logo, sempre possível. Dito isso, sua observação está correta. A ignorância existencial é um dos obstáculos para um ser humano viver bem. Mas a ignorância psicológica e pessoal também são.

Como manifesto 100% do meu potencial no meu cotidiano?

Você está sempre manifestando 100% do seu potencial, igual uma televisão que está sempre manifestando 100% da imagem na tela. Pode ser que o filme que a televisão está manifestando esteja apenas 10% em acordo com o desejo da televisão, mas isso não significa que a televisão não está manifestando 100% do seu potencial, significa que a televisão não está produzindo uma manifestação 100% sintonizada com seu desejo. A televisão está 90% dessintonizada. O mesmo acontece com você. Sua realidade é sempre 100% do seu potencial de criação, mas se você a considera indesejada, é porque não é uma realidade 100% sintonizada com seu desejo. Para aumentar a porcentagem de sintonia da sua realidade com seu desejo, você precisa praticar autoanálise e descobrir o que está bloqueando a sintonia.

Como realizar meu potencial?

Realizar o potencial não é o problema, isso é o natural. São dois problemas. O primeiro é que tem mentalidades bloqueando a realização do seu potencial. O segundo é que você ignora essas mentalidades, logo, não tem como retirar o bloqueio.

Como sei que tenho arbítrio?

Observando o fluxo da sua criação de realidade. Observe como o fluxo da sua criação de realidade é guiado, instante após instante, através do seu arbítrio. Nesse instante, por exemplo, você está experimentando a leitura desse texto porque está executando o arbítrio nesse sentido, se optar por parar com a leitura e ir até a cozinha beber água, é isso que irá experimentar.

Consciência evolui? Expande? Aumenta?

Não! Isso é um equívoco. Consciência desperta. Conhecimento e consciência não são sinônimos. Fazendo uma analogia da visão com a consciência, não importa quanto conhecimento você tem sobre o que você está vendo, sua visão continua a mesma. O mesmo com a consciência. Seu conhecimento e seu autoconhecimento evolui, mas você-consciência não se altera nunca.

Despertar existencial acaba com todos os equívocos existenciais?

Só tem um equívoco existencial: o materialismo. Despertou do equívoco do materialismo, acabou o despertar existencial. Fim. The end.

Despertar existencial é fazer as três inferências?

Sim, só isso, apenas isso, nada além disso.

Devo analisar o pensamento na auto-observação existencial?

Raciocínios (pensamentos) surgem na auto-observação porque são objetos psicológicos observados. Basta perceber isso. Só perceber. Observe os pensamentos superficialmente. Seu trabalho na auto-observação existencial não é entrar na lógica dos raciocínios, é apenas constatá-los como realidade (experiência). Raciocínios são experiências. Só isso. Se você entrar em processo de análise, se entrar na lógica de um raciocínio, tudo bem, você nem irá perceber que entrou e tão logo perceber, é porque já saiu.

Eu-ser existo ou pré-existo?

O conceito de “ser = existência” é uma pedagogia. O conceito de “ser = pré-existência” também é uma pedagogia. Ambas pedagogias têm o mesmo propósito: apontar para você-ser (ser que você é). Tem pessoas que não conseguem entender a diferença entre existência e realidade de jeito nenhum. São pessoas de mentalidade altamente materialista, que acreditam que existência é tudo que existe, pronto, acabou, fim de papo. Para apontar o ser para esse tipo de pessoas, uso a pedagogia da “pré-existência”. Digo para elas que o ser “pré-existe”, que é anterior a existência.

A pedagogia da “pré-existência” não é a melhor explicação, pois ainda contém a confusão entre realidade e existência. Mas pode ajudar nesses casos em que o aluno está profundamente adormecido na mentalidade materialista. Pelo menos o aluno começa a entender que o ser é a fábrica antecede o produto, é a causa antecede o efeito. Entender isso já é uma vitória. Na maioria das vezes, eu prefiro usar a pedagogia da existência-causa e realidade-efeito. Em todos os livros eu uso essa pedagogia.

Usei a pedagogia da pré-existência um tempo, mas abandonei. Em alguns vídeos, a pedagogia da pré-existência permanece, pois não tenho como editar os vídeos tal como edito os textos. Em vez de deletar os vídeos para padronizar a pedagogia, por enquanto, estou mantendo, são bons vídeos e o dano pedagógico é pouco. Mas enfim, você, ser, voser, existência, pré-existência, são palavras diferentes para apontar para mesma coisa: você-ser.

Existe efeito sem causa?

Não, isso é impossível. Caso fosse possível, sua realidade seria imposta e injusta. E não haveria como executar o arbítrio. O que pode existir é desconhecimento da causa.

Existe uma forma específica de auto-observação existencial?

Sim! A prática da auto-observação existencial é feita através da observação da observação. Você deve observar o observar. Você deve ficar ciente sobre a ciência. Você deve saber da sua cognição. O objeto da sua observação deve ser sua própria observação.

O que difere eu-ser de você-ser? E o que iguala?

O que difere é que eu não sou você. Eu sou um ser e você é outro ser. Eu sou uma unicidade existencial e você é outra unicidade existencial. Eu sou uma unitrindade e você é outra unitrindade. O que iguala é que sou um ser igual você, sou uma unicidade existencial igual você, sou uma unitrindade igual você e vice versa. Ou seja, somos igualmente diferentes.

O que mudará na ciência quando os cientistas despertarem a consciência?

A ciência, como estudo da realidade externa, desaparecerá, e os cientistas entenderão que, mesmo inconscientes, estavam praticando autociência. E tem mais! Se a realidade não é externa, se é virtual e imanente a você, criador da realidade, as leis naturais também são. Essa será a grande revolução da ciência, ela deixará de ser um estudo da realidade externa e se tornará o estudo da natureza humana, que cria a realidade que parece externa. Os cientistas irão descobrir que tempo e espaço fazem parte do sistema operacional humano (natureza humana). E não terão descoberto nada de novo. O filósofo Emanuel Kant, por exemplo, já explicou isso faz tempo.

O ser contínua existindo após a morte?

Ser não nasce, nem morre: ser existe. Você-ser não nasceu nesse mundo, esse mundo nasceu em você. Quando você-pessoa morre, sua realidade morre junto, mas você-ser (existência) permanece existência.

Para atingir a iluminação devo me perguntar quem está observando a realidade?

Sim, só que uma pessoa de mentalidade materialista também pode fazer a mesma pergunta e dar a mesma resposta: eu. A diferença é que o “eu” da pessoa de mentalidade materialista, é o corpo, e o “eu” da pessoa desperta, é o nada.

Por que vários mestres dizem que sou só consciência e não tenho arbítrio?

Porque ignoram que o ser é uma unitrindade. E entendo porque ignoram. São dois motivos: 1) A inferência da consciência é a mais fácil de inferir. A inferência da potência é muito difícil de inferir. 2) Seus antecessores (professores desses professores) também só inferiram a consciência, então, apenas repetem o que aprenderam por tradição.

Um professor que entende e considera o ser apenas como consciência está usando um mapa incompleto do ser. E sendo assim, faz todo sentido afirmar que não existe arbítrio. Um cego, ao abrir a torneira de um chuveiro, também concluiria que não é responsável pela água que está caindo sobre sua cabeça.

Por fim, vale observar que a psicologia, por outro lado, tem um mapa bem detalhado sobre o funcionamento do desejo, mas sendo que a potência do ser (desejo) é existencial, a psicologia também não entende a razão primordial do sofrimento. O mapa da psicologia também é incompleto.

Posso alterar minha potência?

Não, você é sempre a mesma potência.

Potência é energia?

Você pode pensar assim se preferir. Prefiro os termos: vontade e desejo.

Potência é o que chamam de fonte?

Pode usar esse termo se preferir. Potência é vontade, desejo, fonte.

Potência é vontade de que? O que eu-ser quero?

Potência é vontade de ser, vontade de manifestação. Ser quer ser. Você quer ser você realizado. Você quer se auto-realizar.

Qual a relação entre observação, mentalidade e crença?

Mentalidade e crença são o mesmo. Sua mentalidade é feita de crenças. Uma mentalidade é um conjunto de crenças. Crenças são objetos da sua observação. Você observa suas crenças. Sua observação altera suas crenças. Por exemplo, você acredita que as crianças vêm ao mundo trazidas pela cegonha. Daí você observa uma mulher grávida em trabalho de parto e essa observação altera sua crença sobre o nascimento das crianças.

Qual é a relação entre ser e espírito?

São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Ser é sinônimo de espírito.

Se uma explicação científica é uma inferência, então, pode ser uma inferência equivocada?

Sim, claro! O materialismo é um exemplo disso. A inferência de que a matéria é uma entidade física e externa ao observador, é uma inferência equivocada. Mas a ciência é uma prática baseada na observação, então, sempre tromba com alguma observação que aponta para a inferência equivocada. Atualmente as inferências da física clássica estão trombando com as observações da mecânica quântica. No passado, o geocentrismo trombou com as observações heliocêntricas. E assim por diante. Na verdade, a ciência avança com o fracasso de suas inferências e não com o sucesso. O fracasso do materialismo resultará, com certeza, no maior avanço científico da história do ser humano.

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