Não Somos Todos Um

06/01/2026 by in category Sem categoria tagged as , , with 0 and 0

O sonho dourado dos alecrins espiritualistas, mais esperado que a volta de Jesus, é “somos todos um”. No seriado Pluribus, através de uma pandemia, esse sonho milenar se realizou em 56 minutos. E qual tem sido a reação dos alecrins? Celebração pelo fim do egoísmo? Não! Tem sido a mesma reação da Carol: resistência. E por que?

Não somos todos um, somos todos uns.

Não existe todos sem cada um. Não existe coletividade sem individualidade. Cardume é um coletivo de peixes porque é um coletivo de indivíduos. Se todos os peixes se tornam um só, não tem mais coletivo, tem um peixe só. Pluribus não é uma coletividade de mentes, é uma mente só se manifestando através de vários hardwares (corpos), igual o chatGPT se manifestando através de vários celulares.

Então, o sonho dourado do cooperativismo é impossível por natureza?

Não, pois individualidade não é sinônimo de individualismo, nem ego é sinônimo de egoísmo. Individualidade, ego, eu, unicidade é da natureza do universo, não é opcional, cada um é um por natureza. Individualismo sim é opcional, pois é uma decisão do indivíduo em relação ao coletivo.

Todo indivíduo pode cooperar para o bem coletivo ou não (egoísmo). Quer um indivíduo opte por cooperar ou não, sua individualidade se mantém a mesma. Perder a individualidade é impossível. Cada ser no universo está universalmente condenado a ser um. O que um indivíduo pode fazer é perder o individualismo.

Claro que o seriado Pluribus não explica isso. Primeiro porque isso requer autoconhecimento existencial. Segundo porque Pluribus é um seriado de televisão, não é aula de autociência. O seriado iguala individualidade com individualismo para confrontar você, indivíduo, com a seguinte pergunta: to Carol or not to Carol?

O seriado mostra um mundo sem egoísmo, onde todos os indivíduos interagem visando o bem de todos os indivíduos (bem coletivo). Todos os problemas sociais desaparecem com o cooperativismo, mas Carol ainda acredita que é melhor viver em um mundo egoísta.

A resistência de Carol está alicerçada no equívoco da perda da individualidade. Mas não é só isso! Está alicerçada também, e principalmente, na resistência a doação. Carol não quer dar, só quer receber. Carol quer viver na ilha do egoísmo, onde tudo entra e nada sai, onde tudo gira ao redor do seu desejo, onde a função dos outros é lhe servir 24/7 bastando digitar zero.

Um mundo cooperativista onde todos ganham na loteria ou um mundo egoísta onde todos perdem para só um ganhar? Carol ganhou sozinha na loteria e foi convidada a trocar o bilhete premiado pelo fim da violência, da miséria, da escravidão, da segregação e todos os derivados do egoísmo. Carol disse não.

E você, alecrim, o que diz?

© 2025 • 1FICINA • Marcelo Ferrari