— Eu errei! Todos nossos antecessores erraram também. E não há vergonha nenhuma nisso, absolutamente nenhuma, pois errar é o caminho da ciência. O conhecimento científico avança através do reconhecimento do erro. Chegou a hora de avançarmos, e para isso, um erro fundamental da ciência, que tem nos aprisionado por séculos, precisa ser corrigido de uma vez por todas.
— Qual é o erro, professor? — questiona um dos alunos.
— Assim como todos vocês estão acreditando agora, e como a comunidade científica global ainda crê, eu também acreditei piamente, durante toda a minha vida no materialismo. Eu não sabia de fato o que era matéria — ninguém sabe, apenas operamos com o conceito. Sabia do conceito, dominava as equações da física, e sabia, claro, que essas equações funcionavam perfeitamente para explicar muita coisa e, principalmente, para produzir tecnologia.
Albert faz uma pausa.
— Só que, para mim, “funciona” não é suficiente. Sou alérgico a dogmas, mesmo que sejam dogmas científicos. Sempre senti que faltava uma peça, algo que tornasse o quadro completo, algo que não fosse uma mera descrição matemática.
Albert leva o olhar para o horizonte invisível, como se revivesse o momento de sua epifania.
— Então, ontem, de forma brutal e inegável, percebi algo que ignorei completamente durante toda a minha vida, algo que estava escancarado na minha frente, em cada equação, em cada experimento, mas que o dogma materialista me impedia de ver.
— O que aconteceu, professor? — pergunta um aluno.