Observe que isso que você chama de corpo é um objeto contido no espaço. Observe que sem espaço, seu corpo não teria como nem onde existir. Observe que sem espaço, coisa nenhuma teria como e onde existir. Observe que, sendo assim, tudo que você diz que existe tem sua existência no espaço e a existência de tudo no espaço tem começo, meio e fim, ou seja, é uma existência temporal.
Observou isso? Está óbvio pra você? Ótimo!
Agora vou fazer uma troca de conceitos. Vou reescrever o trecho inicial do texto acima trocando o conceito de “existir” por “acontecer” e o conceito de “objeto” por “acontecimento”. Fica assim: “Observe que isso que você chama de corpo é um acontecimento temporal contido no espaço e acontecendo no espaço. Observe que sem espaço, seu corpo não teria como nem onde estar acontecendo”.
O que minha troca de conceitos fez com o seu corpo? Fez com que seu corpo deixasse de ser um corpo, um objeto, uma entidade independente do espaço e o transformou em um acontecimento temporal oriundo e absolutamente dependente do espaço.
Observou isso? Está óbvio pra você? Ótimo!
Agora me diga, minha troca de conceitos está errada? Está errado afirmar que um corpo é um acontecimento temporal, com começo, meio e fim, oriundo e absolutamente dependente do espaço?
Óbvio que não! Está correto!
Agora observe o espaço. O espaço é um acontecimento temporal com começo, meio e fim? Onde o espaço começa? Onde termina? Quando o espaço começa? Quando termina? O espaço é oriundo e depende dos acontecimentos temporais ou é o oposto? O espaço está contido nos acontecimentos temporais ou é o oposto.
É óbvio que o espaço não é um acontecimento temporal, é o lugar onde todos os acontecimentos temporais estão acontecendo. É óbvio que o espaço não é oriundo nem dependente dos acontecimentos temporais, é o oposto. É óbvio que o espaço não está contido nos acontecimentos temporais, é o oposto.
Tudo isso é óbvio pra você? Ótimo!
Agora considere que você está sonhando. Não use a imaginação. Não imagine que está sonhando, se mantenha consciente da realidade que está experimentando, tal como está experimentando, mas considere que essa realidade é um sonho.
Sendo assim, tudo que você está vendo está acontecendo dentro de você, sonhador. A parede, a porta, as cadeiras, as pessoas ao seu redor, etc. Tudo que você está vendo, tal como está vendo, são acontecimentos dentro de você, sonhador.
Se você abrir a janela e olhar pro sol, pra lua, ou pras estrelas, o sol, a lua e as estrelas também são acontecimentos dentro de você, sonhador.
Se você olhar pro seu corpo, seu braço, sua mão, suas pernas, seus pés, seus dedos, suas unhas, seu abdômen, etc, também são acontecimentos dentro de você, sonhador.
Permaneça vendo o que está vendo e permaneça considerando que é um sonho. Enquanto estiver fazendo isso, seu raciocínio irá concluir algo assim:
“Considerando que essa realidade que estou experimentando é um sonho e que sou o sonhador, concordo que tudo que estou vendo está dentro de mim, parede, porta, cadeiras, as pessoas, o sol, a lua, as estrelas e meu corpo. Mas não pode ser assim de fato, porque se for assim, EU SOU O ESPAÇO”.