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Fazendo uma analogia da experiência humana com um videogame, seu arbítrio é o joystick e sua realidade é a imagem na tela. Quando você está brincando de videogame, a imagem na tela obedece o manuseio do joystick. O mesmo acontece com sua realidade. Só que no videogame, você vê o manuseio do joystick e a correspondente mudança na tela, na brincadeira de ser humano, você não vê o joystick. Ou seja, você executa seu arbítrio, mas não se vê executando, você só vê o efeito: sua realidade mudando. A correspondência fica invisível. Por isso parece que sua realidade está mudando aleatoriamente, sem seu arbítrio. E para piorar, você também não vê o arbítrio dos outros jogadores (seres) que estão optando junto com você e interferindo no resultado. Então, sem autoconhecimento, é inevitável você supor que não existe arbítrio, que sua realidade é arbitrária. Mas é justamente o oposto. Sua realidade não é arbitrária, é arbitrada.

Liberdade é limite. Atenção! Não estou dizendo que liberdade “tem” limite. Estou dizendo que liberdade “é” limite. Assim como seis é meia dúzia, liberdade é limite. Seis e meia dúzia são duas palavras diferentes, mas que entendemos como sendo de igual significado, ou seja, sinônimos.

Limite e liberdade são duas palavras diferentes, mas que entendemos como sendo de significados opostos, ou seja, antônimos. Então, segundo a lógica habitual, dizer que liberdade é limite, é uma contradição. É o mesmo que afirmar que aberto é fechado, que seco é molhado, que calor é frio. Esse é o obstáculo para entender o que é liberdade.

Significado funciona por antônimos. É impossível entender aberto senão como antônimo de fechado, seco senão como antônimo de molhado, calor senão como antônimo de frio e liberdade senão como antônimo de limite. Ao igualar liberdade com limite, liberdade fica sem antônimo, e por ficar sem antônimo, fica sem sentido, sem significado.

Mas igualar liberdade com limite não faz com que liberdade perca o significado, faz com que mude de significado. E também não faz com que liberdade perca o antônimo, faz com que mude de antônimo. Sendo que liberdade é limite, o antônimo de liberdade é o mesmo antônimo de limite: ilimitado (sem limite).

Entender que liberdade é limite faz você parar de tropeçar em uma oposição que não existe, resolve o problema esclarecendo que não existe problema. Vamos ver alguns exemplos para deixar isso evidente:

Qual é seu limite de crédito bancário?
Vamos supor que seja 10 centavos.
Você tem liberdade para gastar 1 centavo além?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é seu limite de visão?
Vamos supor que seja 500 metros.
Você tem liberdade para enxergar 1 milímetro além?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é seu limite de camisas?
Vamos supor que duas: uma branca e outra preta.
Você tem liberdade de vestir uma camisa azul?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é o limite do seu corpo?
Exatamente o corpo que você tem.
Você tem liberdade para ter corpo além do seu corpo?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Imagine que você é Aladim e acabou de encontrar a famosa lâmpada. Você esfrega a lâmpada e o gênio lhe diz: “Seu desejo é uma ordem”. Usando essa metáfora, qual é o tamanho da sua liberdade? Ou seja, qual é seu limite de opções? Sendo que você pode pedir o que quiser, sua resposta provavelmente é que você não tem limite de opções, que seu limite é ilimitado. Você pode pedir um palito de dente, duzentos carros, mil canetas, uma máquina de fazer dinheiro, um tapete voador, etc. Você também pode pedir para o gênio transformar um elefante em uma ervilha ou dar nó em pingo d’água. Enfim, você pode pedir qualquer coisa, logo, parece evidente que suas opções de pedido são ilimitadas, ou seja, parece evidente que sua liberdade é ilimitada.

Acreditar que sua liberdade de opções é ilimitada é quase inevitável, mas é um equívoco, pois por mais criativo que você seja para imaginar opções, sua liberdade de opções não tem como ir além da sua imaginação. Você pode pedir ao gênio qualquer opção que conseguir imaginar, mas é incapaz de pedir algo que não consegue imaginar. Seu limite de opções é do tamanho da sua imaginação. Liberdade é do tamanho da imaginação.

O entendimento de que liberdade é do tamanho da imaginação tem várias implicações. Por exemplo:

Sendo que sua imaginação é humana, sua liberdade também é humana.
Sendo que sua imaginação é inconstante, sua liberdade também é inconstante.
Sendo que sua imaginação é imprevisível, sua liberdade também é imprevisível.
Sendo que imaginação é particular, liberdade também é particular.
Sendo que sua imaginação difere da imaginação do outro, sua liberdade também difere da liberdade do outro.

Liberdade é uma coisa e livre arbítrio é outra. Pense na tela do seu computador quando você está na internet. Usando essa metáfora, o que é liberdade e o que é livre arbítrio? Liberdade são todas as opções que estão na tela do seu computador. O que é livre arbítrio? É clicar numa opção. Liberdade é limite de opções. Livre arbítrio é optar. Por isto que livre arbítrio é sempre 100%. Não importa se sua liberdade é de um milhão de opções ou apenas duas opções, em qualquer caso, em qualquer limite, em qualquer tamanho de liberdade, seu livre arbítrio é sempre o mesmo: optar (clicar). Livre arbítrio é livre click. Não tem meio click. Click é sempre 100%. E não adianta dizer: “Eu cliquei por hábito, fui condicionado a clicar, logo, não cliquei, não optei”. Claro que optou (clicou). Tanto optou que experimentou a opção optada.

Tem pessoas que acreditam que existe livre arbítrio e tem pessoas que não acreditam. Essa divergência produz bastante debate filosófico desde muito tempo. Porém, esse debate é um equívoco, pois é impossível acreditar em livre arbítrio. E por quê? Porque livre arbítrio é acreditar. Mais uma vez o problema é com as palavras. Livre arbítrio = livre acreditar. Dizer “eu não acredito em livre arbítrio” é o mesmo que dizer “eu não acredito em acreditar”. O problema filosófico do arbítrio não é filosófico, é semântico. Provavelmente a palavra “arbítrio” surgiu do contexto religioso e a palavra “acreditar” vem do contexto coloquial. O principal é constatar que são sinônimos. Você é livre para acreditar. E se você não acredita no que estou dizendo: pronto! Eis a prova!

Como você faz café? Você fica olhando para o pó de café e fica esperando ver o café ficar pronto para acreditar? Ou você acredita na criação do café, coloca em prática sua crença e vê o café ficando pronto? Todo dia, ao fazer café, você crê para ver. Você acredita na ideia de pegar o coador no armário (clica nessa ideia). Você acredita na ideia de colocar o pó no coador (clica nessa ideia). Você acredita na ideia de colocar água quente no coador (clica nessa ideia). Enfim, você acredita numa porção de ideias, coloca essas ideias em prática e por isso vê o café sendo feito. Nada do que você experimenta é criado através do método científico (ver para crer), criação é fé (crer para ver). Crer é clicar. Então, criação é clicação.

Através da ciência você testemunha sua realidade, comprova sua realidade, mede sua realidade, categoriza sua realidade, mas não fabrica nenhuma realidade. Por que não? Porque ciência é VER PARA CRER e criar é CRER PARA VER. Ciência é ver e analisar o produto fabricado, não é fabricar. Fabricar realidade é um ato de fé. Criação é acreditação. Ciência é testemunha da fé. Por isso você está sempre experimentando o que está acreditando ser a melhor opção.

Não é uma nova era que irá produzir um novo homem, é um novo homem que irá produzir uma nova era. Um novo jardim não é produzido do jardim para a flor. Jardim é efeito. Não é o jardim que faz as novas flores desabrocharem, é o desabrochar das novas flores que faz surgir um novo jardim. Estamos no início de uma nova era porque estamos no início de um novo homem. Você está mudando de opção, por isso a nova era está se realizando. Pense na internet. Se você clica sempre no mesmo link, a realidade que você experimenta é sempre a mesma. Se você muda de opção, a realidade muda também. De forma análoga, é assim que você está cocriando uma nova era, clicando em uma nova opção, clicando em um novo jeito de viver, clicando no viver universalista.

Imagine que você está trancado em uma cadeia. Na porta da cela tem uma fechadura. Na sua mão tem uma chave. Foi o próprio carcereiro que lhe deu a chave. Você coloca a chave na fechadura e vira a chave no sentido horário. Nada acontece. A fechadura continua fechada e você continua preso.

Como a chave não funcionou, você conclui que o carcereiro lhe deu a chave errada. Você fica com raiva, joga a chave pela janela e pede que o carcereiro lhe dê a chave certa. O carcereiro lhe entrega a mesma chave que você jogou pela janela. Mais uma vez você coloca a mesma chave na fechadura e vira no mesmo sentido horário. Mais uma vez nada acontece. A fechadura continua fechada e você continua preso.

Mais uma vez você conclui que o carcereiro lhe deu a chave errada. Mais uma vez você fica com raiva, joga a chave pela janela e pede que o carcereiro lhe dê a chave certa. Mais uma vez o carcereiro lhe entrega a mesma chave que você jogou pela janela. E assim por diante. Até que você desperta para o óbvio: virar a chave no sentido horário fecha a fechadura. Você vira a chave no sentido anti-horário e a fechadura se abre. Fim do aprisionamento.

Eureka? Assim como não era a fechadura que estava prendendo você, mas sua liberdade de usá-la de forma equivocada, também não é sua experiência humana que está fazendo você viver mal, também é sua liberdade de usá-la de forma equivocada.

PERGUNTAS

Seu arbítrio é existencial, mas está humanizado. Pense em um jogo de videogame. O avatar tem arbítrio? Não! E por que não tem? Porque o controle do jogo está na mão do jogador e não na mão do avatar. Isso é fácil de entender porque existe uma distância espacial entre o jogador e o avatar. O jogador está sentado no sofá, o avatar está na tela da televisão, tem dois metros entre um e outro. Agora, aproxime o jogador do avatar até que desapareça a distância entre eles. Até que não exista mais separação entre um e outro. Sendo assim, quando o avatar chuta uma bola dentro do jogo, de quem foi o arbítrio: do jogador ou do avatar? O arbítrio foi do jogador, porque o arbítrio é sempre do jogador, mas sendo que não existe separação entre jogador e avatar, parece que é do avatar. Analogamente, o mesmo acontece na experiência humana, você-ser é o jogador, você ser humano fulano é o avatar.

As leis proíbem, mas não impedem sua liberdade. Você pode roubar um banco, por exemplo. Nenhuma lei é capaz de te impedir de fazer isso. Mas roubo é considerado um crime pela sociedade, então, assim como você tem liberdade de roubar, a sociedade tem liberdade de te prender quando você faz essa opção. Sua liberdade interage com a liberdade dos outros.

Criatividade é organização. Crianças brincam com pecinhas de lego. Usando a criatividade, as crianças organizam as pecinhas de lego criando diferentes formas. Uma música é uma organização específica de sete notas. Não existe nenhuma música que tenha uma oitava nota. Contudo, a criatividade de cada compositor em organizar essas mesmas sete notas resulta em uma infinidade de músicas diferentes. Imaginar coisas novas é pegar essas pecinhas mentais de lego chamadas memórias e organizá-las de um jeito novo. Santos Dumont, quando imaginou o avião, provavelmente se baseou em suas memórias de pássaros, por isso o avião tem asas.

Investigando a veracidade deles e o efeito que causam quando você acredita neles. Vamos supor que você acredita que tem um bicho papão dentro do seu armário. Você pode investigar a veracidade desse pensamento abrindo o armário. Vamos supor que você acredite que precisa comer um tubo de pasta de dente todos os dias para atingir a felicidade suprema. Você pode investigar se acreditar nisso está de fato te fazendo mais feliz.

Cada click dispara um pacote de realidades. Você opta por uma coisa mínima, como usar determinada roupa para um compromisso, por exemplo. Só que no pacote dessa opção está uma pneumonia. Você pensa que optou pela roupa, mas optou por ficar com pneumonia. Como se dá isso?

Por causa da vaidade, você opta por usar uma roupa bonita, mas sem mangas, bem aberta. Seu encontro é em um restaurante que tem o ar condicionado mais frio do planeta. Você passa duas horas no restaurante morrendo de frio, mas fingindo que está tudo bem para não colocar um casaco feio que lhe ofereceram, pois vai estragar o look. Resultado, você opta pela roupa e vai parar no hospital com pneumonia.

Só que você não entende essa relação. Você não entende que quando clicou na roupa estava clicando na pneumonia. Mas estava. E pior! Você não clicou na roupa. Roupa é só um objeto, uma coisa, só uma significante, não tem significado. Você clicou no significado da roupa. A roupa significava sua vaidade. Então, a pneumonia não estava no pacote da roupa, estava no pacote da vaidade. Você vai parar no hospital por causa da sua vaidade.

Só que você não consegue nem entender que está com pneumonia por causa da roupa, menos ainda que é por vaidade. Tem a questão psicossomática também. Cultivar mágoa, por exemplo, é passar a vida tomando veneno. Não tem corpo que aguenta. Raiva igualmente. Ansiedade, igualmente, etc…

Observando o fluxo da sua criação de realidade. Observe como o fluxo da sua criação de realidade é guiado, instante após instante, através do seu arbítrio. Nesse instante, por exemplo, você está experimentando a leitura desse texto porque está executando o arbítrio nesse sentido, se optar por parar com a leitura e ir até a cozinha beber água, é isso que irá experimentar.

Se você não controla sua criação de realidade, quem criou essa pergunta?

Não são apenas os reptilianos que te influenciam, tudo te influencia, mas você se determina. É muito importante entender isso. Quando digo “tudo”, quero dizer, tuuuudo, do verbo tudo mesmo. O preço da gasolina, a umidade do ar, a velocidade da internet, a temperatura do sol, a quantidade de sal na comida, o ph da água, a estrutura de uma molécula invisível chamada vírus, enfim, tudo, sem exceção, te influencia. Porém, só você pode optar por você. Arbítrio é incorruptível. Então, embora tudo te influencie, você se determina. É você que opta o que fazer com a influência que recebe, é você que opta como conviver com a influência, seja qual for.

Sua pergunta está baseada em um equívoco. Explico. Pense no seguinte. Você precisa aceitar que existe? Você precisa aceitar sua existência? Claro que não! É óbvio que você existe. Pois como você poderia negar sua existência se não existisse? O mesmo com o arbítrio. Não é questão de aceitar, é questão de ficar consciente. Quando você nega o arbítrio, embora não perceba, você está constatando o arbítrio, pois como você poderia negar o arbítrio se não tive arbítrio para negá-lo?

É válido trocar seu carro por um chiclete mastigado? Você que decide, não é? O mesmo com seus pensamentos. Se você quiser desacreditar de todos, você pode. Se isso é válido, você decide.

Ué, quantas possibilidades você consegue imaginar?

O problema nessa questão do arbítrio é que você supõe duas entidades separadas: ser e humano. Não existe essa dualidade. Assim como gelo é água congelada, você é ser humanizado. Contudo, quando você vê uma pedra de gelo, você entende facilmente que está olhando para água congelada, mas quando você olha para si mesmo, você ignora que é um ser humanizado. Essa ignorância faz você cometer o equívoco da dualidade. Uma vez sob o equívoco da dualidade, você se pergunta se sua pessoa tem arbítrio.

A resposta é sim, pois pessoa é você-ser humanizado.

Vou criar uma imagem para ajudar no entendimento. Imagine que você-ser é água e você-pessoa é um boneco de gelo. O boneco de gelo tem arbítrio? Se você acreditar que existem duas entidades separadas, água e boneco de gelo, você dirá que não, pois o arbítrio é da água e não do boneco de gelo. Mas se você entender que água e boneco de gelo são uma coisa só, daí fica óbvio que sim, pois boneco de gelo é água congelada.

Sim, quanto mais você imagina, maior seu cardápio de opções, quanto menos você imagina, menor seu cardápio de opções.

Você está acreditando que querer é suficiente para realizar. Isso é um equívoco. Não adianta você querer, querer, querer beber água, por exemplo. Querer beber água não mata sua sede. Visualizar você bebendo água também não mata sua sede. Para realizar sua vontade, você precisa pensar em uma estratégia de realização e colocá-la em prática. Para matar sua sede, por exemplo, você pode pensar assim: “vou pegar um copo, abrir a torneira, encher o copo e beber a água”. Essa é a estratégia pensada. Ao colocar essa estratégia em prática, você estará realizando sua vontade (matando a sede). Se ficar só querendo, vai morrer de sede, pois querer não realiza nada, apenas indica o que você quer realizar.

Sim, pois imaginação não é sinônimo de realização. Imaginação é realidade simulada. Realização é realidade objetiva. Quando você está em uma margem do rio, você pode facilmente se imaginar na outra margem. Mas para que essa imaginação se torne realidade objetiva, você precisa nadar até a outra margem. O processo de realização é você nadando de uma margem para outra. A cada braçada que você dá nadando através do rio, você está realizando um pouco mais a realidade simulada, transformando-a em objetiva.

Ponha uma bola na sua frente e chute a bola. Depois, me diga, quem chutou a bola: foi o pé ou a perna? O mesmo acontece com seu arbítrio. A pessoa é o pé, o ser é a perna. Quem arbitra é o ser, mas o arbítrio do ser acontece através da pessoa, assim como a perna chuta a bola através do pé.

Sim, você é livre para acreditar ou não acreditar. Sendo assim, você é livre inclusive para acreditar que não é livre para acreditar.

Você está escolhendo brincar de ser humano, por isso está experimentando respirar. Faz parte dessa opção.

O equívoco é acreditar que a palavra liberdade e a palavra limite são antônimos quando são sinônimos.

O que determina sua realidade é seu arbítrio. Arbítrio é causa, realidade é efeito. Nesse exato momento, você está experimentando a realidade dessa leitura, porque está optando por isso. Se você mudar de opção, imediatamente começará a experimentar outra realidade. Vamos supor que decida desligar o computador, ir até o banheiro e tomar banho. Sua experiência será exatamente essa.

Num jogo de videogame, já está tudo escrito? Sim e não. Sim, porque todas as possibilidades do jogo já estão determinadas. E não, porque “jogar” é você realizando as possibilidades que escolhe realizar. O mesmo com a experiência humana, é tipo um jogo de videogame. Eu chamo de egogame.

Seu equívoco é acreditar ser impossível. Você está acreditando ser impossível porque está considerando apenas a possibilidade de levantar a árvore inteira, de uma vez, usando os próprios braços, mas tem outras possibilidades de realização do seu objetivo. Por exemplo, você pode usar um guindaste para levantar a árvore. Você pode chamar muitas pessoas para lhe ajudar a levantar a árvore. Você pode desenvolver um sistema magnético de elevação e levantar a árvore. Você pode cortar a árvore em pedaços e levantar a árvore. Enfim, você sempre pode pensar em outras opções até conseguir. Mas se você fechar a porta da sua imaginação só porque uma opção não funcionou, daí você irá comprovar exatamente o que está acreditando: é impossível.

A todo instante tem um menu de possibilidades dentro da sua cabeça. Quando você dá credito de melhor opção para uma possibilidade, você está botando fé nessa opção como a melhor estratégia para realização do seu desejo.

Para existir niilismo de verdade, o verbo acreditar teria que ser intransitivo, ou seja, sem complemento. Bastaria você dizer “eu não acredito” e pronto, você já seria niilista. Porém, tanto o acreditar como o não-acreditar tem objeto (complemento). Quando você acredita, você acredita em algo. Quando não-acredita, também não-acredita em algo. Ou seja, é impossível ser niilista porque é impossível não acreditar em algo e não atribuir significado. Para ser niilista de verdade, você teria que ser um repolho, ou uma vaca, ou um mosquito, ou uma pedra. Seres humanos são seres que inevitavelmente pensam e acreditam. Logo, são inevitavelmente incapazes de serem niilista.

Claro que é decisão sua. O que acontece é que você desconsidera as decisões anteriores que te levaram a experiência presente. Por exemplo, você decide fazer uma viagem. Você decide não dirigir. Você decide comprar uma passagem e ir de ônibus. O motorista cachaceiro dorme de volante, bate o ônibus e você quebra a perna. O que você faz? ( A ) Assume sua culpa pela perna quebrada, uma vez que foi você que decidiu viajar de ônibus. ( B ) Desconsidera sua decisão em viajar de ônibus e coloca toda a culpa no motorista cachaceiro que dormiu no volante. Esclareceu?

Dei o nome de Romeu para seu marido para facilitar responder. A resposta é simples! Você permanece casada com Romeu porque opta por permanecer casada com Romeu. Ninguém te obriga a permanecer. Nada lhe impede de mudar de opção. Todo dia você acorda e continua casada com Romeu porque todo dia você diz sim para Romeu, igual você disse no dia do seu casamento. No momento em que você decidir dizer não para Romeu, pronto, será o fim do seu casamento com Romeu. Entendido isso, você pode me perguntar: E por que eu opto por continuar casada com Romeu? Eu lhe pergunto: Quem opta por permanecer casada com Romeu? Você responde: Sou eu que opto. Eu lhe pergunto: Então, por que está perguntando o motivo para mim? Eu não sei o que acontece dentro de você. Certamente você tem um motivo para optar por continuar casada com Romeu. Porém, só você tem acesso a você, então, só você pode saber o motivo. E se quiser saber, se pergunte: por que opto por permanecer casada com Romeu? Encare a resposta, seja qual for. Uma vez que você descobrir o motivo, você pode avaliar se é um bom motivo se perguntando exatamente isso: esse motivo é um bom motivo para permanecer casada com Romeu? Se você continuará casada com Romeu depois disso, não sei, você decidirá, mas você ficará mais consciente do motivo de permanecer casada e isso lhe ajudará a optar melhor.

Fé é acreditar. Você não tem como perder sua capacidade de acreditar. Você está sempre acreditando em algo, inevitavelmente. O que pode acontecer, e acontece, é você deixar de acreditar em algo. Por exemplo, você acredita que o sabão em pó Omo deixa o branco mais branco. Daí você experimenta outra marca e descobre que é mentira. A outra marca deixa o branco mais branco do que o Omo. Por conta dessa experiência, você deixa de acreditar que o sabão em pó Omo deixa o branco mais branco. Nesse sentido, você perdeu sua fé no sabão em pó Omo, pois deixou de acreditar na promessa dele. Mas você não perdeu a capacidade de acreditar, então, não perdeu a fé.

Mentalidade é a base da sua imaginação. Imagine, por exemplo, que você tenha uma mentalidade de jogador de basquete. Você não terá imaginações de um pescador de camarão porque sua mentalidade é de jogador de basquete.

Se você estiver usando o conceito de liberdade no sentido de livre-arbítrio, não, pois todos os seres humanos têm igual livre-arbítrio, todos têm liberdade de optar. Se você estiver usando o conceito de liberdade no sentido de leque de opções, sim, pois liberdade é do tamanho da imaginação.

Schopenhauer está certo dentro da mentalidade materialista. Ele entende o ser humano como um espermatozoide em evolução, logo, não entende a função pedagógica do sofrimento. Ele vê o sofrimento apenas como uma espécie de maldição da vida.

Sua pergunta está partindo de uma premissa equivocada. Qual? A crença de que sua experiência (vida) pode não depender de você. Seu arbítrio é intransferível. Logo, sua vida é sempre 100% dependente de você. Mesmo quando você decide fazer o que o outro quer que você faça, por exemplo, você está decidindo realizar a vontade do outro, não é o outro que está decidindo por você. Dito isso. Se 1% do seu arbítrio estiver em desacordo com sua unicidade, então sim, você experimentará 1% de mal viver.

Errado! Fé = arbítrio = acreditar = clicar. Você está sempre e inevitavelmente acreditando em alguma opção, por isso está sempre e inevitavelmente experimentando JUSTAmente o que está acreditando, optando, clicando, botando fé.

Para jogar futebol você deve se limitar a usar apenas os pés e nunca as mãos. Essa é a graça de jogar futebol. Para jogar basquete você deve se limitar a usar apenas as mãos e nunca os pés. Essa é a graça de jogar basquete. Ou seja, a graça de jogar um jogo, seja qual for, está justamente em se limitar às regras daquele jogo. A experiência humana é o jogo de ser humano. Entender isso muda seu entendimento da função da limitação humana. Ao invés de você se sentir limitado, você se sente desafiado. Fazer muito com muito é fácil, não tem desafio nenhum, difícil é fazer muito com pouco. Conduzir uma bola usando as mãos, é fácil, não tem desafio nenhum, conduzir uma bola usando só os pés, é desafiador. E quanto maior o desafio, maior o prazer de vencê-lo. O mesmo com a limitação humana.

Tudo que você faz é você optando, arbitrando, usando sua natureza humana. Seu arbítrio não está pre-programado. Pelo contrário, é sua liberdade de optar. Mas seu arbítrio só pode ser exercido dentro das possibilidades da natureza humana, assim como tudo que você pode fazer dentro de um videogame é dentro das possibilidades do videogame. Então, em questão de possibilidades, sim, tudo que você pode fazer está pré-programado, pois a natureza humana é como um jogo de videogame.

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