LIVRE CLICK

25/05/2016 by in category Livros with 0 and 0
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01 | LIBERDADE É LIMITE

Liberdade é limite. Atenção! Não estou dizendo que liberdade “tem” limite. Estou dizendo que liberdade “é” limite. Assim como seis é meia dúzia, liberdade é limite. Seis e meia dúzia são duas palavras diferentes, mas que entendemos como sendo de igual significado, ou seja, sinônimos. Limite e liberdade são duas palavras diferentes, mas que entendemos como sendo de significados opostos, ou seja, antônimos. Então, segundo a lógica habitual, dizer que liberdade é limite, é uma contradição. É o mesmo que afirmar que aberto é fechado, que seco é molhado, que calor é frio. Esse é o obstáculo para entender o que é liberdade.

Significado funciona por antônimos. É impossível entender aberto senão como antônimo de fechado, seco senão como antônimo de molhado, calor senão como antônimo de frio e liberdade senão como antônimo de limite. Ao igualar liberdade com limite, liberdade fica sem antônimo, e por ficar sem antônimo, fica sem sentido, sem significado. Mas igualar liberdade com limite não faz com que liberdade perca o significado, faz com que mude de significado. E também não faz com que liberdade perca o antônimo, faz com que mude de antônimo. Sendo que liberdade é limite, o antônimo de liberdade é o mesmo antônimo de limite: ilimitado (sem limite).


02 | RESOLVENDO O PROBLEMA

Entender que liberdade é limite faz você parar de tropeçar em uma oposição que não existe, resolve o problema esclarecendo que não existe problema. Vamos ver alguns exemplos para deixar isso evidente:

Qual é seu limite de crédito bancário?
Vamos supor que seja 10 centavos.
Você tem liberdade para gastar 1 centavo além?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é seu limite de visão?
Vamos supor que seja 500 metros.
Você tem liberdade para enxergar 1 milímetro além?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é seu limite de camisas?
Vamos supor que duas: uma branca e outra preta.
Você tem liberdade de vestir uma camisa azul?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é o limite do seu corpo?
Exatamente o corpo que você tem.
Você tem liberdade para ter corpo além do seu corpo?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.


03 | TAMANHO DA LIBERDADE

Imagine que você é Aladim e acabou de encontrar a famosa lâmpada. Você esfrega a lâmpada e o gênio lhe diz: “Seu desejo é uma ordem”. Usando essa metáfora, qual é o tamanho da sua liberdade? Ou seja, qual é seu limite de opções? Sendo que você pode pedir o que quiser, sua resposta provavelmente é que você não tem limite de opções, que seu limite é ilimitado. Você pode pedir um palito de dente, duzentos carros, mil canetas, uma máquina de fazer dinheiro, um tapete voador, etc. Você também pode pedir para o gênio transformar um elefante em uma ervilha ou dar nó em pingo d’água. Enfim, você pode pedir qualquer coisa, logo, parece evidente que suas opções de pedido são ilimitadas, ou seja, parece evidente que sua liberdade é ilimitada.

Acreditar que sua liberdade de opções é ilimitada é quase inevitável, mas é um equívoco, pois por mais criativo que você seja para imaginar opções, sua liberdade de opções não tem como ir além da sua imaginação. Você pode pedir ao gênio qualquer opção que conseguir imaginar, mas é incapaz de pedir algo que não consegue imaginar. Seu limite de opções é do tamanho da sua imaginação. Liberdade é do tamanho da imaginação.


04 | NATUREZA DA LIBERDADE

O entendimento de que liberdade é do tamanho da imaginação tem várias implicações. Por exemplo:

Sendo que sua imaginação é humana, sua liberdade também é humana.
Sendo que sua imaginação é inconstante, sua liberdade também é inconstante.
Sendo que sua imaginação é imprevisível, sua liberdade também é imprevisível.
Sendo que imaginação é particular, liberdade também é particular.
Sendo que sua imaginação é diferente da imaginação do outro, sua liberdade também é diferente da liberdade do outro.


05 | LIVRE CLICK

Liberdade é uma coisa e livre arbítrio é outra. Vamos usar outra metáfora para entender isso. Sendo que sua liberdade é do tamanho da sua imaginação, vamos fazer de conta que sua liberdade é a imagem que está na tela do seu computador quando você está na internet. Usando essa metáfora, o que é liberdade e o que é livre arbítrio? Liberdade são todas as opções que estão na tela do seu computador. O que é livre arbítrio? É clicar numa opção. Liberdade é limite de opções. Livre arbítrio é optar.

Por isto que livre arbítrio é sempre 100%. Não importa se sua liberdade é de um milhão de opções ou apenas duas opções, em qualquer caso, em qualquer limite, em qualquer tamanho de liberdade, seu livre arbítrio é sempre o mesmo: optar (clicar). Livre arbítrio é livre click. Não tem meio click. Click é sempre 100%. E não adianta dizer: “Eu cliquei por hábito, fui condicionado a clicar, logo, não cliquei, não optei”. Claro que optou (clicou). Tanto optou que experimentou a opção optada.


06 | ARBÍTRIO É ACREDITAR

Tem pessoas que acreditam que existe livre arbítrio e tem pessoas que não acreditam. Essa divergência produz bastante debate filosófico desde muito tempo. Porém, esse debate é um equívoco, pois é impossível acreditar em livre arbítrio. E por que? Porque livre arbítrio é acreditar. Mais uma vez o problema é com as palavras. Livre arbítrio = livre acreditar. Dizer “eu não acredito em livre arbítrio” é o mesmo que dizer “eu não acredito em acreditar”. O problema filosófico do arbítrio não é filosófico, é semântico. Provavelmente a palavra “arbítrio” surgiu do contexto religioso e a palavra “acreditar” vem do contexto coloquial. O principal é constatar que são sinônimos. Você pode acreditar muito, pouco, nada, com o pé atrás, com o pé na frente, com o pé nas costas, nisso, naquilo. Enfim, você é livre para acreditar. E se você não acredita no que estou dizendo: pronto! Eis a prova!


07 | CRIAÇÃO É CLICAÇÃO

Como você faz café? Você fica olhando para o pó de café e fica esperando ver o café ficar pronto para acreditar? Ou você acredita na criação do café, coloca em prática sua crença e vê o café ficando pronto? Todo dia, ao fazer café, você crê para ver. Você acredita na ideia de pegar o coador no armário (clica nessa ideia). Você acredita na ideia de colocar o pó no coador (clica nessa ideia). Você acredita na ideia de colocar água quente no coador (clica nessa ideia). Enfim, você acredita numa porção de ideias, coloca essas ideias em prática e por isso vê o café sendo feito. Nada do que você experimenta é criado através do método científico (ver para crer), criação é fé (crer para ver). Crer é clicar. Então, criação é clicação.


08 | TESTEMUNHA DA FÉ

Através da ciência você testemunha sua realidade, comprova sua realidade, mede sua realidade, categoriza sua realidade, mas não fabrica nenhuma realidade. Por que não? Porque ciência é VER PARA CRER e criar é CRER PARA VER. Ciência é ver e analisar o produto fabricado, não é fabricar. Fabricar realidade é um ato de fé. Criação é acreditação. Ciência é testemunha da fé. Por isso quando você acredita que é capaz, você experimenta sua capacidade realizada, e quando acredita que é incapaz, você experimenta sua incapacidade realizada. Fé é infalível. Ciência é testemunha da fé. Então, você sempre comprova o que acredita.


09 | CLICANDO NA NOVA ERA

Não é uma nova era que irá produzir um novo homem, é um novo homem que irá produzir uma nova era. Um novo jardim não é produzido do jardim para flor. Jardim é efeito. Não é o jardim que faz as novas flores desabrocharem, é o desabrochar das novas flores que fazem surgir um novo jardim. Estamos no início de uma nova era porque estamos no início de um novo homem. Você está mudando de opção, por isso a nova era está se realizando. Pense na internet. Se você clica sempre no mesmo link, a realidade que você experimenta é sempre a mesma. Se você muda de opção, a realidade muda também. De forma análoga, é assim que você está cocriando uma nova era, clicando em uma nova opção, clicando em um novo jeito de viver, clicando no viver universalista.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: Aquela famosa frase “minha liberdade acaba onde começa a do outro” tem algum fundamento dentro do contexto da 1ficina?

Se essa liberdade a qual esta frase se refere for o livre arbítrio, não, pois livre arbítrio é incorruptível. Nunca um pode acabar com o arbítrio do outro. Se essa liberdade a qual esta frase se refere for a liberdade mesmo, daí sim. Tudo que interage com você interfere na sua liberdade. Uma parede, por exemplo, limita sua visão da paisagem. Só que você pode usar seu arbítrio e interferir na liberdade do outro. Você pode fazer uma janela na parede, por exemplo.

PERGUNTA: Então, considerando que liberdade é limite, o arbítrio do outro é um desses limites?

Sim, bem observado. Você não tem liberdade para arbitrar pelo outro, assim como não tem liberdade para respirar pelo outro, assim como não tem liberdade para peidar pelo outro, assim como não tem liberdade para enxergar pelo outro, etc. Resumindo, você não tem liberdade para viver pelo outro. Você pode influenciar o outro, mas influenciar não é arbitrar.


PERGUNTA: Como opto por uma doença?

Cada click dispara um pacote de realidades. Você opta por uma coisa mínima, como usar determinada roupa para um compromisso, por exemplo, só que no pacote dessa opção está uma pneumonia. Você pensa que optou pela roupa, mas optou por ficar com pneumonia. Como se dá isso? Por causa da vaidade, você opta por usar uma roupa bonita, mas sem mangas, bem aberta. Seu encontro é em um restaurante que tem o ar condicionado mais frio do planeta. Você passa duas horas no restaurante morrendo de frio, mas fingindo que está tudo bem, para não colocar um casaco feio que lhe ofereceram, pois vai estragar o look. Resultado, você opta pela roupa e vai parar no hospital com pneumonia. Só que você não entende essa relação. Você não entende que quando clicou na roupa estava clicando na pneumonia. Mas estava. E pior! Você não clicou na roupa. Roupa é só um objeto, uma coisa, só uma significante, não tem significado. Você clicou no significado da roupa. A roupa significava sua vaidade. Então, a pneumonia não estava no pacote da roupa, estava no pacote da vaidade. Você vai para no hospital por causa da sua vaidade. Só que você não consegue nem entender que está com pneumonia por causa da roupa, menos ainda que é porque clicou na vaidade. Tem a questão psicossomática também. Cultivar mágoa, por exemplo, é passar a vida tomando veneno. Não tem corpo que aguenta. Raiva igualmente. Ansiedade igualmente, etc…


PERGUNTA: Você diz que “viver não é opcional”. Mas e o suicídio, não é a opção de não-viver?

Suicídio é só uma experiência dentro das possibilidades de experiência do viver humano. Viver é existencial. Você não deixa de viver por nada. Viver é voser (você-ser) sendo. Assim como é impossível voser não-existir, é igualmente impossível não-saber e não-viver. Existir, saber e viver (manifestar) são os três aspectos da UNItrindade que você é. Costumo dizer assim: O problema não é que você vai morrer, o problema é que você não vai morrer, nunca. Se fosse possível você morrer, todo seu sofrimento se resolvia por decreto fatal. Só que não. Ou você resolve ou não-resolvido permanece.


PERGUNTA: Então, Schopenhauer está certo quando diz que a melhor opção é não nascer?

Schopenhauer está certo dentro da mentalidade materialista. Ele entende o ser humano como um espermatozoide em evolução, logo, não entende a função pedagógica do sofrimento. Ele vê o sofrimento apenas como uma espécie de maldição da vida.


PERGUNTA: Para mim, liberdade tem limite sim.

Fique a vontade para acreditar no que quiser. Meu trabalho não é lhe convencer, é lhe explicar o óbvio. O que esse livro está explicando é que liberdade é limite. Sugiro retirar o “tem” do seu raciocínio e substitui pelo “é”. Ao pensar que liberdade “tem” limite você fica preso no equívoco que o livro está tentando esclarecer.

PERGUNTA:  O equívoco é acreditar que minha liberdade é ilimitada?

O equívoco é acreditar que a palavra liberdade e a palavra limite são antônimos quando são sinônimos.


PERGUNTA: Se liberdade é limite, esse papo de que temos infinitas possibilidades é balela?

Ué, quantas possibilidades você consegue imaginar?


PERGUNTA: Você diz que arbítrio é acreditar e que posso acreditar pouco, muito, nada, etc. E também diz que click é sempre 100%. Está contraditório, não?

Você pode clicar nas opções:

(  ) Acredito pouco
(  ) Acredito médio
(  ) Acredito muito
(  ) Acredito nada
(  ) Acredito etc


PERGUNTA: Eu acredito que se ligar meu laptop vai aparecer a área de trabalho do windows mesmo que não tenha ligado ainda para ver. Isso é livre-arbítrio?

Sim, ninguém está te obrigando a acreditar nisso, você está acreditando nisso por liberdade de acreditar (livre arbítrio).


PERGUNTA: Sempre fabricamos realidade, independente da fé, certo?

Errado! Fé = arbítrio = acreditar = clicar. Você está sempre e inevitavelmente acreditando em alguma opção, por isso está sempre e inevitavelmente experimentando JUSTAmente o que está acreditando, optando, clicando, botando fé.


PERGUNTA: Não estou escolhendo respirar, apenas respiro.

Você está escolhendo brincar de ser humano, por isso está experimentando respirar. Faz parte dessa opção.


PERGUNTA: Como fazer a melhor opção?

Eis a questão! Além de todo blablabla, nheco nheco, chic chic e balancê, o que importa mesmo é fazer a melhor opção, pois só assim a experimentamos. Tem loteria aí em Angola? Aquela que você marca os números e ganha um montão de dinheiro se acertar. Aqui no Brasil tem uma loteria que se chama Megasena. Vc precisa acertar seis números para ganhar. Os brasileiros adoram participar. Quando fica acumulada, faz fila de dobrar o quarteirão da casa lotérica. Imagina qual é a pergunta que as pessoas na fila estão se perguntando. Você acha que elas estão se perguntando sobre deus? Sobre a existência? Sobre quem são de onde vieram e para onde vão? Sobre o funcionamento psicológico humano? Sobre os fundamentos da filosofia? Sobre os fundamentos da ciência? Sobre política? Sobre o sistema social instituído? Não mesmo! Estão todos se perguntando exatamente a mesma pergunta que você. No caso da loteria, a pergunta se adapta para: “Quais os seis números que devo escolher?” Como fazer a melhor opção parece ser é a única pergunta que importa. Só que essa ainda não é a pergunta que resolve. Porque para você fazer a melhor opção, antes você precisa saber o que é melhor. Como optar pela melhor opção sem saber o que é melhor. Sendo assim, lhe pergunto: o que é melhor?

INTERLOCUTOR: Experimentar as opções que tenho para descobrir qual é a melhor?

Tem como saber sem experimentar?


PERGUNTA: O que eu penso eu posso realizar na realidade objetiva?

Ué! Não é exatamente isso que você está fazendo para conversar comigo? Ou você acha que estou lendo seu pensamento?

PERGUNTA: Estou digitando o que penso, por isso você está lendo. E se eu pensar em 1 milhão de dólares, vai se realizar na realidade objetiva igual escrever um texto?

Já se realizou. Você digitou 1 milhão de dólares e eu li.

PERGUNTA: Quero dizer, se eu pensar em 1 milhão de dólares, pensar com muita fé, com todo poder do meu pensamento, vai aparecer um milhão de dólares na minha realidade objetiva.

Faz o teste agora e me diz se funcionou. Eu fico esperando.

INTERLOCUTOR: Fiz, não funcionou.

Pois é! Fé não é pensar positivo. Fé é arbítrio. Fé é o que você escolhe acreditar. Pensamento positivo é uma crença. E pior! É uma crença equivocada.

PERGUNTA: Equivocada porque? Qual é o equívoco.

É mais de um. Vou citar três:

CARA E COROA DO PENSAMENTO

Não tem como pensar sem antônimo. Ao pensar em calor você está também pensando em frio, pois calor é o antônimo de frio. Sem antônimo o pensamento não funciona. Como você poderia rotular um pensamento de positivo senão em relação ao negativo? Não poderia. Impossível. Então, quem pratica pensamento positivo está simultaneamente praticando pensamento negativo também, pois um só existe em função do outro. Daí fica, o praticante irá passar o tempo todo brigando com o pensamento negativo, tentando fazer o pensamento negativo desaparecer, sem perceber que o pensamento negativo só está ali por causa da prática do pensamento positivo. E vai viver nesse inferno.

PERGUNTA: Você disse três equívocos. Quais os outros dois?

PENSAMENTO POSITIVO NÃO SUBSTITUI COMPETÊNCIA

Outro equívoco da crença no pensamento positivo, é a suposição de que pensar positivo substitui a competência. Para comprovar esse equívoco basta você pegar a pessoa mais otimista que você conhece e levá-la para executar uma tarefa na qual ela não tem nenhuma competência. Por exemplo, pegue um super otimista que não sabe nem andar de bicicleta e leva ele para participar de uma corrida de motocross. Por mais pensamento positivo que o otimista tiver, ele vai se espatifar no primeiro obstáculo.

Na época que era instrutor de PNL, tive um aluno que era apaixonado por carnaval. O sonho dele era ser carnavalesco, tipo Joãozinho Trinta. Daí, ele queria que eu lhe ensinasse a reprogramar sua mente para ser o maior carnavalesco do mundo. Quando perguntei que competência ele tinha para a função, ele disse que nenhuma. Não sabia desenhar, nem modelar, nem cortar isopor, nem nada. Ele sequer pertencia a uma comunidade de escola de samba. Mas queria que eu lhe ensinasse a reprogramar sua mente retirando crenças limitantes e colocando crenças fortalecedoras que o levassem a realizar seu sonho: ser o maior carnavalesco do mundo. A primeira crença que tentei ajudá-lo a se livrar foi a crença de que pensamento positivo substitui competência. Ele não gostou nada da minha explicação, ficou bravo comigo, disse que era o sonho da vida dele e que eu deveria ajudá-lo. Eu disse que estava ajudando, porém, o mais importante era ele se ajudar desenvolvendo a competência necessária para a função. O aluno foi embora dizendo que iria procurar outro profissional mais competente em reprogramação mental.

PERGUNTA: Qual é o terceiro equívoco?

PENSAMENTO SÓ TEM PODER DE CRIAR REALIDADE SIMULADA

A crença do pensamento positivo supõe que pensar positivo, ou seja, pensar repetidamente sobre o que se deseja, é uma estratégia capaz de realizar desejos objetivamente. Óbvio que não! Você pode passar a vida inteira imaginando que vai ganhar na megasena, se você apenas imaginar isso, e não for até a casa lotérica, marcar 6 números no bilhete e registrar sua aposta, você jamais irá ganhar. Esse exemplo não é suficiente? Na hora do almoço, sente-se na mesa e use o poder do pensamento para fazer o almoço aparecer sobre a mesa. Aliás, nem precisa ser um almoço, pode ser uma azeitona. Azeitona é muito grande? Pode ser um grão de arroz. Não, também não funciona? Pois é! Poder do pensamento só funciona para criar realidade simulada, não funciona para criar realidade objetiva. Para criar realidade objetiva você precisa optar por uma estratégia de realização e colocá-la em prática.

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Pense nas frequências AM e FM das emissoras de rádio. Ambas coexistem aqui e agora. Quando você sintoniza seu rádio em AM, a realidade que você experimenta é AM. Quando você sintoniza seu rádio em FM, a realidade que você experimenta é FM. De forma análoga, é assim que você entra e cria a nova era.

AM é o Antigo Mundo, é o mundo da uniformidade, onde você se obriga ser igual os outros e obriga os outros serem iguais a você. FM é Futuro Mundo, é o mundo da universalidade, onde você se permite ser diferente dos outros e permite que os outros sejam diferentes de você.

Sintonizar é acreditar. Toda vez que você acredita na uniformidade, você vive no Antigo Mundo e colabora para mantê-lo. Toda vez que você acredita na universalidade, você vive no Futuro Mundo e colabora para mudança. Ou seja, não é a nova era que está produzindo um novo homem, é um novo homem que está produzindo uma nova era.

Em qual mundo você vivê: AM ou FM?

Em qual mundo quer viver?

Você quer ser culpado pelo bem-bom, mas não quer ser culpado pelo bem-mal. Você faz que nem o Homer Simpson: “Se a culpa é minha eu ponho em quem eu quiser”. Bode expiatório não falta. Pais, cônjuge, filhos, sociedade, governo, ets, lei de murphy, lei de darvin, mente, karma, vidas passadas, deus e o diabo. Esse seu jeito de viver chama-se omissão. É uma opção. E tem intenção positiva: resolver seu sofrimento. Só que não resolve. Pelo contrário, perpetua. Assumir a responsabilidade pela solução do próprio sofrimento é fundamental para resolvê-lo, pois assim como ninguém pode fazer xixi por você, ninguém pode resolver você por você.

Através da ciência você testemunha sua realidade, comprova sua realidade, mede sua realidade, categoriza sua realidade, mas não fabrica nenhuma realidade. Por que não? Porque ciência é VER PARA CRER e criar é CRER PARA VER. Ciência é analisar o produto fabricado, não é fabricação. Fabricar realidade é um ato de fé. Criação é acreditação. Ciência é observação. Por isso, quando você acredita que é capaz, você experimenta sua capacidade realizada, quando acredita que é incapaz, você experimenta sua incapacidade realizada. Sua fé cria, sua ciência experimenta sua crença realizada. A função da ciência é lhe deixar ciente da qualidade da sua fé, ou seja, lhe dizer se você está botando fé em algo bom ou ruim para você. Fé e ciência não são inimigas, nunca foram, nunca serão. Ciência e fé são super amigas.

Eu controlo pensamento. Duvida? Estou controlando seu pensamento agora mesmo e vou continuar controlando até o final desse abacate. Ops! Pensou em abacate? Até o final dessa tartaruga. Ops! Pensou em tartaruga? Até o final desse liquidificador. Ops! Pensou em liquidificador? Até o final dessa leitura. Entendeu agora?

Pensamento é reação mental automática. Tudo e qualquer coisa controla seu pensamento. Até um pernilongo controla seu pensamento. Trocando a palavra “controle” por “influência”, tudo e qualquer coisa influencia seu pensamento. Só que no caso da convivência humana essa influência é executada com um requinte tecnológico extraordinário. Nesse exato momento estou usando essa tecnologia com você, chama-se “palavras”. Cenoura, melancia, bola, avião, chinelo. Percebe? Estou usando palavras para controlar seu pensamento.

Chocado? Ótimo! Mas atenção! Influenciar não é determinar. Pensamentos influenciam, mas é você que decide acreditar ou não neles. Tudo controla seu pensamento, mas nada pode controlar seu arbítrio. Acreditar ou não em um pensamento é arbítrio incorruptível e intransferível.

Tudo controla seu pensamento, inclusive você. Então, aproveita, porque desde que nasceu estão aproveitando de você.

Você é livre para se apegar ao que quiser. Nada lhe obriga a ficar grudado em nada. Quando você está apegado a algo, a cola que está mantendo você grudado nesse algo é seu desejo e seu arbítrio. Você gruda porque quer e por opção. Para deixar isso evidente, basta você observar que você nunca gruda no que não quer e não opta. É impossível. O que você não quer é repelente. Você só gruda no que quer e opta, esteja você consciente ou inconsciente do seu desejo e opção. E o famoso desapego? É só fama! Não existe desapego, o que existe é re-apego. Você desgruda de uma opção só para poder regrudar em outra. É como assistir televisão. Você desgruda de um canal para regrudar em outro, desgruda de outro para regrudar em outro, e assim por diante. Enfim, você está sempre e inevitavelmente grudado ao que deseja e opta estar. Desapego é marketing! Propaganda mentirosa!

O que você quer, não é seu arbítrio, é seu desejo. Arbítrio não é desejo. Arbítrio é optar. Livre arbítrio é sua liberdade de optar pelo que você quer. O que não significa que seu arbítrio seja o único a determinar o rumo dos acontecimentos. Não é! Seu arbítrio é um entre todos que estão determinando o rumo dos acontecimentos.

Desejo é motivação. Arbítrio é a forma como você lida com seu desejo. Fazendo uma analogia com um carro: desejo é motor e arbítrio é volante. Desejo e arbítrio funcionam juntos, mas não são a mesma coisa. O volante do carro serve para você lidar com o impulso do motor. Seu arbítrio serve para você lidar com seu desejo, mas não é seu desejo.

Eis porque autoconhecimento é fundamental para você viver bem. Só tem duas formas de você lidar com seu desejo: lidar bem ou lidar mal. Para lidar mal você não precisa saber nada, ignorância serve. Para lidar bem, é preciso autoconhecimento e maestria de motorista.

Fazendo uma analogia da experiência humana com um videogame, seu arbítrio é o joystick e sua realidade é a imagem na tela. Quando você está brincando de videogame, a imagem na tela obedece o manuseio do joystick. O mesmo acontece com sua realidade. Só que no videogame, você vê o manuseio do joystick e a correspondente mudança na tela, na brincadeira de ser humano, você não vê o joystick. Ou seja, você executa seu arbítrio, mas você não se vê executando o que está executando, você só vê o efeito: sua realidade mudando. A correspondência fica invisível. Por isso parece que sua realidade está mudando aleatoriamente, sem seu arbítrio. E para piorar, você também não vê o arbítrio dos outros jogadores (outros seres) que estão optando junto com você e interferindo no resultado. Então, sem autoconhecimento, é inevitável você supor que não existe arbítrio, que sua realidade é arbitrária. Mas é justamente o oposto. Sua realidade não é arbitrária, é arbitrada.

Você não precisa acreditar no que pensa. Pensar não é acreditar. Pensar é processar informação. Acreditar é dar crédito a informação. Pensar é brincar com informações feito criança brincando com lego. No playground da cabeça, você junta um pedaço de informação com outro pedaço, constrói um castelo, um reino, um planeta, um universo inteiro de informações. Teorias são informações coladas umas nas outras. Você é livre para dar um chute em qualquer informação, grande ou pequena, a qualquer instante, pois você é livre para acreditar ou não. Duvida? Eis a prova!

Tanto falar como acreditar são atividades que você executa de forma automática (subconsciente). Mas você sempre pode se tornar consciente sobre uma execução subconsciente. Como? Através da autoobservação. É através da autoobservação, e só através da autoobservação, que você sai da ignorância e se torna consciente do que estava inconsciente.

Eis porque iluminação não é crença. Assim como observar o processo de falar não é você falando, é você consciente do falar que está executando, observar o processo de acreditar também não é você acreditando, é você consciente do acreditar que está executando.

Iluminação não é crença porque não é você acreditando saber, é você sabendo o que é acreditar. Só que você não sabe o que é acreditar. Você acredita que sabe. Por isso, para você, iluminação é crença.

Imagine que você está trancado em uma cadeia. Na porta da cela tem uma fechadura. Na sua mão tem uma chave. Foi o próprio carcereiro que lhe deu a chave. Você coloca a chave na fechadura e vira a chave no sentido horário. Nada acontece. A fechadura continua fechada e você continua preso. Como a chave não funcionou, você conclui que o carcereiro lhe deu a chave errada.

Você fica com raiva, joga a chave pela janela e pede que o carcereiro lhe dê a chave certa. O carcereiro lhe entrega exatamente a mesma chave que você jogou pela janela. Mais uma vez você coloca a mesma chave na fechadura e vira no mesmo sentido horário. Mais uma vez nada acontece. A fechadura continua fechada e você continua preso.

Mais uma vez você conclui que o carcereiro lhe deu a chave errada. Mais uma vez você fica com raiva, joga a chave pela janela e pede que o carcereiro lhe dê a chave certa. Mais uma vez o carcereiro lhe entrega exatamente a mesma chave que você jogou pela janela. E assim por diante. Até que você desperta para o óbvio. Virar a chave no sentido horário fecha a fechadura. Você vira a chave no sentido anti-horário e a fechadura se abre.

Fim do aprisionamento. Ou seja, assim como não era a fechadura que estava prendendo você, mas sua liberdade de usá-la de forma equivocada, também não é sua experiência humana que está fazendo você sofrer, também é sua liberdade de usá-la de forma equivocada.

Manter ou alterar um condicionamento é uma constante opção. Manter é a melhor opção na maioria dos casos. Imagine se você tivesse que reaprender a falar português todo dia, ou reaprender a andar, ou reaprender a usar o celular. Condicionamento é ferramenta para você viver bem. Agora, como você utiliza sua ferramenta é opção sua. Ferramenta não tem consciência, não sabe o que é certo e errado, logo, não tem responsabilidade. Quem sabe o que é certo e errado para você é você, usuário da ferramenta. Responsabilidade de uso é do usuário. Assim como você é o responsável por instalar e desinstalar os programas no seu computador, você também é o responsável por instalar e desinstalar seus condicionamentos. Você só não assume essa responsabilidade porque tem instalado em si um condicionamento de omissão e opta por mantê-lo. Eis a grande ironia do arbítrio. Você é livre inclusive para acreditar que não é.

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