01 | LIBERDADE É LIMITE

Liberdade é limite. Atenção! Não estou dizendo que liberdade “tem” limite. Estou dizendo que liberdade “é” limite. Assim como seis é meia dúzia, liberdade é limite. Seis e meia dúzia são duas palavras diferentes, mas que entendemos como sendo de igual significado, ou seja, sinônimos. Limite e liberdade são duas palavras diferentes, mas que entendemos como sendo de significados opostos, ou seja, antônimos. Então, segundo a lógica habitual, dizer que liberdade é limite, é uma contradição. É o mesmo que afirmar que aberto é fechado, que seco é molhado, que calor é frio. Esse é o obstáculo para entender o que é liberdade.

Significado funciona por antônimos. É impossível entender aberto senão como antônimo de fechado, seco senão como antônimo de molhado, calor senão como antônimo de frio e liberdade senão como antônimo de limite. Ao igualar liberdade com limite, liberdade fica sem antônimo, e por ficar sem antônimo, fica sem sentido, sem significado. Mas igualar liberdade com limite não faz com que liberdade perca o significado, faz com que mude de significado. E também não faz com que liberdade perca o antônimo, faz com que mude de antônimo. Sendo que liberdade é limite, o antônimo de liberdade é o mesmo antônimo de limite: ilimitado (sem limite).


02 | RESOLVENDO O PROBLEMA

Entender que liberdade é limite faz você parar de tropeçar em uma oposição que não existe, resolve o problema esclarecendo que não existe problema. Vamos ver alguns exemplos para deixar isso evidente:

Qual é seu limite de crédito bancário?
Vamos supor que seja 10 centavos.
Você tem liberdade para gastar 1 centavo além?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é seu limite de visão?
Vamos supor que seja 500 metros.
Você tem liberdade para enxergar 1 milímetro além?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é seu limite de camisas?
Vamos supor que duas: uma branca e outra preta.
Você tem liberdade de vestir uma camisa azul?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.

Qual é o limite do seu corpo?
Exatamente o corpo que você tem.
Você tem liberdade para ter corpo além do seu corpo?
Não tem! E por que não tem?
Porque liberdade é limite.


03 | TAMANHO DA LIBERDADE

Imagine que você é Aladim e acabou de encontrar a famosa lâmpada. Você esfrega a lâmpada e o gênio lhe diz: “Seu desejo é uma ordem”. Usando essa metáfora, qual é o tamanho da sua liberdade? Ou seja, qual é seu limite de opções? Sendo que você pode pedir o que quiser, sua resposta provavelmente é que você não tem limite de opções, que seu limite é ilimitado. Você pode pedir um palito de dente, duzentos carros, mil canetas, uma máquina de fazer dinheiro, um tapete voador, etc. Você também pode pedir para o gênio transformar um elefante em uma ervilha ou dar nó em pingo d’água. Enfim, você pode pedir qualquer coisa, logo, parece evidente que suas opções de pedido são ilimitadas, ou seja, parece evidente que sua liberdade é ilimitada.

Acreditar que sua liberdade de opções é ilimitada é quase inevitável, mas é um equívoco, pois por mais criativo que você seja para imaginar opções, sua liberdade de opções não tem como ir além da sua imaginação. Você pode pedir ao gênio qualquer opção que conseguir imaginar, mas é incapaz de pedir algo que não consegue imaginar. Seu limite de opções é do tamanho da sua imaginação. Liberdade é do tamanho da imaginação.


04 | NATUREZA DA LIBERDADE

O entendimento de que liberdade é do tamanho da imaginação tem várias implicações. Por exemplo:

Sendo que sua imaginação é humana, sua liberdade também é humana.
Sendo que sua imaginação é inconstante, sua liberdade também é inconstante.
Sendo que sua imaginação é imprevisível, sua liberdade também é imprevisível.
Sendo que imaginação é particular, liberdade também é particular.
Sendo que sua imaginação é diferente da imaginação do outro, sua liberdade também é diferente da liberdade do outro.


05 | LIVRE CLICK

Liberdade é uma coisa e livre arbítrio é outra. Vamos usar outra metáfora para entender isso. Sendo que sua liberdade é do tamanho da sua imaginação, vamos fazer de conta que sua liberdade é a imagem que está na tela do seu computador quando você está na internet. Usando essa metáfora, o que é liberdade e o que é livre arbítrio? Liberdade são todas as opções que estão na tela do seu computador. O que é livre arbítrio? É clicar numa opção. Liberdade é limite de opções. Livre arbítrio é optar.

Por isto que livre arbítrio é sempre 100%. Não importa se sua liberdade é de um milhão de opções ou apenas duas opções, em qualquer caso, em qualquer limite, em qualquer tamanho de liberdade, seu livre arbítrio é sempre o mesmo: optar (clicar). Livre arbítrio é livre click. Não tem meio click. Click é sempre 100%. E não adianta dizer: “Eu cliquei por hábito, fui condicionado a clicar, logo, não cliquei, não optei”. Claro que optou (clicou). Tanto optou que experimentou a opção optada.


06 | ARBÍTRIO É ACREDITAR

Tem pessoas que acreditam que existe livre arbítrio e tem pessoas que não acreditam. Essa divergência produz bastante debate filosófico desde muito tempo. Porém, esse debate é um equívoco, pois é impossível acreditar em livre arbítrio. E por que? Porque livre arbítrio é acreditar. Mais uma vez o problema é com as palavras. Livre arbítrio = livre acreditar. Dizer “eu não acredito em livre arbítrio” é o mesmo que dizer “eu não acredito em acreditar”. O problema filosófico do arbítrio não é filosófico, é semântico. Provavelmente a palavra “arbítrio” surgiu do contexto religioso e a palavra “acreditar” vem do contexto coloquial. O principal é constatar que são sinônimos. Você pode acreditar muito, pouco, nada, com o pé atrás, com o pé na frente, com o pé nas costas, nisso, naquilo. Enfim, você é livre para acreditar. E se você não acredita no que estou dizendo: pronto! Eis a prova!


07 | CRIAÇÃO É CLICAÇÃO

Como você faz café? Você fica olhando para o pó de café e fica esperando ver o café ficar pronto para acreditar? Ou você acredita na criação do café, coloca em prática sua crença e vê o café ficando pronto? Todo dia, ao fazer café, você crê para ver. Você acredita na ideia de pegar o coador no armário (clica nessa ideia). Você acredita na ideia de colocar o pó no coador (clica nessa ideia). Você acredita na ideia de colocar água quente no coador (clica nessa ideia). Enfim, você acredita numa porção de ideias, coloca essas ideias em prática e por isso vê o café sendo feito. Nada do que você experimenta é criado através do método científico (ver para crer), criação é fé (crer para ver). Crer é clicar. Então, criação é clicação.


08 | TESTEMUNHA DA FÉ

Através da ciência você testemunha sua realidade, comprova sua realidade, mede sua realidade, categoriza sua realidade, mas não fabrica nenhuma realidade. Por que não? Porque ciência é VER PARA CRER e criar é CRER PARA VER. Ciência é ver e analisar o produto fabricado, não é fabricar. Fabricar realidade é um ato de fé. Criação é acreditação. Ciência é testemunha da fé. Por isso quando você acredita que é capaz, você experimenta sua capacidade realizada, e quando acredita que é incapaz, você experimenta sua incapacidade realizada. Fé é infalível. Ciência é testemunha da fé. Então, você sempre comprova o que acredita.


09 | CLICANDO NA NOVA ERA

Não é uma nova era que irá produzir um novo homem, é um novo homem que irá produzir uma nova era. Um novo jardim não é produzido do jardim para flor. Jardim é efeito. Não é o jardim que faz as novas flores desabrocharem, é o desabrochar das novas flores que fazem surgir um novo jardim. Estamos no início de uma nova era porque estamos no início de um novo homem. Você está mudando de opção, por isso a nova era está se realizando. Pense na internet. Se você clica sempre no mesmo link, a realidade que você experimenta é sempre a mesma. Se você muda de opção, a realidade muda também. De forma análoga, é assim que você está cocriando uma nova era, clicando em uma nova opção, clicando em um novo jeito de viver, clicando no viver universalista.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Eis a questão! Além de todo blablabla, nheco nheco, chic chic e balancê, o que importa mesmo é fazer a melhor opção, pois só assim a experimentamos. Tem loteria aí em Angola? Aquela que você marca os números e ganha um montão de dinheiro se acertar. Aqui no Brasil tem uma loteria que se chama Megasena. Vc precisa acertar seis números para ganhar. Os brasileiros adoram participar. Quando fica acumulada, faz fila de dobrar o quarteirão da casa lotérica. Imagina qual é a pergunta que as pessoas na fila estão se perguntando. Você acha que elas estão se perguntando sobre deus? Sobre a existência? Sobre quem são de onde vieram e para onde vão? Sobre o funcionamento psicológico humano? Sobre os fundamentos da filosofia? Sobre os fundamentos da ciência? Sobre política? Sobre o sistema social instituído? Não mesmo! Estão todos se perguntando exatamente a mesma pergunta que você. No caso da loteria, a pergunta se adapta para: “Quais os seis números que devo escolher?” Como fazer a melhor opção parece ser é a única pergunta que importa. Só que essa ainda não é a pergunta que resolve. Porque para você fazer a melhor opção, antes você precisa saber o que é melhor. Como optar pela melhor opção sem saber o que é melhor. Sendo assim, lhe pergunto: o que é melhor?

Experimentar as opções que tenho para descobrir qual é a melhor?

Tem como saber sem experimentar?

Cada click dispara um pacote de realidades. Você opta por uma coisa mínima, como usar determinada roupa para um compromisso, por exemplo, só que no pacote dessa opção está uma pneumonia. Você pensa que optou pela roupa, mas optou por ficar com pneumonia. Como se dá isso? Por causa da vaidade, você opta por usar uma roupa bonita, mas sem mangas, bem aberta. Seu encontro é em um restaurante que tem o ar condicionado mais frio do planeta. Você passa duas horas no restaurante morrendo de frio, mas fingindo que está tudo bem, para não colocar um casaco feio que lhe ofereceram, pois vai estragar o look. Resultado, você opta pela roupa e vai parar no hospital com pneumonia. Só que você não entende essa relação. Você não entende que quando clicou na roupa estava clicando na pneumonia. Mas estava. E pior! Você não clicou na roupa. Roupa é só um objeto, uma coisa, só uma significante, não tem significado. Você clicou no significado da roupa. A roupa significava sua vaidade. Então, a pneumonia não estava no pacote da roupa, estava no pacote da vaidade. Você vai para no hospital por causa da sua vaidade. Só que você não consegue nem entender que está com pneumonia por causa da roupa, menos ainda que é porque clicou na vaidade. Tem a questão psicossomática também. Cultivar mágoa, por exemplo, é passar a vida tomando veneno. Não tem corpo que aguenta. Raiva igualmente. Ansiedade igualmente, etc…

A palavra responsabilidade pode ter múltiplos significados. Não sei qual significado você está usando. Se a pessoa a que você se refere é um filho, por exemplo, você é legalmente responsável por ele até completar 18 anos. Essa é uma responsabilidade constitucional. Agora, enquanto ser humano, você só pode optar por si, então, você só pode ser responsável por si.

A palavra responsabilidade é a soma de duas palavras: responsa + habilidade. Responsa é responder. Habilidade é capacidade. Responsabilidade é sua capacidade humana de responder as circunstâncias da vida. Porém, nenhum ser humano é capaz de responder pelo outro. Então, é impossível você ser responsável por qualquer outro ser humano além de si mesmo.

Cada ser humano é o único usuário de si, único usuário da própria unicidade. Ninguém é usuário da unicidade do outro. Então, cada um é o único responsável por si.

Eu não minto e não gosto de mentira, então, por que estou atraindo gente mentirosa para minha realidade?

A palavra “atraindo” não é uma boa palavra para você entender criação de realidade. É ótima para vender livros, criar misticismo e equívocos, mas péssima para entender criação de realidade. Então, para lhe ajudar no esclarecimento, vou substitui-la por “experimentar”.

Fazendo isso, sua pergunta fica assim:

PERGUNTA: Eu não minto e não gosto de mentira, então, por que estou experimentando gente mentirosa na minha realidade?

A resposta curta, grossa e desagradável, é: porque você está optando por isso. Criação de realidade funciona assim: agora se opta, agora se experimenta. Realidade é efeito do arbítrio. Você pode replicar: “Você está errado, pois eu não opto por conviver com gente mentirosa, pois eu detesto mentira e gente mentirosa”. Ora, mas você opta por conviver com pessoas, não opta? Você dirá: “Sim, opto”. Pois então, pessoas mentem! Entendeu? Ao optar por conviver com pessoas, vem junto tudo que pessoas fazem: respirar, mijar, soltar pum, sorrir e mentir. Opção é kinder ovo, vem com surpresa dentro.

Quando seu carro é roubado, você se pergunta: “Por que meu carro foi roubado? Como atraí isso? Por que estou experimentando essa realidade? Quando foi que optei por isso?”. Você optou por isso quando comprou o carro. Como você poderia ter seu carro roubado se você não tivesse optado por comprar o carro? Não poderia. “Ah, mas eu optei por comprar o carro, não optei por me roubarem o carro!”. Sim, mas vem no pacote da opção de comprar o carro, vem dentro do kinder-carro. Surpreeeeesa!

“Puta merda!” você pensou agora. Pois é! Descupaê, mas é assim que funciona criação de realidade coletiva. Não inventei a brincadeira, só explico como funciona. Agora se opta, agora se experimenta. E mesmo que você opte por uma experiência específica, vem um monte de experiências surpresas e correlatas dentro do pacote. O que nos leva a sua segunda pergunta:

Como posso ser 100% responsável por ter a experiência de conviver com pessoas mentirosas como afirma o ho’oponopono?

Quem executa seu arbítrio é 100% você e mais ninguém. Simples assim. Óbvio assim. Se não quer conviver com pessoas mentirosas, não deve optar por conviver com pessoas, deve optar por conviver apenas com plantas, animais e eletrodomésticos, pois pessoas mentem. Se quer conviver com pessoas que mentem pouco, você pode, por exemplo, fazer uma entrevista com as pessoas candidatas a se relacionarem com você antes de você optar por se relacionar com elas, tipo uma entrevista de emprego. Mas os candidatos podem mentir na entrevista também. Agora já sabe porque, né? Isso mesmo! Pessoas mentem.

Não sei nada disso. Já li algumas teorias sobre esse assunto, mas não tenho nenhuma experiência pessoal com isso. Contudo, sua pergunta me dá a oportunidade de fazer uma explicação. Tudo te influencia, você se determina. É muito importante entender isso. Não são apenas os reptilianos que te influenciam, tudo te influencia. Quando digo tudo, quero dizer, tuuuuuudo. A umidade do ar, o preço da gasolina, a velocidade da internet, a temperatura do sol, a quantidade de sal na comida do self service, o ph da água, a estrutura de uma molécula invisível chamada vírus, enfim, tudo, sem exceção, te influencia. Porém, só você pode optar por você. Arbítrio é incorruptível. Então, embora tudo te influencie, você se determina. Ou seja, é você que opta o que fazer com a influência que recebe, é você que opta como conviver com a influência, seja qual for.

Ué, quantas possibilidades você consegue imaginar?

Se essa liberdade da frase for o livre arbítrio, não, pois livre arbítrio é incorruptível. Nunca um pode acabar com o arbítrio do outro. Se essa liberdade da frase for a liberdade mesmo, daí sim. Tudo que interage com você interfere na sua liberdade. Uma parede, por exemplo, limita sua visão da paisagem. Só que você pode usar seu arbítrio e interferir na liberdade do outro. Você pode, por exemplo, fazer uma janela na parede.

Então, considerando que liberdade é limite, o arbítrio do outro é um desses limites?

Sim, bem observado. Você não tem liberdade para arbitrar pelo outro, assim como não tem liberdade para respirar pelo outro, assim como não tem liberdade para peidar pelo outro, assim como não tem liberdade para enxergar pelo outro, etc. Resumindo, você não tem liberdade para viver pelo outro. Você pode influenciar o outro, mas influenciar não é arbitrar.

Você está escolhendo brincar de ser humano, por isso está experimentando respirar. Faz parte dessa opção.

O equívoco é acreditar que a palavra liberdade e a palavra limite são antônimos quando são sinônimos.

Ué! Não é exatamente isso que você está fazendo para conversar comigo? Ou você acha que estou lendo seu pensamento?

PERGUNTA: Estou digitando o que penso, por isso você está lendo. E se eu pensar em 1 milhão de dólares, vai se realizar na realidade objetiva igual escrever um texto?

Já se realizou. Você digitou 1 milhão de dólares e eu li.

PERGUNTA: Quero dizer, se eu pensar em 1 milhão de dólares, pensar com muita fé, com todo poder do meu pensamento, vai aparecer um milhão de dólares na minha realidade objetiva.

Faz o teste agora e me diz se funcionou. Eu fico esperando.

INTERLOCUTOR: Fiz, não funcionou.

Pois é! Fé não é pensar positivo. Fé é arbítrio. Fé é o que você escolhe acreditar. Pensamento positivo é uma crença. E pior! É uma crença equivocada.

PERGUNTA: Equivocada porque? Qual é o equívoco.

É mais de um. Vou citar três:

CARA E COROA DO PENSAMENTO

Não tem como pensar sem antônimo. Ao pensar em calor você está também pensando em frio, pois calor é o antônimo de frio. Sem antônimo o pensamento não funciona. Como você poderia rotular um pensamento de positivo senão em relação ao negativo? Não poderia. Impossível. Então, quem pratica pensamento positivo está simultaneamente praticando pensamento negativo também, pois um só existe em função do outro. Daí fica, o praticante irá passar o tempo todo brigando com o pensamento negativo, tentando fazer o pensamento negativo desaparecer, sem perceber que o pensamento negativo só está ali por causa da prática do pensamento positivo. E vai viver nesse inferno.

PERGUNTA: Você disse três equívocos. Quais os outros dois?

PENSAMENTO POSITIVO NÃO SUBSTITUI COMPETÊNCIA

Outro equívoco da crença no pensamento positivo, é a suposição de que pensar positivo substitui a competência. Para comprovar esse equívoco basta você pegar a pessoa mais otimista que você conhece e levá-la para executar uma tarefa na qual ela não tem nenhuma competência. Por exemplo, pegue um super otimista que não sabe nem andar de bicicleta e leva ele para participar de uma corrida de motocross. Por mais pensamento positivo que o otimista tiver, ele vai se espatifar no primeiro obstáculo.

Na época que era instrutor de PNL, tive um aluno que era apaixonado por carnaval. O sonho dele era ser carnavalesco, tipo Joãozinho Trinta. Daí, ele queria que eu lhe ensinasse a reprogramar sua mente para ser o maior carnavalesco do mundo. Quando perguntei que competência ele tinha para a função, ele disse que nenhuma. Não sabia desenhar, nem modelar, nem cortar isopor, nem nada. Ele sequer pertencia a uma comunidade de escola de samba. Mas queria que eu lhe ensinasse a reprogramar sua mente retirando crenças limitantes e colocando crenças fortalecedoras que o levassem a realizar seu sonho: ser o maior carnavalesco do mundo. A primeira crença que tentei ajudá-lo a se livrar foi a crença de que pensamento positivo substitui competência. Ele não gostou nada da minha explicação, ficou bravo comigo, disse que era o sonho da vida dele e que eu deveria ajudá-lo. Eu disse que estava ajudando, porém, o mais importante era ele se ajudar desenvolvendo a competência necessária para a função. O aluno foi embora dizendo que iria procurar outro profissional mais competente em reprogramação mental.

PERGUNTA: Qual é o terceiro equívoco?

PENSAMENTO SÓ TEM PODER DE CRIAR REALIDADE SIMULADA

A crença do pensamento positivo supõe que pensar positivo, ou seja, pensar repetidamente sobre o que se deseja, é uma estratégia capaz de realizar desejos objetivamente. Óbvio que não! Você pode passar a vida inteira imaginando que vai ganhar na megasena, se você apenas imaginar isso, e não for até a casa lotérica, marcar 6 números no bilhete e registrar sua aposta, você jamais irá ganhar. Esse exemplo não é suficiente? Na hora do almoço, sente-se na mesa e use o poder do pensamento para fazer o almoço aparecer sobre a mesa. Aliás, nem precisa ser um almoço, pode ser uma azeitona. Azeitona é muito grande? Pode ser um grão de arroz. Não, também não funciona? Pois é! Poder do pensamento só funciona para criar realidade simulada, não funciona para criar realidade objetiva. Para criar realidade objetiva você precisa optar por uma estratégia de realização e colocá-la em prática.

Você quer ser culpado pelo bem-bom, mas não quer ser culpado pelo bem-mal. Você faz que nem o Homer Simpson: “Se a culpa é minha eu ponho em quem eu quiser”. Bode expiatório não falta. Pais, cônjuge, filhos, sociedade, governo, ets, lei de murphy, lei de darvin, mente, karma, vidas passadas, deus e o diabo. Esse seu jeito de viver chama-se omissão. É uma opção. E tem intenção positiva: resolver seu sofrimento. Só que não resolve. Pelo contrário, perpetua. Assumir a responsabilidade pela solução do próprio sofrimento é fundamental para resolvê-lo, pois assim como ninguém pode fazer xixi por você, ninguém pode resolver você por você.

Dei o nome de Romeu para seu marido para facilitar responder. A resposta é simples! Você permanece casada com Romeu porque opta por permanecer casada com Romeu. Ninguém te obriga a permanecer. Nada lhe impede de mudar de opção. Todo dia você acorda e continua casada com Romeu porque todo dia você diz sim para Romeu, igual você disse no dia do seu casamento. No momento em que você decidir dizer não para Romeu, pronto, será o fim do seu casamento com Romeu.

Entendido isso, você pode me perguntar: E por que eu opto por continuar casada com Romeu?

Eu lhe pergunto: Quem opta por permanecer casada com Romeu?

Você responde: Sou eu que opto.

Eu lhe pergunto: Então, por que está perguntando o motivo para mim?

Entende? Eu não sei o que acontece dentro de você. Certamente você tem um motivo para optar por continuar casada com Romeu. Porém, só você tem acesso a você, então, só você pode saber o motivo. E se quiser saber, se pergunte: por que opto por permanecer casada com Romeu? Encare a resposta, seja qual for. Uma vez que você descobrir o motivo, você pode avaliar se é um bom motivo se perguntando exatamente isso: esse motivo é um bom motivo para permanecer casada com Romeu? Se você continuará casada com Romeu depois disso, não sei, você decidirá, mas você ficará mais consciente do motivo de permanecer casada e isso lhe ajudará a optar melhor.

Schopenhauer está certo dentro da mentalidade materialista. Ele entende o ser humano como um espermatozoide em evolução, logo, não entende a função pedagógica do sofrimento. Ele vê o sofrimento apenas como uma espécie de maldição da vida.

Errado! Fé = arbítrio = acreditar = clicar. Você está sempre e inevitavelmente acreditando em alguma opção, por isso está sempre e inevitavelmente experimentando JUSTAmente o que está acreditando, optando, clicando, botando fé.

Você pode optar 100% nas opções:

(  ) Acredito pouco
(  ) Acredito médio
(  ) Acredito muito
(  ) Acredito nada
(  ) Acredito etc

Suicídio é só uma experiência dentro das possibilidades de experiência do viver humano. Viver é existencial. Você não deixa de viver por nada. Viver é você-ser sendo. Assim como é impossível você-ser não-existir, é igualmente impossível não-saber e não-viver. Existir, saber e viver (manifestar) são os três aspectos da UNItrindade que você é. Costumo dizer assim: O problema não é que você vai morrer, o problema é que você não vai morrer, nunca. Se fosse possível você morrer, todo seu sofrimento se resolvia por decreto fatal. Só que não. Ou você resolve ou não-resolvido permanece.

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© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari