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*Os livros estão na ordem de leitura recomendada.

Joia de família

19/10/2020 by in category Dilema do objetivo, Outroísmo impositivo, Textos tagged as , with 0 and 0

— Toma pra você.
— O que é isto, pai?
— É um problema.
— O que faço com isso?
— Sei lá! Se vira!
— Quero não, obrigado.
— Tarde demais, é seu.
— Como meu?
— Dei está dado.
— Já bastam os meus.
— Entendo, por isso te dei esse.
— Como assim?
— Devemos repartir o que temos.
— Você só tem problemas.
— Tinha! Muitos! Dei a maioria.
— Quer dizer que você guardou alguns problemas com você.
— Claro! Esse é o segredo.
— Não entendo.
— Se você der todos seus problemas não vai ter nada com o que se ocupar e isso será um enorme problema.
— Com quais você ficou?
— Só com os mais simples: regar as plantas, fazer café, etc…
— Do que se trata esse problema que você me deu?
— É um problema metafísico.
— Você não se interessa mais por esses assuntos?
— Nunca me interessei! Esse problema veio na herança. Seu bisavô era filósofo e passou o problema para o meu pai e meu pai me deu quando tinha catorze anos. É uma joia de família.
— Pai, sou homem, não uso joias.
— Problema seu!

Moral da história:

Herança ancestral é um capital psicológico que você recebe desde quando nasce e não depois que seus pais morrem. A mobília de crenças e valores que você está carregando hoje foi colocada nas suas costas na infância, através da educação, quando você ainda não tinha competência para entender e recusar. Desde que nasceu você tem sido ensinado a reproduzir as crenças e valores dos seus antepassados. Você acredita que são bens preciosíssimos e por isso irá carrega-los sofridamente até morrer, ou melhor, até que te matem. E tudo por quê? Claro! Sempre! Por amor!

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari