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Imagine que você se juntou a um grupo de seres para jogar um jogo. Esse jogo funciona com todos vocês se trancando numa cadeia. Cada um é diferente do outro, só que ninguém sabe disso, pois cada um só sabe de si. Vocês entram nessa cadeia, fecham a porta e não tem como sair. O jogo é simples assim. Imaginou? É isso mesmo! Essa cadeia é exatamente essa experiência humana que você está experimentando. E por que é uma cadeia?

PARTICIPANTE: Para não fugir?

Do que você fugiria?

PARTICIPANTE: Da convivência com o outro.

Exatamente! Ser humano é se meter dentro de uma experiência de interação com os outros. Uma vez que você está na experiência humana, você não tem como sair da convivência humana. Esse é o simbolismo da cadeia. Você nunca está apenas vivendo, você está sempre convivendo.

Viver é conviver. A convivência é o tempo todo. Quer você goste quer não, quer esteja consciente quer não, você está preso na cadeia da convivência. Você não tem outra opção. Conviver é obrigatório.

Sendo assim, pergunto: O desafio dessa brincadeira é conviver?

PARTICIPANTE: Sim.

Não! Conviver não é desafio, pois não é opcional. Conviver é inevitável. Logo, o desafio da brincadeira da convivência tem que ser outro além da convivência. Qual?

PARTICIPANTE: Boa convivência.

Isso mesmo! Conviver bem ou conviver mal são as duas possibilidades dentro de uma brincadeira de convivência. Cada momento da sua experiência humana é um momento de convivência. Cada momento da sua experiência humana você pode conviver bem ou conviver mal. O desafio é conviver bem.

Não existe vida, só existe viver. Ou seja, você está sempre vivendo. Só que viver é conviver. Então, você nunca está vivendo, você está sempre convivendo. Nesse exato momento, por exemplo, seu viver é você participando dessa conversa. Se você decidir sair dessa conversa e ir ao supermercado fazer compras, você estará convivendo com as pessoas que estiverem no supermercado. Se você decidir entrar numa caverna para não conviver com ninguém, você estará convivendo com a caverna. Nem sempre sua convivência é com outro ser humano, mas sempre é com o outro.

Viver é conviver. Não tem para onde fugir. A todo instante você está convivendo e só lhe restam duas opções: conviver bem ou conviver mal. Ou seja, o que você pode optar é pela qualidade da sua convivência. Isso facilita demais viver, porque uma vez que você entende que viver é conviver, e que só tem duas opções, conviver bem ou conviver mal, com o que mais você precisa se ocupar senão em conviver bem? Todo o resto fica secundário. Todo o resto é apenas o tabuleiro do jogo. Todo resto é apenas cenário para seu único desafio: conviver bem.

PARTICIPANTE: E por que conviver bem é um desafio?

A dificuldade é que cada um dentro dessa cadeia tem um gabarito diferente, mas ninguém sabe disso. Cada um dentro dessa cadeia, supõe que o gabarito que serve pra si mesmo, serve para todos os outros. E cada um supõe isso, não por maldade, mas pela própria natureza da individualidade. Você é um indivíduo porque você sabe só de si. A natureza de ser um indivíduo impossibilita que você saiba a natureza do outro indivíduo. É por você não saber do outro que você não é o outro. Então, por não saber do outro, só lhe resta a possibilidade da suposição. Você se baseia em si e supõe seu gabarito para o outro. Se todos os indivíduos da cadeia tivessem o mesmo gabarito, ou se fosse possível um saber pelo outro, não haveria dificuldade, a brincadeira seria fácil. Mas a brincadeira é desafiadora justamente porque é necessário que você viva de acordo com o seu gabarito e conviva bem com o gabarito do outro, no escuro, sem saber do gabarito do outro. Esse é o desafio.

Vou resumir para concluir. Viver é conviver. Isso é inevitável. Sua convivência pode ser de dois tipos: má convivência ou boa convivência. Você opta entre viver autoísta ou viver outroísta. Essa sua opção se desdobra em comportamentos. Seus comportamentos se desdobram na qualidade da sua convivência. Jogo do controle é quando você opta pelo viver outroísta que se desdobra em uma convivência outroísta.

Vou falar algumas palavras e peço para que vocês escrevam essas palavras no bloco de notas do computador. Estão prontos?

PARTICIPANTE: Sim, pode falar.

Sal, Açúcar, Limão e Melancia.

Escreveram?

PARTICIPANTE: Sim.

Ótimo! Agora vamos entrar no tema. Pergunto: É possível o outro controlar você? Sim ou não?

PARTICIPANTE: Sim.

PARTICIPANTE: Não.

Vamos começar pela resposta “não”. Justifique sua resposta.

PARTICIPANTE: Não, porque tenho arbítrio. Mesmo quando digo sim, querendo dizer não, a escolha é sempre minha, sou eu que decido.

Ótimo! Agora a resposta “sim”. Justifique sua resposta.

PARTICIPANTE: Sim, é possível o outro me controlar com minha permissão.

Percebem que as duas respostas, sim e não, possuem a mesma justificativa? Sim, o outro pode controlar você quando você permite. E não, o outro não pode controlar você quando você não permite. Ou seja, de fato, é impossível o outro controlar você, porque você tem arbítrio. E vice versa. O outro não pode controlar você nem você pode controlar o outro. O que impossibilita isso é o arbítrio.

Mas se é impossível controlar o outro ou ser controlado, devido ao arbítrio, qual é o sentido de estarmos aqui estudando estratégias de controle?

PARTICIPANTE: Ótima pergunta! Não sei.

Agora vou desdizer o que disse. É possível controlar o outro, e vice versa, muito embora exista o arbítrio. Como?

PARTICIPANTE: Ainda não sei.

Pelo convencimento.

Você não tem como controlar o outro e vice versa. Mas um pode convencer o outro. Seu arbítrio é como o teclado do seu computador, só você tem acesso, só você pode digitar nele, sua realidade é o que aparece na tela, resultado do seu arbítrio, ou seja, resultado do que você digita no seu teclado. No começo dessa conversa apareceram quatro palavras na tela do computador de vocês, não foi?

PARTICIPANTE: Sal, Açúcar, Limão e Melancia.

Isso mesmo! Eu queria que vocês escrevessem essas quatro palavras. Era um desejo meu, não era de vocês. Só que eu não tenho acesso ao teclado de vocês. Ou seja, não tenho como controlar o arbítrio de vocês. Contudo, eu controlei. Tanto controlei que essas quatro palavras estão aparecendo aí na tela do computador de vocês. Como isso é possível?

PARTICIPANTE: Você pediu para que nós escrevêssemos e nós atendemos seu pedido.

Exato! Eu fiz um pedido e convenci vocês a fazerem o que eu queria. Só que quem fez não fui eu, foram vocês.

Tá claro isso?

PARTICIPANTE: Sim

Se quem fez foi você, o que isso significa?

PARTICIPANTE: Não sei.

Significa que quem fez não fui eu, foi você.

PARTICIPANTE: Sim, óbvio.

O que você experimenta é sempre o que você opta experimentar, quer seja uma opção que você mesmo imagine, quer seja uma sugestão do outro. No final das contas, em questão de experimentação, pouco importa de onde vem a opção, da sua própria imaginação ou de uma sugestão alheia, tudo se resume ao seu arbítrio. Se você não quer experimentar limão, basta você não optar por essa opção. Assim como é impossível a palavra limão aparecer na tela do seu computador se você não digitá-la, também é impossível a experiência limão aparecer na sua experiência se você não optar por ela. Você está sempre no controle da sua experiência, pois até mesmo para você fazer o que o outro quer que você faça, você precisa optar por isso. Seu arbítrio é sempre a causa do que você está experimentando. Ou seja, o outro pode tentar te controlar, mas não pode conseguir. O outro só consegue te controlar com sua permissão. E vice versa. Você pode tentar controlar o outro, mas não pode conseguir também. Você só consegue controlar o outro com permissão dele.

O filme Advogado do Diabo tem um ótimo exemplo disso. O advogado diz ao diabo: “Você me manipulou, me enganou, você me levou a fazer essas coisas”. O diabo responde: “Engano seu, pois até lhe disse para desistir. Você fez tudo por opção sua”. Ou seja, embora o outro possa e esteja constantemente te manipulando e vice versa, embora o outro possa e esteja constantemente te influenciando e vice versa, a responsabilidade pelo que cada um está experimentando é sempre de cada um.

Influenciar não é determinar. Entre as influências e a realidade experimentada, está o arbítrio. O ambiente pode influenciar fortemente na decisão. De fato, o ambiente sempre influencia fortemente na decisão. Mas influenciar não é decidir. No filme Advogado do Diabo, o diabo influenciou o advogado, tentou convencê-lo de várias formas a fazer o que ele queria, mas não determinou a escolha do advogado. Eu fiz a mesma coisa quando pedi para vocês escreverem “sal, limão, açúcar e melancia” no computador. Eu influenciei vocês, mas quem escreveu foram vocês.

Para controlar o outro, você precisa convencer o outro, pois é impossível controlar o outro de forma direta, atuando no arbítrio do outro. Assim como um não tem como digitar as palavras “sal, limão, açúcar e melancia” no teclado do outro, pois somente cada um tem acesso ao próprio teclado, somente cada um pode executar o próprio arbítrio.

Para que seja possível um controlar o outro, é necessário um meio de influência. Meio é a estratégia, maneira, jeito, método. No início dessa conversa, para que vocês fizessem o que eu queria, eu disse: “Preciso da ajuda de vocês, por favor, façam uma coisa para mim. Será importante para o entendimento do que vamos estudar hoje”. Essa foi minha estratégia de convencimento para convencer vocês a fazerem o que eu queria. E minha estratégia funcionou. Porém, só influenciei, vocês só escreveram porque aceitaram minha influência.

É fundamental entender a diferença entre determinação e influência. Muitas coisas podem te influenciar, às vezes a influência é quase irresistível, mas não é determinação. O que determina seu viver é sua escolha, seu arbítrio.

O diabo representa a influência tentadora. O diabo pode ser uma circunstância, uma pessoa, uma sociedade, o que for. O diabo representa algo que está tentando fazer com que você saia do viver autoísta e entre no jogo do controle (outroísmo). Mas o diabo não pode ganhar de deus. Por que não? Porque deus é seu arbítrio. O que cria sua realidade é seu arbítrio. Então, só você pode criar sua realidade.

Mas para que estudar estratégias de controle, se você não quer jogar o jogo do controle?

PARTICIPANTE: Para eu não cair em tentação.

Mais do que isso! Para você sair da tentação que está caído. Você vive caído em tentação. Seu viver é o jogo do controle. Só que você não percebe isso. O estudo das suas estratégias de controle é para você perceber o que você está constantemente fazendo, mas não percebe. Você está doente e o caminho para cura é você estudar minuciosamente sua doença. Suas estratégias de controle são as minúcias da sua doença.

Quer você esteja consciente, quer não esteja, você está jogando o jogo do controle. Você executa o jogo do controle através de estratégias. Então, quer você esteja consciente, quer não esteja, você está constantemente executando estratégias de controle.

Só existem duas estratégias de controle. Sendo que todo ser quer sempre a mesma coisa, o bem, e todos repudiam a mesma coisa, o mal. Então, uma forma de você controlar o outro é através do mal, da punição, e a outra forma é através do bem, da recompensa.

No jogo do controle, você controla o outro através do que ele quer (recompensa) ou através do que ele não quer (punição) e você é controlado da mesma maneira. A punição ocorre até que o outro faça o que você quer, ou seja, viva de acordo com seu gabarito. E vice versa. Se você não vive igual, em uniformidade, você é punido. Se você já vive igual, você aplica a punição em quem ainda vive diferente.

Controle pela punição é um ato de violência, mas recebe um nome bonito. Você chama o controle pela punição de educação. E você não aplica a educação só na escola, aplica em todo lugar e a todo instante. Tanto que você nem consegue imaginar sociedade sem educação.

E punição não é só física, pois a natureza humana é quaternária. Então, punição pode ser física, sensorial, afetiva e intelectual. Punição gera má convivência porque quem é punido quer vingança. Quando o outro pune você, você quer se vingar do outro. Quando você pune o outro, ele quer se vigar de você. Jogo do controle gera mais jogo do controle.

Você também joga o jogo do controle através da ameaça. Ameaça é promessa de punição. “Se você não fizer tal coisa (viver igual eu), vou fazer aquilo (te bater, te humilhar, etc)”. Ameaça é uma estratégia de controle também. Não há punição, mas há promessa de punição. Funciona até melhor. Primeiro você pune, depois de várias punições a pessoa internaliza a punição. A partir daí, basta a promessa.

Sendo assim, fique ciente que o viver autoísta não é um mar de rosas. Os outros irão punir você de todas as formas possíveis para que você viva em uniformidade. Você vai dar liberdade para o outro viver e o outro vai te punir do mesmo jeito. Não conte que o outro vai desistir de te uniformizar. Não vai.

Escolhi o filme A Última Tentação de Cristo para ajudar no estudo do controle pela recompensa, porque esse filme pega a história mais famosa do mundo e propõe uma outra opção para o desenrolar da história. Se a história de Jesus é factual ou não, isso não importa para nós nesse estudo, o que importa nesse estudo é o simbolismo contido na história de Jesus. E qual é o simbolismo? Qual é a história por trás da história de Jesus?

A história de Jesus é uma jornada de autorrealização (realização do destino). Nessa história, a autorrealização é representada por Jesus realizando a vontade do pai. Esse é o termo cristão que se usa. E o que é realizar a vontate do pai? É realizar o próprio destino. Metaforicamente falando, o destino de Jesus era percorrer toda via sacra até a crucificação. Na crucificação, é onde se consuma a jornada de Jesus, onde se consuma seu destino, onde se consuma a vontade do pai, onde se consuma sua autorrealização.

Para evitar equívocos, mais uma vez explico que destino não é o que você faz, destino é o que você é, destino é ser. A história de Jesus é uma metáfora do processo de autorrealização do ser. Então, quando Jesus chega à crucificação, isso simboliza que Jesus viveu sendo Jesus, que viveu em acordo com sua unicidade, que viveu de forma autoísta. Essa é a moral da história. Todos os acontecimentos e toda a trajetória de Jesus são metáforas paro o entendimento da jornada de autorrealização.

Entendido isso, fica fácil de entender que a jornada de Jesus simboliza sua própria jornada de autorrealização. Ou seja, a via sacra simboliza a jornada de todos e cada um dos seres humanos. Jesus simboliza o ser humano que passa por desafios, vence e se autorrealiza. Os desafios são dois: punição e recompensa. No capítulo anterior estudamos detalhadamente o desafio da punição, nesse vamos aprofundar no entendimento da recompensa.

Na história de Jesus, houve momentos em que o desafio para que Jesus abandonasse seu destino, foi a punição, mas também houve momentos em que o desafio foi a recompensa. Como já vimos, no jogo do controle, você controla o outro e é controlado por ele, através da punição e da recompensa. Por quê? Porque você foge da punição para ir para recompensa, que é o mesmo que buscar a recompensa para sair da punição. São dois lados da mesma moeda. No jogo do controle, o outro usa punição e recompensa para fazer você sair do seu destino, e vice versa.

É isso que o filme A Última Tentação de Cristo mostra quando Jesus está na cruz e vem o anjo conversar com ele. O anjo tira a coroa de espinhos, tira os pregos, ou seja, recompensa, está tirando a dor. Daí o anjo leva Jesus para uma casa confortável, onde ele tem prazeres, alegrias. Tudo recompensa. Daí ele tem uma esposa, tem filhos, tem uma família. Tudo recompensa.

Não estou dizendo para você se negar ter prazer e alegria, pelo contrário. Mas é que a história de Jesus é metafórica, representativa. Quando Jesus aceita as recompensas, simboliza você aceitando recompensa para negar seu destino, sua unicidade. É por isso que o filme chama A Última Tentação de Cristo, porque ele aceita a recompensa para negar seu destino, ou seja, cai em tentação.

Então, Jesus sofre dois tipos de tentação. Ele é punido para não cumprir o destino dele. E ele é subornado também para não cumprir o destino dele. São dois tipos de estratégias que têm o mesmo objetivo, controlar Jesus e fazê-lo negar seu destino. E no filme, o controle através da punição não funcionou, mas o controle através da recompensa, funcionou.

O mesmo acontece com você no jogo do controle. Você também controla o outro e é controlado por ele através da punição e da recompensa, e você também cai mais em tentação através da recompensa. Isso acontece porque recompensa é bom, então, recompensa não parece estratégia de controle. Mas é. Recompensa e punição são as duas estratégias de controle.

O controle pela punição é a estratégia da educação, o controle pela recompensa é a estratégia da ratoeira. Por que ratoeira? No controle pela punição, você pune, pune, pune, até a pessoa ficar condicionada a viver de acordo com o seu gabarito e vice versa. No controle pela recompensa, é similar, você recompensa, recompensa, recompensa, até a pessoa ficar condicionada a viver de acordo com o seu gabarito e vice versa. Por isso é ratoeira, o benefício é usado para prender.

Então, você pode até ter uma vida boa, que é o queijo da ratoeira, mas você não vive bem, pois não vive em acordo com seu destino, em acordo com seu próprio gabarito.

Para terminar, tem uma palavra que deixa a estratégia da recompensa totalmente explícita. Essa palavra vai te ajudar a perceber quando você está tentando controlar o outro através da recompensa e quando o outro está tentando controlar você. Essa palavra é: suborno.

Estratégia da recompensa é subornar.

Houve um tempo em que você podia plantar qualquer planta no quintal da sua casa. Daí, a sociedade criou uma lei para proibir a plantação de maconha. Desse momento em diante plantar maconha se tornou um crime. Se você plantar maconha no seu quintal, será considerado criminoso e será punido. Tem países em que essa lei não existe, logo, esse crime não existe.

É a lei que cria o crime e não o contrário. O mesmo acontece com o errado. É o certo que cria o errado e não o contrário. Tudo é o que é, nem certo, nem errado, até que alguém crie uma lei, ou seja, um certo. Daí, por contraposição, surge o errado. Por exemplo, o lugar onde uma toalha está é apenas o lugar onde a toalha está. Daí, alguém cria uma lei de que o lugar certo da toalha é pendurada no banheiro. Pronto! Imediatamente se torna errado deixar a toalha em cima da cama, se torna um crime. Se você deixar a toalha em cima da cama, você se torna um criminoso merecedor de punição.

É por isso que as pessoas te punem, fazendo cara feia, xingando, dando bronca, puxando sua orelha, te cancelando, ou mesmo te batendo. Você é um criminoso. Você pode não saber qual é o seu crime, o que fez de errado, mas as pessoas que estão te punindo sabem. O mesmo acontece quando você pune os outros. Toda vez que alguém desrespeita suas leis, essa pessoa se torna uma criminosa. Todo criminoso é merecedor da sua punição. Por isso você também pune os outros.

Você vive policiando e punindo os outros por conta dessas leis pessoais dentro de você. O outro faz o mesmo. Como uma convivência assim, de polícia e bandido, pode ser boa? Não pode! Mas o problema não é ter leis pessoais. O problema é ignorar que essas leis pessoais são pessoais, ou seja, que estão dentro de cada um e não escritas na pedra. Até que a sociedade decida colocar na constituição que o lugar certo da toalha é pendurada no banheiro, ninguém tem como saber que existe essa lei, nem que colocar a toalha em cima da cama é um crime.

Seres humanos convivem sob o equívoco de que suas leis pessoais são de conhecimento de todos e obrigatória para todos. Não são! Você não sabe quais são as leis pessoais dos outros e, mesmo que soubesse, não tem obrigação de segui-las. O outro não sabe quais são suas leis pessoais e, mesmo que soubesse, não tem obrigação de segui-las. Através do diálogo vocês podem descobrir e, ao invés de conviverem como polícia e bandido, conviverem como seres humanos com critérios diferentes.

Você está condenado a sofrer porque sofrimento é você experimentando insatisfação. Por mais que você esteja satisfeito, o estado de satisfação sempre acaba e você volta a insatisfação, ou seja, volta a sofrer. É assim que funciona. Inevitavelmente. Sua opção frente a isso é lidar bem ou lidar mal com isso. Você lida mal quando transfere ao outro a responsabilidade pela satisfação do seu desejo. Sendo que o outro não tem essa obrigação, tudo que você consegue com isso é perpetuar seu estado de insatisfação, ou seja, perpetuar seu sofrimento.

Você usa duas estratégias: imposição e submissão. Por exemplo, você deseja beber água. Na estratégia impositiva, você ameaça o outro: “Seu filho da puta! Seu desgraçado! Me traz um copo d’água agora mesmo ou te mato”. Você pega um revólver e dá um tiro para cima. Pega uma faca e finca na mesa. “Vai logo!”, você ordena. Só que o outro não nasceu para ser seu garçom e não vai. Você tenta mil torturas para obrigar o outro a pegar o copo d’água para você. Nada funciona. Se você usasse 0,1% da energia que está disparando no outro para levantar a bunda da cadeira e pegar você mesmo o copo d’água, seu desejo já estaria satisfeito faz tempo. Mas não! Você é o sabidão. Tão sabido que sabe que o culpado pelo seu sofrimento é o outro que está te enrolando. Então, já que tempestade por um copo d’água não está funcionando, você decide usar uma sabedoria mais impactante. Você decide apertar o botão vermelho e começar com a terceira guerra mundial.

Na estratégia submissa, você começa a fazer chantagem e vitimização para obrigar o outro a satisfazer seu desejo. Você diz: “Quem me ama pega um copo d’água para mim”. Só que o outro não nasceu para ser sua babá e não vai. Você começa a chorar: “Você não me ama! Eu faço isso por você, faço aquilo, eu te dei a vida e você nem pega um copo d’água para mim! Você é um egoísta ingrato!”. Se você usasse 0,1% da energia do mimimi para levantar a bunda da cadeira e pegar você mesmo o copo d’água, seu desejo já estaria satisfeito faz tempo. Mas não! Você é o sabidão. Tão sabido que sabe que a culpa do seu sofrimento é do ingrato que está te enrolando. Então, já que mimimi por um copo d’água não está funcionando, você decide usar uma sabedoria mais impactante. Você entra em depressão, começa a tomar remédios tarja preta e por fim decide cortar os pulsos.

Resumindo, sofrer é natural, inevitável e saudável. Você precisa experimentar sofrimento para tomar consciência do seu desejo e satisfazê-lo. Só que você pode transferir sua responsabilidade de satisfação ao outro ou pode assumi-la. Assumir é lidar bem com o sofrimento e resolvê-lo. Transferir é lidar mal com o sofrimento e perpetuá-lo. Solução ou perpetuação? Você decide.

Se justo e injusto fossem absolutos, não haveria conflito por justiça no mundo, pois não haveria divergência sobre a ação justa e a ação injusta. Toda ação justa seria visivelmente e incontestavelmente justa. Toda ação injusta seria visivelmente e incontestavelmente injusta. Não haveria necessidade de tribunais, nem de leis e sistemas judiciários. Contudo, cada dia as leis e os processos judiciais aumentam nas sociedades humanas. Por que? Porque justo e injusto não são absolutos, são definições humanas, mentais e particulares. Ou seja, cada cabeça é uma sentença, pois cada um tem um critério pessoal do que é justo e injusto, assim como cada um tem um critério pessoal do que é feio e bonito.

No filme Carandiru, que mostra a saga do Dr Drauzio Varella interagindo com os prisioneiros do presídio, todos os prisioneiros tem justificativas para os seus crimes. O Dr Drauzio Varella observa isso e comenta isso com outro médico. Seu interlocutor lhe responde: “Você ainda não percebeu que todos os prisioneiros aqui dentro são inocentes?”.

Justo e injusto são atribuições pessoais. O que eu considero justo, você pode considerar injusto e vice-versa. E até aí tudo bem. É assim que funciona. O problema é ignorar como funciona e partir em busca de justiça. Sendo que justo e injusto é particular, buscar justiça se torna uma tentativa de estabelecer algo particular como absoluto, ou seja, se torna uma tirania.

É isso o que acontece no filme O Insulto e em todos os tribunais de justiça. Tonny Hanna, o personagem libanês, quer justiça. Mas qual justiça? Baseada em qual critério de justo e injusto? Certamente Tonny Hanna não está buscando justiça baseado no mesmo critério que Yasser Abdallah, o personagem palestino.

“Como fazer justiça sendo que justo e injusto é particular?”, você pode estar se perguntando. O filme O Insulto, embora trate da questão do justo e do injusto, do certo e do errado, do culpado e do inocente, faz uma pergunta muito mais fundamental do que essa. O filme pergunta: “O que você prefere, estar certo ou ser feliz?”. A princípio, Tonny Hanna e Yasser preferiram estar certos, mas não lucraram nada com isso, muito pelo contrário, a vida de ambos virou um inferno. Por fim, optaram por serem felizes. E foi isso que aconteceu, felizes foram.

Um homem entra no elevador de um hotel. O ascensorista lhe pergunta:

“Para qual andar o senhor deseja ir?”.

“Qualquer um”, responde o homem, “estou no hotel errado!”

Outroísmo é o hotel do jogo do controle. Tanto faz para qual andar você vai dentro do jogo do controle, tanto o andar de cima (outroísmo impositivo) como o andar de baixo (outroísmo submisso), só servem para lhe manter jogando o jogo do controle, e consequentemente, vivendo mal. Para viver bem, ao invés de mudar de andar, mude de hotel.

Um alpinista estava escalando uma montanha durante a noite quando escorregou e começou a cair. A corda de segurança estancou a queda. Porém, ele ficou pendurado no escuro. Desesperado, quase morrendo de frio, o alpinista começou a gritar:

— Socorro! Alguém me ajude!
— Solta a corda!
— Quem está falando? — perguntou o alpinista.
— Você quer se salvar ou não?
— Sim, quero!
— Solta a corda.
— Isso não! Me ajuda a sair daqui!
— Estou tentando: solta a corda!
— Nem fodendo solto essa corda!
— Você quer se salvar ou não?
— Sim, quero!
— Então, solta a corda.

No dia seguinte, o alpinista foi encontrado congelado e morto, agarrado a uma corda, a meio metro do chão.

O alpinista é você. O frio é você vivendo mal. A corda é o jogo do controle. Sua persistência em se manter agarrado a corda, é você persistindo em jogar o jogo do controle. Quer viver bem? Solta a corda! Desista do jogo do controle!

Existem duas opções para o fim da treta humana:

OPÇÃO (A) Todas as pessoas devem ser fisicamente e psicologicamente idênticas. Não deve haver nenhuma desigualdade que sirva de motivo para inveja.
OPÇÃO (B) Respeitar e apreciar as diferenças.

OPÇÃO (A) Todas as pessoas devem ser patrões, ninguém deve ser empregado.
OPÇÃO (B) Quem quiser ser patrão, seja patrão, quem quiser ser empregado, seja empregado.

OPÇÃO (A) Todas as pessoas devem ser candidatas à presidência da república e todas devem vencer as eleições com 100% dos votos.
OPÇÃO (B) Democracia.

OPÇÃO (A) Todas as pessoas devem ganhar no par ou ímpar. Nunca ninguém deve perder. Só deve existir ganhadores, nunca perdedores. Todas as seleções devem ser igualmente campeãs da copa do mundo.
OPÇÃO (B) Aprender a perder.

OPÇÃO (A) Ninguém deve jamais frustrar ou decepcionar as expectativas dos outros. Todas as expectativas de todas as pessoas devem ser sempre e completamente satisfeitas.
OPÇÃO (B) Aprender com a frustração e a decepção.

OPÇÃO (A) Todas as pessoas devem ser onipotentes. A vontade de cada pessoa deve ser absoluta e deve ser seguida por todos.
OPÇÃO (B) Cada um com seu arbítrio.

OPÇÃO (A) Todas as pessoas devem estar certas. A crença de cada pessoa deve ser absoluta e deve ser verdade para todos.
OPÇÃO (B) Cada um acredita no que quiser.

OPÇÃO (A) O que é melhor para cada pessoa deve ser absoluto e deve ser melhor para todos.
OPÇÃO (B) Cada um faz o que achar melhor.

Escolha sua opção.

PERGUNTAS

Você tem livre arbítrio, você pode fazer o que bem entender. Você pode chorar. Você pode entrar na internet e mandar mensagem para o “reclame aqui”. Você pode fazer faculdade de direito, se tornar juiz e mudar a legislação nacional. Você pode entrar em depressão. Enfim, você pode fazer o que bem entender. Agora, se sua pergunta for “O que posso fazer para conviver bem com a manifestação do outro?”. Você pode e deve abandonar o jogo do controle e jogar o jogo da liberdade.

Quando você quebra uma regra que combinei com você, eu cumpro a regra para ir a favor de mim e não contra você. Minha intenção não é te penalizar, é me beneficiar. Daí, claro que meu sim pra mim é não para você. Mas isso é apenas consequência do sim pra mim, não é punição nem controle. Você permanece livre no começo, meio e fim da convivência. E quando você cumpre o combinado, mesma coisa. Eu não te benefício, você mesmo se beneficia por chegar ao resultado que se determinou e concordou em chegar. Eu não te recompenso, você se recompensa do combinado. E você é livre no começo meio e fim da convivência. Também é jogo da liberdade.

Depende, você está cobrando algo que foi combinado? O combinado não é caro, nem outroísmo.

Somos oito bilhões de super heróis, todos tentando salvar o mundo. E salvar o mundo do que? Do errado. O cristão quer salvar o mundo do islamismo e o islâmico quer salvar o mundo do cristianismo. O ateu quer salvar o mundo da crendice e o crente quer salvar o mundo do ateísmo. Os heterossexuais querem salvar o mundo da homossexualidade e os homossexuais querem salvar o mundo da heterossexualidade. A esquerda quer salvar o mundo da direita e a direita quer salvar o mundo da esquerda. Os pais querem salvar os filhos e os filhos querem salvar os pais. Resultado, treta, guerra, soco, pontapé, facada, mágoa, inimizade, ódio, etc. E tudo em nome de ajudar o outro. Ajudar o outro é piada! É mentira cabeluda! Ninguém quer ajudar o outro. Cada um quer ajudar a si mesmo. Cada um quer que o outro reze sua cartilha. Cada um quer que sua verdade seja absoluta. Se não fossemos hipócritas e admitíssemos isso, daí sim, ajudaria. Mas não, somos todos certos e santos. O vilão é sempre o outro. A culpa é sempre do outro. O errado é o outro. O inferno é o outro. O capeta é o outro. Eu sou o salvador. Eu imponho meu certo ao outro porque são as bases da santidade, da verdade, do amor e da salvação. Dito isso, você pode expor sua opinião e seu critério de valores ao outro sem ser um caga regras. Como? Exatamente como estou fazendo aqui: explicando. E só estou fazendo isso porque você me perguntou. Se não tivesse me perguntado, não lhe explicaria nada, pois estaria sendo invasivo. Expor é diferente de impor. Explicar é diferente de implicar. Expor e explicar é saudável e produz bem viver. Impor e implicar é violento e produz mal viver.

Alguma vez você foi na igreja e assistiu a religião rezando uma missa? Claro que não! Quem reza a missa é o padre. Quem se comporta assim ou assado são os religiosos e não a religião. Estando isso esclarecido, sugiro que você escreva uma carta para os religiosos expressando o que eles estão fazendo de errado e como eles deveriam se comportar. Não estou brincando, nem sendo irônico, escreve mesmo, coloque no papel o que pensa e sente. Faça uma lista de todos os erros cometidos e outra lista de como eles deveriam se comportar, de como é o jeito certo. Coloque no título da carta: “Gabarito do certo e errado”. Coloque a carta em um envelope. Vá até o correio e envie a carta para si mesmo. Assim que chegar, leia e viva de acordo com o seu gabarito e permita que o outro vida de acordo com o gabarito dele. E não faça isso pelos outros, por benevolência, tolerância ou respeito. Não! Faça por si mesmo, pelo seu próprio bem. Viver censurando e corrigindo a vida dos outros só serve para você perder sua vida.

Como conviver bem com pessoas que não falam o que pensam? Permitindo que sejam pessoas que não falam o que pensam. Como conviver bem com pessoas que mentem? Permitindo que sejam pessoas mentirosos. Como conviver bem com pessoas que me odeiam? Permitindo que sejam pessoas que te odiam. Como conviver bem com pessoas burras? Permitindo que sejam pessoas burras. Como conviver bem com pessoas arrogantes? Permitindo que sejam pessoas arrogantes. Como conviver bem com pessoas racistas? Permitindo que sejam pessoas racistas. Como conviver bem com pessoas de direita e esquerda? Permitindo que sejam pessoas de direita e esquerda. Como conviver bem com pessoas assim e assado? Permitindo que sejam pessoas assim e assado.

Você não convive de verdade. É fingimento. Você e o outro não foram ao cartório oficializar a farsa, mas vocês têm um contrato de fingimento. Por isso o outro te elogia e você elogia o outro. Vocês estão cumprindo o contrato. Elogiar um ao outro é uma forma de dizer: “Continue fingindo que eu também continuo”. Convivência desse tipo funciona feito jogo de xadrez, não há lugar para espontaneidade. Cada movimento precisa passar por rigorosa análise do que dirão antes de vir ao tabuleiro. É muito sofrido viver assim. Ninguém aguenta. Por isso você deseja rasgar o contrato. O outro também. Só que ninguém toma iniciativa. Fica um esperando o outro desistir do fingimento. Esperando, esperando, esperando… E é assim que cada um ajuda a perpetuar o que todos desejam que acabe.

Desenvolvendo orelhas de elefante. Explico. Ninguém ataca por nada. O outro sempre tem um motivo para te atacar. Mesmo que o motivo for um delírio da cabeça dele, é um motivo. Quando o outro estiver te atacando, amplie suas orelhas até ficar do tamanho das orelhas dos elefantes e assim você conseguirá ouvir o motivo por trás dos ataques que está recebendo. Desenvolver orelhas de elefantes é uma metáfora para dizer que você deve ampliar sua empatia e sua capacidade de ouvir os outros sem resistência moral e sem vingança. Transforme suas pequenas orelhas de mosquito, que não escutam nada, em orelhas de elefante, que escutam tudo. Quanto mais executar essa prática, mais você irá lidar bem com o ataque dos outros.

Observe sua intenção em relação ao outro. Se sua intenção é controlar o outro, você está vivendo outroísta.

Todo padrão de comportamento é resultado da execução de um ou mais comportamentos específicos. A dança, por exemplo, é resultado da execução de diversos movimentos corporais: o passo, o pulo, o giro, o balanço dos braços, etc. Juntando todos esses movimentos temos um padrão de comportamento que chamamos de dança. Mas sem passos, pulos, giros e balanço de braços não tem dança. O mesmo acontece com o outroísmo. O que você executa de fato, no dia a dia, é o comportamento de punir e recompensar. Juntando esses dois comportamentos surge um padrão de comportamento que podemos chamar de outroísmo, ou jogo do controle. Mas sem punição e recompensa não tem jogo do controle. Por isso, se você quiser sair do jogo do controle, o caminho é praticar auto-observação e vigiar suas intenções. Quando sua intenção é punição ou recompensa, você está vivendo outroísta e jogando o jogo do controle.

Se sua intenção é controlar o outro, seja lá como você nomear seu comportamento, sua manifestação é você jogando o jogo do controle.

“Desejo de controle” é um equívoco. Quando você controla o garfo e a faca na hora do almoço, seu desejo não é controlar o garfo e a faca, seu desejo é comer. Quando você controla o carro para voltar para casa, seu desejo não é controlar o carro, seu desejo é voltar para casa. Quando você controla o piano para tocar uma música, seu desejo não é controlar o piano, seu desejo é produzir a música. Analogamente, quando você controla o outro para isso e aquilo, seu desejo não é controlar o outro, seu desejo é por isso e aquilo. Controle não é desejo, é estratégia de realização do desejo. Controlar o garfo e a faca é estratégia para realizar o desejo de comer. Controlar o carro é estratégia para realizar o desejo de voltar para casa. Controlar o piano é estratégia para realizar o desejo de ouvir música. Controlar o outro é estratégia. Toda realização é executada através de uma estratégia. É impossível realizar um desejo sem a execução de uma estratégia. Controle é a primeira estratégia que você aprende e usa durante toda sua vida. Sua sobrevivência depende de você se tornar competente em controlar as coisas. Se você não controlar o garfo e a faca, não come. Se você não controlar o carro, bate no muro. Se não controlar o piano, não tem música. Contudo, embora o controle seja uma estratégia que funciona muito bem para interagir com as coisas, não funciona para interagir com outros seres humanos, pois todo ser humano tem vontade própria igual você. Por isso, na interação com outros seres humanos, a melhor estratégia de interação é o jogo da liberdade.

Não, você continua sofrendo com isso, caso contrário, você não teria como saber que são opções desagradáveis. O que desaparece quando você desiste do jogo do controle é a perpetuação do sofrimento. Vamos supor que eu te desvalorize te chamando de “feia”. Não tem como você se sentir agradada com isso. Você quer valor. Então, você sofre com o que eu digo. Mas se além de sofrer, você decidir me controlar, você irá sofrer ainda mais e perpetuar seu sofrimento. Por exemplo, você me pergunta como é uma mulher bonita. Eu lhe digo que mulher bonita tem bunda grande, peitos grandes, lábios grandes, pernas finas etc. E lá vai você se violentar, colocando botox e fazendo lipoaspiração. Tudo isso para me controlar. E tão logo eu te vejo, reformada, lhe digo: “Credo! Piorou! Tá mais feia ainda!”. E se decidir continuar jogando o jogo do controle comigo, só vai conseguir ampliar mais e perpetuar mais seu sofrimento.

Seu sofrimento não pode ser desligado, caso contrário, seria como desligar seu GPS e você não teria mais um sistema de navegação, ou seja, você não teria mais como saber o que é bem, bom, caro e vero para você. Desistir do jogo do controle faz cessar seu mal viver.

Você decide. O que posso te dizer é que a experiência alheia nunca é uma experiência objetiva, é sempre uma imaginação sobre o relato do outro. Experiência objetiva é quando você experimenta objetivamente. Por exemplo, se te digo que fogo queima, você imagina isso, mas a experiência objetiva de queimar só acontece quando você coloca a mão no fogo.

Sim, pode. E pode decidir te matar se for mentiroso também. Ou outro está de saco cheio de ser enganado e de ouvir mentiras, você mente e ele decide te matar por isso. Também pode ser. Você não tem como saber, nem como controlar a decisão do outro. Você só controla sua decisão.

Não gosto de falar sobre o que não é óbvio, mas nesse caso vale o desconforto. Certa vez, fizeram a seguinte pergunta a um extraterrestre que estava se manifestando através de um médium: “Como será quando os extraterrestres chegarem?”. O extraterrestre respondeu: “Vocês se sentirão envergonhados!”. Uma pessoa no grupo perguntou: “Envergonhados com o que? Com vocês? Com a forma como vocês vivem?”. O extraterrestre respondeu: “Não, vocês ficarão envergonhados com vocês mesmos, com a forma como vocês vivem!”. Poucos entenderam a resposta do extraterrestre. Até porque era preciso já estar envergonhado para entendê-la. Ora, só mesmo com a consciência muito adormecida para não sentir vergonha da forma como vivemos. Hipocrisia, recalque, violência, vingança, luta pelo poder. E seguimos sem remorso! Como? Que nível de inconsciência é esse que acha isso normal?

Viver é mar que sobe e desce alternando dores e delícias. A mesma onda que te afunda na dor, assim que muda de fase, te eleva ao pico mais alto da felicidade, depois te afunda novamente e te eleva novamente. E assim por diante, num sobe e desce sem fim. Então, só um jeito de evitar a dor: não vivendo. É isso que você faz: se proíbe de viver. É uma delícia passear ao ar livre sentindo a brisa, mas você pode pegar um resfriado. É uma delícia sentir o aroma das rosas, mas você pode se furar com os espinhos. É uma delícia brincar com o mágico, a trapezista, a bailarina, o domador de leões e todos os integrantes do circo humano, mas eles podem te fazer de palhaço. Viver é perigoso. Melhor não viver para não arriscar sentir dor. E como faz para não viver? Você pensa em duas opções: Opção (A): sair da brincadeira (suicídio). Opção (B): fazer igual os três porquinhos, construir uma casa bem forte, impermeável e morar dentro dela para não ser comido pela dor do infortúnio, da rejeição, da frustração, da decepção, etc. Você se encolhe e vive entocado feito tartaruga. Ao executar a opção (B), além de não ganhar da dor, você ainda perde a alegria de viver. Por isso volta a pensar na opção (A). Mas tem também a opção C: se permitir sentir dor. O benefício da opção (C) é finalmente conseguir realizar o motivo de ter nascido: viver.

Dois autoístas convivendo é o melhor dos mundos. Dois autoístas conversam, entendem o desejo um do outro e juntos constroem uma convivência em que o desejo de ambos são realizados. O problema da boa convivência é quando as partes são outroístas e uma quer impor sua vontade ao outro, daí a boa convivência fica impossível.

Não! Pelo contrário. Se você se sente abusado, desrespeitado, invadido pelos outros, você deve estabelecer limites. Os outros não tem obrigação de respeitar seus limites. Muitas e muitas vezes irão desrespeitar. Mas se você não estabelecer seus limites de forma clara e explícita, como espera que os outros respeitem uma linha que não foi traçada? Impossível. Outra coisa que precisa ficar óbvia é que regras é sempre para o futuro, nunca para o passado. Por exemplo, não adianta você estabelecer que o leite derramado volte para panela. O leite já foi derramado. Regrar o passado é regar mágoas. Não adianta querer que o acontecido desaconteça. Não tem como desfazer o feito, tem como refazer. Você pode estabelecer que ninguém deve derramar leite no seu fogão. Isso sim ajuda, pois isso é para atividades futuras.

Ignorância e outroísmo estão ligados, mas não é a mesma coisa. Ignorância é o estado consciencial que leva um indivíduo a viver de forma outroísta.

A melhor forma de convivência é aquela produzida através do diálogo e do acordo. Traçar limites na convivência é fundamental para que um não ultrapasse o limite do outro, mas um limite não precisa ser imposto com punição, pode ser conversado e combinado. O combinado não é caro, nem imposto.

Você protege as cagadas de quem ama. Faz vista grossa. Você finge que a pessoa amada não está fazendo a merda que está fazendo. E pior! Você acredita que faz isso por amor ao outro. Só que não! Você faz isso para controlar o amor do outro, para inibir a possibilidade do outro lhe odiar. Na posição de mãe, por exemplo, você finge que seu filho não está fazendo merda para que seu filho lhe ame. Na posição de filho, você finge que seus pais não estão fazendo merda pelo mesmo motivo. Mas quando alguém está fazendo merda, fazendo merda está. Óbvio! Simples assim! Pessoas amadas são pessoas iguais você e fazem merda igual você. Todas as pessoas acordam de manhã, vão até o banheiro e fazem merda, nem por isso deixamos de amá-las. Uma pessoa não é a merda que faz, apenas faz merda.

Ficando consciente que é exatamente assim que funciona a brincadeira de convivência e não tem como ser diferente. Tudo que você faz prejudica alguém e vice versa. Tudo que você não faz também prejudica alguém e vice versa. Se não quer brincar não desce no play. Entrou na brincadeira da convivência, não tem para onde fugir. Frustrar e ser frustrado, prejudicar e ser prejudicado, desagradar e ser desagradado, contrariar e ser contrariado, é inevitável na convivência. Depois, ficando consciente que assim como você não nasceu para satisfazer as expectativas dos outros, os outros também não nasceram para satisfazer as suas. Por fim, conversando e encontrando uma opção que beneficie ambos simultaneamente.

Você tem livre arbítrio, você pode fazer o que bem entender. Você pode comer paçoca com feijão. Você pode fazer pipoca com sorvete. Você pode pedir demissão do seu emprego atual e arranjar um emprego de encanador. Enfim, você pode fazer o que bem entender. Agora, se sua pergunta for “O que posso fazer para conviver bem com a infelicidade do outro?”. Você pode e deve abandonar o jogo do controle e jogar o jogo da liberdade.

Você tem livre arbítrio, você pode fazer o que bem entender. Você pode comprar um time de futebol de botão e passar o resto da vida jogando botão. Você pode prestar vestibular para biologia, se formar e fazer tese de mestrado no Alasca. Enfim, você pode fazer o que bem entender. Agora, se sua pergunta for “O que posso fazer para conviver bem com a rejeição do outro?”. Você pode e deve abandonar o jogo do controle e jogar o jogo da liberdade.

Você tem livre arbítrio, você pode fazer o que bem entender. Você pode ligar para a polícia e mandar prender o outro. Você mesmo pode prender o outro. Você pode jogar ovo podre no outro. Você pode jogar tomate no outro. Enfim, você pode fazer o que bem entender. Agora, se sua pergunta for “O que posso fazer para conviver bem com a agressividade outro?”. Você pode e deve abandonar o jogo do controle e jogar o jogo da liberdade.

Sentir raiva não é problema, é solução. A raiva te diz o que você quer e o que você não quer. Saber da sua vontade é fundamental para você optar em acordo com sua unicidade e viver bem. A raiva que você sente quando está sendo controlada está lhe dizendo que você não quer ser controlada. Até aí nenhum problema. O problema começa quando você opta por obrigar o outro não te controlar. Esse problema se chama: jogo do controle.

Em qual supermercado você compra tempo para ficar cuidando da vida duzotro? E daí que o outro isso, aquilo, murilo, grilo, esquilo e crocodilo? O que você tem a ver com isso? Está procurando chifre em cabeça de cavalo para quê? Quem procura acha! E quando o outro te dá um coice bem dado, para você deixar de ser enxerido, você começa com a ladainha: “eu faleeeeei que fulano era um cavalo!”. Está com tempo sobrando? Vai cortar grama com alicate de unha. Vai enxugar iceberg. Vai pentear o King Kong. Vai empilhar dominó no terremoto. Vai contar pingo de chuva. Vai fazer qualquer coisa ao invés de ficar plantando vento para colher tempestade. Às vezes, para boa convivência, nem precisa de muito autoconhecimento, um pouco de vergonha na cara já resolve. Não tem vergonha na cara! Vende no mesmo supermercado que você compra tempo para ficar cuidando da vida duzotro.

Por quatro motivos: 1) No autoísmo você vive em acordo com sua unicidade (vive bem). Viver bem é pré requisito para conviver bem, pois como você poderia conviver bem sendo que não consegue sequer viver bem consigo mesmo? 2) Você não tem obrigação de concordar e satisfazer as expectativas dos outros e vice versa. 3) Discordância não mata, ensina os seres humanos que ninguém tem obrigação de concordar e satisfazer as expectativas dos outros e vice versa. 4) Sendo assim, autoísmo é a melhor opção para boa convivência, porque produz lucidez e autonomia, enquanto outroísta perpetua a ignorância e a dependência.

Se colocar no lugar do outro é executar a empatia. A empatia é uma prática. Quanto mais você pratica empatia, mais fácil fica executar. Então, se você não consegue se colocar no lugar do outro, e deseja conseguir, você deve se perguntar o que te impede de praticar a empatia, o que te impede de se colocar no lugar do do outro. Daí, você irá descobrir. Pode ser, por exemplo, que você evita a empatia para fugir da sua parcela de culpa e colocar toda a culpa no outro. Pode ser uma forma cultivar a uniformidade. Pode ser para continuar no jogo do controle. Pode ser que não está preparado para ouvir a verdade do outro. Etc. Descobrindo, você começará a ter empatia.

Imagina que você é um ser que quer aprender a jogar o jogo da liberdade. Tem dois planetas que você pode ir: ( ) planeta outroísmo, ( ) planeta autoísmo. Para qual planeta você vai? Se você respondeu planeta autoísta, a resposta está errada. É do veneno que se faz o antídoto. No planeta autoísta ninguém joga o jogo do controle, logo, você não tem material de estudo para ficar consciente sobre o que é o jogo do controle e como funciona. Se você não é consciente sobre o funcionamento do jogo do controle, você não tem como optar pelo jogo da liberdade. Então, você se trancou no planeta do outroísmo, onde todos jogam o jogo do controle do nascimento até a morte, 25 horas por dia, porque, ou você aprende a jogar o jogo da liberdade, ou você aprende. Você se trancou no planeta outroísmo porque sabia que iria tentar fugir da escola, e como você quer aprender, retirou de si mesmo a possibilidade de fuga. Você aprende a não colocar a mão no fogo colocando a mão no fogo. Você aprende a não fazer merda, fazendo merda. Você aprende a jogar o jogo da liberdade jogando o jogo do controle.

Imagine uma eleição. Milhares de pessoas votam. Qual é o resultado? É exatamente a somatória dos votos. Ou seja, o resultado de uma eleição não depende só do voto de um eleitor depende do voto de todos. O que você chama de “vida” é igual uma eleição, depende do arbítrio (voto) de todos os viventes. Para que você pudesse ter vida boa, sempre, garantidamente, a vida teria que ser resultado único e exclusivo do seu arbítrio. Ou seja, seu arbítrio teria que ser absoluto e se sobrepor ao arbítrio de todos os seres do universo. Mas não é assim que a vida funciona. A vida não é uma ditadura, a vida é uma democracia. Por isso não existe vida boa, pois você é incapaz de controlar o arbítrio (voto) dos outros.

Porque ninguém tem interesse que você seja você. Seu pai quer que você seja outro. Sua mãe quer que você seja outro. Sua esposa quer que você seja outro. Seu marido quer que você seja outro. Seus filhos querem que você seja outro. Seus amigos querem que você seja outro. Seus professores querem que você seja outro. A sociedade quer que você seja outro. O padre quer que você seja outro. E mais! Segundo a bíblia, até Deus quer que você seja outro. Ora, se até o criador do universo quer que você seja outro: quem é você para ser você? De onde vem essa arrogância suprema de cagar para as expectativas e o recalque alheio? Que egoísmo escancarado, fedido e mesquinho é esse de ser autêntico? É acreditando nessas certezas e duvidando de si que você opta pela uniformidade e vive sendo outro.

Imagine que você tem um cachorro que adestrou para comer ração na tigela e fazer coco no quintal. Então, de repente, seu cachorro decide ignorar o adestramento e viver autoísta. Ao invés de comer ração na tigela, seu cachorro abre a geladeira e pega o que bem entender. Ao invés de fazer coco no quintal, decide cagar em cima da sua cama. Você vai tentar controlar seu cachorro ou vai permitir que ele continue vivendo autoísta? O mesmo acontece com você. Quando você decide ignorar o adestramento familiar, social, moral, etc e viver autoísta, o outro perde o controle sobre você. Ele não quer isso. Então, o outro tenta te controlar para que você volte para o adestramento.

Um náufrago estava caminhando por uma ilha deserta quando viu uma pessoa se afogando no mar. O náufrago se jogou na água, salvou a pessoa e a levou para ilha. Chegando na ilha, descobriu que a pessoa era a Sharon Stone. Muito agradecida, Sharon Stone disse ao náufrago para pedir o que quisesse em retribuição ao salvamento. O náufrago não hesitou e disse: “Quero fazer sexo com você!”. Durante dois mês eles transaram todos os dias e o náufrago ficou muito feliz. No terceiro mês o náufrago começou a ficar deprimido. Sharon Stone percebeu e perguntou se podia fazer algo mais para deixá-lo feliz. Sem hesitar, o náufrago pegou um velho baú de roupas e vestiu a Sharon Stone de paletó e gravata. Depois disse: “Faz de conta que essa parte da praia é a empresa em que eu trabalhava e você é meu colega de trabalho. Eu vou ficar parado aqui como se estivesse no elevador lotado. Você chega e me cumprimenta”. Sharon Stone achou estranho, mas concordou. Ela entrou no elevador fictício vestida de homem e disse: “Olá, tudo bem com você?”. E o náufrago respondeu entusiasmado: “Raaaaapaaaaz, você não vai acreditar! Tô comendo a Sharon Stone!”.

Entendeu o fundamento da treta? Por isso você jamais recebeu e jamais receberá uma mensagem no privativo dizendo que tem pinto pequeno ou que é gorda balofa. Glorificação e difamação só funcionam quando tem platéia. Quem joga flores ou tomate é o público. Difamação privada vai direto para privada. Não tem poder nenhum. Difamação só funciona quando é feita na rede globo em horário nobre. Difamação privada não é difamação, é conversa. Você envia uma mensagem descrevendo o desafeto com a intenção de conversar e resolvê-lo, não de piorá-lo.

Sim, está impondo. A não ser que o outro decida dar a você a liberdade de escolher por ele. Por exemplo, o outro decide viajar de ônibus e você é o motorista. Nesse caso, o outro está decidindo dar a você a liberdade de escolher a condução da viagem por ele. Outro exemplo, o outro decide comer em um restaurante e você é o cozinheiro. Nesse caso, o outro está decidindo dar a você a liberdade de escolher o preparo da comida. Em casos como esses, você decide pelo outro, mas não existe jogo do controle, pois o outro está optando por dar a você a liberdade de escolher por ele.

Não, julgar é você raciocinando, avaliando, analisando algo. Sem julgamento você é incapaz de entender as coisas. Outroísmo é quando, após o julgamento, você condena a pessoa a ser igual você, pensar igual você, gostar igual você, valorizar igual você. Jogo do controle é quando você executa punição ou suborno para realizar esse objetivo de fazer o outro igual você.

É impossível manipular sem intenção de controle. Você só manipula porque tem intenção de controle. Quando não tem intenção, não é manipulação, é interação. O que pode acontecer é você estar inconsciente da sua intenção. Você tem a intenção de controlar, mas está inconsciente da sua intenção, daí, acredita que não tem intenção de controle, mas tem. Por isso, para sair do jogo do controle, é fundamental se autoobservar e ser sincero consigo mesmo.

Seu jogo do controle acontece dentro de você e não dentro do outro. Então, tanto faz se o outro está feliz ou infeliz . Para sair do jogo do controle, você deve olhar para você e só para você. Quando sua intenção é controlar o outro, está jogando o jogo do controle.

Você tem livre arbítrio, você pode fazer o que bem entender. Você pode cortar as unhas dos pés com um abridor de latas. Você pode construir um abrigo anti atômico usando uma colher. Você pode se candidatar a presidente do vasco. Enfim, você pode fazer o que bem entender. Agora, se sua pergunta for “O que posso fazer para conviver bem com o outro?”. Você pode e deve abandonar o jogo do controle e jogar o jogo da liberdade.

Você tem livre arbítrio, você pode fazer o que bem entender. Você pode fazer pipoca com k-suco. Você pode viajar a pé até o Afeganistão. Você pode tentar enxugar gelo. Você pode aprender a tocar violão, piano, flauta doce, etc. Enfim, você pode fazer o que bem entender. Agora, se sua pergunta for “O que posso fazer para conviver bem com o outro?”. Você pode e deve abandonar o jogo do controle e jogar o jogo da liberdade.

Quando você não quer bater palmas, sim, é outroísmo submisso. Você bate palmas porque não quer que o outro pense mal de você. Você quer que o outro pense bem de você. Ou seja, você quer controlar a opinião do outro sobre você.

Quando fica óbvio que tentar controlar a opinião dos outros sobre você só serve para te fazer escravo desse ofício, você desiste. O outro pode te criticar, te caluniar, te difamar, foda-se! Você não se proíbe mais de viver do seu jeito só para receber emoji de coração e curtida no facebook. Você desiste de parecer e se permite ser. Você caga para opinião dos caga-regras. Só que os caga-regras começam a te criticar como nunca. É muita merda no seu ventilador. Muita pedra no seu telhado de vidro. A dor fica insuportável. Então, como a melhor defesa é o ataque, ao invés de você continuar cagando PARA os outros, você começa a cagar NOS outros. Você ataca merda para não ser atacado. Você voltou para mesma escravidão da qual havia saído: tentar controlar a opinião dos outros. E pior! Você se transformou no que odiava: um caga-regra.

Você tem arbítrio, então, você pode fazer o que bem entender. Você pode pintar a pessoa de azul. Você pode embrulhar a pessoa com plástico bolha. Você pode jogar a pessoa dentro de um moedor de carne e transformá-la em salsicha. Você pode pendurar bolas de árvore de natal na pessoa. Tudo pode. Então, você pode fazer o que bem entender com o outro. E vice versa. Agora, se sua pergunta for “O que posso fazer para conviver bem com essa pessoa?”. Você pode e deve abandonar o jogo do controle e jogar o jogo da liberdade.

Não! E o motivo é simples! Assim como não existem unicórnios, assim como não existe Papai Noel, também não existe vida boa. Vida boa só existe dentro da cabeça de quem acredita nesse equívoco, igual Papai Noel só existe dentro da cabeça ingênua das crianças.

Pelo contrário, é estar em paz consigo e com todos. No viver autoísta, você se permite viver sendo você, isso é viver em paz consigo. Quando você vive em paz consigo, você entende como é ruim se obrigar a ser outro e para de fazer isso com o outro. Você para de tentar mudar os outro, você permite que o outro seja outro e convive em paz com o outro. Fim da guerra.

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FRASES

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