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Mentalidade ponte

Mentalidade ponte

Certa vez, durante uma conversa em grupo, disse que decidimos ser humanos para aprender o que é ser humano. Uma pessoa me perguntou: “Para quê?”. Eu repeti o mesmo que havia acabado de dizer, que decidimos ser humanos para aprender o que é ser humano, pois não há outro jeito de aprender a ser humano senão sendo humano. A pessoa insistiu: “Para quê?”. Primeiramente não entendi a insistência. Depois tive uma EUreka. Nossa mentalidade adulta é utilitarista, então, nosso entendimento sobre aprendizagem é utilitarista também, é aprendizagem ponte. Por que ponte? Porque segundo nossa mentalidade utilitarista, aprendizagem é meio, é coisa que serve para levar à outra coisa, feito ponte. O ensino primário é ponte para levar ao ensino básico, que é ponte para levar ao ensino médio, que é ponte para levar ao ensino superior, que é ponte para levar ao estágio, que é ponte para levar ao emprego, que é ponte para levar à promoção, que é ponte para levar à gerência e assim por diante.

Aprendizagem para nossa mentalidade utilitarista nunca é fim em si mesma, pelo contrário, é sempre o empecilho a ser eliminado para chegarmos ao próximo empecilho a ser eliminado e assim por diante. Quando respondi que escolhemos ser humanos para aprender o que é ser humano, não estava falando de aprender a brincar, estava falando de brincar de aprender, estava falando de ser humano como fim em si mesmo, como diversão, como prazer de descobrir o que é ser humano. A pessoa repetiu a pergunta porque processou a palavra “aprender” com mentalidade ponte. “Ser humano para quê? Qual é a utilidade? “Ser humano para chegar aonde?”. Essa era a pergunta. E a resposta é ser humano para ser humano. Só isso. Ser humano não é ponte, não leva a lugar nenhum. Ser humano é uma brincadeira de autorrealização, um jogo, uma EUrekatividade com fim em si mesma. Ser humano é brincar de descobrir o que é ser humano. Só que viciamos em mentalidade utilitarista, então, acreditamos que ser humano é ponte. Por isso nunca chegamos no lugar de onde nunca saímos: no ser humano que somos.

Inútil prazer de ser

Inútil prazer de ser

Qual é a utilidade que um alicate tem para si mesmo? Qual é a utilidade que uma goiaba tem para si mesma? Qual é a utilidade que uma galinha tem para si mesma? Qual é a utilidade que a água tem para si mesma? Qual é a utilidade de ser para si mesmo? Nenhuma. Utilidade é sempre para o outro. A única utilidade que um ser tem para si mesmo, é o prazer exclusivo de ser um ser. Analogamente, a única utilidade que você tem para si mesmo, é o prazer exclusivo de ser um ser. Porém, essa utilidade não leva você a lugar nenhum, não é ponte, é fim em si mesma. Então, para mentalidade utilitarista, você ser, é inútil.

Inútil prazer de ser humano

Inútil prazer de ser humano

Qual é a utilidade que ser mineral tem para um diamante? Qual é a utilidade que ser vegetal tem para uma samambaia? Qual é a utilidade que ser animal tem para um coelho? Qual é a utilidade que ser conforme uma natureza, tem para si mesmo? Nenhuma. Utilidade é sempre para o outro. A única utilidade em ser conforme uma natureza, é o prazer exclusivo de ser conforme tal natureza. Analogamente, a única utilidade que ser humano tem para você, é o prazer exclusivo de ser humano. Porém, essa utilidade não leva você a lugar nenhum, não é ponte, é fim em si mesma. Então, para mentalidade utilitarista, você ser humano, é inútil.

Inútil prazer de ser um

Inútil prazer de ser um

Qual é a utilidade que ser diferente dos outros diamantes tem para um diamante? Qual é a utilidade que ser diferente das outras árvores têm para uma árvore? Qual é a utilidade que ser diferente dos outros cachorros tem para um cachorro? Qual é a utilidade que a unicidade de um ser tem para si mesmo? Nenhuma. Utilidade é sempre para o outro. A única utilidade que a unicidade de um ser tem para o próprio ser, é o prazer exclusivo de ser único. Analogamente, a única utilidade que sua unicidade humana tem para você, é o prazer exclusivo de ser um ser humano único. Porém, essa utilidade não leva você a lugar nenhum, não é ponte, é fim em si mesma. Então, para mentalidade utilitarista, você ser humano singular, único no universo, é inútil.

Inútil prazer de ser você

Inútil prazer de ser você

“Eu não sinto prazer em ser eu”, você pode dizer. Isso acontece porque você não vive sendo você. Você vive sendo outro. Você vive sendo o que seus pais querem que você seja, o que sua sociedade quer que você seja, o que seus professores querem que você seja, o que seus amigos querem que você seja, o que seu marido quer que você seja, o que sua esposa quer que você seja, o que seus filhos querem que você seja, o que sua cultura quer que você seja, o que sua religião quer que você seja, o que os comerciais de televisão querem que você seja. Enfim, você vive sendo o que o outro quer que você seja. Você é você, único, ímpar, singular, diferente, mas você vive em uniformidade. É por isso que você não sente prazer em ser você. Você vive sendo cópia do outro, que vive sendo cópia do outro, que vive sendo cópia do outro e assim por diante. Quando você vive sendo você, originalmente você, singularmente você, inutilmente você, é inevitável sentir o inútil prazer de ser você, também conhecido como felicidade.

Maior prazer do universo

Maior prazer do universo

Quando eu vivo sendo eu, quando você vive sendo você, surge no universo o maior prazer do universo: o inútil prazer de sermos nós. Esse prazer universal não serve para nada, não é ponte, não nos leva a lugar nenhum, é fim em si mesmo. Então, para mentalidade utilitarista, é a coisa mais inútil do universo.

Maior desprazer do universo

Maior desprazer do universo

Quando eu me proíbo de viver sendo eu, quando você se proíbe de viver sendo você, surge no universo o maior desprazer do universo: o útil desprazer de não sermos nós. Esse sim é ponte, serve para nos levar de volta ao inútil prazer de sermos nós.

Autorrealização

Autorrealização

Imagine que você ainda não é ser humano. Você é um ser, mas não é humano. Daí, você decide brincar de ser humano. Mas antes de entrar na brincadeira, você decide investigar um pouquinho para saber do que se trata. Você vai conversar com alguém que já conhece a brincadeira:

— Como funciona a brincadeira de ser humano?
— É uma brincadeira de autorrealização.
— Como assim?
— Você precisa responder sim ou não.
— Só isso!? Sim ou não?
— Exato! Só responder sim ou não.
— Responder para quem?
— Para si mesmo.
— Como assim?
— Sim pra mim ou não pra mim.
— Só isso mesmo?
— Só isso! Sempre a mesma pergunta.
— O que acontece quando respondo sim pra mim?
— Você experimenta o inútil prazer de ser você.
— E quando respondo não?
— Você experimenta o útil desprazer de ser outro.
— E como a pergunta é feita?
— Através de circunstâncias.
— Então, são muitas perguntas?
— Todas as circunstâncias são a mesma pergunta.
— É muito simples essa brincadeira!
— Sim, muito simples!
— Vou entrar nessa brincadeira.

Dois jeitos de viver

Dois jeitos de viver

Você entra na brincadeira e começa a ser humano. Aliás, não entra, já está dentro. Sendo assim, eu te pergunto: ser humano é tão simples como você pensou que era?

PARTICIPANTE: De jeito nenhum, me enganaram!

Qual é a complexidade, se basta responder sim ou não?

PARTICIPANTE: Se eu soubesse o que é sim e não, era simples, só que não sei.

Exatamente! A brincadeira é simples, mas não é fácil. É simples porque basta responder sim ou não. Mas é difícil, pois para responder sim ou não é preciso autoconhecimento, e você chega na brincadeira sem nenhum autoconhecimento, zero, ignorante de tudo, até de que existe. Com autoconhecimento vai ficando mais fácil. A simplicidade de ser humano não muda nunca. O funcionamento da brincadeira é sempre o mesmo: responder sim ou não. Difícil é saber responder sim. Vamos entender melhor isso.

Você quer um morango?

PARTICIPANTE: Sim.

Você respondeu sim para o quê?

PARTICIPANTE: Para sua oferta. Aceitei o morango.

Ótimo! Quando te ofereço morango e você diz sim, você está dizendo sim para minha oferta de morango. Quando você aceita viver sendo você, você está dizendo sim para o quê?

PARTICIPANTE: Sim para mim, para o meu gabarito.

Exatamente. Viver autoísta é SIM PRA MIM. É quando você se permite viver sendo você. Sim pra mim: eu me permito ser eu, eu me permito viver sendo eu, eu me permito viver de acordo comigo. Responder “sim ou não” não é questão de pronunciar a palavra. Se não é uma questão de você falar verbalmente, de pronunciar, então, como é que você responde sim ou não?

PARTICIPANTE: Com o arbítrio.

Isso mesmo! Então, o que é o arbítrio?

PARTICIPANTE: Arbítrio é o jeito como respondo sim ou não.

Exato! Tem dois jeitos de você viver. E só dois:

SIM PRA MIM – Viver Autoísta – Quando você se permite ser você.
NÃO PRA MIM – Viver Outroísta – Quando você se obriga a ser outro.

Melhor para mim

Melhor para mim

PARTICIPANTE: Sim é quando opto pelo que é melhor para mim?

Quase. Tem uma sutileza aí. Vamos voltar na intenção. Sua intenção é sempre optar pelo que é melhor para você. Você sempre quer o bem. Você nunca intenciona optar pelo mal. Ninguém tem essa intenção. Então, a intenção é sempre pelo bem. Isso é natural. Todos os seres querem o bem. Uma planta, por exemplo, busca sol e água, ou seja, busca o que faz bem para ela. Mas se todo ser sempre opta pelo bem, então, tem algo errado aí. Pois na prática não é isso que acontece com você. Então, o que que está errado?

PARTICIPANTE: Eu acredito que é melhor, mas me engano.

O que está faltando é a palavra acreditar. Você não opta pelo que é melhor, você opta pelo que ACREDITA que é o melhor. Se você optasse pelo que é melhor, não tinha a experiência humana, não tinha brincadeira de ser humano, porque não tinha essa coisa no meio, que se chama crença. Você opta pelo que você acredita que é melhor, e experimenta sua opção, para colocar à prova sua crença. Se você optasse pelo que era melhor diretamente, não precisava confirmar nada, você já tinha ido direto.

PARTICIPANTE: E o que muda entender isso? Ajuda em quê?

Quando você estiver experimentando uma opção que não é a desejada, você sabe que se equivocou e melhora na próxima opção.

Jornada do herói

Jornada do herói

A jornada da autorrealização é a jornada do herói. Um herói é um indivíduo que é colocado à prova e responde SIM PRA MIM. O filme Invencível, que conta uma história verídica, é um desses casos. Tem duas cenas nesse filme que são muito representativas do SIM PRA MIM. Numa cena, o herói do filme está num campo de concentração japonês, só apanhando. Apanha dia e noite. Daí, os japoneses tiram ele do campo de concentração, dão banho, comida, roupas limpas e depois levam ele para um programa de rádio para que ele leia uma carta em público.

— Não vou dizer isso — ele diz aos japoneses.
— Por que não? — perguntam os japoneses.
— Porque isso é mentira — responde o rapaz.
— Se não ler irá voltar para o campo de concentração — ameaçam os japoneses.

O rapaz havia saído de um buraco sujo, fedido e estava no restaurante de um hotel chique, comendo ovos mexidos, tomando suco, sentado numa cadeira confortável, mas optou por voltar para o campo de concentração. O rapaz não se vendeu ao suborno. O rapaz optou pelo SIM PRA MIM.

Outra cena representativa do SIM PRA MIM, é a cena final. O rapaz leva uma porrada na perna e mal consegue ficar em pé. O sargento ordena que ele levante uma viga de madeira acima da cabeça e fique segurando. Se deixar cair, será baleado. O rapaz olha para o sargento e o sargento lhe ordena abaixar a cabeça: “Não olhe para mim!” O que o rapaz faz? Problema seu! SIM PRA MIM. Ele ergue a cabeça e olha no olho do sargento, como quem diz, “Quer me balear? Baleia! Quer dar porrada? Pode dar! Mas em mim mando eu”.

O rapaz não se submeteu à ameaça e à punição. Depois ele ainda levanta a viga de madeira acima da cabeça e dá um puta grito! Um grito que faz o sargento desmoronar por dentro. Que grito é aquele? SIM PRA MIM. O sargento não sabe o que fazer. O que fazer contra um ser que opta pelo SIM PRA MIM? Nada! Quando você opta pelo SIM PRA MIM, pelo inútil prazer de ser você, o outro pode te bater, chicotear, triturar, nada adianta. Você usa seu arbítrio e o outro perde todo o controle sobre você.

Tentação do outroísmo

Tentação do outroísmo

PARTICIPANTE: Eu achava que SIM PRA MIM tinha que agradar ao outro também.

Isso é um equívoco muito recorrente. Você quer se permitir viver de acordo com seu gabarito, mas não quer permitir que o outro fique chateado com você sendo você. Assim você continua preso no outroísmo, pois para evitar isso, ou você volta atrás e veste o gabarito do outro, ou então, fica brigando com o outro para aceitar você sendo você. Dois tiros no pé. Pois o outro tem liberdade de não aceitar sua liberdade. E você não precisa da aceitação do outro para se permitir viver de acordo com seu gabarito.

PARTICIPANTE: Mas o outro faz pressão, faz chantagem, etc.

Isso! A tentação do outroísmo não é pouca. Se fosse pouca todo mundo vivia autoísta. Se fosse pouca essa brincadeira era fácil e a sociedade não estava do jeito que está. Você vive de forma outroísta porque a pressão é tremenda. Castigo, punição, etc. Toda vez que você diz SIM, o outroísmo chicoteia você, dá porrada, põe você de castigo, te prende, difama, faz o diabo. E o desafio fica maior porque são as pessoas mais queridas que colocam seu SIM a prova. Sua família, seu pai, sua mãe, seu marido, seus filhos, etc.

PARTICIPANTE: Por isso a tendência é viver outroísta?

Exatamente. E quando o outro é autoísta, você dá porrada nele também. Você coloca ele de castigo, faz bico, fica de mal, deleta ele do seu Facebook, etc.

Além da mediocridade

Além da mediocridade

“No pain, no gain” é uma frase muito popular entre os marombeiros. Significa, “sem dor, sem ganho”. Só que os marombeiros não foram os primeiros a formular essa sabedoria. Fernando Pessoa, por exemplo, já havia observado essa sabedoria com as seguintes palavras: “Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor”.

Os portugueses não conheciam o Mapa Mundi. Ninguém conhecia. Não existia Mapa Mundi naquela época, mas ainda assim, os portugueses rasgaram os mares em precários navios de trinta metros e empurraram os limites do mundo e do homem até o Cabo do Não, nas costas do Senegal, que depois recebeu o nome de Cabo do Bojador. Muito longo e cercado por recifes, ali a neblina tampava a visão dos navegadores. Aqueles que passavam pelo Cabo do Não jamais voltavam. Muitos acreditavam que o mundo acabava depois do Cabo do Não e a neblina era o resultado da evaporação das águas que ferviam ao cair no inferno lá embaixo. Até que, em 1434, o navegador Gil Eanes disse sim para o Cabo do Não. Avançou e pronto! A terra e o homem não acabavam mais no Cabo do Não.

Fernando Pessoa fez uma analogia da autorrealização com a saga da navegação portuguesa. Bojador é uma metáfora para mediocridade. Para passar além da mediocridade, tem que passar além da dor. Óbvio! Suportar a dor é o alicerce da realização de qualquer tarefa e também da autorrealização. Você vive uma mentira porque não suporta a dor de ser rejeitado, a dor de ser criticado, a dor de ser maltratado, a dor de ser difamado, a dor de ser pressionado, etc. Você finge para fugir da dor. Seu lema é: fingir para fugir. Só que além de não conseguir fugir, sofre tentando e ainda vira escravo dos outros.

Certa vez, perguntaram ao filósofo Arthur Schopenhauer, qual é a opção mais sábia que um homem pode fazer na vida. Ele respondeu: “A opção mais sábia que um homem pode fazer na vida ele já não fez”. Schopenhauer se referia à opção de não nascer, uma vez que viver é se condenar a sofrer. Dizem que Schopenhauer foi pessimista, mas apenas disse o óbvio. Viver dói. Dói muito. Dói pra caralho. Dói para seres humanos, dói para bichos, dói para insetos, dói para frutas e legumes. A dor é inerente à experiência de viver. Nada escapa. Tentar fugir da dor só resulta em ampliação da mesma.

Realizadores não são seres humanos especiais nem imunes à dor, são seres humanos que não desistem de realizar o que querem apesar da dor. Realizadores preferem sentir a dor do fracasso à dor de sequer tentar. Preferem a dor do arrependimento à dor de não ter do que se arrepender. Realizadores se bancam e pagam o preço. O mesmo fazem os seres humanos que persistem na autorrealização. Claro que é mais fácil seguir a uniformidade do que seguir a própria consciência. Claro que é mais fácil copiar e colar do que escrever a própria história. O fingimento evita a dor do desprezo, da crítica, da rejeição, da censura e faz você ganhar joinha, beijo, palminha e coração. Só que não tem dor maior do que viver em autonegação.

Então, escolha seu prazer e sua dor.

PERGUNTAS

Como é a sensação de ser inútil?

Como é a sensação de ser inútil?

O inútil prazer de ser você não é sensação de ser inútil, é sensação de ser você, ser o que se é. Quando você se permite isso, você experimenta o prazer da autorrealização. Esse prazer é inexplicável. Palavras não fazem juz a ele. Mas para te dar uma palavra, o inútil prazer de ser você é o prazer da plenitude. Lembre de um momento em que você se sentiu ótima, excelente, completamente em paz e encaixada em si. Plenitude é mais ou menos assim. Mas não serve para nada. Só serve para você sentir. Então, é um prazer inútil, com fim em si. Aliás, como todo prazer.

E a tão perseguida felicidade?

E a tão perseguida felicidade?

A tão perseguida felicidade é o inútil prazer de ser você.

Eu existo para quê? Qual é a utilidade? Para que serve existir?

Eu existo para quê? Qual é a utilidade? Para que serve existir?

Existir não serve para nada. Não tem utilidade nenhuma. É absolutamente inútil. Existir é apenas a natureza dos seres. Seres existem. Só isso. Por que existem? Porque ser é existir.

Eu posso ser eu mesma e achar isso ruim?

Eu posso ser eu mesma e achar isso ruim?

Considere que você está brincando de destino inconsciente, então, você não tem como saber quem você é. Você só consegue sentir. Ruim é sentimento, não é saber. Então, quando você se sente mal com seu comportamento, é justamente porque você não está sendo você mesma, pois quando você está, você se sente bem.

O que falta nos ensinamentos dos mestres orientais?

O que falta nos ensinamentos dos mestres orientais?

Você não precisa vir-a-ser você para ser você. Você é você, sempre, inevitavelmente. Não há nada que você possa fazer para deixar de ser você. É isso que algumas escolas e mestres orientais de autoconhecimento buscam explicar. Esse ensinamento é verdadeiro, mas é incompleto e faz você jogar fora o bebê junto com a água suja do banho. O que falta nesses ensinamentos é a questão do SENDO. Embora seja desnecessário vir-a-ser para ser, é imprescindível estar SENDO para estar SENDO. Imagine que você é um gato. Você não precisa vir-a-ser gato para ser gato, você é gato. Agora, imagine que você é um gato cacarejando. Você não deixa de ser gato porque está cacarejando, mas você cacarejando não está SENDO você. Você é único, impar, singular, diferente, mas vive SENDO igual. Você mia, late, cacareja, muge, pia, relincha, enfim, reza a cartilha da bicharada toda, menos sua própria. Por isso você sofre. Você não está SENDO você, está SENDO outro.

Por que laranjeira consegue dar laranja, mas eu não consigo ser eu?

Por que laranjeira consegue dar laranja, mas eu não consigo ser eu?

Laranjeira não tem arbítrio. Não existe, no caso da laranjeira, a possibilidade de autonegação. A laranjeira está condenada a dar laranja, não pode dar jaca, nem jabuticaba, nem goiaba, nem tomate. Laranjeira dá laranja e pronto! Você é um ser humano, você tem liberdade de optar: livre-arbítrio. Então, você pode se proibir de ser você. Livre-arbítrio é incorruptível. Isso tem um lado bom, mas também tem um lado ruim. Nada nem ninguém é capaz de te impedir de viver em autonegação. Mesmo que todos os seres do universo se juntem para te impedir, ainda assim, você é livre para continuar vivendo em autonegação. O universo é absolutamente impotente perante seu arbítrio. Absolutamente impotente! Entende o tamanho do seu poder??? Quer mais empoderamento que isso??? Não existe! Você é o ser mais empoderado do universo. E por um lado, isso é ótimo, pois nada pode te impedir de viver bem, mas, por outro lado, nada pode te impedir de viver mal. Então, livre-arbítrio: benção ou maldição? Você decide.

Por que não consigo ser eu na convivência?

Por que não consigo ser eu na convivência?

Porque você não suporta a dor da rejeição. Seu viver autoísta desagrada o outro e o outro te rejeita. Para evitar a rejeição do outro, você opta pelo viver outroísta.

Por que não sei qual é minha vocação?

Por que não sei qual é minha vocação?

Porque é impossível saber sabendo, só é possível saber sentindo.

Vocação significa voz, chamado. Sua vocação é ser você. Seguir sua vocação é seguir a voz interior que chama você para ser você. Sua voz interior é seu sentimento. Sentimento não é racional, é irracional. Então, para seguir sua vocação, você precisa colocar o racional a serviço do irracional. Essa é a dificuldade.

Você foi ensinado a fazer o oposto e tem feito o oposto sua vida inteira. Você acorda deprimido, se sentindo péssimo, mas quando alguém te pergunta como você está, você responde “está tudo bem”. Você discorda de algo, acha que está errado, mas reprime o sentimento e faz o errado mesmo a contra gosto.

Seus educadores não lhe educaram para seguir seu coração e ser único, singular, impar, eles lhe educaram para se encaixar no gabarito da normalidade. O resultado disso, é que você perdeu completamente a habilidade de seguir seu coração, seguir sua voz interior, seguir sua vocação. E pior! Você quer encontrar sua vocação, mas acha um absurdo seguir seu sentimento.

Vocação não se encontra, vocação se vive. E para viver sua vocação, o único jeito, é fazendo o racional se render ao irracional (sentimento). Antes dessa rendição, é impossível viver a vocação. Então, se quer viver sua vocação, renda-se! Coloque seu racional de joelhos diante do seu sentimento e diga amém.

Se autorrealização não serve pra nada, por que existe?

Se autorrealização não serve pra nada, por que existe?

Autorealização é a diversão dos seres. Você (sem forma) brinca de ser você (com forma). O universo é o playground dos seres.

Você tem certeza que todo ser humano pode sentir o inútil prazer de ser?

Você tem certeza que todo ser humano pode sentir o inútil prazer de ser?

Não tenho certeza nenhuma sobre nada em relação ao outro. Eu sinto o inútil prazer de ser eu, então, suponho que todos os seres possam sentir, pois seria injusto alguns seres sentirem e outros não.

AULAS

TEXTOS

Autoconhecimento é inútil

Autoconhecimento é inútil

Autoconhecimento não serve para nada. Só serve para possibilitar que você viva sendo você. Só isso! Mas que utilidade isso ...
Cumpra sua missão

Cumpra sua missão

Você pode tentar tapar o sol com a peneira, com chocolate, com sexo, com drogas, com roupas, com dinheiro, com ...
Encontro com o destino

Encontro com o destino

Quando meu amigo Ricardo percebeu que seu coração pulsava feito bumbo de rock, redirecionou suas finanças para comprar discos. Por ...
Jesus cancelado

Jesus cancelado

Por que você acha que Jesus foi crucificado? Por ser fiel? Claro que não! Jesus foi o maior traidor que ...
Porque você nasceu nesse mundo

Porque você nasceu nesse mundo

Você nasceu nesse mundo para destruir esse mundo. Está espantado? Tem mais! Você já está destruindo esse mundo sem dar um tiro ...
Prioridade máxima

Prioridade máxima

Qual é sua prioridade? ( A ) ter dinheiro ( B ) ser rico ( C ) ser você ( ...
Seu objetivo atrapalha seu objetivo

Seu objetivo atrapalha seu objetivo

Vamos supor que seu objetivo seja ser rico. O que você prefere: ser rico ou ser você? Vamos supor que ...
Sua vida não te representa

Sua vida não te representa

Sua vida não é sua. Sua vida é a vida que seus pais queriam para você, é a vida que sua ...

FRASES

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