Já faz tempo que perdi a paciência de ficar ouvindo esse blablablá de iluminação. Não importa a linguagem, a tradição, é sempre o mesmo enfadonho blablablá sobre a coisa mais ridícula do universo: você existe. Não bastasse isso, o povo ilumina na segunda-feira — ou lê sobre iluminação — e já quer dar palestra na terça-feira.
É um show de horrores pedagógico. Péssimo uso das palavras. Um professor do UCEM, por exemplo, tem que ficar o tempo inteiro corrigindo as palavras do livro. Milagre não é milagre. Perdão não é perdão. E isso porque o autor do livro é Jesus Cristo. Credo! Fez mal feito da primeira vez. Teve a chance de voltar para corrigir, piorou!
Ser iluminado não significa ser bom professor. Outro dia, fui no satsang de um guru da tradição indiana. Foi a pior pedagogia que vi na vida. Ele sabia do que estava falando, mas só eu entendi e eu era o único na sala que não precisava entender.
Ah nen! Chega a me dar febre ver um professor empurrando alunos para crendices e confusão. Fico revoltado. Emputecido. Pode ser Jesus, tô nem aí. Vai se fudê! Se não for para ajudar, por favor, não atrapalhe!!!
Mas no meio da minha fúria, lembro de quando morava em São Paulo. O vendedor de balas entrava no ônibus e dizia: “Eu podia estar matando, eu podia estar roubando, mas estou aqui vendendo essas balas”. Olho para esses professores e penso: “Ele podia estar roubando, ele podia estar matando, mas está tentando colaborar com o despertar da consciência”. Minha fúria se transforma em paciência.