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Bicho não se preocupa. Planta não se preocupa. Pedra não se preocupa. Mas você, ser humano, raça superior, criatura mais inteligente do planeta, tem uma única ocupação: a preocupação. E por que? Com o que você se preocupa tanto? Você pelo menos sabe o que é se preocupar? Se preocupar é se ocupar virtualmente, ou seja, pensar. É por isso que bichos, plantas e pedras não se preocupam com nada, não possuem a capacidade de pensar. Muito bem! A capacidade de pensar explica a diferença entre você é um pé de alface, mas ainda não explica porque você se preocupa, não explica o motivo.

A todo instante você está pensando. Com que propósito? Qual é a finalidade de pensar? Pra que você pensa? Você pensa para analisar e entender. Ótimo! Mas e daí? Qual é a importância de analisar e entender? Analisar e entender é fundamental para agir. Se você não for capaz de entender a diferença entre uma xícara e um penico, você vai acabar bebendo xixi. Entende? Muito bem! Mas e daí? Qual é o problema de beber xixi? O problema é que você não quer beber xixi. Tem coisas que você quer e tem coisas que você não quer.

Agora sim está começando a ficar claro porque você se preocupa tanto. De alguma forma sua preocupação está ligada com o que você quer e não quer. De que forma? Sua preocupação está ligada com o que você quer e não quer experimentar no futuro. Sim, tem coisas que você quer e tem coisas que você não quer experimentar no futuro. Mas e daí? Por que se preocupar? Por que seu próximo futuro será o resultado da opção que você fizer agora, e o próximo será o resultado da opção que você fizer agora, e assim por diante.

Entendeu porque você se preocupa tanto? Seu futuro depende do seu arbítrio. Você sabe que se você optar mal, você acabará experimentando um futuro indesejado, um futuro que não quer. E como optar é algo que você faz ininterruptamente, você vive ininterruptamente preocupado. Eis o xis da questão: optar, arbitrar, decidir. Esse é o motivo de você viver preocupado, você tem arbítrio. Se você não tivesse arbítrio, você não viveria preocupado. Mesmo pensando, pois sem arbítrio você seria incapaz de determinar seu futuro. Muito bem! Entendendo isso, fica fácil de entender também porque a primeira questão que você e todo ser humano deve investigar e descobrir é se existe destino.
Existe destino? Sim ou não? E por que essa é a primeira questão?

Porque se existe destino não existe arbítrio. E se não existe arbítrio, para que se preocupar com o futuro? De que adianta? Não adianta para nada, é absolutamente inútil. E pior! Se existe destino, como você pode ser feliz, se não tem arbítrio para optar pelo que quer e não quer. E pior ainda! Se existe destino, como você pode sair do sofrimento, se não tem arbítrio para sair do sofrimento? Então, é fundamental que você investigue e descubra se existe ou não existe destino.

A questão do arbítrio foi uma das primeiras questões que investiguei quando comecei a praticar autociência. Eu precisava descobrir se existia arbítrio ou não, pois se eu não tinha arbítrio, autoconhecimento era absolutamente inútil, pois eu viveria exatamente como estava destinado a viver, com ou sem autoconhecimento. Pratiquei autociência e ficou óbvio que sim, eu tinha arbítrio. Mas se eu tinha arbítrio, então, não existia destino. Sim, não existia destino. Mas se não existia destino, então, porque eu experimentava sofrimento.

Duas perguntas explodiram dentro de mim:

SE NÃO EXISTE DESTINO, POR QUE EXISTE SOFRIMENTO? SE EXISTE DESTINO, POR QUE É UM DESTINO DE SOFRIMENTO? POR QUE NÃO É UM DESTINO DE FELICIDADE?

Continuei praticando autociência em busca do entendimento da razão de ser do sofrimento e ficou óbvio tudo que explico nesse livro e em outros livros da 1ficina. Devido à mentalidade materialista, eu entendia destino e arbítrio de uma forma equivocada. Espero que a leitura desse livro lhe esclareça sobre seu destino e como realizá-lo.

Boa leitura!

Sim, existe destino. Se não existisse destino, não existiria certo e errado, bem e mal, etc. Sim, existe arbítrio também. Se não existisse arbítrio, não existiria a possibilidade de você optar pelo que é certo ou errado (para você), bem ou mal (para você), etc. Daí tem a tradicional pergunta: como pode existir destino e arbítrio? O problema com essa pergunta é que ela está baseada em um entendimento equivocado do que é destino. Pense em um jogo. Jogar é fazer escolhas para atingir um objetivo. Toda vez que você está jogando um jogo, você opta para atingir o objetivo do jogo. Seu arbítrio tem sempre essa única e mesma motivação, intenção, propósito, destino. Esse é o primeiro esclarecimento que resolve o conflito entre destino e arbítrio. Destino é objetivo. Então, destino e arbítrio não são opostos, são complementares. O segundo esclarecimento é que destino não é você destinado a FAZER algo, é você destinado a SER algo.

Destino não é algo que você está destinado a FAZER, destino é algo que você está destinado a SER. E que algo é esse? Qual é seu destino? O que você está destinado a SER? Simples! Óbvio! Você está destinado a ser você. Esse é seu destino: autorrealização. Aliás, esse é o destino de todos os seres. Autorrealização é o jogo que todos os seres do universo estão jogando agora e sempre. Todo ser é predestinado a ser o que é. Todo ser se destina a si mesmo. Todo ser se destina à realização de si. Todo ser se destina à autorrealização. O destino da Mônica é ser Mônica. O destino do Cebolinha é ser Cebolinha. O destino da Magali é ser Magali. Claro que a Mônica sendo Mônica, fará coisas de Mônica. O fazer se desdobra do ser. Mas o destino da Mônica não é fazer algo, como por exemplo, arremessar um coelho da Terra até a Lua. O destino da Mônica é ser Mônica. No que a autorrealização da Mônica vai resultar para a Mônica, em termos de acontecimento, é o que ela vai descobrir conforme for se autorrealizando. Pode até ser que resulte na Mônica arremessar um coelho da terra até a lua, mas se isso acontecer, é porque isso é a Mônica sendo Mônica.

Uma boa maneira de pensar em autorrealização é pensar que você é uma semente de si mesmo. Semente é você potencial. Você vivendo é você sendo você, realizando seu potencial, se autorrealizando. Então, conforme você vai vivendo, você vai experimentando e descobrindo o que você é. Você já é o fim da viagem. Você já é seu destino. Você já é você assim como uma semente já é a árvore. Só que você não sabe que tipo de árvore você é. Se você soubesse, não tinha brincadeira de descobrir. Você brinca de autorrealização para descobrir passo a passo. É por isso que algumas tradições filosóficas dizem que você já é o que será. Você já é seu futuro porque a árvore de amanhã já está na semente de hoje. Mas a semente é árvore em potencial. Brotar e crescer é a árvore se autorrealizando. O mesmo com você em seu processo de autorrealização. Eis aí explicado o sentido da vida: ser. Sabe aquelas três perguntas: Quem eu sou? De onde eu vim? Para onde eu vou? Você é você, vem de você e vai para você.

Agora vou explicitar algo que causa muita confusão. Você sabe que você é você e que não tem como deixar de ser você. Isso é óbvio! Então, autorrealização é uma grande besteira, pois você é você, inevitavelmente. Aí tem uma sutileza. Sim, você é você, inevitavelmente, não tem outro jeito. Mas o fato de você ser você, não significa que você ESTÁ SENDO VOCÊ. Você é SER. Viver é ESTAR. Viver é você optando entre estar sendo ou não estar sendo você. Você pode viver sendo você, mas também pode viver não sendo você. Ou seja, ao viver você pode errar seu destino e viver fora dele. Como? Vivendo em uniformidade. Negando sua unicidade. Vivendo de forma outroísta.

Vou trocar a palavra “destino” por outra palavra para explicitar a relação do outroísmo com o destino. Brincar de autorrealização é como fazer uma prova sobre si mesmo. Toda prova tem gabarito. É por causa do gabarito que uma prova tem certo e errado. Seu destino é seu gabarito. Ou seja, seu destino é o que é certo para você. Outroísmo é a opção errada que coloca você à prova. Por que errada? Porque quando você opta pelo outroísmo você está se obrigando a viver igual ao outro, de acordo com o gabarito do outro. O outro tem um gabarito diferente de você (destino diferente) e vice-versa. Então, outroísmo é a opção errada. A prova disso é que não funciona, é ruim, faz você viver igual semente de abacate tentando ser laranjeira.

Ficou claro o que é destino? Alguma pergunta?

Seu gabarito está na sua singularidade. Seu gabarito é o que faz você único, diferente dos outros. Mas só você pode saber de si, então, só você pode saber (descobrir) qual é seu gabarito. Quando você está vivendo em acordo consigo você está em acordo com seu gabarito (destino), mas o gabarito (em si) é sua unicidade. O seu gabarito é diferente do gabarito dos outros. A brincadeira é a mesma: autorrealização. Mas cada um tem um gabarito diferente. Meu gabarito é de Ferrari. Seu gabarito é de Magali. O gabarito da Mônica é de Mônica. O gabarito do Cebolinha é de Cebolinha. O gabarito de Jesus é de Jesus. E não funciona, por exemplo, o Cebolinha tentar ser Jesus, nem Jesus tentar ser o Cebolinha. Tentar é possível. Mas é impossível conseguir.

Tem uma cena no filme Matrix que trata do dilema do destino. É a cena da ponte. Neo está dentro de um táxi, o tempo urge, então, lhe dão um ultimato: “Ou dá ou desce!”. Neo abre a porta do táxi e está prestes a sair. Trinity segura sua mão e lhe diz: ”Não faça isso, Neo, você já conhece essa rua e sei que não quer mais caminhar por ela”.

A todo instante estamos escolhendo entre caminhar pela uniformidade (todos no mesmo gabarito) ou pela universalidade (cada um no seu gabarito). A cena final mostra a opção pela universalidade. Neo pega o telefone e fala algo assim para Matrix: “Eu despertei e vou seguir meu próprio gabarito, vou viver meu destino. Não sei onde meu destino vai me levar, mas eu vou e pronto! Se isso te incomoda: problema seu!”.

Quando você decide viver seu destino, você não sabe para onde você está indo. Embora você saiba emocionalmente que deve ir por aqui ou por ali, você não sabe para onde seu destino vai te levar em termos de circunstâncias. Você sabe que está em autorrealização. Você sente isso porque você se sente encaixado em si. Mas você não sabe para onde o próximo passo vai te levar. Essa é a graça da brincadeira de autorrealização humana.

Mas sendo assim, quando você opta por viver seu destino, você não está optando por chegar num futuro determinado. É justamente o oposto. Você está se atirando no desconhecido. Você está se permitindo ser árvore da sua própria semente e dar seus próprios frutos, seja lá que árvore ou frutos forem. Optar por viver seu destino é uma entrega absoluta a si mesmo.

Caminhar pelo próprio destino é caminhar por um caminho que não existe, mas que você faz existir. É pisar em um chão que não tem, mas que surge debaixo do seu pé quando você pisa em si. Uniformidade é caminhar pelo conhecido. A uniformidade te mostra o chão que você deve pisar. “Olhe que chão bonito! Pise aqui!” Você pisa. “Venha ser médico, pise aqui!” Você pisa. Caminhar pelo conhecido é mais fácil e cômodo. Você já sabe onde a rua vai dar. Viver o próprio destino é pular no desconhecido. “O que tem no fundo do desconhecido?” Pula e vê. “Não pulo não! Prefiro viver na uniformidade”. É uma opção. Faz parte da brincadeira. Mas quando você decide viver sendo você, quando decide pular no desconhecido, o que acontece é que você cai no seu colo. O que tem no fundo do desconhecido é você mesmo. Mais de você. Mais autoconhecimento. Pois tudo que você experimenta é sempre você.

Como viver em acordo com o próprio gabarito? Vou explicar isso usando uma analogia. Imagine que você decide se dar um destino e realizá-lo. Então, você se desdobra em dois: um desdobramento de você que propõe o destino, e outro desdobramento de você que deve realizar o destino. Feito isso, um diz para o outro: “Fiat batata quente”. Ou seja: “Faça-se a batata quente”. Pronto! Começou a brincadeira. Você está no quarto. Como o lugar de batata é na cozinha, você sai do quarto e vai para cozinha. Abre a geladeira. Abre a gaveta dos legumes. Pega uma batata. Abre o armário. Pega uma panela. Coloca água na panela. Coloca a batata dentro da água. Liga o fogo. Coloca a panela no fogo. Aguarda um pouco. A água começa a ferver. Pronto! Batata quente. Está consumado o destino. Muito legal brincar de destino consciente. Você repete a brincadeira com outros destinos. Você diz para si mesmo: “Fiat sorvete”. E você realiza esse destino indo na sorveteria. Você diz para si mesmo: “Fiat novela”. E você realiza esse destino ligando a televisão. Você diz para si mesmo: “Fiat dentes limpos”. E você realiza esse destino escovando os dentes. E assim por diante. Você brinca de Destino Consciente com vários destinos. Até que você decide brincar de outra modalidade de destino. Uma brincadeira similar, mas que tem um diferencial que deixa a brincadeira mais desafiadora. Você decide brincar de Destino Inconsciente.

Como funciona a nova brincadeira? O começo é igual. Você se desdobra em dois: um desdobramento de você que propõe o destino, e outro desdobramento de você que deve realizar o destino. Só que, nessa nova brincadeira, um diz para o outro: “Fiat destino”. Ou seja: “Faça-se o destino”. O desdobramento de você que recebe o destino, fica sem chão. Não entende nada. Como realizar um destino desconhecido? É impossível. O desdobramento de você que recebe o destino não sabe por onde começar. Então, percebendo sua angústia, o desdobramento de você que está propondo o destino, lhe diz: “Calma! Vai dar tudo certo. Confie em mim. Você vai conseguir realizar o destino mesmo não sabendo qual é. Eu vou ajudá-lo. Tem um jeito. Parece impossível, mas não é. Começa, que assim que você começar, você vai entender como conseguir”.

Você decide começar. Você está no quarto e decide ir para o banheiro. Quando você chega no banheiro: choque! Você sai do banheiro e volta para o quarto. O choque para. “Que coisa estranha!”. Você volta para o banheiro: choque, choque, choque. Você sai do banheiro de novo. O choque para. Você volta para o banheiro para ver se entende o que está acontecendo. Você entra no banheiro: choque. Você sai do banheiro e decide ir para outro lugar. Você vai para a cozinha. Na hora que você chega na cozinha é bom demais. A cozinha é o paraíso. Nunca você se sentiu tão bem em um lugar como você está se sentindo na cozinha. A cozinha é a felicidade! Você abre a copeira na cozinha: choque. “Ué, que estranho!”. Você fecha a copeira. Você abre a copeira de novo: choque. Você fecha a copeira. “Levei choque na copeira assim como levei choque no banheiro!” Você decide abrir a geladeira. Nossa! Abrir a geladeira é bom demais. Estar na cozinha e abrir a geladeira é o paraíso do paraíso!

Daí você abre a porta do freezer dentro da geladeira: choque. Você fecha. “Que estranho!”. Você abre de novo a porta do freezer: choque, choque, choque. Você fecha. Você pega o leite: choque. Você larga o leite. Você pega o queijo: choque. Você larga o queijo. Você abre a gaveta de legumes. Ah, que beleza! É a melhor sensação que você já teve na vida. Você pega o tomate: choque. Você larga o tomate. Você pega a couve-flor: choque. Você larga a couve-flor. Você pega a batata. Que felicidade! Que benção! Na cozinha segurando uma batata é tudo de bom. Você pega um coador de café: choque. Você solta o coador de café. Você pega uma panela. Ah, panelaaaa, que alegria! Você se sente muito bem com a panela. Você coloca coca-cola dentro da panela: choque. Você coloca arroz dentro da panela: choque. Você coloca água dentro da panela. Bom demais. Paraíso.

Você decide beber a água da panela: choque. Você decide lavar o sovaco com a água da panela: choque. Você decide escovar os dentes com a água da panela: choque. Você decide colocar a batata dentro da água. Delícia! Muito, muito, muito bom! Eis o sentido da vida: colocar a batata dentro da panela com água. Você decide colocar a panela em cima da mesa: choque. Você decide colocar a panela em cima da cabeça: choque. Você decide colocar a panela em cima do fogão. Sensacional. Agora sim, é felicidade de verdade. Você decide lamber a panela em cima do fogão: choque. Você decide fazer um samba para a panela em cima do fogão: choque. Você decide ligar o fogo e esquentar a água. A batata esquenta. Nirvana e paraíso juntos! Tudo de bom.

Pronto! Batata quente. Está consumado o destino. Você conseguiu fazer uma batata quente como na brincadeira de Destino Consciente, mas sem saber qual era o destino. Você realizou o que devia realizar como na primeira brincadeira, mas em absoluta ignorância. Sem saber o que estava fazendo. Sem saber porque estava fazendo. Sem saber nada de nada. Apenas tentando acertar e levando choque.

A experiência humana é uma brincadeira de DESTINO INCONSCIENTE. A batata quente é você. Seu destino é: “Fiat você!”. Traduzindo: “Seja você”. Só que você não diz para você o que você é. Você diz: “Começa que vai dar tudo certo! Você vai entender”. Daí, é claro que você fica perdido: “Quem queu sô? Dondeu vim? Prondeu vô?”.

Essa brincadeira é de DESTINO INCONSCIENTE, então, você deve viver sendo você sem saber quem você é. Esse é o tamanho do desafio que você está enfrentando. Ser humano é brincar de DESTINO INCONSCIENTE. Seu desafio a cada instante é viver sendo você sem saber quem você é. Não é nada fácil. É dificílimo. É extremo. É desafio para mestres, pois mesmo quando você leva choque, você não está descobrindo o que você é, mas o que você não é. Você abandona aquela opção e vai para outra. Mas a próxima opção pode dar choque também. E assim por diante.

Você vai realizando seu destino não por acerto, mas por erro. Você realiza seu destino por falta de opção. Você vai errando tanto que não sobra outra opção senão viver em acordo com seu gabarito, mesmo sem saber que gabarito é esse.

O que é choque? Choque é sofrimento. E o que é sofrimento? É quando você erra seu gabarito! Olha só! Finalmente o sofrimento começa a fazer sentido. Você faz uma opção e experimenta a opção escolhida. Sofrimento é quando a opção escolhida está em desacordo com seu gabarito. Ou seja, a função do sofrimento não é apenas causar desconforto, mas possibilitar que você aprenda com ele. Sofrimento é uma lição de autoconhecimento. Sofrimento é caneta vermelha, é o xis de errado. Sofrimento é você se ensinando o que é certo para você através da experiência do que é errado para você. Viver é você brincando de tentativa e aprendizagem.

Sua unicidade é seu gabarito. Sofrimento é o jeito que você tem para ficar consciente de que não está vivendo em acordo com seu gabarito. Seu sistema emocional é um GPS. Quando você faz uma opção em desacordo com seu gabarito, seu sistema emocional te explica isso. Só que ao invés do seu sistema emocional te explicar isso repetindo a frase: “Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito. Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito. Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito”. E assim por diante. Seu sistema emocional lhe diz: choque, choque, choque. Ou seja: sofrimento, sofrimento, sofrimento.

Se você não tivesse um sistema emocional para lhe ajudar a viver em acordo com seu gabarito, daí a brincadeira de autorrealização não seria difícil, seria impossível! Você não iria conseguir jamais viver em acordo com seu gabarito porque você não teria nenhuma referência sobre ele. Desafio difícil é uma coisa; desafio impossível é outra coisa. Se o desafio é impossível não tem brincadeira, é impossível. A brincadeira de autorrealização é difícil, mas para não ser impossível, tem que ter um jeito de conseguir, o jeito é seguir as mensagens do GPS do destino, ou seja, as mensagens do seu sistema emocional.

São dois tipos de mensagens: sofrimento e felicidade. Felicidade significa que sua opção está em acordo com seu gabarito. Sofrimento é o oposto. Significa que sua opção está em desacordo com seu gabarito.

Essa é a grande EUreka! Felicidade não é objetivo, apenas indica se você está ou não vivendo em acordo com seu objetivo, ou seja, vivendo em acordo com seu gabarito. Sofrimento também indica isso, só que de maneira inversa. Ou seja, seu sistema emocional, quer esteja te enviando sofrimento, quer esteja te enviando felicidade, em ambos os casos, é um GPS que está trabalhando para que você possa viver em acordo com seu gabarito. Só que GPS não dirige o carro. Esse é o problema. Por mais que seu sistema emocional lhe ajude a viver em acordo com seu gabarito, cabe a você decidir seguir ou não as indicações do seu sistema emocional.

Seu sistema emocional é seu sistema de navegação. Sempre é necessário um sistema de navegação. Outro dia, vi uma reportagem sobre cegos. Explicava como os cegos fazem para se deslocar pelas ruas. Nós que enxergamos não percebemos que a visão é nosso sistema de navegação espacial. O cego não tem esse sistema de navegação, então, precisa usar outro sistema. Que sistema o cego usa? O tato. Mas um cego anda tateando a rua? Não. Então o que ele faz? Usa uma bengala. Através da bengala o cego vai tateando a rua. Ou seja, a bengala é parte do sistema de navegação do cego.

Nessa reportagem explica como o cego usa a bengala. Tem um monte de detalhes. Ele mexe a bengala para um lado, a bengala desliza, ele põe o pé. Ele mexe a bengala de novo, a bengala para, ele vira o corpo. Outra coisa muito interessante, é que o caminhar do cego acontece no mais absoluto passo a passo. O cego faz um movimento na bengala, e decide sobre aquele passo, só aquele passo, nunca sobre o próximo. O próximo ele só vai decidir depois do próximo movimento da bengala. E assim por diante. Passo a passo, decisão por decisão, e o cego atravessa a cidade.

Seu sistema emocional é o GPS do seu destino. Você só tem ele para viver de acordo com seu gabarito, assim como o cego só tem a bengala. Ninguém além do seu sistema emocional é capaz de confirmar se você está ou não vivendo em acordo com seu gabarito. É impossível. Só você experimenta o sabor emocional das suas opções, então, como o outro pode saber o que é bom para você? O outro não tem como saber do seu gabarito. Nem você mesmo tem acesso direto ao seu próprio gabarito. Então, para viver em acordo com seu gabarito, você precisa de algo que garanta com 100% de certeza, e com zero possibilidade de erro, que você está vivendo em acordo com seu gabarito. Essa coisa é seu sistema emocional produzindo felicidade e sofrimento.

Você é um ceguinho andando de bengala pela experiência humana. Essa é a metáfora. E você não tem como abrir o olho! Não adianta! A brincadeira de ser humano é viver em acordo com o próprio gabarito usando uma bengalinha! É um puta desafio? Sim, é um puta desafio! Mas você decidiu enfrentar esse desafio e está vencendo! Essa explicação é para você vencer mais facilmente ainda.

Quem é você para confiar em si mesmo? Quem é você para confiar em seu sentimento, sensibilidade, autoridade e juízo!? Que absurdo! Pirou? Para você viver bem, você precisa do aval do Dalai Lama, do Buda, de Jesus, do Papa, do Xamã Pena Branca, do Einstein, do Stephen Hawking, da NASA, do Freud, do Jung, do Allan Kardec, do teorema de Pitágoras, do Guru da Baba Azul e, principalmente, do Elvisleno, o camelô, filho do Elvis Presley com o John Lennon, que vende relógio suíço na rua 25 de Março, em São Paulo.

Quer algo em que confiar? Confie no horóscopo, na propaganda política, no facebook, na previsão das cartomantes, nos comerciais de margarina, na novela das oito que começa às nove, nos filmes do Chuck Norris e nas revistas de fofocas. Confie em qualquer coisa. Confie na fada do dente. Confie nas fitinhas do Senhor do Bonfim. Confie em São Longuinho. Só não cometa a insanidade de confiar em si mesmo. Jamais! Quem avisa amigo é! Confie em mim.

PERGUNTAS

Seu GPS está funcionando perfeitamente. Seu GPS nunca erra. Quem erra é você, quando não entende como usar a informação que seu GPS está te dando. Seu equívoco está bem explícito na sua pergunta. Vou destacá-lo para você. Você disse: “Acho que meu GPS está ME CONDUZINDO errado”. Você está transferindo para o GPS a responsabilidade por dirigir o carro (conduzir). O responsável por dirigir o carro é o motorista e não o GPS. Sofrimento é só uma informação emocional, não tem arbítrio. Quem tem arbítrio é você. Então, mesmo que seu GPS lhe avise que você está fora do seu destino e deve mudar de direção, você é livre para continuar indo para o lado errado. Seu GPS não tem como evitar isso. A única coisa que seu GPS pode fazer para lhe alertar da besteira que você está fazendo, é aumentar a intensidade do alerta, aumentar o sofrimento. Então, tem dois equívocos para você perceber. 1) Você está transferindo seu arbítrio para o GPS. 2) Você está indo na direção oposta do que seu GPS está lhe aconselhando.

Exatamente! Seu sistema emocional funciona como funciona e isso não se altera. Quando mais você praticar autociência, mais você se aperfeiçoa na competência de USUÁRIO do seu sistema emocional (GPS).

Você-ser é a causa do seu fazer. Fazer é efeito do seu estado de ser. Quando você se permite viver sendo você, esse estado de ser gera um fazer.

Quando você coloca uma bala na boca, você sente o sabor da bala. E não há nada que você possa fazer para mudar o sabor. O mesmo acontece com o sentimento. Uma vez que você coloca uma crença na cabeça, você sente o sabor associado a essa crença, ou seja, você experimenta um sentimento. Tem um exemplo clássico disso. Um avião cai. Duas pessoas que estavam dentro do avião, sobrevivem. Uma pessoa ficou com medo e nunca mais andou de avião. A outra pessoa perdeu o medo e continuou andando de avião. Foram conversar com as duas pessoas e perguntaram porque tiveram sentimentos diferentes.

— O avião caiu e eu quase morri, não vou arriscar morrer! — disse a pessoa que ficou com medo.

— O avião caiu e eu não morri, nunca mais vou morrer! — disse a pessoa que perdeu o medo.

Sentimento é sabor associado à crença. Para mudar o sabor da bala, não adianta você tentar mudar o sabor, você tem que mudar de bala. Para mudar o sentimento, não adianta você mudar o sentimento, você tem que mudar de crença. É a bala que produz o sabor. É a crença que produz o sentimento.

Seu sistema emocional (GPS) não aponta seu erro. Seu sistema emocional aponta se algo está ou não em acordo com sua unicidade. Todo resto é com você. Seu sistema emocional é sua ferramenta de navegação pela experiência humana. Se você não sabe usar sua ferramenta de navegação, a culpa não é da ferramenta, é sua. É você que usa a ferramenta e não a ferramenta que usa você. Consciência e responsabilidade de uso é do usuário.

Não! Apenas é assim que a brincadeira funciona. A brincadeira de ser humano é uma brincadeira de destino inconsciente, assim como brincar de cabra-cega é uma brincadeira em que você fecha os olhos. Se você abrir os olhos na brincadeira de cabra-cega, não tem brincadeira de cabra-cega, é impossível brincar de cabra cega com os olhos abertos. Se você estiver consciente do seu destino, não tem brincadeira de destino inconsciente, é impossível brincar de destino inconsciente estando consciente do destino.

Não determinam, deixam explicito. Seu destino é ser você (autorrealização). Bem é sinal de autorealização. Mal é sinal de autonegação.

Agora tem o último passo! Render-se ao próprio destino.

Primeiramente, entenda que não existe vida para te levar. Se existisse vida, você poderia fazer isso. Mas não existe vida. Vida é efeito. Vida é como a música que você escuta quando está tocando violão. Se você para de tocar, a música desaparece, porque é seu tocar que cria a música. Se você para de viver, a vida também desaparece, porque é seu viver que cria sua vida. E mesmo que você decida tocar cover, é você tocando. E mesmo que você decida viver cover, ou seja, viver optando pelo que os outros dizem para você optar, ainda assim, é você optando por isso, então, é você mesmo se levando.

Dito isso! Só seu GPS (sistema emocional) é capaz de te mostrar como viver em acordo com seu destino (viver em autorrealização). Então, se você quer viver em acordo com seu destino, você deve deixar seu sistema emocional te conduzir em suas escolhas, assim como você deixa o GPS do seu carro te conduzir até o destino que você quer chegar. Mas assim como você pode ignorar o GPS do seu carro, você também pode fazer o mesmo com seu sistema emocional.

Seu sistema emocional (GPS) não desregula nunca. Isso é impossível. Você pensa de forma equivocada e seu sistema emocional reage perfeito como sempre, lhe dizendo se o que você pensou está ou não em acordo com sua unicidade. Só que seu sistema emocional não sabe que seu pensamento está equivocado, nem jamais saberá, quem sabe é você.

Surdo não, pois é impossível deixar de experimentar emoções. Mas o motorista pode estar numa conversa de surdo-mudo com o GPS. O sistema emocional fala uma coisa e o motorista entende outra. Isso é o que mais acontece. O motivo disso acontecer é falta de autoconhecimento psicológico. Para adquirir autoconhecimento psicológico e poder entender as mensagens do GPS, é preciso estudar a natureza das emoções. É preciso entender o que é raiva e para que serve, o que é ódio e para que serve, o que é amor e para que serve, o que é medo e para que serve, etc. Quanto mais o motorista fica consciente do que são as emoções e para que ela servem, mais ele entende o que o GPS está dizendo quando emite uma emoção.

Ué! Não é exatamente isso que você está fazendo para conversar comigo? Ou você acha que estou lendo seu pensamento?

É a semente que produz a árvore ou é a árvore que produz a semente? Sua existência é sua semente. O que se transforma é sua realidade, não sua existência. É você que cria sua realidade, não é sua realidade que cria você. Você não é criável. Você existe.

Fazer é apenas significante. Você faz uma casa. Objetivamente falando, é só isso que você fez, uma casa. Parede, porta, janela, telhado, etc. O que esse fazer significa? Daí não está no fazer em si, está na sua relação com esse fazer. Fazer uma casa pode estar EM acordo ou SEM acordo com sua unicidade. Esse acordo ou desacordo não diz respeito a fazer a casa, mas ao que essa opção (fazer a casa) representa para você. Se fazer a casa está em acordo, então, representa você realizando seu destino. Outra coisa, é que fazer é desdobramento do ser. Fazer é você (ser) se manifestando. Então, quando você está sendo você, seu fazer é você realizando seu destino, seja que fazer for. Esse entendimento liberta seu fazer para qualquer fazer disponível correspondente. Você não precisa fazer algo para o qual está destinado, basta você ser você e seu fazer, seja qual for, será você realizando seu destino: ser você.

Laranjeira não tem arbítrio. Não existe, no caso da laranjeira, a possibilidade de autonegação. A laranjeira está condenada a dar laranja, não pode dar jaca, nem jabuticaba, nem goiaba, nem tomate. Laranjeira dá laranja e pronto! Você é um ser humano, você tem liberdade de optar: livre-arbítrio. Então, você pode se proibir de ser você. Livre-arbítrio é incorruptível. Isso tem um lado bom, mas também tem um lado ruim. Nada nem ninguém é capaz de te impedir de viver em autonegação. Mesmo que todos os seres do universo se juntem para te impedir, ainda assim, você é livre para continuar vivendo em autonegação. O universo é absolutamente impotente perante seu arbítrio. Absolutamente impotente! Entende o tamanho do seu poder??? Quer mais empoderamento que isso??? Não existe! Você é o ser mais empoderado do universo. E por um lado, isso é ótimo, pois nada pode te impedir de viver bem, mas, por outro lado, nada pode te impedir de viver mal. Então, livre-arbítrio: benção ou maldição? Você decide.

Porque é impossível saber sabendo, só é possível saber sentindo.

Vocação significa voz, chamado. Sua vocação é ser você. Seguir sua vocação é seguir a voz interior que chama você para ser você. Sua voz interior é seu sentimento. Sentimento não é racional, é irracional. Então, para seguir sua vocação, você precisa colocar o racional a serviço do irracional. Essa é a dificuldade.

Você foi ensinado a fazer o oposto e tem feito o oposto sua vida inteira. Você acorda deprimido, se sentindo péssimo, mas quando alguém te pergunta como você está, você responde “está tudo bem”. Você discorda de algo, acha que está errado, mas reprime o sentimento e faz o errado, mesmo a contra gosto.

Seus educadores não lhe educaram para seguir seu coração e ser único, singular, impar, eles lhe educaram para se encaixar no gabarito da normalidade. O resultado disso, é que você perdeu completamente a habilidade de seguir seu coração, seguir sua voz interior, seguir sua vocação. E pior! Você quer encontrar sua vocação, mas acha um absurdo seguir seu sentimento.

Vocação não se encontra, vocação se vive. E para viver sua vocação, o único jeito é fazendo o racional se render ao irracional (sentimento). Antes dessa rendição, é impossível viver a vocação. Então, se quer viver sua vocação, renda-se! Coloque seu racional de joelhos diante do seu sentimento e diga amém.

Planejar o futuro é fundamental para você realizar uma realidade. Você está participando dessa conversa agora, por exemplo, porque você planejou estar aqui e colocou seu planejamento em prática. Se você tivesse planejado ir para o clube e colocado esse plano em prática, você estaria experimentando outra realidade. Planejar o futuro e realizá-lo é uma brincadeira de destino consciente. Você não precisa de GPS para isso, basta você definir seu destino-futuro e colocá-lo em prática.

Dito isso, entende o que significa? Significa que seu GPS não é uma ferramenta para você brincar de realizar um futuro conhecido, seu GPS é uma ferramenta para você brincar de realizar um futuro desconhecido (autorrealização). Claro que uma coisa leva a outra. Mas se você errar em qual leva a qual, ao invés de uma coisa te levar a outra, uma vai te afastar da outra.

Por exemplo, se o seu planejamento de estar participando dessa conversa não corresponder com seu destino, quanto mais você realiza esse plano, mais afastado está do seu destino.

O que você quer? O que você quer de verdade? O que você quer em última instância? Você quer ser você. Você quer autorrealização. Então, não é você que explica ao seu GPS o que você quer, é seu GPS que explica para você.

Se você soubesse o que você quer, brincar de autorrealização não seria uma brincadeira de destino inconsciente, seria de destino consciente e você não precisaria de GPS. Você definiria seu destino e o realizaria. Por exemplo, você definiria “eu quero ser pianista de blues em um bar na praia de Itamambuca, em Ubatuba”. E pronto! Você realizaria isso e fim da brincadeira. Isso é brincar de destino consciente.

Brincar de destino inconsciente é inconsciente, ou seja, ser sem saber. Você não vive em autorrealização definindo o que você quer ser, você vive sentindo o que você quer ser. Demora até você entender isso. É preciso sofrer muito até entender isso. Mas quando entende, daí, para de brigar com seu GPS e começa a usá-lo bem.

O que pode estar certo ou errado é a qualidade do seu arbítrio. O objetivo da brincadeira de destino inconsciente é você realizar seu destino: viver sendo você. A todo instante você executa seu arbítrio. Então, seu arbítrio pode ser de duas qualidades: A) Arbítrio EM acordo com seu destino. B) Arbítrio SEM acordo com seu destino. Para acertar seu destino, você deve optar EM acordo com seu destino. Quando você opta SEM acordo, você errou o objetivo da brincadeira.

Script é destino-fazer. Você não tem um script, você é um ser destinado a ser você, destinado a autorrealização. Destino é ser. Fazer é desdobramento do ser.

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© 2023 • 1FICINA • Marcelo Ferrari