GPS DO DESTINO

15/11/2016 by in category Livros with 0 and 0

01 | SEU DESTINO

Sim, existe destino. Se não existisse destino, não existiria certo e errado, bem e mal, etc. Sim, existe arbítrio também. Se não existisse arbítrio, não existiria a possibilidade de você optar pelo que é certo ou errado (para você), bem ou mal (para você), etc.

Daí tem a tradicional pergunta: como pode existir destino e arbítrio?

O problema com essa pergunta é que ela está baseada em um entendimento equivocado do que é destino.

Pense em um jogo. Jogar é fazer escolhas para atingir um objetivo. Toda vez que você está jogando um jogo, você opta para atingir o objetivo do jogo. Seu arbítrio tem sempre essa única e mesma motivação, intenção, propósito, destino. Esse é primeiro esclarecimento que resolve o conflito entre destino e arbítrio. Destino é objetivo. Então, destino e arbítrio não são opostos, são complementares. O segundo esclarecimento é que destino não é você destinado a FAZER algo, é você destinado a SER algo.

Destino não é algo que você está destinado a FAZER, destino é algo que você está destinado a SER. E que algo é esse? Qual é seu destino? O que você está destinado a SER? Simples! Óbvio! Você está destinado a ser você. Esse é seu destino: autorrealização. Aliás, esse é o destino de todos os seres.

Autorrealização é o jogo que todos os seres do universo estão jogando agora e sempre. Todo ser é predestinado a ser o que é. Todo ser se destina a si mesmo. Todo ser se destina a realização de si. Todo ser se destina a autorrealização.

O destino da Mônica é ser Mônica. O destino do Cebolinha é ser Cebolinha. O destino da Magali é ser Magali.

Claro que a Mônica sendo Mônica, fará coisas de Mônica. O fazer se desdobra do ser. Mas o destino da Mônica não é fazer algo, como por exemplo, arremessar um coelho da Terra até a Lua. O destino da Mônica é ser Mônica. No que a autorrealização da Mônica vai resultar para a Mônica, em termos de acontecimento, é o que ela vai descobrir conforme for se autorrealizando. Pode até ser que resulte na Mônica arremessar um coelho da terra até a lua, mas se isso acontecer, é porque isso é a Mônica sendo Mônica.

Uma boa maneira de pensar em autorrealização é pensar que você é uma semente de si mesmo. Semente é você potencial. Você vivendo é você sendo você, realizando seu potencial, se autorrealizando. Então, conforme você vai vivendo, você vai experimentando e descobrindo o que você é.

Você já é o fim da viagem. Você já é seu destino. Você já é você assim como uma semente já é a árvore. Só que você não sabe que tipo de árvore você é. Se você soubesse, não tinha brincadeira de descobrir. Você brinca de autorrealização para descobrir passo a passo.

É por isso que algumas tradições filosóficas dizem que você já é o que será. Você já é seu futuro porque a árvore de amanhã já está na semente de hoje. Mas a semente é árvore em potencial. Brotar e crescer é a árvore se autorrealizando. O mesmo com você em seu processo de autorrealização.

Eis aí explicado o sentido da vida: ser. Sabe aquelas três perguntas: Quem eu sou? De onde eu vim? Para onde eu vou? Você é você, vem de você e vai para você.

Agora vou explicitar algo que causa muita confusão.

Você sabe que você é você e que não tem como deixar de ser você. Isso é obvio! Então, autorrealização é uma grande besteira, pois você é você, inevitavelmente.

Aí tem uma sutileza.

Sim, você é você, inevitavelmente, não tem outro jeito. Mas o fato de você ser você, não significa que você ESTÁ SENDO VOCÊ.

Você é SER. Viver é ESTAR. Viver é você optando entre estar sendo ou não estar sendo você. Você pode viver sendo você, mas também pode viver não sendo você. Ou seja, ao viver você pode errar seu destino e viver fora dele. Como? Vivendo em uniformidade. Negando sua unicidade. Vivendo de forma outroísta.

Vou trocar a palavra “destino” por outra palavra para explicitar a relação do outroísmo com o destino.

Brincar de autorrealização é como fazer uma prova sobre si mesmo. Toda prova tem gabarito. É por causa do gabarito que uma prova tem certo e errado. Seu destino é seu gabarito. Ou seja, seu destino é o que é certo para você. Outroísmo é a opção errada que coloca você a prova.

Por que errada? Porque quando você opta pelo outroísmo você está se obrigando a viver igual ao outro, de acordo com o gabarito do outro. O outro tem um gabarito diferente de você (destino diferente) e vice-versa. Então, outroísmo é a opção errada. A prova disso é que não funciona, é ruim, faz você viver igual semente de abacate tentando ser laranjeira.

Ficou claro o que é destino? Alguma pergunta?


02 | SEU GABARITO

Participante: Cadê meu gabarito?

Seu gabarito está na sua singularidade. Seu gabarito é o que faz você único, diferente dos outros. Mas só você pode saber de si, então, só você pode saber (descobrir) qual é seu gabarito.

Participante: Meu gabarito é quando estou vivendo em acordo comigo?

Não! Quando você está vivendo em acordo consigo você está em acordo com seu gabarito (destino). Mas o gabarito (em si) é sua unicidade.

Participante: Meu gabarito é diferente do gabarito dos outros.

Exato! A brincadeira é a mesma: autorrealização. Mas cada um tem um gabarito diferente. Meu gabarito é de Ferrari. Seu gabarito é de Magali. O gabarito da Mônica é de Mônica. O gabarito do Cebolinha é de Cebolinha. O gabarito de Jesus é de Jesus. E não funciona, por exemplo, o Cebolinha tentar ser Jesus, nem Jesus tentar ser o Cebolinha. Tentar é possível. Mas é impossível conseguir. Por isso vive mal.

Participante: Eu sempre tenho arbítrio? Até na infância?

Sim, você sempre tem arbítrio. Até se colocar em estado de ignorância do arbítrio é você usando seu arbítrio. É exatamente isso que acontece na infância. Você tem arbítrio, mas não tem maestria em usá-lo. Você ignora como usá-lo, por isso parece que você não tem arbítrio.


03 | ACEITANDO O DESTINO

Tem uma cena no filme Matrix que trata do dilema do destino. É a cena da ponte. Neo está dentro de um táxi, o tempo urge, então, lhe dão um ultimato: “Ou dá ou desce!”. Neo abre a porta do táxi e está prestes a sair. Trinity segura sua mão e lhe diz: ”Não faça isso, Neo, você já conhece essa rua e sei que não quer mais caminhar por ela”. Ou seja, a todo instante estamos escolhendo entre caminhar pela uniformidade (todos no mesmo gabarito) ou pela universalidade (cada um no seu gabarito).

A cena final mostra a opção pela universalidade. Neo pega o telefone e fala algo assim para Matrix, que simboliza a uniformidade: “Eu despertei e vou seguir meu próprio gabarito, vou viver meu destino. Não sei onde meu destino vai me levar, mas eu vou e pronto! Se isso te incomoda: problema seu!”.

Quero aproveitar as palavras do Neo e concluir essa conversa falando sobre a prática de viver o próprio destino.

Quando você decide viver seu destino, você não sabe para onde você está indo. Embora você saiba emocionalmente que deve ir por aqui ou por ali, você não sabe para onde seu destino vai te levar em termos de circunstâncias. Você sabe que está em autorrealização. Você sente isso porque você se sente encaixado em si. Mas você não sabe para onde o próximo passo vai te levar. Essa é a graça da brincadeira de autorrealização humana.

Mas sendo assim, quando você opta por viver seu destino, você não está optando por chegar num futuro determinado. É justamente o oposto. Você está se atirando no desconhecido. Você está se permitindo ser árvore da sua própria semente e dar seus próprios frutos, seja lá que árvore ou frutos forem. Optar por viver seu destino é uma entrega absoluta a si mesmo.


04 | VOCÊ DESCONHECIDO

Caminhar pelo próprio destino é caminhar por um caminho que não existe, mas que você faz existir. É pisar em um chão que não tem, mas que surge debaixo do seu pé quando você pisa em si.

Uniformidade é caminhar pelo conhecido. A uniformidade te mostra o chão que você deve pisar. “Olhe que chão bonito! Pise aqui!” Você pisa. “Venha ser médico, pise aqui!” Você pisa.

Caminhar pelo conhecido é mais fácil e cômodo. Você já sabe onde a rua vai dar. Viver o próprio destino é pular no desconhecido. “O que tem no fundo do desconhecido?” Pula e vê. “Não pulo não! Prefiro viver na uniformidade”. É uma opção. Faz parte da brincadeira. Mas quando você decide viver sendo você, quando decide pular no desconhecido, o que acontece é que você cai no seu colo.

O que tem no fundo do desconhecido é você mesmo. Mais de você. Mais autoconhecimento. Pois tudo que você experimenta é sempre você.


05 | DESTINO CONSCIENTE

Como viver em acordo com o próprio gabarito? Vou explicar isso usando uma analogia. Imagine que você decide se dar um destino e realizá-lo. Então, você se desdobra em dois: um desdobramento de você que propõe o destino, e outro desdobramento de você que deve realizar o destino. Feito isso, um diz para o outro: “Fiat batata quente”. Ou seja: “Faça-se a batata quente”. Pronto! Começou a brincadeira. Você está no quarto. Como o lugar de batata é na cozinha, você sai do quarto e vai para cozinha. Abre a geladeira. Abre a gaveta dos legumes. Pega uma batata. Abre o armário. Pega uma panela. Coloca água na panela. Coloca a batata dentro da água. Liga o fogo. Coloca a panela no fogo. Aguarda um pouco. A água começa a ferver. Pronto! Batata quente. Está consumado o destino.

Muito legal brincar de destino consciente. Você repete a brincadeira com outros destinos. Você diz para si mesmo: “Fiat sorvete”. E você realiza esse destino indo na sorveteria. Você diz para si mesmo: “Fiat novela”. E você realiza esse destino ligando a televisão. Você diz para si mesmo: “Fiat dentes limpos”. E você realiza esse destino escovando os dentes. E assim por diante. Você brinca de Destino Consciente com vários destinos. Até que você decide brincar de outra modalidade de destino. Uma brincadeira similar, mas que tem um diferencial que deixa a brincadeira mais desafiadora. Você decide brincar de Destino Inconsciente.


06 | DESTINO INCONSCIENTE

E como funciona a nova brincadeira? O começo é igual. Você se desdobra em dois: um desdobramento de você que propõe o destino, e outro desdobramento de você que deve realizar o destino. Só que, nessa nova brincadeira, um diz para o outro: “Fiat destino”. Ou seja: “Faça-se o destino”. O desdobramento de você que recebe o destino, fica sem chão. Não entende nada. Como realizar um destino desconhecido? É impossível. O desdobramento de você que recebe o destino não sabe por onde começar. Então, percebendo sua angústia, o desdobramento de você que está propondo o destino, lhe diz: “Calma! Vai dar tudo certo. Confie em mim. Você vai conseguir realizar o destino mesmo não sabendo qual é. Eu vou ajudá-lo. Tem um jeito. Parece impossível, mas não é. Começa, que assim que você começar, você vai entender como conseguir”.

Você decide começar. Você está no quarto e decide ir para o banheiro. Quando você chega no banheiro: choque! Você sai do banheiro e volta para o quarto. O choque pára. “Que coisa estranha!”. Você volta para o banheiro: choque, choque, choque. Você sai do banheiro de novo. O choque pára. Você volta para o banheiro para ver se entende o que está acontecendo. Você entra no banheiro: choque. Você sai do banheiro e decide ir para outro lugar. Você vai para a cozinha. Na hora que você chega na cozinha é bom demais. A cozinha é o paraíso. Nunca você se sentiu tão bem em um lugar como você está se sentindo na cozinha. A cozinha é a felicidade! Você abre a copeira na cozinha: choque. “Ué, que estranho!”. Você fecha a copeira. Você abre a copeira de novo: choque. Você fecha a copeira. “Levei choque na copeira assim como levei choque no banheiro!” Você decide abrir a geladeira. Nossa! Abrir a geladeira é bom demais. Estar na cozinha e abrir a geladeira é o paraíso do paraíso!

Daí você abre a porta do freezer dentro da geladeira: choque. Você fecha. “Que estranho!”. Você abre de novo a porta do freezer: choque, choque, choque. Você fecha. Você pega o leite: choque. Você larga o leite. Você pega o queijo: choque. Você larga o queijo. Você abre a gaveta de legumes. Ah, que beleza! É a melhor sensação que você já teve na vida. Você pega o tomate: choque. Você larga o tomate. Você pega a couve-flor: choque. Você larga a couve-flor. Você pega a batata. Que felicidade! Que benção! Na cozinha segurando uma batata é tudo de bom. Você pega um coador de café: choque. Você solta o coador de café. Você pega uma panela. Ah, panelaaaa, que alegria! Você se sente muito bem com a panela. Você coloca coca-cola dentro da panela: choque. Você coloca arroz dentro da panela: choque. Você coloca água dentro da panela. Bom demais. Paraíso.

Você decide beber a água da panela: choque. Você decide lavar o sovaco com a água da panela: choque. Você decide escovar os dentes com a água da panela: choque. Você decide colocar a batata dentro da água. Delícia! Muito, muito, muito bom! Eis o sentido da vida: colocar a batata dentro da panela com água. Você decide colocar a panela em cima da mesa: choque. Você decide colocar a panela em cima da cabeça: choque. Você decide colocar a panela em cima do fogão. Sensacional. Agora sim é felicidade de verdade. Você decide lamber a panela em cima do fogão: choque. Você decide fazer um samba para a panela em cima do fogão: choque. Você decide ligar o fogo e esquentar a água. A batata esquenta. Nirvana e paraíso juntos! Tudo de bom.

Pronto! Batata quente. Está consumado o destino. Você conseguiu fazer uma batata quente como na brincadeira de Destino Consciente, mas sem saber qual era o destino. Você realizou o que devia realizar como na primeira brincadeira, mas em absoluta ignorância. Sem saber o que estava fazendo. Sem saber porque estava fazendo. Sem saber nada de nada. Apenas tentando acertar e levando choque.


07 | EXPLICAÇÃO DA ANALOGIA

A experiência humana é uma brincadeira de DESTINO INCONSCIENTE. A batata quente é você. Seu destino é: “Fiat você!”. Traduzindo: “Seja você”. Só que você não diz para você o que você é. Você diz: “Começa que vai dar tudo certo! Você vai entender”. Daí, é claro que você fica perdido: “Quem queu sô? Donde eu tô? Pronde eu vô?”. Mas você não fala nada para você mesmo. Essa brincadeira é de DESTINO INCONSCIENTE, então, você deve viver sendo você sem saber quem você é. Esse é o tamanho do desafio que você está enfrentando. Ser humano é brincar de DESTINO INCONSCIENTE. Seu desafio a cada instante é viver sendo você sem saber quem você é. Não é nada fácil. É dificílimo. É extremo. É desafio para mestres, pois mesmo quando você leva choque, você não está descobrindo o que você é, mas o que você não é. Daí você abandona aquela opção e vai para outra. Mas a próxima opção pode dar choque também. E assim por diante. Ou seja, você vai realizando seu destino não por acerto, mas por erro. Você realiza seu destino por falta de opção. Você vai errando tanto que não sobra outra opção senão viver em acordo com seu gabarito, mesmo sem saber que gabarito é esse.


08 | TENTATIVA E APRENDIZAGEM

O que é choque? Choque é sofrimento. E o que é sofrimento? É quando você erra seu gabarito! Olha só! Finalmente o sofrimento começa a fazer sentido. Você faz uma opção e experimenta a opção escolhida. Sofrimento é quando a opção escolhida está em desacordo com seu gabarito. Ou seja, a função do sofrimento não é apenas causar desconforto, mas possibilitar que você aprenda com ele. Sofrimento é uma lição de autoconhecimento. Sofrimento é caneta vermelha, é o xis de errado. Sofrimento é você se ensinando o que é certo para você através da experiência do que é errado para você. Viver é você brincando de tentativa e aprendizagem.

Sua unicidade é seu gabarito. Sofrimento é o jeito que você tem para ficar consciente de que não está vivendo em acordo com seu gabarito. Seu sistema emocional é um GPS. Quando você faz uma opção em desacordo com seu gabarito, seu sistema emocional te explica isso. Só que ao invés do seu sistema emocional te explicar isso repetindo a frase: “Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito. Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito. Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito”. E assim por diante. Seu sistema emocional lhe diz: choque, choque, choque. Ou seja: sofrimento, sofrimento, sofrimento.

Se você não tivesse um sistema emocional para lhe ajudar a viver em acordo com seu gabarito, daí a brincadeira de autorrealização não seria difícil, seria impossível! Você não iria conseguir jamais viver em acordo com seu gabarito porque você não teria nenhuma referencia sobre ele. Desafio difícil é uma coisa; desafio impossível é outra coisa. Se o desafio é impossível não tem brincadeira, é impossível. A brincadeira de autorrealização é difícil, mas para não ser impossível, tem que ter um jeito de conseguir, o jeito é seguir as mensagens do GPS do destino, ou seja, as mensagens do seu sistema emocional.

São dois tipos de mensagens: sofrimento e felicidade. Felicidade significa que sua opção está em acordo com seu gabarito. Sofrimento é o oposto. Significa que sua opção está em desacordo com seu gabarito.

Essa é a grande EUreka! Felicidade não é objetivo, apenas indica se você está ou não vivendo em acordo com seu objetivo, ou seja, vivendo em acordo com seu gabarito. Sofrimento também indica isso, só que de maneira inversa. Ou seja, seu sistema emocional, quer esteja te enviando sofrimento, quer esteja te enviando felicidade, em ambos os casos, é um GPS que está trabalhando para que você possa viver em acordo com seu gabarito. Só que GPS não dirige o carro. Esse é o problema. Por mais que seu sistema emocional lhe ajude a viver em acordo com seu gabarito, cabe a você decidir seguir ou não as indicações do seu sistema emocional.

Seu sistema emocional é seu sistema de navegação. Sempre é necessário um sistema de navegação. Outro dia, vi uma reportagem sobre cegos. Explicava como os cegos fazem para se deslocar pelas ruas. Nós que enxergamos não percebemos que a visão é nosso sistema de navegação espacial. O cego não tem esse sistema de navegação, então, precisa usar outro sistema. Que sistema o cego usa? O tato. Mas um cego anda tateando a rua? Não. Então o que ele faz? Usa uma bengala. Através da bengala o cego vai tateando a rua. Ou seja, a bengala é parte do sistema de navegação do cego. Nessa reportagem explica como o cego usa a bengala. Tem um monte de detalhes. Ele mexe a bengala para um lado, a bengala desliza, ele põe o pé. Ele mexe a bengala de novo, a bengala pára, ele vira o corpo. Outra coisa muito interessante, é que o caminhar do cego acontece no mais absoluto passo a passo. O cego faz um movimento na bengala, e decide sobre aquele passo, só daquele passo, nunca do próximo. O próximo ele só vai decidir depois do próximo movimento da bengala. E assim por diante. Passo a passo, decisão por decisão, e o cego atravessa a cidade.

Seu sistema emocional é o GPS do seu destino. Você só tem ele para viver de acordo com seu gabarito, assim como o cego só tem a bengala. Ninguém além do seu sistema emocional é capaz de confirmar se você está ou não vivendo em acordo com seu gabarito. É impossível. Só você experimenta o sabor emocional das suas opções, então, como o outro pode saber o que é bom para você? O outro não tem como saber do seu gabarito. Nem você mesmo tem acesso direto ao seu próprio gabarito. Então, para viver em acordo com seu gabarito, você precisa de algo que garanta com 100% de certeza, e com zero possibilidade de erro, que você está vivendo em acordo com seu gabarito. Essa coisa é seu sistema emocional produzindo felicidade e sofrimento.

Você é um ceguinho andando de bengala pela experiência humana. Essa é a metáfora. E você não tem como abrir o olho! Não adianta! A brincadeira de ser humano é viver em acordo com o próprio gabarito usando uma bengalinha! É um puta desafio? Sim, é um puta desafio! Mas você decidiu enfrentar esse desafio e está vencendo! Essa explicação é para você vencer mais facilmente ainda.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: Se a brincadeira de destino inconsciente é essa, o que está errado?

O que pode estar certo ou errado é a qualidade do seu arbítrio. O objetivo da brincadeira de destino inconsciente é você realizar seu destino: viver sendo você. A todo instante você executa seu arbítrio. Então, seu arbítrio pode ser de duas qualidade: A) Arbítrio EM acordo com seu destino. B) Arbítrio SEM acordo com seu destino. Para acertar seu destino, você deve optar EM acordo com seu destino. Quando você opta SEM acordo, você errou o objetivo da brincadeira.


PERGUNTA: Destino consciente se torna inconsciente devido os entraves no caminho?

Não! Apenas é assim que a brincadeira funciona. A brincadeira de ser humano é uma brincadeira de destino inconsciente, assim como brincar de cabra-cega é uma brincadeira que você fecha os olhos. Se você abrir os olhos na brincadeira de cabra-cega, não tem brincadeira de cabra-cega, é impossível brincar de cabra cega com os olhos abertos. Se você estiver consciente do seu destino, não tem brincadeira de destino inconsciente, é impossível brincar de destino inconsciente estando consciente do destino.


PERGUNTA: O que faço me transforma no que eu sou, ou não?

É a semente que produz a árvore ou é a árvore que produz a semente? O que você poderia fazer se você não existisse? Sua existência é sua semente. O que você faz transforma sua realidade, não você, não o que você é. Você existe. O que se transforma é sua realidade, não sua existência.

PERGUNTA: Mas minha realidade não sou eu fazendo, logo sendo?

Realidade é efeito. Se não entendeu isso ainda, não entendeu nada.

PERGUNTA: Sim, é efeito das minhas escolhas

Exato! Então, é você que cria sua realidade, não é sua realidade que cria você. Você não é criável. Você existe. Ser = existir.

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