EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS

02/05/2020 by in category Textos with 0 and 0

Você já teve experiência com entidade no centro espírita ou fora dele? Se sim, qual e como foi?

Sua pergunta não é uma pergunta de autociência. É uma pergunta pessoal e tudo que eu responder, você não tem como comprovar. Você poderá apenas acreditar ou não. E autociência não se pratica através da acreditação, mas da autoobservação. Tudo que explico na 1ficina é comprovável. Basta você praticar autoobservação e comprovar. A minha história de vida não é comprovável. Qualquer coisa que eu te contar da minha história de vida, para você, será apenas isso, uma história, assim como as histórias nos livros e nos filmes, assim como os contos de fada. Por isso, não compartilho minha história no trabalho da 1ficina, a não ser quando é para servir de exemplo para alguma explicação. Porém, também não é pecado, e como sua curiosidade pode ser a curiosidade de outros, e meu testemunho pode colaborar para esclarecer e desmistificar esse assunto, vou te responder.

Sim, já conversei com entidades, várias vezes, dentro de centros espíritas, centros de umbanda e fora também. Vou contar como começou essa história. Teve uma época que fui “contratado” para ajudar em um trabalho espiritualista. Até então, nunca havia conversado com uma entidade antes, mas o meu “patrão”, ou seja, o coordenador do trabalho, era uma entidade que se manifestava através de um médium. Foi a primeira entidade com quem conversei. Depois dele, conversei com muitas outras entidades por conta da natureza espiritualista do trabalho. Conversei com entidades sábias, que o povo chama de espíritos de luz, e conversei com entidades raivosas, coléricas e rebeldes, que o povo chama de obsessores. Na umbanda as entidades se manifestam em quatro posturas: pretos velhos, caboclos, erê e exú. Já conversei com as quatro em várias oportunidades.

Fazia parte do meu trabalho no grupo espiritualista ir até os grupos espalhados pelo Brasil e coordenar reuniões. As reuniões em São Paulo aconteciam na minha casa, no meu apartamento de um dormitório. O apartamento ficava empilhado de gente. Uma molecada doida. A maioria tinha no máximo 25 anos. Tinha umas pessoas nesse grupo que estavam começando a praticar a mediunidade. Então, no fim das reuniões, a gente fazia várias experiências. Ninguém entendia do assunto, ninguém sabia o que fazer, então, a gente apenas deixava acontecer para ver o que acontecia. E acontecia muita coisa. Nenhum evento sobrenatural como objetos levitando. Isso nunca aconteceu.

O que mais acontecia eram processos de cura e comunicações com entidades através dos médiuns. Incomum era o tipo de entidade. Por exemplo, conversei com monges tibetanos, taoístas, extraterrestres, entre outros. Lembro de uma entidade que a gente chamava de Vazio. Foi uma das mais pitorescas e interessantes que conversei. Era uma entidade que não sabia nada de si, que não tinha memória, era vazia. Conversar com ela era como conversar com um neném recém nascido, com a vantagem de que era um neném que já nasceu falando português. Toda vez que eu ia conversar com o Vazio, tinha que explicar tudo para ele, pois ele não sabia nada. E nessa de me explicar para o Vazio, eu me enchia de esclarecimento. hehehe… Belo truque pedagógico, não? Eu me esvaziava no vazio e tinha várias eurekas.

O final das nossas reuniões em São Paulo se tornaram um grande laboratório de doidos. Não tinha regra nenhuma, a gente apenas deixava as loucuras aflorarem. Toda manifestação era permitida, toda manifestação era bem vinda, um, dois, três e já! hehehe… Neguinho pirava e estava tudo bem. Um começava a chorar, outro começava a correr e pular, outro começava a berrar, outro começava a dançar. Era um hospício total. Mas problema nenhum. Tudo era bem vindo no laboratório. E o mais doido era assistir aquela loucura toda se harmonizando e se encaixando uma na outra. Eu ficava perplexo. Toda vez era assim. Começava um completo caos e, de repente, o próprio caos se resolvia.

Experimentei a mediunidade em mim mesmo. Fiquei intrigado com aquilo. Queria entender a tal da mediunidade na pele, digamos assim. Minha conclusão, após minhas experiências, é que você não tem como saber se quem está se manifestando é você mesmo ou não. Você não tem como saber se é coisa da sua cabeça ou não. Até porque, você não sabe quem você é para poder dizer quem você não é. hehehehe… Já pensou nisso? O que você percebe é que as coisas ficam um pouco diferente sim, ficam incomuns, como se sua personalidade tradicional fosse para o banco de reservas e desse vez para a manifestação de uma outra personalidade que não é a tradicional, como um alter ego.

Sei que, em termos psiquiátricos, isso é chamado de esquizofrenia. Pode ser mesmo. Várias vezes me senti falando como se fosse outra pessoa. Eu pensava e depois falava, como sempre. Podia escolher as palavras, podia não falar, tudo normal. Mas eu sentia vontade de falar umas coisas incomuns e de um jeito incomum. E minha postura corporal também se alterava. E minha concentração também. Eu me concentrava e permanecia concentrado num assunto.

Foi muito rico em aprendizagens esse laboratório no grupo de São Paulo, para mim e para todos que participaram. Foi muito intenso e durou por volta de um ano. Depois foi diminuindo e acabou. Eu também fui me desligando desse tipo de trabalho. Quando criei a 1ficina, em 2011, sabia que para poder ajudar as pessoas a produzirem autoconhecimento, e consequentemente, viver bem, eu deveria me focar totalmente na prática da autociência, pois as práticas e rituais espiritualistas, infelizmente, e devido a baixa lucidez dos participantes, produz mais malefício do que benefício. Malefícios como idolatria, fanatismo, servidão, dependência afetiva, dependência intelectual, etc.

Acertei na minha decisão de focar 100% na prática da autociência. Estou 100% satisfeito com ela. Todos os dias o trabalho da 1ficina ajuda muitas pessoas de forma simples e profunda, e também, ajuda as pessoas que convivem com essas pessoas. E o trabalho da 1ficina não produz idolatria, fanatismo, servidão, nem dependência. Embora, esse seja um vício da nossa coletividade, que por mais prevenção se tenha, sempre encontra uma brecha para entrar, mas é bem pouco na 1ficina.

Então, tá contado! Prossigamos…

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari