EUREKOLAS

06/03/2016 by in category Textos with 0 and 0

A explicação do óbvio não é o óbvio. Então, para que serve? Serve para incomodar, para deixar você indignado, revoltado e com raiva. A explicação do óbvio não lhe dá nada. Nem há nada para ser dado. Você já é você. Sempre é. Nunca deixa de ser. A explicação do óbvio explica o que você é, mas não está percebendo. Isso incomoda. Causa revolta. É uma afronta a sua inteligência. “Como óbvio! Se fosse óbvio eu saberia!”, você pensa. Saber é sua natureza. Você quer saber. Então, quando fica sabendo que não sabe, que ignora a si mesmo, sua inteligência se revolta. Um dos propósitos da explicação do óbvio é esse: incomodar sua inteligência para retirá-la da inércia.

Uma metáfora para ilustrar isso é a produção da pérola. A ostra produz a pérola para solucionar um incômodo. O processo de produção começa quando um grão de areia consegue entrar dentro da ostra. O grão de areia irrita a mucosa da ostra. Para solucionar o incômodo, a ostra começa a envolver o grão de areia com camadas concêntricas de madrepérola. Essa substância cristaliza-se formando uma esfera ao redor do problema: a pérola. Analogamente, o mesmo acontece com você. Sua inteligência é a ostra e as explicações do óbvio são grãos de areia que irritam sua inteligência. Para resolver a irritação, você precisa sair da inércia consciencial (ignorância) e investigar o assunto. Como o assunto é você mesmo, o resultado é autoconhecimento: eurékolas.

© 2018 · 1FICINA · Marcelo Ferrari