— Vamos sair da sala e ir até o campo de futebol — diz Albert.
Os alunos acham estranho o convite para deixar o ambiente formal da sala de aula, mas se levantam e começam a sair. A curiosidade supera o protocolo.
Ao chegarem ao gramado, a noite se revela agradável.
— Por favor, deitem-se de costas no chão, olhando para cima — Albert os instrui, sua voz é um sussurro em harmonia com a quietude da noite. O convite é inusitado, quase infantil, mas eles o seguem sem hesitar.
Os alunos se deitam, tal como Albert, de costas para o chão. O tapete de grama amortece o peso da cabeça e do corpo, e o perfume terroso do solo os rodeia. Naquela posição, despojados de suas mesas e livros, o mundo ao redor se dissolve, e resta apenas a imensidão acima. O olhar, livre, atravessa o espaço escuro, tocando as estrelas, uma por uma. É uma experiência de profunda contemplação.
— Estão vendo as estrelas? — pergunta o professor Albert, quebrando o silêncio com uma voz que parecia vir do próprio universo.
— Sim, professor, estamos — respondem os alunos.
— O que são e onde estão? — pergunta Albert.
— São corpos celestes no espaço — respondem os alunos, repetindo a lição básica da cosmologia.
Albert explica:
— Eis o erro do materialismo! Tudo que estão vendo não está contido no espaço, está contido em um ponto.
Um dos alunos, mais audacioso e cético, contesta:
— Você já falou isso, professor, e não faz sentido. Por definição, um ponto é um ente geométrico adimensional (sem altura, largura ou comprimento). Pergunto novamente, e creio que pergunto em nome de todos: como pode toda a vastidão do universo estar contida em um ponto adimensional?
— É isso que vocês estão prestes a descobrir — responde Albert — O erro do materialismo não é um erro de física, nem de matemática, é um erro de fundamento científico. Vamos prosseguir no experimento e isso ficará claro como a luz das estrelas.