01 | NOME AO BOI

A palavra outroísmo é uma invenção minha. Então, para que você possa entendê-la, preciso explicá-la. Mas antes de explicar o que é outroísmo, primeiro vamos entender algo sobre o processo de nomear e conceituar. Nomear experiências comuns é fundamental para a comunicação. Quando se nomeia uma experiência abstrata, como calor, por exemplo, cria-se um conceito. Como o conceito dá concretude ao abstrato, através da nomeação e da definição, fica parecendo que o conceito cria a experiência. É justamente o oposto. A experiência vem primeiro, depois, para fins de comunicação, a experiência é nomeada e conceituada. Por exemplo, um objeto jogado para cima sempre caiu no chão, até que um dia, Issac Newton, foi estudar essa experiência e a nomeou lei da gravidade. A experiência da gravidade já existia antes de Newton nomeá-la, mas a partir da nomeação ficou possível e mais fácil conversar sobre a gravidade e outras experiências físicas relacionadas a ela. Ou seja, a nomeação possibilitou a comunicação. Outro exemplo é pensar na febre. A experiência da febre já existia antes de ser nomeada de febre. Alguém deu o nome de febre para febre. A partir daí ficou mais fácil se referir e conversar sobre febre. E por aí vai.

Nomear e conceituar é muito importante, principalmente no campo da ciência. 1ficina é autociência. Então, no primeiro livro que escrevi para 1ficina, eu precisava explicar um aspecto da experiência humana no qual ainda não havia uma palavra para comunicação. Sendo que não havia, precisei inventá-la: outroísmo. Pensei em outras possibilidades. Pensei na palavra “outrocentrismo” e até usei essa palavra durante algum tempo, mas achei que “outroísmo” era uma palavra melhor, daí mudei de opção. Mas enfim, a palavra “outroísmo” é uma invenção minha, mas o comportamento ao qual a palavra se refere, não é invenção minha.


02 | EGOÍSMO UNIVERSAL

Por que inventei uma palavra ao invés de usar as palavras que já existiam? Acontece que a palavra mais próxima do que precisava explicar é muito mal usada e por isso ao invés de ajudar, atrapalha. Que palavra é essa? É a palavra “egoísmo”. No entendimento geral, o egoísmo é o culpado, é o problema. Isso é um equívoco. Egoismo não é problema. O problema é acreditar que egoísmo é o problema. Egoísmo é inevitável. Nem você, ser humano, nem qualquer outro ser no universo tem como deixar de ser egoísta. Egoísmo é natural e universal. Todo ser é egoísta por natureza. Egoísmo é cuidar de si. O sol cuida de si. A samambaia cuida de si. A abelha cuida de si. A célula cuida de si. Todos os seres do universo são egoístas, porque o universo só sabe cuidar de si, só se importa consigo. O universo é o egoísmo absoluto. Todos os seres são o universo. Então, o egoísmo de cada ser é o egoísmo universal. Quando um ser tenta não ser egoísta, está apenas sendo egoísta no sentido de tentar não ser egoísta. Não tem como deixar de ser egoísta. Mas por causa do significado pejorativo associado a palavra, o egoísmo recebe uma culpa que ele não tem. Isso não resolve o problema, cria o problema. Inventei a palavra outroísmo para resolver esse problema que não tem.


03 | NATURAL, UNIVERSAL E INEVITÁVEL

A palavra egoísmo é tão martirizada que é sinônimo de demônio. No começo da 1ficina, quando explicava que egoísmo é natural, o repúdio era imediato e enorme. As pessoas não tinham sequer estômago para ouvir. Elas logo diziam: “Você é uma pessoa esclarecida e está defendendo o egoísmo! Como pode? Você é louco!”. Era muito difícil aprofundar no autoconhecimento por conta do mal entendimento do egoísmo. Egoísmo nada mais é do que desejar. Em algumas tradições o demônio é o egoísmo, em outras, usa-se a palavra “desejo”, daí o demônio é o desejo. Egoísmo e desejo é como seis e meia dúzia, são sinônimos. É impossível você deixar de desejar porque você é egoísta. Sua natureza é pulsante, desejante, egoísta. Você deseja seu próprio bem. Isso é natural, universal e inevitável. Egoísmo é benéfico tanto para você como para os outros. Quando você cuida de si é bom para você, porque você fica bem cuidado. E é bom para todos os outros que não precisam cuidar de você, pois você mesmo está cuidando de si. Egoismo é fundamental para viver bem e conviver bem. Só que a palavra “egoísmo” gera repulsa por força da cultura. Esse era metade do meu problema.


04 | PROBLEMA INTEIRO E SOLUÇÃO

Egoísmo é benéfico, mas a palavra egoísmo pode sim apontar para algo ruim: quando você impõe sua vontade ao outro ou vice-versa. Então, a palavra egoísmo pode apontar tanto para um bem como para um mal. Uma mesma palavra com dois significados opostos. Essa era a outra metade do meu problema. Eu precisava resolver isso para depois poder esclarecer o sofrimento e a causa do mal viver. Como separar duas coisas distintas coladas numa mesma palavra? A solução foi criar duas novas palavras. “Outroísmo”, para apontar o mal uso do egoísmo, o tipo de uso que gera mal viver. E “autoísmo”, para apontar o bom uso do egoísmo, o tipo de uso que gera bem viver. Uma vez separados esses dois jeitos de usar o egoísmo, deixei de usar a palavra egoísmo e passei a usar apenas a palavra desejo. É por isso que na literatura da 1ficina você não encontra a palavra egoísmo, só encontra a palavra desejo.


05 | O QUE É OUTROÍSMO?

Tem várias maneiras de definir e entender o outroísmo, pois o outroísmo tem vários aspectos. Vamos começar pela seguinte definição: Outroísmo é um jeito de viver. Você está sempre vivendo. É só isso que você faz. Não tem outra coisa para você fazer senão viver. Descreva a si mesmo tudo que você faz e ficará evidente que tudo é você vivendo. Isso passa despercebido porque você nomeia seu viver com vários verbos: acordar, andar, estudar, trabalhar, namorar, almoçar, descansar, ir, voltar, etc. Só que todos esses verbos são um verbo só: viver. Tudo é você vivendo. É só isso que você faz: viver. Não tem uma segunda coisa para você fazer. Outroísmo é um jeito de você fazer essa única coisa que você tem para fazer: viver. Mas se é um jeito de viver, significa que não é o único, que deve existir outro jeito de viver. Sim, existem dois jeitos de você viver.

(A) Você pode viver de um jeito OUTROísta.
(B) Você pode viver de um jeito AUTOísta.


06 | VOCÊ SENDO OUTRO

AUTOísmo é o jeito de viver em que você vive sendo você. Outroísmo é o jeito de viver em que você vive sendo outro. Você pode viver sendo você mesmo, único, singular. Mas você pode se proibir de viver sendo você mesmo. Se você não está sendo você, está sendo outro, por isso seu viver é OUTROísta. Vamos supor que você goste de fazer piada, dar risada, falar palavrão, mas você se obrigue a ser formal. Você tentando ser formal é você tentando ser outro, é você vivendo outroísta. Viver outroísmo é viver mal porque você não funciona bem sendo outro. Viver autoísta é viver bem porque você funciona bem sendo você.


07 | COM EDUCAÇÃO

O natural é você viver sendo você. Isso deveria ser sempre, deveria ser regra, não exceção. Mas na prática a teoria é outra: o que é natural não acontece. Na prática você vive sendo outro. Você vive sendo seus pais, seus amigos, seus professores, sua sociedade, o comercial de cerveja, o partido político, a religião, a moda, etc. O que acontece que impede o natural de acontecer? A resposta é simples. O que impede o natural de acontecer é o cultural. Você virou outro porque você foi educado para ser outro. A experiência humana é COM educação.


08 | APRENDER É IMITAR

Vou trocar a palavra “educação” por “aprendizagem”. O que é aprender? Aprender é imitar até decorar. Lembra do caderno de caligrafia da escola? O que você fazia no caderno de caligrafia? Você praticava imitar as letras do alfabeto. Educar é propor um gabarito a ser imitado. Aprender é decorar um gabarito. Quando você pensa em educação, você pensa só em escola, mas educação é o tempo todo. Na escola você é educado em gabaritos técnicos, como português, matemática, ciências, etc. Educação escolar é um tipo específico de educação, mas a partir do momento em que você nasce, você recebe gabaritos sem parar, de todos os seres humanos com quem convive. Quando sua mãe te disse, “coma de boca fechada”, por exemplo, ela estava te dando o gabarito dela para você imitar.


09 | GÊNESE DO OUTROÍSMO

Agora a gênese do outroísmo vai ficar evidente e prática. Que gabarito você imitou para se ensinar a ser você? O seu próprio? Claro que não! Você imitou todos os gabaritos que lhe deram, menos o seu. Você imitou o gabarito do seu pai, da sua mãe, da sua irmã, do seu professor, dos seus colegas, da sua sociedade, da sua igreja, do comercial de margarina, dos filmes de hollywood. Assim como você aprendeu português imitando o som dos outros, você aprendeu a viver imitando os comportamentos, valores, crenças e gostos dos outros. O que o outro dizia que era certo e bom, você imitava. O que o outro dizia que era errado, pecado e proibido, você imitava. Você se ensinou a ser você imitando o gabarito dos outros.


10 | COMO VOCÊ VIROU OUTRO

Quando você nasce, você não sabe de nada. Você não tem a menor ideia de que você está em uma brincadeira de autorrealização e que você tem seu próprio gabarito. E pior! Seus educadores também não sabem disso. E eles também foram educados por outros que também não sabiam disso. E assim por diante. O processo de educação vai se repetindo de pai para filho, nunca de filho para pai. Quando você nasceu, não foi você que falou para os seus pais: “Oi! Meu nome é fulano, eu sou seu filho!”. O que aconteceu foi o oposto. Você nasceu e seus pais lhe ensinaram que seu nome é Fulano. Ensinaram muitas outras coisas. Seus pais lhe deram gabaritos. Desde então, você imita e reproduz esses gabaritos automaticamente para viver, assim como reproduz as letras do caderno de caligrafia para escrever.


11 | TEM QUE

Cada gabarito que você recebeu do outro é como um programa de computador que diz que você TEM QUE SER isso, TEM QUE SER aquilo, etc. Se você é homem, por exemplo, você começou a chorar, daí sua mãe lhe disse: “Pare de chorar moleque, homem não chora!”. Sua mãe nem sabe o que fez, mas nesse momento te programou com o gabarito dela. E pior! Muito provavelmente nem era dela, era o gabarito da mãe dela. E nem era da sua avó, era da sua bisavó. E nem era da sua bisavó… Mas enfim, sua mãe te gabaritou que homem não chora, você introjetou esse gabarito, imitou, imitou, imitou, até virar um piloto automático. Por isso você quer chorar, precisa chorar, mas o piloto automático não deixa.


12 | COMPETÊNCIA SUBCONSCIENTE

Você não nasceu falando um idioma, você aprendeu. Você também não nasceu outroísta, você aprendeu. E aprendeu tão bem que se tornou uma competência subconsciente. Competência subconsciente é execução automática, por hábito. Falar português é uma competência subconsciente explícita, outroísmo é uma competência subconsciente implícita. Como desliga competência subconsciente? Não desliga. Nem precisa. Competência subconsciente é uma fantástica ferramenta mental. É por causa dela que você faz coisas complexas com facilidade. Competência subconsciente só causa problema quando você desenvolve um automatismo (hábito) em algo que é prejudicial a você. Viver de forma outroísta é um desses casos. Por isso, não importa o tanto que você queira viver bem, enquanto sua crença no outroísmo for uma competência subconsciente, sua própria competência subconsciente lhe fará retornar repetidas vezes ao mal viver. Esta é a má notícia. A boa notícia é que se foi você que se ensinou a viver de forma outroísta, você pode também se ensinar a viver de forma autoísta.


13 | ETERNO NOVO HERDEIRO

Imagine que você é dono de uma fábrica. Então, cabe a você ensinar seus funcionários como eles devem funcionar para que sua fábrica produza o tipo de produto que você deseja. Você ensina. Seus funcionários aprendem. E sua fábrica se torna uma produtora automática do produto que você deseja. Agora, imagine que você tenha herdado essa fábrica e que o produto atual que sua fábrica está produzindo não é o tipo de produto que você deseja. O que você deve fazer para que a produção da sua fábrica mude do produto atual para o produto desejado? Sendo que o produto atual vem do tipo de produção herdada. Sendo que o tipo de produção herdada vem do tipo de funcionamento dos funcionários herdados. Sendo que você é o novo dono. Para mudar a produção você deve mudar o funcionamento dos funcionários herdados. Como? Ensinando seus funcionários a funcionar no novo funcionamento.

Esta metáfora é para explicar como você pode mudar de um viver outroísta para um viver autoísta. A fábrica é você, os funcionários são o subconsciente, o funcionamento atual dos seus funcionários é o outroísmo. Por isso você vive mal. Porém, você é eterno novo herdeiro de si mesmo. Viver é herdar-se de si mesmo. Então, cada novo instante é uma nova oportunidade de você se ensinar uma nova forma de viver e assim produzir um novo produto.


14 | ÍMPARFEITO

Você se compara com o outro, com um gabarito alheio e surge em você a crença na imperfeição. Por isso você vive tentando ser outro. Mas não há nada de errado com você a não ser sua crença na imperfeição. Você não é imperfeito, você é ÍMPARfeito. Seu nariz é ÍMPARfeito. Sua genética é ÍMPARfeita. Seu desejo é ÍMPARfeito. Seu medo é ÍMPARfeito. Seu amor é ÍMPARfeito. Seu jeito é ÍMPARfeito. Você é ÍMPARfeito porque a natureza do universo é a universalidade: um diferente de um (1≠1).


15 | PATINHO FEITO

O universo disse “Faça-se!” e o patinho foi ÍMPARfeito.

— Que patinho defeituoso!
— Defeituoso é pouco!
— Olha como anda errado!
— Ele vai nos estragar também!

E todo dia o patinho era maltratado. Então, cansado de ser maltratado, o patinho resolveu ir embora do mundo. Depois de muito caminhar, chegou em um lago. Ao aproximar-se do lago, viu uma imagem na água. Sem entender que era seu reflexo, começou a conversar com a imagem na água.

— Por que sofro tanto?
— Boa pergunta, por que está sofrendo?
— Porque sou imperfeito.
— Quem disse?
— Todos dizem! O mundo diz!
— E você acredita?
— Claro que acredito.
— Por que acredita?
— Porque todos dizem.
— E como você gostaria de ser?
— Gostaria de ser perfeito.
— Perfeito como?
— Perfeito igual os outros.
— Mas cada um é diferente!
— Sim, é verdade!
— E por que quer ser igual os outros?
— Para que me aceitem.
— Ninguém te aceita?
— Não como sou, imperfeito.
— Quer ser perfeito para ser aceito?
— Sim, quero ser aceito.
— Eu te aceito!
— Você me aceita como sou?
— Exatamente como é.
— Aceita minhas imperfeições?
— Sim, são suas imperfeições que te fazem ser você.
— Nossa! É verdade!
— Você é além de perfeito!
— Como assim?
— Você é ímpar feito.
— É verdade! Meu sofrimento até passou!
— E não precisa voltar mais.
— Grato por me aceitar.
— O prazer é todo meu.
— Posso te abraçar?
— Claro, aproxime-se.

O patinho foi se aproximando até mergulhar em si mesmo. Quando voltou à superfície, estava ÍMPARfeito.


16 | AUTOCONSCIENTIZAÇÃO

Outroísmo é sua competência subconsciente atual. Então, para você viver autoísta, é necessário que você se reensine a viver. Como você pode fazer isto? Mostrando o óbvio para si mesmo. Que óbvio? Que um é diferente de um (1≠1). Que você é diferente do outro e que o outro é diferente de você. Toda vez que você deixa isso evidente para si mesmo, você está se desensinando a viver outroísta e se ensinando a viver autoísta.


17 | PROBLEMÁTICA E SOLUCIONÁTICA

Resumindo e finalizando:

O que é outroísmo?
— É um jeito de viver.
Que jeito é esse?
— Quando você vive sendo outro.
Por que você faz isso?
— Porque você foi educado pelo outro.
Você pode mudar isso?
— Sim, você pode.
Como mudar isso?
— Praticando autociência e ficando consciente do seu outroísmo.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Altruísmo é egoísmo. Não existe abnegação. Você opta pela abnegação quando é bom para você. Dito isso, você pode ser altruísta tanto por outroísmo como por autoísmo. É preciso analisar. Cada caso é um caso. Por exemplo, se você gosta de ajudar os outros, se isso é prazeroso para você, se ajudar os outros te faz bem, então, você ajuda porque isso é você sendo você, sendo autoísmo. Se você não gosta de ajudar os outros, se acha um saco, um fardo, mas ajuda para fingir santidade, fingir bondade, fingir que é uma boa pessoa e receber o apreço dos outros, dai você não está ajudando, está manipulando os outros a gostarem de você por algo que você não é. Daí é outroísmo.

É justamente o oposto. É impossível cada um seguir o que acha pior. Todo ser sempre segue o que acha melhor. Você só segue uma regra quando é a melhor opção para você, se não for, você não segue, você vai para a opção que acha melhor.

Autoísmo é viver EM ACORDO com a própria unicidade. Então, seu comportamento, seja qual for, é efeito da sua opção dentre: viver autoísta ou viver outroísta.

Você não precisa preencher o vazio, basta retirar o que está bloqueando sua integridade. É sempre bom lembrar que um copo vazio está cheio de ar. É tentando preencher o vazio que você bloqueia a si mesmo. “Eu tenho que isso! Eu tenho que aquilo!”. O que você chama de vazio é você cheio de medo de ser autêntico. Vazio é o fruto da sua busca pelo pote de ouro no final do arco íris. Pote de ouro = perfeição. Não existe perfeição. Tudo no universo é único, singular, impar_feito. Perfeição é um equívoco. Perfeição é a suposição que você deve viver de acordo com algum padrão coletivo. Isso é impossível. Se fosse possível você já teria conseguido.

A solução não é preencher o vazio com algo artificial, mas retirar o que está bloqueando o natural. Um tratamento médico não produz saúde, apenas retira o que está bloqueando a saúde. Retirado o bloqueio, a saúde volta naturalmente. Saúde é natural. Impar_feição é natural. Sua crença na perfeição que é o bloqueio. Quando você desperta e percebe a insanidade que é tentar ser perfeito, você imediatamente para de tentar e se permite ser você (impar_feito). Despertar para impar_feição é você se curando do equívoco da perfeição. Quanto mais você se cura, mais evidente fica que o vazio não era vazio, era você cheio de negação de si.

Você não sabe, você sente. Felicidade e sofrimento serve por isso. Por exemplo, você calça 37, mas acredita que deve usar sapato 35. Você compra um sapato 35. Dói o pé. O dedão fica roxo. Para que tanta dor? Para você ficar consciente que 35 não é o numero ideal para você. E qual é o numero ideal para você? Você precisa tentar novamente, optar novamente pelo que acredita ser o ideal. Você acredita que é 36. Compra um sapato 36. Dói menos. O dedão passa de roxo para azul marinho. Mas ainda dói. Por que ainda dói? Para você ficar consciente que 36 ainda não é o numero ideal para você. E qual é o numero ideal? Você precisa tentar novamente, optar novamente pelo que acredita ser ideal. Você opta por 37. Compra um sapato 37. Ah! Que maravilha. Que felicidade! O dedão fica rosinha, normal, relaxado dentro do sapato. Seu pé atingiu a iluminação. É o pé_raíso! Claro que é 37! Óbvio que é 37! Evidente que é 37! Eureka! Eu_sou_37

Claro que é mais fácil dizer que é difícil. Claro que é mais fácil fazer mimimi. Claro que é mais fácil ficar na mesmice, na zona de conforto, censurar e depois dizer vitorioso: “Eu não disse que era loucura!”. Mas é esse tipo de vitória que você quer experimentar? A vitória do mais do mesmo? A vitória da inércia? Ou será que você está louco de vontade de pirar nas possibilidades, de se atirar de cabeça nos desafios, de colocar o delírio em prática, de realizar o absurdo e depois dizer: “Eu não disse que era loucura!”. Quem quer inventa um meio, quem não quer inventa um freio. Se você quer mesmo. Se quer de doer no osso. Se quer de ficar com febre. Então, de que importa o tamanho do desafio? Não há dificuldade capaz de vencer sua inteligência e vontade. Difícil é viver mal.

Conviver sim, o reino animal é exemplo disso. Para conviver de forma organizada, daí é preciso convenções para organizar a convivência. Um idioma, por exemplo, é uma convenção social que organiza a convivência. Contudo, convenções servem para organizar a convivência e não para autorrealização.

O que você está chamando de liberdade, na verdade, é livre-arbítrio. Não precisa ensinar ninguém a ter livre-arbítrio, todos sempre tem arbítrio e nem conseguem deixar de ter.

Quem é você para confiar em si mesmo? Quem é você para confiar em seu sentimento, sensibilidade, autoridade e juízo!? Que absurdo! Pirou? Para você viver bem, você precisa do aval do Dalai Lama, do Buda, de Jesus, do Papa, do Xamã Pena Branca, do Einstein, do Stephen Hawking, da NASA, do Freud, do Jung, do Allan Kardec, do teorema de Pitágoras, do Guru da Baba Azul e, principalmente, do Elvisleno, o camelô, filho do Elvis Presley com o John Lennon, que vende relógio suíço na rua 25 de Março, em São Paulo. Quer algo em que confiar? Confie no horóscopo, na propaganda política, no facebook, na previsão das cartomantes, nos comerciais de margarina, na novela das oito que começa às nove, nos filmes do Chuck Norris e nas revistas de fofocas. Confie em qualquer coisa. Confie na fada do dente. Confie nas fitinhas do Senhor do Bonfim. Confie em São Longuinho. Só não cometa a insanidade de confiar em si mesmo. Jamais! Quem avisa amigo é! Confie em mim.

Existe algum tipo de arte que não é artística? Existe algum tipo de religião que não é religiosa? A resposta a sua pergunta é não, pois educação é outroísmo. Toda educação é o outro lhe programando para viver dentro de um sistema de crenças que não é o seu. Isso é óbvio, pois não há necessidade de ninguém lhe educar para viver dentro do seu próprio sistema de crenças, uma vez que já é seu e o outro nem tem acesso. Agora, imagina que eu dissesse que sim, que a educação autoísta (universalista) é fazer isso, aquilo, grilo e crocodilo. Vamos até ilustrar com uma palavra bonita e idolatra pela cultura humana. Vamos supor que eu dissesse que educação autoísta (universalidade) é amar o próximo. Daí, pegamos essa máxima e educamos todas a pessoas a viverem assim, amando o próximo. Que universalidade teria? Nenhuma. Seria a mesma uniformidade de sempre.

Exato! Seu comportamento é desdobramento da sua opção entre viver autoísta ou viver outroísta. Seja qual opção de comportamento você optar no cardápio outroísta, é viver outroísta. Seja qual opção de comportamento você opta no cardápio autoísta, é viver autoísta.

E qual é o gabarito que vai servir de base para todos seguirem? O seu?

Ego é uma palavra feita de três letras: e+g+o. Só isso! Palavras tem significados diferentes em contextos diferentes. Ego significa vaidade no contexto moral, significa mediador no contexto psicanalítico e significa falso-eu no contexto espiritualista. Tem outros significados em outros contextos.

Eu não uso a palavra ego na literatura da 1ficina, não recomendo usar, nem incentivo o uso. Além da multiplicidade de significados, trata-se de uma palavra rançosa, carregada de mal entendidos e usada sem conhecimento de causa. Ou seja, quem usa a palavra ego geralmente está apenas papagaiando o que decorou e reproduzindo sem saber do que está falando. Então, para o bem do meu leitor, evito o uso da palavra ego.

Dito isso, mesmo sendo uma palavra que evito usar, ainda é interessante refletir sobre o significado de “falso-eu” atribuído a palavra ego. O que seria um falso-eu? Ou melhor, o que seria um falso-você? Bem, para haver falso é preciso haver verdadeiro. Óbvio! Mas se há um você verdadeiro, onde está? E por que o falso toma o lugar do verdadeiro?

Imagine que você adore música dançante, com tambores e batidas fortes, mas você nasceu e vive em um mundo que despreza esse tipo de música e só valoriza música erudita, tipo Mozart, Beethoven, Bach, etc. Você coloca uma música dançante e seus amigos começam a te zuar. Seus pais tratam esse seu gosto musical como um defeito. Ninguém te convida para as festas, nem conversa com você, pois você é estranho, você gosta de música dançante. O que você faz para ter a aceitação do mundo?

Vamos supor que seu nome é Pessoa. Para ser amado pelo mundo, você cria um falso você, a Pessoa fake, que é você fingindo que não gosta de música dançante e adora música erudita. Esse exemplo é simplificado, mas ilustra bem o que é o falso você e porque você o coloca no lugar do verdadeiro. A verdadeira Pessoa não é amada pelo mundo, e como você prefere ser amado do que ser você, você tranca a verdadeira Pessoa no porão da autonegação e coloca a Pessoa fake no lugar dela.

A Pessoa fake não é o que você verdadeiramente é, naturalmente é, espontaneamente é. A Pessoa fake é um fingimento, é uma estratégia de manipulação que você executa dia e noite para ser amado pelo mundo. E fingir o gosto musical não é o único fingimento que a Pessoa fake precisa executar para ser amada. A Pessoa fake precisa fingir que concorda com o que todo mundo concorda, que acha importante o que todo mundo acha importante, que acha certo o que todo mundo acha certo, etc.

Tudo que você faz repetidamente se torna um hábito, você começa a fazer automaticamente, igual dirigir carro. Então, quanto mais você repete o fingimento de que você é a Pessoa fake, mas automático fica você ser a Pessoa fake. Depois de muito tempo de autonegação, a verdadeira Pessoa fica soterrada pelo hábito do fingimento e você se torna a Pessoa fake. Você até esquece que é uma Pessoa verdadeira, a máscara vira sua pele.

A Pessoa fake é seu ego (falso-eu). Na 1ficina eu chamo esse comportamento de “outroísmo submisso”. Outroísmo porque você deixa de ser você mesmo e se torna outro. Submisso porque viver sendo outro, é você se submetendo aos critérios e ideais do outro.

O termo “outroísmo submisso” é melhor que a palavra “ego” pelos motivos que expliquei no começo. E mais! O termo “outroísmo submisso” deixa explícito seu comportamento e coloca a responsabilidade por você viver mal no executor do seu comportamento: você. A palavra “ego” faz o oposto, esconde seu comportamento e coloca a responsabilidade por você viver mal em um bode expiatório chamado o ego. Esconder não resolve fingimento, perpetua. Então, usar a palavra “ego” é apenas mais uma estratégia que você usa para perpetuar sua autonegação.

Não existe egoísmo mal. Você é que usa mal seu egoísmo. Você é o usuário do seu egoismo. Você que decide como usá-lo. Pense na energia elétrica. Não é boa nem má, é o que é, energia. Você pode usar a energia elétrica para fazer o chuveiro funcionar e tomar um banho quente, por exemplo. Mas também pode usá-la para eletrocutar alguém ou a si mesmo. A energia elétrica não se recusa a fazer nenhuma das duas coisas. A energia elétrica sequer sabe para o que está sendo usada. Consciência é atributo do usuário da energia elétrica. A energia elétrica é a coisa que está sendo usada, não é o usuário. O mesmo acontece com o desejo (egoísmo). Desejo é eletricidade, impulso, vontade. Seu desejo é a força que possibilita você se manifestar. Como você se manifesta, de que forma, de que jeito, é responsabilidade sua, usuário do desejo. Seu desejo não tem consciência, não sabe o que é bem e mal, certo e errado, melhor e pior. Quem sabe disso é você. Por isso não existe egoísmo mal e sim egoísmo mal usado.

Ótima pergunta. Aliás, essa é A pergunta: “O que me impede de ser eu?”. Mas antes de responder preciso que você se sente e relaxe. Você está sentado? Se não estiver, por favor, se sente para não cair duro com a resposta. E você está relaxado? Se não, relaxe, por favor. Caso contrário você terá um ataque de fúria ou de pânico.

Vamos fazer um breve exercício de respiração para provocar o relaxamento. Puxe o ar pelo nariz. Segura. Conta até sete. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Solta o ar calmamente. Repete o exercício. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Isso! Repete mais uma vez. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Solta o ar calmamente. Ótimo! Agora que você está sentado e relaxado, vou responder: o que impede você de viver sendo você é seu arbítrio.

Ops! Respira, respira, respira… Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete… Segura! Isso! E pára de bater a cabeça na mesa e na parede. Isso! Solta o ar calmamente. Ótimo! Vou continuar…

A laranjeira consegue dar laranja e você não consegue dar você, porque a laranjeira não tem arbítrio. Ou seja, não existe, no caso da laranjeira, a possibilidade de autonegação. A laranjeira está condenada a dar laranja. Não pode jamais dar jaca, nem jabuticaba, nem goiaba, nem tomate. Laranjeira dá laranja e pronto! Não tem liberdade para ser diferente disso. Você é um ser humano, você têm liberdade de optar, ou seja, tem arbítrio. Então, você pode se proibir de dar você e viver sendo outro.

Por favor, não se levante e pare de bater a cabeça na parede. Respira. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. Isso!

Sei que é desagradável ouvir essas palavras, mas é o remédio amargo que cura. Leia tudo que irá lhe ajudar. Recapitulando… Você tem arbítrio, então, você pode se proibir de viver sendo você e viver sendo outro. Isso é o que a 1ficina chama de outroísmo. Você pode optar por viver igual seus pais querem, igual seus amigos querem, igual a igreja quer, igual seu guru quer, igual o comercial da coca cola quer, etc. Você pode optar por viver sendo outro e não você mesmo. O resultado dessa opção é viver mal, mas você pode fazer isso, a laranjeira não pode.

A laranjeira não consegue sair do paraíso. A laranjeira não tem arbítrio. A laranjeira não pode comer a maçã. Você pode cair em tentação e comer a maçã (viver sendo outro). O resultado dessa opção é ser expulso do paraíso. É impossível viver bem sendo outro, é doloroso, é um inferno. Mas você pode optar por viver sendo outro. Prova disso é que você vive sendo outro. E mesmo eu te explicando aqui a besteira que está fazendo, você continuará fazendo. E pior! Nada nem ninguém é capaz de te impedir de continuar.

Lembra que expliquei ontem que arbítrio é incorruptível, e que isso tem um lado bom, mas que também tem um lado ruim. Eis o lado ruim. Nada nem ninguém é capaz de te impedir de viver outroísta. Nem Jesus na causa! Nem os vingadores! Mesmo que todos os seres do universo se juntem para te impedir de optar por um viver outroísta, ainda assim, você é livre para continuar se proibindo de ser você mesmo.

O universo é absolutamente impotente perante seu arbítrio. Olha que loooooco! Leia pausadamente. O universo…. é… absolutamente… a.b.s.o.l.u.t.a.m.e.n.t.e… im.po.tente… perante seu arbítrio. Entende o tamanho do seu poder??? Quer mais empoderamento que isso??? Não existe! Você é um ser humano. Você é o ser mais empoderado do universo. Por um lado, isso é ótimo, pois nada, absolutamente nada, pode te impedir de viver bem, mas por outro lado, nada pode te impedir de viver mal.

Eis a grande questão do arbítrio: benção ou maldição?

Você decide.

Você quer ser aceito pelo outro, quer ser amado, então, você finge ser outro para ser aceito. Seus pais não te aceitam assim, então, você finge ser assado. Seus amigos não te aceitam redondo, então, você finge ser quadrado. O casamento não aceita a libido, então, você finge ser capado. A religião não te aceita egoísta, então, você finge ser abnegado. Cada fingimento que você executa é um tijolo a mais que você coloca nas costas. Você vive soterrado, mas não deixa ninguém relar em um tijolo sequer. São seus troféus. É o fruto da sua negação de si. Anos e anos aprimorando a competência subconsciente em ser outro. Você nem sabe mais ser você. Ser outro é tudo que lhe resta. Por isso você defende seu outroísmo apesar do sofrimento.

Porque ninguém tem interesse que você seja você. Seu pai quer que você seja outro. Sua mãe quer que você seja outro. Sua esposa quer que você seja outro. Seu marido quer que você seja outro. Seus filhos querem que você seja outro. Seus amigos querem que você seja outro. Seus professores querem que você seja outro. A sociedade quer que você seja outro. O padre quer que você seja outro. E mais! Segundo a bíblia, até Deus quer que você seja outro. Ora, se o universo inteiro e até o criador do universo quer que você seja outro: quem é você para ser você? De onde vem essa arrogância suprema de cagar para as expectativas e o recalque alheio? Que egoísmo escancarado, fedido e mesquinho é esse de ser autêntico? É acreditando nessas certezas e duvidando de si que você opta pela uniformidade e vive sendo outro.

Viver não é sempre um mar de rosas. Viver é um pacote de viagem completo que contém tudo, tanto as partes boas como as partes ruins. Viver é mar que sobe e desce alternando dores e delícias. A mesma onda que te afunda na dor, assim que muda de fase, te eleva ao pico mais alto da felicidade, depois te afunda novamente e te eleva novamente. E assim por diante, num sobe e desce sem fim. Então, só um jeito de evitar a dor: não vivendo. É isso que você faz. Você se proíbe de viver. É uma delícia passear ao ar livre sentindo a brisa, mas você pode pegar um resfriado. É uma delícia sentir o aroma das rosas, mas você pode se furar com os espinhos. É uma delícia brincar com o mágico, a trapezista, a bailarina, o domador de leões e todos os integrantes do circo humano, mas eles podem te fazer de palhaço. Viver é perigoso. Melhor não viver para não arriscar sentir dor. E como faz para não viver? Você pensa em duas opções. Opção A: sair da brincadeira (suicídio). Opção B: fazer igual os três porquinhos, construir uma casa bem forte, impermeável e morar dentro dela para não ser comido pela dor do infortúnio, da rejeição, da frustração, da decepção, etc. Você se encolhe e vive entocado feito tartaruga. Ao fazer isso, além de não ganhar da dor, você ainda perde a alegria de viver. Por isso volta a pensar na opção A. Mas tem também a opção C, que você nunca considera: se permitir sentir dor. O benefício da opção C é finalmente conseguir realizar o motivo de ter nascido: viver.

O outroísmo mais difícil de curar é o próprio. Até porque não tem outro para você curar.

Autoísmo é uma prática. Prático desde que nasci.

Um índio é um ser humano do mesmo tipo que você. Não tem dois tipos de seres humanos, só tem um. Você é um ser humano fulano. Você-ser existe igual a todos os seres do universo. Você-humano possui uma natureza humana igual a todos os seres humanos. Você-fulano, daí sim, pode ser dividido em diferentes tipos. Por exemplo, você é um fulano brasileiro, casado, advogado, com ensino superior completo, etc. Outro é um fulano índio, guerreiro, cacique, com três penas amarelas no cocar, etc. Ou seja, a diferença tipológica entre você (ser humano fulano A) e um índio (ser humano fulano B), é cultural. Você é um ser humano cheio de cultura do tipo A e o índio é um ser humano cheio de cultura do tipo B.

Eles nem sabem que são índios.

Ainda bem, né? Você também não sabia que se chamava Fulano até seus pais lhe darem um nome. Ou foi você que escolheu seu nome? Você nasceu e disse: “Olá, meu nome é fulano, eu sou brasileiro, meu RG é 123456789, meu CPF é 987654321, sou advogado e torcedor do palmeiras, que a propósito, não tem mundial”. Creio que não, né? Mas aproveito sua observação. Ela me fez lembrar de uma história bem ilustrativa da época da colonização do Brasil. Os portugueses chegaram no Brasil e ficaram espantados que os índios não usavam terno e gravata, que eles andavam pelados. Então, escreveram uma carta para o Rei de portugal: “Prezado Rei, envie urgentemente padres para evangelizar os índios brasileiros, pois eles andam pelados e não sabem o que é pecado.” Mais uma vez: ainda bem, né?

Podemos ver os índios como seres animais e vegetais?

Você é livre para colocar o rótulo que quiser no outro, assim como seus pais fizeram com você ao te darem um nome. Dito isso, sua pergunta é interessante, pois leva a outra: o que um ser humano tem que o faz humano e o difere dos animais e vegetais? A resposta é consciente, raciocínio e arbítrio. Um índio tem consciente, raciocínio e arbítrio, então, é um ser humano igual você. Como expliquei acima, a diferença é que você foi educado em um tipo de cultura e o índio em outra.

Ou seja, índios são cem por cento autoístas?

Autoísmo é sua opção individual por viver em acordo com sua unicidade, não é uma aprendizagem cultural. A cultura é justamente uma proposta de uniformidade. Todo mundo assim, todo mundo assado. E não importa se é uma cultura civilizada ou indígena, é uma proposta de uniformidade do mesmo jeito. Então, do mesmo jeito que você, que vive em uma cultura civilizada, só vive de forma autoísta por opção e não por aprendizagem cultural, o mesmo com um índio em uma cultura indígena.

Lembra do filme Uma Mente Brilhante? Lembra que mesmo quando o John Nash entendeu que as pessoas que ele via eram imaginárias, ele continuou vendo essas pessoas? O mesmo acontece com o viver autoísta, você continua experimentando seu outroísmo, essa opção continua presente, mas você está lucido que é optar por viver mal, então, você apenas não opta mais, muda de opção.

Minha motivação para fazer o trabalho da 1ficina vem do prazer de executar esse trabalho e experimentar o resultado da execução. Por isso ajudo vocês. Puro egoísmo. Adoro trabalhar com autociência. Pense no seguinte, para que eu possa ter o prazer de executar esse trabalho, eu preciso que tenham pessoas interessadas em recebê-lo. Então, são vocês que me ajudam e não eu que ajudo vocês. No final das contas, é uma troca, eu ajudo vocês a se esclarecerem sobre o que é ser humano e vocês me ajudam a ter o prazer de fazer isso.

Não! Você continua tentando me encaixar dentro de uma caixinha ideológica. Eu sou eu. Anarquismos parece liberdade, mas também é uma caixinha ideológica. Eu não sou uma ideologia. Viver não é uma ideologia. Conviver não é uma ideologia. Não me interessa ideologias. Me interessa ser, viver e conviver.

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