Egofonia | Marido frustrado

29/07/2020 by in category Egofonias with 0 and 0

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FEEDBACKS E CONVERSAS

Se a frustração da Pessoa fosse com ele mesmo, seria diferente o resultado da análise?

Daí essa frustração seria decepção. Você espera algo de si mesmo e não faz, você fica aquém das suas expectativas, daí você fica decepcionado com você.


Qual dica você daria a Pessoa sobre como cuidar da criança dele?

Daria a dica que dei no final da egofonia: desenvolver o adulto (unicidade racional e afetiva)

Quem cuida da criança é o adulto. Para viver bem, Pessoa deve se tornar um adulto competente em ser adulto. Quem ganha com isso é a criança, pois assim Pessoa vai poder brincar de ser criança considerando o funcionamento do mundo adulto e sem atrito com o mundo adulto. O que não funciona é brincar de ser criança desconsiderando o funcionamento do mundo adulto. A criança pode brincar de mijar, mas no mundo adulto (sociedade), o lugar de brincar de mijar é no banheiro.

Pessoas é uma criança sem adulto. Para viver bem, a Pessoa tem que se tornar capaz de ser pai e mãe de si mesmo. Ele mesmo deve desenvolver a competência de se dizer o que é certo e errado, o que deve e não deve, como, quando, onde, etc. Ele mesmo deve se tornar capaz de adequar seu desejo (criança) ao funcionamento do mundo adulto.

Ontem, na egofonia, Pessoa disse que pulou uma fase da vida dele, que teve que ficar adulto muito cedo. Ao contrário do que possa parece, isso não fez dele um adulto mais competente, pelo contrário, deixou ele incompetente em ser adulto, a criança dominou a casa e o adulto dele não se desenvolveu.

Só que ele não é mais criança na idade e está imerso no mundo adulto, ele é pai, tem família, questões financeiras, etc. A criança dele é cheia de alegria, mas alegria não paga conta, nem cuida de questões operacionais adultas. Para isso é preciso ter um adulto dentro de si. Ele tem, mas não está desenvolvido ainda. Então, para viver melhor, Pessoa precisa desenvolver o adulto dele.

Por favor, lembre-se que “criança” é um simbolismo para unicidade sensorial e desejo sensorial.


Porque o desejo insatisfeito causa dor a todo ser humano? Porque a falta de algo que eu quero causa sofrimento?

Porque sofrimento é desejo insatisfeito. Desejo satisfeito é felicidade


Como desenvolver o adulto?

Se você quiser desenvolver seu racional, seu adulto, não se preocupe nem se ocupe de respostas, se preocupe e se ocupe de elaborar perguntas. Resposta você pode decorar, mas para fazer uma pergunta vc precisa pensar. Não tem como você parir uma pergunta sem pensar. Por isso nossa coletividade tem dificuldade de perguntar. As pessoas são ensinadas a decorar respostas, nunca são ensinadas a pensar, elaborar perguntas, e daí encontrar as respostas. Para desenvolver o adulto é preciso desenvolver o pensar. É preciso aprender a pensar com competência. O primeiro passo para aprender a pensar com competência é aprender a perguntar com competência. Você pode e deve se perguntar sobre tudo e pensar sobre tudo. Tem um punhado de coisas na sua vida que merece seu questionamento. Pratique se perguntar sobre elas. O que é isso? Por que é assim? Como que funciona? Pra que serve isso? O que eu faço com isso? Etc. Se pergunte tudo e depois vai investigar o que consegue descobrir. Pensar e investigar é brincar de descobrir. Ser adulto é isso, é brincar de entender. Ser adulto é uma diversão sem fim. Não tem nada de chato em ser adulto. Chato é o adulto dos outros que ficam cagando regra para gente Nosso adulto é o maior barato: é a disneylândia do conhecimento


Não tenho autoconfianca por que meu adulto não é competente?

Sim, eis a quinta chave da sabedoria suprema: falta de autoconfiança é falta de Pai, falta de competência racional. Falta de autoestima é falta de Mãe, falta de competência afetiva.


E como desenvolver o afetivo (mãe)?

A resposta também é PENSAR. Tanto o racional como o afetivo se desenvolve pensando. Mas são dois jeitos de pensar diferentes. Racional é o que define. Então, você desenvolve o racional pensando O QUE. O que é isso? Como isso funciona? Afetivo é valor. Então, você desenvolve o afetivo pensando PRA QUE. Qual a importância disso? Para que me serve isso? O que eu faço com isso?


AUTONOMIA: Problema ou solução?

Minha mãe costuma comentar que na infância eu era um amor de criança e que na juventude eu comecei a ficar um saco. Na infância, voltando da escola, eu tinha o costume de pegar flores no caminho, fazer um buquê e dar para ela quando eu chegava em casa. Ela adorava. Na adolescência, não nos entendíamos mais. Era como se eu fosse outra pessoa. Ela se perguntava onde estava aquela criança que a amava. Continuava ali, só que aquele criança não era mais só criança, estava desenvolvendo dentro de si seu próprio pai e sua própria mãe.

Na infância, não tinha atrito entre minha mãe e eu porque eu usava o gabarito racional e afetivo dela. Conforme fui crescendo, comecei a ter meu próprio critério de certo e errado, caro e nulo. Coisas que minha mãe considerava importante, pra mim não tinham importância nenhuma. O que ela achava certo eu achava errado. E ela não gostou nada disso. Não gostou da autonomia racional e efetiva que estava desenvolvendo. Eu queria voar meu próprio voo. Ela tentou me manter dentro da gaiola dela (crenças dela). Isso me violentou. Passei a ver minha mãe como meu algoz. Ninguém dá flores ao seu algoz.

Ninguém jamais lhe dirá: pense! Nem seus pais. Tudo que você irá ouvir é: faz isso e faz aquilo. Ou então: segue essa receita de bolo de caixinha! Pensar é subversivo. Pensar faz o jogo do controle desmoronar. Pensar destrói o status quo. Por isso ninguém tem interesse que você se torne competente em pensar. E, se nem você tiver esse interesse, pronto, vai ser um pau mandado que nem sequer saberá que é pau mandado.


Esse procedimento de observar comportamentos infantis na vida adulta também seria uma maneira do adulto ir tomando controle da coisa?

Sim, pois em toda observação sempre acontece um pouco de analise a analise é você exercitando o racional


Existe algo mais a ser feito alem de observar, neste método que citei?

Além da autoobservação deve ser feita a autoanalise. São as duas práticas para produção de autoconhecimento, e consequentemente, bem viver.


É uma cultura espiritualista dizer: “Não pense, não racionalize, ouça seu coração”. As pessoas precisam entender que é impossível não pensar. Que é impossível deixar a mente de lado. Você não acha que isso precisa ficar claro?

Viver é uma atividade mental, não é física. Se você não pensar, só consegue viver mal. Um bebê não pensa. Deixa um bebê sem alguém para pensar para ele, o que acontece? Morre em menos de um dia.

Tinha um 1ficineiro espiritualista que estava com esse discurso de iluminando no-mind. Eu dizia pra ele: “Não quer pensar? Então vai brincar de ser repolho!” Kkkk… Ser humano não é para vegetais. O ideal desse povo iluminado no-mind é ser alface e viver de fotossíntese. Só que fotossíntese só funciona para vegetais, não funciona para ser humano. Esse discurso de não pensar é fuga. Quando você não tem competência para pensar, você foge da sua incompetência com esse discurso.

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari