Egofonia | Mágoa da mãe

23/07/2020 by in category Egofonias with 0 and 0

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PERGUNTAS E RESPOSTAS

A melhor estratégia seria a Pessoa conversar com a mãe?

Melhor estratégia para que? Melhor estratégia para evitar confusão? Melhor estratégia para fazer chover no inverno? Melhor estratégia para subir no cristo redentor sem suar? Melhor estratégia para fazer bolo brigadeiro? Melhor estratégia para que? Estratégia é sempre em relação a um objetivo. Se você não definir especificamente qual é seu objetivo, onde você quer chegar, tanto faz qual estrada você irá pegar, pois você não está indo pra lugar nenhum. Se o objetivo da Pessoa for viver bem, daí, não é questão de melhor estratégia, pois só tem uma estratégia capaz de fazer um ser humano viver bem: autoísmo. A Pessoa tem usado a estratégia do outroísmo submisso afetivo (fingimento). Ela tem fingido amar o que odeia, tem fingido valorizar o que despreza. Essa estratégia tem mantido a Pessoa encarcerada no porão da mágoa. Se a Pessoa continuar por essa estrada (estratégia) vai continuar chegando no mesmo lugar: porão da mágoa. Para mudar o resultado a Pessoa precisa mudar a estratégia. A estratégia oposta ao outroísmo submisso afetivo é o autoísmo afetivo (sinceridade de afeto). Para viver bem, a Pessoa deve ser sincera com seu afeto, deve assumir seu desprezo por sua mãe, deve assumir seu amor impossível pelo comportamento de sua mãe. De que forma essa decisão irá se desdobrar em comportamentos, daí tem milhões de possibilidades.


Como a raiva se transforma em mágoa?

Não se transforma, produz a mágoa. A raiva vem para você ficar consciente que sua unicidade está sendo violada pelo outro. A raiva vem para lhe aconselhar: “Fala pro outro que ele está violando sua unicidade, porque o outro não lê pensamento e se vc não explicar para ele com power point o resultado do comportamento dele em você ele vai continuar te violentando”. Quando você abafa a raiva, finge que está tudo bem, a raiva continua ali dando o recado dela, e quando o outro te violenta de novo, soma a raiva com a memória da raiva, sendo esse outro uma pessoa do seu afeto, a raiva acumulada vai produzindo mágoa, vai maculando seu afeto.


Qual é o dilema da pessoa?

O dilema da Pessoa é o dilema do Homem de Aço, é o dilema da Mulher Macho. Teve uma parte da egofonia que a Pessoa disse “Seja forte! Não abre a guarda”. O que é isso? Não seja vulnerável. Tem essa palavra que está na moda e é ótima mesmo: “vulnerabilidade”. O Homem de Aço é vulnerável a vulnerabilidade. O Homem de Aço não pode chorar as mágoas senão fica vulnerável. Não pode assumir os desafetos senão fica vulnerável. Não pode ser sincero com seu amor e ódio senão fica vulnerável. Só que a verdade é o que diz a música abaixo:

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Por que tão difícil assumir essa raiva da mãe?

Vou te dar alguns dados para reflexão. O maior evento de adoração brasileiro se chama romaria, que é um evento de adoração de quem? Quem está sendo adorada no simbolismo da Maria? O único amor verdadeiro no universo é o amor de mãe, puro, cristalino, incondicional, imaculado. Como você vai odiar quem te ama de forma tão imaculada? Supondo que deus também tem mãe, a mãe está acima da deus. Se é pecado odiar deus, que dirá a mãe dele! Por fim, quem te deu o bem mais valioso que você tem sem a qual você sequer existiria? Ou seja, quem te deu a vida? E que dinheiro paga essa dívida que você tem com essa pessoa que te deu a vida? Nenhum! Você não nasceu, você foi colocado dentro de uma dívida eterna e está condenado a pagar um boleto de amor incondicional para com sua mãe até morrer, pois segundo a mentalidade materialista, sem ela, você sequer existiria.


Por que a relação com a mãe e tão romantizada e idealizada?

Expliquei na resposta anterior. A mãe não é um ser humano. Você já viu mãe que faz coco, por exemplo? Mãe que faz sexo? Já viu mãe que faz qualquer coisa mundana? Isso não existe. Mãe não é um ser humano, mãe é a virgem imaculada. É difícil entender que a mãe é um ser humano igual você. Tem um 1ficineiro antigo, que sofreu violência dos pais e que tinha mágoa da mãe. Só que ele não gostava de fingimento. Ele não fingia amar a mãe dele. Ele assumia o desafeto com a mãe, inclusive na família. O resultado era que sempre o consideram errado, o filho ingrato que não amava a mãe. Mas porque estou contando isso? Porque ele falava uma coisa muito engraçada e verdadeira, ele dizia: “Aos olhos dos outros, filho falando mal da mãe, está sempre errado, mesmo estando certo”. O legal era que ele tinha ficado consciente disso e vivia bem com isso. Preferia ser o errado, o filho ingrato (aos olhos dos outros) do que viver na hipocrisia. E assumia o preço dessa opção.


Porque essa relação de mãe e filho sempre aparece na egofonia?

Eis o motivo da explosão da constelação familiar. A família é seu primeiro sistema de convivência humano. Quando você é criança, o universo é sua casa e os planetas do seu sistema solar são seus familiares. Depois você vai expandindo seu sistema solar para o seu bairro, sua cidade, seu país, etc. Mas é no sistema familiar que tudo começa. E como tudo acaba onde começou, eis o motivo de toda má convivência retornar ao ponto de origem: o sistema familiar.


Qual é o equívoco que precisa ficar claro para convivermos bem com a mãe?

O que precisa ficar óbvio (ululante) é o seguinte: NÃO EXISTE MÃE. O que você chama de mãe é apenas um ser humano igual você, ignorante igual você, que faz merda igual você, e nem tem consciência da merda que está fazendo igual vc. E junto com isso, precisa ficar óbvio também que: A boa convivência só é possível entre seres humanos e nunca entre rótulos humanos.


E quando a mãe já morreu? Como limpar a mágoa?

Praticando autociência e ficando consciente que a pessoa falecida que você chamou de mãe era um ser humano igual você, ignorante igual você, que fez merda igual você, e nem tinha consciência da merda que estava fazendo igual você. E também ficando consciente da função espelho que o comportamento da sua mãe teve para você.

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari