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*Os livros estão na ordem de leitura recomendada.

DUAS PERGUNTAS

22/09/2015 by in category Livros with 0 and 0

00 | PREFÁCIO

Já tive que explicar tantas vezes sobre as duas perguntas que me convenci que ninguém ainda se deu conta delas e muito menos das implicações de não se dar conta. Se suas relações, seja com marido, esposa, mãe, pai, filho, irmão, patrão, amigo, colega, etc, estão um inferno, é porque você ainda não se fez as duas perguntas. Não são perguntas geniais, pelo contrário, são óbvias, porém, uma vez que você as fizer a si mesmo e ao outro, estará se convidando e convidando o outro a tomar consciência de dois fatos fundamentais da experiência humana.

E quais são as duas perguntas?
Descubra a seguir.


01 | PRIMEIRA PERGUNTA

VOCÊ LÊ PENSAMENTO?

Cristina estacionou o carro. Eles desceram e começaram a caminhar pelo parque. Há dois meses Beto estava adiando o início do namoro.

— Antes de começarmos, Cristina, — disse Beto — quero te fazer duas perguntas e conversar sobre elas. São perguntas que podem evitar grande parte dos problemas que ocorrem nos relacionamentos, não apenas entre homens e mulheres, mas em geral. São perguntas que você deve fazer para mim, sempre que me esquecer delas, e que vou fazer para você, sempre que você se esquecer. Mas principalmente, são perguntas que devemos fazer a nós mesmos, sempre que possível.
— Pode perguntar o que você quiser.
— Você lê pensamento?
— Como?!!!
— Você lê pensamento, Cristina?
— Não!
— Nem eu! Sabe o que isto significa?
— Que somos humanos? — ela disse.
— Isso! Só que tem outras implicações por trás desta impossibilidade.
— Que tipo de implicações?
— Você sabe o que estou pensando agora?
— Em sexo?
— Aqui no parque, não.
— Então, não sei.
— Mas estou pensando agora.
— Eu não leio pensamento.
— Quer saber?
— Sim.
— Então, entra na minha cabeça.
— Como?
— Como você pode entrar na minha cabeça, no meu pensamento, no meu mundo interno? Qual é a porta?
— Não sei.
— O que você pode fazer para saber o que estou pensando agora?
— Posso te perguntar.
— Experimenta para ver se funciona.
— No que você está pensando?
— Água de coco.

Eles vão até uma barraca e compram dois cocos verdes.

— Vou sempre perguntar o que você pensa, sente, deseja, teme, acredita, etc. Senão, ao invés de me relacionar com você, vou estar me relacionando comigo mesmo, com minhas suposições sobre você.
— Não entendi.
— Por exemplo, pelo que pude observar, suponho que você gosta de andar de mãos dadas comigo. Posso supor muitas outras coisas, mas não significa que minhas suposições são realmente o que você pensa, sente, deseja, teme, acredita, etc.
— Concordo. Você não tem como adivinhar o que se passa comigo a não ser que eu lhe conte. Não posso adivinhar sobre você, tanto que errei na água de coco.
— Muitas brigas de relacionamento acontecem porque os briguentos supõem coisas um ao outro e depois discordam um do outro. Mas o outro nunca concordou, era tudo suposição.
— Por que fazemos isso?
— Você vai descobrir o porquê na segunda pergunta. Antes disto, vamos refletir sobre o desejo, que é o ponto onde a suposição é mais falha.
— Vamos lá!
— Vamos supor que você não goste de algo que faço. Por exemplo, vamos supor que você não goste que te chame de “Cris”. Só que eu não sei disto. Aliás, acredito que você goste. Então, se não te perguntar sobre seu gosto e desejo, e se você deseja que eu te chame de “Cristina”, o que você pode fazer?
— Devo te fazer a primeira pergunta?
— Isso mesmo! Só que não para mim, mas perguntar para si mesma.
— Como assim?
— Converse com você mesma assim: “Eu leio pensamento? Não. Ele lê pensamento? Não. Então, por que estou querendo que ele adivinhe meu desejo?”. Isso fará você lembrar que para o outro tomar consciência do seu desejo é preciso que…
— Eu conte meu desejo ao outro!
— Isso! Ninguém é adivinho! E consciência é particular. Então, se você não faz sua parte, que é expressar seu desejo, não tem como o outro satisfazer um desejo que desconhece.
— Entendi.
— Parece besteira, mas essa simples reflexão evita milhares de problemas de relacionamento. Imagine se todos os pais do mundo se dessem ao luxo de perguntarem aos seus filhos o que eles desejam e gostam. Essa simples abertura ao diálogo já evitaria muito equívoco, briga, rancor, raiva e até suicídio.
— É verdade.
— Então, sempre que você estiver brava, chateada, decepcionada porque não estou adivinhando seu desejo, vou te fazer a pergunta: “Você lê pensamento?”. Depois vou te dizer: “Nem eu!”. Não vou fazer isso para te irritar mais, vou fazer isso para você perceber que a origem do seu sofrimento está em você, na sua suposição de que tenho uma habilidade que não tenho: ler pensamentos e adivinhar desejos.
— Se não te conto, você não adivinha.
— Por isso pretendo sempre te contar o que quero e não quero, o que espero e não espero. Se você fizer o mesmo comigo, no mínimo, vamos ter um relacionamento verdadeiro. O resto resolveremos com a prática da segunda pergunta.
— Gostei. Vamos praticar sim. Qual é a segunda pergunta?


02 | SEGUNDA PERGUNTA

VOCÊ É LIVRE?

Beto convida Cristina para ir ao playground. Eles se aproximam da gangorra. Beto senta de um lado, Cristina senta do outro, e com a diferença de peso, Cristina sobe aos céus e Beto desce ao chão.

— Cristina, por que você subiu e eu desci?
— Você é mais pesado do que eu.
— O que é nosso peso?
— São características do nosso corpo.
— Você consegue mudar meu peso?
— Não.
— Você consegue mudar seu peso?
— Também não.
— Nem eu!
— Esta é a segunda pergunta?
— É metade da segunda pergunta, é um pedaço dela. A segunda pergunta é: Você é livre?
— Sou!
— Você é livre para mudar seu peso?
— Neste caso, não.
— Você é livre para mudar meu peso?
— Neste caso, também não.
— Então, o que está te segurando aí?
— Nossas características individuais.
— Nossa relação não depende só do nosso desejo, depende de nossas características individuais. Por mais que eu queira subir e você descer, não adianta, nossas características individuais não permitem.
— Então, não somos livres?
— Em relação às nossas características individuais, não. Essa liberdade não temos.
— Então, a segunda pergunta é para tomarmos consciência que não podemos mudar nossas características individuais, nem as consequências delas nos relacionamentos?
— Exato! A experiência humana é um brinquedo e quem determina grande parte do nosso funcionamento dentro do brinquedo é a natureza do brinquedo e nossas características individuais.
— Entendi. Mas em que entender isso ajuda nos relacionamentos?
— Por exemplo, você é mulher e eu sou homem, não é?
— Sim, temos características físicas e psicológicas distintas, é isso?
— Exato! E se esqueço que você não é livre para mudar suas características individuais e desejo que mude, o que acontece?
— Você vai ficar frustrado.
— Muito pior! Vou fazer da sua vida um inferno até que você se transforme no meu ideal. E vou fazer um inferno da minha vida também, porque tentar realizar o impossível só gera estresse.
— Daí eu te faço a pergunta?
— Sim, por favor, senão só vamos alimentar estresse desnecessário. Quando eu me esquecer, você me lembra, quando você se esquecer, eu te lembro.
— Combinado. Mas você disse que isso era só metade da segunda pergunta.
— Isso mesmo!
— Qual é a outra metade?
— Você quer descer na gangorra?
— Sim.
— Problema seu!
— Sem graça!
— Lembra que você me perguntou porque não fazemos a primeira pergunta? O motivo é que não temos maturidade para ouvir a resposta, então, não fazemos a primeira pergunta.
— Como assim?
— Você tem obrigação de realizar meu desejo?
— Não! Obrigação eu não tenho.
— Nem eu tenho obrigação de realizar o seu. Por isto disse “problema seu”. Seu desejo de descer na gangorra é seu, não é meu, logo, o problema é seu.
— Mas se você não colaborar com meu desejo, como vou descer?
— Usando sua liberdade de realizar seu desejo. Sua liberdade é sua. Minha liberdade é minha. Você é livre. Eu também.
— Mas tenho que aceitar sua liberdade de não colaborar comigo?
— Não. Você não “tem que” aceitar minha liberdade, você é livre para aceitar ou não. Mas se minha liberdade é minha, o que mais você pode fazer?
— Posso me mover na gangorra e alterar nosso equilíbrio.
— Ótimo! Isso é você usando sua liberdade de realizar seu desejo, não é?
— Sim, mas e se não funcionar, é justo meu desejo perder do seu?
— Mesmo quando não funciona, você continua tendo liberdade de tentar outra opção, e outra, e outra. Sua liberdade de optar nunca acaba.
— Minha liberdade nunca acaba?!!
— Nunca, pois não optar também é uma opção.
— Sensacional!
— Sensacional mesmo! Mas ainda não acabou. Tem um outro aspecto na brincadeira da liberdade.
— Qual é?
— Dizer não é dizer sim.
— Como assim?
— Quando lhe digo “não”, não estou indo contra a realização do seu desejo, estou indo a favor da realização do meu. Meu desejo não é ganhar do seu desejo, meu desejo é realizar o meu desejo. Dizer não é dizer sim para mim.

Beto dá um impulso alterando o equilíbrio da gangorra. Seu lado sobe e o lado de Cristina desce. Vice-versa. Versa-vice. E assim por diante. Eles ficam brincando de liberdade.

— A pergunta “Você é livre?” tem dois propósitos, — Cristina diz — um é nos lembrar de uma liberdade que não temos, mas acreditamos ter, outro é nos fazer lembrar de uma liberdade que temos, mas esquecemos que temos?
— Isso mesmo! — Beto responde.
— Acabaram-se as perguntas?
— Tem mais uma.
— Pode fazer.
— Quer brincar de liberdade comigo?
— Sim! — Cristina responde.
— Eu também. — Beto responde.

PERGUNTAS

A 1ficina explica o óbvio. Então, o primeiro passo para você conseguir explicar para os outros o que a 1ficina explica para você, é estar consciente sobre o que foi explicado. A explicação do óbvio não é o óbvio. Então, se o que a 1ficina lhe explicou ainda não está óbvio para você, se é apenas uma explicação, uma teoria, você não tem o mínimo necessário para explicar nada para os outros. Se você está consciente sobre o que foi explicado, se o óbvio está óbvio para você, você deve executar o processo de explicação da mesma forma que a 1ficina executa com você, através do diálogo.

Você é culpado pelas suas opções. Os outros são culpados pelas opções deles. Ou seja, todos os culpados são culpados, cada um com sua parcela. Assuma sua parte da culpa e deixe com os outros a parte deles. Por exemplo, uma vez eu estava dirigindo um buggy nas dunas de Fortaleza e o buggy bateu de bico. As duas moças que estavam sentadas atrás, meteram a cabeça no santo antônio (ferro de contenção do buggy). Quase racharam a cabeça e quase morreram. De quem foi a culpa pela má direção? Foi do motorista. Quem era o motorista? Era eu. Então, de quem foi a culpa pela má direção? A culpa pela má direção foi minha. As moças não morreram, mas um delas ficou com uma cicatriz na testa. Eu tenho culpa pela cicatriz dela? Parcialmente sim. E a moça é vítima? Não, pois foi ela que optou passear de buggy. Essa opção é culpa dela. E o dono da empresa que aluga o buggy tem culpa também, pois optou por alugar os buggies. E assim por diante. Cada um tem sua parcela de culpa. Assuma sua parcela de culpa e bola pra frente.

É bastante comum mulheres virem conversar comigo e dizerem: “vocês, homens”. Quando fazem isso, costumo perguntar: “E quem lhe disse que eu sou homem?”. Elas se espantam e perguntam: “Você é gay?”. Respondo que não. Elas ficam sem entender e perguntam: “Se você não é homem e não é gay, o que você é?”. Respondo: “eu sou eu”. Entende o que estou dizendo?

O primeiro passo para uma boa convivência é estar consciente que convivência é entre um indivíduo e outro indivíduo. Ou seja, entre um ser humano único, singular, diferente de todos os outros seres humanos e você, que também é um ser humano único, singular, diferente de todos os outros.

Uma mulher, um homem, uma esposa, um marido, um pai, uma mãe, um filho, são, antes de todos esses rótulos que você cola na testa das pessoas, indivíduos. Quando você ignora isso e assume que o outro é o rótulo que você está colando na testa dele, você está condenando sua convivência, desde a raiz, a ser uma árvore produtora de má convivência.

Dito isso, um ser humano que opta pelo fingimento para manipular a relação, faz isso em toda e qualquer circunstância que acredite ser necessário manipular a relação. Então, se tal ser humano acreditar que precisa manipular a relação o tempo todo, irá fingir o tempo todo, em todas as circunstâncias.

Não, é impossível. Cada um só tem acesso a si, tanto existencialmente, como psicologicamente e pessoalmente. Porém, na brincadeira de ser humano existe a possibilidade da comunicação conceitual. Então, através de palavras, mesmo sem termos acesso uns aos outros, mesmo sendo impossível, podemos usar as palavras para simular uma espécie de acesso ao outro. Não é acesso de fato, é uma estratégia muito falha e ruidosa, mas é melhor que nada.

Culpa é responsabilidade. Responsabilidade não dói. O que dói é desejo insatisfeito. Vc deseja mudar o passado. Não consegue. Desejo insatisfeito. Dói. E vai doer até desistir da missão impossível.

A melhor forma de convivência é aquela produzida através do diálogo e do acordo. Traçar limites na convivência é fundamental para que um não ultrapasse o limite do outro, mas um limite não precisa ser imposto com punição, pode ser conversado e combinado. O combinado não é caro. Quando é um limite próprio, como é o limite entre passar bem e passar mal com algum comportamento, a única forma de realmente ficar consciente do próprio limite é testando o próprio limite e experimentando a dor de ultrapassá-lo. O sofrimento é o único e verdadeiro mestre do bem viver. Seus filhos, provavelmente, ainda não sofreram uma dor de barriga de tanto comer bolacha recheada, ainda não sofreram a dor de ultrapassar esse limite, por isso persistem no comportamento. Quando sofrerem, terão aprendido com o sofrimento que excederam um limite próprio e por consciência própria respeitarão os próprios limites. Você provavelmente já sofreu com esse tipo de comportamento e deseja que eles comam brócolis para não ter dor de barriga. Daí você impõe que eles comam brócolis usando a estratégia da punição: brócolis ou punição. A aprendizagem que eles vão ter se você impor brócolis ou punição é a mesma que os cachorros recebem quando estão sendo adestrados, que devem se submeter as ordens e aos outros caso contrário são punidos. Dito isso, você decide como conviver com seus filhos. Seja lá o que você decidir, eles não são vítimas, pois estão brincando de ser humano por opção deles.

A grosso modo, a realidade sensorial (realidade física) é igual para todos os seres humanos, pois todos estão usando a mesma interface humana para se manifestar e receber manifestação. A prova disso é que, caso contrário, seria impossível a comunicação humana.

Quem enfia a faca não sente a dor. Por isso é importante gritar quando dói, ou seja, falar sobre a facada recebida para quem enfiou a faca. Senão, o outro não tem como tomar consciência do efeito do seu ato e, consequentemente, não tem como mudar de comportamento. Geralmente é impossível e improdutivo falar na hora. O outro está de cabeça quente, você também está de cabeça quente e não tem comunicação de fato. Qualquer palavra é como jogar gasolina no fogo. Espere a tempestade passar para que o barco da comunicação possa navegar com eficiência. Quando seu agressor estiver receptivo, abra seu coração e comunique sua dor para ele, sem medo de ser feliz. Provavelmente seu agressor irá lhe entender e pedir desculpas. Mas pode ser que seu agressor não se importe. Pode ser que ele enfie outra faca no seu coração. Tudo bem! Você estará diretamente se curando e, indiretamente, curando seu agressor e sua coletividade inteira.

Um cientista arrancou uma das patas de uma aranha e disse: “Anda aranha!”. A aranha andou. O cientista pegou seu bloco de notas e escreveu: “Aranha com sete patas anda”. Depois ele arrancou mais uma pata da aranha e repetiu: “Anda aranha!”. A aranha andou. O cientista pegou seu bloco de notas e escreveu: “Aranha com seis patas anda”. E assim o cientista foi arrancando uma a uma as patas da aranha. Até a aranha ficar com uma pata só. “Anda aranha!”, disse o cientista. A aranha começou a se arrastar e andou. O cientista pegou seu bloco de notas e escreveu: “Aranha com uma pata anda”. Por fim, o cientista arrancou a última pata da aranha. “Anda aranha!”, disse o cientista. E nada da aranha andar. “Anda aranha!”, ele repetiu. A aranha não andou. Ele começou a gritar: “Aaaanda araaaanha! Aaaanda araaaanha!”. A aranha não andou nem um milímetro. O cientista pegou seu bloco de notas e escreveu: “Aranha sem patas é surda”. Essa piada explica porque você vive gritando, por dentro e por fora, com tudo e com todos. Você acredita que a vida, as circunstancias, o mundo, o governo, a sociedade, aspeçoa, os pernilongos, enfim, que o outro é a causa de você estar vivendo mal. Por isso, ao invés de melhorar, só piora. O outro não é surdo, você que está equivocado.

Fazendo uma analogia com o computador, o psiquiatra mexe no hardware (cérebro) e o psicólogo mexe no software (programação mental). O que acontece é que, se o problema for de software, não adianta ficar mexendo no hardware e vice-versa. E quando é problema de software, só o usuário (indivíduo) tem acesso a sua programação mental. Então, o psicólogo funciona como um técnico em informática lhe dando instruções pelo telefone sobre como consertar o bug que deu no Windows. É difícil? É. É limitado? É. Demora? Sim, bastante. Mas é melhor isso do que nada. Talvez no futuro seja possível conectar um cabo USB da cabeça do terapeuta para a cabeça do paciente. Por enquanto, ainda não é. Então, a única porta de entrada que o terapeuta tem para entrar no paciente é o diálogo, ou seja, a conversinha. É o que tem para hoje.

Talvez você e a outra pessoa estejam falando a mesma coisa de jeitos diferentes. Você é 100% culpado pelo que você opta. O outro é 100% culpado que ele opta. Então, quando você e o outro se relacionam, sendo que você é 50% do relacionamento e o outro é 50%, está correto dizer que cada um é 50% culpado pela produção do relacionamento. E assim por diante. Num time de futebol, por exemplo, cada jogador do time tem 9,09% de culpa no resultado do jogo, pois são 11 jogadores. Se somar com os 11 jogadores do outro time, cada um tem 4,5% de culpa, pois foram os 22 jogadores que produziram o resultado do jogo, cada um com 100% de culpa por suas opções.

Culpa é responsabilidade. Você é único culpado pelas suas opções. Fugir da culpa é entrar no vitimismo, talvez por isso a depressão. Não resolve fugir da culpa, só mantém você preso no vitimismo. Eu, por exemplo, fiz muita merda na vida. E tudo culpa minha. Uso as merdas que fiz para adubar o jardim das melhores escolhas. Cagou está cagando. Não adianta chorar o leite derramado, nem a cagada. Limpa o leite, usa merda de adubo para melhores escolhas. Mas isso só é possível se você entender que é culpado por suas escolhas, senão, vai viver fugindo da sua responsabilidade e inventando bodes expiatórios para colocar a culpa.

Culpa é sinônimo de responsabilidade. São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Responsabilidade é sinônimo de arbítrio. Também são duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Então, culpa é arbítrio. Você é o único culpado por tudo que você opta. Logo, você é 100% culpado por suas opções. Por exemplo, você decide comer feijão. Quem é culpado por você estar comendo feijão? Você. É 100% culpa sua, pois foi você e só você que optou por comer feijão. Você decide se casar. Quem é culpado por você estar casado? Você. É 100% culpa sua, pois foi você e só você que optou por se casar. E assim com tudo. Você é sempre 100% culpado por tudo que você opta. Se não, quem é?

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© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari