01 | DILEMA DO OBJETIVO

CENA: Um grupo de cinco homens está em um bar onde se encontra um grupo de cinco mulheres. Todos os indivíduos do grupo masculino desejam fazer sexo com a mesma mulher do grupo feminino, ou seja, todos os indivíduos do grupo masculino têm o mesmo objetivo. Neste momento, John Nash, um dos indivíduos do grupo masculino, observa que se todos agirem em busca da realização de seus objetivos, uma vez que todos têm o mesmo objetivo, a ação de cada um só servirá para inviabilizar a realização do objetivo dos outros. Ou seja, se os indivíduos do grupo masculino agirem rumo à realização de seus desejos, o resultado é fracasso (não realização do desejo). Contudo, se não agirem rumo à realização de seus desejos, o resultado também é fracasso (não realização do desejo). Este é o Dilema do Objetivo. Qual é a solução?

Assista o vídeo abaixo antes de continuar na leitura:


02 | MUDANÇA DE OBJETIVO

Ao observar o Dilema, John Nash propõe que todos os indivíduos do grupo masculino mudem de objetivo. Todos os indivíduos do grupo masculino desejam (objetivam) fazer sexo com a mesma mulher, mas como a realização deste objetivo só serve para inviabilizar a própria realização deste objetivo, Nash propõe como solução a mudança de desejo. Ao invés de todos objetivarem fazer sexo com a mesma mulher, cada um deve objetivar fazer sexo com uma mulher diferente, pois assim ninguém inviabiliza a realização do objetivo do outro. Esta solução é conhecida como equilíbrio de Nash, e realmente funciona, só que o motivo de funcionar não é mudança de objetivo.


03 | MUDANÇA DE OBJETO

A solução de John Nash para o Dilema do Objetivo não é mudança de objetivo, é mudança de objeto. Embora a proposta de Nash envolva parar de objetivar a mesma mulher e objetivar mulheres diferentes, o objetivo continua o mesmo: sexo. A solução para o Dilema do Objetivo não é mudança de desejo, é mudança de objeto de desejo. Desejo é objetivo. Objetivo é sempre o mesmo durante todo o jogo. Imagine um jogo de xadrez. Cada uma das 16 peças é um objeto diferente que o enxadrista usa para realizar seu único e constante objetivo. Quando o enxadrista muda de peça, ele não está mudando de objetivo, está mudando de objeto. Agora, imagine que o enxadrista decida utilizar um único objeto, um peão, para realizar seu objetivo. Vai ficar difícil para o enxadrista realizar seu objetivo. Analogamente, o problema no grupo masculino não era objetivo comum, era objeto comum.


04 | OBJETIVO CONSCIENTIZADO

Objetivo é palavra do contexto dos jogos usada para expressar o desejo do jogador. Desejo é palavra do contexto da psicologia usada para expressar o objetivo de um ser humano. Objetivo e desejo são duas maneiras de dizer a mesma coisa. Dito isto, vamos entender porque você confunde objeto com objetivo. O motivo é que desejo é inconsciente. O que você experimenta e chama de desejo, não é bem desejo, é desejo conscientizado. Imagine um arquivo de fotografia no computador, por exemplo. Assim como você não consegue visualizar o conteúdo do arquivo sem transformá-lo em imagem na tela do computador, você também não consegue experimentar seu desejo, que é inconsciente, sem transformá-lo em desejo consciente. É por isto que você confunde objeto com objetivo. Objeto é seu objetivo inconsciente (desejo) sendo experimentado de forma consciente.


05 | OBJETIVO INCONSCIENTE

Todo ser é semente. Semente é potência. O desejo de todo ser é autorrealização. Toda semente objetiva se autorrealizar, objetiva se transformar em pé de si mesma. O objetivo inconsciente de uma semente de jabuticaba é se transformar em um pé de jabuticaba. O objetivo inconsciente de uma semente de azaleia é se transformar em um pé de azaleia. O objetivo inconsciente de uma semente de mostarda é se transformar em um pé de mostarda. O objetivo inconsciente de uma semente humana é se transformar em um pé de ser humano.


06 | DESEJO CONSCIENTE

Todo ser deseja autorealização. Mas nem todo ser experimenta seu desejo de forma consciente. Uma semente de jabuticaba, por exemplo, não sabe que deseja, apenas deseja. A experiência humana é diferente, possui o consciente, é por isso que você tem a possibilidade de experimentar seu objetivo através dos objetos, é por isto também que você deseja uns objetos e INdeseja outros. Os objetos que deseja e INdeseja são desejáveis e INdesejáveis, porque são representativos do seu desejo (objetivo inconsciente).


07 | FUNÇÃO ESPELHO

Assim como você não consegue ver seu próprio rosto diretamente, mas precisa usar um espelho, você também não consegue conhecer seu objetivo inconsciente diretamente, você também precisa usar um espelho. O espelho que você usa é o objeto. É através dos objetos, e só através deles, que você pode conhecer seu desejo (objetivo inconsciente). É aí que os objetos entram na sua história, ou melhor, entram para lhe contar histórias. Objetos, sejam concretos ou abstratos, não são desejados ou INdesejados aleatoriamente, mas por refletirem seu desejo. O desejável e Indesejável que você vê nos objetos, é reflexo do seu desejo (objetivo). Então, como todo espelho, o que você vê lhe conta sobre você.


08 | LEI DA ATRAÇÃO

A maneira como você se relaciona com um objeto, seja concreto ou abstrato, não depende apenas da natureza do objeto, mas da forma como seu desejo se relaciona com esse objeto. Quando a natureza de um objeto é Imagem e Semelhança com seu desejo, você deseja o objeto, sente atração. Quando a natureza de um objeto é Imagem Sem Semelhança com seu desejo, você INdeseja o objeto, sente repulsa.


09 | OBJETIVO E OBJETO

Macaco deseja comer banana e não deseja comer terra. Minhoca deseja comer terra e não deseja comer banana. Terra e banana são apenas objetos. É o desejo (objetivo inconsciente) do macaco e da minhoca que fazem os objetos banana e terra serem desejados ou INdesejados. Analogamente, Luiz deseja ser político e não deseja ser jogador de futebol. Edson deseja ser jogador de futebol e não deseja ser político. Político e jogador de futebol são apenas objetos. É o desejo (objetivo inconsciente) de Luiz e Edson que fazem os objetos político e jogador de futebol serem desejados ou INdesejados.


10 | CONFUSÃO E MAL VIVER

Você confunde objeto com objetivo por causa da função espelho dos objetos, mas a causa de você viver mal não é a função espelho dos objetos, é sua ignorância da função espelho.


11 | CAUSA E EFEITO

Quando você ignora a função espelho dos objetos, você:

A) Prende os objetos desejados e, por consequência, vive preso a eles.
B) Tenta mudar os objetos indesejados e, por consequência, vive preso a eles.

Quando você está consciente da função espelho dos objetos, você:

C) Liberta os objetos desejados e, por consequência, vive livre com eles.
D) Permite os objetos indesejados e, por consequência, vive livre com eles.


12 | ABRIDOR DE OBJETOS

Para abrir os objetos e descobrir seu objetivo inconsciente, você deve usar a pergunta: Para quê? Quanto mais você se indaga Para Que, mais você se aproxima da descoberta do seu desejo.

Por exemplo, se seu desejo for: jogar futebol. Você se pergunta: “Para que desejo jogar futebol?”. A resposta pode ser: “Desejo jogar futebol para fazer exercício físico“. Dai você se pergunta: “Para que desejo fazer exercício físico?”. A resposta pode ser: “Para cuidar da saúde”.

Pronto! Você chegou no seu objetivo inconsciente: bem-estar. E uma vez consciente, você não precisa mais ficar preso ao objeto “futebol”, você pode realizar seu objetivo de bem-estar através de diversos outros objetos.

Mas sua resposta pode ser, por exemplo: “Desejo jogar futebol para encontrar meus amigos”. Dai você se pergunta: “Para que desejo encontrar meus amigos?”. Sua resposta pode ser: “Para conversar”.

Daí você se pergunta: “Para que desejo conversar?”. Sua resposta pode ser: “Para socializar”. Dai você se pergunta: “Para que desejo socializar?”. A resposta pode ser: “Para me sentir querido”.

Pronto! Você chegou no seu objetivo inconsciente: valor (afeto). E uma vez consciente, você não precisa mais ficar preso ao objeto “futebol”, você pode realizar seu objetivo de valor (afeto) através de diversos outros objetos.

Toda vez que você usa o abridor de objetos você chega inevitavelmente nos quatro desejos humanos descritos, explicados e desenhados no livro QUATRIX. Então, recomendo a leitura do livro QUATRIX como complemento ao que você acabou de ler neste livro. Por fim, procure se manter consciente da função espelho, já é de grande ajuda para viver bem.

Sucesso em seus quatro objetivos.


13 | LEI DA ATRAÇÃO

PERGUNTAS E RESPOSTAS

INTERLOCUTOR: A função espelho explica o consumismo? 

Sim! Você é um consumidor de significados. Claro que você não tem consciência disso, mas é isso. Produto é significante, coisa, objeto. Seu consumismo não é por significante, você não compra coisas, você compra o significado que está mentalmente associado as coisas.

Coisa é substantivo, significado é adjetivo associado ao objeto. Então, o que você deseja em uma coisa é o que não está na coisa. O que você deseja ao comprar um produto é o significado que está associado ao produto e não o produto. Por isso, tão logo você percebe que a coisa que você comprou é o que é, uma coisa, você perde o interesse pela coisa. Ver coisa como coisa retira da coisa o que nunca esteve nela, o significado.

O sorriso encantador não está no creme dental. A beleza não está no vestido, nem no sapato, nem nos cosméticos. O orgasmo não está na lingerie, nem no chocolate. A festa não está dentro da lata de cerveja. O sucesso e a masculinidade não estão no cigarro. A família feliz não está no pote de margarina. A juventude não está na garrafa de coca cola. O American Dream não está no Big Mac.

Significado é associação mental. E não acontece só para produtos físicos e monetariamente lucrativos, acontece para produtos ideológicos e socialmente lucrativos também. Por exemplo. O reino dos céus não está no cristianismo. A iluminação não está no budismo. A verdade não está no espiritismo. O bem estar não está na yoga. A saúde não está no veganismo. A igualdade social não está no comunismo. A liberdade não está no capitalismo. E assim por diante.

Consumismo é você usando uma coisa (dinheiro) para comprar outra coisa (produto). Só que seu desejo não é por coisas (significantes), seu desejo é por valor (significados). Então, quando seu consumismo é inconsciente, comprar é apenas desperdício de dinheiro e de oportunidade de autoconhecimento.


INTERLOCUTOR: Usar drogas é um bem que acaba me fazendo mal. Como pode isso?

— Quando você diz “usar drogas é um bem”, que tipo de bem você se refere? Que bem que você experimenta ou acredita que irá experimentar usando drogas?

INTERLOCUTOR: Prazer

— Ótimo! Sendo assim, imagine que você está prestes a usar drogas para experimentar prazer. Daí aparece uma fada com uma varinha de condão e faz plim em você. Na hora que você recebe o plim da varinha de condão, imediatamente você experimenta o prazer que estava desejando experimentar, porém sem a necessidade de consumir a droga, de fumá-la, ou bebê-la, etc. Seu desejo foi satisfeito?

INTERLOCUTOR: Sim, foi.

— Sendo assim, percebe que seu OBJETIVO ao consumir uma droga não é consumir a droga, mas experimentar o prazer?

INTERLOCUTOR: Sim, percebo.

— A droga consumida é apenas o OBJETO que você está usando para atingir seu OBJETIVO: experimentar prazer. Entende isto?

INTERLOCUTOR: Sim. O que quero é prazer. Uso a droga para ter prazer.

— Então, se experimentar prazer é bom, por que você diz que usar drogas é mal?

INTERLOCUTOR: O prazer que experimento me faz bem, mas o meio que uso me faz mal.

— Me explique qual é o maleficio?

INTERLOCUTOR: Usar drogas me deixa doente.

— E você quer ficar doente?

INTERLOCUTOR: Não, ficar doente me dá mal estar.

— Sendo que você não quer ficar doente, o que você quer?

INTERLOCUTOR: Quero saúde.

— Pronto! Você acabou de descobrir por si mesmo 2 dos 4 desejos humanos. (1) Todo ser humano deseja prazer. (2) Todo ser humano deseja bem estar (saúde). É por isto que usar drogas e bem e mal ao mesmo tempo. Usar drogas satisfaz seu desejo de prazer, porém, prejudica seu desejo por saúde.

INTERLOCUTOR: Mas eu desejo prazer. E para ter prazer, uso drogas. Mas quando uso drogas fico doente e isso eu não quero. Portanto, paro de usar drogas. Mas quando paro de usar drogas, sinto desprazer e isso eu não quero. Quero prazer. E para ter prazer eu volto a usar drogas… Fica um looping. Entende?

— Sim, entendo. Só que o motivo desse looping não é o desejo, é a confusão entre desejo e objeto de desejo. Você deseja o OBJETIVO e não o objeto. Só que você ignora isso. Você acredita que deseja o OBJETO. É esse equívoco que lhe mantém preso no looping.

INTERLOCUTOR: Vamos supor que eu perceba meus dois objetivos: prazer e bem estar. Vamos supor que eu perceba que os objetos são apenas meios para atingir meus dois objetivos. Ainda assim, não existe a tal fada madrinha que surge do nada para satisfazer meus dois objetivos. Então, tenho que ir em direção aos objetos. Mas sendo que um atrapalha o outro, como é possível o fim do looping?

— Uma vez consciente do equívoco objeto-objetivo, basta você procurar um OBJETO que, no seu caso específico, satisfaça seus dois objetivos simultaneamente. Nesse exemplo das drogas, seus dois objetivos são prazer (bom) e saúde (bem). Você quer o Bom e o Bem. Sendo assim, a pergunta que você PODE e DEVE se fazer é: “Qual é o OBJETO capaz de satisfazer simultaneamente meu desejo pelo Bom e pelo Bem?” Encontrada a resposta, fim do looping.


PERGUNTA: Você diz que isolado não consigo me conhecer, preciso me relacionar com outro. E como ficam os monges que se isolam nas montanhas e ficam meditando o dia inteiro?

Quando o monge vai para caverna, ele não vai sozinho. O monge leva o mundo inteiro na memória dele. Ele olha para parede da caverna e vê o pai, a mãe, as cidades e tudo que já viveu. Então, não está sozinho. Quando se vai praticar Zazen, por exemplo, você deve ficar sentado em posição de lótus, de olhos abertos, olhando para parede. Uma hora assim: olhando para parede. Quem é leigo em autoconhecimento pensa “Pra que ficar uma hora olhando para uma parede?”. Simples! Se durante essa uma hora você conseguir ver a parede por pelo menos por um segundo, é gooooooool, você atingiu a iluminação. Durante a prática do Zazen, você vê de tudo na parede, menos a parede. Você vê seus pais, todos seus relacionamentos, a crise política, o shopping center, sua caixa de esmaltes, você fazendo a cutícula, a cor do sabonete em cima da pia, a viagem que irá fazer no mês que vem, tudo que aconteceu nessa viagem que ainda não aconteceu, e assim por diante. Você vê tudo na parede, menos a parede. O mesmo com o monge dentro da caverna. Ele fica meditando dentro da caverna até conseguir ver a caverna. No dia que ele finalmente vê a caverna, sai da caverna e medita em qualquer lugar.


PERGUNTA: Pode me dar um exemplo de foco no objetivo?

Um grupo de discípulos levou seu mestre para tomar sopa e testar sua maestria. O garçom, como combinado, serviu sopa para todos os discípulos, mas não serviu o mestre. Toda vez que o garçom voltava na mesa, fazia a mesma coisa. Enchia novamente o prato dos discípulo, mas deixava o prato do mestre vazio. Quando os discípulos já estavam saciados e prontos para irem embora, o mestre chamou o garçom e disse: “Você não me serviu sopa nenhuma!” O garçom, como combinado, respondeu grosseiro: “Está caduco velhote! Eu lhe servi sopa três vezes!”. O mestre respondeu: “É verdade! Você está certo! É que a sopa estava tão deliciosa que vou aceitar mais um pouco”.

Você prefere ter razão ou tomar sopa? Pense bem! Mesmo que você prove para o outro por A mais B que ele está errado. Mesmo que fique óbvio. Mesmo que o outro perceba o próprio erro. Ainda assim ele pode não lhe servir sopa (não admitir o próprio equívoco). E se você insistir em ter razão, quem vai ficar sem sopa é você. Além do que, se você tem razão, então, razão você tem. Por que perder tempo e energia tentando mostrar o óbvio para quem não quer ver? Foca na sopa! Foca na realização do seu desejo! Foca na solução do seu problema! Deixe os outros acreditarem no que bem ou mal entenderem. Problema deles. Prefira ser feliz.


PERGUNTA: Eu admiro Fulano por saber conduzir uma conversa sem impor ou supor. Isso que vejo e admiro em Fulano, está em mim? Como usar bem a função espelho nesse caso?

Sim, tanto as competências que você vê em Fulano, como sua admiração por essas competências, estão em você. Mas tem uma sutileza nesse entendimento. Vou explicitá-la. Mas primeiro, para facilitar a explicação, vamos nomear as competências que você admira em Fulano. Vamos chamá-las de Respeito e Lucidez.

Se você não tivesse ao menos o conceito de Respeito e Lucidez em si, você seria incapaz de reconhecer isso em Fulano, e consequentemente, de admirar. Uma criança pequena, por exemplo, não é capaz de reconhecer a mentira, nem a inveja, nem a cobiça, nem a amizade, nem a paciência, nem o respeito, nem a sinceridade, nem qualquer competência do outro, pois a criança sequer tem a ideia abstrata dessas competências dentro de si. Conforme a criança vai vivendo, tendo experiências e fazendo abstrações, ela vai criando todos os conceitos das competências humanas, e daí sim, vai se tornando capaz de reconhecer essas competências nos outros.

Contudo, você só é capaz de reconhecer a competência do Respeito e da Lucidez em Fulano, porque Fulano possui tal competência, caso contrário, seria impossível. Como você poderia ver o cabelo ruivo de Fulano se Fulano tivesse cabelo preto? O mesmo com as competências humanas. Como você poderia ver o Respeito e a Lucidez de Fulano se Fulano fosse impositivo e ignorante? Não poderia. Então, a competência que você vê em Fulano, está tanto em Fulano como em você. Talvez ela seja apenas um conceito para você e uma maestria para Fulano, mas o espelhamento só acontece porque estão em ambos.

Por fim, tem a questão da admiração. O fato de você admirar o Respeito e a Lucidez de Fulano significa que são competências desejadas por você, que você também deseja ser uma pessoa respeitadora e lúcida, caso contrário, você sentiria desprezo por essas competências e não admiração.

Então, é a função espelho que lhe permite identificar competências nos outros e sucessivamente ficar consciente se são competências desejadas ou indesejadas. Se forem desejadas, significa que você deve praticá-las e transformá-las em maestria, que irá viver melhor. Se forem indesejadas, significa que você deve abandoná-las e praticar as competências opostas, que irá viver melhor.

Resumindo, tanto admiração como desprezo são informações psicológicas que surgem para lhe aconselhar qual competência você deve praticar e desenvolver para viver melhor. Mas esse é o limite da função espelho. Para que você olhe no espelho e veja essa competência desenvolvida em si mesmo, você deve praticá-la até se tornar uma maestria. Então, mãos a obra!


PERGUNTA: Percebi um dos motivos da minha resistência em deixar de acreditar em Xis. Se eu deixar de acreditar em Xis vou ter que abandonar Ypsolon. Não estou preparada para isso. Não quero perder a felicidade que tenho com esse objeto.

Você confunde objeto com objetivo. Se servir de consolo, nossa coletividade inteira vive nessa confusão.

CONTINUANDO: É muito difícil trocar de objeto. Imagina uma mãe que sofre com o filho. Você vira para mãe e diz: muda de objeto. Ela vai passar a vida tentando e não vai conseguir.

Se a mãe praticar autociência, consegue sim, facilmente. Basta mudar do OBJETO-filho para o OBJETO-pessoa. O que é um filho? É um ser humano, é uma pessoa. Mudando de filho para pessoa, a mãe se liberta de TER QUE isso e aquilo, porque é mãe. E liberta o filho de TER QUE isso e aquilo, porque é filho. Ganha mãe e ganha filho. Onde havia cobrança, obrigação e má convivência, agora há liberdade, respeito e boa convivência. Então, qual é a dificuldade? E por que o medo se só tem benefícios?

CONTINUANDO: Entendo, mas são centenas de anos de ancestralidade. Fora a pressão do coletivo, a sociedade. Tem que ter muita segurança e muita firmeza.

Nada disso! Só precisa ver o óbvio. É óbvio que seu filho é um ser humano tal como você. Viu esse óbvio, pronto, mudou. E nada muda. Continua tudo igual. Seu filho continua lá, do mesmo jeito. A única coisa que muda é que você para de viver mal e começa a viver bem. Você quer continuar vivendo mal?


PERGUNTA: Dó e inveja é espelho?

Sim, você tem dó do outro porque julga ruim a realidade que o outro está experimentando. Só que você não está experimentando a realidade que o outro está experimentando, nem está usando o critério de avaliação dele. Você não tem acesso a experiência nem ao critério do outro. E vice versa. Então, de fato, você não sabe se a realidade que o outro está experimentando é boa ou ruim para o outro. Você supõe. Dó significa que você não deseja aquela SUPOSIÇÃO para você. O que não significa que a realidade que está sendo experimentada pelo outro não possa ser exatamente o que o outro deseja para si. Dó é espelho do seu desejo. Dó é o que você NÃO QUER para si. Inveja é o oposto. Inveja é o que você QUER para si. Dó não é santidade e inveja não é maldade, ambas são função espelho. Servem para que você possa se tornar consciente da sua vontade e viver em acordo com ela.


PERGUNTA: Quando você diz que o objeto é objeto, quer dizer que ele é neutro? Nós que damos valor ao objeto e conseqüentemente ele serve de função espelho?

Exato! O espelho é vazio.Quando você olha no espelho, o que você vê? Você vê o espelho? Não! Você vê seu cabelo, seu nariz, seus dentes, sua cabeça, seu corpo, etc. Tudo isso está no espelho? Não, está em você. O que tem no espelho? Nada! O espelho é vazio. No caso da convivência, o outro é o outro. O que você vê no outro, é o que VOCÊ VÊ no outro, não é o outro. Por isso que cada um vê um outro diferente. Por exemplo, eu. Você me vê como professor. Minha esposa me vê como marido. Minha mãe me vê como filho. Meu amigo me vê como amigo. O governo me vê como contribuinte. E assim por diante. Eu sou tudo isso? Não. Eu sou eu. O que o outro vê em mim espelha o que ele pensa de mim. O que o outro pensa de mim, está no outro, está no pensamento dele.


PERGUNTA: Pode explicar melhor sobre a lei da atração?

Lei da atração é o funcionamento do desejo. Só isso.

CONTINUA: Ah sim, claro, muito simples, eu atraio o que desejo. É por isso que eu sou rica, linda, tenho um apartamento de frente para praia e passo férias no exterior 2 vezes por ano.

É justamente o oposto. O que você deseja te atrai. Por isso a frase: é a banana que atrai o macaco e não o macaco que atrai a banana.

PERGUNTA: Eu sou o macaco. A banana é o desejo. É isso?

Não. A banana é um objeto, mas é um objeto desejado. Por isso o macaco é atraído pela banana.

PERGUNTA: Então, o objeto me controla? Sou inevitavelmente atraída por ele. Não tem como resistir. Sou escrava dos objetos?

Sim, a banana controla o macaco. Só que você não é um macaco, você tem arbítrio.

PERGUNTA: Mas você diz que o desejo é inevitável, pois o desejo é fome. Se o desejo é fome, então, é a fome que me controla?

Arbítrio é volante, serve para você dirigir seu desejo (fome). Tem muitas maneiras de você matar sua fome, não tem só banana. Banana é só uma opção. Só um objeto. Você não precisa grudar na banana, você pode desgrudar da banana e grudar no macarrão, por exemplo.

PERGUNTA: Mas preciso grudar em alguma coisa pra satisfazer meu desejo?

Sempre.

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© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari