PREFÁCIO

É impossível viver em paz acreditando que deus é outro. Nem deus conseguiria. Como viver em paz se a qualquer instante um estranho, todo poderoso, criador do céu e da terra, pode fazer o que quiser com o céu e a terra? Pode destruir com um sopro tudo que você construiu com suor? Pode matar você sem dó nem piedade? Pode pintar você de preto e te bater com chicote até sangrar? Pode levar você para tomar banho em uma câmara de gás? É impossível você viver em paz acreditando que deus é outro, porque essa crença é justamente a causa do seu pânico. Você morre de medo de viver, porque vive com medo de deus. A qualquer instante, o imprevisível e desconhecido deus, pode pegar você. A trilha sonora do seu relacionamento com deus é: deeeus, deeeus, deeeus, deus da cara preta… Você até tenta se prevenir das chifradas. Você acredita que se não der sopa para o azar, ou seja, para deus, o azar, ou seja, deus, não tem como pegar você. Só que pega. Você viaja de ônibus para evitar que deus derrube seu avião, mas deus te passa uma rasteira no casamento, ou puxa seu tapete no emprego. Nada resolve seu problema com deus, porque seu problema não é com deus, mas com sua crença de que deus é outro. Deus não é outro. Deus é você.


01 | MAIOR TABU HUMANO

Deus é o maior tabu humano. E não é só um tabu religioso, é um tabu científico também. Por isso que este estudo não é religioso, nem científico, é autocientífico. Autociência é similar à ciência tradicional, mas com um diferencial fundamental. A ciência tradicional é praticada através da observação, e produz conhecimento. Autociência é praticada através da auto-observação, e produz autoconhecimento. Assim, para que o descrito aqui se torne evidente para você, e não fique apenas como crença, é imprescindível que você comprove através da auto-observação. Na ciência tradicional, um cientista comprova o que o outro cientista diz reproduzindo a mesma experiência. Na autociência, a comprovação se dá através da auto-observação. Então, pratique autoobservação. Não fique apenas na teoria. Enquanto você não despertar para si mesmo, deus continuará sendo um tabu para você.


02 | FÁBRICA DA REALIDADE

Imagine que você fosse o único ser humano do planeta. Sendo assim, não existiria cultura no planeta. Todo seu entendimento seria seu, só seu, autoral. Não existiria outro ser humano para educá-lo em nada. Não existiria religião. Não existiria ciência. Todo seu entendimento seria fruto do seu próprio entendimento. Mesmo assim, inevitavelmente, você iria produzir um entendimento sobre deus. Por que inevitavelmente? Porque inevitavelmente você se questionaria sobre a fábrica da realidade. Quando você vê uma fruta, você se pergunta: “É fruta de que pé?” Você faz esta pergunta, porque fruta é produto, e você está procurando a fábrica da fruta. Por você experimentar uma realidade, você faz uma pergunta similar: Qual é a fábrica da realidade? É assim que você chega ao entendimento de deus. Deus é a fábrica implícita, da realidade explícita, que você está constantemente experimentando.


03 | DEUS OUTRO

Quando você se pergunta, “Quem está criando essa realidade?”, você já está assumindo que o criador da sua realidade não é você, pois se você se entendesse como criador da sua realidade, você não faria a pergunta. Uma vez que você assume que o criador da sua realidade não é você, então, é outro. Quem está criando essa realidade é outro. O criador dessa realidade é outro. A fábrica desta realidade é outro. Quem é esse outro? É deus. É assim que surge o deus outro. E mesmo nas tradições espiritualistas, onde se afirma que você é apenas consciência assistindo a realidade, se a realidade que você está assistindo está sendo criada, quem está criando? Se quem está criando não é você, então, é outro. Mesmo nesse caso, deus é outro também.


04 | DEUS CONSCIENTE

Deus não é outro. Deus é você. Mas o que muda do deus-outro para o deus-eu? O que muda é a qualidade consciencial com que você faz o que sempre faz: criar realidade. Você sempre foi, é, e será, criador da sua realidade. Isso é o que garante que você possa experimentar sempre o tipo de realidade que deseja experimentar. A crença de que deus é outro, não lhe impede de ser deus, criador da sua realidade, apenas lhe faz ser deus inconsciente. Despertar para o fato de que você é deus, é apenas uma mudança consciencial na forma de fazer o que você sempre faz: criar sua realidade. Você apenas deixa a brincadeira da criação inconsciente, ou seja, deus inconsciente, para entrar na brincadeira de criação consciente, ou seja, deus consciente.


05 | SONHO E SONHADOR

O argumento que lhe convence que deus é outro, é assim: “Se eu fosse deus, então, eu seria o criador de tudo. Mas isso é um absurdo, pois não estou criando essa árvore, essas flores, o sol, a rua, a casa, as pessoas, os carros, etc. Eu não estou criando o universo. Como posso ser deus? Absurdo! Deus não sou eu!”. A todo instante você está reforçando esta lógica, e consequentemente, reforçando a mentalidade de que deus é outro. Como sair dessa mentalidade? Só tem um jeito. Investigando a natureza da sua realidade através da auto-observação, e dando a si mesmo a evidência de que realidade é criação mental “dentro” de você.

Despertar para o fato de que você é o criador da sua realidade, é como despertar para o entendimento de que você é o sonho, e também o sonhador. A virtualidade de um sonho, é análoga à virtualidade da sua realidade. Em um sonho, você toca as coisas, sente sabores, vê cores, conversa com pessoas, tem gravidade, peso, tempo de deslocamento, tudo como se fosse realidade, física e externa, mas nada em um sonho é material, nem está “do lado de fora”, tudo em um sonho é feito de sonho, e está “dentro” de você. Analogamente, é assim que sua realidade está “dentro” de você.


06 | NOVA BRINCADEIRA

Para brincar de criação inconsciente é preciso estar inconsciente. É por isso que, até aqui, você esteve inconsciente sobre o fato de que você é o criador da sua realidade. Você queria experimentar como é viver acreditando que deus é outro, que a realidade é caótica, aleatória, e desproposital. Você também queria experimentar o sentimento de ser vítima das circunstâncias, vítima da vida, vítima das fatalidades, vítima de deus. E você brincou muito dessa brincadeira. Sendo que está lendo esse livro, e mais do que lendo, criando este livro na sua realidade, isso indica que está interessado em mudar de brincadeira. O caminho para a mudança é a prática da auto-observação. O vídeo a seguir é para lhe ajudar a refletir mais sobre o assunto.


07 | DEUS SOU EU

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e tem alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou deus.

Da mesma forma que você explica a sua. Você sabe explicar a sua? Dito isso, percebe como a mentalidade vitimista luta para provar que é vítima? A mentalidade vitimista não aceita a responsabilidade nem fudendo. Junta isso com a crença no deusoutro, ou qualquer outro unicórnio espiritualista e fudeu! Você vai viver mal e não vai conseguir sair do mal viver, pois acredita que é uma vítima impotente. Suponha que você consiga provar que você é vítima. E daí? Você estaria provando pra quem? E por que? Viver com mentalidade materialista, acreditando que é um espermatozoide em evolução, não é fácil. O espermatozoide pira! Não tem paz dentro da mentalidade materialista, só tem medo. Mesmo que você seja um espermatozoide que acredita em deusoutro, mesmo que você seja o mais fervoroso dos crentes, é um inferno, porque acreditar não dá certeza e você sabe disso. E se você é um espermatozoide ateu, coloca a culpa na matéria, no Big Bang, na vida, na evolução. O espermatozoide teísta reza para deus, o espermatozoide ateu reza para evolução. Dá na mesma, só muda a etiqueta do deusoutro. E para fugir do medo, para viver em paz, o que o espermatozoide faz? Cerveja, pinga, maconha, Rivotril, chocolate, chocolate, netflix, trabalho, trabalho, sexo, punheta, política, religião, facebook, outra cerveja, casamento, filhos, muitos filhos, enfim, qualquer coisa que adormeça a consciência. Ah! Cigarro, muito cigarro, para, se possível, morrer logo e dar fim ao sofrimento.

Você não foi criado. Você existe.

PERGUNTA: De onde originou minha existência?

Existência não tem origem: existência existe.

Da mesma forma que esse texto está aparecendo no seu whatsapp. O outro se manifesta, você recebe a manifestação do outro, decodifica essa manifestação com seu sistema (atualmente) humano e experimenta essa manifestação decodificada em si.

Vamos supor que deus aparecesse na sua casa. Você acreditaria que deus é deus? Esse é o problema da certeza. Talvez você pedisse uma prova para ter certeza que deus é deus. Vamos supor que deus lhe desse várias provas. Para exemplificar, vamos supor que deus transformasse sua televisão num pão de queijo. Você teria certeza que deus é deus? Ainda assim deus poderia ser o diabo, não é mesmo? O diabo também tem super poderes. Percebe que mesmo que deus lhe prove que é deus, acreditar não resolve, não lhe dá certeza? Quem garante que deus é deus? Esse é o ponto! Quem garante? Percebe o problema da certeza? Eu não tenho certeza, eu tenho SERteza. Certeza é conhecimento, SERteza é autoconhecimento. Certeza é algo que você acredita sobre o outro, SERteza é saber de si. Eu sei que sou o criador da minha realidade. Isso é óbvio pra mim, eu tenho SERteza do que sou.

Para isso não precisa despertar a consciência, basta usar um revólver.

Não quero matar ninguém, quero saber se com a prática da autociência conseguirei lidar bem com pessoas desagradáveis.

Depois que você fizer todo o ciclo de estudos, estará equipada para fazer autoanálise, praticar despertar pessoal, e assim, lidar melhor com a manifestação dos outros na sua realidade.

Isso que queria saber. Penso que podemos seguir a dança em harmonia e não um funk desgovernado.

Imagina um baile funk de cegos. É um pisando no pé do outro. Para que isso pare de acontecer é preciso voltar a enxergar (despertar a consciência). Mas cada um deve despertar por si, ninguém desperta o outro.

Mentira é fantasia, então, deusoutro, sim, é uma mentira, pois é uma fantasia. Só que é uma fantasia convictamente acreditada por você, assim como papai noel era na infância. Só que não tem como você descobrir que deus é mentira através do mesmo método que descobriu que papai noel era mentira. Você se aproximou do papai noel, arrancou a roupa dele e descobriu que era seu pai disfarçado. Não tem como você se aproximar de deus e arrancar a roupa dele porque deus é você. Então, não tem como você descobrir que deus é mentira através do método científico, só através do método autocientífico. Quando você pratica autoobservação existencial, fica óbvio que o criador da sua realidade é você (deus é você). Sendo óbvio que deus é você, óbvio que deus não é outro. Fim da mentira!

Despertar da consciência serve pra isso. Só pra isso. Por isso que tem um texto da 1ficina que digo que autoconhecimento é inútil. Autoconhecimento não te faz rico, não te faz bonito, não aumenta seu status, não deixa você mais atraente, não paga as contas no fim do mês, não coloca comida na sua mesa. Autoconhecimento é inútil, só serve para você viver bem. Nada além disso. Dito isso, é preciso lembrar que são três tipos de despertar: existencial, psicológico e pessoal. E não adianta só despertar existencial. Você deve despertar nos três casos, senão, vai continuar ignorante do porque está criando o sofrimento, então, vai continuar vivendo mal.

Nem jamais irá sentir. Despertar existencial não é sentir a realidade dentro de você, é estar consciente de que a realidade externa não é externa, é experiência de externalidade. Fica óbvio que o mundo externo não é externo, só que a experiência de externalidade continua tal e qual, sem tirar nem por, igualzinha como era antes. Então, quando você desperta você não sente nada, apenas fica óbvio: “Atá! Eu existo. E a realidade externa não é externa, está dentro de mim”. Só que é tão simples que você começa: “Não pode ser só isso. Não mudou nada, está igual antes. Tem que ter mais alguma coisa. Não tô sentindo que sou deus. Cadê o êxtase cósmico? Cadê a porra toda? Eu quero a porra toda!”. E você fica nessa porra até ficar óbvio que despertar existencial é só isso mesmo. Sempre foi. Sempre será. Apenas você ignorava. Depois, como não tem nada para você fazer com seu despertar existencial, nem com o fato de que você existe, você muda o foco e vai trabalhar no despertar psicológico e pessoal, pois é nessa parte que estão os equívocos subsequentes que te fazem viver mal.

A resposta é ambos e simultaneamente. Vou pegar eu e você de exemplo. Você não está me experimentando enquanto ser. Isso é impossível. Você está experimentando minha manifestação decodificada pelo seu sistema de decodificação. Essa manifestação decodificada é o que você chama de Ferrari e entende como sendo eu. Esse eu (Ferrari) dentro de você é o SEU FERRARI. Minha mãe experimenta o Ferrari dela. Minha esposa experimenta o Ferrari dela. Meu cachorro experimenta o Ferrari dele. O pernilongo experimenta o Ferrari dele. Até eu experimento um Ferrari diferente, meu Ferrari. Sendo assim, existem tantos Ferraris como seres que convivem comigo. Qual é o Ferrari verdadeiro? Todos e nenhum! Cada Ferrari é verdadeiramente a experiência que aquele ser está tendo e que ele chama de Ferrari. Só que nenhum desses Ferraris, nem mesmo o meu próprio ferrari, SOU EU. Eu sou um ser. Eu existo. Eu sou uma fábrica de realidade. Eu sou a fonte sem a qual nenhum desses Ferraris poderiam estar sendo experimentados, nem mesmo o meu Ferrari.

Não existe matéria, o que existe é experiência de matéria, então, não existe materialização. Seu corpo de carne e osso não é feito de carne e osso, é feito de experiência de carne e osso. Você não está transformado em um corpo humano de carne e osso e por isso está sendo humano, é o oposto. Você está optando por ser humano e por isso está se experimentando como um corpo humano de carne e osso contido no espaço e interagindo com outros corpos, etc.

A função da 1ficina não é lhe dizer como você deve viver. A função da 1ficina é lhe explicar O QUE É VIVER. Como você opta por viver é seu arbítrio. Cabe a você decidir. Cabe a você criar sua realidade.

A 1ficina encara tudo e todos de frente, cabeça erguida e olhando nos olhos. No caso das explicações alheias, canta o mantra: “Ema, ema, ema!” Ou seja, o que as outras escolas, mestres, instrutores, gurus dizem, não é problema da 1ficina. O trabalho da 1ficina se baseia apenas nas explicações da 1ficina. Mas esse tipo de pergunta é muito frequente, pois quando vocês chegam aqui, vocês estão cheio de bagagens. São informações acumuladas de diversas escolas, tradições e culturas. Essas informações ficam martelando dia e noite dentro da na cabeça de vocês. Além de serem um fardo, são conflitantes e estressantes. Uma informação briga com a outra. É um inferno. Para ilustrar a briga, vamos dar nome aos lutadores. O budismo briga com o cristianismo, que briga com espiritismo, que briga com o materialismo, que briga com o pensamento positivo, que briga com o carma, que briga com lei da atração, que briga com Nietzsche, que briga com Platão, que briga com Aristóteles, que briga com a Física Quântica, que briga com O Segredo, que briga com o caralho-a-quatro. Nada encaixa em nada. Ao invés de solução, paz e felicidade, que foi o motivo de vocês acumularem tanta bagagem, só aumenta o problema e o sofrimento. Então, quando você chega aqui, você joga suas bagagens para cima de mim e diz: “Me resolve!”. E eu aceito sua ordem de serviço. O trabalho da 1ficina é lhe ajudar a se resolver. Só que o motivo de nada se encaixar não é que nada se encaixa, é que você está DESencaixado de si. Então, a 1ficina simplesmente ignora suas bagagens e coloca você para praticar CIÊNCIA DO ÓBVIO, pois sabe que a única forma de ajudar você a se resolver e fazer tudo se encaixar é ajudando você a se encaixar em si.

Não tira seu chão, desmaterializa seu chão. Você continua pisando no chão, só que se torna consciente que o chão que está pisando não é externo nem feito de matéria. Nem o chão, nem seu pé, nem nada. Tudo muda sem que nada mude. Tudo continua como antes, mas já não é o mesmo tudo, não é mais um tudo material e externo, é um tudo imanente e feito de experiência de matéria. Essa é a metáfora da ressurreição do Neo no filme Matrix. Ele leva um tiro e morre, mas depois renasce e começa a ver os pixels da Matrix. Essa cena é uma metáfora do despertar existencial, do fim do mundo externo. O Neo morre na mentalidade materialista e renasce para mentalidade existencialista. Só que quando você tem um despertar existencial, você não começa a ver pixels, isso é só uma metáfora. Quando você tem o despertar existencial, você apenas entende que a matéria é só uma experiência de matéria, e que não é externa, é imanente.

Ninguém SABE que deus é outro. Deusoutro é uma crença. Quando você acredita que deus não é você, que deus é outro, você não está sabendo, está acreditando saber, está pensando que sabe. Sendo assim, o que diferencia um ser do outro é justamente saber disso.

Mas no viver? No dia a dia? O que muda?

Muda sua forma de viver. Quando você acredita no deusoutro, você vive de forma vitimista. Afinal, se o criador da sua realidade é deus, você é só uma vítima dele. Quando você está lúcido de que deus é você, não tem mais espaço para o vitimismo, pois você sabe que a realidade que está experimentando é criação sua.

Não é um exercício. Autoobservação é saber de si. Só isso! E você já está sabendo de si. Você sempre está sabendo de si, inevitavelmente, caso contrário, você sequer saberia que existe. O que acontece é que você está sabendo de si com pouca lucidez. Sua autoobservação é CONFUSA. Você está constantemente, ininterruptamente e inevitavelmente se autoobservando, mas você não tem DISCERNIMENTO sobre o que está “vendo”. Você sequer entende que está observando a si mesmo. Você ACREDITA que está vendo o mundo, a realidade, o universo, a vida, enfim, algo que não é você mesmo. Esse é o equívoco da transcendência. Ele acontece por falta de discernimento. É como se o seu discernimento estivesse bêbado ou adormecido. Então, ao invés de você aprofundar no autoconhecimento, você fica rodando no mesmo lugar. Ou pior! Amplia a confusão. Com o desenrolar do ciclo de estudos você vai receber dicas de discernimento que irão lhe ajudar a melhorar sua autoobservação e diminuir a confusão.

Teve uma época que participava de um grupo de poetas e fazíamos uma oficina de literatura aos finais de semanas, num centro cultural. Basicamente pedíamos para os participantes escreverem redações. Quando era minha vez de coordenar, acontecia muito de deixar o tema livre. Passava uma folha em branco e pedia para que escrevessem sobre o que quisessem. Ninguém escrevia nada. Era impressionante. Ficava todo mundo travado olhando para folha em branco. Daí eu encaixotava eles num tema. Dizia, por exemplo: “Escrevam sobre a amizade”. Pronto! Uma vez encaixotados, começavam a escrever. Ou seja, você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser um deus autônomo, criativo, autor da sua própria criação, por isso você segue os mandamentos dos outros, seja deusoutro, seja qualquer outro. Você troca sua liberdade de criador por segurança. É mais seguro escrever dentro da caixa, escrever a redação que lhe dizem para escrever e não sua própria. Você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser deus ao máximo. Você é um deus mendigo, um deus que morre de fome em um universo que é um banquete de infinitas possibilidades. Você é um deus que prefere a mediocridade do que dar um passo para fora do conhecido, do certo, do conforto, do seguro.

Entra no SER. Você é um ser humano, não um humano ser. Sua natureza existencial (ser) é sua natureza espiritual. Estudar sua existência (ser) é estudar sua espiritualidade. O problema é que sua existência não está em nenhum livro, nenhuma explicação, etc, sua existência está no ser que você é. Então, embora explicações possam lhe ajudar a despertar para sua natureza existencial (espiritualidade), sem a prática da autociência, você permanece sendo uma teoria para si mesmo. E você não é uma teoria. Óbvio que não!

Porque realidade é efeito. Efeito é desdobramento da causa. A causa da realidade é o arbítrio. Logo, não é a aleatoriedade. Aleatoriedade é o nome materialista e cientifico do vitimismo.

Porque é assim que funciona quando você está sendo humano. Se você estivesse sendo uma abelha, ou sendo uma pedra, por exemplo, estaria experimentando diferente.

Deus inconsciente = você acreditando que o criador da sua realidade é outro, que não é você.
Deus consciente = você consciente que o criador da sua realidade é você, que não é outro.

Despertar existencial não é um processo, é instantâneo. É como acordar de um sonho. Num instante você está sonhando, no outro não está mais, você despertou. No caso do despertar existencial, num instante você acredita que é um humano-ser no outro você percebe que é um ser humano, num instante você acredita que a realidade é feita de matéria e no outro você percebe que é feita de experiência de materialidade, num instante você acredita que a realidade é externa e no outro você percebe que é imanente. Essa transição consciencial é papum, é um click. A dificuldade em fazer o despertar existencial acontecer vem da falta de prática em autociência. Isso é a dificuldade antes. Uma vez que você desperta, surge uma dificuldade em lidar com o “sentido da vida”. Perceber que tudo é apenas uma experiência, abala seu sistema de crenças materialistas sobre a vida. Mas como você não tem outra opção senão existir, e agora você está consciente disso, só lhe resta duas opções: existir bem ou existir mal. Para existir bem, você precisa entender o que é existir mal. E só tem um jeito de você descobrir, praticando autociência. Você segue praticando autociência e a vida volta a fazer sentido, um outro sentido, mas volta.

PERGUNTA: Mas tem um processo para dar esse click, certo?

Sim, a água a 100 graus entra em ebulição imediatamente, mas não chega a 100 graus imediatamente. Por isso estamos aqui, estudando e praticando autociência. Quanto mais você praticar autociência, mais está se aproximando do seu ponto de ebulição.

É mais do que isso! Você é a realidade que está experimentando. A separação entre experimentador e experimentado é apenas pedagógica para fins de estudos.

Sim, totalmente. Porém, é um tiro no pé, pois é impossível fugir da responsabilidade. Até para fugir da responsabilidade você precisa optar por isso e optar é você executando sua responsabilidade. Ou seja, fugir da responsabilidade é tipo você gritando: “Eu sou mudo!”.

Um dos motivos é justamente sua ignorância disso, de que é você que cria seu sofrimento. Tem outros motivos. Estudaremos todos em breve. Mas sua pergunta tem uma lógica implícita muito interessante de observar. Vou explicitá-la. Você aceita que deus crie sofrimento para você, mas não aceita que você mesmo crie sofrimento para você. Ou seja, você acha um absurdo que você, pequenina inteligência humana, fosse um criador impondo sofrimento a sua criatura (você mesmo), mas não acha absurdo nenhum que deus, inteligência suprema, faça isso com você. Não deveria ser o oposto?

Seu questionamento é você buscando provar que é vítima. “Tá vendo! Eu sou uma vítima! Tem obrigação sim, não é escolha minha!”. Eu honro sua busca. Também não me dobrei até comprovar o contrário. O vitimismo não morre nem que deus chegue na sua orelha e te fale que você está equivocado. Só morre quando você desperta a consciência. Dito isso, vamos supor que você consiga provar que você é vítima. Para quem você estaria provando? Para deus? “Olha aqui deus, sou uma vítima sua, eis aqui a prova”. Ou então para os outros? “Olha aqui meu povo, somos vítimas da vida, do universo e da porra toda, eis aqui a prova”. Para mim? “Você está errado cara, eu sou uma vítima”. Enfim, para quem você quer provar que é vítima? E pra que?

PERGUNTA: Como ficou óbvio para você que no universo não existe obrigação, que é tudo opcional?

Praticando autociência e despertando a consciência existencial.

A 1ficina não mata deus, mata deusoutro, é diferente. Nesse sentido, a 1ficina ressuscita deus. Faz você, deus morto na ignorância, despertar para o óbvio: deus sou eu. Quem mata deus é a religião, ou melhor, os religiosos.

Sendo que você é o criador da sua realidade, então, a causa da sua realidade é você. Criador = Causador. São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Só existem duas opções de causa: A) Eu sou criador da minha realidade. B) Eu não sou criador da minha realidade. Não tem terceira opção. Se você quiser chamar a opção B de Deus, carma, reencarnação, Big Bang, fraternidade branca, Shiva, física quântica, vírus, obsessor, etc… é tudo opção B. Agora, se você acredita que não é a causa da sua realidade, praticar autociência é um absurdo e uma absoluta perda de tempo, pois sua realidade não tem relação causal com você, você não é a causa, você é apenas efeito. E por fim, sugiro observar que sua pergunta está procurando justificar o vitimismo. É muito justo você fazer isso, pois para viver bem não adianta você ACREDITAR que é criador da sua realidade, isso precisa ser óbvio, irrefutável, evidente.

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© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari