DEUS DA CARA PRETA

25/05/2016 by in category Livros with 0 and 0
image_pdfimage_print

PREFÁCIO

É impossível viver em paz acreditando que deus é outro. Nem deus conseguiria. Como viver em paz se a qualquer instante um estranho, todo poderoso, criador do céu e da terra, pode fazer o que quiser com o céu e a terra? Pode destruir com um sopro tudo que você construiu com suor? Pode matar você sem dó nem piedade? Pode pintar você de preto e te bater com chicote até sangrar? Pode levar você para tomar banho em uma câmara de gás? É impossível você viver em paz acreditando que deus é outro, porque essa crença é justamente a causa do seu pânico. Você morre de medo de viver, porque vive com medo de deus. A qualquer instante, o imprevisível e desconhecido deus, pode pegar você. A trilha sonora do seu relacionamento com deus é: deeeus, deeeus, deeeus, deus da cara preta… Você até tenta se prevenir das chifradas. Você acredita que se não der sopa para o azar, ou seja, para deus, o azar, ou seja, deus, não tem como pegar você. Só que pega. Você viaja de ônibus para evitar que deus derrube seu avião, mas deus te passa uma rasteira no casamento, ou puxa seu tapete no emprego. Nada resolve seu problema com deus, porque seu problema não é com deus, mas com sua crença de que deus é outro. Deus não é outro. Deus é você.


01 | MAIOR TABU HUMANO

Deus é o maior tabu humano. E não é só um tabu religioso, é um tabu científico também. Por isso que este estudo não é religioso, nem científico, é autocientífico. Autociência é similar à ciência tradicional, mas com um diferencial fundamental. A ciência tradicional é praticada através da observação, e produz conhecimento. Autociência é praticada através da auto-observação, e produz autoconhecimento. Assim, para que o descrito aqui se torne evidente para você, e não fique apenas como crença, é imprescindível que você comprove através da auto-observação. Na ciência tradicional, um cientista comprova o que o outro cientista diz reproduzindo a mesma experiência. Na autociência, a comprovação se dá através da auto-observação. Então, pratique autoobservação. Não fique apenas na teoria. Enquanto você não despertar para si mesmo, deus continuará sendo um tabu para você.


02 | FÁBRICA DA REALIDADE

Imagine que você fosse o único ser humano do planeta. Sendo assim, não existiria cultura no planeta. Todo seu entendimento seria seu, só seu, autoral. Não existiria outro ser humano para educá-lo em nada. Não existiria religião. Não existiria ciência. Todo seu entendimento seria fruto do seu próprio entendimento. Mesmo assim, inevitavelmente, você iria produzir um entendimento sobre deus. Por que inevitavelmente? Porque inevitavelmente você se questionaria sobre a fábrica da realidade. Quando você vê uma fruta, você se pergunta: “É fruta de que pé?” Você faz esta pergunta, porque fruta é produto, e você está procurando a fábrica da fruta. Por você experimentar uma realidade, você faz uma pergunta similar: Qual é a fábrica da realidade? É assim que você chega ao entendimento de deus. Deus é a fábrica implícita, da realidade explícita, que você está constantemente experimentando.


03 | DEUS OUTRO

Quando você se pergunta, “Quem está criando essa realidade?”, você já está assumindo que o criador da sua realidade não é você, pois se você se entendesse como criador da sua realidade, você não faria a pergunta. Uma vez que você assume que o criador da sua realidade não é você, então, é outro. Quem está criando essa realidade é outro. O criador dessa realidade é outro. A fábrica desta realidade é outro. Quem é esse outro? É deus. É assim que surge o deus outro. E mesmo nas tradições espiritualistas, onde se afirma que você é apenas consciência assistindo a realidade, se a realidade que você está assistindo está sendo criada, quem está criando? Se quem está criando não é você, então, é outro. Mesmo nesse caso, deus é outro também.


04 | DEUS CONSCIENTE

Deus não é outro. Deus é você. Mas o que muda do deus-outro para o deus-eu? O que muda é a qualidade consciencial com que você faz o que sempre faz: criar realidade. Você sempre foi, é, e será, criador da sua realidade. Isso é o que garante que você possa experimentar sempre o tipo de realidade que deseja experimentar. A crença de que deus é outro, não lhe impede de ser deus, criador da sua realidade, apenas lhe faz ser deus inconsciente. Despertar para o fato de que você é deus, é apenas uma mudança consciencial na forma de fazer o que você sempre faz: criar sua realidade. Você apenas deixa a brincadeira da criação inconsciente, ou seja, deus inconsciente, para entrar na brincadeira de criação consciente, ou seja, deus consciente.


05 | SONHO E SONHADOR

O argumento que lhe convence que deus é outro, é assim: “Se eu fosse deus, então, eu seria o criador de tudo. Mas isso é um absurdo, pois não estou criando essa árvore, essas flores, o sol, a rua, a casa, as pessoas, os carros, etc. Eu não estou criando o universo. Como posso ser deus? Absurdo! Deus não sou eu!”. A todo instante você está reforçando esta lógica, e consequentemente, reforçando a mentalidade de que deus é outro. Como sair dessa mentalidade? Só tem um jeito. Investigando a natureza da sua realidade através da auto-observação, e dando a si mesmo a evidência de que realidade é criação mental “dentro” de você.

Despertar para o fato de que você é o criador da sua realidade, é como despertar para o entendimento de que você é o sonho, e também o sonhador. A virtualidade de um sonho, é análoga à virtualidade da sua realidade. Em um sonho, você toca as coisas, sente sabores, vê cores, conversa com pessoas, tem gravidade, peso, tempo de deslocamento, tudo como se fosse realidade, física e externa, mas nada em um sonho é material, nem está “do lado de fora”, tudo em um sonho é feito de sonho, e está “dentro” de você. Analogamente, é assim que sua realidade está “dentro” de você.


06 | NOVA BRINCADEIRA

Para brincar de criação inconsciente é preciso estar inconsciente. É por isso que, até aqui, você esteve inconsciente sobre o fato de que você é o criador da sua realidade. Você queria experimentar como é viver acreditando que deus é outro, que a realidade é caótica, aleatória, e desproposital. Você também queria experimentar o sentimento de ser vítima das circunstâncias, vítima da vida, vítima das fatalidades, vítima de deus. E você brincou muito dessa brincadeira. Sendo que está lendo esse livro, e mais do que lendo, criando este livro na sua realidade, isso indica que está interessado em mudar de brincadeira. O caminho para a mudança é a prática da auto-observação. O vídeo a seguir é para lhe ajudar a refletir mais sobre o assunto.


07 | DEUS SOU EU

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: Esse livro não menciona termos como reencarnação e carma. Como a 1ficina considera a causa das doenças genéticas e congênitas?

Sendo que você é o criador da sua realidade, então, a causa da sua realidade é você. Criador = Causador. São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Só existem duas opções de causa: A) Eu sou criador da minha realidade. B) Eu não sou criador da minha realidade. Não tem terceira opção. Se você quiser chamar a opção B de Deus, carma, reencarnação, Big Bang, fraternidade branca, Shiva, física quântica, vírus, obsessor, etc… é tudo opção B. Agora, se você acredita que não é a causa da sua realidade, praticar autociência é um absurdo e uma absoluta perda de tempo, pois sua realidade não tem relação causal com você, você não é a causa, você é apenas efeito. E por fim, sugiro observar que sua pergunta está procurando justificar o vitimismo. É muito justo você fazer isso, pois para viver bem não adianta você ACREDITAR que é criador da sua realidade, isso precisa ser óbvio, irrefutável, evidente.


PERGUNTA: O que é autoobservação? Como faço esse exercício?

Não é um exercício. Autoobservação é saber de si. Só isso! E você já está sabendo de si. Você sempre está sabendo de si, inevitavelmente, caso contrário, você sequer saberia que existe. O que acontece é que você está sabendo de si com pouca lucidez. Sua autoobservação é CONFUSA. Você está constantemente, ininterruptamente e inevitavelmente se autoobservando, mas você não tem DISCERNIMENTO sobre o que está “vendo”. Você sequer entende que está observando a si mesmo. Você ACREDITA que está vendo o mundo, a realidade, o universo, a vida, enfim, algo que não é você mesmo. Esse é o equívoco da transcendência. Ele acontece por falta de discernimento. É como se o seu discernimento estivesse bêbado ou adormecido. Então, ao invés de você aprofundar no autoconhecimento, você fica rodando no mesmo lugar. Ou pior! Amplia a confusão. Com o desenrolar do ciclo de estudos você vai receber dicas de discernimento que irão lhe ajudar a melhorar sua autoobservação e diminuir a confusão.


PERGUNTA: Existem outras escolas, tradições e linhas de pensamento que também falam sobre criação de realidade. Como a 1ficina encara essas escolas?

A 1ficina encara tudo e todos de frente, cabeça erguida e olhando nos olhos. No caso das explicações alheias, canta o mantra: “Ema, ema, ema!” Ou seja, o que as outras escolas, mestres, instrutores, gurus dizem, não é problema da 1ficina. O trabalho da 1ficina se baseia apenas nas explicações da 1ficina. Mas esse tipo de pergunta é muito frequente, pois quando vocês chegam aqui, vocês estão cheio de bagagens. São informações acumuladas de diversas escolas, tradições e culturas. Essas informações ficam martelando dia e noite dentro da na cabeça de vocês. Além de serem um fardo, são conflitantes e estressantes. Uma informação briga com a outra. É um inferno. Para ilustrar a briga, vamos dar nome aos lutadores. O budismo briga com o cristianismo, que briga com espiritismo, que briga com o materialismo, que briga com o pensamento positivo, que briga com o carma, que briga com lei da atração, que briga com Nietzsche, que briga com Platão, que briga com Aristóteles, que briga com a Física Quântica, que briga com O Segredo, que briga com o caralho-a-quatro. Nada encaixa em nada. Ao invés de solução, paz e felicidade, que foi o motivo de vocês acumularem tanta bagagem, só aumenta o problema e o sofrimento. Então, quando você chega aqui, você joga suas bagagens para cima de mim e diz: “Me resolve!”. E eu aceito sua ordem de serviço. O trabalho da 1ficina é lhe ajudar a se resolver. Só que o motivo de nada se encaixar não é que nada se encaixa, é que você está DESencaixado de si. Então, a 1ficina simplesmente ignora suas bagagens e coloca você para praticar CIÊNCIA DO ÓBVIO, pois sabe que a única forma de ajudar você a se resolver e fazer tudo se encaixar é ajudando você a se encaixar em si.


PERGUNTA: Eu sou deus, mas você também é. Cada um é um deus. Sendo assim, até que ponto o outro (deus) pode interferir na minha realidade?

O outro pode INTERFERIR totalmente na sua realidade. E vice-versa. O universo é liberdade absoluta. Todos os seres são absolutamente livres. Seres que estão sendo humanos, seres que estão sendo animais, seres que estão sendo insetos, seres que estão sendo samambaia, seres que estão sendo pedra. Enfim, todos. Essa liberdade absoluta é tanto fonte das dores como das delícias da convivência entre os seres. Dito isso, acrescento que um é absolutamente impotente em DETERMINAR a realidade do outro. Interferir não é determinar. Vamos estudar isso em outros livros.


PERGUNTA: O livro explica que a realidade é virtual e está acontecendo dentro de mim. É isso?

É mais do que isso! Você é a realidade que está experimentando. A separação entre experimentador e experimentado é apenas pedagógica para fins de estudos.


PERGUNTA: Como o outro aparece em mim?

Da mesma forma que esse texto está aparecendo no seu whatsapp. O outro se manifesta, você recebe a manifestação do outro, decodifica essa manifestação com seu sistema (atualmente) humano e experimenta essa manifestação decodificada em si.

PERGUNTA: Se a realidade está “dentro de mim” e não há diferença entre experimentador e experimentado, como saber o que é eu e outro?

Essa é (A) pergunta. Posso lhe responder, mas se responder você vai perder a oportunidade de ter uma das EUrekas mais legais da brincadeira de ser humano. Sendo assim, sugiro prosseguir na investigação e descobrir por si mesma. Quando descobrir me convida para festa de celebração.


PERGUNTA: Eu experimento o outro ou a mim mesmo?

A resposta é ambos e simultaneamente. Vou pegar eu e você de exemplo. Você não está me experimentando enquanto ser. Isso é impossível. Você está experimentando minha manifestação decodificada pelo seu sistema de decodificação. Essa manifestação decodificada é o que você chama de Ferrari e entende como sendo eu. Esse eu (Ferrari) dentro de você é o SEU FERRARI. Minha mãe experimenta o Ferrari dela. Minha esposa experimenta o Ferrari dela. Meu cachorro experimenta o Ferrari dele. O pernilongo experimenta o Ferrari dele. Até eu experimento um Ferrari diferente, meu Ferrari. Sendo assim, existem tantos Ferraris como seres que convivem comigo. Qual é o Ferrari verdadeiro? Todos e nenhum! Cada Ferrari é verdadeiramente a experiência que aquele ser está tendo e que ele chama de Ferrari. Só que nenhum desses Ferraris, nem mesmo o meu próprio ferrari, SOU EU. Eu sou um ser. Eu existo. Eu sou uma fábrica de realidade. Eu sou a fonte sem a qual nenhum desses Ferraris poderiam estar sendo experimentados, nem mesmo o meu Ferrari.


PERGUNTA: Como percebo que algo com o qual estou convivendo é fruto de co-criação ou é fruto de aleatoriedade?

Percebendo que não existe aleatoriedade, que aleatoriedade é um equívoco.

PERGUNTA: Por que aleatoriedade é um equívoco?

Porque realidade é efeito. Efeito é desdobramento da causa. A causa da realidade é o arbítrio. Logo, não é a aleatoriedade. Aleatoriedade é o nome materialista e cientifico do vitimismo.


PERGUNTA: O que diferencia um ser que sabe que é deus de um ser que sabe que deus é outro?

Ninguém SABE que deus é outro. Deusoutro é uma crença. Quando você acredita que deus não é você, que deus é outro, você não está sabendo, está acreditando saber, está pensando que sabe. Sendo assim, o que diferencia um ser do outro é justamente saber disso.

PERGUNTA: Mas no viver? No dia a dia? O que muda?

Muda sua forma de viver. Quando você acredita no deusoutro, você vive de forma vitimista. Afinal, se o criador da sua realidade é deus, você é só uma vítima dele. Quando você está lúcido de que deus é você, não tem mais espaço para o vitimismo, pois você sabe que a realidade que está experimentando é criação sua.

PERGUNTA: Então, a resistência a deus-eu é fuga da responsabilidade?

Sim, totalmente. Porém, é um tiro no pé, pois é impossível fugir da responsabilidade. Até para fugir da responsabilidade você precisa optar por isso e optar é você executando sua responsabilidade. Ou seja, fugir da responsabilidade é tipo você gritando: “Eu sou mudo!”.


PERGUNTA: O despertar existencial tira meu chão? 

Não tira seu chão, desmaterializa seu chão. Você continua pisando no chão, só que se torna consciente que o chão que está pisando não é externo nem feito de matéria. Nem o chão, nem seu pé, nem nada. Tudo muda sem que nada mude. Tudo continua como antes, mas já não é o mesmo tudo, não é mais um tudo material e externo, é um tudo imanente e feito de experiência de matéria. Essa é a metáfora da ressurreição do Neo no filme Matrix. Ele leva um tiro e morre, mas depois renasce e começa a ver os pixels da Matrix. Essa cena é uma metáfora do despertar existencial, do fim do mundo externo. O Neo morre na mentalidade materialista e renasce para mentalidade existencialista. Só que quando você tem um despertar existencial, você não começa a ver pixels, isso é só uma metáfora. Quando você tem o despertar existencial, você apenas entende que a matéria é só uma experiência de matéria, e que não é externa, é imanente.


PERGUNTA: Que tipo de dificuldades surgem com o processo de despertar existencial?

Despertar existencial não é um processo, é instantâneo. É como acordar de um sonho. Num instante você está sonhando, no outro não está mais, você despertou. No caso do despertar existencial, num instante você acredita que é um humano-ser no outro você percebe que é um ser humano, num instante você acredita que a realidade é feita de matéria e no outro você percebe que é feita de experiência de materialidade, num instante você acredita que a realidade é externa e no outro você percebe que é imanente. Essa transição consciencial é papum, é um click. A dificuldade em fazer o despertar existencial acontecer vem da falta de prática em autociência. Isso é a dificuldade antes. Uma vez que você desperta, surge uma dificuldade em lidar com o “sentido da vida”. Perceber que tudo é apenas uma experiência, abala seu sistema de crenças materialistas sobre a vida. Mas como você não tem outra opção senão existir, e agora você está consciente disso, só lhe resta duas opções: existir bem ou existir mal. Para existir bem, você precisa entender o que é existir mal. E só tem um jeito de você descobrir, praticando autociência. Você segue praticando autociência e a vida volta a fazer sentido, um outro sentido, mas volta.

PERGUNTA: Mas tem um processo para dar esse click, certo?

Sim, a água a 100 graus entra em ebulição imediatamente, mas não chega a 100 graus imediatamente. Por isso estamos aqui, estudando e praticando autociência. Quanto mais você praticar autociência, mais está se aproximando do seu ponto de ebulição.


PERGUNTA: Eu me materializo para experimentar ser humano?

Não existe matéria, o que existe é experiência de matéria, então, não existe materialização. Seu corpo de carne e osso não é feito de carne e osso, é feito de experiência de carne e osso. Você não está transformado em um corpo humano de carne e osso e por isso está sendo humano, é o oposto. Você está optando por ser humano e por isso está se experimentando como um corpo humano de carne e osso contido no espaço e interagindo com outros corpos, etc.


PERGUNTA: Porque tenho a sensação que sou um corpo me deslocando no espaço?

Porque é assim que funciona quando você está sendo humano. Se você estivesse sendo uma abelha, ou sendo uma pedra, por exemplo, estaria experimentando diferente.


PERGUNTA: Existe uma explicação que diz que o Uno se subdividiu em muitos para experimentar a si mesmo através de inúmeras perspectivas. Existe algum fundamento para esse conceito dentro da 1ficina? Ou essa explicação retorna ao deusoutro?

O tal de UNO é a ENTEficação do coletivo. Vou fazer uma analogia para explicar o que estou chamando de ENTEficação do coletivo. Imagine que surja no universo uma ENTIDADE gigantesca chamada O POVO e depois ela se subdivida em sub-entidades chamadas PESSOAS. O que seriam as pessoas? Seriam sub-divisões da entidade chamada POVO. Agora pense no povo, tal como você conhece. As pessoas são a sub-divisão de uma entidade chamada POVO? Claro que não! POVO que é o coletivo de pessoas. Povo é um conceito para se referir ao coletivo de pessoas. Então, assim como não existe O POVO, mas POVO é um conceito para se referir a coletividade de pessoas. Não existe UNO, também é um conceito para se referir a coletividade dos seres (unidades existenciais).

Mas se você ENTEficar o coletivo de pessoas na palavra POVO e passar a ignorar que é apenas uma palavra para se referir ao coletivo de pessoas, você passará a acreditar que esse ENTE que não existe, existe. Se você ENTEficar o coletivo de seres na palavra UNO, ou DEUS, ou OSCAMBAL e passar a ignorar que é apenas uma palavra para se referir ao coletivo de seres, você passará a acreditar que esse ENTE que não existe, existe. Então, respondendo sua pergunta, sim, é por causa dessa ignorância de que deus é a coletividade de deus-eu, que você supõe o ENTE Deusoutro. Por isso, só o despertar para o deus-eu resolve a questão.


PERGUNTA: Como posso estar aqui nesse planeta?

Você não está em lugar nenhum. Nunca esteve, nunca estará. Você está sempre em si.

PERGUNTA: Como saber quem me colocou aqui?

Quem está se colocando nessa brincadeira de ser humano é você mesmo. E você é livre para sair, basta optar.

PERGUNTA: Como cheguei aqui?

Optando.

PERGUNTA: Como fui criada?

Você não foi criada. Você existe.

PERGUNTA: De onde originou minha existência?

Existência não tem origem: existência existe.


PERGUNTA: Você usa os termos deus inconsciente e deus consciente. Pode diferenciar um do outro?

Deus inconsciente = você acreditando que o criador da sua realidade é outro, que não é você. Deus consciente = você consciente que o criador da sua realidade é você, que não é outro.


PERGUNTA: Onde entra a espiritualidade no ser humano?

Entra no SER humano. Você é um ser humano, não um humano ser. Sua natureza existencial (ser) é sua natureza espiritual. Estudar sua existência (ser) é estudar sua espiritualidade. O problema é que sua existência não está em nenhum livro, nenhuma explicação, etc, sua existência está no ser que você é. Então, embora explicações possam lhe ajudar a despertar para sua natureza existencial (espiritualidade), sem a prática da autociência, você permanece sendo uma teoria para si mesmo. E você não é uma teoria. Óbvio que não!


PERGUNTA: Deus é mentira? Como deixar isso óbvio?

Mentira é fantasia, então, deusoutro, sim, é uma mentira, pois é uma fantasia. Só que é uma fantasia convictamente acreditada por você, assim como papai noel era na infância. Só que não tem como você descobrir que deus é mentira através do mesmo método que descobriu que papai noel era mentira. Você se aproximou do papai noel, arrancou a roupa dele e descobriu que era seu pai disfarçado. Não tem como você se aproximar de deus e arrancar a roupa dele porque deus é você. Então, não tem como você descobrir que deus é mentira através do método científico, só através do método autocientífico. Quando você pratica autoobservação existencial, fica óbvio que o criador da sua realidade é você (deus é você). Sendo óbvio que deus é você, óbvio que deus não é outro. Fim da mentira!


PERGUNTA: Como você tem certeza sobre deus?

Vamos supor que deus aparecesse na sua casa. Você acreditaria que deus é deus? Esse é o problema da certeza. Talvez você pedisse uma prova para ter certeza que deus é deus. Vamos supor que deus lhe desse várias provas. Para exemplificar, vamos supor que deus transformasse sua televisão num pão de queijo. Você teria certeza que deus é deus? Ainda assim deus poderia ser o diabo, não é mesmo? O diabo também tem super poderes. Percebe que mesmo que deus lhe prove que é deus, acreditar não resolve, não lhe dá certeza? Quem garante que deus é deus? Esse é o ponto! Quem garante? Percebe o problema da certeza? Eu não tenho certeza, eu tenho SERteza. Certeza é conhecimento, SERteza é autoconhecimento. Certeza é algo que você acredita sobre o outro, SERteza é saber de si. Eu sei que sou o criador da minha realidade. Isso é óbvio pra mim, eu tenho SERteza do que sou.


PERGUNTA: Se eu tiver uma doença e precisar amputar o pé, fui eu que escolhi vivenciar essa experiência?

Se a realidade que você experimenta não é opção sua, é opção de quem?

PERGUNTA: Se minha realidade é opção minha, então, eu posso mudar esta realidade e meu pé ser curado ao invés de amputado?

Quando você toma remédio, não é isso que você está fazendo?

PERGUNTA: O remédio é minha realidade também?

Óbvio! Onde está o remédio? Não está na sua realidade?

PERGUNTA: É possível recriar a perna danificada?

A lagartixa faz isso com o rabo. O ser humano também, em alguns casos, como cabelo e unha, por exemplo. Perna, não sei. Eu nunca fiz, nem conheço ninguém que tenha feito.


PERGUNTA: Você nunca teve a sensação do despertar existencial de novo? É só uma vez?

Nunca mais tive despertar existencial porque vivo nele. Imagina que você é cego e começa a enxergar. No primeiro momento é um despertar! Aha! É isso! Agora sim! Só que você não para de enxergar, então, se acostuma. Até porque não tem nada para vc fazer existencialmente senão existir. E isso nem é opcional. Então, você muda o foco do existencial para o psicológico é vai trabalhar no despertar pessoal, que é o que está fazendo você viver mal.


PERGUNTA: Se deus sou eu, porque crio sofrimento pra mim?

Um dos motivos é justamente sua ignorância disso, de que é você que cria seu sofrimento. Tem outros motivos. Estudaremos todos em breve. Mas sua pergunta tem uma lógica implícita muito interessante de observar. Vou explicitá-la. Você aceita que deus crie sofrimento para você, mas não aceita que você mesmo crie sofrimento para você. Ou seja, você acha um absurdo que você, pequenina inteligência humana, fosse um criador impondo sofrimento a sua criatura (você mesmo), mas não acha absurdo nenhum que deus, inteligência suprema, faça isso com você. Não deveria ser o oposto?


PERGUNTA: O ser humano tem medo de ser deus? É isso?

Teve uma época que participava de um grupo de poetas e fazíamos uma oficina de literatura aos finais de semanas, num centro cultural. Basicamente pedíamos para os participantes escreverem redações. Quando era minha vez de coordenar, acontecia muito de deixar o tema livre. Passava uma folha em branco e pedia para que escrevessem sobre o que quisessem. Ninguém escrevia nada. Era impressionante. Ficava todo mundo travado olhando para folha em branco. Daí eu encaixotava eles num tema. Dizia, por exemplo: “Escrevam sobre a amizade”. Pronto! Uma vez encaixotados, começavam a escrever. Ou seja, você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser um deus autônomo, criativo, autor da sua própria criação, por isso você segue os mandamentos dos outros, seja deusoutro, seja qualquer outro. Você troca sua liberdade de criador por segurança. É mais seguro escrever dentro da caixa, escrever a redação que lhe dizem para escrever e não sua própria. Você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser deus ao máximo. Você é um deus mendigo, um deus que morre de fome em um universo que é um banquete de infinitas possibilidades. Você é um deus que prefere a mediocridade do que dar um passo para fora do conhecido, do certo, do conforto, do seguro.

PERGUNTA: Liberdade assusta pelo fato da responsabilidade?

Liberdade é responsabilidade. Responsabilidade é responsa_habilidade (habilidade de responder). Sem responsabilidade, sem liberdade. Que liberdade você tem quando não pode responder? Liberdade e responsabilidade são dois nomes diferentes para mesma coisa. Você não executa sua liberdade de criador porque isso coloca em risco sua segurança. Você está seguro onde está e tem liberdade de mudar. Mas para mudar você tem que sair do conhecido é dar um passo rumo ao desconhecido, você tem que abandonar o estado de segurança e entrar no estado de insegurança. Por isso você cria mais do mesmo. Você opta pela segurança. Melhor um pássaro na mão do que dois voando, melhor ficar no conhecido, melhor ficar na mesma merda, pelo menos você já conhece e está acostumado com o cheiro.


PERGUNTA: Entendo que a realidade está dentro de mim, mas não sinto que está dentro de mim.

Nem jamais irá sentir. Despertar existencial não é sentir a realidade dentro de você, é estar consciente de que a realidade externa não é externa, é experiência de externalidade. Fica óbvio que o mundo externo não é externo, só que a experiência de externalidade continua tal e qual, sem tirar nem por, igualzinha como era antes. Então, quando você desperta você não sente nada, apenas fica óbvio: “Atá! Eu existo. E a realidade externa não é externa, está dentro de mim”. Só que é tão simples que você começa: “Não pode ser só isso. Não mudou nada, está igual antes. Tem que ter mais alguma coisa. Não tô sentindo que sou deus. Cadê o êxtase cósmico? Cadê a porra toda? Eu quero a porra toda!”. E você fica nessa porra até ficar óbvio que despertar existencial é só isso mesmo. Sempre foi. Sempre será. Apenas você ignorava. Depois, como não tem nada para você fazer com seu despertar existencial, nem com o fato de que você existe, você muda o foco e vai trabalhar no despertar psicológico e pessoal, pois é nessa parte que estão os equívocos subsequentes que te fazem viver mal.


PERGUNTA: Uns dizem que iluminação é quando ocorre a morte do ego. Outros dizem que é quando a energia kundalini vai até o chacra coronário. Pelas explicações da 1ficina parece fácil atingir a iluminação. Pode falar um pouco sobre isso?

Primeiro é preciso lembrar que tem três tipos de iluminação: existencial, psicológica e pessoal. E não tem nada de fácil no despertar pessoal, é trabalho, trabalho, trabalho do começo ao fim. Depois, para falar, basta ter boca. Então, deixem que digam, que pensem, que falem. “Segue o teu destino, rega as tuas plantas,
ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias”. Para chegar no autoconhecimento onde estou, tive que trair tudo e todos. Você terá que fazer o mesmo. Não quero ser um estorvo no seu despertar, mas serei. Um dia você terá que trair tudo e todos também (inclusive a 1ficina) se quiser ter seu próprio autoconhecimento ao invés de autoconhecimento emprestado.

INTERLOCUTOR: Você traiu os outros, mas não traiu a si mesmo.

Isso mesmo! Por isso que o grupo de práticas da 1ficina se chama: Traidores. É inevitável. Quando você decide ser fiel a si mesmo, essa decisão é uma traição para todo resto.


PERGUNTA: Entendi que crio sofrimento em minha vida por não ter consciência que sou eu que crio, que sou deus da minha realidade. Então, quando desperto a consciência para o deus-eu, consigo parar de criar esse sofrimento que venho criando?

Despertar da consciência serve pra isso. Só pra isso. Por isso que tem um texto da 1ficina que digo que autoconhecimento é inútil. Autoconhecimento não te faz rico, não te faz bonito, não aumenta seu status, não deixa você mais atraente, não paga as contas no fim do mês, não coloca comida na sua mesa. Autoconhecimento é inútil, só serve para você viver bem. Nada além disso. Dito isso, é preciso lembrar que são três tipos de despertar: existencial, psicológico e pessoal. E não adianta só despertar existencial. Você deve despertar nos três casos, senão, vai continuar ignorante do porque está criando o sofrimento, então, vai continuar vivendo mal.


PERGUNTA: Despertar da consciência possibilita eu eliminar pessoas desagradáveis da minha realidade?

Para isso não precisa despertar a consciência, basta usar um revólver.

INTERLOCUTOR: Não quero matar ninguém, quero saber se com a prática da autociência conseguirei lidar bem com pessoas desagradáveis.

Depois que você fizer todo o ciclo de estudos, estará equipada para fazer autoanálise, praticar despertar pessoal, e assim, lidar melhor com a manifestação dos outros na sua realidade.

INTERLOCUTOR: Isso que queria saber. Penso que podemos seguir a dança em harmonia e não um funk desgovernado.

Imagina um baile funk de cegos. É um pisando no pé do outro. Para que isso pare de acontecer é preciso voltar a enxergar (despertar a consciência). Mas cada um deve despertar por si, ninguém desperta o outro.


PERGUNTA: A filosofia ocidental deixa de lado o existencial?

Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e tem alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou deus.

INTERLOCUTOR: Nietzsche matou Deus assim como você e a 1ficina.

A 1ficina não mata deus, mata o deusoutro, é diferente. Nesse sentido, a 1ficina ressuscita deus. Faz você, deus morto na ignorância, despertar para o óbvio: deus sou eu. Quem matou e mata deus é a religião, ou melhor, os religiosos.


PERGUNTA: Você diz que no universo não existe obrigação, que é tudo opcional. Será mesmo?

Seu questionamento é você buscando provar que é vítima. “Tá vendo! Eu sou uma vítima! Tem obrigação sim, não é escolha minha!”. Eu honro sua busca. Também não me dobrei até comprovar o contrário. O vitimismo não morre nem que deus chegue na sua orelha e te fale que você está equivocado. Só morre quando você desperta a consciência. Dito isso, vamos supor que você consiga provar que você é vítima. Para quem você estaria provando? Para deus? “Olha aqui deus, sou uma vítima sua, eis aqui a prova”. Ou então para os outros? “Olha aqui meu povo, somos vítimas da vida, do universo e da porra toda, eis aqui a prova”. Para mim? “Você está errado cara, eu sou uma vítima”. Enfim, para quem você quer provar que é vítima? E pra que?

PERGUNTA: Como ficou óbvio para você que no universo não existe obrigação, que é tudo opcional?

Praticando autociência e despertando a consciência existencial.

PERGUNTA: Você não pode dar uma explicação sobre isso? Porque esse é o conflito da maioria das pessoas. Ninguém aceita que “pediu pra nascer”.

Vou explicar em breve. Você ainda nem tem a informação de que é uma UNItrindade, menos ainda consciência disso.

PERGUNTA: Eu sei o que é UNItrindade, há anos estudo o material da 1ficina.

Você sabe de estudar os livros, quando souber porque ficou óbvio, daí é o fim da pergunta e da busca para provar que é vítima.

PERGUNTA: Você vai dar a explicação agora ou quando formos estudar a UNItrindade?

Em breve eu vou explicar a UNItrindade. Quem praticar autociência e comprovar a própria UNItrindade, terá a pergunta respondida pela própria prática. Quem não praticar, vai continuar na ignorância e no vitimismo.

CONVERSAS RELACIONADAS

Ouça no Spotify

TEXTOS RELACIONADOS

Adoro ciência e adoro religião também, desde umbanda até religiões orientais. Para mim, as tradições religiosas são o apogeu da arte humana. Quem pintou a Capela Sistina, por exemplo, não foi um pintor qualquer, foi Michelangelo. Existem simbolismos religiosos que são extraordinariamente expressivos. A roda de samsara do budismo, por exemplo, é fora de série o tanto de informação que tem sobre o funcionamento da natureza humana naquela imagem. O sermão da montanha, a via crucis, as estrelas esotéricas, a alquimia, a cerimônia zen do chá, a mitologia grega, etc. Uma riqueza sem fim de simbolismos. Arte de primeira grandeza. Provavelmente produzida pelos seres humanos mais talentosos e lúcidos que viveram em cada época e participaram de cada cultura.

Porém, eu sei que todas as religiões são só simbolismos do autoconhecimento e entendo o que representam. Eu entendo porque eu me entendo. Eu sei o que é ser humano, estou consciente, lúcido, sobre o que é ser humano. Então, eu leio as religiões como se estivesse lendo um livro de poesia. Para mim, todas falam a mesma coisa e nenhuma entra em conflito com a outra. Apenas falam em linguagens diferentes. É igual falar maçã e apple. Só muda a linguagem simbólica. Assim, todas as religiões falam da mesma coisa: do ser humano. Aliás, não tem outra coisa para o ser humano falar senão do ser humano. Não tem outro assunto. É só isso o tempo todo, apenas em formas diferentes, representações diferentes.

Dito isso, posso dizer também que a prática da autociência não diminui nem retira a beleza das religiões. Muito pelo contrário, amplia. O que retira e diminui a beleza das religiões, por mais contraditório que possa parecer, é a própria religião, que apenas repete uma tradição simbólica acreditando que é factual e assim obscurece seus simbolismos. Símbolos religiosos são como cartas. Religiosos são pessoas que adoram envelopes sem nunca abrirem as cartas. Autocientistas abrem as cartas. Por conta disso, autocientistas entendem as religiões e os religiosos melhores do que os religiosos. Isso é desagradável para os adoradores de envelopes.

Se você é religioso, provavelmente está preso na arapuca do Mala Man. Para conseguir sair, você precisa ficar consciente de como entrou. Vou te contar. Primeiro você acreditou no materialismo, ou seja, acreditou que coisas são coisas, físicas, sólidas, 3D, externas, etc. Depois, alguém te contou que o criador de todas essas coisas era um cara chamado Deus. Então, seus pais te colocaram no catecismo. Você indagou sobre o criador de todas as coisas e a professora de catecismo usou a palavra “onipotente”.

Você não entendeu o significado de “onipotente” e um colega de catecismo, fã dos filmes da Marvel, te explicou que ninguém ganhava de deus, nem o maior dos vilões: o Mala Man. Na aula seguinte, a professora de catecismo passou uma folha com a oração do pai nosso. Você leu e rapidamente entendeu que era um grito de socorro para Deus: livrai-nos do Mala Man.

Sua vida não era fácil. A cada esquina havia sempre a possibilidade de um novo ataque do Mala Man. Daí, você pensou: “Se tem alguém que pode me proteger do Mala Man é esse caraê: Deus”. Pronto! A arapuca estava armada. Só faltava você fazer a pergunta final: “Como eu faço para convencer Deus a ser meu guarda-costas e me proteger para sempre do Mala Man?”. Seja lá para quem você perguntou e qual tenha sido a resposta, você entendeu que não podia desagradar Deus de jeito nenhum.

E foi assim que você entrou na arapuca do Mala Man. Para sair é simples: pratique autociência e descubra que deus é você.

Pergunta: Você diz que ateu também é crente. Pode explicar isso?

Tudo que você acredita é você acreditando. Tudo que você não-acredita também é você acreditando, só que no oposto. O crente (teísta) acredita que deus existe, o ateu acredita no oposto, que deus não existe. A diferença é apenas o tipo de crença acreditada. Quando você acredita que deus existe, você está acreditando na crença: deus existe. Quando você acredita que deus não existe, você está acreditando na crença: deus não existe. Mudar de crença não faz com que você deixe de ser um crente. Eis porque ateus também são crentes.

Pergunta: Você não acredita em deus? Você é ateu?

Não sou ateu, nem crente, sou consciente. Para mim deus não é crença, é ciência. Sou ciente do que é deus. Só existe crença em estado de ignorância, quando se é ciente de algo, a ciência substitui a crença. Um cego ignora as cores, então, só lhe resta acreditar. Quando você enxerga as cores, não precisa acreditar, você é ciente das cores. Sou ciente do que é deus. Deus para mim é evidente.

Pergunta: Você sabe o que é deus? É isso?

Sei e não tenho como deixar de saber. E seria muita imprudência minha falar sobre criação de realidade se não soubesse o que é deus.

Pergunta: Como deus deixou de ser uma crença para você e se tornou ciência?

Através da prática da autociência.

Pergunta: Qualquer um pode se tornar ciente de deus?

Sim, basta praticar autociência. Só que, embora seja simples praticar, não é fácil, pois você nunca foi incentivado a procurar deus em si mesmo e autocientificamente, lhe ensinaram a procurar fora e através de ensinamentos, então, você não sabe nem por onde começar.

Pergunta: E por onde devo começar?

Deve começar exatamente onde está, investigando o equívoco do deus_outro.

Pergunta: Que equívoco é esse?

Explico no livro: DEUS DA CARA PRETA

Deus só sabe brincar de uma única brincadeira: eu sou eu. É só isso que deus faz o tempo todo, 24 dias por hora, 60 horas por minuto. Eterna monoeutonia. Eu sou eu, eu sou eu, eu sou eu… Deus só não desiste de ser deus porque não tem outra opção. Se deus deixasse de ser deus quem ficaria no lugar dele? E pior! Que lugar sobraria para ficar. O jeito é que não tem jeito. Nem adianta deus rezar para que deus lhe ajude. “Mas isso não é problema meu, é problema dele!”, você pensa. É aí que você se engana. Quer dizer, deus.

Depois de intenso contato diplomático com a NASA e com o Vaticano, finalmente Deus concordou em dar uma entrevista no talkshow da ONU. O entrevistador foi selecionado através de um rigoroso teste de QI. O primeiro colocado foi um homem chamado Adão. No dia zero de zerozembro, as zero horas, a entrevista começou.

— O que é você? — Adão perguntou para Deus.
— Antes me diga o que é você? — Deus respondeu.
— Eu perguntei primeiro! — disse Adão.
— Sim, mas se você não souber o que é você…
— Qual é o problema? — perguntou Adão.
— Minha resposta não fará sentido! — disse Deus.
— E se eu souber? — perguntou Adão.
— Sua pergunta não fará sentido!

— De onde você vem? — Adão perguntou para Deus.
— Antes me diga de onde você vem? — Deus respondeu.
— Eu perguntei primeiro! — disse Adão.
— Sim, mas se você não souber de onde você vem…
— Qual é o problema? — perguntou Adão.
— Minha resposta não fará sentido! — disse Deus.
— E se eu souber? — perguntou Adão.
— Sua pergunta não fará sentido!

— Por que você existe? — Adão perguntou para Deus.
— Antes me diga por que você existe? — Deus respondeu.
— Eu perguntei primeiro! — disse Adão.
— Sim, mas se você não souber porque você existe…
— Qual é o problema? — perguntou Adão.
— Minha resposta não fará sentido! — disse Deus.
— E se eu souber? — perguntou Adão.
— Sua pergunta não fará sentido!

— Mais alguma pergunta? — disse Deus.
— Não! — disse Adão, para evitar ouvir a mesma ladainha.
— Então, vou embora! — disse Deus.
— Para onde você vai? — perguntou Adão.
— Antes me diga para onde você vai?
— Ok, já entendi! — disse Adão.

Manoel viajou para o Brasil e pediu para Joaquim ficar cuidando da casa dele em Portugal. Passado um mês, chega uma carta do Joaquim: “Manoel, seu gato morreu”. Manoel respondeu prontamente: “Isso é jeito de dar notícia, Joaquim?! Você quase me mata do coração! Vou te ensinar. Você precisa preparar a pessoa antes de contar o que aconteceu. Por exemplo, primeiro você me envia uma carta dizendo: Manoel, seu gato subiu no telhado. Passado uma semana, você me envia outra carta: Manoel, seu gato está andando no telhado. Passado outra semana, você me envia outra carta: Manoel, seu gato caiu do telhado. Então, passado um mês, você me conta: Manoel, seu gato morreu”. Dois meses depois, chega outra carta do Joaquim: “Manoel, sua mãe subiu no telhado”.

Deus também subiu no telhado. Só que assim como na piada do Manoel, você ainda não está preparado para entender que deus é você. É muito traumático assumir uma existência e uma responsabilidade que você passou a vida inteira empurrando para deus. É mais traumático do que descobrir que não foi a cegonha que te trouxe ou que papai noel é seu pai vestido de pijama vermelho. Então, como na piada do Manoel, você está atualmente se enviando cartas preparatórias. Essa aqui é uma delas.

Você tem medo de ser um espermatozoide. É por isso que você devora assuntos espiritualistas e está sempre em busca do próximo. Você está em guerra contra Carl Sagan e sua máxima que diz que você é feito de poeira de estrelas. A frase é bonita, mas só serve para ampliar sua angustia em escala astronômica.

Esse seu conflito se chama materialismo. Nas palavras de Darwin, é a teoria de que você é um espermatozoide em evolução. E qual é o problema nisso? O problema é que tudo que evolui, involui. Ou seja, tudo que nasce, morre. E você não quer morrer. Ninguém quer. Mas você não tem outra opção. Você é um espermatozoide que quanto mais corre, mais se aproxima do cemitério. Mesmo que você seja um espermatozoide resignado como Jesus, ou um espermatozoide sábio e compassivo como Buda, ou um espermatozoide famoso como Michael Jackson, ou um espermatozoide rico e poderoso como Julio Cesar, você não deixa de ter o mesmo destino de todos os espermatozoides.

Se Carl Sagan e Darwin estão certos, seu fracasso é só questão de tempo. É angustiante isso. Então, como solução, você busca o extremo oposto, busca teorias espiritualistas, metafísicas, etc. “Poeira de estrelas seu cu, Carl Sagan! Eu sou espírito! Sou sopa quântica! Sou consciência cósmica!”. Você aprende, decora e passa a acreditar. Só que teoria não resolve. Por mais forte que seja sua crença em uma teoria, você sabe que é teoria. Então, a angustia persiste. E persistirá até você encontrar a solução.

A raiva que você sente de deus é justa, natural e saudável. Como não sentir raiva de um sádico que te dá a vida só para te matar aos poucos? Que destrói num instante tudo que você demorou tanto para construir? Que permite que sua criação perfeita seja um campo fértil de violência, injustiça e crueldade? Que te fode da gênese ao apocalipse e ainda exige que você o ame acima de todas as coisas com pena de queimar no inferno? Como não sentir raiva de deus? Raiva é o mínimo! Revolta é pouco!

Só que você não dá um piu. Você quer esfregar a fuça de deus na merda que ele faz na sua vida. Mas o que você faz? Você reprime sua raiva, reza o pai nosso e engole o pão bolorento de cada dia.

Embora sua intenção seja positiva, reprimir sua raiva não produz bem viver, pelo contrário, produz úlceras, tumores e outras doenças psicossomáticas que você acrescenta na conta de deus. Para sair desse ciclo vicioso, o primeiro passo é você assumir sua raiva e mandar deus a merda.

Pagar de santo não é santidade. Fingir que está tudo bem só faz mal. Se você ainda não está consciente que deus é você mesmo e que seu arbítrio é o fiat lux da sua realidade, não adianta fingir que está. Não é reprimindo sua raiva que você desperta a consciência, é trazendo sua raiva ao consciente. Despertar é o que vem depois do sono. Solução é o que vem depois do problema. Êxito é o que vem depois do desafio. Paz é o que vem depois da guerra. Para fazer as pazes com deus, primeiro permita-se odiá-lo.

Acreditar em deus não resolve, pelo contrário, cria e perpetua o problema. Quando você acredita em deus, você está supondo que a causa da realidade que você está experimentando transcende você, está além de você, não é você. Causa transcendente pode ter vários nomes, religiosos, místicos, filosóficos e científicos. Tenha o nome que tiver, quando você acredita em causa transcendente, sua crença é a mesma: “Eu não sou a causa da realidade que estou experimentando”.

O problema de acreditar em causa transcendente é que realidade é efeito imanente. Imanência é o oposto de transcendência. Imanente é inerente (em si). Se a causa da realidade que você está experimentando não é você, se transcende você, o efeito deveria transcender também. Ou seja, quem deveria estar experimentando a realidade que você está experimentando é o suposto causador transcendente e não você. Porém, o suposto causador transcendente dá uma martelada no seu dedão, mas quem experimenta a martelada é você. Causa transcendente, efeito imanente.

Esse é um dos problema de acreditar em deus, a realidade que você está experimentando fica parecendo injusta. Outro problema é que, mesmo que sua realidade seja indesejada, você não tem outra opção senão aceitá-la, pois o causador da sua realidade não é você.

A solução não é você se tornar ateu. Ateísmo também é acreditar em causa transcendente. A solução é despertar a consciência e evidenciar o óbvio: “Eu sou a causa da realidade que estou experimentando”. Causa imanente, efeito imanente. Problema resolvido.

Tudo começa quando o despertador toca as 6:27 da manhã. Crianças acordam, apenas acordam. Adultos não. Adultos controlam o tempo. Adultos acordam as 6:27. E como se não bastasse, as 6:43, já sabem se vai chover na frança, que teve terremoto de escala 3,2 na china, que aumentou o preço da gasolina, e também o que vai acontecer no próximo capítulo da novela.

Acha pouco! Das 6:43 as 6:57, enquanto você está tentando dar seu primeiro passo e articular seu primeiro gugu-dadá, os adulto já andaram pela casa inteira doze vezes, produziram palavras suficientes para cantar todas as músicas do Roberto Carlos, fritaram ovos, lhe deram mamadeira, vestiram e desvestiram suas roupas umas três vezes, escovaram os dentes, passaram fio dental, mijaram em pé. E mais incrível! Amarram o cadarço do sapato sem precisar fazer orelhinhas de coelho.

E o que você fez? Você babou. E nem foi baba voluntária. Diante sua total incompetência, e vendo os adultos fazerem tudo isso, com tanta certeza, rapidez e precisão, qual é sua conclusão? Os adultos sabem o que estão fazendo. É inevitável que você pense assim. Um ser que acorda exatamente as 6:27 da manhã, só pode saber o que está fazendo. Um ser que usa garfo e faca, que bebe leite no copo, e que sabe a cotação diária do dólar, com certeza absoluta sabe o significado da sua existência.

Este é seu primeiro e recorrente equívoco existencial. É este equivoco que lhe convence a atravessar toda a tediosa e desagradável burocracia que o leva ao diploma de adulto. Infinitas horas de caligrafia, tabuada e absorção de conhecimentos que vão muito além de garfo e faca. Tortura primária, média, fundamental, superior e pós-graduada. É uma missão impossível. Mas se você, por um milagre, consegue chegar vivo ao morro do calvário, daí você tem uma iluminação: Adultos, eu lhes perdoo, vocês não sabem o que fazem.

Seu equívoco fica evidente quando você se dá conta que é um adulto, registrado, carimbado, avaliado, mas não sabe o que está fazendo. E se sua iluminação é profunda, se é capaz de transcender tudo que você decorou para passar no vestibular, se é capaz de transcender todo catecismo, se é capaz de transcender toda ciência, se é capaz de transcender até René Descartes, então, você imediatamente entende que ninguém sabe o que está fazendo. E quando digo ninguém, é ninguém mesmo. Nem o papa, nem o presidente, nem anjos, nem os arcanjos, nem mesmo deus.

Você entende que todos estão apenas fazendo. Até porque, não tem outra coisa para fazer, senão fazer alguma coisa. A única diferença, é que uns estão fazendo o que querem, enquanto outros estão fazendo o que não querem, uns estão inventando impossibilidades, enquanto outros estão realizando o impossível, uns estão fazendo o que foram ensinados a fazer, enquanto outros estão fazendo o que se ensinaram a fazer, uns estão brigando com os outros, se obrigando e obrigando todos serem iguais, outros estão desfrutando uns aos outros, curtindo as diferenças complementares, uns são deus acreditando que deus sabe o que está fazendo, outros são deus se deuscobrindo.

Você se questiona sobre a terra plana, sobre o uso excessivo de uvas passas no arroz, sobre a arbitragem do jogo do corinthians e até sobre as propriedades fitoterápicas do caroço de abacate, menos sobre o todo poderoso que, por amor, te faz comer o pão que o diabo amassou.

Quando você, excepcionalmente, se questiona sobre deus, acaba caindo em alguma doutrina religiosa que lhe convence que seu criador não deve ser questionado, que é heresia. Como se um ser onipotente, onipresente e onisciente fosse se ofender com uma pergunta ou fosse incapaz de respondê-la.

No fim da sua viagem humana, você faz uma retrospectiva e se questiona sobre a utilidade de ter se questionado tanto sobre o passageiro e nunca sobre o motorista. Só que não dá mais tempo de descobrir que você é passageiro e motorista, criador e criatura. Só dá tempo de se arrepender. Está arrependido? Ainda tem tempo? Aproveite!

Questione-se sobre deus.

“Meu ser, minha alma, minha mente, minha consciência, meu eu superior” é você terceirizando a si mesmo. Você não tem um ser, você existe. Você não tem uma alma, você vive. Você não tem uma mente, você pensa. Você não tem uma consciência, você sabe. Você não tem um eu superior, você é criador de si mesmo. Tudo que você supõe e acredita ser transcendente, é imanente, é você sendo você em você. Transcendência é um equívoco. Deus é você se olhando no espelho e acreditando que é a imagem no espelho que está olhando para você.

VÍDEOS RELACIONADOS

FILMES RELACIONADOS

COMPARTILHE AUTOCIÊNCIA

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari