LIVROS

*Os livros estão na ordem de leitura recomendada.

DEUS DA CARA PRETA

03/09/2015 by in category Livros with 0 and 0

PREFÁCIO

É impossível viver em paz acreditando que deus é outro. Nem deus conseguiria. Como viver em paz se a qualquer instante um estranho, todo poderoso, criador do céu e da terra, pode fazer o que quiser com o céu e a terra? Pode destruir com um sopro tudo que você construiu com suor? Pode matar você sem dó nem piedade? Pode pintar você de preto e te bater com chicote até sangrar? Pode levar você para tomar banho em uma câmara de gás? É impossível você viver em paz acreditando que deus é outro, porque essa crença é justamente a causa do seu pânico. Você morre de medo de viver, porque vive com medo de deus. A qualquer instante, o imprevisível e desconhecido deus, pode pegar você. A trilha sonora do seu relacionamento com deus é: deeeus, deeeus, deeeus, deus da cara preta… Você até tenta se prevenir das chifradas. Você acredita que se não der sopa para o azar, ou seja, para deus, o azar, ou seja, deus, não tem como pegar você. Só que pega. Você viaja de ônibus para evitar que deus derrube seu avião, mas deus te passa uma rasteira no casamento, ou puxa seu tapete no emprego. Nada resolve seu problema com deus, porque seu problema não é com deus, mas com sua crença de que deus é outro. Deus não é outro. Deus é você.


01 | DEUS SUBIU NO TELHADO

Manoel viajou para o Brasil e pediu para Joaquim cuidar da casa dele em Portugal. Passado um mês, chega uma carta do Joaquim: “Manoel, seu gato morreu”. Manoel respondeu prontamente:

“Isso é jeito de dar notícia, Joaquim?! Você quase me mata do coração! Vou te ensinar. Você precisa preparar a pessoa antes de contar o que aconteceu. Por exemplo, primeiro você me envia uma carta dizendo: Manoel, seu gato subiu no telhado. Passado uma semana, você me envia outra carta: Manoel, seu gato está andando no telhado. Passado outra semana, você me envia outra carta: Manoel, seu gato caiu do telhado. Então, passado um mês, você me conta: Manoel, seu gato morreu”.

Dois meses depois, chega outra carta do Joaquim: “Manoel, sua mãe subiu no telhado”.

Deus também subiu no telhado. Só que assim como na piada do Manoel, você ainda não está preparado para entender que deus é você. É muito traumático assumir uma existência e uma responsabilidade que você passou a vida inteira empurrando para deus. É mais traumático do que descobrir que não foi a cegonha que te trouxe ou que Papai Noel é seu pai vestido de pijama vermelho. Então, como na piada do Manoel, você está atualmente se enviando cartas preparatórias. Essa aqui é uma delas.


02 | MAIOR TABU HUMANO

Deus é o maior tabu humano. E não é só um tabu religioso, é um tabu científico também. Por isso que este estudo não é religioso, nem científico, é autocientífico. Autociência é similar à ciência tradicional, mas com um diferencial fundamental. A ciência tradicional é praticada através da observação, e produz conhecimento. Autociência é praticada através da autoobservação, e produz autoconhecimento. Assim, para que o descrito aqui se torne evidente para você, e não fique apenas como crença, é imprescindível que você comprove através da autoobservação. Na ciência tradicional, um cientista comprova o que o outro cientista diz reproduzindo a mesma experiência. Na autociência, a comprovação se dá através da autoobservação. Então, pratique autoobservação. Não fique apenas na teoria. Enquanto você não despertar para si mesmo, deus continuará sendo um tabu para você.


03 | FÁBRICA DA REALIDADE

Imagine que você fosse o único ser humano do planeta. Sendo assim, não existiria cultura no planeta. Todo seu entendimento seria seu, só seu, autoral. Não existiria outro ser humano para educá-lo em nada. Não existiria religião. Não existiria ciência. Todo seu entendimento seria fruto do seu próprio entendimento. Mesmo assim, inevitavelmente, você iria produzir um entendimento sobre deus. Por que inevitavelmente? Porque inevitavelmente você se questionaria sobre a fábrica da realidade. Quando você vê uma fruta, você se pergunta: “É fruta de que pé?” Você faz esta pergunta, porque fruta é produto, e você está procurando a fábrica da fruta. Por você experimentar uma realidade, você faz uma pergunta similar: Qual é a fábrica da realidade? É assim que você chega ao entendimento de deus. Deus é a fábrica implícita, da realidade explícita, que você está constantemente experimentando.


04 | DEUS OUTRO

Quando você se pergunta, “Quem está criando essa realidade?”, você já está assumindo que o criador da sua realidade não é você, pois se você se entendesse como criador da sua realidade, você não faria a pergunta. Uma vez que você assume que o criador da sua realidade não é você, então, é outro. Quem está criando essa realidade é outro. O criador dessa realidade é outro. A fábrica desta realidade é outro. Quem é esse outro? É deus. É assim que surge o deus outro. E mesmo nas tradições espiritualistas, onde se afirma que você é apenas consciência assistindo a realidade, se a realidade que você está assistindo está sendo criada, quem está criando? Se quem está criando não é você, então, é outro. Mesmo nesse caso, deus é outro também.


05 | DEUS CONSCIENTE

Deus não é outro. Deus é você. Mas o que muda do deus-outro para o deus-eu? O que muda é a qualidade consciencial com que você faz o que sempre faz: criar realidade. Você sempre foi, é, e será, criador da sua realidade. Isso é o que garante que você possa experimentar sempre o tipo de realidade que deseja experimentar. A crença de que deus é outro, não lhe impede de ser deus, criador da sua realidade, apenas lhe faz ser deus inconsciente. Despertar para o fato de que você é deus, é apenas uma mudança consciencial na forma de fazer o que você sempre faz: criar sua realidade. Você apenas deixa a brincadeira da criação inconsciente, ou seja, deus inconsciente, para entrar na brincadeira de criação consciente, ou seja, deus consciente.


06 | SONHO E SONHADOR

O argumento que lhe convence que deus é outro, é assim: “Se eu fosse deus, então, eu seria o criador de tudo. Mas isso é um absurdo, pois não estou criando essa árvore, essas flores, o sol, a rua, a casa, as pessoas, os carros, etc. Eu não estou criando o universo. Como posso ser deus? Absurdo! Deus não sou eu!”. A todo instante você está reforçando esta lógica, e consequentemente, reforçando a mentalidade de que deus é outro. Como sair dessa mentalidade? Só tem um jeito. Investigando a natureza da sua realidade através da autoobservação, e dando a si mesmo a evidência de que realidade é criação mental “dentro” de você.

Despertar para o fato de que você é o criador da sua realidade, é como despertar para o entendimento de que você é o sonho, e também o sonhador. A virtualidade de um sonho, é análoga à virtualidade da sua realidade. Em um sonho, você toca as coisas, sente sabores, vê cores, conversa com pessoas, tem gravidade, peso, tempo de deslocamento, tudo como se fosse realidade, física e externa, mas nada em um sonho é material, nem está “do lado de fora”, tudo em um sonho é feito de sonho, e está “dentro” de você. Analogamente, é assim que sua realidade está “dentro” de você.


07 | NOVA BRINCADEIRA

Para brincar de criação inconsciente é preciso estar inconsciente. É por isso que, até aqui, você esteve inconsciente sobre o fato de que você é o criador da sua realidade. Você queria experimentar como é viver acreditando que deus é outro, que a realidade é caótica, aleatória, e desproposital. Você também queria experimentar o sentimento de ser vítima das circunstâncias, vítima da vida, vítima das fatalidades, vítima de deus. E você brincou muito dessa brincadeira. Sendo que está lendo esse livro, e mais do que lendo, criando este livro na sua realidade, isso indica que está interessado em mudar de brincadeira. O caminho para a mudança é a prática da autoobservação. O vídeo a seguir é para lhe ajudar a refletir mais sobre o assunto.


08 | DEUS SOU EU


09 | PROBLEMA DE ACREDITAR EM DEUS

Acreditar em deus não resolve, pelo contrário, cria e perpetua o problema. Quando você acredita em deus, você está supondo que a causa da realidade que você está experimentando transcende você, está além de você, não é você. Causa transcendente pode ter vários nomes, religiosos, místicos, filosóficos e científicos. Tenha o nome que tiver, quando você acredita em causa transcendente, sua crença é a mesma: “Eu não sou a causa da realidade que estou experimentando”.

O problema de acreditar em causa transcendente é que realidade é efeito imanente. Imanência é o oposto de transcendência. Imanente é inerente (em si). Se a causa da realidade que você está experimentando não é você, se transcende você, o efeito deveria transcender também. Ou seja, quem deveria estar experimentando a realidade que você está experimentando é o suposto causador transcendente e não você. Porém, o suposto causador transcendente dá uma martelada no seu dedão, mas quem experimenta a martelada é você. Causa transcendente, efeito imanente.

Esse é um dos problema de acreditar em deus, a realidade que você está experimentando fica parecendo injusta. Outro problema é que, mesmo que sua realidade seja indesejada, você não tem outra opção senão aceitá-la, pois o causador da sua realidade não é você.

A solução não é você se tornar ateu. Ateísmo também é acreditar em causa transcendente. A solução é despertar a consciência e evidenciar o óbvio: “Eu sou a causa da realidade que estou experimentando”. Causa imanente, efeito imanente. Problema resolvido.


10 | DEUS NO TALKSHOW

Depois de intenso contato diplomático com a NASA e com o Vaticano, finalmente Deus concordou em dar uma entrevista no talkshow da ONU. O entrevistador foi selecionado através de um rigoroso teste de QI. O primeiro colocado foi um homem chamado Adão. No dia zero de zerozembro, as zero horas, a entrevista começou.

— O que é você? — Adão perguntou para Deus.
— Antes me diga o que é você? — Deus respondeu.
— Eu perguntei primeiro! — disse Adão.
— Sim, mas se você não souber o que é você…
— Qual é o problema? — perguntou Adão.
— Minha resposta não fará sentido! — disse Deus.
— E se eu souber? — perguntou Adão.
— Sua pergunta não fará sentido!

— De onde você vem? — Adão perguntou para Deus.
— Antes me diga de onde você vem? — Deus respondeu.
— Eu perguntei primeiro! — disse Adão.
— Sim, mas se você não souber de onde você vem…
— Qual é o problema? — perguntou Adão.
— Minha resposta não fará sentido! — disse Deus.
— E se eu souber? — perguntou Adão.
— Sua pergunta não fará sentido!

— Por que você existe? — Adão perguntou para Deus.
— Antes me diga por que você existe? — Deus respondeu.
— Eu perguntei primeiro! — disse Adão.
— Sim, mas se você não souber porque você existe…
— Qual é o problema? — perguntou Adão.
— Minha resposta não fará sentido! — disse Deus.
— E se eu souber? — perguntou Adão.
— Sua pergunta não fará sentido!

— Mais alguma pergunta? — disse Deus.
— Não! — disse Adão, para evitar ouvir a mesma ladainha.
— Então, vou embora! — disse Deus.
— Para onde você vai? — perguntou Adão.
— Antes me diga para onde você vai?
— Ok, já entendi! — disse Adão.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e têm alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou deus.

A 1ficina encara tudo e todos de frente, cabeça erguida e olhando nos olhos. No caso das explicações alheias, canta o mantra: “Ema, ema, ema!” Ou seja, o que as outras escolas, mestres, instrutores, gurus dizem, não é problema da 1ficina. O trabalho da 1ficina se baseia apenas nas explicações da 1ficina. Mas esse tipo de pergunta é muito frequente, pois quando vocês chegam aqui, vocês estão cheios de bagagens. São informações acumuladas de diversas escolas, tradições e culturas. Essas informações ficam martelando dia e noite dentro da cabeça de vocês. Além de serem um fardo, são conflitantes e estressantes. Uma informação briga com a outra. É um inferno. Para ilustrar a briga, vamos dar nome aos lutadores. O budismo briga com o cristianismo, que briga com espiritismo, que briga com o materialismo, que briga com o pensamento positivo, que briga com o carma, que briga com lei da atração, que briga com Nietzsche, que briga com Platão, que briga com Aristóteles, que briga com a Física Quântica, que briga com O Segredo, que briga com o caralho-a-quatro. Nada encaixa em nada. Ao invés de solução, paz e felicidade, que foi o motivo de vocês acumularem tanta bagagem, só aumenta o problema e o sofrimento. Então, quando você chega aqui, você joga suas bagagens para cima de mim e diz: “Me resolve!”. E eu aceito sua ordem de serviço. O trabalho da 1ficina é lhe ajudar a se resolver. Só que o motivo de nada se encaixar não é que nada se encaixa, é que você está DESencaixado de si. Então, a 1ficina simplesmente ignora suas bagagens e coloca você para praticar CIÊNCIA DO ÓBVIO, pois sabe que a única forma de ajudar você a se resolver e fazer tudo se encaixar é ajudando você a se encaixar em si.

Da mesma forma que você explica a sua. Você sabe explicar a sua? Dito isso, percebe como a mentalidade vitimista luta para provar que é vítima? A mentalidade vitimista não aceita a responsabilidade nem fudendo. Junta isso com a crença no deusoutro, ou qualquer outro unicórnio espiritualista e fudeu! Você vai viver mal e não vai conseguir sair do mal viver, pois acredita que é uma vítima impotente. Suponha que você consiga provar que você é vítima. E daí? Você estaria provando pra quem? E por quê? Viver com mentalidade materialista, acreditando que é um espermatozoide em evolução, não é fácil. O espermatozoide pira! Não tem paz dentro da mentalidade materialista, só tem medo. Mesmo que você seja um espermatozoide que acredita em deusoutro, mesmo que você seja o mais fervoroso dos crentes, é um inferno, porque acreditar não dá certeza e você sabe disso. E se você é um espermatozoide ateu, coloca a culpa na matéria, no Big Bang, na vida, na evolução. O espermatozoide teísta reza para deus, o espermatozoide ateu reza para evolução. Dá na mesma, só muda a etiqueta do deusoutro. E para fugir do medo, para viver em paz, o que o espermatozoide faz? Cerveja, pinga, maconha, Rivotril, chocolate, chocolate, Netflix, trabalho, trabalho, sexo, punheta, política, religião, Facebook, outra cerveja, casamento, filhos, muitos filhos, enfim, qualquer coisa que adormeça a consciência. Ah! Cigarro, muito cigarro, para, se possível, morrer logo e dar fim ao sofrimento.

Da mesma forma que esse texto está aparecendo no seu WhatsApp. O outro se manifesta, você recebe a manifestação do outro, decodifica essa manifestação com seu sistema (atualmente) humano e experimenta essa manifestação decodificada em si.

Para isso não precisa despertar a consciência, basta usar um revólver.

Não quero matar ninguém, quero saber se com a prática da autociência conseguirei lidar bem com pessoas desagradáveis.

Depois que você fizer todo o ciclo de estudos, estará equipada para fazer autoanálise, praticar despertar pessoal, e assim, lidar melhor com a manifestação dos outros na sua realidade.

Isso que queria saber. Penso que podemos seguir a dança em harmonia e não um funk desgovernado.

Imagina um baile funk de cegos. É um pisando no pé do outro. Para que isso pare de acontecer é preciso voltar a enxergar (despertar a consciência). Mas cada um deve despertar por si, ninguém desperta o outro.

Nem sente, nem jamais irá sentir. Despertar existencial não é sentir a realidade dentro de você, é estar consciente de que a realidade externa não é externa, é experiência de externalidade. Fica óbvio que o mundo externo não é externo, só que a experiência de externalidade continua tal e qual, sem tirar nem por, igualzinha como era antes. Então, quando você desperta você não sente nada, apenas fica óbvio: “Ah tá! Eu existo. E a realidade externa não é externa, está dentro de mim”. Só que é tão simples que você começa: “Não pode ser só isso. Não mudou nada, está igual antes. Tem que ter mais alguma coisa. Não tô sentindo que sou deus. Cadê o êxtase cósmico? Cadê a porra toda? Eu quero a porra toda!”. E você fica nessa porra até ficar óbvio que despertar existencial é só isso mesmo. Sempre foi. Sempre será. Apenas você ignorava. Depois, como não tem nada para você fazer com seu despertar existencial, nem com o fato de que você existe, você muda o foco e vai trabalhar no despertar psicológico e pessoal, pois é nessa parte que estão os equívocos subsequentes que te fazem viver mal.

A resposta é ambos e simultaneamente. Vou pegar eu e você de exemplo. Você não está me experimentando enquanto ser. Isso é impossível. Você está experimentando minha manifestação decodificada pelo seu sistema de decodificação. Essa manifestação decodificada é o que você chama de Ferrari e entende como sendo eu. Esse eu (Ferrari) dentro de você é o SEU FERRARI. Minha mãe experimenta o Ferrari dela. Minha esposa experimenta o Ferrari dela. Meu cachorro experimenta o Ferrari dele. O pernilongo experimenta o Ferrari dele. Até eu experimento um Ferrari diferente, meu Ferrari. Sendo assim, existem tantos Ferraris como seres que convivem comigo. Qual é o Ferrari verdadeiro? Todos e nenhum! Cada Ferrari é verdadeiramente a experiência que aquele ser está tendo e que ele chama de Ferrari. Só que nenhum desses Ferraris, nem mesmo o meu próprio Ferrari, SOU EU. Eu sou um ser. Eu existo. Eu sou uma fábrica de realidade. Eu sou a fonte sem a qual nenhum desses Ferraris poderiam estar sendo experimentados, nem mesmo o meu Ferrari.

A função da 1ficina não é lhe dizer como você deve viver. A função da 1ficina é lhe explicar O QUE É VIVER. Como você opta por viver é seu arbítrio. Cabe a você decidir. Cabe a você criar sua realidade.

Ninguém SABE que deus é outro. Deusoutro é uma crença. Quando você acredita que deus não é você, que deus é outro, você não está sabendo, está acreditando saber, está pensando que sabe. Sendo assim, o que diferencia um ser do outro é justamente saber disso.

Mas no viver? No dia a dia? O que muda?

Muda sua forma de viver. Quando você acredita no deusoutro, você vive de forma vitimista. Afinal, se o criador da sua realidade é deus, você é só uma vítima dele. Quando você está lúcido de que deus é você, não tem mais espaço para o vitimismo, pois você sabe que a realidade que está experimentando é criação sua.

Não é um exercício. Autoobservação é saber de si. Só isso! E você já está sabendo de si. Você sempre está sabendo de si, inevitavelmente, caso contrário, você sequer saberia que existe. O que acontece é que você está sabendo de si com pouca lucidez. Sua autoobservação é CONFUSA. Você está constantemente, ininterruptamente e inevitavelmente se autoobservando, mas você não tem DISCERNIMENTO sobre o que está “vendo”. Você sequer entende que está observando a si mesmo. Você ACREDITA que está vendo o mundo, a realidade, o universo, a vida, enfim, algo que não é você mesmo. Esse é o equívoco da transcendência. Ele acontece por falta de discernimento. É como se o seu discernimento estivesse bêbado ou adormecido. Então, ao invés de você se aprofundar no autoconhecimento, você fica rodando no mesmo lugar. Ou pior! Amplia a confusão. Com o desenrolar do ciclo de estudos você vai receber dicas de discernimento que irão lhe ajudar a melhorar sua autoobservação e diminuir a confusão.

Teve uma época que eu participava de um grupo de poetas e fazíamos uma oficina de literatura aos finais de semanas, num centro cultural. Basicamente pedíamos para os participantes escreverem redações. Quando era minha vez de coordenar, acontecia muito de deixar o tema livre. Passava uma folha em branco e pedia para que escrevessem sobre o que quisessem. Ninguém escrevia nada. Era impressionante. Ficava todo mundo travado olhando para folha em branco. Daí eu encaixotava eles num tema. Dizia, por exemplo: “Escrevam sobre a amizade”. Pronto! Uma vez encaixotados, começavam a escrever. Ou seja, você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser um deus autônomo, criativo, autor da sua própria criação, por isso você segue os mandamentos dos outros, seja deusoutro, seja qualquer outro. Você troca sua liberdade de criador por segurança. É mais seguro escrever dentro da caixa, escrever a redação que lhe dizem para escrever e não sua própria. Você (ser humano) não tem medo de ser deus, você tem medo de ser deus ao máximo. Você é um deus mendigo, um deus que morre de fome em um universo que é um banquete de infinitas possibilidades. Você é um deus que prefere a mediocridade do que dar um passo para fora do conhecido, do certo, do conforto, do seguro.

Porque realidade é efeito. Efeito é desdobramento da causa. A causa da realidade é o arbítrio. Logo, não é a aleatoriedade. Aleatoriedade é o nome materialista e científico do vitimismo.

Porque você quer fugir da culpa. Mas isso é impossível. Você é a culpada por tudo que experimenta. Quem mais seria? Assuma sua culpa ao invés de fugir dela e viverá bem.

PERGUNTA: Mas tem coisa que não é opção minha. Como pode ser minha culpa?

Você decide fazer uma viagem. Você decide não dirigir. Você decide comprar uma passagem e ir de ônibus. O motorista cachaceiro dorme de volante, bate o ônibus e você quebra a perna.

O que você faz?

( A ) Assume sua culpa pela perna quebrada, uma vez que foi você que decidiu viajar de ônibus.

( B ) Desconsidera sua decisão em viajar de ônibus e coloca a culpa no motorista cachaceiro que dormiu no volante.

Esclareceu?

PERGUNTA COMPLETA: Você diz que temos que observar o eu existencial. Qual é a diferença do eu existencial e da observação?

Não disse isso. O que digo é que para você ter um despertar existencial e ficar consciente da sua existência, você deve praticar observar a observação. Mas digo isso de forma pedagógica, pois de fato, é impossível observar a observação, uma vez que é a observação que observa. Só que não tem outra forma de explicar a prática do despertar existencial senão nesses termos. Quando você desperta existencialmente, quando fica óbvio, daí você entende porque digo “observar a observação”, entende que não é bem isso, e entende que não tem outro jeito de explicar.

Despertar da consciência serve pra isso. Só pra isso. Por isso que tem um texto da 1ficina em que digo que autoconhecimento é inútil. Autoconhecimento não te faz rico, não te faz bonito, não aumenta seu status, não deixa você mais atraente, não paga as contas no fim do mês, não coloca comida na sua mesa. Autoconhecimento é inútil, só serve para você viver bem. Nada além disso. Dito isso, é preciso lembrar que são três tipos de despertar: existencial, psicológico e pessoal. E não adianta só despertar existencial. Você deve despertar nos três casos, senão, vai continuar ignorante do porquê está criando o sofrimento, então, vai continuar vivendo mal.

É mais do que isso! Você é a realidade que está experimentando. A separação entre experimentador e experimentado é apenas pedagógica para fins de estudos.

Sim, totalmente. Porém, é um tiro no pé, pois é impossível fugir da responsabilidade. Até para fugir da responsabilidade você precisa optar por isso e optar é você executando sua responsabilidade. Ou seja, fugir da responsabilidade é tipo você gritando: “Eu sou mudo!”.

Um dos motivos é justamente sua ignorância disso, de que é você que cria seu sofrimento. Tem outros motivos. Estudaremos todos em breve. Mas sua pergunta tem uma lógica implícita muito interessante de observar. Vou explicitá-la. Você aceita que deus crie sofrimento para você, mas não aceita que você mesmo crie sofrimento para você. Ou seja, você acha um absurdo que você, pequenina inteligência humana, fosse um criador impondo sofrimento a sua criatura (você mesmo), mas não acha absurdo nenhum que deus, inteligência suprema, faça isso com você. Não deveria ser o oposto?

Seu questionamento é você buscando provar que é vítima. “Tá vendo! Eu sou uma vítima! Tem obrigação sim, não é escolha minha!”. Eu honro sua busca. Também não me dobrei até comprovar o contrário. O vitimismo não morre nem que deus chegue na sua orelha e te fale que você está equivocado. Só morre quando você desperta a consciência. Dito isso, vamos supor que você consiga provar que você é vítima. Para quem você estaria provando? Para deus? “Olha aqui deus, sou uma vítima sua, eis aqui a prova”. Ou então para os outros? “Olha aqui meu povo, somos vítimas da vida, do universo e da porra toda, eis aqui a prova”. Para mim? “Você está errado cara, eu sou uma vítima”. Enfim, para quem você quer provar que é vítima? E pra quê?

PERGUNTA: Como ficou óbvio para você que no universo não existe obrigação, que é tudo opcional?

Praticando autociência e despertando a consciência existencial.

A 1ficina não mata deus, mata deusoutro, é diferente. Nesse sentido, a 1ficina ressuscita deus. Faz você, deus morto na ignorância, despertar para o óbvio: deus sou eu. Quem mata deus é a religião, ou melhor, os religiosos.

Sendo que você é o criador da sua realidade, então, a causa da sua realidade é você. Criador = Causador. São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Só existem duas opções de causa: A) Eu sou criador da minha realidade. B) Eu não sou criador da minha realidade. Não tem terceira opção. Se você quiser chamar a opção B de Deus, carma, reencarnação, Big Bang, fraternidade branca, Shiva, física quântica, vírus, obsessor, etc… é tudo opção B. Agora, se você acredita que não é a causa da sua realidade, praticar autociência é um absurdo e uma absoluta perda de tempo, pois sua realidade não tem relação causal com você, você não é a causa, você é apenas efeito. E por fim, sugiro observar que sua pergunta está procurando justificar o vitimismo. É muito justo você fazer isso, pois para viver bem não adianta você ACREDITAR que é criador da sua realidade, isso precisa ser óbvio, irrefutável, evidente.

ÁUDIOS RELACIONADOS

Ouça no Spotify

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari