*Os livros estão na ordem de leitura recomendada.

DESMATERIALIZANDO O UNIVERSO

05/09/2015 by in category Livros with 0 and 0

INTRODUÇÃO

O universo não é material, nem externo. Porém, você acredita que é. Você tem convicção que é. Essa sua convicção é o equívoco do materialismo. Para que você possa sair do equívoco do materialismo, esse livro irá caminhar junto com você pelos quatro equívocos da mentalidade materialista.


01 | PRIMEIRO EQUÍVOCO DA MENTALIDADE MATERIALISTA: CRIADO

Mentalidade materialista não é privilégio dos cientistas. Tem materialismo científico e tem materialismo espiritualista também. Os dois são materialismo.

A lógica equivocada do materialismo é assim:

O criador demorou seis dias para criar uma vaca. No sétimo dia o criador foi descansar. Daí para frente o problema da criação passou a ser da vaca. Ela que fosse namorar com o boi para criar mais vacas. O criador não tinha mais nada a ver com isso.

Claro que essa mesma lógica se aplica aos seres humanos.

Depois de criar a vaca, o criador criou o homem. Uma vez que os homens foram criados, o criador foi descansar. Daí para frente o problema da criação passou a ser do homem. O homem que fosse namorar com a mulher para criar mais pessoas. O criador não tinha mais nada a ver com isso.

Qual é o equívoco dessa lógica?

O equívoco é que o criador não cria a realidade e pronto, fim da criação. O criador está constantemente criando a realidade, caso contrário a realidade desaparece.

Toda a briga entre criacionistas e evolucionistas acaba com esse entendimento porque criacionistas e evolucionistas pensam exatamente da mesma maneira, que a realidade foi criada e pronto, fim da criação. A diferença é que para os criacionistas o criador da realidade se chama Deus e para os evolucionistas o criador da realidade se chama matéria.

Nada nunca foi criado. As coisas não foram criadas. Realidade não é um criado. Realidade é criação. Ou seja, realidade está sendo criada instante após instante, agora, agora, agora, agora… Se a criação parasse de acontecer agora, tudo desapareceria agora, porque não haveria mais criação para produzir realidade.

Observe essa vaca pastando na tela do seu computador.

 

Se o computador parar de criar a vaca na tela, o que acontece? A vaca desaparece imediatamente. Puf! Não tem mais criado, não tem mais vaca.

Outro exemplo. Imagine uma vaca. Está vendo essa vaca na sua imaginação? Essa vaca aí na sua imaginação foi criada? Não, essa vaca na sua imaginação está sendo criada. Se você parar de imaginar essa vaca, essa vaca desaparece. Quer ver?

Imagine a vaca se transformando em um coelho. Um coelho branquinho, fofinho. Está imaginando o coelho? Então, cadê a vaca? A vaca desapareceu.

Agora imagine o coelho se transformando em um elefante grandão, pesadão. Está imaginando o elefante? Então, cadê o coelho? E cadê a vaca? O coelho desapareceu e a vaca desapareceu. E por quê? Porque você parou de criar vaca e o coelho.

Entende? Nada jamais foi criado. Não existe passado. Tudo é constantemente criado aqui, agora e sempre. A realidade é uma criatura enquanto o criador está criando, se o criador para de criar, a criatura desparece, pois não está mais sendo criada.

E assim é com TUDO. E quando digo tudo, eu quero dizer: tuuuuuuudo, sem exceção.


02 | SEGUNDO EQUÍVOCO DA MENTALIDADE MATERIALISTA: DEUSOUTRO

Criador é causador. Se você não é o criador da sua realidade, sua realidade não tem relação causal com você. Logo, para que autoconhecimento se nem o que você é, nem o que você experimenta tem nenhuma relação causal com você? Para que autoconhecimento se tudo que você experimenta é efeito de um criador que não é você?

O segundo equívoco da mentalidade materialista é o deusoutro (criador-outro).

Você diz: “Autoconhecimento para viver melhor!”. Como assim? Como viver melhor? Se você é criatura de um criador que não é você, então, você não vive, você é vivido. Você é vivido igual um boneco de marionete. Quando você vai para direita ou para esquerda, não foi você que foi, não foi você que causou seu deslocamento, foi o criador-outro. Você é só uma criatura, um avatar na tela de um vídeo game que está sendo controlado por um criador que não é você.

O segundo equívoco da mentalidade materialista é o deusoutro (criador-outro). E para sair do equívoco do deusoutro, você precisa despertar para o fato de que você é o criador da sua realidade. Você precisa despertar para o fato de que Deus é você e não outro.

Daí tem o terceiro equívoco.


03 | TERCEIRO EQUÍVOCO DA MENTALIDADE MATERIALISTA: MATERIA

Você pensa assim: “Como eu posso ser o criador dessa realidade, se essa realidade é material e eu não sou criador da matéria? Como eu posso ser o criador do sol, das estrelas, dos planetas, dos bichos, das nuvens, das montanhas? Como eu posso ser criador de todos os objetos se eu não consigo nem desenhar uma casa numa folha de papel? Impossível!”.

Se o universo fosse externo e material, sim, seria impossível. Só que o universo não é externo nem feito de matéria, o universo é imanente e feito de experiência de materialidade.

Uma coisa é um objeto ser duro, grande, tridimensional, colorido, quente, etc. Outra coisa é você ter uma experiência de dureza, de grandeza, de tridimensionalidade, de cor, de temperatura e, por conta disso, supor um objeto externo com essas características.

Você é sim o criador da matéria, pois matéria não é feita de matéria, matéria é feita de experiência.

Não existe objeto sol, por exemplo, existe experiência objetiva de sol. Sol é feito de experiência. Retire sua experiência de sol, que sol fica? Cadê o sol sem sua experiência de sol? Não tem sol sem experiência de sol. E por que não? Por que sol não é um objeto externo, é uma experiência dentro de você.

Está óbvio que tudo é feito de experiência? Ainda não! Então, descreva o sol. Descreva esse objeto que você chama de sol. Vamos supor que você descreva assim: “O sol é um objeto esférico, iluminado, quente, amarelo, que fica longe de mim”. Percebe que para descrever o sol você usa uma série de adjetivos: esférico, iluminado, quente, amarelo, distante? Onde estão os adjetivos? Nos objetos?

Você supõe que sim. Você supõe que o esférico, o iluminado, o quente, o amarelo e o distante saem do sol e entram em você. Só que não. Os adjetivos estão em você. São atribuições mentais suas. E pior! Objeto também é um adjetivo. Sem forma nenhuma, que objeto seria o sol?

Agora está óbvio que tudo é feito de experiência? Ainda não? Então, vamos fazer um experimento. Retire os adjetivos dos objetos. Qualquer objeto. Que objeto tem? Retirar os adjetivos do objeto sol, por exemplo. Retire o esférico, o iluminado, o quente, o amarelo, o distante. Que objeto sobra para você chamar de sol? Nenhum. Por que nenhum? Porque nem objeto, nem realidade, é feita de matéria. Esse é o grande equívoco que recebe o nome de materialismo.

Matéria é feita de experiência e não de matéria.

“Ah, mas tem o objeto em si, que eu vejo, e daí tenho a experiência de objeto dentro de mim”, você pode dizer. Essa é exatamente a suposição da mentalidade materialista. Tem que ter objeto em si, porque você pisa no chão duro e firme e você também é um objeto, um corpo.

Exatamente! Você também não é um objeto, você-objeto também é uma experiência dentro de você-nada. Você é o nada criador do tudo (todos os objetos).

Antes de prosseguir com a leitura assista esse vídeo.

E daí surge o quarto equívoco da mentalidade materialista.


04 | QUATRO EQUÍVOCO DA MENTALIDADE MATERIALISTA: DUALIDADE

O quarto equívoco da mentalidade materialista é o dualismo. Você é nada, mas não está além do tudo. Você é a fábrica da realidade, mas não está além da realidade.

Não tem nada e tudo: tudo é nada e nada é tudo. Tudo não é o oposto de nada. Esse é o equívoco do dualismo. Tudo é o nada em estado de manifestação.

Tudo é o estado do nada. Eis o monismo. Fim da dualidade.

Gelo e água, por exemplo, não são duas coisas distintas. Gelo é um estado da água. Quando você vê um iceberg flutuando no oceano, você comete o equívoco do dualismo. Você acredita que tem duas coisas, mas não, só tem água.

O mesmo acontece com todos esses objetos que você chama de objetos. Assim como gelo é um estado da água, todos os objetos são estado do nada. Não existe objeto, existe nada em estado de objeto. Sendo que você é o nada, todos os objetos são estado de você-nada.

Vamos voltar ao exemplo da vaca pastando na tela do seu computador.

Se você acreditar que a vaca é um objeto independente da tela, surge a dualidade: vaca e tela. Se você perceber o óbvio, se você perceber que a vaca pastando no monitor são estados da tela, é a tela se transformando, instante após instante, fim da dualidade.

Eis o monismo. Só tem um único ser, uma única existência, a tela, que por estar se manifestando em forma de vaca pastando, produz a ilusão, o efeito, a realidade virtual de vaca pastando.

Não existe criador e criatura. A criatura é o criador se vendo como criatura.

Imagine que a tela do computador fosse consciente, mas só conseguisse ver o que ela cria, e nunca a si mesma, a tela que é. Quando a tela criasse uma vaca pastando, devido à impossibilidade de ver outra coisa senão o que está criando, o que a tela iria acreditar ser?

A tela iria acreditar que ela é uma vaca pastando. E se alguém dissesse para tela que ela é muito mais que uma vaca, que ela é um nada potencial para tudo, que ela é uma fábrica de realidade, de qualquer realidade, com qualquer parâmetro, dimensão e característica. O que a tela diria?

Por favor, presta atenção, que agora é o ponto alto do equívoco. Vou repetir.

Se alguém dissesse para a tela que ela é muito mais que uma vaca, que ela é um nada potencial para tudo, que ela é uma fábrica de realidade, de qualquer realidade, com qualquer parâmetro, dimensão e característica. O que a tela diria?

Clique para ouvir a gravação do que a tela diria:

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Tudo é o nada se manifestando, assim como a imagem na tela é a tela.

Por isso que realidade (você-tudo) é dinâmico, vivo, impermanente, ao mesmo tempo que a fábrica da realidade (você-nada) é o oposto, estático e permanente. Tudo não é o oposto de nada, tudo é nada se manifestando.

Esse tudo que você está experimentando, aqui, agora e sempre, é seu tudo, é sua realidade. Quem está criando seu tudo, sua realidade? Você-nada, você-tela.

Mas quando eu lhe explico isso, o que você diz?

Clique para ouvir a gravação do que você diz:

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Eis os 4 equívocos da criação da realidade.


PERGUNTAS

Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e têm alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou deus.

“Separação” é um conceito espacial e materialista. Você-ser existe. A existência é a causa da matéria no tempo e espaço, logo, o conceito de separação não se aplica aos seres. O melhor é você pensar que cada ser é uma unicidade existencial diferente.

Praticando autociência, mais especificamente, autoobservação. Vou usar a analogia da mágica como exemplo. Se você observar atentamente os movimentos do mágico no vídeo abaixo, você se tornará consciente do truque que o mágico está executando. Você é um ser humano. Sua humanidade é um mágico. É sua humanidade que está produzindo o truque da experiência humana que inclui sua experiência de materialidade e externalidade. Autoobservação é assistir seus próprios movimentos mentais até que o truque da materialidade e da externalidade se tornem evidentes. Uma vez que se tornam evidentes, não tem mais mágica, virou autoconhecimento.

Imagine que você (ser) e todos os outros (seres) humanos estão jogando um videogame. Todos nasceram com os óculos e não conseguem tirar. Cada um está “enxergando” o mundo “externo” através dos seus óculos de realidade virtual. Claro que, sendo assim, vocês acreditam que existe um mundo externo, pois quando conversam, entram em acordo sobre o que estão “vendo”. Só que não tem nenhum mundo externo, não é? Cada um está vendo apenas a telinha dos seus óculos de realidade virtual simulando um mundo externo. É mais ou menos assim.

Por isso que despertar existencial é um despertar e não uma experiência observada. Na autoobservação existencial, você observa o tudo. Atenção! Não estou falando em observar todas as coisas, estou falando em observar tudo de uma vez, a totalidade da sua realidade (tudo). De repente, você percebe que você é o observador observando esse tudo. E que você não está no tudo. Puf! Você tem um despertar e fica óbvio que você é nada.

PERGUNTA: Só porque não me observo, significa que sou nada?

Sendo que o observado é tudo, sim.

O que está atrapalhando seu entendimento não é o nada, é o tudo. Quando digo tudo estou me referindo a sua realidade. Tudo = sua realidade. Você observa sua realidade (tudo), mas não observa o observador que está observando tudo, logo, você-observador é nada observando tudo.

Lembra da história do fotógrafo que procurava a câmera fotográfica dentro da fotografia? Você está fazendo a mesma coisa com o nada, está querendo encontrar o nada dentro do tudo. Impossível. A fotografia é a evidência da câmera. O tudo que você está observando é a evidência do observador. Você-observador não está no tudo, logo, você observador é nada.

Imagine uma televisão que esteja assistindo a si mesma. Melhor! Imagine uma televisão que “nasceu” assistindo a si mesma. Essa televisão vai acreditar que as imagens na tela são a tela. As imagens estão mais perto do que perto, estão na tela e a televisão nasceu assistindo as imagens, então, a televisão não tem como colocar um espaço entre a tela e a imagem. Até porque, não existe de fato espaço separando a tela da imagem na tela. Como separar? Simples. A tela é o que possibilita e fabrica a imagem que é produto. Analogamente o mesmo está acontecendo com você. Você-causa = televisão. Você-efeito = realidade. A televisão está assistindo a si mesma, você também.

Não, quem faz isso é o cientista. Um autocientista estuda os 5 sentidos e não através dos 5 sentidos. O objeto de estudo de autocientista é a si mesmo, é sua própria consciencia e seu proprio sistema cognitivo humano.

PERGUNTA: Um autociêntista é um neurociêntista?

Não, neurociência é o estudo o cérebro. O cérebro é um objeto observado, não é o observador. Para descobrir a natureza da matéria, o cientista deve:

1) Empilhar todo os objetos do laboratório no meio do laboratório, jogar gasolina e tacar fogo.

2) Enquanto estiver assistindo a grande fogueira consumir tudo que ele acreditava ser o caminho para descobrir a natureza da matéria, ele deve praticar autoobservação existencial. Ou seja, ele deve observar a si mesmo: o observador que está observando a fogueira. Daí, e só daí, o cientista ficará consciente sobre a natureza da matéria.

PERGUNTA: Se não houvesse até hoje nenhuma descoberta da neurociência, se nem soubéssemos que temos 5 sentidos, seria impossível chegar a conclusão que matéria é experiência de fisicalidade, não acha?

50 anos atrás não existia neurociência e seus pais já eram cientes que possuíam 5 sentidos, não? 2500 anos atrás não existia neurociência e Buda já explicava a natureza da realidade e os processos cognitivos.

COMPLEMENTO: É que a vida me ensinou que nada pode ser tão simples. Parece que o que é simples é mentira.

Exatamente! Imagina um cientista fazendo a fogueira que citei. Anos e anos de leitura, debates, teses de mestrado, equipamento disso, experiencia de fenda dupla, fenda quadrada, fenda redonda, tudo queimando e daí, praticar autoobservação, que é algo que não requer nenhum diploma, nenhum curso, nenhuma graduação, nenhum acelerador de partículas.

A mentalidade materialista não aceita isso de jeito nenhum. Não pode ser tão simples assim! Não pode! Aceitar isso, para mentalidade materialista, é assinar atestado de burrice. O que a mentalidade materialista vai fazer com todo seu orgulho intelectual? Comé que fica?

Fica assim… Assume a burrice que dói menos!

PERGUNTA COMPLETA: Na experiência do Gato de Schrödinger, o gato só está vivo ou morto quando eu abro a caixa e olho para ele, antes disso, ele está num estado de superposição (seja lá o que isso signifique!). Como um autocientista explica a experiência do gato de Schrödinger?

Imagine que você está jogando um videogame. Você é um personagem em frente uma caixa. Você abre a caixa e tem um gato dentro. O gato estava dentro da caixa antes de você abrir?

Se você partir da premissa materialista, que supõe que a realidade é externa, dimensional, e temporal independente da observação, você dirá que sim. Óbvio que o gato estava dentro da caixa, caso contrário, quando você abriu a caixa, não teria visto o gato. E está perfeita essa resposta, na lógica materialista, é assim mesmo.

Só que você é um personagem em um videogame e não um corpo no universo material. Em um videogame nenhuma realidade se faz presente na tela até que você a crie através do manuseio do controle (arbítrio). Então, enquanto você não optar por abrir a caixa, não tem sequer a imagem do interior da caixa, pois o videogame não criou essa tela ainda.

Assim é com tudo em um videogame. Você decide sair do quarto em que está. Você abre a porta e tem um jardim do lado de fora do quarto. O jardim estava lá antes de você decidir abrir a porta? Sim e não. Estava em potencial, mas não estava como realidade. O jardim se tornou realidade (imagem na tela) quando você decidiu abrir a porta.

Tem uma pergunta que é pior que essa. Você está andando por uma rua. Você passa por uma árvore. A árvore pela qual você passou está atrás de você? Sim e não. Está em potencial, mas não está como realidade, pois você não está mais criando e observando a árvore. Porém, se você decidir se virar e olhar para trás, essa sua decisão criará a árvore e você a verá atrás de você, o que dará a sensação de que ela continuou sendo realidade depois que você passou.

Então, voltando a experiência do Gato de Schrödinger, se você entende que realidade é uma criação virtual tal como em um videogame, você nem sequer sabe se tem ou não gato dentro da caixa. Pode ter um gato dentro da caixa, mas também pode ter um repolho roxo, um pote de sorvete, um big mac, um sapo, uma cebola, etc, infinitas possibilidades.

Sua decisão em abrir a caixa é o tal do colapso de onda. Você opta por abrir a caixa e experimenta a realidade resultante dessa opção. A partir desse momento, e só a partir desse momento, o videogame cria a realidade do interior da caixa com um gato dentro.

Se você ignorasse que está jogando um videogame, você teria a convicção de que o gato é uma coisa material, dentro de uma caixa material e que ele estava lá o tempo todo, caso contrário, seria impossível você ter aberto a caixa e encontrado o gato lá dentro.

Se você estivesse consciente que está jogando um videogame, você teria a mesma experiência do estado de ignorância, porém, consciente de que foi uma criação virtual resultando do seu arbítrio.

Que distância? Qual é a distância entre você e sua realidade? Eis uma ótima EUrekatividade! Observe a distância entre você e sua realidade. Pegue uma régua e procure medir a distância entre você e sua realidade. Você irá perceber que a régua também é realidade, então, não serve para você medir a distância entre você e sua realidade. Mas você pode colocar a régua na frente do seu corpo e medir a distância entre seu corpo e a parede. Só que tanto seu corpo, como a régua, como a parede, são a mesma experiência, é a mesma realidade. O desafio é você medir a distância entre você e sua realidade. Se você faz essa EUrekatividade, se faz mesmo, você desperta e percebe que não existe distância, que distância também é experiência de fisicalidade. Você não consegue medir a distância entre você e sua realidade porque você está MAIS PERTO DO QUE PERTO. Você é simultaneamente o criador da sua realidade e a realidade que está experimentando. Não tem distância entre criador e criatura, entre observador e observado. Essa separação é o equívoco em que está alicerçado o materialismo. Por isso que a Física Quântica é ciência e não AUTOciência. Veja a famosa experiência da fenda dupla, o observador está separado do observado, esse é o equívoco do materialismo e dos cientistas.

Não, pois você tem arbítrio. Tudo que você faz é você optando, arbitrando, usando sua natureza humana. Mas seu arbítrio só pode ser exercido dentro das possibilidades da natureza humana, assim como tudo que você pode fazer dentro de um videogame é dentro das possibilidades do videogame. Então, em questão de possibilidades, sim, tudo que você PODE FAZER já está pré-programado, pois a natureza humana é como um jogo de videogame.

Não são leis naturais, é o funcionamento da interface. Você e todos os seres humanos estão usando uma interface humana de comunicação chamada: humanidade. Isso faz com que você e todos os seres humanos tenham experimentação humana. Essa experimentação tem diversos aspectos. A cultura humana determina palavras para cada aspecto. Palavras como matéria, objeto, deslocamento, velocidade, altura, cor, luz, energia, líquido, som, etc. Só que você e todos os seres humanos ignoram que tudo isso é efeito da interface humana. É como se você acreditasse que tudo que está na tela do computador estivesse ali sem um programa por trás, sem o Windows (sistema operacional) para organizar. Então, por ignorarem a interface humana, você e todos os seres humanos passam a acreditar que a realidade que estão experimentando está sendo organizada por LEIS NATURAIS, quando de fato, está sendo organizada pela interface humana.

Você ainda não sabe, mas você está entendendo a palavra “existência” de forma materialista. Você pensa assim: “Eu sou um corpo, logo, eu existo”. Esse entendimento de que você é um corpo, de que o universo é feito de corpos, de que existência é igual coisas físicas, é a mentalidade materialista. Quando uso a palavra “existência”, quando falo que você existe, não estou me referindo a essa mentalidade materialista. Sua existência é imaterial.

PERGUNTA: Como você sabe disso?

Porque minha existência também é imaterial.

PERGUNTA: Como você sabe disso?

Porque eu sei da matéria e não a matéria que sabe de mim.

PERGUNTA: Como você sabe disso?

Porque é óbvio.

Nem sente, nem jamais irá sentir. Despertar existencial não é sentir a realidade dentro de você, é estar consciente de que a realidade externa não é externa, é experiência de externalidade. Fica óbvio que o mundo externo não é externo, só que a experiência de externalidade continua tal e qual, sem tirar nem por, igualzinha como era antes. Então, quando você desperta você não sente nada, apenas fica óbvio: “Ah tá! Eu existo. E a realidade externa não é externa, está dentro de mim”. Só que é tão simples que você começa: “Não pode ser só isso. Não mudou nada, está igual antes. Tem que ter mais alguma coisa. Não tô sentindo que sou deus. Cadê o êxtase cósmico? Cadê a porra toda? Eu quero a porra toda!”. E você fica nessa porra até ficar óbvio que despertar existencial é só isso mesmo. Sempre foi. Sempre será. Apenas você ignorava. Depois, como não tem nada para você fazer com seu despertar existencial, nem com o fato de que você existe, você muda o foco e vai trabalhar no despertar psicológico e pessoal, pois é nessa parte que estão os equívocos subsequentes que te fazem viver mal.

Sim, você cria seu sol, sua experiência de sol. Caso contrário, como você poderia estar experimentando essa experiência que chama de sol?

O Sol é um ser experimentando ser sol?

É super sutil o equívoco do materialismo. O que você chama de sol NÃO É um ser sendo sol, é um SER SENDO (se manifestando), só isso! Sua decodificação humana da manifestação desse ser é o que possibilita você experimentá-lo nessa experiência humana que você chama de sol.

Você está usando a lógica materialista para tentar entender a natureza existencial. Isso é muito comum. Todo calouro de autociência comete esse equívoco. É inevitável. Eu também cometi esse equívoco quando era calouro. Mas não funciona. Você não vai conseguir. Não dá para entender o maior pelo menor.

Eu digo que você não nasce e não morre, que você existe, e você pensa em si como um fantasma ou algo do tipo. Isso é lógica materialista. Mas não é isso. Existência é nada. Nada é nada. Nada é coisa nenhuma. Nada é zero. Um fantasma é uma coisa. E pior! O nada que você é contém tudo que você está experimentando. Tudo está dentro do nada. Daí que a lógica materialista pira mesmo, pois a lógica materialista é o menor.

Você só entende de fato sua existência quando tem um despertar existencial. Você desperta e fica consciente que você existe, sempre existiu, sempre existirá. Antes disso você só consegue fritar os neurônios tentando entender o maior pelo menor. Faz parte. Mesmo fracassando sucessivamente, quanto mais você fracassa, mais se aproxima do seu despertar existencial.

Dito isso, respondo sua pergunta:

Eu existo para que? Qual é a utilidade? Para que serve existir?

Existir não serve para nada. Não tem utilidade nenhuma. É absolutamente inútil. Existir é apenas a natureza dos seres. Seres existem. Só isso. Por que existem? Porque ser é existir.

Sim! Mas é preciso entender o que significa infinito e eterno. Para mentalidade materialista, infinito é algo muito muito muito grande, eterno é o que dura muito muito muito tempo. Isso é um equívoco. Muito muito muito grande, não é infinito, é muito muito muito grande. Muito muito muito tempo, não é eterno, é muito muito muito tempo. E o que é infinito, então? Infinito é adimensional. E o que é eterno, então? Eterno é atemporal. O atemporal é a fábrica do tempo. O admensional é a fábrica das dimensões (forma, grandeza). Você (ser) é atemporal e admensional. Fábrica do espaço-tempo.

Somos todos igualmente seres (nadas), mas cada um é um nada diferente do outro. Sua UNItrindade é sua individualidade existencial (você-nada). Caso contrário, você seria eu e eu não seria outro pra você. E, obviamente, eu não sou você, nem você sou eu, somos um e outro.

De uma única massa eu faço vários pastéis. Quero saber se todos viemos do mesmo lugar, do mesmo nada, da mesma massa. Entende? 

Se você quer saber mesmo, deve praticar autociência e descobrir por si próprio. Se quer meu testemunho, sim, você existe, eu existo, nós existimos. Todos os seres existem. E todos somos igualmente nada (existência). Porém, ser não vem de lugar nenhum. Lugar é lógica materialista. Ser existe.

Sim, serve de metáfora para o despertar existencial. É muito útil citar a Alegoria da Caverna de Platão em meios acadêmicos, pois é uma das poucas explicações desse tipo que faz parte do mundo acadêmico. Platão explicou o funcionamento do cinema 2000 anos antes da invenção do cinema. E explicou que a realidade é virtual antes da invenção do computador e da realidade virtual. Platão foi genial. Merece toda nossa admiração.

Não precisa. Você está recriando sua realidade a todo instante, mesmo inconsciente disso. Se você não recriasse sua realidade a todo instante, ela seria como uma fotografia, sempre a mesma fotografia. Mas ela é como um filme porque você, consciente ou não, está constantemente e ininterruptamente recriando sua realidade.

O problema é que sua realidade está uma bosta e você recria um cocô. Daí fica parecendo que é sempre a mesma merda. Enquanto você não desperta a consciência e se torna um criador consciente, não tem como ser diferente, você fica só alternando de bosta para cocô e é sempre a mesma merda.

Você não é ser, você é UM ser. Você é uma unicidade existencial singular, diferente dos outros seres. Dito isso, você-ser está se manifestando através da natureza humana, então, você está experimentando sua singularidade existencial humanizada, ou seja, com qualidade humana. Então, você é três: existencial, psicológico (humano) e pessoal. Sempre os três.

Matéria é experiência de fisicalidade. Toda experiência é limitada pelo TIPO DE NATUREZA que você (ser) está usando para produzir experiência. Você está brincando de ser humano. Então, só pode brincar de produzir e experimentar experiência humana.

PERGUNTA COMPLETA: Nada está acontecendo de fato? É tudo uma grande ilusão? Estamos imersos num sonho? Não passamos de sonhadores?

O sonho está acontecendo de fato, obviamente.

Não! É falta de prática em autoobservação existencial. Relaxa e prossiga praticando. Não se constrói uma casa começando pelo telhado. A opção de estudar a natureza existencial do ser humano, como toda opção, tem prós e contras. O principal contra é explicar. Não é nada fácil explicar o que está mais perto do que perto. O pró é a aniquilação total do vitimismo. Teve uma época que pensei: “Se nem os cientistas, que estudam o espaço-tempo, entendem o que estão estudando, que dirá pessoas que nunca pensaram no assunto!”. Daí pensei: “Se quem entende não explicar, quem irá explicar?”. O segundo pensamento me convenceu. Por isso prossigo explicando.

Para despertar existencialmente você deve praticar autoobservação existencial. Mas pelo seu relato, percebo o motivo da sua dificuldade. É o seguinte:

Você está tentando despertar existencialmente através do raciocínio, como se o despertar existencial fosse uma equação matemática a ser resolvida. Isso é um equívoco.

Não se chega ao despertar existencial através do raciocínio porque o raciocínio também é um objeto observado e despertar existencial é despertar para a consciência observadora que está observando todos os objetos, tanto os físicos como os psicológicos (mentais).

Você desperta existencialmente através da percepção do raciocínio e não raciocinando. Ou seja, o despertar existencial é irracional.

Pratique ficar consciente da percepção acontecendo. Perceba-se percebendo. Em algum momento dessa prática, você terá um despertar existencial. Quando tiver, você irá dizer “entendi!” e será capaz de explicar racionalmente a si mesmo e aos outros.

Eu uso o raciocínio para falar de algo que você, aluno, ainda ignora. Quando explico sobre o despertar existencial, estou falando de cor para pessoas com os olhos fechado. Faço isso porque não tem como transmitir lucidez, só dá pra transmitir explicações.

Você, aluno, começa a raciocinar minhas explicações acreditando que chegará ao despertar existencial através do entendimento, mas não importa o tanto que uma pessoa com os olhos fechados raciocine explicações sobre as cores, ele jamais chegará ao entendimento das cores raciocinando.

Contudo, basta abrir os olhos e a pessoa que estava ignorante das cores chegará ao entendimento das cores sem qualquer raciocínio. E mais! Tão logo fique consciente das cores, todas as explicações anteriormente ilógicas e sem sentido passarão a ter lógica e sentido.

Analogamente, o mesmo acontece com o despertar existencial.

Raciocinar as explicações é um começo, ajuda você a ficar consciente de que está na ignorância existencial (está com os olhos fechados). Depois que você entende isso, para despertar existencialmente (abrir os olhos), você deve abandonar o raciocínio se tornando um observador de tudo que você experimenta, o que inclui o raciocínio.

Exatamente! Por isso me dá um trabalho enorme desinverter a mentalidade materialistas de vocês, alunos. Por isso preciso criar palavras novas para explicar. Por isso tem palavras que uso com significado diferente do tradicional. Por isso tem palavras que não uso. A 1ficina tem todo um trabalho minucioso com as palavras, pois o vocabulário atual é um vocabulário baseado na lógica materialista e isso atrapalha o autoconhecimento.

Eis como nasce outro deusoutro. Quando você diz “O” nada, você está terceirizando a si mesmo. Você está apenas trocando o nome do deusoutro. Primeiro você chama deusoutro de “deus”, daí você vai estudar filosofia, ou ciência, ou esoterismo, e troca a palavra “deus” pela palavra “nada”. Agora sim! Agora o criador da sua realidade não é mais uma crendice religiosa de gente analfabeta. Agora o criador da sua realidade tem carimbo da universidade. Agora o criador da sua realidade é “O” nada. Olha só que chique! Agora você está acima dessa gentalha! gentalha! gentalha! Mas o que mudou de fato? Só mudou o rótulo do mesmo deusoutro de sempre. Não existe “O” nada. Nada é você. Nada é o ser que você é. Você é nada.

A grosso modo, a realidade sensorial (realidade física) é igual para todos os seres humanos, pois todos estão usando a mesma interface humana para se manifestar e receber manifestação. A prova disso é que, caso contrário, seria impossível a comunicação humana.

O paradoxo da fenda dupla não prova a virtualidade da matéria, mas cria um enorme “ENTÃO PORQUÊ?”. Na resenha do filme do Darwin, criei um diálogo entre pai e filho sobre a crença em Papai Noel. Segue um trecho:

— Mas Pai, nós moramos em um apartamento, não tem chaminé aqui, como o Papai Noel vai entrar aqui em casa? — você questiona.

— Ele entrará pela janela — responde seu pai.

— Mas Pai, são milhões de crianças no mundo, como o Papai Noel vai conseguir entrar em todas as casas em uma noite só? — você questiona.

— O trenó dele é turbinado e anda na velocidade da luz — responde seu pai.

— Mas Pai, são muitos presentes para carregar, como o Papai Noel vai carregar tudo em um trenó só? — você questiona.

— O Papai Noel tem um saco gigante que cabe tudo — responde seu pai.

Percebe? Os questionamentos do filho não provam a inexistência do Papai Noel, até porque é impossível provar que algo não existe uma vez que o ato de provar é afirmar uma existência. Mas os questionamentos do filho criam um enorme “ENTÃO PORQUÊ?” sobre a crença no Papai Noel. O paradoxo da fenda dupla faz o mesmo com o materialismo. Se matéria é material ENTÃO POR QUE se comporta de forma diferente com a medição?

Se os cientistas fossem autocientistas conscientes sobre criação de realidade, a experiência da fenda dupla não seria paradoxal nem espantosa, seria óbvia.

Você é um ser humano: ser e humano. Só que o termo ser humano atrapalha um pouco o entendimento sobre o que você é. Você não é duas coisas, ser e humano, você é uma coisa só: ser, porém em estado humano. Pense numa pedra de gelo. O que é gelo? Gelo é o estado da água. Então, uma pedra de gelo é água, porém, é água congelada. Analogamente, você-ser é como água, e sendo assim, você-ser pode brincar de “estados de ser”. Por exemplo, você-ser pode brincar de ser mineral, ser vegetal, ser animal e ser humano. Atualmente você está brincando de ser humano, então, assim como gelo é água congelada, atualmente você é um ser humanizado.

Daí tem o problema da palavra espírito. Espírito = você-ser. Você-ser é um ser, ou seja, você é um espírito. Só que a palavra espírito se degenerou. Espírito virou sinônimo de assombração, alma penada, gente morta, manifestação mediúnica, etc. E junto com a degeneração da palavra espírito, ocorreu também a degeneração da palavra espiritualidade.

Ser = existir. Você-ser é você-existência. Então, eis a resposta da sua pergunta:

Espiritualidade é existencialidade.

Entre outras coisas, antes de despertar a consciência eu acreditava que era um corpo físico contido no espaço, tal qual você está acreditando atualmente, com o despertar da consciência não perdi essa perspectiva, mas passei a viver consciente de que é apenas um truque mental. Claro que essa lucidez me possibilita viver melhor e conviver melhor por vários motivos. Então, mudou também a qualidade do meu viver. Eu vivia mal e passei a viver bem.

Você não é O nada, você é UM nada. O universo é uma coletividade de nadas (zeros). Universo = 0 + 0 + 0 + 0 + (…) O universo é Zeroverso. Dito isso, você cria realidade porque essa é a única brincadeira que tem para brincar no universo. Seres são deuses, criadores de realidade, fábricas de realidade. A única coisa que uma fábrica de realidade tem para fazer é fabricar realidade. De que tipo? Daí é variado. Você, por exemplo, é um ser que está brincando de fabricar realidade humana, por isso está experimentando uma experiência humana, que é o produto da sua fabricação.

Porque o despertar existencial faz sua busca espiritual entrar em colapso total. Sua busca espiritual fica sem sentido. Que sentido tem você buscar deus quando você descobre que deus é você? Para onde você vai evoluir se você não tem como sair de si? Que êxtase, que experiência transcendente você pode ter, se toda experiência é imanente?

Se te pergunto O QUE é isso, apontando para uma cadeira, por exemplo, você foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é cadeira e responde: isso é uma cadeira. Se te pergunto O QUE é você, você executa o mesmo processo, foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é corpo e responde: sou um corpo contido no espaço. Ou seja, você acredita que sua existência se resume a ser um corpo contido no espaço porque você usa como base existencial o critério materialista de existência. O critério materialista de existência se baseia nos 5 sentidos. Para o materialismo, O QUE EXISTE é o mensurável, o perceptível, o experimentável, mesmo que através de medição instrumentalizada, como microscópios, radares, etc. O critério materialista de existência não é errado. Mas é incompleto e invertido. Você não é apenas um corpo contido no espaço, você também é o espaço que está contendo o corpo. Você é nada e tudo: nadatudo. Você-corpo é tipo uma imagem no espelho. Assim como a causa da imagem no espelho não é a imagem no espelho, a causa de você se experimentar como corpo não é o corpo. Esse é o problema de usar o critério materialista de existência. Você passa a ignorar que você-corpo (tudo) está dentro de si mesmo (nada). Você passa a acreditar que sua existência é você-cheio, você-objeto contido no espaço. Só que é justamente o oposto. Sua existência é o espaço que contém o seu corpo. VoSer é o espaço. Você está contido em voSer. Isso é inconcebível para o critério materialista de existência. Eis a dificuldade do despertar existencial.

Primeiro porque não é de entender, é de ficar consciente. Dito isso, um dos maiores obstáculos para o leitor com as explicações da 1ficina é a palavra VOCÊ. Quando eu falo VOCÊ, quando aparece a palavra VOCÊ nos textos da 1ficina, significa Você_Ser_Humano, só que você, leitor, lê Eu_Humano_Ser. Até cair essa ficha, demoooora! Tem instrutores que usam a palavra SER, ou mais comum ainda, usam a palavra ESPÍRITO. Só que é tiro no pé, pois usar qualquer palavra que não VOCÊ, para se referir a você, acaba terceirizando você. Por isso as pessoas acreditam que TÊM um espírito. As vezes uso a palavra VOSER para fazer a diferenciação e ao mesmo tempo não criar a terceirização.

COMPLEMENTO DA PERGUNTA: Quando os cientistas descobrirem que a matéria não é material o método científico não vai ser alterado, pois se eu quiser consertar a torradeira eu terei que seguir os mesmos passos: hipótese, experimentação análise e conclusão.

Você está correta em sua observação. Mas não é disso que estou falando quando afirmo que o estudo da matéria não é um estudo cientifico, que é autocientífico. Estou falando em O QUE e você está pensando em COMO. O estudo da matéria é O QUE e não COMO. A pergunta que se busca responder no estudo da matéria é: O QUE é matéria?

Sendo que matéria é experiência, e sendo que experiência acontece no observador e não no observado, é impossível estudar O QUE é matéria através do método cientifico. O único método possível para se estudar O QUE é matéria é o método autocientífico.

Sobre COMO a matéria funciona. Aí sim a metodologia cientifica funciona e continuará funcionando do mesmo jeito, pois não é preciso saber O QUE é para se estudar COMO funciona. Você não sabe O QUE é água, mas sabe COMO funciona. Sabe que pode beber água para saciar a sede. Funciona. Você não sabe O QUE é fogo, mas sabe COMO funciona. Sabe que pode usar o fogo para esquentar a água e tomar um chá. Funciona.

Por isso matéria não é um estudo cientifico, é autocientífico.

Por que você quer ser alguma COISA. Segundo o critério materialista de existência, se você não é ALGUMA COISA, mesmo que uma COISA espiritual, ou uma COISA transcendental, ou uma COISA quântica, ou uma COISA metafísica, etc, então, você não existe. E você sabe que existe. É óbvio. Mas você quer ser ALGUMA COISA. Você não quer ser nada. Só que sua existência é nada, que é a fábrica de todas as coisas.

PERGUNTA COMPLETA: Sendo que cada um é um, por que o despertar existencial é igual?

Justamente porque cada ser é igualmente um ser. Quando você desperta existencialmente, o que você descobre é que você é UM ser, UMA existência, igual todas as existências (seres) do universo.

PERGUNTA: Mas a percepção que cada um tem da existência pode diferir, não pode? Afinal, cada pessoa tem seu próprio conteúdo pessoal e sente de um jeito diferente.

Isso é impossível, porque você-ser não é algo percebido, não é um objeto da sua observação, você-ser é a percepção que está percebendo, é a consciência observadora de todos os objetos. Você-ser é feito o olhar. O olhar vê tudo, comprova tudo, testemunha tudo, mas o olhar não vê o olhar, jamais verá, e ainda assim é inegável que o olhar existe.

PERGUNTA: Então o despertar existencial é impossível! Só posso pressupor minha existência logicamente, mas não tenho como observá-la.

Quase isso! Não é pressupor, é despertar para o óbvio, é perceber que tudo que você percebe são objetos observados, então, são produtos da observação. Quando você percebe isso, você desperta para a observação em si. Essa observação em si não pode ser observada, pois é a observadora. Mas também não pode ser negada, pois obviamente está observando. Então, não se trata de uma crença (suposição), é óbvio, mas sim, é incognoscível.

Porque experiência é observado e despertar existencial é despertar para o observador.

PERGUNTA: Se não é uma experiência, por que é que ela acontece, em um momento, em um lugar, em determinada hora? Para mim esse é o conceito de experiência.

Experiência é algo que você observa (experimenta). Você coloca uma bala na boca e tem a experiência de chupar a bala. Despertar existencial não é assim, você não observa o despertar existencial, você desperta para o observador que você é.

PERGUNTA: Seria por que não acontece nada pelos cinco sentidos?

Sim, tem a ver. Nem pelos cinco sentidos, nem pelo sexto sentido.

PERGUNTA: Então, despertar existencial precede a experiência, precede a observação?

Não precede a observação, é a observação despertando para si mesma.

Imagine que você é um olhar assistindo um filme. Você-olhar, está tão focado no filme, que esquece do olhar que você é. De repente, você se dá conta que, sem você-olhar, não teria como você estar assistindo o filme. Puft! Você desperta. Eu sou o olhar que está assistindo o filme. Despertar existencial é isso. Você é o nada que está assistindo tudo.

PERGUNTA COMPLETA: Por que resistimos tanto ao despertar existencial? Ou seja, por que resistimos a desmaterialização da matéria?

Ao entrar na experiência humana, você, assim como todo ser, se ensina um jeito materialista de pensar. Você assume a lógica materialista e a partir daí edifica todo seu conhecimento e autoconhecimento. Seu AUTOCONHECIMENTO está alicerçado na existência material: eu sou um corpo. Seu CONHECIMENTO também está alicerçada na existência material: o outro é outro corpo.

Quando a 1ficina explica que matéria não é material, ou melhor, quando a 1ficina esfrega na sua cara que matéria é experiência de fisicalidade, é como se a 1ficina estivesse jogando uma bomba atômica na sua mentalidade materialista. E mais! É como se a 1ficina estivesse esfaqueando sua noção materialista de “eu” (autoconhecimento).

A mentalidade materialista se sente ameaçada, ela não quer morrer. O que você chama de “resistência” é sua mentalidade materialista lutando para sobreviver, lutando para manter em pé, firme e forte, todo o conhecimento e autoconhecimento que ela passou anos e anos edificando.

Essa resistência é natural e inevitável. Faz parte do processo de despertar existencial. Eu também resisti com todas as minhas forças mentais. Tentei argumentar de tudo quanto é jeito contra o óbvio. Mas contra o óbvio não tem argumentos. O óbvio sempre vence. E cada batalha da resistência materialista é, na verdade, um passo para fora dela.

Por fim, quando o despertar existencial mata o materialismo e a noção materialista de eu, a lógica materialista continua e a noção materialista de eu também. Nada muda estruturalmente na experiência humana com o despertar existencial. A mudança é apenas consciencial. Fica óbvio que não é a matéria que cria você, nunca foi, é você que cria a matéria. Sempre foi assim, só que antes você ignorava, agora você está consciente disso.

EUreka! E tudo muda sem que nada mude.

Porque é óbvio.

Eu não sou você.
Eu sou outro você.
Outro ser.

PERGUNTA: Se existência é nada, como posso ser um nada diferente do seu nada?

Exatamente assim como é.

Se você fosse eu, o criador da minha realidade seria você e não eu. Mas o criador da minha realidade sou eu e não você.

PERGUNTA: Sua resposta está baseada na lógica racional ou na sua experiência?

Está baseada no óbvio. Não é óbvio para você que você não sou eu?

PERGUNTA: No meu despertar existencial, tive a sensação de que estou sozinho no universo. Você não teve a mesma sensação?

Não ESTOU sozinho no universo, estou acompanhado de todos os seres do universo. Mas eu SOU sozinho, sem outro, isso que é individualidade.

Antes de responder sua pergunta vou fazer uma troca de palavras. Onde você usou o termo “minha mente” vou substituir por “meu raciocínio”. Feito isso, você não consegue entender o que esse livro explica porque esse livro está explicando que você é nada e seu raciocínio é parte integrante do tudo.

Pensar não é saber (raciocinar não é saber). Pensar é processar informação, feito um computador. Quando você pensa algo, se você não fosse autoconsciente, você sequer saberia que pensou. Você sabe o que está pensando porque sabe que está pensando. Isso é tão óbvio que você não percebe. Você confunde pensar com saber e acredita que pensar é saber. Não é! Um computador pensa (processa informação) mas não sabe que pensa, pois não tem consciência do próprio pensamento.

É aí que começa o problema do raciocínio com a consciência e com a existência. Saber é inegável. Você sabe que sabe. Só que você não consegue explicar como sabe, nem porque sabe. Você apenas é consciente de que é consciente e é isso! É óbvio que você sabe! É inegável! Mas é só isso! O raciocínio não tem como processar nada sobre o saber, pois o raciocínio é o sabido (objeto do saber).

Ou seja, saber é irracional (irracionalizável). Não tem como entender o saber. Não tem lógica. Você simplesmente sabe e pronto! E não há nada que você possa fazer para evitar isso. Por isso que saber é inconcebível embora inegável, pois é o saber que sabe do raciocínio, não o oposto. Por isso que sua existência também é inconcebível embora inegável, pois você sabe que existe e não pensa que existe.

É inconcebível para a racionalidade que a realidade (que inclui a racionalidade) existe “dentro do saber”. Por isso que os cientistas estudam a realidade através do estudo da matéria. Por isso também que o caminho para o autoconhecimento não é a ciência, mas a AUTOciência, feita através da autoobservação (saber de si).

Ficar consciente que lugar é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que seu corpo é experiência de fisicalidade. Ficar consciente de que seu corpo deslocando pelos lugares é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que o ato de experimentar não é uma experiência. Ficar consciente que o ato de experimentar seu corpo deslocando pelos lugares não sai do lugar.

PERGUNTA COMPLETA: Você diz que temos que observar o eu existencial. Qual é a diferença do eu existencial e da observação?

Não disse isso. O que digo é que para você ter um despertar existencial e ficar consciente da sua existência, você deve praticar observar a observação. Mas digo isso de forma pedagógica, pois de fato, é impossível observar a observação, uma vez que é a observação que observa. Só que não tem outra forma de explicar a prática do despertar existencial senão nesses termos. Quando você desperta existencialmente, quando fica óbvio, daí você entende porque digo “observar a observação”, entende que não é bem isso, e entende que não tem outro jeito de explicar.

A lógica da explicação existencial é a lógica existencial. Só que a lógica existencial é uma lógica atemporal e adimensional. Então, não tente entender a lógica maior pela lógica menor. Não tente encaixar o atemporal e adimensional dentro do temporal e dimensional. Isso é impossível. Faça o oposto. Perceba que a lógica do materialismo está contida na lógica existencial, perceba que temporalidade e dimensionalidade é produto da existência. Percebido isso, problema resolvido.

Acho muito complexo a lógica existencial.

Pelo contrário, simples lógica de causa e efeito.

Tenho dificuldade de pensar nisso.

Pensar não é saber. Desperte para isso. Problema resolvido.

Vou te chamar de Mario Bros para facilitar responder.

Você está fazendo duas suposições. A primeira suposição é que a morte do corpo é a morte do Mario Bros, ou seja, morte da sua pessoa. A segunda suposição é que a morte de Mario Bros é o fim da brincadeira de ser humano. Suas suposições podem estar corretas, mas também podem estar equivocadas. A morte do Mario Bros pode ser uma mudança de fase na brincadeira de ser humano, igual um videogame, e não o fim da brincadeira.

No mundo tem pessoas que acreditam e defendem a suposição de que a morte é uma mudança de fase e tem pessoas que acreditam e defendem que é o fim da brincadeira. Só que o próprio fato de acreditarem e defenderem deixa evidente que não sabem do que estão falando, pois ninguém precisa acreditar em um fato, muito menos defender um fato. Acreditar e defender é para teorias, hipóteses e suposições. Então, para você (Mario Bros) saber o que acontece de fato, só tem um jeito: morrendo. E você (Mario Bros) vai morrer. Então, para que se preocupar com isso agora? Se for uma mudança de fase, você descobrirá inevitavelmente, e se for o fim da brincadeira, não haverá Mario Bros para saber que acabou.

Dito isso, dizer “o ser” é um equívoco. Ao dizer “o ser” você terceiriza a si mesmo. Você não tem um ser, você é um ser. O melhor para se referir a sua existência sem terceirização, é dizer: “eu-ser”. Fazendo essa troca de palavras sua pergunta fica assim: “Eu-ser me torno nada?”.

Não! Você-ser já é nada, sempre foi e sempre será. Transformação diz respeito ao que tem forma e tempo. A água se torna vapor. A semente se torna árvore. A lagarta se torna borboleta. Existência é a fábrica da forma e do tempo, logo, não tem forma nem tempo. Existência é adimensional e atemporal. Você-ser é uma fração infinitesimal de existência, logo, você-ser é adimensional e atemporal. Ou seja, você-ser é 1 nada. Já é. Sempre foi. Sempre será.

Só que isso que estou explicando, para você, é só uma explicação. E assim como a explicação do que é um pão não mata sua fome, a explicação do que você-ser é não te faz consciente de si. Para ficar consciente de que você é nada, adimensional, atemporal, você deve praticar autoobservação existencial, que basicamente consiste em responder a seguinte pergunta: o que é existir?

Nada é existência?

Sim, são duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa.

Existência tem consciência?

Não! Existência é consciência.

Existência tem desejo?

Não! Existência é desejo.

Você-ser é uma UNItrindade. Ou seja, você-ser é um com três aspectos: existência, potência (desejo) e consciência. Por isso que existência é consciência e desejo, não são três coisas distintas, são três aspectos do que você é.

Imagine que você é um jogar de futebol. O que você usa para chutar a bola?

( ) o pé
( ) a perna

Você usa tanto o pé como a perna, não é? Até porque o pé faz parte da perna. Analogamente, quem está criando sua realidade é você-ser, mas através do humano e do fulano.

Só ser, sem o humano, não tem como criar realidade, seria como um pintor sem tinta.

Ser humano, sem fulano, também não tem como criar realidade, seria como um pintor com muitas tintas, mas com Alzheimer. Ou seja, incapaz de usar as tintas.

Nem eu, nem você, nem ninguém ou coisa alguma. Só que eu sei disso e você ignora.

Como faço para saber também?

Apocalip-se!

Exatamente! Igual na metáfora do cinema. O projetor está permanentemente criando o filme, por isso o filme na tela é impermanente, dinâmico, vivo. O mesmo está acontecendo com isso que você chama de realidade. Você é o projetor e o filme é a realidade que você está experimentando, por isso sua realidade é impermanente, dinâmica, viva. Caso contrário, você passaria a eternidade assistindo a uma fotografia.

É mais do que isso! Você é a realidade que está experimentando. A separação entre experimentador e experimentado é apenas pedagógica para fins de estudos.

Exatamente como estou lhe explicando. Exatamente como explico no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO). Você é um materialista convicto, apenas tem conceitos espiritualistas e religiosos, mas ainda se entende como HUMANO SER. Aliás, creio que é mais fácil explicar a natureza da realidade para um materialista convicto do que para um materialista disfarçado de espiritualista. A explicação no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO) até quase o finalzinho é a explicação científica materialista, só quando o vídeo explica que o cérebro também é um objeto mental que explode o materialismo.

Sim! O que você chama de matéria não é matéria, é experiência de fisicalidade. Experiência de fisicalidade é feita de uma gama de atributos: altura, largura, profundidade, cor, peso, textura, cheiro, etc. Esses atributos da experiência de fisicalidade são atribuídos pela sua natureza humana. Sua natureza humana está em você. Então, quando você estuda os atributos da matéria, está estudando a si mesmo, está estudando sua humanidade. Não existe conhecimento sem conhecedor, então, todo conhecimento é autoconhecimento.

Ser é feito de existência.

Sim, o que importa não é a FORMA da realidade que você está experimentando e sim o SABOR que tem para você. De que adianta você se colocar numa realidade de meditação quando o que você quer mesmo é andar de bicicleta? Que gosto bom pode ter uma realidade que se cria a contra gosto? Só que esse equívoco é muito comum. E pior! É santificado, glorificado e pintado de elevação espiritual. Olha só o que pode acontecer! Você cria a realidade de meditação, que você não quer, mas é o que aprendeu que é certo, santo e sagrado, ao invés de andar de bicicleta, que você quer, mas aprendeu que é errado, profano e pecado. Resultado: sofrimento, sofrimento, sofrimento, até virar depressão. Para resolver a depressão, você começa a tomar antidepressivos. A depressão aumenta. Final da história: você babando e pensando em matar tudo e todos, até a si mesma. Quando a solução era simples: andar de bicicleta.

Posso fazer um. Fique observando TUDO isso que você está experimentando e perceba que é TUDO uma experiência só, seja pensamento, seja objeto, seja som, seja tato, seja o que for, observe que TUDO isso é parte integrante de um TUDÃO. Fique observando esse TUDÃO e perceba que esse TUDÃO é uma experiência de TUDÃO da qual você está sabendo, caso contrário, não estaria sabendo. Procure no TUDÃO esse saber que está sabendo do TUDÃO. Você não irá encontrá-lo em lugar nenhum, embora seja inegável que sem esse saber você não estaria sabendo do TUDÃO que está sabendo. Perceba então, que se esse saber é inegável, mas não está no TUDÃO que você está observando, então, esse saber é o próprio NADA. Sendo que esse saber é você-sabendo, então, esse NADA é você.

A terminologia da pré-existência é uma terminologia pedagógica para explicar o que é existência para interlocutores de mentalidade materialista. Interlocutores de mentalidade materialista igualam realidade com existência. Se você perguntar para um interlocutor de mentalidade materialista se a cadeira existe, por exemplo, ele dirá que sim, que a cadeira existe. Então, para dar a esse tipo de interlocutor a noção de causa, uma vez que ele está fundindo e confundindo causa e efeito, uso a terminologia pedagógica da pré-existência. É uma terminologia ruim, materialista, e outrocientífica, mas uma vez que o interlocutor está acreditando na mentalidade materialista, é útil e o ajuda a vislumbrar o que ele está confundindo. Os vídeos no Youtube são assistidos por muitas pessoas leigas em autociência, por isso, para conversar com essas pessoas leigas e de mentalidade materialista, uso em alguns vídeos a estratégia pedagógica da pré-existência.

Tocar é realidade. Você não toca os objetivos, você tem uma experiência de fisicalidade de que você é um corpo físico tocando outros objetos físicos. Parece concreto porque experiência de fisicalidade é exatamente assim, experiência de forma, experiência de corpo, experiência de objeto, experiência de concretude.

Esse bordão “tudo é ilusão” é o mantra da fuga de si mesmo. Autociência não é fugir de si, é se encarar. Realidade é real, por isso chama real_idade. Você está a todo instante, ininterruptamente, experimentando sua realidade. Não tem nada além de realidade para você experimentar. Como não é real? Óbvio que é real! Só que a materialidade da realidade é uma experiência de fisicalidade e não material. Por isso se diz que realidade é ilusão. Dito isso, a dificuldade de entendimento está na palavra “real”. O raciocínio funciona por antônimos. Para o raciocínio, calor é antônimo de frio. No caso da palavra ilusão, o antônimo é real. Só que a 1ficina iguala real com ilusão. A 1ficina diz que real_idade = ilusão. Ou seja, a 1ficina pega algo que seu raciocínio considera antônimo e diz que é sinônimo. Daí seu raciocínio pira, pois ele fica sem base de oposição. E para piorar, a 1ficina diz que o oposto de ilusão é você. Daí trava tudo! Falha na matrix!

A neutralidade científica existe sim, de uma certa forma, só que também não existe de outra forma. Existe porque quando Newton, por exemplo, observa e explica que caiu uma maçã na cabeça dele, ele não está dando uma opinião, está descrevendo uma queda que é factual e todos os seres humanos podem observar (experimentar) assim como ele. Só que essa observação (experimentação) é humana. Na ciência das minhocas, por exemplo, o que os seres humanos chamam de maçã em queda pode ser (e deve ser) algo completamente diferente. Então, nesse caso, a neutralidade científica desaparece, porque os cientistas humanos assumem o PONTO DE VISTA HUMANO como absoluto. E é absoluto entre seres humanos, mas os seres humanos não são os únicos seres do universo.

Não é correto dizer que comprovei com o verbo no passado, pois é um saber constante, no gerúndio. Eu vivo em constante comprovação. Eu vivo sabendo que matéria é experiência de fisicalidade. Imagine que você assiste a um mágico tirando um coelho da cartola, todo dia, repetidamente, durante anos e anos, até que um dia você descobre o truque e percebe que o coelho não está saindo da cartola, que é apenas um truque que dá a impressão de que o coelho está saindo da cartola. A partir daí, você nunca mais consegue ver o coelho saindo da cartola, pois você se tornou consciente do truque que fazia você acreditar que o coelho estava saindo da cartola. Se tornar consciente de que matéria não é material, que é experiência de fisicalidade, é análogo a isso. Através da autoobservação você investiga a natureza disso que você está constantemente experimentando (sua realidade). Conforme vai aprofundando na autoobservação, chega um ponto que fica óbvio que matéria é experiência de fisicalidade. A partir daí, assim como você não consegue mais ver o coelho saindo da cartola, pois está consciente do truque do mágico, você também não consegue mais ver matéria como material, pois você está consciente do truque mental da materialidade e da externalidade.

Não, pois o despertar da consciência não muda o jogo, muda seu jeito de jogar.

PERGUNTA: E o jeito de jogar não altera a realidade?

Despertar da consciência altera seu jeito de alterar a realidade. Você se torna competente em criar realidade de boa qualidade. Você continua criando e experimentando realidade humana (não muda o jogo), porém, como está lúcido sobre o que é ser humano, você muda seu jeito de jogar e passa a criar realidade humana de melhor qualidade.

Não tenho uma rotina. Geralmente faço quando se faz necessário por diferentes motivos. Quando vou explicar para alguém sobre autoobservação existencial, por exemplo, ou então, quando estou lidando com algum sofrimento. Quando não é necessário, fico na mentalidade materialista.

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