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Coringa

28/02/2021 by in category Filmes with 0 and 0

ANÁLISE AUTOCIENTÍFICA DO FILME CORINGA

Coringa é um filme muito rico em demonstrar aspectos da natureza humana. Tem várias maneiras de analisar o filme e o personagem principal. Essa minha análise autocientífica se foca na questão da violência e do arbítrio.

Um erro justifica o outro? Dois erros fazem um certo? A violência que recebo justifica a violência que entrego? Vingança corrige erros ou apenas perpetua?

Essas são perguntas que o filme Coringa coloca na tela e dentro da nossa cabeça.

Por um lado, concordamos com a vingança do Coringa. Olho por olho dente por dente. Justiça distributiva.

Quem nunca quis matar seus algozes? Quem não os mata mentalmente todo dia, toda vez que é violentado? Quem nunca esfaqueou o chefe? Quem nunca torturou o pai, a mãe, a esposa, o marido e os filhos? Quem nunca metralhou os inimigos? Quem nunca apertou o botão da bomba atômica e explodiu a porra toda?

Quem? Quem? Quem? Que atire a primeira pedra!

Ora, somos todos vingativos. Mesmo fingindo que não somos. Mesmo secretamente. Somos vingativos. Todos queremos vingança assim como o Coringa.

Por isso o filme é incômodo e perturbador. O filme projeta na tela o que desejamos em secreto, o que não temos coragem de admitir nem para nós mesmos.

Contudo, embora sejamos Coringas por dentro, não vivemos como Coringas por fora. Nem mesmo o Coringa vivia como Coringa por fora até determinado momento do filme.

Darth Vader, o vilão intergaláctico do filme Guerra Nas Estrelas, era um Jedi antes de virar vilão, antes de passar para o lado negro da força.

O que aconteceu com Darth Vader? O que aconteceu com o Coringa? O que acontece dentro de nós? O que acontece dentro de um indivíduo que faz com que ele decida colocar em prática a vingança?

Raiva? Ódio insuportável? Necessidade inadiável de virar o jogo, virar a mesa, sair do cativeiro, sair do tronco do chicote, sair da posição de oprimido?

Sim, óbvio! E essa necessidade é natural, saudável e justa. Porém, será que a vingança é uma estratégia capaz de atingir o objetivo almejado pelo vingador: o fim da violência?

Interessante observar que o grupo de super heróis mais famoso do cinema se chama: vingadores. Interessante observar também que o super herói Batman nasce sob o juramento de Bruce Wayne de vingar a morte dos pais e lutar pela justiça.

Ora, vingança e justiça não é exatamente a mesma motivação do Coringa? Então, porque o Coringa é vilão e o Batman é herói?

E mais! Se ambos usam a vingança como meio para dar fim à injustiça, porque nenhum dos dois conseguem?

Mais perturbador do que assistir o filme do Coringa é não ter resposta para essas duas perguntas que são o cotidiano da convivência humana.

Thats life!

© 2021 · 1FICINA · Marcelo Ferrari