COMO SE LIBERTAR DE UMA CRENÇA LIMITANTE

25/04/2020 by in category Textos with 0 and 0

Como descobrir minhas crenças limitantes e como alterá-las?

Primeiro é preciso entender que uma crença é o que é: uma crença. Só isso! Nem positiva, nem negativa. Apenas um pensamento. Sem valor e sem poder nenhum. Quem dá poder e valor a uma crença não é a crença, é quem está acreditando nela. Por exemplo, os ensinamentos cristãos são crenças que só tem poder e valor para uma pessoa que acredite nele, um cristão, mas não tem poder nenhum para uma pessoa que não acredite, como um budista, um judeu ou um ateu, por exemplo. Crença é crença, não é acreditar. É o ato de acreditar que dá valor e poder às crenças.

Dito isso, acreditar em uma crença pode possibilitar que você viva em acordo com sua unicidade ou impedir isso. Unicidade é sua individualidade. Quando você acredita em uma crença que está EM acordo com sua unicidade, você vive bem. Quando você acredita em uma crença SEM acordo com sua unicidade, você vive mal. Isso responde a primeira parte da sua pergunta, para descobrir qual crença lhe impede de viver bem, você deve pegar seu mal viver como objeto de estudo.

Vamos supor que você está vivendo mal no emprego. Você deve “virar o olho do avesso”, ou seja, praticar autoobservação, e observar tudo que acontece dentro de você quando está no emprego. Tudo que você sente e pensa. Primeiramente o que sente, que será algum tipo de sofrimento, uma vez que se trata de um mal viver. Vamos supor que, ao fazer isso, você descubra que sente tédio, porque é um emprego muito burocrático e você gosta de trabalho criativo sem burocracia.

Uma vez descoberto o tipo de sofrimento, a pergunta que você deve se fazer, é: “Se não quero experimentar essa realidade, no que estou acreditando que está me fazendo experimentar essa realidade?” Essa pergunta vai levar você diretamente para dentro do seu sistema de crenças. Continue se perguntando, se investigando, feito um detetive: “Se não quero experimentar essa realidade, no que estou acreditando que está me fazendo experimentar essa realidade?”. Em algum momento você terá uma EUreka. Você irá visualizar a crença em que você está acreditando e que está lhe impedindo de viver em acordo com sua unicidade.

Para exemplificar, vamos supor que seja uma crença assim: “Melhor um passarinho na mão do que dois voando”. Para deixar de acreditar nessa crença, questione-a. E atenção! Questionar não é ficar doutrinando sua crença, falando que é errada, que é uma crença limitante, blábláblá, etc. Questionar é investigar a veracidade da crença, investigar se o que ela está afirmando ser é de fato. Investigue sua crença conversando com ela. Tipo assim:

Por que é melhor um passarinho na mão do que dois voando?
Por que devo continuar acreditando nisso?
E se não for?
Não quero esse passarinho que está na minha mão, não gosto dele, então, por que continuar segurando ele?
Como posso pegar o passarinho que quero sem soltar o que não quero?
Qual é o problema de soltar esse passarinho?
E daí que pode acontecer aquilo?
Qual o problema com aquilo?

Interrogue sua crença até você se convencer que deve continuar acreditando nela, ou então, até ficar óbvio que ela não merece mais sua fidelidade. Uma vez que fique óbvio, você deu início ao processo de desacreditar na crença.

Você não precisa alterar suas crenças. Isso é desnecessário. E mais! É impossível. Crença é feita de memória e você não consegue deletar memória. O que você pode e deve fazer é alterar a forma como você se relaciona com suas memórias. Como disse no começo, uma crença é apenas uma crença, não tem nenhum poder nem valor. O poder e o valor de uma crença está em você. É você que dá poder e valor a uma crença ao acreditar nela. Então, basta você descreditar da crença que está produzindo mal viver e o bem viver reaparece.

Claro que o hábito de acreditar numa crença faz você voltar a acreditar nela e voltar a viver mal. Mas agora você está consciente do buraco que se habituou a cair e sabe como sair. Levanta, sacode a poeira, sai do buraco e segue até cair de novo, por causa do hábito. E assim até não cair mais. Pronto! Mau hábito reprogramado.

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari