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Como foi a criação dos eurekarios?

03/01/2021 by in category Perguntas, Três passos tagged as with 0 and 0

Eu tinha vários problemas para resolver em relação aos grupos de práticas. O grupo dos veteranos era um amontoado de pessoas, não era um grupo. Havia muita animosidade e mágoa entre alguns membros, logo, nenhuma possibilidade de confiança entre eles, logo, nenhuma possibilidade de trabalho terapêutico em grupo. Haviam também muitos veteranos apáticos, inertes, que só faziam número no grupo, mas não praticavam. Isso entre outros problemas. E um grupo de calouros terminando o ciclo de estudos e prestes a se tornarem veteranos. O que fazer?

Foi aí que começou a nascer a ideia dos eurekarios como solução para tudo isso. Minha primeira ideia foi fazer vários grupos de dois e colocar esses grupos de dois para fazer egofonia um com o outro. Mas daí tinha um outro problema. Poucas pessoas no grupo tinham competência em fazer os 10 passos da egofonia. Foi então que lembrei de uma prática que já tínhamos executado chamada “Diário do Traidor”, onde semanalmente cada veterano testemunhava qual tinha sido o outroísmo traído na semana anterior.

Achei uma boa ideia voltar com o “Diário do Traidor”, até porque gerava interação entre o grupo. Mas todo mundo falava ao mesmo tempo, ficava uma bagunça e um atrapalhava a análise do outro ao invés de ajudar. Foi então que tive a ideia de dividir os praticantes em grupos de sete e colocar um praticante em cada dia da semana. Simples e eficiente. Seria o fim da bagunça. E ao invés de um atrapalhar o outro, um iria ajudar o outro. Fiquei muito feliz com a ideia.

Fiz um convite no grupo dos veteranos e 12 deles aceitaram começar com o novo modelo de práticas. Os inertes foram retirados do grupo dos veteranos, o que já resolveu o problema da inércia. Para tentar resolver o problema da animosidade e da mágoa tive a ideia de colocá-los para ouvir a história de vida um dos outros. Para ajudá-los a contar suas histórias, ia fazendo perguntas e foi assim que foi nascendo as perguntas que hoje são a prática da linha do tempo.

Ajudou a resolver um pouco da animosidade e da mágoa entre alguns veteranos, porém, mais do que isso, esses 12 desbravadores mergulharam fundo em suas histórias de vida e tiveram eurekas pessoais profundas e muito curadoras. Foi nesse ponto que comecei a perceber que havia acertado em um alvo muito maior do que havia mirado. A prática da linha do tempo não era tão eficiente assim para resolver conflitos externos, mas era super eficiente para resolver conflitos internos.

Quando os 12 veteranos terminaram de contar a história de vida deles um para os outros, já estava claro para mim que o próximo passo, depois de ter feito a viagem pela linha do tempo, era entrar em cada ponto de dor daquela linha. E foi assim que tive a ideia do “Diário da Consciência”, que é uma análise pontual do que foi contado na prática da Linha do Tempo.

Quando terminou o ciclo de estudos, peguei tudo que já tinha aplicado no grupos dos 12 veteranos e apliquei nos novos veteranos. Chamei também veteranos que estavam sumidos para participarem dos eurekarios, pois sabia que participar seria de grande poder curativo.

Foi foda pacarai aplicar a linha do tempo em mais de 70 pessoas em um prazo de dois dias cada um. Cada cabeça é um universo e eram muitos universos dentro da minha cabeça. E ainda tinha egofonia de terça e quinta. Mas esse era o preço da realização dos eurekarios, então, fiz o que sempre faço para não enlouquecer, pisei onde o pé estava. E assim, passo a passo, a criação dos eurekarios foi se realizando.

© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari