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01 | Criador da realidade

01 | Criador da realidade

Você entende e aceita que é criador da sua realidade até certo ponto. Quando você vai almoçar em um restaurante, por exemplo, você escolhe batata, feijão, cenoura, tomate, etc, e assim cria sua refeição. Nesse caso, você entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Extrapolando essa ideia para outras áreas, você escolhe seu namorado, esposa, emprego, casa, roupa, amigo, etc. Nesses casos, você também entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Mas entender que você é criador da sua realidade não se limita a entender que você lida com as pessoas, com as situações e as coisas. Entender que você é criador da sua realidade, significa que você cria tudo, toda a realidade, 100%, sem exceção. Usando o exemplo do restaurante, entender que você é criador da sua realidade, é entender que você cria as paredes do restaurante, as mesas, as cadeiras, os talheres, o chão, a mão segurando o prato, tudo que você experimenta e chama de realidade.

02 | O que é matéria?

02 | O que é matéria?

Quer dizer que você cria a matéria? Sim e não. Sim, porque você cria tudo que você experimenta, e não, porque matéria não é material, coisa física. Matéria é experiência de fisicalidade. Este entendimento é a revolução que muda tudo sem mudar nada. Nada muda porque matéria sempre foi experiência de fisicalidade, nunca foi outra coisa, nunca será, você é que tem ignorado isso. Tudo muda porque uma coisa é entender que matéria é material, outra coisa é entender que matéria é experiência de fisicalidade.

03 | Eu sou matéria

03 | Eu sou matéria

Ao acreditar que matéria é material, você passa a acreditar que você também é material, ou seja, corpo. Você pensa assim: “Realidade é material. Eu sou material também. A realidade contém toda matéria e me contém também. Eu sou um corpo material contido na realidade e interagindo com outros corpos materiais contidos na realidade.” Isso é um engano. Realidade não lhe contém, você é que contém sua realidade. Quando você entende que matéria é experiência de fisicalidade, o fluxo da criação vira do avesso. Você entende assim: “Matéria é experiência de fisicalidade. Eu sou criador da minha experiência de fisicalidade. Fisicalidade é um aspecto da realidade que experimento. Eu não sou matéria, nem estou contido na realidade, é a realidade que está contida em mim.”

04 | Outroísmo

04 | Outroísmo

Quando você se entende como corpo, como matéria, é inevitável que você entenda que o criador da sua realidade é outro. Esse outro pode ser a natureza, o universo, os átomos, a vida, deus, o caos, enfim, algum outro, menos você. Isso é outroísmo. O problema do outroísmo é que se você não é o criador da sua realidade, então, sua realidade não tem relação causal com você. Se sua realidade não tem relação causal com você, como e porque estudar uma relação causal que não existe? Ou seja, se você não é o criador da sua realidade, buscar autoconhecimento é um absurdo.

05 | Matéria é ilusão

05 | Matéria é ilusão

Matéria é ilusão. Mas por que matéria é ilusão? Matéria é ilusão porque é experiência. E por que experiência é ilusão? Experiência é ilusão porque é efeito. Imagine um filme em uma tela de cinema. O filme na tela é ilusão. Por que o filme na tela é ilusão? Porque não é o filme na tela que está criando o filme na tela, o filme na tela não é a fábrica do filme na tela, o filme na tela é efeito. A fábrica do filme na tela é o projetor. O projetor existe sem o filme na tela, mas o filme na tela não existe sem o projetor. Experiência é ilusão porque ilusão é efeito.

06 | Realidade é ilusão

06 | Realidade é ilusão

Realidade é ilusão. Ilusão = realidade = efeito. Mas isso não significa, de modo algum, que sua realidade deva ser ignorada e desconsiderada. Pelo contrário, muito pelo contrário, muitíssimo pelo contrário. Sua realidade deve ser absolutamente considerada, pois quando você vai estudar a relação causa e efeito, não é desconsiderando o efeito que você estuda a relação causa e efeito.

07 | Tudo e nada

07 | Tudo e nada

Nada é nada? Sim e não. Sim, porque se nada fosse alguma coisa, não seria nada, seria alguma coisa. E não, porque nada é potencial para tudo, para toda realidade. Nada é tudo-potencial, tudo é nada-realizado. Nada é a fábrica de tudo. Você é nada e tudo, todo ser é nada e tudo, criador e criatura. Viver é brincar de se transformar em tudo. Tudo sai do nada. Tudo que você experimenta sai do seu potencial. Por exemplo, se você é músico e está criando uma música, você é nada criando um tudo. Que tudo? A música. A música é sua manifestação, é você em forma de música. Imagine a natureza humana como sendo um instrumento musical. O que é sua realidade? Realidade é a música que você está criando e por isso, ouvindo, ou seja, experimentando.

08 | Autoconhecimento

08 | Autoconhecimento

Realidade é ilusão, mas é imprescindível para você viver bem, pois é só através do estudo do efeito que você pode obter conhecimento de causa. E para que serve conhecimento de causa? Serve para você melhorar a qualidade do efeito, ou seja, melhorar a qualidade da sua realidade. Vamos usar uma analogia para entender melhor isso. Um sonho é uma ilusão. Por quê? Porque um sonho não é fábrica de si, sonho é produto. E qual é a fábrica do sonho? A fábrica do sonho é você, sonhador. Porém, se você não fosse o sonhador dos seus sonhos, que utilidade e sentido teria estudar a relação dos seus sonhos com você? Não teria nenhuma utilidade e sentido. Sua realidade é como sonho. Você é um sonhador. A realidade que você experimenta é a realidade que você cria para si. É por isto que a prática da autociência é realizada através da investigação da relação causal entre você e sua realidade.

09 | Fôrma humana

09 | Fôrma humana

Tem bolo redondo e tem bolo quadrado. Por que um bolo é redondo e outro é quadrado? De onde vem a forma do bolo? A forma do bolo vem da fôrma. O bolo quadrado é quadrado porque a fôrma que o formou era quadrada. O bolo redondo é redondo porque a fôrma que o formou era redonda. O bolo tem a forma da fôrma. Só que forma é explícita e fôrma é implícita. Dito isso, observe sua realidade como sendo um bolo. Se sua realidade tem forma, então, tem fôrma. Mas cadê a fôrma? Percebe? Você não vê a fôrma que forma sua realidade porque a fôrma da sua realidade também é implícita. Para entender isso, vamos melhorar a metáfora. Pense em uma imagem na tela do seu computador. A imagem na tela do computador é forma. Se é forma, tem uma fôrma. Mas cadê a fôrma que forma a imagem na tela do computador? A fôrma da imagem é o programa do computador. Analogamente, assim como um computador usa uma fôrma chamada PROGRAMA para criar imagens na tela, você usa uma fôrma chamada NATUREZA HUMANA para criar a realidade que você experimenta. E assim como você não vê o programa que forma a imagem na tela do computador, você também não vê sua NATUREZA HUMANA.

10 | Por quê?

10 | Por quê?

Vamos à pergunta que não quer calar. Aquela que fica atravessada na sua garganta. “Então, por quê?” Essa é a pergunta. Você pensa assim: “Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando essa realidade que não gosto?”. Muitas vezes você experimenta realidades indesejáveis, desagradáveis, violentas, nojentas, injustas, hipócritas, etc, então, é inevitável você se perguntar: “Por quê? Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando essa realidade que não desejo para mim?”. Melhor do que eu lhe dar uma resposta, vamos analisar sua pergunta. O que está implícito nessa pergunta? Está implícito que você desconhece a causa. Perguntar porque é perguntar sobre a causa. Então, o primeiro motivo de você criar uma realidade indesejada, é justamente para você se perguntar: “Qual é a causa?”. O segundo motivo é para você buscar a resposta e descobrir que realidade é efeito e que você é a causa da sua realidade.

11 | Qualidade da realidade

11 | Qualidade da realidade

Realidade indesejada é semelhante a uma música mal executada onde o músico erra as notas e toca fora de harmonia. Agora, pense no seguinte, o violão tem como tocar melhor a música? Não! Pois é o músico que está tocando a música e não o violão. O violão é apenas o instrumento que o músico está usando para executar a música. O mesmo acontece com você. Sua NATUREZA HUMANA é seu instrumento. Sua realidade é a música que você está tocando, e consequentemente, ouvindo. Assim como a causa da música mal tocada é a má execução do músico que está tocando o violão, a causa da má qualidade da sua realidade é sua má execução em ser humano. A maestria ou falta de maestria do músico com o violão é tanto o problema como a solução da qualidade da música, sua maestria ou falta de maestria em ser humano também é tanto o problema como a solução da qualidade da sua realidade.

12 | Melhorando tudo

12 | Melhorando tudo

“Nada” é como se fosse um violão. “Tudo” é como se fosse a música saindo do violão. Não tem problema no violão, nem na música saindo do violão, que é apenas resultado da execução do músico. Quando a música que você está tocando está mal tocada, a causa é sua má execução do violão. Quando sua realidade está de má qualidade, a causa é sua má execução em ser humano. Uma vez que você descobre o que você está errando na execução de tocar violão, você pode melhorar a execução da música. Uma vez que você descobre o que você está errando no uso da sua NATUREZA HUMANA para criar sua realidade, você pode melhorar a qualidade da sua realidade. Só que você não sabe como funciona sua NATUREZA HUMANA, por isso você não consegue melhorar a qualidade da sua realidade. Para descobrir como funciona sua NATUREZA HUMANA e começar a usá-la bem, você deve praticar autociência e produzir autoconhecimento.

13 | Iluminação Ordinária

13 | Iluminação Ordinária

Você perdeu completamente a capacidade de perceber quão extraordinário é o ordinário, quão maravilhoso é o trivial. Você acha normal que a realidade seja tridimensional, dura, colorida, quente, fria, aromatizada, etc. Você acha normal que existam objetos. Você acha normal que os objetos estejam rodeados de espaço. Você acha normal o espaço ser vazio. Acooooorda! Não tem nada de normal nisso! A realidade é um absurdo. Altura, largura e profundidade! Onde já se viu isso? Que maluquice é essa? Que delírio é esse? Todos os aspectos da realidade são um completo absurdo. Não tem lógica.

Só que você se acostumou com o absurdo. Você não vê mais o absurdo. Você acha normal. Você bebe água e não percebe o absurdo líquido descendo pela sua garganta. Você faz yoga, aprende todos os pranayamas, mas não percebe o absurdo que é respirar. Você senta em posição de flor de lótus, passa 10 horas olhando para parede, mas não entra em êxtase com o absurdo que é se sentir dentro de um corpo olhando para uma parede. Você mastiga uma dúzia de cogumelos alucinógenos, mas não percebe a viagem que é ter dentes, mastigar e sentir sabor.

Você não percebe mais quão extraordinário é o ordinário. Você vive como um zumbi. Por isso que você busca experiências espirituais e transcendentais. Seu adormecimento é tão profundo que você precisa transformá-lo no pesadelo da busca pelo extraordinário para conseguir acordar. Tremendo equívoco! Quer atingir a iluminação? Grátis e imediata? Sem blablablá? Sem trelelelê? Sem precisar ficar sentado em posição de flor de lótus? É simples! Sai correndo e dá uma cabeçada bem forte na parede. Sinta o absurdo da dureza. Sinta o absurdo da dor. E pronto!

PERGUNTAS

A filosofia ocidental deixa de lado o existencial?

A filosofia ocidental deixa de lado o existencial?

Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e têm alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou Deus.

A personalidade pode conversar com o ser?

A personalidade pode conversar com o ser?

É isso que acontece o tempo todo, mas não do jeito que você está pensando. Pense em uma pedra de gelo. A pedra de gelo conversa com a água? Não, pois não tem duas coisas: pedra de gelo e água. Gelo é o estado da água. O mesmo acontece com você-pessoa e você-ser. Não tem você-pessoa e você-ser. Não tem dois eus para um conversar com o outro. Isso é um equívoco. Gelo é água congelada. Pessoa é ser fulanizado. É impossível você-pessoa conversar com você-ser porque você-pessoa não existe, o único ser que existe é você-ser. Vou usar seu nome para facilitar a explicação. Você-Cleonice não é um ser, é uma personalidade, ou seja, é o estado atual do ser que você é. Contudo, figurativamente falando, o estado psicológico e emocional da Cleonice é você-Cleonice conversando com você-ser. A felicidade da Cleonice, é você-Cleonice conversando com você ser. A angústia da Cleonice é você-Cleonice conversando com você-ser. Os valores e as crenças da Cleonice é você-Cleonice conversando com você-ser. E assim por diante.

A sabedoria para viver bem vem junto com o despertar existencial?

A sabedoria para viver bem vem junto com o despertar existencial?

Não! O único autoconhecimento que você adquire com o despertar existencial é o autoconhecimento existencial. Você fica consciente da sua natureza existencial, só isso e nada além disso. O despertar existencial é existencial, não é psicológico, nem pessoal, logo, não produz nenhum autoconhecimento psicológico e pessoal. Para viver bem, você precisa descobrir como você funciona enquanto pessoa humana, para descobrir isso, você precisa praticar auto-observação psicológica e pessoal.

Como a autociência explica a cura à distância?

Como a autociência explica a cura à distância?

Que distância? Qual é a distância entre você e sua realidade? Eis uma ótima prática para despertar a consciência! Observe a distância entre você e sua realidade. Pegue uma régua e procure medir a distância entre você e sua realidade. Você irá perceber que a régua também é realidade, então, não serve para você medir a distância entre você e sua realidade. Mas você pode colocar a régua na frente do seu corpo e medir a distância entre seu corpo e a parede. Só que tanto seu corpo, como a régua, como a parede, são a mesma experiência, é a mesma realidade. O desafio é você medir a distância entre você e sua realidade. Se você faz essa prática, se faz mesmo, você desperta e percebe que não existe distância, que distância é experiência de fisicalidade. Você é simultaneamente criador da sua realidade e a realidade que está experimentando. Não tem distância entre criador e criatura, entre observador e observado.

Como a autociência explica a experiência do gato de Schrödinger?

Como a autociência explica a experiência do gato de Schrödinger?

Imagine que você está jogando um videogame. Você é um personagem em frente uma caixa. Você abre a caixa e tem um gato dentro. O gato estava dentro da caixa antes de você abrir? Se você partir da premissa materialista que supõe que a realidade é externa, dimensional, e temporal, independente da observação, você dirá que sim. Óbvio que o gato estava dentro da caixa, caso contrário, você não teria visto o gato quando abriu. Na lógica materialista, está perfeita essa resposta. Só que você é um personagem em um videogame e não um corpo material no universo. No videogame, nenhuma realidade se faz presente na tela até que você a crie através do controle (arbítrio). Enquanto você não opta por abrir a caixa, não tem sequer a imagem do interior da caixa, pois o videogame não criou essa imagem na tela ainda. Então, pode ter um gato dentro da caixa, mas também pode ter um repolho roxo, um pote de sorvete, um sapo, uma cebola, etc, infinitas possibilidades. Sua decisão em abrir a caixa é o tal do colapso de onda. Você opta por abrir a caixa e experimenta a realidade resultante dessa opção. A partir desse momento, e só a partir desse momento, o videogame cria a realidade do interior da caixa com um gato dentro. Se você ignorasse que está jogando um videogame, você teria a convicção de que o gato é uma coisa material, dentro de uma caixa material, etc.

Como a autociência explica as leis da natureza?

Como a autociência explica as leis da natureza?

Você e todos os seres humanos estão experimentando uma realidade humana porque estão usando uma interface de comunicação humana. A realidade humana que você e todos os seres humanos estão experimentando tem aspectos. A cultura humana determina palavras para cada aspecto: matéria, objeto, deslocamento, velocidade, altura, cor, luz, energia, líquido, som, natureza e leis da natureza. Então, as leis da natureza não são leis naturais, são criações da interface de comunicação humana. Pense em um videogame. Na realidade virtual de um videogame também tem “leis da natureza”, só que você sabe que são criações do videogame. Nessa experiência humana que você está tendo, é a mesma coisa, só que você ignora que são criações do egogame (jogo de ser humano).

Como a personalidade interfere na criação de realidade?

Como a personalidade interfere na criação de realidade?

Sua personalidade interfere na sua criação de realidade igual à afinação de um piano interfere na qualidade da música. Um piano bem afinado produz música afinada. Um piano desafinado produz música desafinada. Sua personalidade é como a afinação de um piano. Uma personalidade bem afinada, produz realidade afinada. Uma personalidade desafinada, produz realidade desafinada.

Como estudar a natureza da matéria? Através dos 5 sentidos?

Como estudar a natureza da matéria? Através dos 5 sentidos?

Esse é o equívoco dos cientistas materialistas. Para ficar consciente da natureza da matéria, você deve praticar auto-observação e estudar como os cinco sentidos criam a perspectiva perceptiva de materialidade que você chama de matéria.

Como ficar consciente do truque mental da materialidade e da externalidade?

Como ficar consciente do truque mental da materialidade e da externalidade?

Praticando auto-observação. Vou usar a analogia da mágica como exemplo. Se você observar atentamente os movimentos do mágico no vídeo abaixo, você se tornará consciente do truque que o mágico está executando. Você é um ser humano. Sua humanidade é um mágico. É sua humanidade que está produzindo o truque da experiência humana que inclui sua experiência de materialidade e externalidade. Auto-observação é assistir seus próprios movimentos mentais até que o truque da materialidade e da externalidade se tornem evidentes. Uma vez que se tornam evidentes, não tem mais mágica, vira autoconhecimento.

Como fico consciente que eu (ser) não saio do lugar?

Como fico consciente que eu (ser) não saio do lugar?

Observe que lugar é experiência de fisicalidade. Observe que seu corpo é experiência de fisicalidade. Observe que seu corpo deslocando pelos lugares é experiência de fisicalidade. Observe que o ato de experimentar não é uma experiência. Observe que o ato consciencial de experimentar seu corpo deslocando pelos lugares não sai do lugar.

Como não existe mundo externo se todos enxergamos um mundo externo?

Como não existe mundo externo se todos enxergamos um mundo externo?

Imagine que você (ser) e todos os outros (seres) humanos estão jogando um videogame. Todos nasceram com um óculos de realidade virtual e não conseguem tirar. Cada um está “enxergando” o mundo “externo” através dos seus óculos de realidade virtual. Sendo assim, vocês acreditam que existe um mundo externo, pois quando conversam, entram em acordo sobre o que estão “vendo”. Só que não tem nenhum mundo externo. Cada um está vendo apenas a telinha dos seus óculos de realidade virtual simulando um mundo externo. É mais ou menos assim.

Como observar o nada se não tem nada para observar?

Como observar o nada se não tem nada para observar?

Por isso que despertar existencial é um despertar e não uma experiência observada. Na auto-observação existencial, você observa o tudo. E atenção! Não estou falando em observar todas as coisas, estou falando em observar a totalidade da sua realidade (tudo). De repente, você percebe que você é o observador observando esse tudo. E que você não está no tudo. Puf! Você tem um despertar e fica óbvio que você é nada.

Como separar causa e efeito?

Como separar causa e efeito?

Imagine uma televisão que nasceu assistindo a si mesma. Essa televisão vai acreditar que as imagens na tela são a tela. As imagens estão mais perto do que perto, estão na tela e a televisão nasceu assistindo as imagens, então, a televisão não tem como colocar um espaço entre a tela e a imagem. Até porque, não existe de fato espaço separando a tela da imagem na tela. Como separar? Simples. A tela é a fabrica e a imagem é o produto. O mesmo está acontecendo com você. Você-causa = televisão. Você-efeito = realidade. A televisão está assistindo a si mesma, você também.

Como você descobriu que é nada?

Como você descobriu que é nada?

Tem um capítulo do livro Mayasang chamado “Janela do óbvio”. Nesse capítulo conto uma conversa ocasional que tive com um grande amigo. Vou transcrever esse capítulo aqui para ajudar a responder sua pergunta.

Meu apartamento ficava no décimo sétimo andar e Marcos, solidariamente, quando queria fumar, se deslocava até a janela. Às vezes ficávamos conversando alí enquanto os integrantes da sangha interagiam na sala. Certa vez, nossa conversa foi assim:
— Está vendo esses carros se movimentando pela rua?
— Sim, estou — Marcos respondeu.
— Percebe a sincronia?
— Como assim?
— Todos os carros estão se movimentando ao mesmo tempo.
— Sim, estão.
— E as nuvens também?
— Como assim?
— O movimento das nuvens está acontecendo ao mesmo tempo que o movimento dos carros.
— Sim, percebo.
— As pessoas andando na rua, também estão em sincronia. O movimento das pessoas está em sincronia com o movimento das nuvens e o movimento dos carros. Sensacional isso, não acha?
— Sim, mas onde você está querendo chegar com isso?
— Aqui, nessa conversa, que também é um movimento que está em sincronia com o movimento das pessoas, das nuvens e dos carros. Todos os movimentos acontecem em sincronia, percebe? Mas por que?
— Por que o quê?
— Por que todos os movimentos acontecem em sincronia?
Marcos ficou olhando os movimentos acontecendo feito uma orquestra tocando uma sinfonia. Só que não tinha partitura, nem maestro. Não havia nada regendo a sincronia. A sincronia dos movimentos era evidente, óbvia, inegável, mas o motivo, se houvesse, era nenhum.
— Não sei.
— Continue olhando que você verá o óbvio por si mesmo.
Enquanto Marcos olhava os diversos movimentos, eu lhe disse:
— Todos os movimentos acontecem em sincronia porque é um movimento só.
— Como assim?
— Não são vários movimentos em sincronia. Não tem sincronia nenhuma. É um movimento só, monobloco, que supomos múltiplo devido outra suposição.
— Que outra suposição?
— O espaço.

Marcos foi retornando o olhar para a sala do apartamento e caindo em si. Seu semblante era um misto de espanto e sorriso de Monalisa. Ninguém jamais seria capaz de retirar de Marcos o óbvio para o qual ele estava despertando, nem mesmo o próprio Marcos.

Isso que expliquei ao Marcos foi o primeiro passo para ficar consciente que sou nada. Observei a realidade e percebi que realidade não são vários movimentos em sincronia, é um movimento só, monobloco. O segundo passo foi perceber que a realidade não está do lado de fora, que é uma experiência, então, não é material nem externa, é uma criação mental dentro de mim. O terceiro passo foi perceber que se realidade é tudo, inclusive meu corpo, então, eu, experimentador do tudo, sou nada.

Criar realidade é criar o significado das experiências físicas?

Criar realidade é criar o significado das experiências físicas?

Inclusive isso, mas não apenas isso. Criar realidade é criar tudo. Tudo do verbo tudo. Tudo do verbo absolutamente tudo. Tudo do verbo tudo, tudo, tudo, tudo mesmo. Tudo do verbo sem exceção. Criar realidade é criar a experiência física e o significado da experiência física. Olhe para um objeto ao seu redor. Qualquer um. A cadeira, por exemplo. Essa cadeira não está “do lado de fora”, está dentro de você-ser. Como é que essa cadeira está dentro de você? Simples! Você está criando essa cadeira dentro de você assim como uma televisão. Você-ser é como uma televisão. Realidade é criação mental dentro de você-ser, assim como um filme é criação dentro da televisão. Agora, além da cadeira ser um objeto, ela tem um significado. Quem cria o significado que você dá a cadeira? Você também. Primeiro você cria a cadeira como objeto e depois cria um significado. Você cria tudo.

É tudo ilusão? Nada está acontecendo de fato?

É tudo ilusão? Nada está acontecendo de fato?

A ilusão está acontecendo de fato, obviamente.

Eu crio o sol?

Eu crio o sol?

Sim, você cria seu sol, sua experiência de sol. Caso contrário, como você poderia estar experimentando essa experiência que chama de sol?

Eu existo para quê? Qual é a utilidade? Para que serve existir?

Eu existo para quê? Qual é a utilidade? Para que serve existir?

Existir não serve para nada. Não tem utilidade nenhuma. É absolutamente inútil. Existir é apenas a natureza dos seres. Seres existem. Só isso. Por que existem? Porque ser é existir.

Eu sou infinito e eterno?

Eu sou infinito e eterno?

Sim! Mas é preciso entender o que significa infinito e eterno. Para mentalidade materialista, infinito é algo muito muito muito grande, eterno é o que dura muito muito muito tempo. Isso é um equívoco. Muito muito muito grande, não é infinito, é muito muito muito grande. Muito muito muito tempo, não é eterno, é muito muito muito tempo. E o que é infinito, então? Infinito é adimensional. E o que é eterno, então? Eterno é atemporal. O atemporal é a fábrica do tempo. O admensional é a fábrica das dimensões (forma, grandeza). Você (ser) é atemporal e admensional. Fábrica do espaço-tempo.

Eu sou nada e você é nada, então, somos o mesmo nada?

Eu sou nada e você é nada, então, somos o mesmo nada?

Somos igualmente seres (nadas), mas cada um é um nada diferente. Prova disso é que eu não sou você, nem você sou eu, somos um e outro.

Eu-nada crio tudo usando apenas a consciência?

Eu-nada crio tudo usando apenas a consciência?

Consciência não cria realidade, apenas constata a realidade criada. Quem cria a realidade é a potência e não a consciência. Essa ideia de que a consciência cria a realidade é um equívoco disseminado pela física quântica. Física quântica não é autociência, é outrociência, por isso comete o equívoco de supor que a consciência cria a realidade. Para física quântica a consciência nada mais é que um deusoutro com roupa de laboratório científico, mas é deusoutro igual o deusoutro da religião. A física quântica confunde a capacidade que o ser tem de testemunhar sua criação com a capacidade de criação. Vou fazer uma analogia com a imaginação para ilustrar esse equívoco. Imagine o Gato de Botas. Você está vendo o Gato de Botas na sua imaginação porque está criando o Gato de Botas na sua imaginação. Contudo, sem imaginação, como você poderia estar vendo o Gato de Botas? Não poderia. Criar a realidade e testemunhar a realidade não é a mesma coisa. Consciência é testemunhar. Criar é potência. Você-ser tem 3 aspectos: existência, potência e consciência. Sem o entendimento desses 3 aspectos, é impossível entender como funciona criação de realidade, e por isso surgem equívocos como esse da física quântica de igualar consciência com potência.

Existe um método que possamos praticar todos os dias para poder modificar nossa realidade?

Existe um método que possamos praticar todos os dias para poder modificar nossa realidade?

Não precisa. Você está recriando sua realidade a todo instante, mesmo inconsciente disso. Se você não recriasse sua realidade a todo instante, ela seria como uma fotografia, sempre a mesma fotografia. Mas ela é como um filme porque você, consciente ou não, está constantemente e ininterruptamente recriando sua realidade. O problema é que sua realidade está uma bosta e você recria um cocô. Enquanto você não desperta a consciência e se torna um criador consciente, não tem como ser diferente, você ficará só alternando de bosta para cocô.

Nada é sinônimo de potencial?

Nada é sinônimo de potencial?

Sim, nada é potencial para tudo. Vou contar uma história para ilustrar esse entendimento. Certa vez, fui visitar um amigo. Quando cheguei na casa dele, ele estava olhando fixamente para um rádio que ficava em cima da mesa. Mas não era um olhar comum, corriqueiro, habitual, era um olhar espantado.

— O que foi? — perguntei ao meu amigo.
— Esse rádio é mal-assombrado — ele respondeu.
— Como assim? — perguntei.
— Liga esse rádio e verá — ele me disse.

Eu liguei o rádio e começou a tocar uma música da Elis Regina.

— Está tocando Elis Regina — eu falei.
— A Elis Regina é viva? — ele me perguntou.
— Não, ela já morreu! — respondi.
— Está vendo! Esse radio é mal-assombrado, toca Elis Regina, Vinícios de Moraes e Tim Maia. Tudo gente morta. Toca até Beethoven, que já morreu faz séculos.

Comecei a dar risada. Meu amigo sabia o motivo do rádio tocar música de gente morta. Ele era músico e entendia de gravação. Mas o espanto do meu amigo era cientificamente pertinente.

— Mas a bruxaria fica pior — ele me disse.
— Pior, como? — eu perguntei.
— Eu passo o dia inteiro escutando esse rádio e escuto pelo menos umas duzentas músicas por dia nele. Só que…
— Só que o quê?

Meu amigo pegou uma chave de fenda, desparafusou o rádio e retirou a carcaça de plástico que cobria os componentes eletrônicos.

— Olha só isso! — ele me disse.
— São os componentes eletrônicos do rádio — eu falei.
— Sim, mas cadê as músicas que ouço saindo daí de dentro? Se não estão aí dentro, como podem sair daí de dentro?

Caí na gargalhada. Meu amigo também.

Contei essa história para fazer uma analogia com o nada. Um rádio pode tocar qualquer música justamente porque não tem música nenhuma dentro dele. O nada é como um rádio, potencial para tudo. Sem o rádio não haveria música. O rádio é a fábrica de todas as músicas. Sem o nada não haveria realidade. O nada é a fábrica de todas as realidades.

Neurociência é autociência?

Neurociência é autociência?

Não, neurociência é o estudo do cérebro. O cérebro é um objeto observado, não é o observador. Autociência é o estudo do observador e não do observado.

Nosso vocabulário foi forjado no materialismo e isso dificulta o autoconhecimento existencial?

Nosso vocabulário foi forjado no materialismo e isso dificulta o autoconhecimento existencial?

Exatamente! Por isso me dá um trabalho enorme desinverter a mentalidade materialistas de vocês, alunos. Por isso preciso criar palavras novas para explicar. Por isso tem palavras que uso com significado diferente do tradicional. Por isso tem palavras que não uso. A 1ficina tem todo um trabalho minucioso com as palavras, pois o vocabulário atual é um vocabulário baseado na lógica materialista e isso atrapalha o autoconhecimento.

O criador da realidade é o nada?

O criador da realidade é o nada?

Eis como nasce outro deusoutro. Quando você diz “O” nada, você está terceirizando a si mesmo. Não existe “O” nada. Nada é você. O criador da sua realidade é você-nada.

O outro enxerga as coisas da mesma forma que eu ou cada um tem uma visão diferente das coisas?

O outro enxerga as coisas da mesma forma que eu ou cada um tem uma visão diferente das coisas?

A grosso modo, a realidade sensorial (realidade física) é igual para todos os seres humanos, pois todos estão usando a mesma interface humana para se manifestar e receber manifestação. A prova disso é que, caso contrário, seria impossível a comunicação humana.

O paradoxo da fenda dupla é a comprovação científica de que a realidade não é material?

O paradoxo da fenda dupla é a comprovação científica de que a realidade não é material?

O paradoxo da fenda dupla não prova a virtualidade da matéria, mas cria um enorme “ENTÃO PORQUÊ?”. Na resenha do filme do Darwin, criei um diálogo entre pai e filho sobre a crença em Papai Noel. Segue um trecho:

— Mas Pai, nós moramos em um apartamento, não tem chaminé aqui, como o Papai Noel vai entrar aqui em casa? — você questiona.
— Ele entrará pela janela — responde seu pai.
— Mas Pai, são milhões de crianças no mundo, como o Papai Noel vai conseguir entrar em todas as casas em uma noite só? — você questiona.
— O trenó dele é turbinado e anda na velocidade da luz — responde seu pai.
— Mas Pai, são muitos presentes para carregar, como o Papai Noel vai carregar tudo em um trenó só? — você questiona.
— O Papai Noel tem um saco gigante que cabe tudo — responde seu pai.

Percebe? Os questionamentos do filho não provam a inexistência do Papai Noel, até porque é impossível provar a inexistência do inexistente. Mas os questionamentos do filho criam um enorme “ENTÃO PORQUÊ?” sobre a crença no Papai Noel. O paradoxo da fenda dupla faz o mesmo com o materialismo. Se matéria é material ENTÃO POR QUE se comporta de forma diferente com a medição? Se os cientistas fossem autocientistas, a experiência da fenda dupla não seria paradoxal nem espantosa, seria óbvia.

O que determina minha experiência?

O que determina minha experiência?

O que determina sua experiência é seu arbítrio. Arbítrio é causa, realidade é efeito. Nesse exato momento, você está experimentando a realidade de participar da aula de autociência, porque está optando por isso. Se você mudar de opção, imediatamente começará a experimentar outra realidade. Vamos supor que você decida desligar o computador, ir até o banheiro e tomar banho. Sua experiência será exatamente essa.

O que é a natureza humana?

O que é a natureza humana?

Natureza humana é essa interface que você está usando para brincar de ser humano e que se não estivesse seria impossível estar tendo essa experiência humana que você está tendo.

O que é espiritualidade?

O que é espiritualidade?

Espírito = você-ser. Você-ser é um ser, ou seja, um espírito. Só que a palavra espírito se degenerou. Espírito virou sinônimo de assombração, alma penada, gente morta, manifestação mediúnica, etc. E junto com a degeneração da palavra espírito, ocorreu também a degeneração da palavra espiritualidade. Ser = existir. Você-ser é espírito. Espiritualidade é existencialidade.

O que existe além da minha existência?

O que existe além da minha existência?

Você-ser é nada. Nada é tudo que existe.

Os seres são separados?

Os seres são separados?

“Separação” é um conceito espacial e materialista. Você-ser existe. Você-existência é a fábrica do tempo e do espaço, logo, o conceito de separação não se aplica a você-ser. O melhor é você pensar que cada ser é uma unicidade existencial diferente.

Para que eu, o nada, crio uma realidade?

Para que eu, o nada, crio uma realidade?

Você não é O nada, você é UM nada. O universo é uma coletividade de nadas (zeros). Universo = 0 + 0 + 0 + 0 + (…) O universo é Zeroverso. Dito isso, você cria realidade porque essa é a única brincadeira que tem para brincar no universo. Seres são deuses, criadores de realidade, fábricas de realidade. A única coisa que uma fábrica de realidade tem para fazer é fabricar realidade. De que tipo? Daí é variado. Você, por exemplo, é um ser que está brincando de fabricar realidade humana, por isso está experimentando uma experiência humana.

Para que serve a fase existencial do ciclo de estudos?

Para que serve a fase existencial do ciclo de estudos?

A fase existencial do ciclo de estudos serve para oferecer aos alunos a mínima possibilidade de despertar existencial. Esse despertar existencial não irá acontecer em 99,9% dos casos, mas pelo menos a oportunidade foi oferecida e, mesmo que não tenha beneficiado nenhum aluno do EUreka 2023, fica registrada e disponível na internet, gerando a possibilidade de beneficiar futuros alunos e pessoas que buscam por autoconhecimento na internet.

Por que a natureza humana é existencial?

Por que a natureza humana é existencial?

Porque a natureza humana é seu atual estado de ser. Gelo é o estado da água, logo, gelo é água. A natureza humana é seu atual estado de ser, logo, é existencial.

Por que a personalidade me impede de ter consciência existencial?

Por que a personalidade me impede de ter consciência existencial?

Não impede. Isso é um equívoco. O que te impede de ter consciência existencial é que você nunca praticou auto-observação existencial. Só isso! Pratique auto-observação existencial e será o fim do impedimento.

Por que acredito que sou um corpo e ignoro que sou nada?

Por que acredito que sou um corpo e ignoro que sou nada?

Se te pergunto O QUE é isso, apontando para uma cadeira, por exemplo, você foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é cadeira e responde: isso é uma cadeira. Se te pergunto O QUE é você, você executa o mesmo processo, foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é corpo e responde: sou um corpo contido no espaço. Ou seja, você acredita que sua existência se resume a ser um corpo contido no espaço porque você usa como base existencial o critério materialista de existência. O critério materialista de existência se baseia nos 5 sentidos. Para o materialismo, O QUE EXISTE é o mensurável, o perceptível, o experimentável, mesmo que através de medição instrumentalizada. O critério materialista de existência não é errado. Mas é incompleto e invertido. Você não é apenas um corpo contido no espaço, você também é o espaço que está contendo o corpo. Você é nada e tudo: nadatudo. Você-corpo é tipo uma imagem no espelho. Assim como a causa da imagem no espelho não é a imagem no espelho, a causa de você se experimentar como corpo não é o corpo. Esse é o problema de usar o critério materialista de existência. Você passa a ignorar que você-corpo (tudo) está dentro de si mesmo (nada). Você passa a acreditar que sua existência é você-cheio, você-objeto contido no espaço. Só que é justamente o oposto. Sua existência é o espaço que contém o seu corpo. VoSer é o espaço. Você está contido em voSer. Isso é inconcebível para o critério materialista de existência. Eis a dificuldade do despertar existencial.

Por que despertar existencial é igual para todos?

Por que despertar existencial é igual para todos?

Porque todo ser é igualmente um ser.

Por que estudar o existencial me deixa angustiado, desestruturado e desorientado?

Por que estudar o existencial me deixa angustiado, desestruturado e desorientado?

Tudo que é pessoal requer análise. Mas para não te deixar sem resposta, vou citar dois motivos frequentes que podem ser a resposta ao seu caso. O primeiro motivo é que o existencial é o estudo do ser e o ser não é humano. Isso deixa você desorientado porque você ignora que é um ser humano, você acredita que é um humano ser. O segundo motivo é que sua mentalidade é materialista, então, você quer ser alguma coisa e o estudo existencial deixa óbvio que você-ser é nada.

Por que leio a explicação existencial e não entendo?

Por que leio a explicação existencial e não entendo?

Primeiro porque não é de entender, é de ficar consciente. Dito isso, um dos maiores obstáculos para o leitor com as explicações da 1ficina é a palavra VOCÊ. Quando eu falo VOCÊ, quando aparece a palavra VOCÊ nos textos da 1ficina, significa Você_Ser_Humano, só que você, leitor, lê Eu_Humano_Ser. Até cair essa ficha, demoooora!

Por que matéria não é um estudo científico?

Por que matéria não é um estudo científico?

Sendo que matéria é experiência, e sendo que experiência acontece no observador e não no observado, é impossível estudar o que é matéria através do método cientifico. O único método possível para se estudar o que é matéria é o método autocientífico. Por isso matéria não é um estudo cientifico, é autocientífico.

Por que não abro mão do materialismo?

Por que não abro mão do materialismo?

Por que você quer ser alguma COISA. Segundo o critério materialista de existência, se você não é ALGUMA COISA, mesmo que uma COISA espiritual, ou uma COISA transcendental, ou uma COISA quântica, ou uma COISA metafísica, etc, então, você não existe. E você sabe que existe. É óbvio. Mas você quer ser ALGUMA COISA. Você não quer ser nada. Só que sua existência é nada, que é a fábrica de todas as coisas. Que coisa mais precisa?

Por que não entendo nada do nada?

Por que não entendo nada do nada?

Porque não tem nada para ser entendido. Nada é zero. Tente resolver uma equação matemática só com zeros. Por exemplo: 0 + 5×0 – 0/0 = ? Como entender e processar uma conta assim? Não tem como. Seu raciocínio é incapaz de raciocinar o zero. É por isso que você não entende nada do nada. O nada não é raciocinável. Se eu te digo, pense em nada, seu raciocinio pensa em 1 nada. Pensar em 1 nada, é pensar em 1, não é pensar em zero. Quando te digo para pensar em nada, você pensa em 1 buraco, 1 vazio, 1 fantasma, ou algo assim. Você só consegue raciocinar uma coisa. É impossível raciocinar o nada. Sendo assim, qual é o caminho possível? O caminho possível é o despertar da consciência. Ficar consciente do nada é diferente de raciocinar o nada. Ficar consciente não é raciocínio. Nada é sua natureza existencial. Quando você pratica auto-observação existencial e fica consciente da sua existência, você desperta para o nada. O problema é tentar entender o nada através do raciocínio, daí não é autoconhecimento existencial, é raciocínio sobre uma explicação de autoconhecimento existencial.

Por que não sinto que a realidade está dentro de mim?

Por que não sinto que a realidade está dentro de mim?

Porque despertar existencial não é sentir, é estar consciente que a realidade externa não é externa, é apenas experiência de externalidade. Você fica consciente disso, mas a experiência de externalidade continua acontecendo, tal e qual, sem tirar nem por, igualzinha como era antes. Só que isso é tão simples que você começa a duvidar: “Não pode ser só isso. Não mudou nada. Está igual antes. Tem que ter alguma coisa a mais. Não sinto que sou deus. Cadê o êxtase? Cadê a porra toda? Eu quero a porra toda!”.

Por que resistimos a desmaterialização da matéria?

Por que resistimos a desmaterialização da matéria?

Ao entrar na experiência humana, você, assim como todo ser, assume a lógica materialista e a partir daí edifica todo seu conhecimento e autoconhecimento. Seu AUTOCONHECIMENTO está alicerçado na existência material: eu sou um corpo. Seu CONHECIMENTO também está alicerçada na existência material: o outro é outro corpo. Quando a 1ficina explica que matéria não é material, ou melhor, quando a 1ficina esfrega na sua cara que matéria é experiência de fisicalidade, é como se a 1ficina estivesse jogando uma bomba atômica na sua mentalidade materialista. E mais! É como se a 1ficina estivesse esfaqueando sua noção de “eu” (autoconhecimento). A mentalidade materialista se sente ameaçada, ela não quer morrer. O que você chama de “resistência” é sua mentalidade materialista lutando para sobreviver. Essa resistência é natural e inevitável. Faz parte do processo de despertar existencial. Mas contra o óbvio não tem argumentos. O óbvio sempre vence. E cada batalha da resistência materialista é, na verdade, um passo para fora dela. Por fim, quando o despertar existencial mata o materialismo e a noção materialista de eu, a lógica materialista continua e a noção materialista de eu também. Nada muda estruturalmente. A mudança é apenas consciencial. EUreka! E tudo muda sem que nada mude.

Por que você afirma que sou uma existência diferente da sua?

Por que você afirma que sou uma existência diferente da sua?

Porque é óbvio. Eu não sou você. Eu sou outro você. Outro ser. Se você fosse eu, o criador da minha realidade seria você e não eu. Mas o criador da minha realidade sou eu e não você.

Por que você diz que sou criador da minha realidade se apesar de ter arbítrio não tenho controle?

Por que você diz que sou criador da minha realidade se apesar de ter arbítrio não tenho controle?

Claro que você tem o controle. Você controla seu arbítrio e tudo que você experimenta é efeito disso. Um exemplo clássico a favor da falta de controle é o roubo. Você diria: “Eu não optei por roubarem meu carro!”. Só que ao dizer isso você se esquece que optou por comprar o carro e junto com a opção “comprar o carro” vem a possibilidade de ter o carro roubado. Se você não tivesse optado por comprar o carro, o roubo não teria como acontecer. Entende? Você tem o controle, sim, você não é vítima, nunca. Realidade não é arbitrária, é arbitrada. Você controla sua realidade através do arbítrio.

Porque não consigo conceber a Ciência do Nada?

Porque não consigo conceber a Ciência do Nada?

Porque seu raciocínio é materialista e o nada é inconcebível para lógica materialista. E a afirmação de que você é nada, é mais inconcebível ainda.

Qual é a lógica da explicação existencial?

Qual é a lógica da explicação existencial?

A lógica da explicação existencial é a lógica existencial. Só que a lógica existencial é uma lógica atemporal e adimensional. Então, não tente entender a lógica maior pela lógica menor. Não tente encaixar o atemporal e adimensional dentro do temporal e dimensional. Faça o oposto. Perceba que a lógica do materialismo está contida na lógica existencial, perceba que temporalidade e dimensionalidade é produto da existência. Percebido isso, problema resolvido.

Qual é o hardware onde está instalado o software dos cinco sentidos?

Qual é o hardware onde está instalado o software dos cinco sentidos?

Não é hardware, é nadaware. Esse nadaware é voser (você-ser).

Quando eu-humano morrer, me tornarei nada?

Quando eu-humano morrer, me tornarei nada?

Vou te chamar de Mario Bros para facilitar responder. Você está fazendo duas suposições. A primeira suposição é que a morte do corpo é a morte do Mario Bros, ou seja, morte da sua pessoa. A segunda suposição é que a morte de Mario Bros é o fim da brincadeira de ser humano. Suas suposições podem estar corretas, mas também podem estar equivocadas. A morte do Mario Bros pode ser uma mudança de fase na brincadeira de ser humano, igual um videogame, e não o fim da brincadeira. No mundo tem pessoas que acreditam e defendem a suposição de que a morte é uma mudança de fase e tem pessoas que acreditam e defendem que é o fim da brincadeira. Se for uma mudança de fase, você saberá inevitavelmente. Se for o fim da brincadeira, não haverá Mario Bros para saber que acabou. Dito isso, você-ser já é nada, sempre foi e sempre será.

Quem está criando minha realidade: eu-ser, eu-humano ou eu-fulano?

Quem está criando minha realidade: eu-ser, eu-humano ou eu-fulano?

Imagine que você é um jogador de futebol. O que você usa para chutar a bola: o pé ou a perna? Você usa tanto o pé como a perna, não é? Até porque o pé faz parte da perna. Analogamente, quem está criando sua realidade é você-ser, mas através do humano e do fulano. Só ser, sem o humano, não tem como criar realidade, seria como um pintor sem tinta. Ser humano, sem fulano, também não tem como criar realidade, seria como um pintor com muitas tintas, mas com Alzheimer. Ou seja, incapaz de usar as tintas.

Quer dizer que você não é um corpo contido no espaço?

Quer dizer que você não é um corpo contido no espaço?

Nem eu, nem você, nem ninguém ou coisa alguma. Só que eu sei disso e você ignora. Se quiser saber também: apocalip-se!

Realidade é impermanente porque é efeito?

Realidade é impermanente porque é efeito?

Exatamente! Igual na metáfora do cinema. O projetor está permanentemente criando o filme, por isso o filme na tela é impermanente, dinâmico, vivo. O mesmo está acontecendo agora e sempre com isso que você chama de realidade. Você é o projetor e o filme é a realidade que você está experimentando, por isso sua realidade é impermanente, dinâmica, viva. Caso contrário, você passaria a eternidade assistindo uma fotografia.

Se eu fosse um materialista convicto, como você me explicaria a natureza da realidade?

Se eu fosse um materialista convicto, como você me explicaria a natureza da realidade?

Exatamente como estou lhe explicando. Exatamente como explico no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO). E você é um materialista convicto, apenas tem conceitos espiritualistas e religiosos, mas ainda se entende como HUMANO SER. Aliás, creio que é mais fácil explicar a natureza da realidade para um materialista convicto do que para um materialista disfarçado de espiritualista. A explicação no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO) até quase o finalzinho é uma explicação científica materialista, só quando o vídeo explica que o cérebro também é um objeto mental que explode o materialismo.

Se nada é potencial para tudo, então, tudo é possível?

Se nada é potencial para tudo, então, tudo é possível?

Sim! Tudo é possível. Não existe nada impossível no universo. O universo é potencial para tudo. Tudo do verbo tudo. Tudo do verbo tudo mesmo. Tudo do verbo absolutamente tudo. E você é um dos criadores desse tudo. Imagina o tanto de realidade que você pode criar! As possibilidades são infinitas. Não tem limite para sua criatividade como criador de realidade. É pouco ou quer mais? Só que atualmente você se limitou as possibilidades da criação humana. Você escolheu usar a interface humana para criar realidade, assim como um músico escolhe usar um piano e outro músico escolhe usar um violão. Mas ainda assim, suas possibilidades de criação dentro dos limites da interface humana são incontáveis. Pense, por exemplo, em quantas músicas já foram criadas na história humana. Milhões de músicas. Uma música mais maravilhosa que a outra. E quantas notas musicais existem? Apenas sete: dó, ré, mí, fá, sol, lá, si. Todas as incontáveis músicas que existem no mundo foram criadas usando apenas sete notas músicais. Não tem uma oitava nota. Só tem essas sete. Então, mesmo dentro do limite da interface humana, as possibilidades de criação de realidade humana são incontáveis.

Sendo que sou criador da matéria, então, estudar a matéria é me estudar?

Sendo que sou criador da matéria, então, estudar a matéria é me estudar?

Sim! O que você chama de matéria não é matéria, é experiência de fisicalidade. Experiência de fisicalidade é feita de uma gama de atributos: altura, largura, profundidade, cor, peso, textura, cheiro, etc. Esses atributos da experiência de fisicalidade são atribuídos pela sua natureza humana. Sua natureza humana está em você. Então, quando você estuda os atributos da matéria, está estudando a si mesmo, está estudando sua humanidade. Não existe conhecimento sem conhecedor, então, todo conhecimento é autoconhecimento.

Ser é feito de quê?

Ser é feito de quê?

Ser é feito de existência.

Tanto faz se crio realidade de meditação ou andar de bicicleta?

Tanto faz se crio realidade de meditação ou andar de bicicleta?

Sim, o que importa não é a FORMA da realidade que você está experimentando e sim o SABOR que tem para você. De que adianta você se colocar numa realidade de meditação quando o que você quer mesmo é andar de bicicleta? Que gosto bom pode ter uma realidade que se cria a contra gosto? Só que esse equívoco é muito comum. E pior! É santificado, glorificado e pintado de elevação espiritual.

Tem tutorial para comprovar que sou nada?

Tem tutorial para comprovar que sou nada?

Posso fazer um agora. Observe TUDO isso que você está experimentando e perceba que é TUDO uma experiência só, seja pensamento, seja objeto, seja som, seja tato, seja o que for, observe que TUDO isso é parte integrante de um TUDÃO. Observe esse TUDÃO e perceba que esse TUDÃO é uma experiência de TUDÃO da qual você está sabendo, caso contrário, não estaria sabendo. Procure no TUDÃO esse saber que está sabendo do TUDÃO. Você não irá encontrá-lo em lugar nenhum, embora seja inegável, caso contrário você não estaria sabendo do TUDÃO que está sabendo. Perceba então, que se esse saber é inegável, mas não está no TUDÃO que você está observando, então, esse saber é NADA. Pronto!

Tem um vídeo que você fala em pré-existência. Pode comentar?

Tem um vídeo que você fala em pré-existência. Pode comentar?

A terminologia da pré-existência é uma pedagógica para explicar a existência para interlocutores de mentalidade materialista. Interlocutores materialista igualam realidade com existência. Se você perguntar para um materialista se a cadeira existe, por exemplo, ele dirá que sim, que a cadeira existe. Então, para dar a esse tipo de interlocutor a noção de causa, uma vez que ele está confundindo causa e efeito, uso a terminologia da pré-existência. É uma terminologia ruim, materialista, mas uma vez que o interlocutor está acreditando no materialismo, é útil e o ajuda a vislumbrar o que ele está confundindo. Os vídeos no Youtube são assistidos por muitas pessoas leigas em autociência, por isso, em alguns vídeos, uso a pedagógica da pré-existência.

Tocar um objeto é tão físico! Como explica isso?

Tocar um objeto é tão físico! Como explica isso?

Exatamente! Tocar é experiência de fisicalidade. Você não toca os objetivos, você tem uma experiência de fisicalidade de que você é um corpo físico tocando outros objetos físicos. Parece concreto porque experiência de fisicalidade é exatamente assim, experiência de forma, experiência de corpo, experiência de objeto, experiência de concretude.

Tudo é ilusão? Nada é real?

Tudo é ilusão? Nada é real?

Esse bordão “tudo é ilusão” é o mantra da fuga de si mesmo. Autociência não é fugir de si, é se encarar. Realidade é real, por isso chama real_idade. Você está a todo instante, ininterruptamente, experimentando sua realidade. Não tem nada além de realidade para você experimentar. Como não é real? Óbvio que é real! Só que a materialidade da realidade é uma experiência de fisicalidade e não material. Por isso se diz que realidade é ilusão. Dito isso, a dificuldade de entendimento está na palavra “real”. O raciocínio funciona por antônimos. Para o raciocínio, calor é antônimo de frio. No caso da palavra ilusão, o antônimo é real. Só que a 1ficina iguala real com ilusão. A 1ficina diz que real_idade = ilusão. Ou seja, a 1ficina pega algo que seu raciocínio considera antônimo e diz que é sinônimo. Daí seu raciocínio pira, pois ele fica sem base de oposição. E para piorar, a 1ficina diz que o oposto de ilusão é você. Daí trava tudo! Falha na matrix!

Tudo que faço está pré-programado?

Tudo que faço está pré-programado?

Tudo que você faz é você optando, arbitrando, usando sua natureza humana. Seu arbítrio não está pre-programado. Pelo contrário, é sua liberdade de optar. Mas seu arbítrio só pode ser exercido dentro das possibilidades da natureza humana, assim como tudo que você pode fazer dentro de um videogame é dentro das possibilidades do videogame. Então, em questão de possibilidades, sim, tudo que você pode fazer está pré-programado, pois a natureza humana é como um jogo de videogame.

Uma vez que não existe separação entre observador e observado, então, não existe a tão pregada neutralidade científica?

Uma vez que não existe separação entre observador e observado, então, não existe a tão pregada neutralidade científica?

A neutralidade científica existe sim, de uma certa forma, só que também não existe de outra forma. Existe porque quando Newton, por exemplo, observa e explica que caiu uma maçã na cabeça dele, ele não está dando uma opinião, está descrevendo uma queda que é factual e todos os seres humanos podem observar (experimentar) assim como ele. Só que essa observação (experimentação) é humana. Na ciência das minhocas, por exemplo, o que os seres humanos chamam de maçã em queda pode ser (e deve ser) algo completamente diferente. Então, nesse caso, a neutralidade científica desaparece, porque os cientistas humanos assumem o PONTO DE VISTA HUMANO como absoluto. E é absoluto entre seres humanos, mas os seres humanos não são os únicos seres do universo.

Você comprovou que matéria não existe ou acredita?

Você comprovou que matéria não existe ou acredita?

Não é correto dizer que comprovei com o verbo no passado, pois é um saber constante, no gerúndio. Eu vivo em constante comprovação. Eu vivo sabendo que matéria é experiência de fisicalidade. Imagine que você assiste a um mágico tirando um coelho da cartola, todo dia, repetidamente, durante anos e anos, até que um dia você descobre o truque e percebe que o coelho não está saindo da cartola, que é apenas um truque que dá a impressão de que o coelho está saindo da cartola. A partir daí, você nunca mais consegue ver o coelho saindo da cartola, pois você se tornou consciente do truque que fazia você acreditar que o coelho estava saindo da cartola. Se tornar consciente de que matéria não é material, que é experiência de fisicalidade, é análogo a isso. Através da autoobservação você investiga a natureza disso que você está constantemente experimentando (sua realidade). Conforme vai aprofundando na autoobservação, chega um ponto que fica óbvio que matéria é experiência de fisicalidade. A partir daí, assim como não consegue mais ver o coelho saindo da cartola, pois está consciente do truque do mágico, também não consegue mais ver matéria como material, pois está consciente do truque mental da materialidade e externalidade.

Você consegue controlar a dor física por saber que matéria é experiência de fisicalidade?

Você consegue controlar a dor física por saber que matéria é experiência de fisicalidade?

Não, pois o despertar da consciência não muda o jogo, muda seu jeito de jogar.

AULAS

TEXTOS

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