CIÊNCIA DO NADA

25/05/2016 by in category Livros with 0 and 0
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01 | CRIADOR DA REALIDADE

Você entende e aceita que é criador da sua realidade até certo ponto. Quando você vai almoçar em um restaurante, por exemplo, você escolhe batata, feijão, cenoura, tomate, etc, e assim cria sua refeição. Nesse caso, você entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Extrapolando essa ideia para outras áreas, você escolhe seu namorado, esposa, emprego, casa, roupa, amigo, etc. Nesses casos, você também entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Mas entender que você é criador da sua realidade não se limita a entender que você lida com as pessoas, com as situações e as coisas. Entender que você é criador da sua realidade, significa que você cria tudo, toda a realidade, 100%, sem exceção. Usando o exemplo do restaurante, entender que você é criador da sua realidade, é entender que você cria as paredes do restaurante, as mesas, as cadeiras, os talheres, o chão, a mão segurando o prato, tudo que você experimenta e chama de realidade.


02 | O QUE É MATÉRIA?

Quer dizer que você cria a matéria? Sim e não. Sim, porque você cria tudo que você experimenta, e não, porque matéria não é material, coisa física. Matéria é experiência de fisicalidade. Este entendimento é a revolução que muda tudo sem mudar nada. Nada muda porque matéria sempre foi experiência de fisicalidade, nunca foi outra coisa, nunca será, você é que tem ignorado isso. Tudo muda porque uma coisa é entender que matéria é material, outra coisa é entender que matéria é experiência de fisicalidade.


03 | EU SOU MATÉRIA

Ao acreditar que matéria é material, você passa a acreditar que você também é material, ou seja, corpo. Você pensa assim: “Realidade é material. Eu sou material também. A realidade contém toda matéria e me contém também. Eu sou um corpo material contido na realidade e interagindo com outros corpos materiais contidos na realidade.” Isso é um engano. Realidade não lhe contém, você é que contém sua realidade. Quando você entende que matéria é experiência de fisicalidade, o fluxo da criação vira do avesso. Você entende assim: “Matéria é experiência de fisicalidade. Eu sou criador da minha experiência de fisicalidade. Fisicalidade é um aspecto da realidade que experimento. Eu não sou matéria, nem estou contido na realidade, é a realidade que está contida em mim.”


04 | OUTROÍSMO

Quando você se entende como corpo, como matéria, é inevitável que você entenda que o criador da sua realidade é outro. Esse outro pode ser a natureza, o universo, os átomos, a vida, deus, o caos, enfim, algum outro, menos você. Isso é outroísmo. O problema do outroísmo é que se você não é o criador da sua realidade, então, sua realidade não tem relação causal com você. Se sua realidade não tem relação causal com você, como e porque estudar uma relação causal que não existe? Ou seja, se você não é o criador da sua realidade, buscar autoconhecimento é um absurdo.


05 | MATÉRIA É ILUSÃO

Matéria é ilusão. Mas por que matéria é ilusão? Matéria é ilusão porque é experiência. E por que experiência é ilusão? Experiência é ilusão porque é efeito. Imagine um filme em uma tela de cinema. O filme na tela é ilusão. Por que o filme na tela é ilusão? Porque não é o filme na tela que está criando o filme na tela, o filme na tela não é a fábrica do filme na tela, o filme na tela é efeito. A fábrica do filme na tela é o projetor. O projetor existe sem o filme na tela, mas o filme na tela não existe sem o projetor. Experiência é ilusão porque ilusão é efeito.


06 | REALIDADE É ILUSÃO

Realidade é ilusão. Ilusão = realidade = efeito. Mas isso não significa, de modo algum, que sua realidade deva ser ignorada e desconsiderada. Pelo contrário, muito pelo contrário, muitíssimo pelo contrário. Sua realidade deve ser absolutamente considerada, pois quando você vai estudar a relação causa e efeito, não é desconsiderando o efeito que você estuda a relação causa e efeito.


07 | TUDO E NADA

Nada é nada? Sim e não. Sim, porque se nada fosse alguma coisa, não seria nada, seria alguma coisa. E não, porque nada é potencial para tudo, para toda realidade. Nada é tudo-potencial, tudo é nada-realizado. Nada é a fábrica de tudo. Você é nada e tudo, todo ser é nada e tudo, criador e criatura. Viver é brincar de se transformar em tudo. Tudo sai do nada. Tudo que você experimenta sai do seu potencial. Por exemplo, se você é músico e está criando uma música, você é nada criando um tudo. Que tudo? A música. A música é sua manifestação, é você em forma de música. Imagine a natureza humana como sendo um instrumento musical. O que é sua realidade? Realidade é a música que você está criando e por isso, ouvindo, ou seja, experimentando.


08 | AUTOCONHECIMENTO

Realidade é ilusão, mas é imprescindível para você viver bem, pois é só através do estudo do efeito que você pode obter conhecimento de causa. E para que serve conhecimento de causa? Serve para você melhorar a qualidade do efeito, ou seja, melhorar a qualidade da sua realidade. Vamos usar uma analogia para entender melhor isso. Um sonho é uma ilusão. Por que? Porque um sonho não é fábrica de si, sonho é produto. E qual é a fábrica do sonho? A fábrica do sonho é você, sonhador. Porém, se você não fosse o sonhador dos seus sonhos, que utilidade e sentido teria estudar a relação dos seus sonhos com você? Não teria nenhuma utilidade e sentido. Sua realidade é como sonho. Você é um sonhador. A realidade que você experimenta é a realidade que você cria para si. É por isto que a prática da autociência é realizada através da investigação da relação causal entre você e sua realidade.


09 | FÔRMA HUMANA

Tem bolo redondo e tem bolo quadrado. Por que um bolo é redondo e outro é quadrado? De onde vem a forma do bolo? A forma do bolo vem da fôrma. O bolo quadrado é quadrado porque a fôrma que o formou era quadrada. O bolo redondo é redondo porque a fôrma que o formou era redonda. O bolo tem a forma da fôrma. Só que forma é explícita e fôrma é implícita. Dito isso, observe sua realidade como sendo um bolo. Se sua realidade tem forma, então, tem fôrma. Mas cadê a fôrma? Percebe? Você não vê a fôrma que forma sua realidade porque a fôrma da sua realidade também é implícita. Para entender isso, vamos melhorar a metáfora. Pense em uma imagem na tela do seu computador. A imagem na tela do computador é forma. Se é forma, tem uma fôrma. Mas cadê a fôrma que forma a imagem na tela do computador? A fôrma da imagem é o programa do computador. Analogamente, assim como um computador usa uma fôrma chamada PROGRAMA para criar imagens na tela, você usa uma fôrma chamada NATUREZA HUMANA para criar a realidade que você experimenta. E assim como você não vê o programa que forma a imagem na tela do computador, você também não vê sua NATUREZA HUMANA.


10 | POR QUÊ?

Vamos a pergunta que não quer calar. Aquela que fica atravessada na sua garganta. “Então, por quê?” Essa é a pergunta. Você pensa assim: “Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando essa realidade que não gosto?”. Muitas vezes você experimenta realidades indesejáveis, desagradáveis, violentas, nojentas, injustas, hipócritas, etc, então, é inevitável você se perguntar: “Por que? Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando essa realidade que não desejo para mim?”. Melhor do que eu lhe dar uma resposta, vamos analisar sua pergunta. O que está implícito nessa pergunta? Está implícito que você desconhece a causa. Perguntar porque é perguntar sobre a causa. Então, o primeiro motivo de você criar uma realidade indesejada, é justamente para você se perguntar: “Qual é a causa?”. O segundo motivo é para você buscar a resposta e descobrir que realidade é efeito e que você é a causa da sua realidade.


11 | QUALIDADE DA REALIDADE

Realidade indesejada é semelhante a uma música mal executada onde o músico erra as notas e toca fora de harmonia. Agora, pense no seguinte, o violão tem como tocar melhor a música? Não! Pois é o músico que está tocando a música e não o violão. O violão é apenas o instrumento que o músico está usando para executar a música. O mesmo acontece com você. Sua NATUREZA HUMANA é seu instrumento. Sua realidade é a música que você está tocando, e consequentemente, ouvindo. Assim como a causa da música mal tocada é a má execução do músico que está tocando o violão, a causa da má qualidade da sua realidade é sua má execução em ser humano. A maestria ou falta de maestria do músico com o violão é tanto o problema como a solução da qualidade da música, sua maestria ou falta de maestria em ser humano também é tanto o problema como a solução da qualidade da sua realidade.


12 | MELHORANDO TUDO

Nada é como se fosse um violão. Tudo é como se fosse a música saindo do violão. Não tem problema no violão, nem na música saindo do violão, que é apenas resultado da execução do músico. Quando a música que você está tocando está mal tocada, a causa é sua má execução do violão. Quando sua realidade está de má qualidade, a causa é sua má execução em ser humano. Uma vez que você descobre o que você está errando na execução de tocar violão, você pode melhorar a execução da música. Uma vez que você descobre o que você está errando no uso da sua NATUREZA HUMANA para criar sua realidade, você pode melhorar a qualidade da sua realidade. Só que você não sabe como funciona sua NATUREZA HUMANA, por isso você não consegue melhorar a qualidade da sua realidade. Para descobrir como funciona sua NATUREZA HUMANA e começar a usá-la bem, você deve praticar autociência e produzir autoconhecimento.


13 | FIM DO MUNDO (EXTERNO)

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: Você diz que não devemos acreditar nas explicações da 1ficina e sim comprovar. Você comprovou que matéria não existe ou acredita?

Não é correto dizer que comprovei com o verbo no passado, pois é um saber constante, no gerúndio. Eu vivo em constante comprovação. Eu vivo sabendo que matéria é experiência de fisicalidade. Imagine que você assiste um mágico tirando um coelho da cartola, todo dia, repetidamente, durante anos e anos, até que um dia você descobre o truque e percebe que o coelho não está saindo da cartola, que é apenas um truque que dá a impressão de que o coelho está saindo da cartola. A partir dai, você nunca mais consegue ver o coelho saindo da cartola, pois você se tornou consciente do truque que fazia você acreditar que o coelho estava saindo da cartola. Se tornar consciente de que matéria não é matérial, que é experiência de fisicalidade, é análogo a isso. Através da autoobservação você investiga a natureza disso que você está constantemente experimentando (sua realidade). Conforme vai aprofundando na autoobservação, chega um ponto que fica óbvio que matéria é experiência de fisicalidade. A partir dai, assim como você não consegue mais ver o coelho saindo da cartola, pois está consciente do truque do mágico, você também não consegue mais ver matéria como material, pois você está consciente do truque mental da materialidade e da externalidade.


PERGUNTA: Como ficar consciente do truque mental da materialidade e da externalidade?

Praticando autociência, mais especificamente, autoobservação. Vou usar a analogia da mágica como exemplo. Se você observar atentamente os movimentos do mágico no vídeo abaixo, você se tornará consciente do truque que o mágico está executando. Você é um ser humano. Sua humanidade é um mágico. É sua humanidade que está produzindo o truque da experiência humana que inclui sua experiência de materialidade e externalidade. Autoobservação é assistir seus próprios movimentos mentais até que o truque da materialidade e da externalidade se tornem evidentes. Uma vez que se tornam evidentes, não tem mais mágica, virou autoconhecimento.


PERGUNTA: Se eu praticar autoobservação vou chegar à experiência do despertar?

Não! Você pode praticar autoobservação sua vida inteira e ainda assim JAMAIS irá obter êxito em ter uma experiência de despertar. O motivo é simples. DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA NÃO É UMA EXPERIÊNCIA, DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA É SE TORNAR CONSCIENTE SOBRE O QUE É EXPERIMENTAR. Ninguém jamais experimentou ou irá experimentar o despertar da consciencial. Despertar da consciência é se tornar consciente sobre o processo mental de criar realidade.


PERGUNTA: O que mudou quando você despertou a consciência?

Entre outras coisas, antes de despertar a consciência eu acreditava que era um corpo físico contido no espaço, tal qual você está acreditando atualmente, com o despertar da consciência não perdi essa perspectiva, mas passei a viver consciente de que é apenas um truque mental. Claro que essa lucidez me possibilita viver melhor e conviver melhor por vários motivos. Então, mudou também a qualidade do meu viver. Eu vivia mal e passei a viver bem.


PERGUNTA: Quando vou comprovar que matéria é experiência de fisicalidade?

Quando você vai morrer? Nem você sabe! Mas é você que vai criar sua experiência de morte, assim como criou sua experiência de nascimento e está criando sua experiência de envelhecimento. Então, pode ser que você não se dê esse despertar. E se isso acontecer, não pense que fracassou no autoconhecimento, apenas seu foco de autoconhecimento era outro nesse momento e o despertar existencial iria atrapalhar ao invés de ajudar. Urgência não produz despertar, produz úlceras. Se você quer despertar a consciência, apenas se concentre em praticar autociência sem expectativa de tempo, sem urgência. A prática da autoobservação inevitavelmente produz autoconhecimento. Quando um praticante de autociência não avança no autoconhecimento é porque não é praticante de fato, está só na teoria.


PERGUNTA: Tudo é ilusão? Realidade não é real? É isso?

Esse bordão “tudo é ilusão” é o mantra da fuga de si mesmo. Autociência não é fugir de si, é se encarar. Realidade é real, por isso chama real_idade. Você está a todo instante, ininterruptamente, experimentando sua realidade. Não tem nada além de realidade para você experimentar. Como não é real? Óbvio que é real! Só que a materialidade da realidade é uma experiência de fisicalidade e não material. Por isso se diz que realidade é ilusão. Dito isso, a dificuldade de entendimento está na palavra “real”. O raciocínio funciona por antônimos. Para o raciocínio, calor é antônimo de frio. No caso da palavra ilusão, o antônimo é real. Só que a 1ficina iguala real com ilusão. A 1ficina diz que real_idade = ilusão. Ou seja, a 1ficina pega algo que seu raciocínio considera antônimo e diz que é sinônimo. Daí seu raciocínio pira, pois ele fica sem base de oposição. E para piorar, a 1ficina diz que o oposto de ilusão é você. Daí trava tudo! Falha na matrix!


PERGUNTA: Como você vê cura a distância?

Que distância? Qual é a distância entre você e sua realidade? Eis uma ótima EUrekatividade! Observe a distância entre você e sua realidade. Pegue uma régua e procure medir a distância entre você e sua realidade. Você irá perceber que a régua também é realidade, então, não serve para você medir a distância entre você e sua realidade. Mas você pode colocar a régua na frente do seu corpo e medir a distância entre seu corpo e a parede. Só que tanto seu corpo, como a régua, como a parede, são a mesma experiência, é a mesma realidade. O desafio é você medir a distância entre você e sua realidade. Se você faz essa EUrekatividade, se faz mesmo, você desperta e percebe que não existe distância, que distância também é experiência de fisicalidade. Você não consegue medir a distância entre você e sua realidade porque você está MAIS PERTO DO QUE PERTO. Você é simultaneamente o criador da sua realidade e a realidade que está experimentando. Não tem distância entre criador e criatura, entre observador e observado. Essa separação é o equívoco em que está alicerçado o materialismo. Por isso que a Física Quântica é ciência e não AUTOciência. Veja a famosa experiência da fenda dupla, o observador está separado do observado, esse é o equívoco do materialismo e dos cientistas.


PERGUNTA: Realidade é impermanente porque é efeito?

Exatamente! Igual na metáfora do cinema. O projetor está permanentemente criando o filme, por isso o filme na tela é impermanente, dinâmico, vivo. O mesmo está acontecendo com isso que você chama de realidade. Você é o projetor e o filme é a realidade que você está experimentando, por isso sua realidade é impermanente, dinâmica, viva. Caso contrário, você passaria a eternidade assistindo uma fotografia.


PERGUNTA: Você consegue controlar ou acabar com uma dor física por saber que matéria é experiência de fisicalidade?

Não, pois o despertar da consciência não muda o jogo, muda seu jeito de jogar.

PERGUNTA: E o jeito de jogar não altera a realidade?

Despertar da consciência altera seu jeito de alterar a realidade. Você se torna competente em criar realidade de boa qualidade. Você continua criando e experimentando realidade humana (não muda o jogo), porém, como está lúcido sobre o que é ser humano, você muda seu jeito de jogar e passa a criar realidade humana de melhor qualidade.


PERGUNTA: O nada é o criador da realidade? É isso?

Eis como nasce outro deusoutro. Quando você diz “O” nada, você está terceirizando a si mesmo. Você está apenas trocando o nome do deusoutro. Primeiro você chama deusoutro de “deus”, daí você vai estudar filosofia, ou ciência, ou esoterismo, e troca a palavra “deus” pela palavra “nada”. Agora sim! Agora o criador da sua realidade não é mais uma crendice religiosa de gente analfabeta. Agora o criador da sua realidade tem carimbo da universidade. Agora o criador da sua realidade é “O” nada. Olha só que chique! Agora você está acima dessa gentalha! gentalha! gentalha! Mas o que mudou de fato? Só mudou o rótulo do mesmo deusoutro de sempre. Não existe “O” nada. Nada é você. Nada é o ser que você é. Você é nada.


PERGUNTA: Porque minha mente não consegue entender a Ciência do Nada?

Antes de responder sua pergunta vou fazer uma troca de palavras. Onde você usou o termo “minha mente” vou substituir por “meu raciocínio”. Feito isso, você não consegue entender o que esse livro explica porque esse livro está explicando que você é nada e seu raciocínio é parte integrante do tudo.

Pensar não é saber (raciocinar não é saber). Pensar é processar informação, feito um computador. Quando você pensa algo, se você não fosse autoconsciente, você sequer saberia que pensou. Você sabe o que está pensando porque sabe que está pensando. Isso é tão óbvio que você não percebe. Você confunde pensar com saber e acredita que pensar é saber. Não é! Um computador pensa (processa informação) mas não sabe que pensa, pois não tem consciência do próprio pensamento.

É ai que começa o problema do raciocínio com a consciência e com a existência. Saber é inegável. Você sabe que sabe. Só que você não consegue explicar como sabe, nem porque sabe. Você apenas é consciente de que é consciente e é isso! É óbvio que você sabe! É inegável! Mas é só isso! O raciocínio não tem como processar nada sobre o saber, pois o raciocínio é o sabido (objeto do saber).

Ou seja, saber é irracional (irracionalizável). Não tem como entender o saber. Não tem lógica. Você simplesmente sabe e pronto! E não há nada que você possa fazer para evitar isso. Por isso que saber é inconcebível embora inegável, pois é o saber que sabe do raciocínio, não o oposto. Por isso que sua existência também é inconcebível embora inegável, pois você sabe que existe e não pensa que existe.

É inconcebível para a racionalidade que a realidade (que inclui a racionalidade) existe “dentro do saber”. Por isso que os cientistas estudam a realidade através do estudo da matéria. Por isso também que o caminho para o autoconhecimento não é a ciência, mas a AUTOciência, feita através da autoobservação (saber de si). 


PERGUNTA: Tem tutorial para comprovar que sou nada?

Posso fazer um. Fique observando TUDO isso que você está experimentando e perceba que é TUDO uma experiência só, seja pensamento, seja objeto, seja som, seja tato, seja o que for, observe que TUDO isso é parte integrante de um TUDÃO. Fique observando esse TUDÃO e perceba que esse TUDÃO é uma experiência de TUDÃO da qual você está sabendo, caso contrário, não estaria sabendo. Procure no TUDÃO esse saber que está sabendo do TUDÃO. Você não irá encontrá-lo em lugar nenhum, embora seja inegável que sem esse saber você não estaria sabendo do TUDÃO que está sabendo. Perceba então, que se esse saber é inegável, mas não está no TUDÃO que você está observando, então, esse saber é o próprio NADA. Sendo que esse saber é você-sabendo, então, esse NADA é você.


PERGUNTA: Você pode resumir o livro Ciência do Nada em uma frase?

Você é NADA criando TUDO através de uma INTERFACE HUMANA.

Como usei o termo interface, recomendo investigar o que significa. O conceito de interface vem da computação. Acho bastante útil entender esse conceito, ajuda demais no entendimento do funcionamento da natureza humana.


PERGUNTA: O outro enxerga as coisas da mesma forma que eu ou cada um tem uma visão diferente das coisas?

A grosso modo, a realidade sensorial (realidade física) é igual para todos os seres humanos, pois todos estão usando a mesma interface humana para se manifestar e receber manifestação. A prova disso é que, caso contrário, seria impossível a comunicação humana.


PERGUNTA: Para que eu, o nada, crio uma realidade?

Você não é O nada, você é UM nada. O universo é uma coletividade de nadas (zeros). Universo = 0 + 0 + 0 + 0 + (…) O universo é Zeroverso. Dito isso, você cria realidade porque essa é a única brincadeira que tem para brincar no universo. Seres são deuses, criadores de realidade, fábricas de realidade. A única coisa que uma fábrica de realidade tem para fazer é fabricar realidade. De que tipo? Daí é variado. Você, por exemplo, é um ser que está brincando de fabricar realidade humana, por isso está experimentando uma experiência humana, que é o produto da sua fabricação.


PERGUNTA: Eu crio o sol?

Sim, você cria seu sol, sua experiência de sol. Caso contrário, como você poderia estar experimentando essa experiência que chama de sol?

PERGUNTA: O Sol é um ser experimentando ser sol?

É super sutil o equívoco do materialismo. O que você chama de sol NÃO É um ser sendo sol, é um SER SENDO (se manifestando), só isso! Sua decodificação humana da manifestação desse ser é o que possibilita você experimentá-lo nessa experiência humana que você chama de sol.


PERGUNTA: Tocar um objetivo é tão físico, palpável, material e concreto. Como funciona os sentidos de acordo com a 1ficina. Pode me explicar?

Tocar é realidade. Você não toca os objetivos, você tem uma experiência de fisicalidade de que você é um corpo físico tocando outros objetos físicos. Parece concreto porque experiência de fisicalidade é exatamente assim, experiência de forma, experiência de corpo, experiência de objeto, experiência de concretude.


PERGUNTA: Qual é a lógica da explicação existencial? Preciso de lógica para entender.

A lógica da explicação existencial é a lógica existencial. Só que a lógica existencial é uma lógica atemporal e adimensional. Então, não tente entender a lógica maior pela lógica menor. Não tente encaixar o atemporal e adimensional dentro do temporal e dimensional. Isso é impossível. Faça o oposto. Perceba que a lógica do materialismo está contida na lógica existencial, perceba que temporalidade e dimensionalidade é produto da existência. Percebido isso, problema resolvido.

INTERLOCUTOR: Acho muito complexo a lógica existencial.

Pelo contrário, simples lógica de causa e efeito.

INTERLOCUTOR: Tenho dificuldade de pensar nisso.

Pensar não é saber. Desperte para isso. Problema resolvido.


PERGUNTA: Por que você diz que busco autoconhecimento porque sofro?

Porque o motivo final da busca pelo despertar da consciência é resolver o sofrimento. Ninguém desperta a consciência para despertar a consciência. Ciência em si não serve pra nada. Ciência serve para você ficar ciente sobre o funcionamento de algo e assim poder lidar bem com esse algo, ou seja, deixar de sofrer com a ignorância do funcionamento.

PERGUNTA: Ciência serve como ferramenta de descoberta, não?

Descobrir para quê? Descobrir por descobrir também não serve para nada. Descobrir também é meio, estratégia, não é OBJETIVO. Descobrir é estratégia para você eliminar sua ignorância. Mas eliminar sua ignorância também é meio, também é estratégia. Sua ignorância lhe impossibilita de lidar bem com o funcionamento das coisas. Se a coisa ignorada é você mesmo, o ser humano que você é, a ignorância de si lhe impossibilita de viver bem. Viver mal é sofrido. Então, no final das contas, a motivação científica (motivação em descobrir) é sempre a mesma: fim do sofrimento. Sem sofrimento não há motivação para sair da ignorância. O motor da ciência é o sofrimento.


PERGUNTA: Se tudo que experimento sou eu brincando de criar minha realidade, então, tanto faz se crio realidade de meditação ou andar de bicicleta?

Sim, o que importa não é a FORMA da realidade que você está experimentando e sim o SABOR que tem para você. De que adianta você se colocar numa realidade de meditação quando o que você quer mesmo é andar de bicicleta? Que gosto bom pode ter uma realidade que se cria a contra gosto? Só que esse equívoco é muito comum. E pior! É santificado, glorificado e pintado de elevação espiritual. Olha só o que pode acontecer! Você cria a realidade de meditação, que você não quer, mas é o que aprendeu que é certo, santo e sagrado, ao invés de andar de bicicleta, que você quer, mas aprendeu que é errado, profano e pecado. Resultado: sofrimento, sofrimento, sofrimento, até virar depressão. Para resolver a depressão, você começa a tomar antidepressivos. A depressão aumenta. Final da história: você babando e pensando em matar tudo e todos, até a si mesma. Quando a solução era simples: andar de bicicleta.


PERGUNTA: Minha realidade é minha vida, que é criada com minhas escolhas?

Sim! Agora já dá para entender melhor porque o livro Apocalip-se explica que NÃO EXISTE VIDA. Porque vida é efeito (realidade), não é existência. É o viver que cria a vida e não a vida que cria o viver.


PERGUNTA: Uma vez que não existe separação entre observador e observado, então, não existe a tão pregada neutralidade científica?

A neutralidade científica existe sim, de uma certa forma, só que também não existe de outra forma. Existe porque quando Newton, por exemplo, observa e explica que caiu uma maçã na cabeça dele, ele não está dando uma opinião, está descrevendo uma queda que é factual e todos os seres humanos podem observar (experimentar) assim como ele. Só que essa observação (experimentação) é humana. Na ciência das minhocas, por exemplo, o que os seres humanos chamam de maçã em queda pode ser (e deve ser) algo completamente diferente. Então, nesse caso, a neutralidade científica desaparece, porque os cientistas humanos assumem o PONTO DE VISTA HUMANO como absoluto. E é absoluto entre seres humanos, mas os seres humanos não são os únicos seres do universo.

PERGUNTA: Então, posso afirmar que existem leis naturais imutáveis, como lei da gravidade, por exemplo?

Não são leis naturais, é o funcionamento da interface. Você e todos os seres humanos estão usando uma interface humana de comunicação chamada: humanidade. Isso faz com que você e todos os seres humanos tenham experimentação humana. Essa experimentação tem diversos aspectos. A cultura humana determina palavras para cada aspecto. Palavras como matéria, objeto, deslocamento, velocidade, altura, cor, luz, energia, líquido, som, etc. Só que você e todos os seres humanos ignoram que tudo isso é efeito da interface humana. É como se você acreditasse que tudo que está na tela do computador estivesse ali sem um programa por trás, sem o Windows (sistema operacional) para organizar. Então, por ignorarem a interface humana, você e todos os seres humanos passam a acreditar que a realidade que estão experimentando está sendo organizada por LEIS NATURAIS, quando de fato, está sendo organizada pela interface humana.

PERGUNTA: Isso quer dizer que tudo que faço já está programado?

Não! Tudo que você faz é você optando, arbitrando, usando sua natureza humana. Mas seu arbítrio só pode ser exercido dentro das possibilidade da interface humana, assim como tudo que você pode postar no whatsapp é só dentro das possibilidades do whatsapp.


PERGUNTA: Se eu fosse um materialista convicto, como você me explicaria a natureza da realidade?

Exatamente como estou lhe explicando. Exatamente como explico no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO). Você é um materialista convicto, apenas tem conceitos espiritualistas e religiosos, mas ainda se entende como HUMANO SER. Aliás, creio que é mais fácil explicar a natureza da realidade para um materialista convicto do que para um materialista disfarçado de espiritualista. A explicação no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO) até quase o finalzinho é a explicação científica materialista, só quando o vídeo explica que o cérebro também é um objeto mental que explode o materialismo.


PERGUNTA: Por que acredito que sou um corpo? Por que ignoro que sou nada?

Se te pergunto O QUE é isso, apontando para uma cadeira, por exemplo, você foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é cadeira e responde: isso é uma cadeira. Se te pergunto O QUE é você, você executa o mesmo processo, foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é corpo e responde: sou um corpo contido no espaço. Ou seja, você acredita que sua existência se resume a ser um corpo contido no espaço porque você usa como base existencial o critério materialista de existência. O critério materialista de existência se baseia nos 5 sentidos. Para o materialismo, O QUE EXISTE é o mensurável, o perceptível, o experimentável, mesmo que através de medição instrumentalizada, como microscópios, radares, etc. O critério materialista de existência não é errado. Mas é incompleto e invertido. Você não é apenas um corpo contido no espaço, você também é o espaço que está contendo o corpo. Você é nada e tudo: nadatudo. Você-corpo é tipo uma imagem no espelho. Assim como a causa da imagem no espelho não é a imagem no espelho, a causa de você se experimentar como corpo não é o corpo. Esse é o problema de usar o critério materialista de existência. Você passa a ignorar que você-corpo (tudo) está dentro de si mesmo (nada). Você passa a acreditar que sua existência é você-cheio, você-objeto contido no espaço. Só que é justamente o oposto. Sua existência é o espaço que contém o seu corpo. VoSer é o espaço. Você está contido em voSer. Isso é inconcebível para o critério materialista de existência. Eis a dificuldade do despertar existencial.


PERGUNTA: Por que não abro mão do materialismo?

Por que você quer ser alguma COISA. Segundo o critério materialista de existência, se você não é ALGUMA COISA, mesmo que uma COISA espiritual, ou uma COISA transcendental, ou uma COISA quântica, ou uma COISA metafísica, etc, então, você não existe. E você sabe que existe. É óbvio. Mas você quer ser ALGUMA COISA. Você não quer ser nada. Só que sua existência é nada, que é a fábrica de todas as coisas.


PERGUNTA: Por que eu leio a explicação existencial e não entendo?

Primeiro porque não é de entender, é de ficar consciente. Dito isso, um dos maiores obstáculos para o leitor com as explicações da 1ficina é a palavra VOCÊ. Quando eu falo VOCÊ, quando aparece a palavra VOCÊ nos textos da 1ficina, significa Você_Ser_Humano, só que você, leitor, lê Eu_Humano_Ser. Até cair essa ficha, demoooora! Tem instrutores que usam a palavra SER, ou mais comum ainda, usam a palavra ESPÍRITO. Só que é tiro no pé, pois usar qualquer palavra que não VOCÊ, para se referir a você, acaba terceirizando você. Por isso as pessoas acreditam que TEM um espírito. As vezes uso a palavra VOSER para fazer a diferenciação e ao mesmo tempo não criar a terceirização.


PERGUNTA: Por que a vida parece ficar sem sentido com o estudo existencial?

Porque o despertar existencial faz sua busca espiritual entrar em colapso total. Sua busca espiritual fica sem sentido. Que sentido tem você buscar deus quando você descobre que deus é você? Para onde você vai evoluir se você não tem como sair de si? Que êxtase, que experiência transcendente você pode ter, se toda experiência é imanente?


PERGUNTA: Sendo que sou criador da matéria, então, estudar a matéria é me estudar?

O que você chama de matéria não é matéria, é experiência de fisicalidade. Experiência de fisicalidade é feita de uma gama de atributos, altura, largura, profundidade, cor, peso, textura, cheiro, etc. Esse atributos da experiência de fisicalidade são atribuídos pela sua natureza humana. Sua natureza humana está em você. Então, quando você estuda os atributos da matéria, está estudando a si mesmo, está estudando sua humanidade. Não existe conhecimento sem conhecedor, então, todo conhecimento é autoconhecimento.


PERGUNTA: Matéria é ilusão ou é ilimitada?

Matéria é experiência de fisicalidade. Toda experiência é limitada pelo TIPO DE NATUREZA que você (ser) está usando para produzir experiência. Você está brincando de ser humano. Então, só pode brincar de produzir e experimentar experiência humana.


PERGUNTA: Tem um vídeo no youtube que você fala em pré-existência. Pode comentar esse termo?

A terminologia da pré-existência é uma terminologia pedagógica para explicar o que é existência para interlocutores de mentalidade materialista. Interlocutores de mentalidade materialista igualam realidade com existência. Se você perguntar para um interlocutor de mentalidade materialista se a cadeira existe, por exemplo, ele dirá que sim, que a cadeira existe. Então, para dar a esse tipo de interlocutor a noção de causa, uma vez que ele está fundindo e confundindo causa e efeito, uso a terminologia pedagógica da pré-existência. É uma terminologia ruim, materialista, e outrocientifica, mas uma vez que o interlocutor está acreditando na mentalidade materialista, é útil e o ajuda a vislumbrar o que ele está confundindo. Os vídeos no youtube são assistidos por muitas pessoas leigas em autociência, por isso, para conversar com essas pessoas leigas e de mentalidade materialista, uso em alguns vídeos a estratégia pedagógica da pré-existência.


PERGUNTA: Como separar causa e efeito?

Imagine uma televisão que esteja assistindo a si mesma. Melhor! Imagine uma televisão que “nasceu” assistindo a si mesma. Essa televisão vai acreditar que as imagens na tela é a tela. As imagens estão mais perto do que perto, estão na tela e a televisão nasceu assistindo as imagens, então, a televisão não tem como colocar um espaço entre a tela e a imagem. Até porque, não existe de fato espaço separando a tela da imagem na tela. Como separar? Simples. A tela é o que possibilita e fabrica a imagem que é produto. Analogamente o mesmo está acontecendo com você. Você-causa = televisão. Você-efeito = realidade. A televisão está assistindo a si mesma, você também.


PERGUNTA: Eu sou infinito e eterno?

Sim! Mas é preciso entender o que significa infinito e eterno. Para mentalidade materialista, infinito é algo muito muito muito grande, eterno é o que dura muito muito muito tempo. Isso é um equívoco. Muito muito muito grande, não é infinito, é muito muito muito grande. Muito muito muito tempo, não é eterno, é muito muito muito tempo. E o que é infinito, então? Infinito é adimensional. E o que é eterno, então? Eterno é atemporal. O atemporal é a fábrica do tempo. O admencional é a fábrica das dimensões (forma, grandeza). Você (ser) é atemporal e admencional. Fábrica do espaçotempo.


PERGUNTA: Qual é a base de observação para ficar óbvio que eu (ser) não saio do lugar.

Ficar consciente que lugar é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que seu corpo é experiência de fisicalidade. Ficar consciente de que seu corpo deslocando pelos lugares é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que o ato de experimentar não é uma experiência. Ficar consciente que o ato de experimentar seu corpo deslocando pelos lugares não sai do lugar.


PERGUNTA: Existe alguma relação entre despertar existencial e a Alegoria da Caverna de Platão?

Sim, serve de metáfora para o despertar existencial. É muito útil citar a Alegoria da Caverna de Platão em meios acadêmicos, pois é uma das poucas explicações desse tipo que faz parte do mundo acadêmico. Platão explicou o funcionamento do cinema 2000 anos antes da invenção do cinema. E explicou que a realidade é virtual antes da invenção do computador e da realidade virtual. Platão foi genial. Merece toda nossa admiração.


PERGUNTA: Não entendo nada do que você diz! É burrice minha?

Não! É falta de pratica em autoobservação existencial. Relaxa e prossiga praticando. Não se constrói uma casa começando pelo telhado. A opção de estudar a natureza existencial do ser humano, como toda opção, tem prós e contras. O principal contra é explicar. Não é nada fácil explicar o que está mais perto do que perto. O pró é a aniquilação total do vitimismo. Teve uma época que pensei: “Se nem os cientistas, que estudam o espaço tempo, entendem o que estão estudando, que dirá pessoas que nunca pensaram no assunto!”. Daí pensei: “Se quem entende não explicar, quem irá explicar?”. O segundo pensamento me convenceu. Por isso prossigo explicando.


PERGUNTA: Observar a observação é observar o observador?

Se seu interesse é despertar a consciência, não se preocupe com teorias, apenas pratique autoobservação. Em termos psicológicos, você possui um sistema cognitivo. Observar a observação é observar seu sistema cognitivo e ficar consciente de como ele funciona.


PERGUNTA: Existem aspectos que qualificam o ser ou tudo é aspecto da minha natureza humana?

Você não é ser, você é UM ser. Você é uma unicidade existencial singular, diferente dos outros seres. Dito isso, você-ser está se manifestando através da natureza humana, então, você está experimentando sua singularidade existencial humanizada, ou seja, com qualidade humana. Então, é os três: existencial, psicológico e humano. Sempre os três.


PERGUNTA: Como explicar a realidade de um ser humano deficiente?

Da mesma forma que você explica a sua. Você sabe explicar a sua? Dito isso, percebe como a mentalidade vitimista luta para provar que é vítima? A mentalidade vitimista não aceita a responsabilidade nem fudendo. Junta isso com a crença no deusoutro, ou qualquer outro unicórnio espiritualista e fudeu! Você vai viver mal e não vai conseguir sair do mal viver, pois acredita que é uma vítima impotente. Suponha que você consiga provar que você é vítima. E daí? Você estaria provando pra quem? E por que? Viver com mentalidade materialista, acreditando que é um espermatozoide em evolução, não é fácil. O espermatozoide pira! Não tem paz dentro da mentalidade materialista, só tem medo. Mesmo que você seja um espermatozoide que acredita em deusoutro, mesmo que você seja o mais fervoroso dos crentes, é um inferno, porque acreditar não dá certeza e você sabe disso. E se você é um espermatozoide ateu, coloca a culpa na matéria, no Big Bang, na vida, na evolução. O espermatozoide teísta reza para deus, o espermatozoide ateu reza para evolução. Dá na mesma, só muda a etiqueta do deusoutro. E para fugir do medo, para viver em paz, o que o espermatozoide faz? Cerveja, pinga, maconha, Rivotril, chocolate, chocolate, netflix, trabalho, trabalho, sexo, punheta, política, religião, facebook, outra cerveja, casamento, filhos, muitos filhos, enfim, qualquer coisa que adormeça a consciência. Ah! Cigarro, muito cigarro, para, se possível, morrer logo e dar fim ao sofrimento.


PERGUNTA: Eu sou nada e você é nada, então, somos o mesmo nada?

Somos todos igualmente seres (nadas), mas cada um é um nada diferente do outro. Sua UNItrindade é sua individualidade existencial (você-nada). Caso contrário, você seria eu e eu não seria outro pra você. E, obviamente, eu não sou você, nem você sou eu, somos um e outro.

PERGUNTA: De uma única massa eu faço vários pastéis. Quero saber se todos viemos do mesmo lugar, do mesmo nada, da mesma massa. Entende? 

Se você quer saber mesmo, deve praticar autociência e descobrir por si próprio. Se quer meu testemunho, sim, você existe, eu existo, nós existimos. Todos os seres existem. E todos somos igualmente nada (existência). Porém, ser não vem de lugar nenhum. Lugar é lógica materialista. Ser existe.

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Cidade não tem noite, sois eletrônicos acendem com o timer e o espetáculo da escuridão, mesmo presente, fica invisível. Sempre morei na cidade. Aliás, quase sempre. Suficiente para que minhas retinas se esquecessem que são duas luas. Certa vez, arranquei a avenida paulista de dentro de mim e fui morar em um sítio. Lá, quando ficava noite, ficava noite, e tanto, que no quarto onde dormia não fazia diferença estar de olhos abertos ou fechados. Muitas vezes, acordava antes do sol, da memória, e até de mim mesmo, para ficar olhando o breu. Impressionante como o quarto encarnava no espaço com a luz do dia. Surgia a porta bege, a janela de ferro e o armário Marabraz. Quanto mais luz, maior era meu estado catatônico.

—  Altura!!!! Largura!!!! Profundidade!!!! De onde vem isso? Não estavam aqui! Tenho certeza! Será que foi o sol que trouxe? — pensava.

De repente, o galo cantava. E eu já não era o único bicho no mundo querendo acordar o mundo para o absurdo que o mundo é.

Realidade não anda para frente, nem para trás, nem para cima, nem para baixo. Realidade não se desloca. Realidade é tudo. Tudo não tem para onde ir. Tudo vai e vem no mesmo lugar, feito imagem numa tela de televisão. Tudo se transFORMA. Observe o deslocamento da realidade numa tela de televisão. Surge um quadro na tela que se transforma no próximo quadro, e no próximo quadro, e assim por diante. De onde a realidade na televisão está vindo e para onde está indo? Está indo e vindo do mesmo lugar: da transformação na tela. Cada novo quadro na tela não é uma nova tela, é a mesma tela transFORMAda. Analogamente, o mesmo acontece com sua realidade, não se desloca, se transFORMA. O lugar onde sua realidade se transforma se chama: você. Big bang é um big engano. Você não está contido na realidade, é a realidade que está contida em você.

Você entra em pânico, se descabela, frita de raiva, reclama da trilha sonora e o cara diz impávido colosso: “É só um filme!”. Puta cara chato, você pensa. Acertou. E não é o único. Nem é o primeiro. É o chato da vez. Mais um que saiu da caverna de Platão. Aliás, eis o chato honoris: Chatão. Esse era tão chato que até inventou o cinema, só para poder ser o cara chato no cinema. Apontava para o mundo e dizia: “É só uma sombra!”. Todo mundo fazia cara de ué. Se a piada fosse entendida, era legal. Se fosse legal, não era chata. Se não fosse chata, não era legal. Paradoxo chato.

Mas nem sempre o cara chato no cinema é chato. Quando o filme está bom, o cara é chato. Você pensa: “Pensar é chato!”. Quando o filme dói, o cara chato se transforma na ultima Neosaldina do pacote. Você pinta o chato de ouro, coloca o chato num altar, acende incenso para o chato, se ajoelha na frente do chato e tenta sair do transe cinematográfico cantando o mantra: “É só um filme”. Funciona como paliativo. Você dorme no cinema. Quando acorda, tem um cara chato no cinema.

A professora entrou na sala, fez chamada, desenhou uma fogueira na lousa, pegou minha mão e começou a me conduzir para fora da Caverna de Platão. Pense numa pessoa em choque. Multiplica por mil. Eleva a n+1. Era eu tendo a experiência mais alucinógena da minha vida. “Ca-la-bo-ca, professora! Apaga essa fogueira! E=mc2! Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço! Aguá vira vapor a 100 graus!”. Eu berrava. Eu implorava. Mas ela não me escutava. Ela havia optado pela cicuta. Sem usar nenhuma tecnologia, nenhuma química, nenhuma física, sem sequer saber o que estava fazendo, a professora desmaterializou o universo e o teletransportou para dentro de mim. Não sobrou nada do lado de fora. Nem eu.

Ano 3050, um repórter entrevista o cientista chefe do experimento AGORAVAI sobre a descoberta cientifica mais revolucionária de todos os tempos.

— O que foi que vocês descobriram?
— Descobrimos a PDPN.
— O que é isso?
— É a partícula fundamental da matéria.
— Que partícula é essa?
— PDPN é a Partícula De Porra Nenhuma.
— Quer dizer que tudo é feito de porra nenhuma?
— Exato! DPDN é a porra que fecunda e dá origem a tudo.

O repórter vira para câmera e encerra a reportagem:

— Ai está, senhoras e senhores, finalmente descobrimos: eu, você, tudo e todos somos feitos de porra nenhuma! Quando imaginaríamos uma porra dessas!? Agora vamos cuidar bem dessa porra! Demorô!

Você tem medo de ser um espermatozoide. É por isso que você devora assuntos espiritualistas e está sempre em busca do próximo. Você está em guerra contra Carl Sagan e sua máxima que diz que você é feito de poeira de estrelas. A frase é bonita, mas só serve para ampliar sua angustia em escala astronômica.

Esse seu conflito se chama materialismo. Nas palavras de Darwin, é a teoria de que você é um espermatozoide em evolução. E qual é o problema nisso? O problema é que tudo que evolui, involui. Ou seja, tudo que nasce, morre. E você não quer morrer. Ninguém quer. Mas você não tem outra opção. Você é um espermatozoide que quanto mais corre, mais se aproxima do cemitério. Mesmo que você seja um espermatozoide resignado como Jesus, ou um espermatozoide sábio e compassivo como Buda, ou um espermatozoide famoso como Michael Jackson, ou um espermatozoide rico e poderoso como Julio Cesar, você não deixa de ter o mesmo destino de todos os espermatozoides.

Se Carl Sagan e Darwin estão certos, seu fracasso é só questão de tempo. É angustiante isso. Então, como solução, você busca o extremo oposto, busca teorias espiritualistas, metafísicas, etc. “Poeira de estrelas seu cu, Carl Sagan! Eu sou espírito! Sou sopa quântica! Sou consciência cósmica!”. Você aprende, decora e passa a acreditar. Só que teoria não resolve. Por mais forte que seja sua crença em uma teoria, você sabe que é teoria. Então, a angustia persiste. E persistirá até você encontrar a solução.

Observe tudo que você está experimentando externamente e internamente. Considere que tudo isso seja um sonho e não matéria. Seu corpo, a cadeira, o computador, a mesa, esse texto, seus pensamentos, suas emoções, o calor no ambiente, o ar que está respirando, seu pulmão, etc. Considere que absolutamente tudo que você está experimentando seja um sonho e se pergunte: “Quem é o sonhador que está sonhando esse sonho?”. O sonhador que está sonhando o sonho que você está experimentando é quem está experimentando: você. Agora se pergunte: “Como faço para conhecer o sonhador que sou?”. A resposta é: estudando a relação causa (sonhador) e efeito (sonho). Sua realidade é o efeito da sua criação, então, estudar sua realidade é estudar o criador da sua realidade: você.

Imagine que você acreditasse que um pedaço de papel com tinta fosse mais do que papel com tinta. Calma! É só uma suposição. Isso jamais aconteceria. Você não seira tão tolo assim. Ninguém no planeta seria tão tolo assim. Mas, para fim de reflexão, apenas imagine um absurdo desses.

Vamos chamar esse pedaço de papel com tinta de dinheiro e a crença de que é mais do que papel com tinta de dinheirismo. Quem teria interesse em manter você acreditando no dinheirismo? E por que?

Os interessados em manter você acreditando no dinheirismo seriam os beneficiários da sua crença no dinheirismo. E por que? Porque no instante em que você começasse a despertar para o fato de que dinheiro é o que é, papel com tinta, todo o sistema de controle baseado no dinheirismo perderia o controle sobre você.

Analogamente, o mesmo acontece com o materialismo. É fundamental que você permaneça acreditando que a realidade é feita de matéria. Quando você começa a despertar para o fato de que realidade é feita de experiência e que você, experimentador, é criador da sua experiência, todo o sistema de controle baseado no materialismo perde o controle sobre você também.

Era uma vez um cientista que não acreditava na existência de câmeras fotográficas. Ele dizia que não havia nenhuma evidência. Foi então, que outro cientista, amigo seu, marcou um encontro para ele com uma câmera fotográfica no laboratório. A câmera chegou primeiro e ficou aguardando. O tempo foi passando, mas o cientista não aparecia. Como já estava tarde e a câmera fotográfica precisava ir embora, ela bateu uma fotografia do laboratório e deixou a fotografia sobre o balcão, como prova de sua presença. Junto com a fotografia, ela deixou um bilhete: “Cientista, estive aqui para o nosso encontro, mas como você não apareceu, deixo esta fotografia do laboratório como prova da minha existência”.

No dia seguinte, o amigo do cientista lhe perguntou sobre o encontro. O cientista respondeu: “Meu carro quebrou e quando cheguei no laboratório a suposta câmera fotográfica já havia ido embora, só tinha esta fotografia no balcão”. O amigo indagou se agora, com a fotografia de prova, ele acreditava na existência de câmeras fotográficas. O cientista respondeu: “Claro que não! Eu examinei cada detalhe dessa fotografia e não encontrei a presença da câmera fotográfica em lugar nenhum da imagem”.

Materialismo é a suposição de que você é um corpo contido no espaço. Materialismo é um equívoco. Não existe espaço. Você não está contido no espaço. Você é o espaço onde tudo está contido, inclusive seu corpo. Quando você desperta a consciência, isso fica evidente. Antes do despertar, você supõe que sua realidade é material, externa e tem causa arbitrária. Quando você desperta, você se torna consciente de que sua realidade é virtual, imanente e produto do seu arbítrio. Porém, quanto mais forte é sua crença no materialismo, mais você resiste em perceber isso. Por isso que iluminação é para os fracos.

O apartamento ficava no décimo sétimo andar e Marcos, solidariamente, quando queria fumar, se deslocava até a janela. As vezes ficávamos conversando na janela enquanto o grupo interagia na sala. Certa vez, nossa conversa foi assim:

— Está vendo esses carros se movimentando pela rua?
— Sim, estou. — Marcos respondeu.
— Percebe a sincronia?
— Como assim?
— Os carros estão se movimentando ao mesmo tempo.
— Sim, estão.
— E as nuvens também?
— Como assim?
— O movimento das nuvens está acontecendo ao mesmo tempo que o movimento dos carros.
— Sim, percebo.
— As pessoas andando na rua, também estão em sincronia. O movimento das pessoas está em sincronia com o movimento das nuvens e o movimento dos carros. Sensacional isso, não acha?
— Sim, mas onde você está querendo chegar com isso?
— Aqui, nessa conversa, que também é um movimento que está em sincronia com o movimento das pessoas, das nuvens e dos carros. Todos os movimentos acontecem em sincronia, percebe? Mas por que?
— Por que o que?
— Por que todos os movimentos acontecem em sincronia?

Marcos ficou olhando os movimentos acontecendo feito uma orquestra tocando uma sinfonia. Só que não tinha partitura, nem maestro. Não havia nada regendo a sincronia. A sincronia dos movimentos era evidente, óbvia, inegável, mas o motivo, se houvesse, era nenhum.

— Não sei.
— Continue olhando que você verá o óbvio por si mesmo.

Enquanto Marcos olhava os diversos movimentos, eu lhe disse:

— Todos os movimentos estão acontecem em sincronia porque é um movimento só.
— Como assim?
— Não são vários movimentos em sincronia. Não tem sincronia nenhuma. É um movimento só, monobloco, que supomos múltiplo devido outra suposição.
— Que outra suposição?
— O espaço.

Marcos foi retornando o olhar para a sala do apartamento e caindo em si. Seu semblante era um misto de espanto e sorriso de Monalisa. Ninguém jamais seria capaz de retirar de Marcos o óbvio para o qual ele estava despertando, nem mesmo o próprio Marcos.

Você não tem forma, você é a fábrica da forma. Você não tem tempo, você é a fábrica do tempo. Você é ser, você existe. Você não nasce, nem morre, você fabrica e experimenta a experiência de nascer, crescer, envelhecer e morrer. Seu corpo não é feito de carne e osso, seu corpo é feito de experiência de carne e osso. Matéria é experiência de fisicalidade. Assim como é o windows que está dando cor, forma e movimento ao que você está vendo na tela do seu computador, é sua humanidade que está fazendo sua realidade parecer material e fazendo você se perceber como corpo contido no espaço. Se você pudesse desligar sua humanidade, assim como desliga o windows, você imediatamente se tornaria consciente disso. Despertar existencial é se tornar consciente disso sem desligar sua humanidade. Você não deixa de se entender como um corpo interagindo com outros corpos, você não deixa de viver como humano, apenas fica evidente que você não é SÓ humano, que você é um SER humano.

O universo existe? Estrelas existem? Planetas existem? Pessoas, bichos, plantas e minerais existem? Células existem? Os 112 elementos da tabela periódica existem? Energia existe? Luz existe? Se tudo isso existe, então, você não existe.

Eis o engodo do materialismo: inverter a existência e sumir com você (ser). Primeiro o materialismo lhe ensina que existência é sinônimo de observado. Daí, sendo que observar não é observável, sendo que observar é consciência, e sendo que consciência é você, logo: você não existe.

A ciência nega a ciência (cons_ciência). Despertar da consciência é revolução radical sobre o que é “existir”. O materialismo não tem interesse nessa revolução, ele deseja que você continue acreditando que consciência é um fenômeno material. O entendimento oposto, de que matéria é um fenômeno consciencial, vira a existência do avesso.

O que existe é você (consciência). Tudo que você está observando não existe, nem está do lado de fora, está acontecendo dentro de você.

Sintonize sua televisão em um canal de esportes e comece a assistir um jogo. Enquanto estiver assistindo, se pergunte: “Cadê o jogo?”. Você irá perceber que não existe jogo, só existe jogar. Faça o mesmo com sua vida. Sintonize sua observação em si e comece a assistir sua vida. Enquanto estiver assistindo, se pergunte: “Cadê minha vida?”. Você irá perceber que não existe vida, só existe viver.

Você acredita que executa diversas atividades, mas você só executa uma única atividade: viver. Comer é viver, respirar é viver, dormir é viver, sonhar é viver, divertir é viver, trabalhar é viver, amar é viver, odiar é viver, sentir é viver, pensar é viver. Até morrer é viver.

Não é o produto que produz a fábrica, é a fábrica que produz o produto. Não é a vida que produz o viver, é o viver que produz a vida. Sem jogar não tem jogo, sem viver não tem vida. Vida é a suposição de que o produto existe sem a fábrica. Vida é a crença de que sua realidade é uma criação desassociada do seu viver. É justamente o oposto: viver é causa, vida é efeito.

Quem nasceu primeiro não nasceu, existe.

Você perdeu a capacidade de se assombrar. Você acha normal que a realidade seja tridimensional, dura, colorida, quente, fria, aromatizada, etc. Você acha normal que existam objetos. Você acha normal que os objetos estejam rodeados de espaço. Você acha normal o espaço ser vazio. Não tem nada de normal nisso! Essa realidade que você está constantemente experimentando é um absurdo. Onde já se viu altura, largura e profundidade! Que maluquice é essa! Que delírio é esse! Todos os aspectos da realidade são um completo absurdo. Não tem lógica.

Só que você se acostumou com o absurdo. Você não vê mais o absurdo. Você acha normal. Você bebe água e não percebe o absurdo líquido descendo pela sua garganta. Você faz yoga, aprende todos os pranayamas, mas não percebe o absurdo que é respirar. Você senta em posição de zazen, passa 15 horas olhando para parede, praticando meditação, mas não entra em êxtase de ver o absurdo que é se sentir dentro de um corpo olhando para uma parede. Você mastiga uma dúzia de cogumelos alucinógenos, mas não percebe a viagem que é ter dentes, mastigar e sentir sabor.

Você não percebe mais como o ordinário é extraordinário. Você vive como um zumbi. Por isso que você busca experiências espirituais e transcendentais. Seu adormecimento é tão profundo que você precisa transformá-lo no pesadelo da busca pelo extraordinário para conseguir acordar. Quer acordar agora mesmo? Vá até a parede mais próxima. Dê uma cabeçada bem forte nela. Sinta o absurdo da dureza. Sinto o absurdo da dor. E acorda!  

Eu estava pendurado na internet quando ouvi o pedido: “Por favor, tire essa toalha molhada de cima da cama e a pendure no banheiro”. Peguei o ser de pano pelo meio e o pendurei no gancho, perto do chuveiro. A toalha ficou surpresa no ar. Meu olhar se despendurou de mim e foi buscar um ponto fixo na parede, mas escorregou de marcha ré até um ponto de interrogação: “A toalha estava pendurada no gancho, que estava pendurado na parede, que estava pendurada na casa, que estava pendurada na rua, que estava pendurada no bairro, que estava pendurada na cidade, que estava pendurada no estado, que estava pendurada no país, que estava pendurada no continente, que estava pendurada no planeta, que estava pendurada na galáxia, etc. Se tudo que vem a vista se pendura em algum ponto, onde está dependurado o ponto de vista?”.

Por que você afirma que maçã é existe? Porque você vê, pega, cheira, saboreia, enfim, tem uma experiência que você chama de maçã. E o que faz sua experiência de maçã ser diferente de uma experiência de abacate, por exemplo? Maçã é uma experiência que tem forma (corpo), cheiro e gosto de maçã. Abacate é uma experiência que tem forma (corpo), cheiro e gosto de abacate. Sendo assim, do que maçã e abacate são feitos? São feitos de paladar, tato, cheiro, sabor e visão. O que é paladar, tato, cheiro, sabor e visão? São formas conscienciais. Então, do que maçã e abacate são feitos de fato? São feitos de consciência. Sair do materialismo é simples assim, basta você perceber que nunca esteve dentro. E esse tutorial não serve apenas para desmaterializar maçãs e abacates, tem o poder de desmaterializar todos os corpos do universo, inclusive o seu.

Na infância, tinha um amigo nerd que montava umas maquinetas malucas. Eu, que era fã do professor pardal, ficava vidrado nas produções dele. Um dia, ele me levou até a sala da casa dele e me mostrou uma tábua cheia de fios e interruptores. “O que é isso?”, eu perguntei. “É um computador”, ele respondeu. Depois conectou a tábua na televisão da sala, mexeu nos interruptores e nasceu um quadradinho branco que andava pela tela preta. Passado um ano, meu amigo comprou um TK85. Creio que foi o primeiro PC do mercado brasileiro. O TK85 não tinha entrada para disket. Nem existia disket ainda. Os programas vinham em fitas K7 e os usuários tinham que fazer uploud usando um toca-fitas. Fiquei entusiasmado para jogar os joguinhos. Abri a caixa de programas e peguei uma fita K7 com um jogo chamado “life”. Coloquei a fita K7 no toca-fitas e apertei o play. Só que esqueci de ligar o fio que conectava o toca-fitas ao computador. Por conseqüência, comecei a escutar uns barulhos: “pi-pu-iiii-uu-oo-eoeoiii-tu-xiii”. Fiquei assustado. Achei que tinha estragado o computador. “O que é isso?”, perguntei. “É o código do jogo!”, respondeu meu amigo.

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