01 | CRIADOR DA REALIDADE

Você entende e aceita que é criador da sua realidade até certo ponto. Quando você vai almoçar em um restaurante, por exemplo, você escolhe batata, feijão, cenoura, tomate, etc, e assim cria sua refeição. Nesse caso, você entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Extrapolando essa ideia para outras áreas, você escolhe seu namorado, esposa, emprego, casa, roupa, amigo, etc. Nesses casos, você também entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Mas entender que você é criador da sua realidade não se limita a entender que você lida com as pessoas, com as situações e as coisas. Entender que você é criador da sua realidade, significa que você cria tudo, toda a realidade, 100%, sem exceção. Usando o exemplo do restaurante, entender que você é criador da sua realidade, é entender que você cria as paredes do restaurante, as mesas, as cadeiras, os talheres, o chão, a mão segurando o prato, tudo que você experimenta e chama de realidade.


02 | O QUE É MATÉRIA?

Quer dizer que você cria a matéria? Sim e não. Sim, porque você cria tudo que você experimenta, e não, porque matéria não é material, coisa física. Matéria é experiência de fisicalidade. Este entendimento é a revolução que muda tudo sem mudar nada. Nada muda porque matéria sempre foi experiência de fisicalidade, nunca foi outra coisa, nunca será, você é que tem ignorado isso. Tudo muda porque uma coisa é entender que matéria é material, outra coisa é entender que matéria é experiência de fisicalidade.


03 | EU SOU MATÉRIA

Ao acreditar que matéria é material, você passa a acreditar que você também é material, ou seja, corpo. Você pensa assim: “Realidade é material. Eu sou material também. A realidade contém toda matéria e me contém também. Eu sou um corpo material contido na realidade e interagindo com outros corpos materiais contidos na realidade.” Isso é um engano. Realidade não lhe contém, você é que contém sua realidade. Quando você entende que matéria é experiência de fisicalidade, o fluxo da criação vira do avesso. Você entende assim: “Matéria é experiência de fisicalidade. Eu sou criador da minha experiência de fisicalidade. Fisicalidade é um aspecto da realidade que experimento. Eu não sou matéria, nem estou contido na realidade, é a realidade que está contida em mim.”


04 | OUTROÍSMO

Quando você se entende como corpo, como matéria, é inevitável que você entenda que o criador da sua realidade é outro. Esse outro pode ser a natureza, o universo, os átomos, a vida, deus, o caos, enfim, algum outro, menos você. Isso é outroísmo. O problema do outroísmo é que se você não é o criador da sua realidade, então, sua realidade não tem relação causal com você. Se sua realidade não tem relação causal com você, como e porque estudar uma relação causal que não existe? Ou seja, se você não é o criador da sua realidade, buscar autoconhecimento é um absurdo.


05 | MATÉRIA É ILUSÃO

Matéria é ilusão. Mas por que matéria é ilusão? Matéria é ilusão porque é experiência. E por que experiência é ilusão? Experiência é ilusão porque é efeito. Imagine um filme em uma tela de cinema. O filme na tela é ilusão. Por que o filme na tela é ilusão? Porque não é o filme na tela que está criando o filme na tela, o filme na tela não é a fábrica do filme na tela, o filme na tela é efeito. A fábrica do filme na tela é o projetor. O projetor existe sem o filme na tela, mas o filme na tela não existe sem o projetor. Experiência é ilusão porque ilusão é efeito.


06 | REALIDADE É ILUSÃO

Realidade é ilusão. Ilusão = realidade = efeito. Mas isso não significa, de modo algum, que sua realidade deva ser ignorada e desconsiderada. Pelo contrário, muito pelo contrário, muitíssimo pelo contrário. Sua realidade deve ser absolutamente considerada, pois quando você vai estudar a relação causa e efeito, não é desconsiderando o efeito que você estuda a relação causa e efeito.


07 | TUDO E NADA

Nada é nada? Sim e não. Sim, porque se nada fosse alguma coisa, não seria nada, seria alguma coisa. E não, porque nada é potencial para tudo, para toda realidade. Nada é tudo-potencial, tudo é nada-realizado. Nada é a fábrica de tudo. Você é nada e tudo, todo ser é nada e tudo, criador e criatura. Viver é brincar de se transformar em tudo. Tudo sai do nada. Tudo que você experimenta sai do seu potencial. Por exemplo, se você é músico e está criando uma música, você é nada criando um tudo. Que tudo? A música. A música é sua manifestação, é você em forma de música. Imagine a natureza humana como sendo um instrumento musical. O que é sua realidade? Realidade é a música que você está criando e por isso, ouvindo, ou seja, experimentando.


08 | AUTOCONHECIMENTO

Realidade é ilusão, mas é imprescindível para você viver bem, pois é só através do estudo do efeito que você pode obter conhecimento de causa. E para que serve conhecimento de causa? Serve para você melhorar a qualidade do efeito, ou seja, melhorar a qualidade da sua realidade. Vamos usar uma analogia para entender melhor isso. Um sonho é uma ilusão. Por que? Porque um sonho não é fábrica de si, sonho é produto. E qual é a fábrica do sonho? A fábrica do sonho é você, sonhador. Porém, se você não fosse o sonhador dos seus sonhos, que utilidade e sentido teria estudar a relação dos seus sonhos com você? Não teria nenhuma utilidade e sentido. Sua realidade é como sonho. Você é um sonhador. A realidade que você experimenta é a realidade que você cria para si. É por isto que a prática da autociência é realizada através da investigação da relação causal entre você e sua realidade.


09 | FÔRMA HUMANA

Tem bolo redondo e tem bolo quadrado. Por que um bolo é redondo e outro é quadrado? De onde vem a forma do bolo? A forma do bolo vem da fôrma. O bolo quadrado é quadrado porque a fôrma que o formou era quadrada. O bolo redondo é redondo porque a fôrma que o formou era redonda. O bolo tem a forma da fôrma. Só que forma é explícita e fôrma é implícita. Dito isso, observe sua realidade como sendo um bolo. Se sua realidade tem forma, então, tem fôrma. Mas cadê a fôrma? Percebe? Você não vê a fôrma que forma sua realidade porque a fôrma da sua realidade também é implícita. Para entender isso, vamos melhorar a metáfora. Pense em uma imagem na tela do seu computador. A imagem na tela do computador é forma. Se é forma, tem uma fôrma. Mas cadê a fôrma que forma a imagem na tela do computador? A fôrma da imagem é o programa do computador. Analogamente, assim como um computador usa uma fôrma chamada PROGRAMA para criar imagens na tela, você usa uma fôrma chamada NATUREZA HUMANA para criar a realidade que você experimenta. E assim como você não vê o programa que forma a imagem na tela do computador, você também não vê sua NATUREZA HUMANA.


10 | POR QUÊ?

Vamos a pergunta que não quer calar. Aquela que fica atravessada na sua garganta. “Então, por quê?” Essa é a pergunta. Você pensa assim: “Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando essa realidade que não gosto?”. Muitas vezes você experimenta realidades indesejáveis, desagradáveis, violentas, nojentas, injustas, hipócritas, etc, então, é inevitável você se perguntar: “Por que? Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando essa realidade que não desejo para mim?”. Melhor do que eu lhe dar uma resposta, vamos analisar sua pergunta. O que está implícito nessa pergunta? Está implícito que você desconhece a causa. Perguntar porque é perguntar sobre a causa. Então, o primeiro motivo de você criar uma realidade indesejada, é justamente para você se perguntar: “Qual é a causa?”. O segundo motivo é para você buscar a resposta e descobrir que realidade é efeito e que você é a causa da sua realidade.


11 | QUALIDADE DA REALIDADE

Realidade indesejada é semelhante a uma música mal executada onde o músico erra as notas e toca fora de harmonia. Agora, pense no seguinte, o violão tem como tocar melhor a música? Não! Pois é o músico que está tocando a música e não o violão. O violão é apenas o instrumento que o músico está usando para executar a música. O mesmo acontece com você. Sua NATUREZA HUMANA é seu instrumento. Sua realidade é a música que você está tocando, e consequentemente, ouvindo. Assim como a causa da música mal tocada é a má execução do músico que está tocando o violão, a causa da má qualidade da sua realidade é sua má execução em ser humano. A maestria ou falta de maestria do músico com o violão é tanto o problema como a solução da qualidade da música, sua maestria ou falta de maestria em ser humano também é tanto o problema como a solução da qualidade da sua realidade.


12 | MELHORANDO TUDO

Nada é como se fosse um violão. Tudo é como se fosse a música saindo do violão. Não tem problema no violão, nem na música saindo do violão, que é apenas resultado da execução do músico. Quando a música que você está tocando está mal tocada, a causa é sua má execução do violão. Quando sua realidade está de má qualidade, a causa é sua má execução em ser humano. Uma vez que você descobre o que você está errando na execução de tocar violão, você pode melhorar a execução da música. Uma vez que você descobre o que você está errando no uso da sua NATUREZA HUMANA para criar sua realidade, você pode melhorar a qualidade da sua realidade. Só que você não sabe como funciona sua NATUREZA HUMANA, por isso você não consegue melhorar a qualidade da sua realidade. Para descobrir como funciona sua NATUREZA HUMANA e começar a usá-la bem, você deve praticar autociência e produzir autoconhecimento.


13 | FIM DO MUNDO (EXTERNO)

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Quem trata do existencial no ocidente não é a filosofia, são as religiões. Os filósofos ocidentais são materialistas e tem alergia de religião, por isso deixam de lado o existencial e pulam para o psicológico e o social. Prova disso é que Nietzsche matou deus.

Praticando autociência, mais especificamente, autoobservação. Vou usar a analogia da mágica como exemplo. Se você observar atentamente os movimentos do mágico no vídeo abaixo, você se tornará consciente do truque que o mágico está executando. Você é um ser humano. Sua humanidade é um mágico. É sua humanidade que está produzindo o truque da experiência humana que inclui sua experiência de materialidade e externalidade. Autoobservação é assistir seus próprios movimentos mentais até que o truque da materialidade e da externalidade se tornem evidentes. Uma vez que se tornam evidentes, não tem mais mágica, virou autoconhecimento.

Imagine uma televisão que esteja assistindo a si mesma. Melhor! Imagine uma televisão que “nasceu” assistindo a si mesma. Essa televisão vai acreditar que as imagens na tela é a tela. As imagens estão mais perto do que perto, estão na tela e a televisão nasceu assistindo as imagens, então, a televisão não tem como colocar um espaço entre a tela e a imagem. Até porque, não existe de fato espaço separando a tela da imagem na tela. Como separar? Simples. A tela é o que possibilita e fabrica a imagem que é produto. Analogamente o mesmo está acontecendo com você. Você-causa = televisão. Você-efeito = realidade. A televisão está assistindo a si mesma, você também.

Que distância? Qual é a distância entre você e sua realidade? Eis uma ótima EUrekatividade! Observe a distância entre você e sua realidade. Pegue uma régua e procure medir a distância entre você e sua realidade. Você irá perceber que a régua também é realidade, então, não serve para você medir a distância entre você e sua realidade. Mas você pode colocar a régua na frente do seu corpo e medir a distância entre seu corpo e a parede. Só que tanto seu corpo, como a régua, como a parede, são a mesma experiência, é a mesma realidade. O desafio é você medir a distância entre você e sua realidade. Se você faz essa EUrekatividade, se faz mesmo, você desperta e percebe que não existe distância, que distância também é experiência de fisicalidade. Você não consegue medir a distância entre você e sua realidade porque você está MAIS PERTO DO QUE PERTO. Você é simultaneamente o criador da sua realidade e a realidade que está experimentando. Não tem distância entre criador e criatura, entre observador e observado. Essa separação é o equívoco em que está alicerçado o materialismo. Por isso que a Física Quântica é ciência e não AUTOciência. Veja a famosa experiência da fenda dupla, o observador está separado do observado, esse é o equívoco do materialismo e dos cientistas.

Não são leis naturais, é o funcionamento da interface. Você e todos os seres humanos estão usando uma interface humana de comunicação chamada: humanidade. Isso faz com que você e todos os seres humanos tenham experimentação humana. Essa experimentação tem diversos aspectos. A cultura humana determina palavras para cada aspecto. Palavras como matéria, objeto, deslocamento, velocidade, altura, cor, luz, energia, líquido, som, etc. Só que você e todos os seres humanos ignoram que tudo isso é efeito da interface humana. É como se você acreditasse que tudo que está na tela do computador estivesse ali sem um programa por trás, sem o Windows (sistema operacional) para organizar. Então, por ignorarem a interface humana, você e todos os seres humanos passam a acreditar que a realidade que estão experimentando está sendo organizada por LEIS NATURAIS, quando de fato, está sendo organizada pela interface humana.

Nem jamais irá sentir. Despertar existencial não é sentir a realidade dentro de você, é estar consciente de que a realidade externa não é externa, é experiência de externalidade. Fica óbvio que o mundo externo não é externo, só que a experiência de externalidade continua tal e qual, sem tirar nem por, igualzinha como era antes. Então, quando você desperta você não sente nada, apenas fica óbvio: “Atá! Eu existo. E a realidade externa não é externa, está dentro de mim”. Só que é tão simples que você começa: “Não pode ser só isso. Não mudou nada, está igual antes. Tem que ter mais alguma coisa. Não tô sentindo que sou deus. Cadê o êxtase cósmico? Cadê a porra toda? Eu quero a porra toda!”. E você fica nessa porra até ficar óbvio que despertar existencial é só isso mesmo. Sempre foi. Sempre será. Apenas você ignorava. Depois, como não tem nada para você fazer com seu despertar existencial, nem com o fato de que você existe, você muda o foco e vai trabalhar no despertar psicológico e pessoal, pois é nessa parte que estão os equívocos subsequentes que te fazem viver mal.

Sim, você cria seu sol, sua experiência de sol. Caso contrário, como você poderia estar experimentando essa experiência que chama de sol?

O Sol é um ser experimentando ser sol?

É super sutil o equívoco do materialismo. O que você chama de sol NÃO É um ser sendo sol, é um SER SENDO (se manifestando), só isso! Sua decodificação humana da manifestação desse ser é o que possibilita você experimentá-lo nessa experiência humana que você chama de sol.

Você está usando a lógica materialista para tentar entender a natureza existencial. Isso é muito comum. Todo calouro de autociência comete esse equívoco. É inevitável. Eu também cometi esse equívoco quando era calouro. Mas não funciona. Você não vai conseguir. Não dá para entender o maior pelo menor.

Eu digo que você não nasce e não morre, que você existe, e você pensa em si como um fantasma ou algo do tipo. Isso é lógica materialista. Mas não é isso. Existência é nada. Nada é nada. Nada é coisa nenhuma. Nada é zero. Um fantasma é uma coisa. E pior! O nada que você é contém tudo que você está experimentando. Tudo está dentro do nada. Daí que a lógica materialista pira mesmo, pois a lógica materialista é o menor.

Você só entende de fato sua existência quando tem um despertar existencial. Você desperta e fica consciente que você existe, sempre existiu, sempre existirá. Antes disso você só consegue fritar os neurônios tentando entender o maior pelo menor. Faz parte. Mesmo fracassando sucessivamente, quanto mais você fracassa, mais se aproxima do seu despertar existencial.

Dito isso, respondo sua pergunta:

Eu existo para que? Qual é a utilidade? Para que serve existir?

Existir não serve para nada. Não tem utilidade nenhuma. É absolutamente inútil. Existir é apenas a natureza dos seres. Seres existem. Só isso. Por que existem? Porque ser é existir.

Não existe matéria, o que existe é experiência de matéria, então, não existe materialização. Seu corpo de carne e osso não é feito de carne e osso, é feito de experiência de carne e osso. Você não está transformado em um corpo humano de carne e osso e por isso está sendo humano, é o oposto. Você está optando por ser humano e por isso está se experimentando como um corpo humano de carne e osso contido no espaço e interagindo com outros corpos, etc.

Sim! Mas é preciso entender o que significa infinito e eterno. Para mentalidade materialista, infinito é algo muito muito muito grande, eterno é o que dura muito muito muito tempo. Isso é um equívoco. Muito muito muito grande, não é infinito, é muito muito muito grande. Muito muito muito tempo, não é eterno, é muito muito muito tempo. E o que é infinito, então? Infinito é adimensional. E o que é eterno, então? Eterno é atemporal. O atemporal é a fábrica do tempo. O admencional é a fábrica das dimensões (forma, grandeza). Você (ser) é atemporal e admencional. Fábrica do espaçotempo.

Sim, serve de metáfora para o despertar existencial. É muito útil citar a Alegoria da Caverna de Platão em meios acadêmicos, pois é uma das poucas explicações desse tipo que faz parte do mundo acadêmico. Platão explicou o funcionamento do cinema 2000 anos antes da invenção do cinema. E explicou que a realidade é virtual antes da invenção do computador e da realidade virtual. Platão foi genial. Merece toda nossa admiração.

Não precisa. Você está recriando sua realidade a todo instante, mesmo inconsciente disso. Se você não recriasse sua realidade a todo instante, ela seria como uma fotografia, sempre a mesma fotografia. Mas ela é como um filme porque vc, consciente ou não, está constantemente e ininterruptamente recriando sua realidade.

O problema é que sua realidade está uma bosta e você recria um coco. Daí fica parecendo que é sempre a mesma merda. Enquanto você não desperta a consciência e se torna um criador consciente, não tem como ser diferente, você fica só alternando de bosta para coco e é sempre a mesma merda.

Você não é ser, você é UM ser. Você é uma unicidade existencial singular, diferente dos outros seres. Dito isso, você-ser está se manifestando através da natureza humana, então, você está experimentando sua singularidade existencial humanizada, ou seja, com qualidade humana. Então, é os três: existencial, psicológico e humano. Sempre os três.

Matéria é experiência de fisicalidade. Toda experiência é limitada pelo TIPO DE NATUREZA que você (ser) está usando para produzir experiência. Você está brincando de ser humano. Então, só pode brincar de produzir e experimentar experiência humana.

Não! É falta de pratica em autoobservação existencial. Relaxa e prossiga praticando. Não se constrói uma casa começando pelo telhado. A opção de estudar a natureza existencial do ser humano, como toda opção, tem prós e contras. O principal contra é explicar. Não é nada fácil explicar o que está mais perto do que perto. O pró é a aniquilação total do vitimismo. Teve uma época que pensei: “Se nem os cientistas, que estudam o espaço tempo, entendem o que estão estudando, que dirá pessoas que nunca pensaram no assunto!”. Daí pensei: “Se quem entende não explicar, quem irá explicar?”. O segundo pensamento me convenceu. Por isso prossigo explicando.

Eis como nasce outro deusoutro. Quando você diz “O” nada, você está terceirizando a si mesmo. Você está apenas trocando o nome do deusoutro. Primeiro você chama deusoutro de “deus”, daí você vai estudar filosofia, ou ciência, ou esoterismo, e troca a palavra “deus” pela palavra “nada”. Agora sim! Agora o criador da sua realidade não é mais uma crendice religiosa de gente analfabeta. Agora o criador da sua realidade tem carimbo da universidade. Agora o criador da sua realidade é “O” nada. Olha só que chique! Agora você está acima dessa gentalha! gentalha! gentalha! Mas o que mudou de fato? Só mudou o rótulo do mesmo deusoutro de sempre. Não existe “O” nada. Nada é você. Nada é o ser que você é. Você é nada.

A grosso modo, a realidade sensorial (realidade física) é igual para todos os seres humanos, pois todos estão usando a mesma interface humana para se manifestar e receber manifestação. A prova disso é que, caso contrário, seria impossível a comunicação humana.

Você é um ser humano: ser e humano. Só que o termo ser humano atrapalha um pouco o entendimento sobre o que você é. Você não é duas coisas, ser e humano, você é uma coisa só, ser, porém em estado humano. Pense numa pedra de gelo. O que é gelo? Gelo é o estado da água. Então, uma pedra de gelo é água, porém, é água congelada. Analogamente, você-ser é como água, e sendo assim, você-ser pode brincar de “estados de ser”. Por exemplo, você-ser pode brincar de ser mineral, ser vegetal, ser animal e ser humano. Atualmente você está brincando de ser humano, então, assim como gelo é água congelada, atualmente você é um ser humanizado.

Daí tem o problema da palavra espírito. Espírito = você-ser. Você-ser é um ser, ou seja, você é um espírito. Só que a palavra espírito se degenerou. Espírito virou sinônimo de assombração, alma penada, gente morta, manifestação mediúnica, etc. E junto com a degeneração da palavra espírito, ocorreu também a degeneração da palavra espiritualidade.

Ser = existir. Você-ser é você-existência. Então, eis a resposta da sua pergunta:

Espiritualidade é existencialidade.

Entre outras coisas, antes de despertar a consciência eu acreditava que era um corpo físico contido no espaço, tal qual você está acreditando atualmente, com o despertar da consciência não perdi essa perspectiva, mas passei a viver consciente de que é apenas um truque mental. Claro que essa lucidez me possibilita viver melhor e conviver melhor por vários motivos. Então, mudou também a qualidade do meu viver. Eu vivia mal e passei a viver bem.

Você não é O nada, você é UM nada. O universo é uma coletividade de nadas (zeros). Universo = 0 + 0 + 0 + 0 + (…) O universo é Zeroverso. Dito isso, você cria realidade porque essa é a única brincadeira que tem para brincar no universo. Seres são deuses, criadores de realidade, fábricas de realidade. A única coisa que uma fábrica de realidade tem para fazer é fabricar realidade. De que tipo? Daí é variado. Você, por exemplo, é um ser que está brincando de fabricar realidade humana, por isso está experimentando uma experiência humana, que é o produto da sua fabricação.

Porque o despertar existencial faz sua busca espiritual entrar em colapso total. Sua busca espiritual fica sem sentido. Que sentido tem você buscar deus quando você descobre que deus é você? Para onde você vai evoluir se você não tem como sair de si? Que êxtase, que experiência transcendente você pode ter, se toda experiência é imanente?

Se te pergunto O QUE é isso, apontando para uma cadeira, por exemplo, você foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é cadeira e responde: isso é uma cadeira. Se te pergunto O QUE é você, você executa o mesmo processo, foca a consciência nos cinco sentidos, fica consciente de um objeto, lembra que o nome desse objeto é corpo e responde: sou um corpo contido no espaço. Ou seja, você acredita que sua existência se resume a ser um corpo contido no espaço porque você usa como base existencial o critério materialista de existência. O critério materialista de existência se baseia nos 5 sentidos. Para o materialismo, O QUE EXISTE é o mensurável, o perceptível, o experimentável, mesmo que através de medição instrumentalizada, como microscópios, radares, etc. O critério materialista de existência não é errado. Mas é incompleto e invertido. Você não é apenas um corpo contido no espaço, você também é o espaço que está contendo o corpo. Você é nada e tudo: nadatudo. Você-corpo é tipo uma imagem no espelho. Assim como a causa da imagem no espelho não é a imagem no espelho, a causa de você se experimentar como corpo não é o corpo. Esse é o problema de usar o critério materialista de existência. Você passa a ignorar que você-corpo (tudo) está dentro de si mesmo (nada). Você passa a acreditar que sua existência é você-cheio, você-objeto contido no espaço. Só que é justamente o oposto. Sua existência é o espaço que contém o seu corpo. VoSer é o espaço. Você está contido em voSer. Isso é inconcebível para o critério materialista de existência. Eis a dificuldade do despertar existencial.

Primeiro porque não é de entender, é de ficar consciente. Dito isso, um dos maiores obstáculos para o leitor com as explicações da 1ficina é a palavra VOCÊ. Quando eu falo VOCÊ, quando aparece a palavra VOCÊ nos textos da 1ficina, significa Você_Ser_Humano, só que você, leitor, lê Eu_Humano_Ser. Até cair essa ficha, demoooora! Tem instrutores que usam a palavra SER, ou mais comum ainda, usam a palavra ESPÍRITO. Só que é tiro no pé, pois usar qualquer palavra que não VOCÊ, para se referir a você, acaba terceirizando você. Por isso as pessoas acreditam que TEM um espírito. As vezes uso a palavra VOSER para fazer a diferenciação e ao mesmo tempo não criar a terceirização.

Por que você quer ser alguma COISA. Segundo o critério materialista de existência, se você não é ALGUMA COISA, mesmo que uma COISA espiritual, ou uma COISA transcendental, ou uma COISA quântica, ou uma COISA metafísica, etc, então, você não existe. E você sabe que existe. É óbvio. Mas você quer ser ALGUMA COISA. Você não quer ser nada. Só que sua existência é nada, que é a fábrica de todas as coisas.

Antes de responder sua pergunta vou fazer uma troca de palavras. Onde você usou o termo “minha mente” vou substituir por “meu raciocínio”. Feito isso, você não consegue entender o que esse livro explica porque esse livro está explicando que você é nada e seu raciocínio é parte integrante do tudo.

Pensar não é saber (raciocinar não é saber). Pensar é processar informação, feito um computador. Quando você pensa algo, se você não fosse autoconsciente, você sequer saberia que pensou. Você sabe o que está pensando porque sabe que está pensando. Isso é tão óbvio que você não percebe. Você confunde pensar com saber e acredita que pensar é saber. Não é! Um computador pensa (processa informação) mas não sabe que pensa, pois não tem consciência do próprio pensamento.

É ai que começa o problema do raciocínio com a consciência e com a existência. Saber é inegável. Você sabe que sabe. Só que você não consegue explicar como sabe, nem porque sabe. Você apenas é consciente de que é consciente e é isso! É óbvio que você sabe! É inegável! Mas é só isso! O raciocínio não tem como processar nada sobre o saber, pois o raciocínio é o sabido (objeto do saber).

Ou seja, saber é irracional (irracionalizável). Não tem como entender o saber. Não tem lógica. Você simplesmente sabe e pronto! E não há nada que você possa fazer para evitar isso. Por isso que saber é inconcebível embora inegável, pois é o saber que sabe do raciocínio, não o oposto. Por isso que sua existência também é inconcebível embora inegável, pois você sabe que existe e não pensa que existe.

É inconcebível para a racionalidade que a realidade (que inclui a racionalidade) existe “dentro do saber”. Por isso que os cientistas estudam a realidade através do estudo da matéria. Por isso também que o caminho para o autoconhecimento não é a ciência, mas a AUTOciência, feita através da autoobservação (saber de si).

Porque é assim que funciona quando você está sendo humano. Se você estivesse sendo uma abelha, ou sendo uma pedra, por exemplo, estaria experimentando diferente.

Ficar consciente que lugar é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que seu corpo é experiência de fisicalidade. Ficar consciente de que seu corpo deslocando pelos lugares é experiência de fisicalidade. Ficar consciente que o ato de experimentar não é uma experiência. Ficar consciente que o ato de experimentar seu corpo deslocando pelos lugares não sai do lugar.

A lógica da explicação existencial é a lógica existencial. Só que a lógica existencial é uma lógica atemporal e adimensional. Então, não tente entender a lógica maior pela lógica menor. Não tente encaixar o atemporal e adimensional dentro do temporal e dimensional. Isso é impossível. Faça o oposto. Perceba que a lógica do materialismo está contida na lógica existencial, perceba que temporalidade e dimensionalidade é produto da existência. Percebido isso, problema resolvido.

Acho muito complexo a lógica existencial.

Pelo contrário, simples lógica de causa e efeito.

Tenho dificuldade de pensar nisso.

Pensar não é saber. Desperte para isso. Problema resolvido.

Vou te chamar de Mario Bros para facilitar responder.

Você está fazendo duas suposições. A primeira suposição é que a morte do corpo é a morte do Mario Bros, ou seja, morte da sua pessoa. A segunda suposição é que a morte de Mario Bros é o fim da brincadeira de ser humano. Suas suposições podem estar corretas, mas também podem estar equivocadas. A morte do Mario Bros pode ser uma mudança de fase na brincadeira de ser humano, igual um videogame, e não o fim da brincadeira.

No mundo tem pessoas que acreditam e defendem a suposição de que a morte é uma mudança de fase e tem pessoas que acreditam e defendem que é o fim da brincadeira. Só que o próprio fato de acreditarem e defenderem deixa evidente que não sabem do que estão falando, pois ninguém precisa acreditar em um fato, muito menos defender um fato. Acreditar e defender é para teorias, hipóteses e suposições. Então, para você (Mario Bros) saber o que acontece de fato, só tem um jeito: morrendo. E você (Mario Bros) vai morrer. Então, para que se preocupar com isso agora? Se for uma mudança de fase, você descobrirá inevitavelmente, e se for o fim da brincadeira, não haverá Mario Bros para saber que acabou.

Dito isso, dizer “o ser” é um equívoco. Ao dizer “o ser” você terceiriza a si mesmo. Você não tem um ser, você é um ser. O melhor para se referir a sua existência sem terceirização, é dizer: “eu ser”. Fazendo essa troca de palavras sua pergunta fica assim: “Eu-ser me torno nada?”.

Não! Você-ser já é nada, sempre foi e sempre será. Transformação diz respeito ao que tem forma e tempo. A água se torna vapor. A semente se torna árvore. A lagarta se torna borboleta. Existência é a fábrica da forma e do tempo, logo, não tem forma nem tempo. Existência é adimensional e atemporal. Você-ser é uma fração infinitesimal de existência, logo, você-ser é adimensional e atemporal. Ou seja, você-ser é 1 nada. Já é. Sempre foi. Sempre será.

Só que isso que estou explicando, para você, é só uma explicação. E assim como a explicação do que é um pão não mata sua fome, a explicação do que você-ser é não te faz consciente de si. Para ficar consciente de que você é nada, adimensional, atemporal, você deve praticar autoobservação existencial, que basicamente consiste em responder a seguinte pergunta: o que é existir?

Nada é existência?

Sim, são duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa.

Existência tem consciência?

Não! Existência é consciência.

Existência tem desejo?

Não! Existência é desejo.

Você-ser é uma UNItrindade. Ou seja, você-ser é um com três aspectos: existência, potência (desejo) e consciência. Por isso que existência é consciência e desejo, não são três coisas distintas, são três aspectos do que você é.

Não! Tudo que você faz é você optando, arbitrando, usando sua natureza humana. Mas seu arbítrio só pode ser exercido dentro das possibilidade da interface humana, assim como tudo que você pode postar no whatsapp é só dentro das possibilidades do whatsapp.

Nem eu, nem você, nem ninguém ou coisa alguma. Só que eu sei disso e você ignora.

Como faço para saber também?

Apocalip-se!

Exatamente! Igual na metáfora do cinema. O projetor está permanentemente criando o filme, por isso o filme na tela é impermanente, dinâmico, vivo. O mesmo está acontecendo com isso que você chama de realidade. Você é o projetor e o filme é a realidade que você está experimentando, por isso sua realidade é impermanente, dinâmica, viva. Caso contrário, você passaria a eternidade assistindo uma fotografia.

É mais do que isso! Você é a realidade que está experimentando. A separação entre experimentador e experimentado é apenas pedagógica para fins de estudos.

Exatamente como estou lhe explicando. Exatamente como explico no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO). Você é um materialista convicto, apenas tem conceitos espiritualistas e religiosos, mas ainda se entende como HUMANO SER. Aliás, creio que é mais fácil explicar a natureza da realidade para um materialista convicto do que para um materialista disfarçado de espiritualista. A explicação no vídeo FIM DO MUNDO (EXTERNO) até quase o finalzinho é a explicação científica materialista, só quando o vídeo explica que o cérebro também é um objeto mental que explode o materialismo.

Manifestação também não se desloca. Nada se desloca. Deslocamento é experiência de fisicalidade. Experimente jogar um videogame de fórmula 1, por exemplo. Tipo esse aqui:

O carro na tela vai se deslocando, ultrapassando os outros carros e depois de 60 voltas, ganha a corrida. Só que a televisão não saiu do lugar. O deslocamento do carro no videogame não foi deslocamento, foi experiência de fisicalidade, que inclui experiência de deslocamento.

PERGUNTA: Se não há deslocamento porque tenho que ir no Vaticano para ver o papa?

Porque o papa é experiência de fisicalidade e é assim que funciona experiência de fisicalidade.

PERGUNTA: Então, para experimentar abraçar minha mãe que mora lá longe, vou ter que usar o arbítrio e o cartão de crédito para viajar e encontrá-la.

Exato! Você deve executar uma INFINIDADE de arbítrios consecutivos até transformar sua realidade na experiência de fisicalidade de abraçar sua mãe. Assim como deve fazer o mesmo para vencer a corrida de fórmula 1 no videogame.

Sim! O que você chama de matéria não é matéria, é experiência de fisicalidade. Experiência de fisicalidade é feita de uma gama de atributos, altura, largura, profundidade, cor, peso, textura, cheiro, etc. Esse atributos da experiência de fisicalidade são atribuídos pela sua natureza humana. Sua natureza humana está em você. Então, quando você estuda os atributos da matéria, está estudando a si mesmo, está estudando sua humanidade. Não existe conhecimento sem conhecedor, então, todo conhecimento é autoconhecimento.

Ser é feito de existência.

Sim, o que importa não é a FORMA da realidade que você está experimentando e sim o SABOR que tem para você. De que adianta você se colocar numa realidade de meditação quando o que você quer mesmo é andar de bicicleta? Que gosto bom pode ter uma realidade que se cria a contra gosto? Só que esse equívoco é muito comum. E pior! É santificado, glorificado e pintado de elevação espiritual. Olha só o que pode acontecer! Você cria a realidade de meditação, que você não quer, mas é o que aprendeu que é certo, santo e sagrado, ao invés de andar de bicicleta, que você quer, mas aprendeu que é errado, profano e pecado. Resultado: sofrimento, sofrimento, sofrimento, até virar depressão. Para resolver a depressão, você começa a tomar antidepressivos. A depressão aumenta. Final da história: você babando e pensando em matar tudo e todos, até a si mesma. Quando a solução era simples: andar de bicicleta.

Posso fazer um. Fique observando TUDO isso que você está experimentando e perceba que é TUDO uma experiência só, seja pensamento, seja objeto, seja som, seja tato, seja o que for, observe que TUDO isso é parte integrante de um TUDÃO. Fique observando esse TUDÃO e perceba que esse TUDÃO é uma experiência de TUDÃO da qual você está sabendo, caso contrário, não estaria sabendo. Procure no TUDÃO esse saber que está sabendo do TUDÃO. Você não irá encontrá-lo em lugar nenhum, embora seja inegável que sem esse saber você não estaria sabendo do TUDÃO que está sabendo. Perceba então, que se esse saber é inegável, mas não está no TUDÃO que você está observando, então, esse saber é o próprio NADA. Sendo que esse saber é você-sabendo, então, esse NADA é você.

A terminologia da pré-existência é uma terminologia pedagógica para explicar o que é existência para interlocutores de mentalidade materialista. Interlocutores de mentalidade materialista igualam realidade com existência. Se você perguntar para um interlocutor de mentalidade materialista se a cadeira existe, por exemplo, ele dirá que sim, que a cadeira existe. Então, para dar a esse tipo de interlocutor a noção de causa, uma vez que ele está fundindo e confundindo causa e efeito, uso a terminologia pedagógica da pré-existência. É uma terminologia ruim, materialista, e outrocientifica, mas uma vez que o interlocutor está acreditando na mentalidade materialista, é útil e o ajuda a vislumbrar o que ele está confundindo. Os vídeos no youtube são assistidos por muitas pessoas leigas em autociência, por isso, para conversar com essas pessoas leigas e de mentalidade materialista, uso em alguns vídeos a estratégia pedagógica da pré-existência.

Tocar é realidade. Você não toca os objetivos, você tem uma experiência de fisicalidade de que você é um corpo físico tocando outros objetos físicos. Parece concreto porque experiência de fisicalidade é exatamente assim, experiência de forma, experiência de corpo, experiência de objeto, experiência de concretude.

Esse bordão “tudo é ilusão” é o mantra da fuga de si mesmo. Autociência não é fugir de si, é se encarar. Realidade é real, por isso chama real_idade. Você está a todo instante, ininterruptamente, experimentando sua realidade. Não tem nada além de realidade para você experimentar. Como não é real? Óbvio que é real! Só que a materialidade da realidade é uma experiência de fisicalidade e não material. Por isso se diz que realidade é ilusão. Dito isso, a dificuldade de entendimento está na palavra “real”. O raciocínio funciona por antônimos. Para o raciocínio, calor é antônimo de frio. No caso da palavra ilusão, o antônimo é real. Só que a 1ficina iguala real com ilusão. A 1ficina diz que real_idade = ilusão. Ou seja, a 1ficina pega algo que seu raciocínio considera antônimo e diz que é sinônimo. Daí seu raciocínio pira, pois ele fica sem base de oposição. E para piorar, a 1ficina diz que o oposto de ilusão é você. Daí trava tudo! Falha na matrix!

A neutralidade científica existe sim, de uma certa forma, só que também não existe de outra forma. Existe porque quando Newton, por exemplo, observa e explica que caiu uma maçã na cabeça dele, ele não está dando uma opinião, está descrevendo uma queda que é factual e todos os seres humanos podem observar (experimentar) assim como ele. Só que essa observação (experimentação) é humana. Na ciência das minhocas, por exemplo, o que os seres humanos chamam de maçã em queda pode ser (e deve ser) algo completamente diferente. Então, nesse caso, a neutralidade científica desaparece, porque os cientistas humanos assumem o PONTO DE VISTA HUMANO como absoluto. E é absoluto entre seres humanos, mas os seres humanos não são os únicos seres do universo.

Não é correto dizer que comprovei com o verbo no passado, pois é um saber constante, no gerúndio. Eu vivo em constante comprovação. Eu vivo sabendo que matéria é experiência de fisicalidade. Imagine que você assiste um mágico tirando um coelho da cartola, todo dia, repetidamente, durante anos e anos, até que um dia você descobre o truque e percebe que o coelho não está saindo da cartola, que é apenas um truque que dá a impressão de que o coelho está saindo da cartola. A partir dai, você nunca mais consegue ver o coelho saindo da cartola, pois você se tornou consciente do truque que fazia você acreditar que o coelho estava saindo da cartola. Se tornar consciente de que matéria não é matérial, que é experiência de fisicalidade, é análogo a isso. Através da autoobservação você investiga a natureza disso que você está constantemente experimentando (sua realidade). Conforme vai aprofundando na autoobservação, chega um ponto que fica óbvio que matéria é experiência de fisicalidade. A partir dai, assim como você não consegue mais ver o coelho saindo da cartola, pois está consciente do truque do mágico, você também não consegue mais ver matéria como material, pois você está consciente do truque mental da materialidade e da externalidade.

Não, pois o despertar da consciência não muda o jogo, muda seu jeito de jogar.

PERGUNTA: E o jeito de jogar não altera a realidade?

Despertar da consciência altera seu jeito de alterar a realidade. Você se torna competente em criar realidade de boa qualidade. Você continua criando e experimentando realidade humana (não muda o jogo), porém, como está lúcido sobre o que é ser humano, você muda seu jeito de jogar e passa a criar realidade humana de melhor qualidade.

Somos todos igualmente seres (nadas), mas cada um é um nada diferente do outro. Sua UNItrindade é sua individualidade existencial (você-nada). Caso contrário, você seria eu e eu não seria outro pra você. E, obviamente, eu não sou você, nem você sou eu, somos um e outro.

De uma única massa eu faço vários pastéis. Quero saber se todos viemos do mesmo lugar, do mesmo nada, da mesma massa. Entende? 

Se você quer saber mesmo, deve praticar autociência e descobrir por si próprio. Se quer meu testemunho, sim, você existe, eu existo, nós existimos. Todos os seres existem. E todos somos igualmente nada (existência). Porém, ser não vem de lugar nenhum. Lugar é lógica materialista. Ser existe.

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