01 | EXPLICAÇÃO DO ÓBVIO

Meu trabalho é deixar você óbvio para si mesmo. Mas a explicação do óbvio não é o óbvio. Aliás, óbvio é inexplicável. A coloração de uma cor é óbvia e inexplicável. Amarelo é obviamente e inexplicavelmente amarelo. Como explicar a amarelidade do amarelo? Impossível e desnecessário. Para explicar a amarelidade do amarelo basta apontar para o amarelo. O olhar olha e vê. Pronto! A amarelidade do amarelo está explicada sem explicação, está óbvia. Explicar o óbvio é como explicar cor para cego. É inútil e impossível. Então, por que me disponho a fazer isso? Porque você, leitor, não é cego para o autoconhecimento, apenas está dormindo, apenas está de olhos fechados, apenas está em estado de autoignorância. Você pode abrir os olhos e sair da autoignorância. Você pode praticar ciência do óbvio e despertar para si mesmo. Meu trabalho não é lhe despertar, pois despertar o outro é impossível, mas posso lhe ajudar. Para tanto, meu primeiro conselho, é que não leia esse livro, nem qualquer outro livro da 1ficina, tentando aprender o que você é, leia buscando despertar para o que você é. Explicações sobre o que você é são placas que apontam para você, mas você não é uma explicação. Você é obviamente você. Boa leitura!


02 | AUTOCIÊNCIA E OUTROCIÊNCIA

Ciência não é disciplina escolar. Ciência é consciência. Ciência é saber. Praticar ciência do óbvio é praticar autociência, ou seja, praticar saber de si. A metodologia da autociência é similar à tradicioinal metodologia científica, a diferença é o objeto de estudo. Quando você direciona sua consciência para estudar o outro, por exemplo, a matéria, a luz, as células, as estrelas, as plantas, a sociedade, os bichos, etc, você está praticando outrociência. Física, por exemplo, é outrociência pois é você estudando a matéria (outro), astronomia é outrociência, pois é você estudando os astros (outro), química é outrociência, pois é você estudando as moléculas (outro), sociologia é outrociência, pois é você estudando a sociedade (outro). Tudo que você tradicionalmente chama de ciência é outrociência, pois é você estudando o outro. Quando você direciona sua consciência para estudar a si mesmo, sua existência, sua cognição, seu desejo, suas crenças, suas emoções, seus valores, etc, você está praticando autociência. Outrociência produz conhecimento. Autociência produz autoconhecimento.


03 | O QUE É ÓBVIO?

Óbvio é um estado consciencial. Óbvio é você consciente (sabendo). O estado consciencial oposto ao óbvio é ignorância, INconsciência. Por exemplo, é óbvio que você está lendo esse texto, pois você está consciente da leitura. É óbvio que esse texto está escrito em português, pois você está consciente do idioma em que está escrito. É óbvio que você está pensando sobre essa explicação, pois você está consciente do seu pensamento. E assim por diante. Consciente e INconsciente são seus dois possíveis estados de consciência. Aplicando isso ao autoconhecimento, você pode estar consciente ou INconsciente de aspectos de si mesmo. Quando você ESTÁ consciente = óbvio. Quando você ESTÁ INconsciente = não óbvio (ignorante).


04 | OBJETO VOCÊ

Tem uma coisa da qual você está sempre ciente e não tem como deixar de estar. Que coisa é essa? Essa coisa é você! Não importa aonde você vai, você sempre vai junto. Não importa se é ontem, hoje ou amanhã, você sempre está presente. Não importa a velocidade que você se desloca, você nunca fica para trás. Ciência do óbvio é fazer o que você está sempre fazendo: saber de si. “Mas se eu já sei de mim e não tenho como deixar de saber, por que praticar ciência do óbvio?”. Porque você está sempre sabendo de si, mas ignora o que é isso que você está sabendo. Você sabe que é um ser humano. Isso é óbvio! É inegável. Mas o que é ser humano? Do que se trata? Como funciona? Você não sabe! Para ficar óbvio, você deve praticar ciência do óbvio.


05 | PROBLEMÁTICA

— Como viver bem?
Por que você vive mal?
— Eu não sei.
Perfeito! É exatamente por isso que você vive mal.
— Como assim? Não entendi.
Eu não sei = eu ignoro. Entendeu agora?
— Ainda não.
A causa de você viver mal é sua ignorância.
— Ignorância do que?
Ignorância de si.
— Não saber quem sou?
Ao invés de “quem”, melhor trocar por “o que”.
— Não saber o que sou?
Exatamente!
— Mas eu sei.
Então, me diga: o que você é?
— Sou um ser humano.
E o que é ser humano?
— Não sei.
Pois é!
— Mas porque ignorar o que é ser humano me faz viver mal?
Faça o seguinte experimento. Desligue o monitor do seu computador e tente navegar na internet.
— Impossível fazer isto com o monitor desligado.
Exato! Assim como sua ignorância da tela do computador lhe impossibilita de lidar bem com computador, sua ignorância do que é ser humano lhe impossibilita de lidar bem consigo mesmo, ou seja, lhe impossibilita viver bem.
— Ignorância não me impede de viver!
Exato! Não te impede de viver, te impede de viver bem. Você vive, mas vive mal.


06 | SER HUMANO FULANO

Você vive mal porque ignora o que é ser humano. Então, a solução para você viver bem, é praticar autociência (ciência do óbvio) e sair da ignorância. Só que ser humano é três em um. 1) Você existencial (ser), 2) você psicológico (humano) e 3) você pessoal (fulano). Para viver bem você deve ficar consciente dos três: ser humano fulano.

EU EXISTENCIAL (SER) = Sua existência.
EU PSICOLÓGICO (HUMANO) = Seu sistema operacional humano.
EU PESSOAL (FULANO) = Conteúdo pessoal do seu eu psicológico.


07 | SEXTO SENTIDO

Como se pratica autociência? Através da prática da autoobservação. O que é autoobservação? É seu sexto sentido. Você já viu o amor? Já pegou uma ideia? Já cheirou um desejo? Não! Contudo, é óbvio que tudo isso existe. Mas como você sabe que existe se você não observa nada disso com os cinco sentidos? Você sabe que existe porque você tem um sexto sentido chamado AUTOOBSERVAÇÃO. É através da autoobservação que você vê, cheira e toca em si mesmo. É através da autoobservação que você vê, cheira e toca no ser humano que você é.


08 | AUTOOBSERVAÇÃO EXISTENCIAL

O que é existir? Essa é a pergunta a ser respondida na prática da autoobservação existencial. Você deve observar sua experiência até descobrir o que é experimentar. Quando você descobre, você tem um despertar existencial. Despertar existencial é instantâneo. Você desperta para sua existência e pronto! Fim. Acabou. O grande obstáculo para o despertar existencial é a crença de que despertar existencial é uma experiência. Algo como transar com deus dentro de um buraco negro e depois explodir num orgasmo cósmico. Isso até pode acontecer, mas isso não é despertar existencial. Despertar existencial não é uma experiência, é ficar consciente sobre o que é experimentar. Não tem nada mais sem graça do que o despertar existencial. Você fica consciente que existe. Só isso! Qual a graça? Nenhuma! Por que tanto blablabla sobre um treco absolutamente sem graça? Porque, obviamente, quem fala não sabe do que está falando.


09 | AUTOOBSERVAÇÃO PSICOLÓGICA

Para produzir despertar psicológico você deve praticar autoobservação psicológica. A pergunta a ser respondida na prática da autoobservação psicológica é: como funciona a natureza humana? O que você descobre é seu funcionamento humano. Despertar psicológico é gradual e lento, mas você pode acelerar seu despertar psicológico estudando as explicações que os praticantes anteriores a você deixaram como resultado da prática deles.


10 | AUTOOBSERVAÇÃO PESSOAL

Para produzir despertar pessoal você deve praticar autoobservação pessoal. A pergunta a ser respondida na prática da autoobservação pessoal é: como eu funciono? O que você descobre é seu conteúdo pessoal. Despertar pessoal é gradual, extremamente lento, e não adianta estudar as explicações que os praticantes anteriores deixaram como resultado da prática deles, pois é pessoal. Você pode até contar com a ajuda de psicólogos e terapêutas para prática da autoobservação pessoal, mas ainda assim, ninguém é capaz de acessar seu conteúdo pessoal, só você pode fazer isso, então, pouca ajuda pode ser fornecida nesse caso.


11 | ATRAVESSE SUA PONTE

A explicação do óbvio é uma ponte até o óbvio. Para comprovar a explicação, você deve atravessar a ponte. Pratique autoobservação e atravesse sua ponte. Boa travessia!

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O primeiro motivo é a forma como se pratica ciência. A eureka científica é uma inferência causal. O que é inferência? Inferir é concluir, deduzir. Então, praticar ciência é praticar ficar consciente da causa através do efeito. Você citou Newton e a lei da gravidade. Esse é um exemplo clássico de eureka científica. Conta a história que Newton cochilava debaixo de uma macieira quando uma maçã caiu e atingiu sua cabeça. Um acontecimento trivial, mas que, justamente pela trivialidade, acabou levando o cientista a ter uma eureka revolucionária: a lei da gravidade. E o que é a lei da gravidade? É uma conclusão, uma dedução, uma inferência causal pensada pela cabeça de Newton a partir da observação de um efeito: a queda dos corpos.

Inferir é uma capacidade humana que envolve observar um efeito e raciocinar a causa. Só que capacidade não é competência. Nenéns, por exemplo, são seres humanos, possuem a capacidade de inferir, mas não são capazes de fazer inferências complexas, porque ainda não desenvolveram a competência em raciocinar. Competência é capacidade desenvolvida. Todo ser humano nasce com capacidade de raciocinar, mas só aqueles que praticam essa capacidade a desenvolvem. Dito isso, o fato é que ninguém gosta de pensar. Resultado, são 8 bilhões de seres humanos adultos com a mesma competência de raciocínio de um neném.

Pensar é uma atividade que requer esforço assim como levantar peso na academia. Então, assim como é mais fácil e confortável ficar no sofá, comendo batata frita e assistindo televisão do que ir até a academia fazer exercício, também é mais fácil e confortável acreditar no que lhe ensinam do que pensar e descobrir por si mesmo. Pensar cansa. E em verdade, em verdade, vos digo: você é um preguiçoso mental, você tem preguiça de pensar.

Claro que somado a sua preguiça mental está a falta de incentivo. Você nunca é incentivado a pensar, só é incentivado a acreditar. Seus pais lhe incentivam a acreditar neles e lhe punem quando você pensa por si mesmo, seus amigos fazem o mesmo, seus professores fazem o mesmo, sua sociedade faz o mesmo, as religiões fazem o mesmo, e assim por diante. Ou seja, como se não fosse desafiador e desagradável suficiente vencer a própria preguiça mental para pensar por si mesmo, você ainda precisa estar disposto a levar porrada de tudo e de todos.

Eis um dos motivos de você não perceber o que está na frente do seu nariz: preguiça de pensar e medo de apanhar por pensar diferente. Só que até agora estive falando de ciência, no caso da AUTOciência, tem um segundo motivo. Ciência é observar e pensar o funcionamento da natureza, ou seja, observar e pensar o funcionamento do outro, por exemplo: observar e pensar a queda da maçã. AUTOciência é observar e pensar o funcionamento do observador da natureza, ou seja, observar e pensar o próprio funcionamento, por exemplo: observar e pensar o pensamento. Daí que a falta de competência é total.

O ser humano tem a capacidade de autoobservação e autoanálise, mas sua competência nessa capacidade é zero. São 8 bilhões de nenéns em autociência. Tanto é assim que a palavra AUTOCIÊNCIA sequer existia na internet antes da 1ficina. Tive que inventar essa palavra para poder explicar qual é a prática que torna possível ver o que está na frente do nariz. E como praticá-la.

Eis então os dois motivos pelo qual você não vê o que está na frente do seu nariz. Só que você não está condenado a viver igual neném. Você pode praticar sua capacidade de pensar e se tornar um pensador competente. Você pode praticar sua capacidade de autoobservação e autoanálise e se tornar um autocientista competente. Basta decidir por isso e começar. Mas você também pode continuar praticando a preguiça mental, a dependência mental e a birra (resistência), igual um neném. Você não tem obrigação de praticar autociência e se tornar competente em ser humano (adulto). É apenas uma opção. Você decide o que é melhor para você.

No caso da observação de si (autoobservação), não se trata de ferramenta mais APROPRIADA, se trata de ferramenta menos ATROFIADA. A qualidade da autoobservação depende do grau de lucidez do observador. Só que ninguém nunca te incentivou a desenvolver clareza de percepção e entendimento, ou seja, lucidez. Pelo contrário, todos seus educadores lhe ensinam a decorar e acreditar. Até porque, seus educadores também foram ensinados a decorar e acreditar. Mesmo na fase adulta, podendo mudar isso, você ainda permanece nesse tipo de educação porque é mais fácil decorar e acreditar do que observar e pensar. O resultado é que sua lucidez atrofia ao invés de se desenvolver.

Não existe grau de autociência, o que existe é grau de autoconhecimento.

Autociência e autoconhecimento são coisas diretamente relacionadas, mas não são a mesma coisa. Autociência é a prática que produz autoconhecimento. Autoconhecimento é o produto da prática de autociência. Essa é a relação entre ambas. Vou fazer uma analogia com o conhecimento científico para ampliar esse entendimento.

O conhecimento científico também é produzido através de uma prática. Qual? Através da prática da ciência, que consiste em observar e estudar a natureza material (aquilo que o observador observa). A prática da ciência produz conhecimento científico como biologia, química, física, etc. Quanto maior o grau de estudo científico, maior o grau de conhecimento científico.

Autoconhecimento também é produto de uma prática científica: autociência. A diferença é que na autociência, o objeto de estudo não é a natureza material, é a natureza humana e a natureza consciencial (o observador em si). Então, , tal como na prática científica, quanto maior o grau de estudo autocientífico, maior o grau de autoconhecimento.

Fazendo essa correção e colocando na primeira pessoa, sua pergunta fica assim:

PERGUNTA: A qualidade das minhas escolhas depende do meu grau de autoconhecimento?

Sim, completamente, totalmente, absolutamente.

Feche os olhos e tente tomar café da manhã, por exemplo. Suas escolhas serão péssimas. É capaz que você coloque suco de manga no café pensando que é leite. Isso se conseguir fazer café de olhos fechados. Quer outro exemplo? Feche os olhos, entre no seu carro e dirija de olhos fechados da sua casa até seu emprego. Suas escolhas serão tão ruins que você não conseguirá sequer sair da garagem.

Viver mal é optar mal. Oooooooobivu! Ululante! Mas nem você nem ninguém opta pela pior opção. Todos sempre optam pelo que acreditam ser a melhor opção. Mesmo com os olhos fechados você opta pelo que acredita ser a melhor opção. Você coloca suco de manga no café porque acredita que é a melhor opção, você acredita que é leite. Então, você não vive mal porque opta pelo pior, você vive mal porque ignora o que é melhor e pior.

O mal viver é causado pela má escolha, mas a má escolha é causada pela ignorância. Seu arbítrio funciona perfeitamente, igual um carro, levando você pra lá e pra cá, o problema é que o motorista (você) está dirigindo com os olhos fechados.

Por isso, para viver bem, é preciso lucidez (autoconhecimento). Só que autoconhecimento é produto de uma prática. Autoconhecimento não surge do nada, não é um produto que você compra no supermercado ou no shopping center. Autoconhecimento é produto da prática de autociência, só e sempre.

Então, em verdade, em verdade, vos digo: é impossível viver bem sem praticar autociência. Para viver mal, ignorância basta, mas para viver bem, só com lucidez e maestria. E quanto mais lucidez (autoconhecimento) e maestria, melhor você opta, então, melhor você vive.

Praticando autociência você fica competente em lidar bem com tudo que você experimenta, o que inclui seus pensamentos.

Vamos supor que na infância você queria ter uma bicicleta e aprendeu que devia escrever uma carta para o papai noel, enviar sua carta para o polo norte e esperar o gordinho descer pela chaminé com sua bicicleta. Sua casa sequer tinha chaminé, você morava em um apartamento, mas ainda assim acreditou no que aprendeu e por isso vivia assim. Agora que você é adulta, está óbvio que papai noel não existe, que é uma fantasia para entreter as crianças e que a bicicleta que você ganhou de natal foi comprada de fato pelo seu pai. Ao descobrir isso, você DESAPRENDEU a história do Papai Noel? Não! Apenas colocou a aprendizagem no seu devido lugar: fantasia para entreter as crianças. Para viver bem, você não precisa desaprender nada, você precisa se desequivocar. Imagine se até hoje você acreditasse que para obter algo desejado você tivesse que escrever cartas para o Papai Noel? Você iria viver bem assim? Não! O que impede você de viver bem é que você acredita em equívocos. Só que você PENSA QUE SABE. Então, o problema não é nem que você ignora seus equívocos, você ignora que ignora. É passo a passo para sair dessa cebola de equívocos. Mas não precisa desaprender nada, basta despertar. Desaprender é outra arapuca do equívoco da aprendizagem, é apenas trocar uma aprendizagem por outra.

Conhecimento de causa é através do efeito. É muito importante entender a sutileza disso. Não tem como conhecer a causa pela causa, conhecimento é sempre pelo efeito. Por exemplo, você não conhece a gravidade em si, você conhece pelo efeito. Você não conhece a luz em si, você conhece pelo efeito. O mesmo acontece com o autoconhecimento. Você é a causa da sua experiência. Sua experiência é efeito. Praticar autociência é se conhecer como criador através da sua criação, ou seja, através do efeito, e não diretamente como causa, como criador. E para descobrir a causa é preciso observar e pensar o efeito. Não tem outro jeito. Por isso, sem pensar, esquece autoconhecimento, é impossível.

Praticar ciência do óbvio é praticar ficar consciente de si, do ser humano que você é. O estado consciencial oposto ao estado consciente é o estado de ignorância, que é sinônimo de inconsciente. Então, na prática da autociência, você não investiga seu estado de consciência, você observa o ser humano que você é, para que através da autoobservação você saia do estado de ignorância (inconsciente) e passe para o estado de lucidez (consciente).

Toda vez que vocês me perguntarem sobre meu comportamento, vão me ouvir respondendo a mesma coisa: Tudo é circunstancial. Não tenho um comportamento padrão para nada. Não vivo de forma engessada, vivo com inteligência. Analiso as circunstâncias e uso minha inteligência para interagir com aquela circunstância naquele instante. Assim que faço isso, já são outras circunstâncias e outro instante. Analiso a nova circunstância naquele novo instante e uso minha inteligência novamente. E assim por diante. Então, meu comportamento depende das minhas circunstâncias. Se minha inteligência, após análise das minhas circunstâncias num dado momento, me disser que devo me comportar assim, me comporto assim, se disser que devo me comportar assado, me comporto assado. Não sigo regras de ouro, mandamentos, receitas de bolo de caixinha, nem sabedoria dos outros, nem sabedorias engessadas minhas: sigo minha inteligência viva.

Dito isso, posso dar o testemunho que, na maioria das vezes, opto por falar como o outro no idioma mental do outro (sistema de crenças do outro). Em Roma falo como os romanos. Na Grécia falo como os gregos. No materialismo falo como os materialistas. Na religião falo como os religiosos. Ou seja, ao invés de impor meu 1ficinês aos outros, eu traduzo o idioma do outro para o 1ficinês e entendo em mim o que estão me dizendo, depois devolvo a interação no idioma do meu interlocutor (idioma do outro). Não me proíbo de falar o que quero, penso e sinto, mas adapto isso ao idioma mental do meu interlocutor (sistema de crenças do outro). Se eu for falar 1ficinês, ninguém entende nada. Vou passar esse ano ensinando vocês a falarem 1ficinês aqui e nem assim vocês vão me entender. Então, muitas vezes interajo com vocês aqui na 1ficina usando o idioma de vocês. Por isso não trato vocês todos iguais, trato vocês todos diferentes. Sei que vocês são diferentes, o que inclui usarem diferentes idiomas mentais (terem diferentes sistemas de crenças). Só que aqui faço bem menos, puxo vocês para o 1ficinês, pois vocês vieram aqui para aprender a praticar autociencia e o 1ficinês é o melhor idioma para isso. Então, passo a passo, estou ensinando vocês a falarem 1ficinês.

Da mesma forma que você explica a sua. Você sabe explicar a sua? Dito isso, percebe como a mentalidade vitimista luta para provar que é vítima? A mentalidade vitimista não aceita a responsabilidade nem fudendo. Junta isso com a crença no deusoutro, ou qualquer outro unicórnio espiritualista e fudeu! Você vai viver mal e não vai conseguir sair do mal viver, pois acredita que é uma vítima impotente. Suponha que você consiga provar que você é vítima. E daí? Você estaria provando pra quem? E por que? Viver com mentalidade materialista, acreditando que é um espermatozoide em evolução, não é fácil. O espermatozoide pira! Não tem paz dentro da mentalidade materialista, só tem medo. Mesmo que você seja um espermatozoide que acredita em deusoutro, mesmo que você seja o mais fervoroso dos crentes, é um inferno, porque acreditar não dá certeza e você sabe disso. E se você é um espermatozoide ateu, coloca a culpa na matéria, no Big Bang, na vida, na evolução. O espermatozoide teísta reza para deus, o espermatozoide ateu reza para evolução. Dá na mesma, só muda a etiqueta do deusoutro. E para fugir do medo, para viver em paz, o que o espermatozoide faz? Cerveja, pinga, maconha, Rivotril, chocolate, chocolate, netflix, trabalho, trabalho, sexo, punheta, política, religião, facebook, outra cerveja, casamento, filhos, muitos filhos, enfim, qualquer coisa que adormeça a consciência. Ah! Cigarro, muito cigarro, para, se possível, morrer logo e dar fim ao sofrimento.

Como lidar bem com o medo se você ignora o que é e pra que serve? Impossível. Sua luta CONTRA o medo só serve para você continuar sofrendo. Para começar a lidar bem com o medo, pare IMEDIATAMENTE de lutar CONTRA o medo e faça do seu medo um objeto de estudo. Coloque seu medo no microscópio do consciente e o investigue. Não lute CONTRA seu medo, ESTUDE seu medo. Seja um cientista e não um lutador de box

Seres conscientes vivem bem. Se você está vivendo mal, está na ignorância

Você sabe o que é amor e ódio? Você sabe para que serve? Sabe como funciona dentro de você? Se você ignora a natureza, a serventia e o funcionamento do amor e do ódio em você, como pode lidar bem com o amor e o ódio nos outros? Não pode! Impossível. Percebe? É sua ignorância de si que lhe impede de lidar bem com o comportamento dos outros.

Quando você é consciente do seu próprio funcionamento, fica simples lidar bem com o comportamento dos outros, porque o outro é outro você, ser humano igual você. Então, o primeiro passo para lidar bem com o amor e o ódio dos outros, é virar o olho do avesso. Ou seja, ao invés de ficar olhando para fora, para o outro, olhe para o seu amor e o seu ódio. Observe do que se trata. Entenda para que serve. Veja como funciona.

Fazer isso é você praticando autoobservação. Autoobservação produz autoconhecimento. Quanto mais autoconhecimento você produz, menos ignorância. Quanto menos ignorância, maior sua competência em lidar com o comportamento dos outros, melhor você vive e convive.

Daí, você pode me perguntar: Como você sabe que me ignoro?

Se você não se ignorasse não estava me perguntando sobre algo que acontece em você.

Daí, você pode pensar: E você precisa jogar minha ignorância na minha cara?

E o que você espera que um professor de autociência faça com sua ignorância? Que a coloque em cima de um altar, acenda velas, se ajoelhe e a idolatre? “Louvada seja essa ignorância para sempre seja louvada!” Eu posso até fazer isso, mas em que isso vai lhe ajudar a viver melhor? Jogar sua ignorância na sua cara é uma ajuda que lhe ofereço para que fique consciente dela e assim possa sair dela. E você não precisa aceitar minha ajuda. Minha oferta é voluntária, gratuita e sem expectativas de aceitação.

Daí, você pode concluir: “Então, não vou perguntar mais nada, vou ficar caladinho, assim escondo minha ignorância e vou parecer sábio”.

Isso é o que você tem feito sua vida inteira. Isso é o que todos os seres humanos têm feito desde sempre. Se funcionasse, já tinha funcionado. Então, porque não experimentar um novo caminho: expor a ignorância. Só de curioso. Só para fazer uma experiência. Só para ver se expor a ignorância é uma opção melhor do que escondê-la. Se não for, sem problemas. Só voltar para o esconderijo.

Resistência, psicologicamente falando, é preguiça. Para sair de um nível de consciência, é preciso vencer a resistência mental, ou seja, é preciso vencer a preguiça de pensar. O ser humano é um ser atolado na resistência mental. O ser humano se orgulha de ser racional, se diz pensante, mas fica só no orgulho mesmo. O ser humano não pensa. Até para fazer as quatro operações matemáticas básicas o ser humano usa a calculadora, tamanha é a resistência mental em que está atolado. O que o ser humano faz é decorar nomes, discursos alheios, explicações acadêmicas, preconceitos culturais e repetir isso até babar. O que o ser humano faz é copy paste do copy paste do copy paste. E o ser humano chama isso de pensar. E ainda briga de faca, metralhadora e bomba atômica com quem discorda do que ele pensa que pensa. O ser humano é um ser com profunda preguiça mental. Observe, por exemplo, o tanto de cursos e livros que prometem resolver seus problemas por você. A pessoa paga os tubos para resolver algo que basta pensar 5 minutos e já está resolvido. Mas e a preguiça de pensar? Paga 10 mil reais e até mais se for preciso, mas… Pensar não! Pensar nunca! Pensar jamais! Por isso não faço terapia com ninguém. Fazer terapia é empurrar pedra. Você já empurrou uma pedra? O que acontece quando você pára de empurrar? A pedra volta a ficar parada. Fazer terapia é empurrar preguiçoso. A pessoa tem preguiça de pensar e paga o terapeuta para pensar para ela. Quando uma pessoa assim me procura, digo que não sou terapeuta e aconselho entrar no ciclo de estudos. A pessoa sai correndo. Tem que pensar! Pensar não! Pensar nunca! Pensar jamais! E vai tomar antidepressivo, ayahuasca, fazer curso de unicórnio quântico, qualquer coisa, menos pensar. Então tá! Continua sofrendo sem entender porque!

A palavra autociência não existe no dicionário. No começo da 1ficina eu usava a palavra “autoconhecimento” para me referir ao conteúdo das explicações. Só que autoconhecimento é o produto da prática da autociência, não é a prática. Então, para fazer essa distinção, criei a palavra autociência.

Não! Despertar existencial é consequência da prática de autoobservação existencial. Por isso que você pode ter um despertar existencial e continuar vivendo mal. Seu despertar existencial não lhe faz consciente de como sua natureza humana funciona. Você pode despertar para sua existência, mas continuar ignorante do óbvio psicológico e assim continuar vivendo mal.

Sim, é um equívoco. Meditar é saber de si existencial. O que acontece é que saber não é pensar, pois isso se diz pedagogicamente que na meditação não tem pensamento. Só que ninguém explica para o aluno que é só pedagogia, então, lá vai o aluno tentar o impossível, e pior, desnecessário. Meditação é muito simples, basta você ficar consciente que saber não é pensar. Quando você faz isso, você desfoca do pensamento e foca na consciência que está sabendo do pensamento, ou seja, no existencial.

Não, você entra no jogo em ABSOLUTA ignorância de si e do funcionamento do jogo. Tem um jeito de jogar bem, mas você precisa descobrir. Eu descobri e explico o que descobri para quem tem interesse em cortar um atalho.

Sim, você pode usar essa terminologia se quiser. Na prática, pouco importa a terminologia.

Infelizmente não! O problema é que você acredita que pensar é saber e por isso acredita também que autociência é aprendizagem. Autociência não é aprendizagem, autociência é a prática de investigar a ignorância para sair dela. Quando você investiga sua ignorância, você não está aprendendo nada, você está DEScobrindo o que está ENcoberto. Encoberto = ignorado. Descoberto = óbvio. O que está encoberto? O ser humano que você é. Para praticar autociência você deve se debruçar sobre si e não sobre a vida. Vida é mentalidade materialista. Não existe vida. Só existe viver. Para praticar ciência do óbvio você deve investigar o que é viver e como você vive, não a vida.

Não, é Impossível. Cada um só tem acesso a si, tanto existencialmente, como psicologicamente e pessoalmente. Porém, na brincadeira de ser humano existe a possibilidade da comunicação conceitual. Então, através de palavras, mesmo sem termos acesso uns aos outros, mesmo sendo impossível, podemos usar as palavras para simular uma espécie de acesso ao outro. Não é acesso de fato, é uma estratégia muito falha e ruidosa, mas é melhor que nada.

Basta perceber que já está, não precisa colocar. Quanto aos estudos, qualquer trabalho de despertar da consciência que não explique que o caminho para o autoconhecimento é a PRÁTICA da autoobservação, não serve pra nada, só serve para produzir unicórnios espiritualistas.

Porque não adianta QUERER viver bem e não SABER viver bem. Sua própria ignorância lhe condena a viver mal. Isso é para tudo. Feche os olhos e tente ir da sua casa até a padaria de olhos fechados. Se você sobreviver, já está ótimo. Abra os olhos e veja como é fácil comprar o pão nosso de cada dia. A ignorância não permite que você faça nada bem. Absolutamente nada. Para você lidar bem consigo mesmo é preciso que você saia da ignorância de si. E não tem outro caminho para sair da ignorância de si senão praticar autociência. Mais praticar muito muito muito mesmo! E praticar não é ler e estudar explicações. Isso é o básico do básico. Praticar é viver praticando, viver em eurekatividade. O resultado disso produz lucidez e maestria em ser humano fulano. O resultado da lucidez e maestria em ser humano fulano, é viver bem.

Autoobservação doentia é um jeito de descrever o problema, porém, mais correto é dizer autoanálise doentia. Para curar seu mal viver não basta só você se observar sem discernimento do que está observando. Fazer isso é igual você mostrar um celular para um neném. O neném vai ver tudo, mas não vai entender nada. Por isso não vai conseguir lidar bem com o celular. Então, você precisa aprimorar seu discernimento e entendimento do que está observando para poder curar seu mal viver. E para isso, claro, você precisa de um mestre absolutamente infalível que lhe ajude nesse trabalho. Esse mestre se chama sofrimento. Estudaremos isso com profundidade em outros livros: o sofrimento é o mestre.

Não! Porém, para ter um despertar existencial, você deve praticar autoobservação existencial. Autoobservação psicológica não produz despertar existencial, produz despertar psicológico.

Sim, serve de metáfora para o despertar existencial. É muito útil citar a Alegoria da Caverna de Platão em meios acadêmicos, pois é uma das poucas explicações desse tipo que faz parte do mundo acadêmico. Platão explicou o funcionamento do cinema 2000 anos antes da invenção do cinema. E explicou que a realidade é virtual antes da invenção do computador e da realidade virtual. Platão foi genial. Merece toda nossa admiração.

Sim! A prática da autoobservação existencial é feita através da observação da observação. Você deve observar o observar. Você deve ficar ciente sobre a ciência. Você deve saber da sua cognição. O objeto da sua observação deve ser sua própria observação.

Devo observar pura e simplesmente ou analisar a observação?

Raciocínios (pensamentos) surgem na autoobservação porque são objetos psicológicos observados. Basta perceber isso. Só perceber. Observe os pensamentos superficialmente. Seu trabalho na autoobservação existencial não é entrar na lógica dos raciocínios, é apenas constatá-los como realidade (experiência). Raciocínios são experiência. Só isso. Mas se você entrar em processo de analise, se entrar na lógica de um raciocínio, tudo bem, você nem irá perceber que entrou e tão logo perceber, é porque já saiu. Entenda que se você está praticando autoobservação existencial para sair da mentalidade materialista, é porque você está dentro dela. Então, faça igual Renê Descartes, vai saindo passo a passo. Tudo que você observar, perceba que é apenas um observado, uma experiência. Só isso! Você vai fazendo isso e daí se dá conta que, por mais que você observe, você não consegue observar a observação. E é assim que você se dá conta da “observação pura”. Fica óbvio. E fica óbvio também que o que existe é observação e não observado. Como quem está observando é você… EUreka! Eu existo! Despertar existencial! Essa é a explicação do óbvio. Mas a explicação do óbvio não é o óbvio. Então, boa prática!

Não! Fato = observado. Óbvio é quando você (observador) está consciente do observado. Só que os dois (observado e consciência do observado) acontecem ao mesmo tempo em você. Quando você não está consciente do observado, não existe observado para você. Então, é por isso que tudo que é fato para você, é óbvio para você, mas óbvio e fato não são a mesma coisa.

Tudo isso que você citou NÃO É AUTOCONHECIMENTO, é conhecimento. Quando você lê sobre Hermetismo, por exemplo, você não está produzindo AUTOconhecimento, você está produzindo conhecimento sobre a explicação de uma pessoa que DE FATO praticou autoconhecimento, Hermes.  O mesmo com a 1ficina. Eu sou um praticante de autociência. Ao praticar autociência, eu produzo AUTOconhecimento. Daí escrevo os livros colocando em palavras o autoconhecimento DESPERTADO. Quando você lê o que eu explico, você não está produzindo SEU autoconhecimento, você está pegando MEU autoconhecimento EMPRESTADO como DICA para ajudar você a produzir o SEU de fato. Autoconhecimento MESMO só é produzido quando você LÊ A SI MESMO, lê o ser humano que você é. Autoconhecimento mesmo só é produzido através da prática da autociência.

Quando você tem informação dos livros, o que você tem é exatamente isso: informação. Por isso que o povo pira com as informações contraditórias das diferentes escolas de autoconhecimento. Não são contraditórias de fato, às vezes são aspectos diferentes do ser humano, como você observou, e as vezes é apenas semanticamente diferente (usam palavras diferentes).

Quando eu ainda não tinha autoconhecimento, quando meu autoconhecimento era decoreba, eu também achava tudo conflitante. Nada encaixava em nada. Até que comecei a praticar autociência e produzir autoconhecimento de fato. Foi assim que eu comecei a encaixar em mim, e consequentemente, tudo se encaixou.

Eu não falo das religiões na 1ficina, mas conheço relativamente bem as principais, e atualmente, entendo exatamente o que estão dizendo e não vejo mais conflito nenhum entre uma e outra. Religião é muito metafórica. É preciso consciência desperta para abrir as metáforas religiosas. Não funciona ler metáfora e interpretar ao pé da letra. De vez em quando, como tem bastante 1ficineiro de cultura religiosa, eu abro uma metáfora ou outra. O livro Apocalip-se é um exemplo disso. Quem não é 1ficineiro, que é o resto do mundo, vai morrer acreditando que apocalipse é o fim do mundo, etc. O livro Deus da Cara Preta visa abrir a maior das metáforas humanas, maior tabu também.

Mas enfim, não me aprofundo muito em abrir as metáforas religiosas, porque toda vez que faço isso, os Phds das religiões vem de pau para cima de mim, cagando o blablabla decorado deles, e ao invés de ajudar meu trabalho, atrapalham. Então, cada um que abra a porta das suas prisões. O problema é que a chave para abrir é praticar autociência, mas como o prisioneiro pensa que já sabe, devido ao autoconhecimento emprestado, fica só perpetuando a ignorância Phd.

A palavra meditação está mais adulterada do que gasolina de posto barato. Atualmente a palavra meditação é usada para tudo. Meditação para ficar rico, meditação para aumentar o tamanho do pênis, meditação para trazer marido de volta, meditação do empoderamento, meditação da família, etc. Um show de horrores. Algumas pessoas fazem dinâmicas de imaginação e chamam de meditação, deveriam chamar de imaginação, uma vez que é imaginação. Tem pessoas que dão exercícios de relaxamento e concentração e chamam de meditação. Deviam chamar de relaxamento e concentração, uma vez que é relaxamento e concentração. Meditação mesmo é a prática da autoobservação. Sendo que a prática da autociência é executada através de três tipos de autoobservação: existencial, psicológica e pessoal. Então, meditação pode ser existencial, psicológica e pessoal.

Não, é o mesmo saber de sempre, sem tirar nem pôr, nem maior nem menor, apenas focado no existencial.

Não tira seu chão, desmaterializa seu chão. Você continua pisando no chão, só que se torna consciente que o chão que está pisando não é externo nem feito de matéria. Nem o chão, nem seu pé, nem nada. Tudo muda sem que nada mude. Tudo continua como antes, mas já não é o mesmo tudo, não é mais um tudo material e externo, é um tudo imanente e feito de experiência de matéria. Essa é a metáfora da ressurreição do Neo no filme Matrix. Ele leva um tiro e morre, mas depois renasce e começa a ver os pixels da Matrix. Essa cena é uma metáfora do despertar existencial, do fim do mundo externo. O Neo morre na mentalidade materialista e renasce para mentalidade existencialista. Só que quando você tem um despertar existencial, você não começa a ver pixels, isso é só uma metáfora. Quando você tem o despertar existencial, você apenas entende que a matéria é só uma experiência de matéria, e que não é externa, é imanente.

Não é um exercício. Autoobservação é saber de si. Só isso! E você já está sabendo de si. Você sempre está sabendo de si, inevitavelmente, caso contrário, você sequer saberia que existe. O que acontece é que você está sabendo de si com pouca lucidez. Sua autoobservação é CONFUSA. Você está constantemente, ininterruptamente e inevitavelmente se autoobservando, mas você não tem DISCERNIMENTO sobre o que está “vendo”. Você sequer entende que está observando a si mesmo. Você ACREDITA que está vendo o mundo, a realidade, o universo, a vida, enfim, algo que não é você mesmo. Esse é o equívoco da transcendência. Ele acontece por falta de discernimento. É como se o seu discernimento estivesse bêbado ou adormecido. Então, ao invés de você aprofundar no autoconhecimento, você fica rodando no mesmo lugar. Ou pior! Amplia a confusão. Com o desenrolar do ciclo de estudos você vai receber dicas de discernimento que irão lhe ajudar a melhorar sua autoobservação e diminuir a confusão.

Um equívoco é uma crença de correspondência equivocada. Por exemplo, se você acredita que fogo molha, você está equivocado, pois fogo não molha, fogo queima. Mas se você JÁ SOUBESSE que fogo queima, você não acreditaria que fogo molha. Então, você é incapaz de reconhecer um equívoco como equívoco até que já tenha se DESequivocado.

Então, é um ciclo vicioso?

Sim, pois quando você está equivocado, você ignora que está equivocado. E como ignora, como sair de um equívoco que você nem sabe que está dentro?

Então, não tem como sair?

O sofrimento é alerta de equívoco. Quando você abre a porta para o sofrimento, segura na mão dele e segue o sofrimento até sua origem, você chega na descoberta do equívoco.

Entre outras coisas, antes de despertar a consciência eu acreditava que era um corpo físico contido no espaço, tal qual você está acreditando atualmente, com o despertar da consciência não perdi essa perspectiva, mas passei a viver consciente de que é apenas um truque mental. Claro que essa lucidez me possibilita viver melhor e conviver melhor por vários motivos. Então, mudou também a qualidade do meu viver. Eu vivia mal e passei a viver bem.

Não sei qual terminologia e fonte de informação você está usando para perguntar. Mas sei o que é consciência, o que é estado de consciência e o que é dimensão. Vou responder sobre isso. Consciência é o que você é, é o que todo ser é. Consciência pode estar desperta (consciente) ou pode estar adormecida (inconsciente / ignorante). Não tem um terceiro estado de consciência. Só tem dois: consciente e inconsciente (ignorante). Sendo assim, você pode estar consciente ou ignorante de diversos aspectos da sua experiência humana. Um cego, por exemplo, é um ser humano ignorante do aspecto visual da experiência humana. Se por “quinta dimensão” você se refere a algum aspecto incomum da experiência humana, deve ser algo que ignoro. Sou um ser humano basicão. Não tenho super poderes nem faculdades cognitivas incomuns. Meu autoconhecimento é basicão e o que explico é o funcionamento do basicão. Então, não tenho nada a dizer sobre “quinta dimensão”.

Eu penso o óbvio. São dois óbvios:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO É O QUE ESTÁ ACONTECENDO.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO É IRRELEVANTE.

O que está acontecendo não importa, pois está acontecendo, o que importa é a forma como você lida com o que está acontecendo. Só tem duas formas de você lidar com o que está acontecendo: lidar bem ou lidar mal. Lidar bem é viver bem. Lidar mal é viver mal. O que importa para viver bem é lidar bem com o que está acontecendo, seja lá o que estiver acontecendo. Entendido isso, surge a pergunta que não quer calar: como lidar bem com o que está acontecendo? Surge também a resposta que nenhum aluno quer escutar: com autoconhecimento.

É impossível viver bem em estado de ignorância. É impossível viver bem sem autoconhecimento. Mas se fosse só isso estava bom! E pior! Muito pior! Você não apenas ignora o que é ser humano, você ignora que ignora. E por ignorar que ignora, você pensa que sabe. E se você já sabe, para que estudar o que já sabe? Essa é a armadilha do “pensa que sabe”. Essa é a armadilha que mata mais do que covid. São 8 bilhões de seres humanos vivendo mal porque estão presos nessa armadilha. E só tem um jeito de sair dessa armadilha, percebendo que está dentro dela.

Para acender a luz você precisa perceber que está no escuro. Para sair da ignorância você precisa perceber que está na ignorância. Esse é o primeiro passo. Aluno é uma palavra composta de duas palavras: A+luno. A significa “não”. Luno significa “luz”. Aluno significa sem luz. Só que o planeta terra não tem nenhum aluno. São 8 bilhões de seres humanos iluminados, todos lúcidos e mestres. Só que não! Então, como viver bem? Impossível.

E como sair da armadilha do pensa que sabe? Quem pode salvar o aluno da ignorância? A resposta é isso que você, todos seus familiares e os 8 bilhões de seres humanos estão experimentando: sofrimento. O sofrimento é o mestre. É o sofrimento que salva o aluno da ignorância, porque é o sofrimento que explica para o aluno que ele está na ignorância.

Produzir luz (lucidez) é a razão de ser do sofrimento. Você só experimenta sofrimento para ficar consciente que está na ignorância. E experimenta felicidade para ficar consciente que saiu. Por isso você está sofrendo, você está na ignorância. Por isso os 8 bilhões de seres humanos sofrem todos os dias, desde antes do covid e continuarão sofrendo depois do covid, se continuarem cultivando a ignorância.

Quanto ao comportamento dos seus familiares, é apenas mais um comportamento produzido pela ignorância do que é ser humano, assim como milhares de outros comportamentos.

São três tipos de óbvios: óbvio existencial (ser), óbvio psicológico (humano) e óbvio pessoal (fulano). Então, são três tipos de absolutos: absoluto existencial (ser), absoluto psicológico (humano) e absoluto pessoal (fulano). Ou seja, todos os seres que despertam existencialmente ficam conscientes da mesma coisa: o que é ser (existir). Todos os seres humanos que despertam psicologicamente ficam conscientes da mesma coisa: o que é ser humano. Cada um, ao despertar pessoalmente, fica consciente de algo singular: o que é ser humano eu.

Verdade é correlação. “Tomate é fruta” é uma verdade. As pessoas tem correlações diferentes e por isso tem verdades diferentes. “Tomate é legume” é uma correlação diferente de “tomate é fruta”. Só briga pela verdade quem ignora que verdade é correlação, logo, pessoal. Quem sabe que verdade é correlação não é tonto de ficar perdendo energia para brigar sobre correlação. “Eu tenho a minha verdade e você tem a sua”, ou seja, “eu tenho a minha correlação e você tem a sua”. Sim, isso mesmo! Óbvio!

Não está em lugar nenhum, é você (você-ser). “Onde” é a mentalidade materialista tentando construir a casa começando pelo telhado. A mentalidade materialista precisa objetivar tudo, coisificar, dar dimensão, localidade, duração, etc, para ter onde se segurar. Como que a mão vai pegar nada? O problema da mentalidade materialista é o no_thing (não_coisa). Pior do que não ter coisa nenhuma para pegar, é perceber que até a mão que pega também é no_thing (não_coisa).

Primeiro é preciso lembrar que tem três tipos de iluminação: existencial, psicológica e pessoal. E não tem nada de fácil no despertar pessoal, é trabalho, trabalho, trabalho do começo ao fim. Depois, para falar, basta ter boca. Então, deixem que digam, que pensem, que falem. “Segue o teu destino, rega as tuas plantas,
ama as tuas rosas. O resto é sombra de árvores alheias”. Para chegar no autoconhecimento onde estou, tive que trair tudo e todos. Você terá que fazer o mesmo. Não quero ser um estorvo no seu despertar, mas serei. Um dia você terá que trair tudo e todos também (inclusive a 1ficina) se quiser ter seu próprio autoconhecimento ao invés de autoconhecimento emprestado.

Você traiu os outros, mas não traiu a si mesmo.

Isso mesmo! Por isso que o grupo de práticas da 1ficina se chama: Traidores. É inevitável. Quando você decide ser fiel a si mesmo, essa decisão é uma traição para todo resto.

A prática da autociência é executada através da prática de autoobservação. A dificuldade em despertar a consciência ocorre devido a falta de prática em autoobservação. Tem uma pergunta na parte de perguntas e respostas do livro CIÊNCIA DO ÓBVIO que amplia um pouco mais o entendimento dessa dificuldade.

PERGUNTA: A qualidade da observação do céu depende da ferramenta mais apropriada. No caso da observação de si, qual é a ferramenta mais apropriada?

No caso da observação de si (autoobservação), não se trata de ferramenta mais APROPRIADA, se trata de ferramenta menos ATROFIADA. A qualidade da autoobservação depende do grau de lucidez do observador. Só que nunca ninguém te incentivou a desenvolver clareza de percepção e entendimento, ou seja, lucidez. Pelo contrário, todos seus educadores lhe ensinam a decorar e acreditar. Até porque, seus educadores também foram ensinados a decorar e acreditar. Mesmo na fase adulta, podendo mudar isso, você ainda permanece nesse tipo de educação porque é mais fácil decorar e acreditar do que observar e pensar. O resultado é que sua lucidez atrofia ao invés de se desenvolver.

Dito isso, acrescento que existem três tipos de autoobservação:

Autoobservação existencial
Autoobservação psicológica
Autoobservação pessoal

Cada uma tem sua dificuldade específica. Mas não adianta eu lhe falar das dificuldades específicas sem que antes você entenda o que é cada prática. Para entender, você pode ir até o site da 1FICINA e ler o livro CIÊNCIA DO ÓBVIO.

Sobre a outra parte da sua pergunta…

Despertar é de uma vez ou por camadas?

Despertar existencial é instantâneo, puf, despertou, acabou, pois não tem nada abaixo do ser (existência). A existência é o fundamento da experiência e não tem camadas de existência.

No caso do despertar psicológico, não são camadas, são mídias simultâneas, ou seja, sua natureza psicológica é multimídia. Você experimenta emoção, pensamento, sensações, desejo, valores, crenças, tudo ao mesmo tempo. Cada coisa é uma coisa, mas a experiência é simultanea. É como se você estivesse ouvindo dez músicas diferentes ao mesmo tempo. Vira uma confusão. Você confunde a música da emoção com a música do desejo, como a música do pensamento, com a música das sensações etc. Para você conseguir discernir uma música da outra é preciso bastante prática de autoobservação psicológica.

No caso do despertar pessoal, daí sim, são camadas, feito uma cebola. A prática do despertar pessoal é você descascando sua cebola. Você descasca uma camada e tem outra e outra e outra. A prática do despertar pessoal não acaba nunca. Você irá descascar cebola sua vida inteira. Mas não precisa chorar. Quanto mais descascar sua cebola, melhor será a qualidade do seu viver.

A finalidade da prática da autociência não é APRENDER o que é ser humano, é DESPERTAR para o ser humano que você é. O benefício de despertar para o que é ser humano é o mesmo benefício de descobrir como funciona o whatsapp, como funciona um liquidificador ou como funciona uma escova de dentes.

As duas disciplinas acadêmicas mais próximas da autociência são a filosofia e a psicologia.

Você não PRECISA ficar consciente nunca. Não é uma obrigação. E nem consegue ficar por muito tempo. Tente ficar consciente da sua respiração por cinco minutos, por exemplo. Se você conseguir um minuto, é recordista mundial. E consciente de si você sempre está em algum nível. Então, você DEVE ficar MAIS consciente de si quando é necessário. Quando não é necessário, necessário não é. E quando é necessário? É necessário quando você está vivendo mal. Por que é necessário quando você está vivendo mal? Porque você só vive mal quando está ignorante, quando você está consciente, você vive bem. Então, para sair do mal viver e entrar no bem viver, você deve ficar consciente do que está sendo ignorado e que, por estar sendo ignorado, está resultando em viver mal. Para fazer isso você deve praticar autoobservação e autoanálise tendo como objeto de estudo o mal viver que está experimentando. Eis quando é fundamental ficar super consciente, no nível mais alto possível.

Me refiro ao outro em todos seus três aspectos: existencial, humano e pessoal. Você nunca tem, nunca teve e nunca terá acesso ao outro de forma alguma. Você é você porque não é o outro, porque não tem acesso ao outro. Só cada um sabe de si, tanto existencialmente, como humanamente e pessoalmente. Porém, quando eu desperto para minha existência, o que fica óbvio para mim é o mesmo que fica óbvio para qualquer outro ser do universo: que eu existo. Então, é como se eu tivesse acesso a você (outro). Por isso posso lhe falar sobre o que você irá descobrir quando despertar existencialmente. E quando desperto para minha humanidade, o que fica óbvio para mim é o mesmo que fica óbvio para qualquer ser humano: que sou humano. Então, é como se eu tivesse acesso a você também. Por isso também posso lhe falar sobre o que você irá descobrir quando despertar psicologicamente. Mas quando desperto pessoalmente, o que fica óbvio para mim é justamente meu diferencial, por isso só serve pra mim.

Despertar existencial não é um processo, é instantâneo. É como acordar de um sonho. Num instante você está sonhando, no outro não está mais, você despertou. No caso do despertar existencial, num instante você acredita que é um humano-ser no outro você percebe que é um ser humano, num instante você acredita que a realidade é feita de matéria e no outro você percebe que é feita de experiência de materialidade, num instante você acredita que a realidade é externa e no outro você percebe que é imanente. Essa transição consciencial é papum, é um click. A dificuldade em fazer o despertar existencial acontecer vem da falta de prática em autociência. Isso é a dificuldade antes. Uma vez que você desperta, surge uma dificuldade em lidar com o “sentido da vida”. Perceber que tudo é apenas uma experiência, abala seu sistema de crenças materialistas sobre a vida. Mas como você não tem outra opção senão existir, e agora você está consciente disso, só lhe resta duas opções: existir bem ou existir mal. Para existir bem, você precisa entender o que é existir mal. E só tem um jeito de você descobrir, praticando autociência. Você segue praticando autociência e a vida volta a fazer sentido, um outro sentido, mas volta.

PERGUNTA: Mas tem um processo para dar esse click, certo?

Sim, a água a 100 graus entra em ebulição imediatamente, mas não chega a 100 graus imediatamente. Por isso estamos aqui, estudando e praticando autociência. Quanto mais você praticar autociência, mais está se aproximando do seu ponto de ebulição.

Não! Você pode praticar autoobservação sua vida inteira e ainda assim JAMAIS irá obter êxito em ter uma experiência de despertar. O motivo é simples. DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA NÃO É UMA EXPERIÊNCIA, DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA É SE TORNAR CONSCIENTE SOBRE O QUE É EXPERIMENTAR. Ninguém jamais experimentou ou irá experimentar o despertar da consciencial. Despertar da consciência é se tornar consciente sobre o processo mental de criar realidade.

O que muda é o foco. Os três tipos de autoobservação são três focos diferentes.

Sim. O esperto pensa que sabe, o desperto sabe que pensa. Quando comecei a falar sobre iluminação, despertar da consciência, usava o termo “sei que sei”. Você estava no “sei”, então, se deu conta: “Peraí, eu sei, mas como eu sei que sei?”. E daí despertou para o óbvio. Você sabe que sabe porque você é saber (consciência). Consciência é uma das suas três naturezas existenciais. Tem mais duas. Estudaremos todas as três durante o ciclo de estudos.

Não! Viver bem é consequência do despertar da consciência. Consciência não se desenvolve, consciência desperta. O conceito de “desenvolvimento da consciência” acontece quando você iguala consciência com raciocínio. Quando você era criança você tinha um raciocínio pouco desenvolvido e com o uso foi desenvolvendo. O raciocínio sim se desenvolve. Consciência é saber, ou melhor, é você-saber. Você-saber é o mesmo saber sempre. Pense no saber que você chama de tato. Você tem mais tato agora que é adulto do que tinha na infância? Não! É o mesmo tato. Tato é saber sensorial. Saber não se desenvolve, saber desperta, fica mais lúcido do que está sabendo.

Aluno é preguiçoso. Aluno tem preguiça de pensar. Aluno que gosta de praticar autociência não precisa de professor, ele pratica autoobservação, pensa e descobre sozinho.

Porque o motivo final da busca pelo despertar da consciência é resolver o sofrimento. Ninguém desperta a consciência para despertar a consciência. Ciência em si não serve pra nada. Ciência serve para você ficar ciente sobre o funcionamento de algo e assim poder lidar bem com esse algo, ou seja, deixar de sofrer com a ignorância do funcionamento.

Ciência serve como ferramenta de descoberta, não?

Descobrir para quê? Descobrir por descobrir também não serve para nada. Descobrir também é meio, estratégia, não é OBJETIVO. Descobrir é estratégia para você eliminar sua ignorância. Mas eliminar sua ignorância também é meio, também é estratégia. Sua ignorância lhe impossibilita de lidar bem com o funcionamento das coisas. Se a coisa ignorada é você mesmo, o ser humano que você é, a ignorância de si lhe impossibilita de viver bem. Viver mal é sofrido. Então, no final das contas, a motivação científica (motivação em descobrir) é sempre a mesma: fim do sofrimento. Sem sofrimento não há motivação para sair da ignorância. O motor da ciência é o sofrimento.

Tem dois tipos de pensar. Tem o pensar subconsciente, que é automático, tal como você está apontando. E tem o pensar consciente, que é pensar o pensamento. Pensar o pensamento = autoanálise. O ser humano tem preguiça e incompetência para fazer autoanálise, ou seja, pensar o pensamento.

Nunca mais tive despertar existencial porque vivo nele. Imagina que você é cego e começa a enxergar. No primeiro momento é um despertar! Aha! É isso! Agora sim! Só que você não para de enxergar, então, se acostuma. Até porque não tem nada para vc fazer existencialmente senão existir. E isso nem é opcional. Então, você muda o foco do existencial para o psicológico é vai trabalhar no despertar pessoal, que é o que está fazendo você viver mal.

Autociência não ensina como você deve viver, revela como você já está vivendo. Você já vive. E já vive mal. Mas ignora o que é viver e porque vive mal. A prática da autociência deixa óbvio o que é isso que você já faz: viver. E porque faz isso mal (vive mal). Se você não quer descobrir o que é isso que você já faz, viver, tudo bem, não é obrigatório, é opcional. Se você prefere continuar vivendo mal, tudo bem. Viver lúcido é melhor do que viver ignorante. Viver bem é melhor do que viver mal. Mas a função de um instrutor de autociência não é te convencer disso. É apenas te explicar isso.

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© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari