China ou esquina?

03/08/2025 by in category Sem categoria with 0 and 0

A dificuldade em praticar autociência está na simplicidade e não na complexidade. Autociência é saber de si: autoconhecimento. Saber de si é o conhecimento mais simples, direto e fácil que existe.

Eu te pergunto como você está se sentindo e você me responde que está cansado. Pronto! Você praticou autociência, caso contrário, como teria me respondido? E não teve complicação nenhuma. Foi simples, direto e fácil.

Praticar autociência não é como praticar um esporte (futebol, basquete, vôlei, atletismo) que você precisa aprender todas as regras para praticar corretamente. Só tem uma regra na autociência: olhar para si.

Essa simplicidade é a grande dificuldade da autociência. E porque? Porque desde o nascimento você é programado para olhar para fora e não para dentro. Desde o nascimento você é educado para olhar para o outro e não para você. Ou seja, desde o nascimento você é ensinado a complicar o simples.

Saber de si é simples, o difícil é ser simples!

Seu hábito de complicar o simples se tornou um hábito tão arraigado que você não consegue mais ver o óbvio. O evidente ficou invisível. O simples ficou complicado. O fácil virou difícil.

A única regra para praticar autociência é olhar pra si, mas essa única regra não pode ser desrespeitada em momento algum. No momento que você desrespeita essa única regra, o foco da sua consciência sai da esquina e vai para a China, ou seja, sai da observação e vai para imaginação.

Na esquina (observação), tudo é claro, simples, direto e fácil. Na China (imaginação), tudo é complicado e difícil.

No campo do achismo, tudo pode ser achado.

Vou usar uma brincadeira popular para explicar o que é ir para a China. Essa brincadeira começa com a seguinte pergunta:

Por que o cachorro entra na igreja?

— O cachorro entra na igreja porque mercúrio está retrógrado! — O cachorro entra na igreja para se confessar de uma cachorrada. — O cachorro entra na igreja porque é um cão pastor! — você pode responder. Percebe que todas essas respostas são imaginações, não são observações.

Ir para China é ir para imaginação. Ficar na esquina é observar e ver o óbvio. Quando você observa o cachorro entrando na igreja — ao invés de imaginar teorias — ver o óbvio é simples e fácil: o cachorro entra na igreja porque a porta está aberta.

— Ah! Isso é óbvio! — você pensa. Sim, é óbvio! Tão óbvio como a resposta a pergunta: quem sou eu, de onde venho e para onde vou? Tão óbvio como a resposta a pergunta: porque existe sofrimento? Tão óbvio como a resposta a pergunta: porque estou sofrendo? Tão óbvio como a resposta a pergunta: como viver bem?

— Se é óbvio, porque não é óbvio pra mim? — você pensa. É exatamente isso que estou tentando deixar óbvio para você aqui. Ao invés de ir para China, fique na esquina. Ao invés de praticar teorização, pratique auto-observação.

Queime os livros e leia-se!

Você não é teoria! Óbvio que você não é teoria! Então, abandone todas as teorias, abandone todo o conhecimento — por mais sagrados e certificados que sejam — e faça o simples: pratique auto-observação. Tudo sobre você se tornará automaticamente evidente para você.

Autoconhecimento é se olhar e se ver. Simples assim! Não tem complicação. Não tem dificuldade. Tem você e sua decisão de ir para China ou ficar na esquina. Qual é sua decisão? China ou esquina? Se sua decisão é ficar na esquina, navegue pelo site. Todo conteúdo aqui visa te ajudar nessa prática.

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