APOCALIP-SE

25/05/2016 by in category Livros with 0 and 0

01 | DIA DO APOCALIPSE

Você não é uma pessoa, você é um descobridor da natureza humana. Você não está vivendo, você está descobrindo o que é ser humano. Viver não é viver, viver é uma atividade de autoconhecimento. O dia que você descobre isso é o dia do seu apocalipse. Apocalipse não é o fim do mundo, apocalipse é o fim da ignorância. A palavra apocalipse significa descoberta. Apocalipse é você descobrindo o que é ser humano. O apocalipse não destrói o mundo, destrói sua ignorância sobre o que é ser humano e sobre o que é viver.

Para você entender o que é ser humano, você não vai para uma escola, faz o ensino primário, secundário, superior e daí entende o que é ser humano. Para entender o que é ser humano você se transforma em ser humano. O único jeito que existe para você descobrir o que é ser humano é sendo humano. Descobrir o que é ser humano é 100% vivencial e 100% do tempo. Claro que se transformar em ser humano sem saber o que é ser humano, é igual entrar em um labirinto de olhos fechados, você só consegue dar cabeçadas nas paredes. Mas se você já soubesse o que é ser humano, como poderia brincar de descobrir?


02 | HUMANO SER

O entendimento de que ser humano é atividade de autoconhecimento, implica em várias mudanças de entendimento. A principal mudança é que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER. Ou seja, você é um ser, mas atualmente está SENDO humano. O desafio dessa explicação é que você se chama de SER HUMANO mas se entende como HUMANO SER. Humano ser é um equívoco. Assim como é preciso que primeiro exista a televisão para depois acontecer a experiência dos filmes, também é preciso que primeiro exista você (o ser que você é) para que depois você possa ser humano e se experimentar sendo humano.


03 | CAUSA E EFEITO

A lousa é branca para que tudo possa ser desenhado nela. A lousa branca é a possibilidade de todos os desenhos. Analogamente, assim é o ser que você é: lousa branca. Atualmente você está sendo humano, então, está desenhando experiências humanas em si mesmo. Você, enquanto ser, está antes da natureza humana, assim como uma televisão está antes das imagens. Antes, nesse caso, não significa tempo, significa causa. A causa é anterior ao efeito. Sem causa não tem efeito. Você, enquanto ser, é a causa de estar sendo humano.


04 | POR QUE VOCÊ É HUMANO?

Você é humano porque você é um SER interessado em descobrir o que é ser humano. Os seres interessados em descobrir o que é ser animal, estão sendo animais, os seres interessados em descobrir o que é ser vegetal, estão sendo vegetais, os seres interessados em descobrir o que é ser mineral, estão sendo minerais, e assim por diante. Cada ser está sempre sendo o que deseja experimentar. Seu interesse atual é experimentar e descobrir o que é ser humano, por isto, atualmente, você está sendo humano.


05 | LÓGICA DO VITIMISMO

Um dos grandes desafios de ser humano é que você não é consciente de que está sendo humano por opção. É por isto que sua experiência humana lhe parece aleatória, cruel e desproposital. Por não estar consciente que está sendo humano por opção, surge em você a lógica do vitimismo. Ou seja, surge em você uma revolta que grita: “Eu não pedi para ser humano!”. Por isso, tudo que você experimenta, seja o que for, é injusto por princípio. Faz parte da descoberta do que é ser humano você se revoltar e se acreditar vítima. O esquecimento é fundamental para descoberta. Você precisa acreditar que é vítima para se descobrir responsável. Você precisa acreditar que é HUMANO SER para se descobrir SER HUMANO. Você precisa se revoltar e ficar com raiva para descobrir que sua revolta e raiva era uma atividade de autoconhecimento.


06 | TROMBETAS DO APOCALIPSE

Questões que antes eram raras e restritas estão surgindo e surgirão cada vez mais no consciente individual e coletivo. São as trombetas do apocalipse. Chegou a hora de você despertar. E quando você despertar, acontecerá algo muito simples: você irá assumir a responsabilidade por ser humano. Isso é inevitável, pois o vitimismo só se sustenta por ignorância. Sem ignorância a lógica do vitimismo se torna obviamente equivocada.


07 | IGNORÂNCIA PHD

Você não sabe o que é ser humano. Mas o problema não é não saber, o problema é que você acredita que sabe. Você é um aluno que acredita que é professor. Acredita tanto, que anda por ai dando aula e brigando com os outros para mostrar que sabe mais. Sua ignorância é Phd. O problema nisso é o mesmo de acreditar que você sabe pilotar um avião quando de fato ignora. É por isto que sua convivência é um desastre. Como produzir boa convivência sendo que você ignora o que é ser humano? Impossível. E como sair da ignorância Phd sem admiti-la? Impossível também. Por isto é fundamental o apocalipse. Para que sua ignorância Phd fique evidente para você mesmo e você possa se libertar dela.


08 | COMPETÊNCIA HUMANA

Como você pode saber se está indo bem ou mal em descobrir o que é ser humano? Eis a função da felicidade e do sofrimento. Felicidade é indicativo de que você está consciente e competente em ser humano. Sofrimento é indicativo de que você está INconsciente e INcompetente em ser humano. Assim como tocar bem piano é confirmação de lucidez e competência em tocar piano, assim como dirigir bem um carro é confirmação de lucidez e competência em dirigir carro, assim como falar bem um idioma é confirmação de lucidez e competência em falar aquele idioma, viver bem é confirmação de lucidez e competência em ser humano.


09 | FIM DA VIDA HUMANA

Um homem muito culto estava viajando e precisou atravessar um rio. O único jeito de atravessar o rio era pegando uma balsa. Ele entrou na balsa e começou a conversar com o balseiro.

— Balseiro, você sabe matemática?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.
— Você sabe história romana?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.
— Balseiro, você sabe química?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.
— Balseiro, você sabe literatura portuguesa?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.

Então a balsa rachou e começou a encher de água. O balseiro perguntou:

— E o senhor sabe nadar?
— Não sei não! — respondeu o homem.
— Ah, então o senhor perdeu sua vida inteira! — exclamou o balseiro.

O barco afundando é o apocalipse, é o tira teima, é a hora de você avaliar se entendeu o que era fundamental entender com as experiências que teve: o que é ser humano. O homem culto é sua ignorância Phd, que sabe tudo de tudo, menos do que mais importa, saber de si. Por isso o apocalipse é o fim da vida humana. O apocalipse deixa evidente que você não é uma pessoa, e deixa evidente também, se você sabe mesmo o que é ser humano, ou se você só tem cultura e teoria.


10 | JULGAMENTO FINAL

Imagine que terminou o ano escolar e você resolveu fazer uma avaliação do seu nível de entendimento das matérias. Você conversa consigo mesmo:

— O que entendi de química?
— Não entendi nada.
— O que entendi de geografia?
— Não entendi nada.
— O que entendi de história?
— Não entendi nada.
— O que entendi de matemática?
— Não entendi nada.
— Então, não entendi nenhuma matéria?
— Não, pois você não assistiu as aulas.
— E o que eu fiquei fazendo o tempo todo se só tinha isso para fazer?
— Também não sei.

Vamos transpor esta conversa para você sendo humano.

— O que entendi das emoções?
— Não entendi nada.
— O que entendi do pensamento?
— Não entendi nada.
— O que entendi do desejo?
— Não entendi nada.
— O que entendi de ser humano?
— Não entendi nada.
— Não entendi o que é ser humano?
— Não, pois você não assistiu as aulas.
— E o que eu fiquei fazendo o tempo todo se só tinha isso para fazer?
— Também não sei.

Julgamento final não é você sendo condenado ao inferno ou sendo abençoado com o paraíso, é você conversando com sua própria consciência, analisando, avaliando, julgando seu próprio nível de lucidez sobre o que é ser humano. Quando você mata aula, o que você está fazendo? Você está matando o aluno em você. Quando você mata o aluno em você, você é um aluno morto. É por isso que no dia do julgamento final são julgados os vivos e os mortos. Julgamento final é você avaliando se você é um aluno vivo ou um aluno morto.


11 | NÃO EXISTE VIDA

Imagine que um grupo de seres se juntem para criar um jogo que eles mesmos irão jogar. Eles conversam e decidem criar um jogo com um objetivo impossível. Nesse jogo, todos os jogadores devem acreditar e tentar realizar um objetivo, só que esse objetivo é irrealizável. Por que é irrealizável? Porque o jogo foi criado assim, com um objetivo impossível. Claro que assim que esses seres começarem a jogar esse jogo devem se esquecer que o objetivo é impossível, pois se tiverem consciência disso estraga o jogo. Esse grupo de seres criam o jogo e começam a jogá-lo. Daí tentam realizar o objetivo impossível e fracassam. Não importa o que façam, nem quantas vezes façam, sempre fracassam. Por que fracassam? Porque criaram um jogo de objetivo impossível. Só que esqueceram disso. Eles acreditam que é possível, então, continuam tentando. Agora, imagine que esse grupo de seres somos nós e esse jogo é o jogo de descobrir o que é ser humano. Entendeu? É por isso que você sofre. O objetivo que você acredita ser possível, é impossível.

Mas que objetivo impossível é esse? Viver a vida. Não existe vida. Se não existe vida, como você pode viver a vida? É impossível. É irrealizável. Porém, a todo instante você tenta viver a vida. Fracassa repetidamente, mas persiste obstinadamente. E não entende porque fracassa. O motivo é simples. Você não consegue viver a vida porque não existe vida. O que existe é o jogo de descobrir o que é ser humano, o que existe é atividade de autoconhecimento. Casamento, maternidade, profissão, medo de ladrão, medo da morte, solidão, raiva, decepção amorosa, festa, trabalho, férias, coçar o nariz, fazer xixi, comer pizza, etc. Enfim, tudo que você faz e experimenta, é você jogando o jogo de descobrir o que é ser humano. Se você aproveita ou não suas jogadas para autoconhecimento, é outra conversa, mas tudo é atividade de autoconhecimento.


12 | APOCALIP-SE

Agora fica fácil entender o que é abrir os selos, é abrir a si mesmo, é se autoconhecer.

Então, se for do seu interesse: Apocalip-se!

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: Você diz que não existe vida. Qual é seu entendimento sobre vida?

Quando digo que não existe vida, não estou usando meu entendimento, pois para mim, não existe vida. Então, como vou dizer o que não é. Entende? Por exemplo, se digo que não existe bicho papão e você me pergunta o que é bicho papão, não tenho como te dizer o que é bicho papão, pois bicho papão não é, não existe. Só que se você ACREDITA que bicho papão existe e lhe digo que bicho papão não existe, o que estou dizendo é que sua crença é exatamente isso: uma crença. Ou seja, bicho papão não é um fato (existência) é uma ideia na sua cabeça. O mesmo com vida. De fato, o que existe é viver. Não existe vida. Só que você ACREDITA que existe vida, assim como uma criança acredita que existe bicho papão. Então, ao dizer que não existe vida, estou dizendo que isso que você acredita que existe de fato, não é um fato, é uma crença.


PERGUNTA: Posso definir vida como atividade biológica e viver como atividade humana?

Você é um ser humano. Todo ser humano é livre para definir o que quiser do jeito que quiser. Então, você não precisa pedir minha autorização para fazer suas definições, apenas as faça. No livro Apocalip-se, estou definindo viver e vida, assim:

Viver = Eurekatividade (atividade de autoconhecimento).
Vida = equivoco de acreditar que viver é outra coisa senão uma eurekatividade.


PERGUNTA: Vida é atividade de autoconhecimento? É isso?

1) Primeir0 é preciso lembrar que palavras são apenas instrumentos de comunicação. Então, primeiramente, vida é só uma palavra, é apenas a soma das letras v+i+d+a. Só isso!

2) Uma vez consciente disso, e só consciente disso, fica possível entender que a palavra vida tem tantas DEFINIÇÕES quanto o numero de usuários da mesma. E que cada usuário é livre para dar a DEFINIÇÃO que bem entender para as palavras. Por exemplo, se você definir vida como um amontado de cocó de cachorro, é isso que será vida para você. Se o outro definir vida como movimento subatômico, é isso que será vida para o outro. E assim por diante.

3) Uma vez consciente disso, e só consciente disso, fica possível entender que tem certas definições que são ACORDOS COLETIVOS. Essas definições de acordo coletivo é as que estão no dicionário. É sobre essa definição coletiva de dicionário que a 1ficina se refere no livro Apocalip-se.

4) Não existe vida, o que existe é viver. Mas essa explicação da 1ficina, embora simples e óbvia, é bem profunda e requer profundo autoconhecimento para ficar óbvio. No livro Apocalip-se, a 1ficina ainda não chegou nesse aprofundamento. A explicação de que não existe vida fornecida no livro Apocalip-se visa esclarecer que tudo que você experimenta é eurekatividade (atividade de autoconhecimento). Você acredita que está experimentando ACONTECIMENTOS aleatórios e você chama esses acontecimentos de MINHA VIDA. Isso é um equívoco. Seu emprego não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Seu casamento não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Seu time de futebol não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Sua dor de barriga não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Sua dívida no cartão de crédito não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. O país que você mora, sua sociedade, não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Essa conversa aqui na Lousa, o bate papo no recreio, não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Tudo. Tuuuuuuuuuuuudo que você experimenta e chama de vida, não é vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano.

5) Então, não existe vida, só existe atividade de autoconhecimento (eurekatividade). Essa é a explicação inicial que o livro Apocalip-se está te dando para você começar a despertar para o que é ser humano.


PERGUNTA: O que você quis dizer com a palavra vida, na música Outra Vida?

Musica é arte, não é autociência. Quando estou produzindo arte (musica, literatura) não uso as palavras com o mesmo rigor autociêntifico que uso para produzir os textos da 1ficina. O rigor autociêntifico que uso para produzir os textos da 1ficina é extremo. Tem hora que fico até de saco cheio com tanto rigor. As vezes uma preposição faz toda a diferença. O leitor em geral não percebe isso. Tem 1ficineiros que já leu 30 vezes um livro da 1ficina e ainda não percebeu as sutilezas no rigor das palavras. A palavra “existe” por exemplo, é um grande exemplo disso. Quase ninguém entende. As pessoas usam a palavra “existe” a torta e a direita como se entendessem o que estão dizendo, mas não fazem a menor ideia. A palavra existe é incompreensível. Só pode ser entendida com o despertar existencial. Antes, o usuário da palavra está condenado a usá-la de forma equivocada. Mas enfim, aprendi, a duras penas, que o rigor autociêntifico é fundamental para a prática da autociência. Então, mesmo sendo um saco, sou rigoroso. Mas não faço o mesmo na arte. Na 1ficina me esforço ao máximo para ser claro e conduzir o 1ficineiro a comprovação do óbvio. Na arte tô nem ai. O leitor ou ouvinte que se vire. Mas já que perguntou, vou fazer esse paralelo para você. A letra dessa música diz assim: “Eu busquei no tempo e no espaço outra vida melhor do que a minha,  fui vencido pelo cansaço e ainda perdi a vida que eu tinha”. Em termos 1ficineiros, seria assim: “Eu tentei negar minha natureza humana para viver um vida espiritual e tudo que consegui foi perder minha experiência humana”.


PERGUNTA: Nós sempre seremos ignorante?

No sentido de ignorar o que é ser humano, é opcional.

PERGUNTA: Você é o que?

Sou um ser humano

PERGUNTA: E o que é ser humano pra você?

Pra mim, é obviamente o que sou. Para você, é o que você pediu para que eu te explicasse ao se matricular nesse ciclo se estudos. E é o que estou começando a fazer. Estamos na primeira semana de 5 meses de explicação PASSO A PASSO.

PERGUNTA: Ufa!!! Então existe ser humano?

Sim, obvio! O que não existe é humano ser.

PERGUNTA: E é qual a diferença ene SER HUMANO e HUMANO SER?

HUMANO SER é o que você acredita ser. SER HUMANO é o que você é.


PERGUNTA: Qual é o primeiro passo para sair da ignorância Phd?

O primeiro passo é admiti-la.

INTERLOCUTOR: A pílula azul sempre vem tentadora.

E sempre vira. Nunca deixará de vir. Se parasse de vir, não tinha mais desafio.

INTERLOCUTOR: Mas cansa.

Tudo que você AINDA não tem pratica, cansa. Depois que você pega a prática, parece até que nem está fazendo nada. Falar português, por exemplo, imagina a canseira que foi no começo. Se não consegue imaginar, tente fazer um curso para aprender uma segunda língua, vai fazer um curso de mandarim, por exemplo.


PERGUNTA: Existe separação entre o ser e a experiência humana?

A resposta é sim e não. O problema nessa pergunta é o entendimento sobre separação. Na lógica materialista, separação necessita de espaço e tempo. A cadeira está separada da mesa no espaço-tempo, o passado está separado do presente no espaço-tempo. Então, se você tentar separar o ser do humano assim, não vai conseguir, pois não existe essa separação. Você não é um ser humano, você é um serumano. Não tem separação.

Nos termos da 1ficina, serumano é uma UNIdualidade. Ou seja, é uma unidade com dois aspectos, duas naturezas: natureza existencial e natureza humana. Mas se é uma UNIdualidade, se são duas naturezas, então, tem uma separação? Sim, tem. Só que não é uma separação espaço-temporal. Você jamais irá conseguir colocar o ser aqui e o humano ali, pois o serumano que você é, não é produto do espaço-tempo, é a fábrica do espaço-tempo. Por isso também que você jamais irá conseguir encontrar o ser nem o humano no espaço-tempo.

Os espiritualistas procuram de todo jeito, estudam estudam, fazem yoga, bebe chá de bambu, pratica meditação zen, zoom, carnal, transcendental, os cambau, e só conseguem ampliar a angústia de não entender que o que buscam está mais perto do que perto: é o serumano que são. Os cientistas também procuram de todo jeito, inventam telescópios, microscópios, aceleradores de partículas, escaneiam o cérebro, mexem e remexem no corpo e na massa cinzenta, e nada de encontrar o fantasma dentro da máquina. Vivem exatamente a mesma angústia dos espiritualistas.

Mas se é uma UNIdualidade, então, tem uma separação sim entre ser e humano, mesmo que não seja espaço-temporal. E se tem, como se faz para separar algo que é INSEPARÁVEL? Usando o DISCERNIMENTO. Essa é a função do discernimento: separar o inseparável.

Por exemplo, olhe para um objeto, qualquer objeto, e você verá que esse objeto tem três dimensões: altura, largura e profundidade. Você consegue separar no espaço-tempo a largura, da altura, da profundidade? Consegue colocar a largura do objeto em cima da mesa, a altura no bolso e segurar a profundidade na mão? Não. São inseparáveis. Contudo, você sabe claramente que não são a mesma coisa. É óbvio. São três dimensões. Como você sabe que são três dimensões separadas? Através do DISCERNIMENTO.

Analogamente, também é através do DISCERNIMENTO que você separa o serumano que você é em dois: ser e humano. E faz isso apenas para fins de estudo e entendimento, pois você sabe que serhumano é uma UNIdualidade indivisível.


PERGUNTA: Qual é a evidência de que optei ser humano?

Ótima pergunta! Quase 7 anos de 1ficina e nunca ninguém me fez essa simples pergunta. A evidência é o arbítrio. Realidade não é arbitraria, é arbitrada. Sua experiência atual (humana) é como toda e qualquer realidade que você experimenta: produto do seu arbítrio.

Entendido isso, sua pergunta contém um equívoco. Vou explica-lo.

Você não OPTOU ser humano.
OPTOU – verbo no passado.

Você ESTÁ OPTANDO ser humano.
OPTANDO – verbo no gerúndio, ou presente continuo, como se diz em inglês.

Esse é o equívoco da gênese materialista, que é tão incentivado pela bíblia cristã e também pela teoria do big-bang. No texto bíblico esse equívoco começa assim: “No princípio era o verbo…. e todas as coisas foram feitas…” Observe: “No princípio”, então criação já foi, já aconteceu, no passado. “Era o verbo”, então criação já era, já foi, no passado. “Foram feitas”, então já foi feito, no passado. Exatamente o mesmo equívoco ocorre com a teoria do Big-Bang. Teve uma explosão, tudo FOI criado no passado e pronto. Percebe? Essa gênese é morta. Essa gênese mora no passado. Gênese é criação. Criação é viva. Gênese é o verbo no presente contínuo (gerúndio). Gênese é agora, agora, agora, agora… Gênese é TIC TAC. Então…

Você não OPTOU por ser humano (verbo no passado). Isso é um equívoco. Você ESTÁ OPTANDO ser humano (verbo no gerúndio).

A prova disso é que você está sendo humano.


PERGUNTA: Como o ensinamento do livro Apocalip-se pode se tornar evidente nesse momento?

Através da prática da autociência. Só que ninguém aprende a tocar piano na primeira aula. Se você for um super praticante de autociência, daqueles que decidiu passar 25 horas por dia, 8 dias por semana, praticando autociência, ainda assim vai demorar anos para você despertar para tudo que o livro Apocalip-se está explicando.


PERGUNTA: Em sua experiência de despertar da consciência, você passou a perceber algo além do puramente físico-material?

Primeiramente: DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA NÃO É UMA EXPERIÊNCIA, despertar da consciência é se tornar consciente sobre o que é experimentar. É muito importante esclarecer esse equívoco. 100% dos buscadores espirituais vivem presos nesse equívoco. Por isso que buscam, buscam e nunca encontram. DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA NÃO É UMA EXPERIÊNCIA. Isso precisa ficar bem claro, senão, você nunca irá encontrar o que está buscando. Os próximos livros na sequência desse ciclo de estudos irão lhe ajudar a sair desse equívoco. Dito isso, vou corrigir sua pergunta: “Com o despertar da consciência, você passou a perceber algo além do puramente físico-material?”

Pior do que isso! Desmaterializei toda a matéria do universo. Explico. O despertar da consciência não faz você perceber além da matéria. Isso é impossível. Tudo que você percebe é matéria (objeto da percepção). Tem vários tipos de matéria, assim como tem vários tipos de cor, mas assim como toda cor é cor, toda objeto percebido é matéria. O despertar da consciência deixa óbvio que matéria (seja de que tipo for) é apenas uma perspectiva perceptiva. Depois que você desperta a consciência, a matéria continua “lá”, “do lado de fora”, dura e tridimensional, exatamente como antes. Nada muda. A única coisa que muda, é que antes de despertar, você ignorava que matéria é perspectiva perceptiva, depois que você desperta, isso fica óbvio.


PERGUNTA: Ser é feito de que?

Ser é feito de existência.

PERGUNTA: Ser veio de onde?

Veio do planeta do unicórnios, dirigindo uma nave extraterrestre, a mando do Arcanjo Bacharel. kkkk… Zueira! Respondendo autociêntificamente…. “Onde” é lógica tempo-espacial (lógica materialista). O ser (que você é) não vem de lugar nenhum, existe.

PERGUNTA: Por que esse interesse em ser humano?

Você que me diga, o interesse é seu.


PERGUNTA: Por que não entendo nada do que você diz?

Não se sinta burro de não entender as explicações da 1ficina sobre espaço-tempo (materialismo) e sobre existência. Ninguém entende enquanto não desperta. Nem os cientistas mais fudidos entendem. Não porque é difícil de entender. É simples e óbvio. Mas é impossível entender o espaço-tempo olhando para fora. Até Einstein cometeu esse equívoco. Até a física quântica, que tenta sair desse equívoco, reforça o equívoco. Então, relaxa com isso.

Muitas escolas de autoconhecimento pulam o estudo da natureza existencial do ser humano e vão direto para a natureza psicológica. “Já que ninguém entende essa porra, então, vamos pular!” essas escolas devem pensar. hehehe… Mas como tenho dito, não se constrói uma casa começando pelo telhado. A opção de estudar a natureza existencial do ser humano, como toda opção, tem prós e contras. O principal contra é explicar. Não é nada fácil explicar o que está mais perto do que perto. Mas como o lema da 1ficina é #problema_vem_nimim, a opção da 1ficina é explicar o inexplicável, pois apesar deste contra, o pró vale a pena: aniquilação total do vitimismo.

Teve uma época que também pensei em pular o estudo existencial. Sendo que os 1ficineiros não são cientistas, pensei assim: “Se nem os cientistas, que estudam o espaço tempo, entendem o que estão estudando, que dirá pessoas que nunca nem pensaram no assunto!”. Mas daí pensei assim: “Se quem entende não explicar, quem irá explicar?”. O segundo pensamento me convenceu, e embora soubesse que estava comprando dor de cabeça, prossigo explicando.


PERGUNTA: Hermetismo, filosofia e religião também não é autoconhecimento?

Tudo isso que você citou NÃO É AUTOCONHECIMENTO, é conhecimento. Quando você lê sobre Hermetismo, por exemplo, você não está produzindo AUTOconhecimento, você está produzindo conhecimento sobre a explicação de uma pessoa que DE FATO praticou autoconhecimento, Hermes.  O mesmo com a 1ficina. Eu sou um praticante de autociência. Ao praticar autociência, eu produzo AUTOconhecimento. Daí escrevo aos livros colocando em palavras o autoconhecimento DESPERTADO. Quando você lê o que eu explico, você não está produzindo SEU autoconhecimento, você está pegando MEU autoconhecimento EMPRESTADO como DICA para ajudar você a produzir o SEU de fato. Autoconhecimento MESMO só é produzido quando você LÊ A SI MESMO, lê o ser humano que você é. Autoconhecimento mesmo só é produzido através da prática da autociência.

Quando você tem informação dos livros, o que você tem é exatamente isso: informação. Por isso que o povo pira com as informações contraditórias das diferentes escolas de autoconhecimento. Não são contraditórias de fato, às vezes são aspectos diferentes do ser humano, como você observou, e as vezes é apenas semanticamente diferente (usam palavras diferentes).

Quando eu ainda não tinha autoconhecimento, quando meu autoconhecimento era decoreba, eu também achava tudo conflitante. Nada encaixava em nada. Até que comecei a praticar autociência e produzir autoconhecimento de fato. Foi assim que eu comecei a encaixar em mim, e consequentemente, tudo se encaixou.

Eu não falo das religiões na 1ficina, mas conheço relativamente bem as principais, e atualmente, entendo exatamente o que estão dizendo e não vejo mais conflito nenhum entre uma e outra. Religião é muito metafórica. É preciso consciência desperta para abrir as metáforas religiosas. Não funciona ler metáfora e interpretar ao pé da letra. De vez em quando, como tem bastante 1ficineiro de cultura religiosa, eu abro uma metáfora ou outra. O livro Apocalip-se é um exemplo disso. Quem não é 1ficineiro, que é o resto do mundo, vai morrer acreditando que apocalipse é o fim do mundo, etc. O livro Deus da Cara Preta visa abrir a maior das metáforas humanas, maior tabu também.

Mas enfim, não me aprofundo muito em abrir as metáforas religiosas, porque toda vez que faço isso, os Phds das religiões vem de pau pra cima de mim, cagando ao blablabla decorado deles, e ao invés de ajudar meu trabalho, atrapalha. Então, cada um que abra a porta das suas prisões. O problema é que a chave para abrir é praticar autociência, mas como o prisioneiro pensa que já sabe, devido ao autoconhecimento emprestado, fica só perpetuando a ignorância Phd.


PERGUNTA: Uma criança que é estuprada, por exemplo, que arbítrio tem?

Não existe criança. Você não é um HUMANO SER, você é um SER HUMANO. O que existe é um ser brincando de ser humano, numa fase brincadeira que chamamos de infância. O que acontece com essa criança a que você está se referindo é exatamente o mesmo que acontece com você. Você opta por brincar de ser humano, mas você não tem ideia do que irá experimentar nessa brincadeira, assim como quando você compra um disco que você nunca ouviu antes. Você compra para ouvir, para descobrir que musica tem ali. Então, sua opção é só essa: sim vou entrar nessa brincadeira de ser humano só pra descobrir do que se trata. Daí você entra. Mal chega o médico já te lasca um tapa na bunda. No dia seguinte você sente uma puta dor de barriga. Creeeeedo! O que tá acontecendo? É vontade de cagar, mas você nunca cagou antes, não sabe o que é ser humano. E assim você vai descobrindo o que é ser humano. Pode ser que você ganhe na loteria e pode ser também que você seja estuprada, faz parte das possibilidades da brincadeira. Seja qual for sua experiência na brincadeira, é sempre EFEITO da sua opção de estar brincando. Ninguém te obrigou a brincar de ser humano, nem tem esse poder. Você está brincando por opção sua. O mesmo com todos os seres humanos, o que inclui o ser humano que você está chamando de criança.


PERGUNTA: Por que eu leio, leio e não entendo?

No livro Apocalip-se a 1ficina está explicando que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER. A 1ficina está lhe dizendo que você ignora o que você é. Você pensa que sabe. Mas não sabe. Você está equivocado. Só que o fato de você ler em um livro que você ignora o que você é, e que você está equivocado, não desperta sua consciência. Despertar da consciência não é fruto de leitura, nem de estudo: é fruto da prática da autociência. Você pode tatuar a frase “eu sou um ser humano e não um humano ser” no seu corpo e passar o dia inteiro lendo essa frase que não vai adiantar nada. Então, você é um HUMANO SER tentando entender o que é SER HUMANO. Esse é o problema. Você continua na lógica do HUMANO SER, que é a lógica materialista, lógica espaço-tempo. É IMPOSSÍVEL entender o que é ser humano na lógica do HUMANO SER, na lógica do espaço-tempo.

O maior não cabe dentro do menor. O android não está dentro do whatsapp, é o whatsapp que está dentro do android. Analogamente, o ser não está dentro do humano, é o humano que está dentro do ser. Então, é preciso sair da ilha para ver a ilha. Só que o iniciante não entende isso AINDA. O iniciante quer ver a ilha cavucando a ilha e enfiando a cabeça dentro do buraco. Os cientistas tentam sair da ilha cavucando a matéria. Os espiritualistas tentam sair da ilha passeando de unicórnio e imaginando que a realidade é o produto do pum verde da minhoca extraterrestre.

Nenhum desses dois caminhos resolve. O que resolve é a autociência. Ou seja, se sou EU que estou vendo a ilha, então, ao invés de investigar a ilha, vou investigar O QUE SOU EU. Essa investigação é a prática da autociência. E é essa investigação que deixa EVIDENTE que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER.

Nesse ciclo de estudos, vocês leem vários livros. Mas é como se vocês estivessem lendo um livro só com vários capítulos. Se eu fizesse esse ciclo de estudos sem responder pergunta nenhuma, do começo até o fim, e só abrisse para pergunta depois da leitura do último livro, muito provavelmente vocês não teriam pergunta nenhuma no final. É isso que aconteceu em todos os ciclos anteriores. Quanto mais se aproximava do fim, menos pergunta tinha. Mas se eu fizesse assim, teria prós, mas teria contras também. Por exemplo, perderíamos essa nossa interação diária que é tão rica. Então, mesmo que me dê muito mais trabalho conduzi-los assim como faço, prefiro assim.


PERGUNTA: Quer dizer que você não é um corpo contido no espaço?

Nem eu, nem você, nem ninguém ou coisa alguma. Só que eu sei disso e você ignora.

PERGUNTA: Como faço para saber também?

Apocalip-se!

© 2018 · 1FICINA · Marcelo Ferrari