01 | DIA DO APOCALIPSE

Você não é uma pessoa, você é um usuário da natureza humana. Você não está vivendo, está descobrindo o que é ser humano. Viver não é viver. Viver é uma atividade autocientífica. O dia que você descobre isso é o dia do seu apocalipse. Apocalipse não é o fim do mundo, apocalipse é o fim da ignorância. A palavra apocalipse significa descoberta. Apocalipse é você descobrindo o que é ser humano. O apocalipse não destrói o mundo, destrói sua ignorância sobre o que é ser humano e sobre o que é viver. Para entender o que é ser humano você não vai para uma escola, você se transforma na escola, você se transforma em ser humano. O único jeito para você descobrir o que é ser humano é sendo humano. Descobrir o que é ser humano é 100% vivencial e 100% do tempo. Claro que se transformar em ser humano sem saber o que é ser humano é igual entrar em um labirinto de olhos fechados, você só consegue dar cabeçadas nas paredes. Mas se você já soubesse, como poderia brincar de descobrir?


02 | HUMANO SER

O entendimento de que ser humano é atividade autocientífica, implica em várias mudanças de entendimento. A principal mudança é que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER. Você é um SER que está SENDO humano. O desafio para entender essa explicação é que você se chama de SER HUMANO, mas se entende como HUMANO SER. Humano ser é um equívoco. Assim como é preciso EXISTIR a televisão para ter onde o filme ACONTECER, também é preciso você SER (EXISTIR) para que seja possível você ser humano e se experimentar sendo humano.


03 | CAUSA E EFEITO

Você é um ser humano. Em outras palavras, você é um ser que está usando a natureza humana para se manifestar. A natureza humana é tipo um sistema operacional de computador. Então, você, enquanto ser, enquanto usuário da natureza humana, está antes da natureza humana, assim como um usuário de computador está antes do programa que ele está usando. O usuário é anterior ao uso. A causa é anterior ao efeito. Sem usuário não tem uso. Sem causa não tem efeito. Você, enquanto ser, enquanto usuário da natureza humana, é a causa da sua experiência humana.


04 | POR QUE HUMANO?

Você está sendo humano porque é um SER interessado em descobrir o que é ser humano. Seres interessados em descobrir o que é ser animal, estão sendo animais, seres interessados em descobrir o que é ser vegetal, estão sendo vegetais, seres interessados em descobrir o que é ser mineral, estão sendo minerais, e assim por diante. Cada ser está sempre sendo o que deseja experimentar.


05 | LÓGICA DO VITIMISMO

Um dos grandes desafios de ser humano é que você não é consciente que está sendo humano por opção. Surge em você a lógica do vitimismo. Surge uma revolta que grita: “Eu não pedi pra nascer!”. Dentro dessa lógica, tudo que você experimenta, seja o que for, é injusto por princípio. Faz parte da descoberta do que é ser humano se acreditar vítima e se revoltar. A ignorância é fundamental para descoberta. Você precisa acreditar que é vítima para se descobrir responsável. Você precisa acreditar que é HUMANO SER para se descobrir SER HUMANO.


06 | TROMBETAS DO APOCALIPSE

Questões que antes eram raras e restritas estão surgindo e surgirão cada vez mais no consciente da coletividade humana. São as trombetas do apocalipse. Chegou a hora de você despertar. E quando você despertar, acontecerá algo muito simples: você irá assumir a responsabilidade por ser humano. Isso é inevitável, pois a lógica do vitimismo só se sustenta por ignorância.


07 | IGNORÂNCIA PHD

O problema não é que você ignora o que é ser humano, o problema é que você pensa que sabe. Você é um aluno que acredita que é professor. Acredita tanto, que anda por aí dando aula e brigando com os outros para mostrar que sabe mais. Sua ignorância é Phd. O problema nisso é o mesmo de acreditar que você sabe pilotar um avião quando de fato ignora. É por isso que você vive mal. Como viver bem sem saber o que é viver? Como viver bem ignorando o que é ser humano? Impossível. E como sair da ignorância Phd? O primeiro passo é admiti-la.


08 | COMPETÊNCIA HUMANA

Como você pode saber se está indo bem ou mal em descobrir o que é ser humano? Eis a função da felicidade e do sofrimento. Felicidade é indicativo de que você está consciente e competente em ser humano. Sofrimento é indicativo de que você está INconsciente e INcompetente em ser humano. Assim como tocar bem piano é confirmação de lucidez e competência em tocar piano. Assim como dirigir bem um carro é confirmação de lucidez e competência em dirigir carro. Assim como falar bem um idioma é confirmação de lucidez e competência em falar aquele idioma. Viver bem é confirmação de lucidez e competência em ser humano.


09 | FIM DA VIDA HUMANA

Um homem muito culto precisava atravessar um rio. O único jeito de atravessar o rio era pegando uma balsa. Ele entrou na balsa e começou a conversar com o balseiro.

— Balseiro, você sabe matemática?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.
— Você sabe história romana?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.
— Balseiro, você sabe química?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.
— Balseiro, você sabe literatura portuguesa?
— Não sei não! — respondeu o balseiro.
— Ah, balseiro, você perdeu metade da sua vida! — exclamou o homem.

Então a balsa rachou e começou a encher de água. O balseiro perguntou:

— E o senhor sabe nadar?
— Não sei não! — respondeu o homem.
— Ah, então o senhor perdeu sua vida inteira! — exclamou o balseiro.

O barco afundando é o apocalipse, é o tira teima, é a hora de você avaliar se entendeu o que era fundamental entender com as experiências que teve: o que é ser humano. O homem culto é sua ignorância Phd, que sabe tudo de tudo, menos do que mais importa, saber de si. Por isso, o apocalipse é o fim da vida humana. O apocalipse deixa evidente se você sabe mesmo o que é ser humano, ou se você só tem cultura e teoria.


10 | JULGAMENTO FINAL

Imagine que terminou o ano escolar e você resolveu fazer uma avaliação do seu nível de entendimento das matérias. Você conversa consigo mesmo:

— O que entendi de química?
— Não entendi nada.
— O que entendi de geografia?
— Não entendi nada.
— O que entendi de história?
— Não entendi nada.
— O que entendi de matemática?
— Não entendi nada.
— Então, não entendi nenhuma matéria?
— Não, pois você não assistiu as aulas.
— E o que eu fiquei fazendo o tempo todo se só tinha isso para fazer?
— Também não sei.

Vamos transpor essa conversa para você sendo humano.

— O que entendi das emoções?
— Não entendi nada.
— O que entendi do pensamento?
— Não entendi nada.
— O que entendi do desejo?
— Não entendi nada.
— O que entendi de ser humano?
— Não entendi nada.
— Não entendi o que é ser humano?
— Não, pois não assisti as aulas.
— E o que eu fiquei fazendo o tempo todo se só tinha isso para fazer?
— Também não sei.

O que você está fazendo quando mata aula? Você está matando o aluno em você. Que tipo de aluno você é quando mata o aluno em você? Você é um aluno morto. É por isso que no dia do julgamento final são julgados os vivos e os mortos. Julgamento final não é você sendo condenado ao inferno ou sendo abençoado com o paraíso, é você conversando com sua consciência, analisando, avaliando e julgando se você é um aluno vivo ou um aluno morto.


11 | NÃO EXISTE VIDA

A todo instante você tenta viver a vida. Fracassa repetidamente, mas persiste obstinadamente. E não entende porquê fracassa. O motivo é simples. Você não consegue viver a vida porque não existe vida. O que existe é brincadeira de descobrir o que é ser humano, o que existe é atividade de autociência. Casamento, maternidade, profissão, medo de ladrão, medo da morte, solidão, raiva, decepção amorosa, festa, trabalho, férias, coçar o nariz, fazer xixi, comer pizza, etc. Tudo que você faz e experimenta é você brincando de descobrir o que é ser humano.


12 | APOCALIP-SE

Por fim, abrir os selos é abrir a si mesmo. Então, se for do seu interesse, Apocalip-se!

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Você existe, ou seja, você vem de si mesmo e vai para si mesmo. Simples assim.

Não! Você existe! Existir não é opcional, é existencial. Existir = ser. Você está escolhendo ser humano. Nascer e existir não é a mesma coisa. A mentalidade materialista iguala nascer com existir. Você acredita na mentalidade materialista e daí passa a acreditar no equívoco subsequente: que a morte é o fim da existência. Existência existe. Existência não tem fim porque não tem começo. A morte é o fim de uma realidade e não da fábrica da realidade.

A resposta é sim e não. O problema nessa pergunta é o entendimento sobre separação. Na lógica materialista, separação necessita de espaço e tempo. A cadeira está separada da mesa no espaço-tempo, o passado está separado do presente no espaço-tempo. Então, se você tentar separar o ser do humano assim, não vai conseguir, pois não existe essa separação. Você não é um ser humano, você é um serumano. Não tem separação.

Nos termos da 1ficina, serumano é uma UNIdualidade. Ou seja, é uma unidade com dois aspectos, duas naturezas: natureza existencial e natureza humana. Mas se é uma UNIdualidade, se são duas naturezas, então, tem uma separação? Sim, tem. Só que não é uma separação espaço-temporal. Você jamais irá conseguir colocar o ser aqui e o humano ali, pois o serumano que você é, não é produto do espaço-tempo, é a fábrica do espaço-tempo. Por isso também que você jamais irá conseguir encontrar o ser nem o humano no espaço-tempo.

Os espiritualistas procuram de todo jeito, estudam estudam, fazem yoga, bebe chá de bambu, pratica meditação zen, zoom, carnal, transcendental, os cambau, e só conseguem ampliar a angústia de não entender que o que buscam está mais perto do que perto: é o serumano que são. Os cientistas também procuram de todo jeito, inventam telescópios, microscópios, aceleradores de partículas, escaneiam o cérebro, mexem e remexem no corpo e na massa cinzenta, e nada de encontrar o fantasma dentro da máquina. Vivem exatamente a mesma angústia dos espiritualistas.

Mas se é uma UNIdualidade, então, tem uma separação sim entre ser e humano, mesmo que não seja espaço-temporal. E se tem, como se faz para separar algo que é INSEPARÁVEL? Usando o DISCERNIMENTO. Essa é a função do discernimento: separar o inseparável.

Por exemplo, olhe para um objeto, qualquer objeto, e você verá que esse objeto tem três dimensões: altura, largura e profundidade. Você consegue separar no espaço-tempo a largura, da altura, da profundidade? Consegue colocar a largura do objeto em cima da mesa, a altura no bolso e segurar a profundidade na mão? Não. São inseparáveis. Contudo, você sabe claramente que não são a mesma coisa. É óbvio. São três dimensões. Como você sabe que são três dimensões separadas? Através do DISCERNIMENTO.

Analogamente, também é através do DISCERNIMENTO que você separa o serumano que você é em dois: ser e humano. E faz isso apenas para fins de estudo e entendimento, pois você sabe que serhumano é uma UNIdualidade indivisível.

A função desse livro é cuspir na sua cara, xingar sua mãe de feia e te chamar pro pau. Ficar indignado é o mínimo que espero de você. Se a leitura do livro Apocalip-se não te deixar revoltado, puto ou entristecido, sugiro que desista da autociência. Vai fazer curso de floral, reiki, física quântica, lei da atração, barra access, coaching, psicologia transpessoal e oscambal. Vai ler a biblioteca inteira de autoajuda. Vai tomar chá de bambu. Vai fumar folha de bananeira.  Vai rezar. Vai fazer contato com extraterrestre em Machu Picchu. Vai fazer meditação com cobertura de ovomaltine. Vai assistir palestra no youtube. Vai comprar cristal na feirinha hippie. Tantufaz. Toma a pílula azul e continua pensando que sabe. Autociência não é para você.

Tudo isso que você citou NÃO É AUTOCONHECIMENTO, é conhecimento. Quando você lê sobre Hermetismo, por exemplo, você não está produzindo AUTOconhecimento, você está produzindo conhecimento sobre a explicação de uma pessoa que DE FATO praticou autoconhecimento, Hermes.  O mesmo com a 1ficina. Eu sou um praticante de autociência. Ao praticar autociência, eu produzo AUTOconhecimento. Daí escrevo os livros colocando em palavras o autoconhecimento DESPERTADO. Quando você lê o que eu explico, você não está produzindo SEU autoconhecimento, você está pegando MEU autoconhecimento EMPRESTADO como DICA para ajudar você a produzir o SEU de fato. Autoconhecimento MESMO só é produzido quando você LÊ A SI MESMO, lê o ser humano que você é. Autoconhecimento mesmo só é produzido através da prática da autociência.

Quando você tem informação dos livros, o que você tem é exatamente isso: informação. Por isso que o povo pira com as informações contraditórias das diferentes escolas de autoconhecimento. Não são contraditórias de fato, às vezes são aspectos diferentes do ser humano, como você observou, e as vezes é apenas semanticamente diferente (usam palavras diferentes).

Quando eu ainda não tinha autoconhecimento, quando meu autoconhecimento era decoreba, eu também achava tudo conflitante. Nada encaixava em nada. Até que comecei a praticar autociência e produzir autoconhecimento de fato. Foi assim que eu comecei a encaixar em mim, e consequentemente, tudo se encaixou.

Eu não falo das religiões na 1ficina, mas conheço relativamente bem as principais, e atualmente, entendo exatamente o que estão dizendo e não vejo mais conflito nenhum entre uma e outra. Religião é muito metafórica. É preciso consciência desperta para abrir as metáforas religiosas. Não funciona ler metáfora e interpretar ao pé da letra. De vez em quando, como tem bastante 1ficineiro de cultura religiosa, eu abro uma metáfora ou outra. O livro Apocalip-se é um exemplo disso. Quem não é 1ficineiro, que é o resto do mundo, vai morrer acreditando que apocalipse é o fim do mundo, etc. O livro Deus da Cara Preta visa abrir a maior das metáforas humanas, maior tabu também.

Mas enfim, não me aprofundo muito em abrir as metáforas religiosas, porque toda vez que faço isso, os Phds das religiões vem de pau para cima de mim, cagando o blablabla decorado deles, e ao invés de ajudar meu trabalho, atrapalham. Então, cada um que abra a porta das suas prisões. O problema é que a chave para abrir é praticar autociência, mas como o prisioneiro pensa que já sabe, devido ao autoconhecimento emprestado, fica só perpetuando a ignorância Phd.

Não! Lucidez é quando você sabe, quando você está consciente. Maestria é quando você tem competência em executar e executa com facilidade. Você pode saber o que é bicicleta, saber o que é equilíbrio e ser incapaz de andar de bicicleta porque não tem maestria em executar o equilíbrio sobre a bicicleta.

Você é um ser humano: ser e humano. Só que o termo ser humano atrapalha um pouco o entendimento sobre o que você é. Você não é duas coisas, ser e humano, você é uma coisa só, ser, porém em estado humano. Pense numa pedra de gelo. O que é gelo? Gelo é o estado da água. Então, uma pedra de gelo é água, porém, é água congelada. Analogamente, você-ser é como água, e sendo assim, você-ser pode brincar de “estados de ser”. Por exemplo, você-ser pode brincar de ser mineral, ser vegetal, ser animal e ser humano. Atualmente você está brincando de ser humano, então, assim como gelo é água congelada, atualmente você é um ser humanizado.

Daí tem o problema da palavra espírito. Espírito = você-ser. Você-ser é um ser, ou seja, você é um espírito. Só que a palavra espírito se degenerou. Espírito virou sinônimo de assombração, alma penada, gente morta, manifestação mediúnica, etc. E junto com a degeneração da palavra espírito, ocorreu também a degeneração da palavra espiritualidade.

Ser = existir. Você-ser é você-existência. Então, eis a resposta da sua pergunta:

Espiritualidade é existencialidade.

Ignorância PHD é quando você ignora que ignora o que é ser humano. Ou seja, é quando você pensa que sabe.

A palavra religião vem do latim: religare. Religare significa religar. Tem duas coisas muito interessantes nesse entendimento. A primeira é que religião não é uma teoria, mas um verbo, ou seja, uma prática. A segunda é que só se pode religar o que você está desligado. Surge então a pergunta:

O que está desligado?

A resposta é: você. Você vive desligado de si mesmo. Na 1ficina, esse desligamento recebe o nome de Outroísmo. Você se desliga de si mesmo toda vez que opta pelo viver outroísta, ou seja, toda vez que se proíbe de ser você mesmo e se obriga a ser outro.

Por exemplo, você gosta DISSO, ou você acha ISSO certo, mas sua sociedade, seus familiares e seus amigos, gostam DAQUILO e acham ISSO errado, daí, para ficar igual ao grupo, para se obrigar a gostar igual aos outros e a considerar certo o mesmo que os outros, ou seja, você se obriga viver sendo outro. Cada vez que você opta por viver outroísta você se desliga um pouco mais de si. E pior! Você reforça a programação mental do outroísmo em você.

Eis então a resposta a sua pergunta:

Religião é a prática autocientífica de descoberta e desinstalação da programação mental outroísta que impede você de viver sendo você.

Um equívoco é uma crença de correspondência equivocada. Por exemplo, se você acredita que fogo molha, você está equivocado, pois fogo não molha, fogo queima. Mas se você JÁ SOUBESSE que fogo queima, você não acreditaria que fogo molha. Então, você é incapaz de reconhecer um equívoco como equívoco até que já tenha se DESequivocado.

Então, é um ciclo vicioso?

Sim, pois quando você está equivocado, você ignora que está equivocado. E como ignora, como sair de um equívoco que você nem sabe que está dentro?

Então, não tem como sair?

O sofrimento é alerta de equívoco. Quando você abre a porta para o sofrimento, segura na mão dele e segue o sofrimento até sua origem, você chega na descoberta do equívoco.

Musica é arte, não é autociência. Quando estou produzindo arte (musica, literatura) não uso as palavras com o mesmo rigor autociêntifico que uso para produzir os textos da 1ficina. O rigor autocientífico que uso para produzir os textos da 1ficina é extremo. Tem hora que fico até de saco cheio com tanto rigor. As vezes uma preposição faz toda a diferença. O leitor em geral não percebe isso. Tem 1ficineiros que já leu 30 vezes um livro da 1ficina e ainda não percebeu as sutilezas no rigor das palavras. A palavra “existe” por exemplo, é um grande exemplo disso. Quase ninguém entende. As pessoas usam a palavra “existe” a torta e a direita como se entendessem o que estão dizendo, mas não fazem a menor ideia. A palavra existe é incompreensível. Só pode ser entendida com o despertar existencial. Antes, o usuário da palavra está condenado a usá-la de forma equivocada. Mas enfim, aprendi, a duras penas, que o rigor autociêntifico é fundamental para a prática da autociência. Então, mesmo sendo um saco, sou rigoroso. Mas não faço o mesmo na arte. Na 1ficina me esforço ao máximo para ser claro e conduzir o 1ficineiro à comprovação do óbvio. Na arte tô nem ai. O leitor ou ouvinte que se vire. Mas já que perguntou, vou fazer esse paralelo para você. A letra dessa música diz assim: “Eu busquei no tempo e no espaço outra vida melhor do que a minha,  fui vencido pelo cansaço e ainda perdi a vida que eu tinha”. Em termos 1ficineiros, seria assim: “Eu tentei negar minha natureza humana para viver um vida espiritual e tudo que consegui foi perder minha experiência humana”.

A prática da autociência é executada através da prática de autoobservação. A dificuldade em despertar a consciência ocorre devido a falta de prática em autoobservação. Tem uma pergunta na parte de perguntas e respostas do livro CIÊNCIA DO ÓBVIO que amplia um pouco mais o entendimento dessa dificuldade.

PERGUNTA: A qualidade da observação do céu depende da ferramenta mais apropriada. No caso da observação de si, qual é a ferramenta mais apropriada?

No caso da observação de si (autoobservação), não se trata de ferramenta mais APROPRIADA, se trata de ferramenta menos ATROFIADA. A qualidade da autoobservação depende do grau de lucidez do observador. Só que nunca ninguém te incentivou a desenvolver clareza de percepção e entendimento, ou seja, lucidez. Pelo contrário, todos seus educadores lhe ensinam a decorar e acreditar. Até porque, seus educadores também foram ensinados a decorar e acreditar. Mesmo na fase adulta, podendo mudar isso, você ainda permanece nesse tipo de educação porque é mais fácil decorar e acreditar do que observar e pensar. O resultado é que sua lucidez atrofia ao invés de se desenvolver.

Dito isso, acrescento que existem três tipos de autoobservação:

Autoobservação existencial
Autoobservação psicológica
Autoobservação pessoal

Cada uma tem sua dificuldade específica. Mas não adianta eu lhe falar das dificuldades específicas sem que antes você entenda o que é cada prática. Para entender, você pode ir até o site da 1FICINA e ler o livro CIÊNCIA DO ÓBVIO.

Sobre a outra parte da sua pergunta…

Despertar é de uma vez ou por camadas?

Despertar existencial é instantâneo, puf, despertou, acabou, pois não tem nada abaixo do ser (existência). A existência é o fundamento da experiência e não tem camadas de existência.

No caso do despertar psicológico, não são camadas, são mídias simultâneas, ou seja, sua natureza psicológica é multimídia. Você experimenta emoção, pensamento, sensações, desejo, valores, crenças, tudo ao mesmo tempo. Cada coisa é uma coisa, mas a experiência é simultanea. É como se você estivesse ouvindo dez músicas diferentes ao mesmo tempo. Vira uma confusão. Você confunde a música da emoção com a música do desejo, como a música do pensamento, com a música das sensações etc. Para você conseguir discernir uma música da outra é preciso bastante prática de autoobservação psicológica.

No caso do despertar pessoal, daí sim, são camadas, feito uma cebola. A prática do despertar pessoal é você descascando sua cebola. Você descasca uma camada e tem outra e outra e outra. A prática do despertar pessoal não acaba nunca. Você irá descascar cebola sua vida inteira. Mas não precisa chorar. Quanto mais descascar sua cebola, melhor será a qualidade do seu viver.

Porque não se constrói uma casa começando pelo telhado. Começamos pelo alicerce até chegarmos no telhado. Existência, vivência e convivência. A convivência é o telhado. A brincadeira de ser humano acontece mesmo é no telhado. É no telhado que o bicho pega. É no telhado que a coletividade humana está em chamas. Apagar o fogo do telhado humano é urgente para que os seres humanos não se autodestruam. Por isso tem trabalhos que pulam o alicerce e vão direto para o telhado. São trabalhos de pronto socorro. Trabalhos de bombeiro que visam apagar o fogo da má convivência. Tudo tem prós e contras. Ao meu ver, a opção de pular o existencial tem mais contras do que prós. Melhor do que ficar curando os feridos é acabar com a guerra. Por isso não pulo o alicerce existencial, mesmo que ninguém entenda.

No livro Apocalip-se a 1ficina está explicando que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER. A 1ficina está lhe dizendo que você ignora o que você é. Você pensa que sabe. Mas não sabe. Você está equivocado. Só que o fato de você ler em um livro que você ignora o que você é, e que você está equivocado, não desperta sua consciência. Despertar da consciência não é fruto de leitura, nem de estudo: é fruto da prática da autociência. Você pode tatuar a frase “eu sou um ser humano e não um humano ser” no seu corpo e passar o dia inteiro lendo essa frase que não vai adiantar nada. Então, você é um HUMANO SER tentando entender o que é SER HUMANO. Esse é o problema. Você continua na lógica do HUMANO SER, que é a lógica materialista, lógica espaço-tempo. É IMPOSSÍVEL entender o que é ser humano na lógica do HUMANO SER, na lógica do espaço-tempo.

O maior não cabe dentro do menor. O android não está dentro do whatsapp, é o whatsapp que está dentro do android. Analogamente, o ser não está dentro do humano, é o humano que está dentro do ser. Então, é preciso sair da ilha para ver a ilha. Só que o iniciante não entende isso AINDA. O iniciante quer ver a ilha cavucando a ilha e enfiando a cabeça dentro do buraco. Os cientistas tentam sair da ilha cavucando a matéria. Os espiritualistas tentam sair da ilha passeando de unicórnio e imaginando que a realidade é o produto do pum verde da minhoca extraterrestre.

Nenhum desses dois caminhos resolve. O que resolve é a autociência. Ou seja, se sou EU que estou vendo a ilha, então, ao invés de investigar a ilha, vou investigar O QUE SOU EU. Essa investigação é a prática da autociência. E é essa investigação que deixa EVIDENTE que você é um SER HUMANO e não um HUMANO SER.

Nesse ciclo de estudos, vocês leem vários livros. Mas é como se vocês estivessem lendo um livro só com vários capítulos. Se eu fizesse esse ciclo de estudos sem responder pergunta nenhuma, do começo até o fim, e só abrisse para perguntas depois da leitura do último livro, muito provavelmente vocês não teriam pergunta nenhuma no final. É isso que aconteceu em todos os ciclos anteriores. Quanto mais se aproximava do fim, menos pergunta tinha. Mas se eu fizesse assim, teria prós, mas teria contras também. Por exemplo, perderíamos essa nossa interação diária que é tão rica. Então, mesmo que me dê muito mais trabalho conduzi-los assim como faço, prefiro assim.

Você que me diga, seu interesse é seu.

Não se sinta burro de não entender as explicações da 1ficina sobre espaço-tempo (materialismo) e sobre existência. Ninguém entende enquanto não desperta. Nem os cientistas mais fudidos entendem. Não porque é difícil de entender. É simples e óbvio. Mas é impossível entender o espaço-tempo olhando para fora. Até Einstein cometeu esse equívoco. Até a física quântica, que tenta sair desse equívoco, reforça o equívoco. Então, relaxa com isso.

Muitas escolas de autoconhecimento pulam o estudo da natureza existencial do ser humano e vão direto para a natureza psicológica. “Já que ninguém entende essa porra, então, vamos pular!” essas escolas devem pensar. hehehe… Mas como tenho dito, não se constrói uma casa começando pelo telhado. A opção de estudar a natureza existencial do ser humano, como toda opção, tem prós e contras. O principal contra é explicar. Não é nada fácil explicar o que está mais perto do que perto. Mas como o lema da 1ficina é #problema_vem_nimim, a opção da 1ficina é explicar o inexplicável, pois apesar deste contra, o pró vale a pena: aniquilação total do vitimismo.

Teve uma época que também pensei em pular o estudo existencial. Sendo que os 1ficineiros não são cientistas, pensei assim: “Se nem os cientistas, que estudam o espaço tempo, entendem o que estão estudando, quem dirá pessoas que nunca nem pensaram no assunto!”. Mas daí pensei assim: “Se quem entende não explicar, quem irá explicar?”. O segundo pensamento me convenceu, e embora soubesse que estava comprando dor de cabeça, prossigo explicando.

Ser não morre porque não nasce. O que não nasce, não morre. Voser (você-ser) não nasce, logo, não morre. Voser (você-ser) existe. Existência existe.

Ser não tem começo?

Começo é tempo. Voser (você-ser) cria o tempo e o espaço. O que cria o tempo e o espaço não está no tempo e no espaço, cria o tempo e o espaço.

Porque é fato. E vocês só ficam irritados com isso, porque é fato. E pior! É um fato vergonhoso. Ou será que vocês se orgulham de ter um cérebro e não usar? E depois, não cobro que vocês pensem, só explico porque não entendem. Não tem como entender sem pensar. Vocês podem ficar irritados o quanto quiser, opção de vocês, problema de vocês. Eu não estou aqui para ficar passando a mão na cabeça de aluno, ainda mais de aluno que quer entender sem pensar.

A finalidade da prática da autociência não é APRENDER o que é ser humano, é DESPERTAR para o ser humano que você é. O benefício de despertar para o que é ser humano é o mesmo benefício de descobrir como funciona o whatsapp, como funciona um liquidificador ou como funciona uma escova de dentes.

Você é um ser humano. Todo ser humano é livre para definir o que quiser do jeito que quiser. Então, você não precisa pedir minha autorização para fazer suas definições, apenas as faça. No livro Apocalip-se, estou definindo viver e vida, assim:

Viver = Eurekatividade (atividade de autoconhecimento).
Vida = equivoco de acreditar que viver é outra coisa senão uma eurekatividade.

Humano Ser é o que você acredita ser. Ser Humano é o que você é.

Ótima pergunta! Quase 7 anos de 1ficina e nunca ninguém me fez essa simples pergunta. A evidência é o arbítrio. Realidade não é arbitraria, é arbitrada. Sua experiência atual (humana) é como toda e qualquer realidade que você experimenta: produto do seu arbítrio.

Entendido isso, sua pergunta contém um equívoco. Vou explica-lo.

Você não OPTOU ser humano.
OPTOU – verbo no passado.

Você ESTÁ OPTANDO ser humano.
OPTANDO – verbo no gerúndio, ou presente contínuo, como se diz em inglês.

Esse é o equívoco da gênese materialista, que é tão incentivado pela bíblia cristã e também pela teoria do big-bang. No texto bíblico esse equívoco começa assim: “No princípio era o verbo…. e todas as coisas foram feitas…” Observe: “No princípio”, então criação já foi, já aconteceu, no passado. “Era o verbo”, então criação já era, já foi, no passado. “Foram feitas”, então já foi feito, no passado. Exatamente o mesmo equívoco ocorre com a teoria do Big-Bang. Teve uma explosão, tudo FOI criado no passado e pronto. Percebe? Essa gênese é morta. Essa gênese mora no passado. Gênese é criação. Criação é viva. Gênese é o verbo no presente contínuo (gerúndio). Gênese é agora, agora, agora, agora… Gênese é TIC TAC. Então…

Você não OPTOU por ser humano (verbo no passado). Isso é um equívoco. Você ESTÁ OPTANDO ser humano (verbo no gerúndio).

A prova disso é que você está sendo humano.

Essa confusão faz surgir em você sua primeira doença psicológica. Uma doença com a qual você irá lutar até a morte.

PERGUNTA: Que doença é essa?

A vida.

PERGUNTA: A vida é uma doença?

Sim, claro! A vida é a doença do envelhecimento. E não tem cura.

Quando digo que não existe vida, não estou usando meu entendimento, pois para mim, não existe vida. Então, como vou dizer o que não é. Entende? Por exemplo, se digo que não existe bicho papão e você me pergunta o que é bicho papão, não tenho como te dizer o que é bicho papão, pois bicho papão não é, não existe. Só que se você ACREDITA que bicho papão existe e lhe digo que bicho papão não existe, o que estou dizendo é que sua crença é exatamente isso: uma crença. Ou seja, bicho papão não é um fato (existência) é uma ideia na sua cabeça. O mesmo com vida. De fato, o que existe é viver. Não existe vida. Só que você ACREDITA que existe vida, assim como uma criança acredita que existe bicho papão. Então, ao dizer que não existe vida, estou dizendo que isso que você acredita que existe de fato, não é um fato, é uma crença.

Só tem duas maneiras de viver. Você pode: A) viver BEM ou B) viver MAL. Para viver BEM é preciso despertar para o que é ser humano. Para viver MAL, ignorância serve.

Não existe criança. Você não é um HUMANO SER, você é um SER HUMANO. O que existe é um ser brincando de ser humano, numa fase da brincadeira que chamamos de infância. O que acontece com essa criança a que você está se referindo é exatamente o mesmo que acontece com você. Você opta por brincar de ser humano, mas você não tem ideia do que irá experimentar nessa brincadeira, assim como quando você compra um disco que você nunca ouviu antes. Você compra para ouvir, para descobrir que musica tem ali. Então, sua opção é só essa: sim vou entrar nessa brincadeira de ser humano só pra descobrir do que se trata. Daí você entra. Mal chega o médico já te lasca um tapa na bunda. No dia seguinte você sente uma puta dor de barriga. Creeeeedo! O que tá acontecendo? É vontade de cagar, mas você nunca cagou antes, não sabe o que é ser humano. E assim você vai descobrindo o que é ser humano. Pode ser que você ganhe na loteria e pode ser também que você seja estuprada, faz parte das possibilidades da brincadeira. Seja qual for sua experiência na brincadeira, é sempre EFEITO da sua opção de estar brincando. Ninguém te obrigou a brincar de ser humano, nem tem esse poder. Você está brincando por opção sua. O mesmo com todos os seres humanos, o que inclui o ser humano que você está chamando de criança.

Despertar existencial não é um processo, é instantâneo. É como acordar de um sonho. Num instante você está sonhando, no outro não está mais, você despertou. No caso do despertar existencial, num instante você acredita que é um humano-ser no outro você percebe que é um ser humano, num instante você acredita que a realidade é feita de matéria e no outro você percebe que é feita de experiência de materialidade, num instante você acredita que a realidade é externa e no outro você percebe que é imanente. Essa transição consciencial é papum, é um click. A dificuldade em fazer o despertar existencial acontecer vem da falta de prática em autociência. Isso é a dificuldade antes. Uma vez que você desperta, surge uma dificuldade em lidar com o “sentido da vida”. Perceber que tudo é apenas uma experiência, abala seu sistema de crenças materialistas sobre a vida. Mas como você não tem outra opção senão existir, e agora você está consciente disso, só lhe resta duas opções: existir bem ou existir mal. Para existir bem, você precisa entender o que é existir mal. E só tem um jeito de você descobrir, praticando autociência. Você segue praticando autociência e a vida volta a fazer sentido, um outro sentido, mas volta.

PERGUNTA: Mas tem um processo para dar esse click, certo?

Sim, a água a 100 graus entra em ebulição imediatamente, mas não chega a 100 graus imediatamente. Por isso estamos aqui, estudando e praticando autociência. Quanto mais você praticar autociência, mais está se aproximando do seu ponto de ebulição.

Nem eu, nem você, nem ninguém ou coisa alguma. Só que eu sei disso e você ignora.

Como faço para saber também?

Apocalip-se!

Schopenhauer está certo dentro da mentalidade materialista. Ele entende o ser humano como um espermatozoide em evolução, logo, não entende a função pedagógica do sofrimento. Ele vê o sofrimento apenas como uma espécie de maldição da vida.

Sim, você vai morrer. Tudo que nasce morre. Você nasceu então vai morrer. O que acontece quando você desperta a consciência existencial, é que você fica consciente de que você existe e que sua existência não nasce nem morre, existe.

Não existe substantivo no universo, só existe verbo. Substantivo é fotografia mental do verbo. Só existe substantivo dentro da sua cabeça. Até a palavra “universo” é um substantivo. Não existe universo, o que existe é coletividade de seres. E pior! A palavra “cabeça” também é um substantivo. Mas enfim, o mesmo acontece com a morte. Não existe morte, o que existe é morrer.

Estou brincando de descobrir o que é morrer também?

Sim, faz parte do pacote da brincadeira. São as dois lados de uma mesma brincadeira: viver. Tudo que nasce, morre. E para experimentar o que é morrer, você precisa nascer.

Ser é feito de existência.

Já que você está usando o termo doença, vou seguir nessa lógica. Sua doença não é ser humano, sua doença é a ignorância do que é ser humano, ou seja, ignorância de si. Você não consegue lidar bem com sua experiência humana porque você ignora o que é ser humano. Raiva, alegria, afeto, tristeza, mágoa, dúvida, desejo, repulsa, pensamento, tudo isso é natural, inevitável e saudável. Você briga com o natural porque acredita que é anti-natural. Brigar contra o natural é burrice, é o mesmo que ficar brigando contra o funcionamento do android do seu celular. Mas uma hora você percebe a burrice que está fazendo. Pode demorar o tempo que for, uma hora fica óbvio. Daí, nesse glorioso momento, você dá o primeiro passo para começar a viver bem. Ao invés de ficar brigando com sua natureza humana, você começa a observar, estudar e entender como lidar bem com ela.

Antes de responder sua pergunta, preciso esclarecer, pelo menos brevemente, o que é ser humano. E para fazer isso, preciso começar pelo equívoco do materialismo. Ser humano não é o que você pensa que é. Você se entende de forma materialista. Por isso está me perguntando sobre evoluir. Evolução é lógica materialista. Na lógica materialista, tudo nasce, cresce (evolui), involui e morre. Quando você aplica essa lógica para entender o ser humano que você é, você passa a acreditar que você é um espermatozoide em evolução. Essa é uma analogia que uso para explicar o equívoco do materialismo. Que equívoco é esse?

Segundo a lógica materialista, você não existia antes de nascer. Então, certo dia, seus pais, cheios de hormônios, decidiram transar no banco de trás do fusca. Seu pai não usou camisinha, sua mãe não tomou a pílula do dia seguinte, então, você, que não existia, começou a existir. E mais! Começou também sua jornada de espermatozoide em evolução. Dentro da barriga da sua mãe você já começou a evoluir desenvolvendo braços, pernas, órgãos, etc. Depois, você saiu de dentro da barriga da sua mãe e continuou evoluindo, aprendeu diversas habilidades, desenvolveu competências, ganhou dentes, pelo no sovaco, etc. Até chegar num limite que cessou sua evolução e começou sua involução. Você começou a definhar, atrofiar, apodrecer e vai chegar um momento que você irá morrer, ou seja, deixará de existir.

Essa é a lógica da sua existência segundo o materialismo. É uma lógica correta no que diz respeito a sua experiência humana. Porém, está incompleta, porque você não é SÓ humano, você é um SER humano. Você existe antes de nascer. Você é a existência sem a qual seria impossível sua experiência, pois a existência antecede a experiência. Só que isso é inconcebível para a lógica materialista, pois ela é baseada na experiência. Para lógica materialista, só existe o que é experimentável, aferível (palavra incomum para maioria das pessoas, mas que os cientistas materialistas adoram). Então, para a lógica materialista, ser humano é apenas um espermatozoide em evolução, ser humano é só humano.

Para você ir além da lógica materialista, você precisa praticar autoobservação existencial e ter um despertar existencial. O que você descobre quando você tem um despertar existencial é que você não é SÓ humano, que você é um SER humano. Sua existência fica óbvia. Você fica consciente que você existe aqui, agora e sempre, porém, que você existe antes do que está experimentando. Você fica consciente que espermatozoide em evolução é sua experiência e não sua existência. Você fica consciente que você, enquanto ser, não morre porque não nasce. Enfim, você fica consciente que você é existência.

Dito isso, fica bem simples responder sua pergunta:

Ser humano evolui? Para onde?

Tudo que nasce, evolui, involui e morre. Você, enquanto pessoa humana, nasceu e irá morrer. O destino de tudo que nasce é morrer. Sua experiência humana nasce e evolui até chegar ao fim. O que não nasce, não evolui, não involui e não morre. Você, enquanto ser, não nasce, não evoluiu e não morre. Você, enquanto ser, existe.

 

1) Primeir0 é preciso lembrar que palavras são apenas instrumentos de comunicação. Então, primeiramente, vida é só uma palavra, é apenas a soma das letras v+i+d+a. Só isso!

2) Uma vez consciente disso, e só consciente disso, fica possível entender que a palavra vida tem tantas DEFINIÇÕES quanto o numero de usuários da mesma. E que cada usuário é livre para dar a DEFINIÇÃO que bem entender para as palavras. Por exemplo, se você definir vida como um amontado de cocó de cachorro, é isso que será vida para você. Se o outro definir vida como movimento subatômico, é isso que será vida para o outro. E assim por diante.

3) Uma vez consciente disso, e só consciente disso, fica possível entender que tem certas definições que são ACORDOS COLETIVOS. Essas definições de acordo coletivo são as que estão no dicionário. É sobre essa definição coletiva de dicionário que a 1ficina se refere no livro Apocalip-se.

4) Não existe vida, o que existe é viver. Mas essa explicação da 1ficina, embora simples e óbvia, é bem profunda e requer profundo autoconhecimento para ficar óbvio. No livro Apocalip-se, a 1ficina ainda não chegou nesse aprofundamento. A explicação de que não existe vida fornecida no livro Apocalip-se visa esclarecer que tudo que você experimenta é eurekatividade (atividade de autoconhecimento). Você acredita que está experimentando ACONTECIMENTOS aleatórios e você chama esses acontecimentos de MINHA VIDA. Isso é um equívoco. Seu emprego não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Seu casamento não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Seu time de futebol não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Sua dor de barriga não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Sua dívida no cartão de crédito não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. O país que você mora, sua sociedade, não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Essa conversa aqui na Lousa, o bate papo no recreio, não é sua vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano. Tudo. Tuuuuuuuuuuuudo que você experimenta e chama de vida, não é vida, é uma eurekatividade para vc descobrir o que é ser humano.

5) Então, não existe vida, só existe atividade de autoconhecimento (eurekatividade). Essa é a explicação inicial que o livro Apocalip-se está te dando para você começar a despertar para o que é ser humano.

Seu questionamento é você buscando provar que é vítima. “Tá vendo! Eu sou uma vítima! Tem obrigação sim, não é escolha minha!”. Eu honro sua busca. Também não me dobrei até comprovar o contrário. O vitimismo não morre nem que deus chegue na sua orelha e te fale que você está equivocado. Só morre quando você desperta a consciência. Dito isso, vamos supor que você consiga provar que você é vítima. Para quem você estaria provando? Para deus? “Olha aqui deus, sou uma vítima sua, eis aqui a prova”. Ou então para os outros? “Olha aqui meu povo, somos vítimas da vida, do universo e da porra toda, eis aqui a prova”. Para mim? “Você está errado cara, eu sou uma vítima”. Enfim, para quem você quer provar que é vítima? E pra que?

PERGUNTA: Como ficou óbvio para você que no universo não existe obrigação, que é tudo opcional?

Praticando autociência e despertando a consciência existencial.

Sua pergunta não é uma pergunta de autociência. É uma pergunta pessoal e tudo que eu responder, você não tem como comprovar. Você poderá apenas acreditar ou não. E autociência não se pratica através da acreditação, mas da autoobservação. Tudo que explico na 1ficina é comprovável. Basta você praticar autoobservação e comprovar. A minha história de vida não é comprovável. Qualquer coisa que eu te contar da minha história de vida, para você, será apenas isso, uma história, assim como as histórias nos livros e nos filmes, assim como os contos de fada. Por isso, não compartilho minha história no trabalho da 1ficina, a não ser quando é para servir de exemplo para alguma explicação. Porém, também não é pecado, e como sua curiosidade pode ser a curiosidade de outros, e meu testemunho pode colaborar para esclarecer e desmistificar esse assunto, vou te responder.

Sim, já conversei com entidades, várias vezes, dentro de centros espíritas, centros de umbanda e fora também. Vou contar como começou essa história. Teve uma época que fui “contratado” para ajudar em um trabalho espiritualista. Até então, nunca havia conversado com uma entidade antes, mas o meu “patrão”, ou seja, o coordenador do trabalho, era uma entidade que se manifestava através de um médium. Foi a primeira entidade com quem conversei. Depois dele, conversei com muitas outras entidades por conta da natureza espiritualista do trabalho. Conversei com entidades sábias, que o povo chama de espíritos de luz, e conversei com entidades raivosas, coléricas e rebeldes, que o povo chama de obsessores. Na umbanda as entidades se manifestam em quatro posturas: pretos velhos, caboclos, erê e exú. Já conversei com as quatro em várias oportunidades.

Fazia parte do meu trabalho no grupo espiritualista ir até os grupos espalhados pelo Brasil e coordenar reuniões. As reuniões em São Paulo aconteciam na minha casa, no meu apartamento de um dormitório. O apartamento ficava empilhado de gente. Uma molecada doida. A maioria tinha no máximo 25 anos. Tinha umas pessoas nesse grupo que estavam começando a praticar a mediunidade. Então, no fim das reuniões, a gente fazia várias experiências. Ninguém entendia do assunto, ninguém sabia o que fazer, então, a gente apenas deixava acontecer para ver o que acontecia. E acontecia muita coisa. Nenhum evento sobrenatural como objetos levitando. Isso nunca aconteceu.

O que mais acontecia eram processos de cura e comunicações com entidades através dos médiuns. Incomum era o tipo de entidade. Por exemplo, conversei com monges tibetanos, taoístas, extraterrestres, entre outros. Lembro de uma entidade que a gente chamava de Vazio. Foi uma das mais pitorescas e interessantes que conversei. Era uma entidade que não sabia nada de si, que não tinha memória, era vazia. Conversar com ela era como conversar com um neném recém nascido, com a vantagem de que era um neném que já nasceu falando português. Toda vez que eu ia conversar com o Vazio, tinha que explicar tudo para ele, pois ele não sabia nada. E nessa de me explicar para o Vazio, eu me enchia de esclarecimento. hehehe… Belo truque pedagógico, não? Eu me esvaziava no vazio e tinha várias eurekas.

O final das nossas reuniões em São Paulo se tornaram um grande laboratório de doidos. Não tinha regra nenhuma, a gente apenas deixava as loucuras aflorarem. Toda manifestação era permitida, toda manifestação era bem vinda, um, dois, três e já! hehehe… Neguinho pirava e estava tudo bem. Um começava a chorar, outro começava a correr e pular, outro começava a berrar, outro começava a dançar. Era um hospício total. Mas problema nenhum. Tudo era bem vindo no laboratório. E o mais doido era assistir aquela loucura toda se harmonizando e se encaixando uma na outra. Eu ficava perplexo. Toda vez era assim. Começava um completo caos e, de repente, o próprio caos se resolvia.

Experimentei a mediunidade em mim mesmo. Fiquei intrigado com aquilo. Queria entender a tal da mediunidade na pele, digamos assim. Minha conclusão, após minhas experiências, é que você não tem como saber se quem está se manifestando é você mesmo ou não. Você não tem como saber se é coisa da sua cabeça ou não. Até porque, você não sabe quem você é para poder dizer quem você não é. hehehehe… Já pensou nisso? O que você percebe é que as coisas ficam um pouco diferente sim, ficam incomuns, como se sua personalidade tradicional fosse para o banco de reservas e desse vez para a manifestação de uma outra personalidade que não é a tradicional, como um alter ego.

Sei que, em termos psiquiátricos, isso é chamado de esquizofrenia. Pode ser mesmo. Várias vezes me senti falando como se fosse outra pessoa. Eu pensava e depois falava, como sempre. Podia escolher as palavras, podia não falar, tudo normal. Mas eu sentia vontade de falar umas coisas incomuns e de um jeito incomum. E minha postura corporal também se alterava. E minha concentração também. Eu me concentrava e permanecia concentrado num assunto.

Foi muito rico em aprendizagens esse laboratório no grupo de São Paulo, para mim e para todos que participaram. Foi muito intenso e durou por volta de um ano. Depois foi diminuindo e acabou. Eu também fui me desligando desse tipo de trabalho. Quando criei a 1ficina, em 2011, sabia que para poder ajudar as pessoas a produzirem autoconhecimento, e consequentemente, viver bem, eu deveria me focar totalmente na prática da autociência, pois as práticas e rituais espiritualistas, infelizmente, e devido a baixa lucidez dos participantes, produz mais malefício do que benefício. Malefícios como idolatria, fanatismo, servidão, dependência afetiva, dependência intelectual, etc.

Acertei na minha decisão de focar 100% na prática da autociência. Estou 100% satisfeito com ela. Todos os dias o trabalho da 1ficina ajuda muitas pessoas de forma simples e profunda, e também, ajuda as pessoas que convivem com essas pessoas. E o trabalho da 1ficina não produz idolatria, fanatismo, servidão, nem dependência. Embora, esse seja um vício da nossa coletividade, que por mais prevenção se tenha, sempre encontra uma brecha para entrar, mas é bem pouco na 1ficina.

Então, tá contado! Prossigamos…

Primeiramente: Despertar da consciência não é uma experiência, despertar da consciência é se tornar consciente sobre o que é experimentar. É muito importante esclarecer esse equívoco. 100% dos buscadores espirituais vivem presos nesse equívoco. Por isso que buscam, buscam e nunca encontram. Despertar da consciência não é uma experiência. Isso precisa ficar bem claro, senão, você nunca irá encontrar o que está buscando. Os próximos livros na sequência desse ciclo de estudos irão lhe ajudar a sair desse equívoco. Dito isso, vou corrigir sua pergunta: “Com o despertar da consciência, você passou a perceber algo além do puramente físico-material?”

Pior do que isso! Desmaterializei toda a matéria do universo. Explico. O despertar da consciência não faz você perceber além da matéria. Isso é impossível. Tudo que você percebe é matéria (objeto da percepção). Tem vários tipos de matéria, assim como tem vários tipos de cor, mas assim como toda cor é cor, todo objeto percebido é matéria. O despertar da consciência deixa óbvio que matéria (seja de que tipo for) é apenas uma perspectiva perceptiva. Depois que você desperta a consciência, a matéria continua “lá”, “do lado de fora”, dura e tridimensional, exatamente como antes. Nada muda. A única coisa que muda, é que antes de despertar, você ignorava que matéria é perspectiva perceptiva, depois que você desperta, isso fica óbvio.

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© 2020 · 1FICINA · Marcelo Ferrari