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Existem três tipos de amores na experiência humana: Amor Fácil, Amor Difícil e Amor Impossível. Para que você possa entender porque são três, e qual é qual, primeiro você deve entender que ser humano é ser quatro ao mesmo tempo. Isto mesmo! Você é um ser em uma experiência que é quaternária. Vou usar o símbolo da 1ficina para explicar isso. Primeiro vou explicar o símbolo original. O círculo representa o ser que você é, o ser que cada um é. O ponto no meio do círculo representa o consciente. Você é um ser consciente. Só que você não é apenas consciente, você é um ser “humano” consciente. A polpa dentro do círculo representa sua humanidade. Ser é nada. Você é nada brincando de tudo. Ou melhor, você é nada brincando de um tipo de tudo. Que tipo de tudo? Tudo humano. É por isto que tudo que você experimenta é humano, porque você é um ser humano. O que estou explicando aqui, é que você existe, que você = existência, e por isto, atualmente, está humano. E também estou dizendo que sua experiência humana está dentro de você e não você dentro da sua experiência humana. O sinal de diferente representa sua singularidade. Cada um é igual e diferente. Você é igualmente diferente. Você é igualmente ser humano, mas você é um ser humano diferente. Aliás, você é um ser humano quatro vezes diferente, pois a experiência humana é quaternária.

Uma das quatro dimensões humanas é a intelectualidade. Intelectualidade é a dimensão do definir. É onde você define o verdadeiro e o falso. A todo instante você está definindo o verdadeiro e o falso. Por exemplo, quando você afirma, “Felicidade é morar na praia”, você está definindo o que é, e o que não é felicidade, ou seja, verdadeiro e falso. Cada um é livre para definir por si, então, verdadeiro e falso é relativo à definição de cada um. Você pode estar se perguntando: o que definir tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o falso? Claro que não! Ninguém quer o falso. E por que não? Porque todo ser humano ama o verdadeiro. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão intelectual, você ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro e odiar o falso, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o verdadeiro e odiar o falso. Você não precisa aprender a amar o verdadeiro e odiar o falso. Quando você entende que algo é verdadeiro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é falso, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é verdadeiro e o que é falso, é relativo, mas todo ser humano ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro é amor fácil, facílimo, inevitável.

Outra dimensão da experiência humana é a afetividade. Afetividade é a dimensão do avaliar. É onde você lida com atribuição de valor, com o caro e o nulo. A todo instante você está atribuindo valor. Por exemplo, quando você diz, “Eu te amo”, para uma pessoa, você esta atribuindo valor a pessoa, está dando importância, está apreciando. Cada um é livre para avaliar por si, então, caro e nulo é relativo a avaliação de cada um. O que avaliar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o nulo? Claro que não! Ninguém quer o nulo. E por que não? Porque todo ser humano ama o caro. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão afetiva, você ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro e odiar o nulo, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o caro e odiar o nulo. Você não precisa aprender a amar o caro e odiar o nulo. Quando você entende que algo é caro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é nulo, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é caro, e o que é nulo, é relativo, mas todo ser humano ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro é amor fácil, facílimo, inevitável.

Outra dimensão da experiência humana é a sensorialidade. Sensorialidade é a dimensão do gostar. É onde você lida com o gosto, com o bom e o ruim. A todo instante você está lidando com o gostar. Por exemplo, quando você diz, “Adoro rock”, é porque ouvir rock é bom, é gostoso. Cada um é livre para gostar por si, então, bom e ruim é relativo ao gosto de cada um. Você pode estar se perguntando o que gostar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o ruim? Claro que não! Ninguém quer o ruim. E por que não? Porque todo ser humano ama o bom. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão sensorial, você ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom e odiar o ruim, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bom e odiar o ruim. Você não precisa aprender a amar o bom e odiar o ruim. Quando você entende que algo é bom, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é ruim, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bom, e o que é ruim, é relativo, mas todo ser humano ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom é amor fácil, facílimo, inevitável.

Outra dimensão da experiência humana é a fisicalidade. Fisicalidade é a dimensão do ponderar. É onde você lida com o benefício e o malefício, como o bem e o mal. A todo instante você está ponderando o bem e o mal. Por exemplo, quando você diz “O tomate está caro”, você está ponderando o custo benefício do tomate. Cada um é livre para ponderar por si, então, bem e mal é relativo à avaliação de cada um. Você pode estar se perguntando o que ponderar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o mal? Claro que não! Ninguém quer o mal. E por que não? Porque todo ser humano ama o bem. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão física, você ama o bem e odeia o mal. Amar o bem e odiar o mal, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bem e odiar o mal. Você não precisa aprender a amar o bem e odiar o mal. Quando você entende que algo é bem, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é mal, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bem e o que é mal, é relativo, mas todo ser humano ama o bem e odeia o mal. Amar o bem é amor fácil, facílimo, inevitável.

Eis os quatro amores fáceis:

Dimensão Intelectual – Amor ao vero.
Dimensão Afetiva – Amor ao caro.
Dimensão Sensorial – Amor ao bom.
Dimensão Física – Amor ao bem.

Amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável.

Sendo que amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável, o que é amor difícil? A resposta aparentemente óbvia, é que amor difícil é amar o falso, o nulo, o ruim e o mal. Eis o engano. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Você ama o verdadeiro porque odeia o falso. Se fosse possível você amar o falso, seria impossível você amar o verdadeiro. Você ama o caro porque odeia o nulo. Se fosse possível você amar o nulo, seria impossível você amar o caro. Você ama o bom porque odeia o ruim. Se fosse possível você amar o ruim, seria impossível você amar o bom. Você ama o bem porque odeia o mal. Se fosse possível você amar o mal, seria impossível você amar o bem. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Se fosse possível, você já teria obtido êxito neste objetivo. Porém, nunca obtêm, por mais que tente, pois trata-se de um objetivo impossível. É impossível amar o que se odeia, e todo ser humano odeia o falso, o nulo, o ruim e o mal. Quando isso fica absolutamente evidente, você desiste naturalmente do amor impossível, e está pronto para praticar o amor difícil.

Amor difícil surge naturalmente quando você percebe que o amor impossível é impossível, tanto para você, como para o outro. Amor difícil é respeitar o amor fácil dos outros. Amor difícil é respeitar a universalidade de veros, caros, bons e bens. Cada um é ímpar, singular, único, diferente. Sendo assim, o que é bem para você pode ser mal para o outro, o que é bom para você pode ser ruim para o outro, o que é caro para você pode ser nulo para o outro, o que é vero para você pode ser falso para o outro, e vice versa. Você é diferente do outro e o outro é diferente de você. E não tem nenhum problema nisso. O problema só surge quando você ignora isso. Quando acredita e supõe que o que é vero, caro, bom e bem para você, é para o outro também. É assim que surgem as guerras. E por que o amor difícil é difícil? Porque você não tem prática em perceber a impossibilidade do amor impossível.

Amor difícil não é abnegação. Assim como você opta pelo amor fácil por egoísmo, ou seja, porque é a melhor opção, você também opta pelo amor difícil por egoísmo, ou seja, também porque é a melhor opção. Amor difícil é amor consciente. A melhor coisa que você pode fazer por você é dar liberdade ao outro para amar fácil. Quando você dá liberdade ao outro de amar fácil, quem se liberta é você, que não precisa mais persistir no amor impossível. Abnegação é missão impossível, então, abnegação é amor ignorante.

Você tem um dicionário dentro da cabeça. É por causa desse dicionário que você olha para um amontoado de letras e surge um entendimento dentro de você. Por exemplo, limão é só a somatória das letras, l-i-m-ã-o, mas essa somatória de letras faz surgir uma imagem verde e esférica dentro da sua cabeça. Essa imagem não está vindo da somatória de letras, surge por causa do seu dicionário mental. O mesmo acontece quando você lê: e-g-o-í-s-m-o. Seu dicionário mental associa a palavra egoísmo com capeta, demônio, pecado, ruim, proibido, errado, etc. Por isso dói pensar que amor é egoísmo. Você nunca pensou assim. Mas é isso! Egoísmo é desejo, desejo é amor, então, amor é egoísmo. Sugiro que você apague a palavra amor do seu dicionário mental substituindo por desejo. Mil por cento dos seus problemas com o amor irão desaparecer.

John Lennon errou. All you need is not love. Você deve despertar a consciência. Amor não é solução, amor é o problema. Quer ver? Por que o homem bomba faz kabum? Porque ama deus. Por que os alemães dizimaram os judeus? Porque amavam sua pátria. Por que os adoradores da ideologia A difamam a ideologia B e vice versa? Porque amam suas ideologias. Por que seu pai lhe obriga a usar um sapato 36 sendo que você calça 37? Porque seu pai te ama. Por que você aceita? Porque você ama seu pai. E assim por diante. Percebe? É tudo por amor! Sempre! Inevitavelmente! Essa é a primeira obviedade para qual você deve despertar. A segunda é que você não sabe amar. Você ama em absoluta ignorância do que é, para que serve e como funciona. Mas o sonho não precisa acabar, apenas deve se tornar um sonho lúcido. Ou então, você vai continuar criando o problema e cantando “love, love, love…”.

Você não ama o outro. Narciso win! Sempre! Você ama a si mesmo. A crença de que você ama o outro é um equívoco. Para sair desse equívoco, a primeira coisa que você deve perceber é que você ama uma característica ou somatória de características que você vê no outro, não o outro. Por exemplo, o humor, a aparência, a afetuosidade, etc. A segunda coisa que você deve perceber é que você não ama uma característica pela característica, mas pelo bem que essa característica causa em você. Você ama o humor, a aparência e a afetuosidade do outro porque te faz bem. Então, você não ama o outro, nem as características do outro, você ama seu próprio bem. Amor não é amor, não é santidade, nem conto de fadas. Amor é egoísmo. O outro, o amado, é espelho do seu egoísmo. Por isso quando o outro espelha algo que você considera bem, você ama o outro, pois você deseja o bem. Se o exato mesmo outro espelhar algo que você considera mal, você odeia o outro, pois você não deseja o mal. Ninguém ama ninguém. E não tem problema nenhum nisso. O problema é ignorar isso.

Quando sua mãe diz “eu te amo” ela está se referindo ao afeto dela por você, não está lhe dando o sermão da montanha. Só que ela não te explica isso. Então, quando você recebe o ensinamento “amar ao próximo”, você gruda esse significado afetivo e maternal a palavra amor. Amor = afeto da minha mãe por mim. Isso faz você pensar que deve amar o outro assim como sua mãe amava você. Ou seja, você deve dar mamadeira para o outro, trocar as fraldas, carregar no colo, educá-lo, etc. E mais! Você deve sempre ter afeto pelo outro, faça ele o que fizer. Mesmo que o outro enfie o dedo no seu olho, você deve amá-lo, assim como sua mãe ama você. Você pode respeitar o que não ama, mas amar o que não ama é impossível. Amar ao próximo não é afeto, é dar liberdade ao outro de ser outro, diferente de você. Só isso! Simples assim! O ensinamento amar ao próximo visa salvar você da missão impossível e não fazer de você um salvador.

Quando o outro faz algo que você odeia, você odeia o outro. Seja esse outro sua esposa, sua amante, seu marido, sua mãe, Romeu, Julieta, Cinderela, Jesus Cristo, Buda, Papa, Espírito Santo ou até mesmo Deus encarnado. Seja quem for, quando o outro faz algo que você odeia, você odeia o outro. Odeia imediatamente, profundamente e inevitavelmente. Quando o outro te dá o que você quer, a teta, a chupeta, o orgasmo, o afeto, a razão, o bembem, o bombom, etc, você ama o outro com devoção eterna. Claro! Eterna até a próxima dor que o outro lhe causar. Eis como funciona a fidelidade: todo ser é fiel ao amor, só e sempre, nunca ao amado.

Eu amo açaí desde que nos encontramos pela primeira vez, numa lanchonete fitness, atrás de uma academia de musculação. Me lembro até hoje daquele mingau roxo numa tigela de porcelana. Foi amor a primeira colherada. Mas por que estou lhe contando isso? Para que você possa entender que todo amor é platônico. Como assim, platônico? Explico a seguir.

Meu amor pelo açaí é platônico porque começa e termina em mim. Não é um amor recíproco. É um amor solitário. Amor ímpar. Amor sem correspondência. Eu amo o açaí, mas o açaí não me ama. Como sei disso? Simples! O açaí nunca veio me visitar, nunca escreveu uma carta, nunca me telefonou, nunca curtiu um post meu no facebook, nunca sequer trocou uma palavra comigo. E quando nos encontramos está sempre com aquele comportamento frio.

O açaí não me ama e você há de concordar comigo. Porém, continuo amando esse ingrato. Já pensei em abandoná-lo. Já pensei em traí-lo com polpa de graviola, sorvete da Häagen-Dazs, etc. Pensei até em raspar gelo e comer com xarope de guaraná. Besteira! Eu amo açaí. Amo, amo, amo. E tudo bem que o açaí não me ame. Meu amor pelo açaí me basta. Não precisa ser recíproco.

Achou engraçado meu amor platônico pelo açaí? Pois saiba que todo amor é platônico. Todo amor começa e termina no próprio amante. O amor recebeu o nome de platônico, porque Platão foi o primeiro homem da história a observar o real funcionamento do amor. Amor é desejo. Desejo é atração. Você ama coisas, situações e pessoas por conta própria, independente dessas coisas, situações e pessoas se sentirem igualmente atraídas por você.

Se você ama chocolate, por exemplo, observe que o chocolate não te ama, e nem por isso você deixa de amar o chocolate. Amor platônico. Se você ama futebol, observe que o futebol não te ama, e nem por isso você deixa de amar o futebol. Amor platônico. Se você ama música, observe que a música não te ama, e nem por isso você deixa de amar música. Amor platônico. Se você ama fulano, observe que fulano não te ama, e nem por isso você… Ops!

Pois é! Seu amor pelas pessoas também é platônico. E vice versa. Porém, você só se permite amar quem também te ama. O que é absolutamente inútil, pois se você ama alguém, se proibir de ama-lo não faz com que seu amor desapareça, apenas o aprisiona dentro de uma jaula. Obrigar o amado a lhe amar, também não funciona, apenas cria mais repulsa dele por você.

Todo relacionamento entre seres humanos é um inferno porque ninguém percebe que o amor é platônico. Limitados pela própria ignorância, ninguém tem outra opção senão infernizar um ao outro. Você, a partir de agora, já sabe, então, continuar vivendo mal é escolha sua.

Segundo Lacan, o Judas de Freud, não queremos o outro, queremos que o outro queira o que queremos. Uhuuuu! Lacrou, Lacan! Foi na veia do outroísmo! “Querer que o outro queira o que queremos” é uma ótima definição de outroísmo. Também é caminho direto para o mal viver. Na declaração de incompetência, a 1ficina explica porque, diz assim: “Eu me declaro incompetente em querer por você. Eu lhe declaro incompetente em querer por mim. Sua competência é querer por você. Minha competência é querer por mim”. Querer que o outro queira igual você é possível, mas é irrealizável. Eis a pegadinha e o engodo! Cada um deseja por si e diferente. Só que você ignora isso. O outro também. E ambos vivem tentando realizar o irrealizável. Resultado: má convivência. Rita Lee canta assim: “Eu só queeeeero que você me queeeeeira”. A música se chama “Ando meio desligado”, mas para uma pessoa querer uma impossibilidade dessas, meio desligado é pouco, né, vamos combinar. E por favor, não leve a mal!

Amor é desejo. Desejo é busca. Busca é sempre pelo que falta, nunca pelo que se possui. Por isso você não ama o que tem. O que você tem, você já tem, não falta, então, você não deseja, não ama. O pulmão cheio não deseja o ar. O pulmão cheio deseja o que não tem. O pulmão cheio deseja ficar vazio. Então, o pulmão cheio expulsa o ar e fica vazio. O pulmão realizou seu desejo: se tornou vazio. Só que agora o pulmão está vazio e não deseja mais o vazio. Agora o pulmão deseja ficar cheio. Então, o pulmão inspira e fica cheio. O pulmão realizou seu desejo: se tornou cheio. Assim ciclicamente e inevitavelmente. O ciclo do desejo é o ciclo do amor. O ciclo do amor é o pulso da criação. Input e output. Inspiração e expiração. Sim e não. Cheio e vazio. Tic e Tac. Viver bem é lidar bem com o ciclo do amor. Tentar pará-lo ou negá-lo, é viver mal.

É impossível amar e odiar uma pessoa ao mesmo tempo. Amar e odiar são dois lados de uma mesma moeda: o afeto. Se a moeda está virada de um lado, não está do outro. Um estado afetivo anula o outro. Afeto é cara ou coroa, preto ou branco, ou você ama ou odeia, não tem tons de cinza. Só que uma pessoa tem vários aspectos e cada aspecto de uma pessoa é como se fosse uma outra pessoa na mesma pessoa. Por isso você pode amar e odiar uma pessoa ao mesmo tempo. Você ama um aspecto da pessoa e odeia outro aspecto. Os cinquenta tons de amor e ódio que você experimenta ocorrem devido à pluralidade de perspectivas. Quando você observa um aspecto, você ama a pessoa, quando você observa outro aspecto, você odeia a mesma pessoa que ama.

Esse entendimento é básico e fundamental para boa convivência. Você não ama ou odeia as pessoas com quem você convive, o que você ama ou odeia é o aspecto que você está vendo nessas pessoas. Sendo que é você que está vendo, então, é um aspecto que tem correspondência em você. Se você ama esse aspecto, esse amor é indicativo de que esse aspecto é desejado e você deve cultivá-lo em si. Se você odeia esse aspecto, esse ódio é indicativo de que esse aspecto é indesejado e você deve abandoná-lo em si. Amor e ódio são ferramentas de autoconhecimento.

Sabe o que a mamãe águia faz para ensinar seus filhotes a voarem? Empurra os filhotes para fora do ninho, penhasco abaixo. Ou aprende a voar ou morre. E a mamãe águia sente culpa? Nenhuma! Viver bem requer maestria. É preciso saber voar. Ou voa ou se esborracha no chão. Super proteção só serve para criar filhos super mimados, super dependentes e super incompetentes. E o amor incondicional? O amor verdadeiro? O amor de mãe? Como fica? Fica assim! Amor que corta as asas, amor que corta a capacidade de pensar e resolver os próprios problemas, amor que deixa os filhos aleijados, amor que deixa os filhos dependentes, amor que mata os filhos enforcados do cordão umbilical. E você, super mãe, ainda reclama que sua vida é um super fardo, que vive super sobrecarregada, que está super estafada. Claro! Óbivu! Você está super colhendo o que super plantou. Plantou filho dependente e espera colher filho autônomo? Impossível. Mãe boa é mãe desnecessária.

Se você faz por doação, por amor, por altruísmo, pelo benefício do outro, então, por que a cobrança? Simples! Porque é mentira! Você não é santo, é manipulador. Sua doação não é doação, é armadilha. Claro que você não está consciente disso, nem do malefício, mas pode ficar se quiser. Basta observar sua cobrança e notar como gera estresse e má convivência. Primeiro você se doa, depois você se dói. Para que viver se doendo tanto? Se lamentando? O que tem de bom em viver assim? Que boa convivência isso gera? E cadê a doação? Para onde foi? Não foi para lugar nenhum. Era só maquiagem. Doação verdadeira não dói, porque não é doação, é apenas ação. Uma árvore não faz fotossíntese para doar oxigênio, apenas faz fotossíntese. O oxigênio que uma árvore doa, não é doação, é efeito colateral da árvore sendo árvore. Na doação verdadeira não tem doação, você faz um bem porque fazer te faz bem, porque é sua natureza, porque é sua fotossíntese. O benefício que o outro recebe de você é efeito colateral do seu egoísmo, não é moeda de troca, por isso não há cobrança. Nada é obrigatório. Assim como você não tem obrigação de fazer nada para o outro, o outro também não tem obrigação de fazer nada para você. Ninguém deve nada a ninguém. Perceba isso! Essa percepção não vai lhe impedir de receber, vai fazer com que receba gratuitamente, sem precisar cobrar.

Faça o seguinte experimento.

Passo (1) Compre um celular e dê para uma pessoa que não saiba como funciona.

Passo (2) Peça para essa pessoa, ignorante do funcionamento do celular, entrar no whatsapp e enviar um emoji de coração para um grupo de whatsapp que você participa.

Passo (3) Se a pessoa lhe disser que não sabe como fazer isso e que não entende como o celular funciona, diga para ela que não precisa saber nada, que basta ela usar o poder mágico do amor, que com amor tudo se resolve. Diga para ela amar profundamente o celular. Diga para ela amar o celular do fundo do seu coração. Diga para ela amar o celular com amor incondicional, assim como jesus amou a humanidade. Diga para ela amar o celular ao ponto de se fundirem em um só, ao ponto dela e do celular serem o próprio amor.

Passo (4) Não faça nada enquanto a pessoa não enviar o emoji de coração.

Passo (5) Morra esperando!

Você é um ser humano. Sua natureza humana é como um celular. É através da sua humanidade que você vive e convive. Então, assim como você precisa saber como o celular funciona para usar bem um celular, você também precisa saber como sua natureza humana funciona para viver bem. Quando você não sabe usar algo e deseja usar bem, você precisa descobrir como esse algo funciona. Para descobrir como algo funciona, só tem um jeito: observação e analise. Isso é praticar ciência. Quando esse algo é você mesmo, para se descobrir, você deve praticar autoobservação e autoanalise. Isso é praticar autociência. Amor não serve para praticar autociência. Tentar usar o amor para praticar autociência é como tentar usar o olfato para assistir televisão. São faculdades distintas, tem serventias distintas. Olfato serve para cheirar e não para enxergar. Amor serve para amar e não para saber. Tudo funciona como funciona, quer você ame ou odeie o funcionamento. E quando você não sabe como algo funciona, não tem choro nem vela, ou você descobre como funciona ou não funciona para você. Não é maldade, não é desamor. É assim que funciona. É impossível você fazer algo funcionar quando não sabe como funciona. Sua natureza humana tem um jeito de funcionar, então, se você deseja viver bem, o caminho para isso não é o amor, é o saber. Afinal, até para amar bem é preciso saber amar.

Quando você tem que amar, não é amor, é obrigação. Por isso não funciona se obrigar a amar o inimigo, nem o amigo, nem ninguém. Obrigação é a gasolina do ódio. Obrigação resulta em medo. Medo resulta em mentira. Mentira tem perna curta.  Como amar, então? Pensando! Ao invés de se obrigar a amar, use essa mesma energia para pensar. Pense assim: Qual é o benefício de aprisionar o outro? Seu amor nascerá da resposta a essa pergunta. Pense, logo, love. Amar não é questão de santidade, nem bondade, nem nobreza, nem ética, nem mesmo de amor. Amar é questão de inteligência. Não existe forma mais inteligente de viver do que viver e deixar viver. Pense nisso e ame!

PERGUNTAS

Sim. Só que deus não é outro (deusoutro). Deus é você (deuseu).

Não sei. Isso também acontece comigo. Eu amo banana. Sou apaixonado por banana. Só que a banana não me ama. O que eu faço?

Porque você dá à palavra “amor” o significado de afeto (sentimento). Amar ao próximo não é dar mamadeira para o outro, fazer cafuné, lavar a louça, lavar a cueca, fazer almoço e janta, ficar preocupado, limpar a bunda do outro, enfim, cuidar do outro assim como sua amorosa mãe cuidou de você. Amar ao próximo é dar liberdade ao outro de ser outro, diferente de você. Só isso!

Se o que você deseja é boa convivência, sim, se for outra coisa, não, vai te atrapalhar, pois o que você deseja pode não desejar você. Por exemplo, você deseja ter Maria, mas Maria não deseja você, Maria deseja ter Roberto. Se você for praticante do amor difícil, você dará a Maria a liberdade de desejar ter Roberto e isso irá atrapalhar seu desejo em ter Maria.

A palavra tolerância pode ser entendida como aceitação e daí pular para submissão. Amor difícil não é se submeter a vontade do outro, é dar ao outro a liberdade de ser outro, diferente de você. E o outro nem precisa da sua permissão para isso. O outro é outro, diferente, inevitavelmente. Então, quando você dá ao outro a liberdade de ser diferente você não está libertando o outro, está libertando a si mesmo da crença da uniformidade.

Claro que o comportamento do outro interfere na sua experiência e isso pode ser doloroso, frustrante, insatisfatório, desagradável, etc. Claro que você gostaria de controlar o outro e mudar o comportamento dele para prazeroso, satisfatório, agradável, etc. Mas fazer isso é se escravizar ao ofício de viver vigiando e controlando o comportamento do outro. É por isso que amor difícil é a melhor opção de convivência, tanto para você como para o outro. Quando você dá liberdade para o outro cuidar da própria vida, você se liberta da prisão de ter que ficar cuidando da vida do outro.

Isso não significa que você e o outro não podem conversar e entrar num acordo. Sim, vocês podem e devem. O outro quer conviver bem tanto quanto você. Quando vocês conversam, vocês podem encontrar um jeito de cooperarem um com o outro e ambos terem seus desejos satisfeitos.

Não, produz boa convivência. Por exemplo, você quer fazer sexo com sua esposa, mas ela não quer fazer sexo com você. Se você é praticante do amor difícil você irá respeitar o desejo da sua esposa e não irá forçá-la a fazer sexo com você. Isso irá gerar boa convivência, mas você não ficará satisfeito com a escolha dela, você ficará insatisfeito.

Não! Amor é desejo. Felicidade e sofrimento são emoções. Seu sistema emocional (Mestre da Felicidade) não deseja. Quem deseja é você. Mas você não tem como ficar consciente do seu desejo sem a manifestação das emoções. Você fica consciente do que quer e não quer ao experimentar felicidade e sofrimento. Felicidade é seu sistema emocional falando que você quer algo. Sofrimento é seu sistema emocional falando que você não quer. Por exemplo, se você sofre com seu emprego, esse sofrimento está dizendo que seu emprego é indesejado. Entende? Você não experimenta seu desejo diretamente, você experimenta o sofrimento e a experiência do sofrimento denuncia seu desejo oculto. A mesma coisa com a felicidade. Se você é feliz com o seu emprego, essa felicidade está dizendo que seu emprego é desejado para você. E assim é com tudo. Seu sistema emocional é o Mestre da Felicidade porque lhe explica o que você quer, mas quem quer é você.

O amor impossível não. Você jamais irá amar o mal, o ruim, o nulo e o falso, isso é impossível. O que pode mudar é sua experiência com o objeto, e daí, mudar o tipo de amor que você tem em relação a esse objeto. Por exemplo, você ama Fulano pela honestidade dele. Até que descobri que Fulano não era tão honesto assim. Como você amo honestidade, deixei de amar Fulano. O mesmo acontece com qualquer objeto.

Exato! Por isso, primeiro você precisa aprender a respeitar a si mesmo, respeitar sua unicidade, respeitar o que é bem, bom, caro e vero para você. Daí você entenderá que todos os seres humanos estão buscando viver em acordo com o que é bem, bom, caro e vero para eles, exatamente igual você. Ao ficar consciente disso, a opção de amar difícil (respeito) se fará presente e você optará por ela, pois saberá que é a única forma de viver e conviver bem.

Por encadeamento lógico. Amor é desejo. Desejo é atração e repulsão. Atração e repulsão é magnetismo. Logo, amor é magnetismo.

Amor fácil é amar o bem, bom, caro e vero. Boa convivência é bom, então, sim.

Amor difícil é amor consciente porque surge da consciência de duas obviedades: 1) Um é diferente de um, ou seja, você é diferente do outro e vice versa. 2) A melhor forma de convivência é a universalidade. Mesmo uma pessoa de mentalidade materialista pode observar e constatar essas duas obviedades, por isso, sim, é possível amar difícil mesmo com mentalidade materialista.

Sim. Mas isso leva tempo. No instante em que está impossível, impossível está.

Estar cercado só de amor fácil é como se você pudesse ficar morando eternamente na barriga da sua mãe. Dentro do eterno útero você não experimentaria nenhuma dor, nenhum sofrimento, nenhuma frustração, nenhuma contrariedade, não teria nenhum boleto para pagar, nenhum amor impossível, só amor fácil. Pense em seu atual amadurecimento e compare com seu amadurecimento quando estava na barriga da sua mãe. Em qual situação há mais amadurecimento?

Não. É impossível deixar de ser carente. Carência é inevitável. Carência é desejo. Todo ser é desejante, então, todo ser é carente. O bem viver não vem do fim da carência. Esse é o equívoco. O bem viver vem de lidar bem com a carência.

Lei da atração é um equívoco. Desejo não atrai, empurra. O desejo do macaco não atrai a banana, empurra o macaco para ir de encontro a banana. O funcionamento do desejo é exatamente o oposto do que é divulgado pelos ensinamentos da lei da atração.

Em termos científicos, da física, sim. Em termos psicológicos, é desejo. E sendo que desejo é amor, então, amor é magnetismo. Por isso o que você ama é atraente e o que você odeia é repelente.

Abnegação é a crença de que é possível, louvável e saudável amar o que se odeia. Su abnegação é outroísmo submisso. Cobrar abnegação do outro é outroísmo impositivo.

Amor materno é amor fácil, mais especificamente, afetivo. Afeto é valor. Não tem nada mais valioso para uma mãe do que seus filhos. Na cabeça de uma mãe, um filho é uma extensão dela mesma, afinal, o filho é uma criação dela. Por isso o afeto de uma mãe por seu filho é tão forte e singular. Por isso o afeto de um pai por seu filho não é tão forte como o afeto de uma mãe.

Você ama quando está em acordo com sua unicidade e odeia quando está em desacordo.

Porque você tenta uniformizar seu amor fácil. Você ama estrogonofe, então, você quer que tudo tenha sabor de estrogonofe. Quer que seu marido tenha sabor de estrogonofe, que seus filhos tenham sabor de estrogonofe, que eu e todos os seres do universo tenham sabor de estrogonofe. Só que cada um tem seu próprio sabor. Mas você é teimosa e está determinada a fazer com que todos os seres do universo satisfaçam suas expectativas. E como ninguém consegue ser diferente do que é, começa a treta. Se você for o única teimosa do universo, a treta é pouco. Agora, imagina se cada um quiser que o outro tem o sabor do seu prato preferido? Imagina o tamanho da treta?

Por vários motivos. Vou citar três: 1) O ser humano é quaternário, então, tem quatro desejos. E sendo que amor é desejo. Então, você ama em quatro dimensões. 2) O tal do amor incondicional do qual tanto se fala, é amor difícil (respeito). Mas enquanto você não entende que amor é desejo, fica impossível entender o que é respeito e como se pratica o respeito. 3) A ignorância do que expliquei acima te mantém preso na abnegação e consequentemente, vivendo mal.

Por que você é um ser desejante, não tem como deixar de ser desejante e a natureza do desejo é polarizada, nunca é neutra (equânime).

Por dois motivos: 1) Porque na maior parte do tempo você opta subconscientemente. 2) Porque você programou seu subconsciente para optar de forma outroísta.

Você ama a experiência do bem, bom, caro e vero que o outro estimula em você e não o outro. No instante em que o outro para de estimular experiência de bem, bom, caro e vero em você e começa a estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso, imediatamente e inevitavelmente, você começa a odiar o outro. Por isso que ninguém ama ninguém.

Por que seus filhos são caros para você e o filho dos outros são nulos. Se o filho dos outros fossem caros para você e os seus filhos fossem nulos, seu comportamento seria o oposto.

Porque afeto é valor. Quando uma pessoa tem muito valor para você, essa pessoa é cara para você. Já ouviu alguém falando “meu caro, fulano”. Caro é sinônimo de querido, que é sinônimo de afeto. Uma coisa que não tem valor, uma coisa sem importância, é nula. Por isso, no amor afetivo você deseja o caro e não deseja o nulo.

O desejo de todo ser é ser (autorrealização).

Meio termo, em si, não tem problema. O problema é obrigação de chegar a um meio termo. Eu e você estamos numa convivência, discordamos, daí você vem rezando o sermão da montanha de que TEM QUE chegar num meio termo. E se eu não quiser meio termo? Percebe? TEM QUE ter meio termo é uma cagação de regra DISFARÇADA de democracia. Não é democracia de fato.

Gula é busca por prazer, é amor ao bom (amor fácil sensorial).

Se é caro, é amor fácil afetivo. Se é bom, é amor fácil sensorial. Se é falso, é amor impossível intelectual. Se é mal, é amor impossível físico.

Você decide se vai ou não seguir seu amor fácil.

Justamente o oposto. O dinheiro te atrai porque você não tem dinheiro. Igual chocolate. Você fica esperando a pascoa. Quando chega a páscoa, depois de comer o oitavo ovo de páscoa, você não quer nem mais ver chocolate na frente. O chocolate não te atraí mais. O dia que você ficar rico, vai enjoar do dinheiro. Mas enquanto for pobre, vai desejá-lo.

Você não pratica o perdão, você pratica engolir sapo. O que você chama de perdão, não é você dando liberdade ao outro de ser outro, diferente de você, é você se obrigando a aceitar o que não aceita. Se você não aceita, como aceitar? Impossível. Mas você acredita que perdoar é aceitar, então, você se obriga a aceitar o que não aceita. Ao fazer isso, você nem perdoa, nem vive bem, pois violenta a si mesmo. Se obrigar a aceitar não funciona, se funcionasse, já tinha funcionado. Sua mágoa continua porque perdão não acontece com você se obrigando a aceitar o que não aceita, pelo contrário, acontece com você se permitindo não aceitar o que não aceita. Quando você considera algo errado, aceite que considera errado. Ao invés de engolir o sapo, saboreie o óbvio. Esse é o primeiro passo para o perdão. Enquanto você não dá o primeiro passo, é impossível você dar o segundo, que é considerar que do ponto de vista do outro, o que você chama de problema o outro considera solução. O terceiro passo é perceber que isso é fato. É claro que do ponto de vista do outro ele considera certo o que faz, por isso opta por fazer. Quando você chega no terceiro passo, você não precisa mais executar o perdão, pois os três passos é o perdão sendo executado.

Irmão é pouco! Irmão você até se permite odiar. Pior é quando você não ama sua mãe ou seu pai? Simplesmente não ama. É amor impossível para você? Daí vem a biba dizendo que “tem que amar pai e mãe” ou tá fudido. Ou então, quando seu filho não te ama. Simples assim. Não te ama e pronto. Como aceitar que um filho não te ama?

Quando seu amor por algo é completamente impossível, essa pergunta que você está me fazendo nem acontece. Quando algo é completamente mal, ruim, nulo e falso você não tem dúvidas sobre se afastar, você se afasta imediatamente. Você já viu gato com dúvidas em se afastar da água fria? Se você tem dúvidas sobre se afastar de algo, é porque seu amor por esse algo não é completamente impossível, tem algum amor fácil envolvido. Então, cabe a você colocar na balança os prós e os contras e decidir. Mas saiba que na nova opção também haverá prós e contras, inclusive prós e contras que você não é capaz de imaginar agora, mas que virão no pacote.

Não existe bem e mal absolutos. Bem e mal é sempre em relação ao desejo. Desejo é sempre particular. Então, bem e mal é sempre particular. Por isso não existe pessoa má. O que existe é um ser humano fazendo algo que você considera mal. O que não significa que todos os seres do universo consideram bem e mal igual você. Cada um considera diferente. Numa guerra, por exemplo, cada país considera que o outro país é o mal. Quem é o bem e o mal de fato? Nenhum e ambos. Ambos são o bem aos seus próprios olhos e ambos são o mal no olhar alheio. O mesmo acontece com o estuprador. O estuprador está fazendo o que ama, está buscando satisfazer seu desejo, assim como você, assim como todos os seres do universo. Claro que o estuprador poderia usar uma estratégia melhor que o estupro para satisfazer seu desejo e poderia considerar também o desejo de quem está sendo estuprado. Mas isso é outra conversa e não muda o fato que o estuprador estupra por amor.

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© 2023 • 1FICINA • Marcelo Ferrari