01 | QUATRO VEZES DIFERENTE

AMOR FÁCIL 08 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade

Existem três tipos de amores na experiência humana: Amor Fácil, Amor Difícil e Amor Impossível. Para que você possa entender porque são três, e qual é qual, primeiro você deve entender que ser humano é ser quatro ao mesmo tempo. Isto mesmo! Você é um ser em uma experiência que é quaternária. Vou usar o símbolo da 1ficina para explicar isso. Primeiro vou explicar o símbolo original. O círculo representa o ser que você é, o ser que cada um é. O ponto no meio do círculo representa o consciente. Você é um ser consciente. Só que você não é apenas consciente, você é um ser “humano” consciente. A polpa dentro do círculo representa sua humanidade. Ser é nada. Você é nada brincando de tudo. Ou melhor, você é nada brincando de um tipo de tudo. Que tipo de tudo? Tudo humano. É por isto que tudo que você experimenta é humano, porque você é um ser humano. O que estou explicando aqui, é que você existe, que você = existência, e por isto, atualmente, está humano. E também estou dizendo que sua experiência humana está dentro de você e não você dentro da sua experiência humana. O sinal de diferente representa sua singularidade. Cada um é igual e diferente. Você é igualmente diferente. Você é igualmente ser humano, mas você é um ser humano diferente. Aliás, você é um ser humano quatro vezes diferente, pois a experiência humana é quaternária.


02 | AMOR RACIONAL

Uma das quatro dimensões humanas é a racionalidade. Racionalidade é a dimensão do definir. É onde você define o verdadeiro e o falso. A todo instante você está definindo o verdadeiro e o falso. Por exemplo, quando você afirma, “Felicidade é morar na praia”, você está definindo o que é, e o que não é felicidade, ou seja, verdadeiro e falso. Cada um é livre para definir por si, então, verdadeiro e falso é relativo à definição de cada um. Você pode estar se perguntando: o que definir tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o falso? Claro que não! Ninguém quer o falso. E por que não? Porque todo ser humano ama o verdadeiro. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão racional, você ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro e odiar o falso, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o verdadeiro e odiar o falso. Você não precisa aprender a amar o verdadeiro e odiar o falso. Quando você entende que algo é verdadeiro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é falso, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é verdadeiro e o que é falso, é relativo, mas todo ser humano ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro é amor fácil, facílimo, inevitável.


03 | AMOR AFETIVO

Outra dimensão da experiência humana é a afetividade. Afetividade é a dimensão do avaliar. É onde você lida com atribuição de valor, com o caro e o nulo. A todo instante você está atribuindo valor. Por exemplo, quando você diz, “Eu te amo”, para uma pessoa, você esta atribuindo valor a pessoa, está dando importância, está apreciando. Cada um é livre para avaliar por si, então, caro e nulo é relativo a avaliação de cada um. O que avaliar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o nulo? Claro que não! Ninguém quer o nulo. E por que não? Porque todo ser humano ama o caro. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão afetiva, você ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro e odiar o nulo, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o caro e odiar o nulo. Você não precisa aprender a amar o caro e odiar o nulo. Quando você entende que algo é caro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é nulo, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é caro, e o que é nulo, é relativo, mas todo ser humano ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro é amor fácil, facílimo, inevitável.


04 | AMOR SENSORIAL

Outra dimensão da experiência humana é a sensorialidade. Sensorialidade é a dimensão do gostar. É onde você lida com o gosto, com o bom e o ruim. A todo instante você está lidando com o gostar. Por exemplo, quando você diz, “Adoro rock”, é porque ouvir rock é bom, é gostoso. Cada um é livre para gostar por si, então, bom e ruim é relativo ao gosto de cada um. Você pode estar se perguntando o que gostar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o ruim? Claro que não! Ninguém quer o ruim. E por que não? Porque todo ser humano ama o bom. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão sensorial, você ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom e odiar o ruim, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bom e odiar o ruim. Você não precisa aprender a amar o bom e odiar o ruim. Quando você entende que algo é bom, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é ruim, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bom, e o que é ruim, é relativo, mas todo ser humano ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom é amor fácil, facílimo, inevitável.


05 | AMOR FÍSICO

Outra dimensão da experiência humana é a fisicalidade. Fisicalidade é a dimensão do ponderar. É onde você lida com o benefício e o malefício, como o bem e o mal. A todo instante você está ponderando o bem e o mal. Por exemplo, quando você diz “O tomate está caro”, você está ponderando o custo benefício do tomate. Cada um é livre para ponderar por si, então, bem e mal é relativo à avaliação de cada um. Você pode estar se perguntando o que ponderar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o mal? Claro que não! Ninguém quer o mal. E por que não? Porque todo ser humano ama o bem. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão física, você ama o bem e odeia o mal. Amar o bem e odiar o mal, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bem e odiar o mal. Você não precisa aprender a amar o bem e odiar o mal. Quando você entende que algo é bem, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é mal, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bem e o que é mal, é relativo, mas todo ser humano ama o bem e odeia o mal. Amar o bem é amor fácil, facílimo, inevitável.


06 | AMOR FÁCIL

Eis os quatro amores fáceis:

Dimensão Racional – Amor ao vero.
Dimensão Afetiva – Amor ao caro.
Dimensão Sensorial – Amor ao bom.
Dimensão Física – Amor ao bem.

Amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável.


07 | AMOR IMPOSSÍVEL

Sendo que amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável, o que é amor difícil? A resposta aparentemente óbvia, é que amor difícil é amar o falso, o nulo, o ruim e o mal. Eis o engano. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Você ama o verdadeiro porque odeia o falso. Se fosse possível você amar o falso, seria impossível você amar o verdadeiro. Você ama o caro porque odeia o nulo. Se fosse possível você amar o nulo, seria impossível você amar o caro. Você ama o bom porque odeia o ruim. Se fosse possível você amar o ruim, seria impossível você amar o bom. Você ama o bem porque odeia o mal. Se fosse possível você amar o mal, seria impossível você amar o bem. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Se fosse possível, você já teria obtido êxito neste objetivo. Porém, nunca obtêm, por mais que tente, pois trata-se de um objetivo impossível. É impossível amar o que se odeia, e todo ser humano odeia o falso, o nulo, o ruim e o mal. Quando isso fica absolutamente evidente, você desiste naturalmente do amor impossível, e está pronto para praticar o amor difícil.


08 | AMOR DIFÍCIL

AMOR FÁCIL 15 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade marcelo ferrari

Amor difícil surge naturalmente quando você percebe que o amor impossível é impossível, tanto para você, como para o outro. Amor difícil é respeitar o amor fácil dos outros. Amor difícil é respeitar a universalidade de veros, caros, bons e bens. Cada um é ímpar, singular, único, diferente. Sendo assim, o que é bem para você pode ser mal para o outro, o que é bom para você pode ser ruim para o outro, o que é caro para você pode ser nulo para o outro, o que é vero para você pode ser falso para o outro, e vice versa. Você é diferente do outro e o outro é diferente de você. E não tem nenhum problema nisso. O problema só surge quando você ignora isso. Quando acredita e supõe que o que é vero, caro, bom e bem para você, é para o outro também. É assim que surgem as guerras. E por que o amor difícil é difícil? Porque você não tem prática em perceber a impossibilidade do amor impossível.


09 | AMOR CONSCIENTE

AMOR FÁCIL 16 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade

Amor difícil não é abnegação. Assim como você opta pelo amor fácil por egoísmo, ou seja, porque é a melhor opção, você também opta pelo amor difícil por egoísmo, ou seja, também porque é a melhor opção. Amor difícil é amor consciente. A melhor coisa que você pode fazer por você é dar liberdade ao outro para amar fácil. Quando você dá liberdade ao outro de amar fácil, quem se liberta é você, que não precisa mais persistir no amor impossível. Abnegação é missão impossível, então, abnegação é amor ignorante.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Sim. Só que deus não é outro (deusoutro). Deus é você (deuseu).

Sei exatamente o que você está dizendo. Também é assim comigo. Eu amo banana. Sou apaixonado por banana. Só que a banana não me ama. O que eu faço?

Engraçadinho!

Não estou fazendo piada, estou falando sério.

Quando você ama alguém, não quer reciprocidade? Eu amo e tenho que ficar sozinha com meu amor? Amando só dentro de mim? Sem reciprocidade do outro?

Tudo que você experimenta é solitário, só acontece em você, só você experimenta. Amor é você experimentando desejo. Então, não é exceção, é uma experiência tão solitária como todas as outras. Dito isso, volto ao exemplo do meu amor pela banana. Eu amo a banana, desejo a banana, quero comer a banana. Mas se a banana não quer ser comida por mim. Se a banana me rejeita. Respeito a vontade da banana. Não vou pegar a banana a força e comê-la contra sua vontade. Continuo amando a banana, mesmo ela me rejeitando. Só que, ao invés de comer a banana, como a maçã. Simples, fácil, sem drama e sem complicação.

Safado! Então, você não ama a banana!

Em verdade, em verdade, vos digo: não amo nem a banana, nem a maçã, nem a melancia, nem a pera, nem fruta alguma. Eu me amo. Só isso! Sou egoísta. Sou fiel ao amor, só e sempre, jamais ao objeto amado. Amo o sabor adocicado das frutas. Quando a fruta está azeda, jogo fora. Odeio fruta azeda. Você também é assim: egoísta. Todos os seres do universo são egoístas. É inevitável. Só que alguns, como os seres humanos, fingem que não são. E fingem por egoísmo, o que é mais irônico. Mas não recomendo. Fingir não ajuda a viver bem.

Você muda de objeto de desejo. Come outra fruta que também seja doce, é isso?

Exatamente! Por isso, se você ama a banana do rapaz, mas a banana do rapaz não te ama, tem outros rapazes com outras bananas no universo, não precisa se prender ao rapaz nem prendê-lo a você. Essa opção não produz bem viver nem boa convivência.

Porque você dá à palavra “amor” o significado de afeto (sentimento). Toda doutrina é feita de palavras. O significado que você dá às palavras de uma doutrina, não vem da doutrina, vem da sua cabeça. Quando você entra em contato com uma doutrina que fale do amor, mesmo que você seja criança, você já ouviu pelo menos umas 10 mil vezes sua mãe lhe dizendo “eu te amo”. Sua mãe estava se referindo ao afeto (sentimento) dela por você, estava dizendo que você é muito querido para ela, muito especial, muito importante. Só que sua mãe não te explicou que amor é desejo, que desejo é quaternário e que afeto (sentimento) é um dos quatro desejos humanos. Menos ainda que amor é fácil, difícil e impossível. Então, só lhe resta grudar esse significado afetivo e maternal à palavra amor. Amor = afeto (sentimento) que minha mãe tem por mim.

Daí, quando você entra em contato com uma doutrina que fale do amor e recebe um ensinamento que diz que você deve amar o próximo, o que você entende? Entende que deve amar o outro assim como sua mãe ama você. Ou seja, você deve dar mamadeira para o outro, fazer cafuné, lavar a louça, lavar a cueca, fazer almoço e janta, ficar preocupado, limpar a bunda do outro se ele cagar nas calças, enfim, você deve cuidar do outro assim como sua amorosa mãe cuida de você. E mais! Você deve ter afeto (sentimento) pelo outro, sempre, faça ele o que fizer. Mesmo que o outro abuse de você, lhe violente, lhe desagrade, você deve amar o abuso, a violência e o desagrado, assim como sua mãe ama você.

Isso é amor impossível. Você pode respeitar a violência, o abuso e o desagrado, mas amar é impossível. Só que sua mãe não te explica isso quando diz “eu te amo”, nem as doutrinas religiosas, quando lhe dizem: “ame ao próximo como a si mesmo”. Eis porque você não consegue amar o próximo. Amar o próximo não é afeto, não é sentimento, é dar liberdade ao outro de ser outro, diferente de você. Só isso! E isso é inevitável. O outro é o outro, diferente de você. O outro não precisa da sua permissão para ser outro. Mas você, internamente, proíbe o outro de ser outro. E daí fica vivendo o inferno da proibição. Só você sofre com isso. O outro nem sabe que você está lhe proibindo de ser diferente de você. Só você sabe disso e só você sofre com isso. Então, no final das contas, o ensinamento “ame ao próximo” visa ajudar você a se libertar do inferno da proibição e não fazer com que você seja o salvador da humanidade.

Todo relacionamento é amoroso. Quando é odioso, não tem relacionamento. Agora, quais amores estão sendo satisfeitos em um relacionamento? Requer análise.

No outro está acontecendo a mesma coisa?

Sim, relacionamento é sempre 4 x 4. Seus quatro amores se relacionando com os 4 amores do outro

Então existe um outro “do lado de fora” e não somente dentro de mim?

Lado de fora é um entendimento materialista de alteridade, mas entendo o que quer dizer. Sim. Tem o outro de fato. E esse outro tem natureza intrínseca. O detalhe e sutileza é que o outro que você experimenta não é o outro em si, enquanto ser, é sua experiência do outro. E sua experiência do outro é feito dos seus significantes e seus significados, logo, é o seu outro. Por exemplo, você está conversando comigo. Eu sou outro. Sou o Ferrari. Mas eu sou o seu Ferrari. Sou o Ferrari-Suzanado. O Ferrari da Alexa é outro, diferente do seu. O Ferrari da Alexa é o o Ferrari-Alexado. E assim por diante.

Você sabe o que é amor e ódio? Você sabe para que serve? Sabe como funciona dentro de você? Se você ignora a natureza, a serventia e o funcionamento do amor e do ódio em você, como pode lidar bem com o amor e o ódio nos outros? Não pode! Impossível. Percebe? É sua ignorância de si que lhe impede de lidar bem com o comportamento dos outros.

Quando você é consciente do seu próprio funcionamento, fica simples lidar bem com o comportamento dos outros, porque o outro é outro você, ser humano igual você. Então, o primeiro passo para lidar bem com o amor e o ódio dos outros, é virar o olho do avesso. Ou seja, ao invés de ficar olhando para fora, para o outro, olhe para o seu amor e o seu ódio. Observe do que se trata. Entenda para que serve. Veja como funciona.

Fazer isso é você praticando autoobservação. Autoobservação produz autoconhecimento. Quanto mais autoconhecimento você produz, menos ignorância. Quanto menos ignorância, maior sua competência em lidar com o comportamento dos outros, melhor você vive e convive.

Daí, você pode me perguntar: Como você sabe que me ignoro?

Se você não se ignorasse não estava me perguntando sobre algo que acontece em você.

Daí, você pode pensar: E você precisa jogar minha ignorância na minha cara?

E o que você espera que um professor de autociência faça com sua ignorância? Que a coloque em cima de um altar, acenda velas, se ajoelhe e a idolatre? “Louvada seja essa ignorância para sempre seja louvada!” Eu posso até fazer isso, mas em que isso vai lhe ajudar a viver melhor? Jogar sua ignorância na sua cara é uma ajuda que lhe ofereço para que fique consciente dela e assim possa sair dela. E você não precisa aceitar minha ajuda. Minha oferta é voluntária, gratuita e sem expectativas de aceitação.

Daí, você pode concluir: “Então, não vou perguntar mais nada, vou ficar caladinho, assim escondo minha ignorância e vou parecer sábio”.

Isso é o que você tem feito sua vida inteira. Isso é o que todos os seres humanos têm feito desde sempre. Se funcionasse, já tinha funcionado. Então, porque não experimentar um novo caminho: expor a ignorância. Só de curioso. Só para fazer uma experiência. Só para ver se expor a ignorância é uma opção melhor do que escondê-la. Se não for, sem problemas. Só voltar para o esconderijo.

Sim, eu já odiei usar fio dental, por exemplo, hoje em dia é amor quase fácil. Também já amei cigarro, hoje em dia é amor impossível. Tudo é circunstancial. É muito importante considerar isso. Quando você está odiando algo, odiando você está. Então, nesse momento, o que é amor impossível, impossível é. Mas no próximo instante tudo pode mudar. Ou seja, não tem receita de bolo. Viver é dinâmico. Viver bem também é dinâmico.

Não. É impossível deixar de ser carente. Carência é inevitável. Carência é desejo. Todo ser é desejante, então, todo ser é carente. O bem viver não vem do fim da carência. Esse é o equívoco. O bem viver vem de lidar bem com a carência. Você está lidando mal com sua carência, estava lidando de forma outroísta submissa, por isso estava vivendo mal.

Em termos científicos, da física, sim.

PERGUNTA: E em termos psicológicos?

É desejo.

PERGUNTA: Mas se desejo é amor, então, amor é magnetismo?

Exato! Por isso o que você ama é atraente e o que você odeia é repelente.

Acho que você está confundindo os termos “amor difícil” com “amor impossível”. Mesmo que não esteja, é muito comum fazer essa confusão, pois o antônimo de fácil é difícil. Então, quando você pensa no oposto de “amor fácil”, automaticamente pensa em “amor difícil”. É quase inevitável pensar assim. Só que o antônimo de “amor fácil” é “amor impossível”. As palavras “fácil, impossível e difícil” ajudam por um lado, mas confundem por outro, eu sei. Por isso, é preciso muita atenção ao usá-las, e principalmente, autoconhecimento.

Amor difícil não é amor, não é desejo. Amor difícil é uma prática consciencial que RESULTA em respeito. Nem respeito é. Pois se você não executar a prática consciencial de ficar consciente do funcionamento do desejo, você não consegue chegar ao resultado que é o respeito. Sem a prática de ficar consciente do funcionamento do desejo você apenas se obriga a respeitar os outros, e fazer isso é engolir sapo, é outroísmo submisso, é você desrespeitando a si mesmo, desrespeitando sua unicidade. Então, não é respeito, não produz bem viver, nem boa convivência.

Dito isso, para você evitar confundir os termos, sugiro DELETAR a palavra amor do seu dicionário mental. Sugiro pensar assim: amor fácil = desejado, amor impossível = indesejado, amor difícil = prática consciencial que resulta em respeito. Entendido isso, nunca mais use a palavra amor. Deleta da cabeça.

A 1ficina só usou a palavra amor nesse livro para libertar você do equívoco da abnegação. Se a 1ficina não lhe explicasse o funcionamento do desejo usando a palavra amor, o equívoco da abnegação continuaria. Mas agora que você já se esclareceu sobre o equívoco da abnegação, sugiro deletar a palavra amor, pois de fato o que existe é o desejado, o indesejado e a prática consciencial que resulta em respeito.

Amor fácil e amor impossível é o mesmo amor. São os dois lados de uma mesma moeda. Amor fácil e amor impossível não são opcionais. Amor fácil é fácil justamente porque não é opcional, é inevitável. Quando você ama algo, você não tem opção de não amar, pois você ama. E por amar, simultaneamente, odeia o oposto, pois o ódio é o outro lado da moeda do amor. Então, amor fácil e impossível não é opcional. Amor difícil, esse sim, é opcional. Amor difícil é você executando seu arbítrio no sentido de dar liberdade para si mesmo e para o outro de amar fácil. Amor difícil é libertação. Dar liberdade é difícil porque você criou o HÁBITO de proibir a si mesmo (outroísmo submisso) e ao outro (outroísmo impositivo) de amar fácil. Abnegação é a crença de que é possível, louvável e saudável amar o que se odeia, ou seja, amar o mal, o ruim, o nulo e o falso. SUA abnegação é outroísmo submisso. É você se obrigando a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para você. Esperar abnegação DO OUTRO é outroísmo impositivo. É você obrigando o outro a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para ele.

Você ama a experiência do bem, bom, caro e vero que o outro estimula em você e não o outro. Por isso que ninguém ama ninguém. No instante em que o outro para de estimular experiência de bem, bom, caro e vero em você e começa a estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso, imediatamente e inevitavelmente, você começa a odiar o outro. Amor fácil não é pelo outro, é pela experiência de bem, bom, caro e vero. Amor difícil sim é pelo outro. Amor difícil é sua opção de dar liberdade ao outro de ser diferente de você apesar dessa diferença lhe estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso. Interessante observar que você faz isso com os objetos, plantas e bichos, mas não faz com os outros seres humanos. Manga tem sabor de manga. Se você acha ruim o sabor da manga, você não obriga a manga a ter sabor de morango. Ou seja, não obriga a manga a ser diferente do que é. Vaca dá leite. Se leite te faz mal, você não obriga a vaca a botar ovo. Ou seja, não obriga a vaca a ser diferente do que é. Fogo queima e você não obriga o fogo a fazer cafuné. Ou seja, não obriga o fogo a ser diferente do que é. Enfim, você não obriga os objetos, plantas e bichos a serem diferentes do que são, pois você sabe que isso é impossível e sabe que tentar realizar o impossível é se condenar a fracasso eterno. Porém, você faz isso consigo mesmo e com o outro. Você se obriga a fazer, gostar, valorizar e pensar igual o outro e obriga o outro a fazer, gostar, valorizar e pensar igual você. E ao invés de você chamar isso de insanidade, você chama de amor, abnegação, altruísmo, espiritualidade, religiosidade, nobreza, ética, virtude, educação, etc.

Você já viu aqueles filmes de tribunal? É parecido. Cada um dos quatro amores é um advogado. Cada um expõe seu caso, defende seus interesses. Você é o juiz. Você decide.

Mas meus advogados sou eu.

Sim e não. É, mas também não é. São aspectos diferentes de você. Desejo não tem consciência. Não sabe de si. É você (consciência) que sabe dos seus desejos. Então, você ouve as partes e decide o que é melhor. E deve explicar para seus quatro advogados porque aquela decisão é a melhor, deve deixar óbvio. Você fazendo isso, é você explicando o óbvio para si mesmo.

Se faço isso, meus amores param de brigar?

Vão brigar contra o que? Contra o óbvio? É caso perdido. Contra o óbvio não há argumentos.

Você ama fácil ALGO. Vamos chamar esse algo de OBJETO do seu amor fácil. Você ama fácil esse OBJETO e é isso. Por que você ama fácil esse OBJETO? Qual o motivo? Você não sabe. Você sabe que ama fácil porque está amando, então, é obvio que você ama fácil. Só que você não sabe porque está experimentando esse amor. Você ignora o motivo. Nesse livro a 1ficina explica o motivo. Você ama fácil ALGO porque é bem, bom, caro ou vero para você. E mais! QUANDO é bem, bom, caro ou vero para você. Isso é o amor fácil. O oposto do fácil você odeia. O que você odeia é amor impossível.

Porque você tenta uniformizar seu amor fácil. Você ama estrogonofe, então, você quer que tudo tenha sabor de estrogonofe. Quer que seu marido tenha sabor de estrogonofe, que seus filhos tenham sabor de estrogonofe, que eu e todos os seres do universo tenham sabor de estrogonofe. Só que cada um tem seu próprio sabor. Mas você é cabeçuda, teimosa, impositiva e burra, então, está determinada a fazer com que todos os seres do universo satisfaçam suas expectativas. E como ninguém consegue ser diferente do que é, começa a treta. Se você for o única cabeçuda, teimosa, impositiva e burra do universo, a treta é pouco. Agora, imagina se cada um quiser que o outro tem o sabor do seu prato preferido? Imagina o tamanho da treta?

Primeiro é preciso entender que importância e benefício nunca é da coisa ou atividade em si. Uma coisa ou atividade pode ser importante e benéfica para você e desimportante e maléfica para o outro. Comer açúcar, por exemplo, é benéfico para um atleta e maléfico para um diabético. Estudar anatomia é importante para um médico e desimportante para um arquiteto. E assim por diante. Importância e benefício é particular. Além de particular é circunstancial, como tudo na vida. Mas não vou entrar nessa questão agora, fica apenas o apontamento.

Dito isso, eu divido a arte em três fases. É uma pedagogia de entendimento minha. Uso comigo. Me ajuda a evitar rotineiros conflitos que acontecem nas conversas sobre esse tema. Vou explicar quais são as três fases da arte e falar um pouco de cada uma. Espero com isso responder sua pergunta.

FASE UM: PRODUÇÃO ARTÍSTICA

A fase um da arte é exclusividade do artista. Por exemplo, quando um compositor está sozinho no quarto compondo uma canção, ele está executando a fase um. Mas não precisa ser um grande profissional para executar a fase um. Quando uma criança está desenhando em uma folha de papel sulfite com lápis de cor, ela também está executando a fase um.

Produzir arte é terapêutico porque a obra espelha o autor. Minha mãe, por exemplo, quando escuta uma música minha ou lê algum dos meus poemas, é capaz de dizer a que parte da minha história aquela música ou poema se refere. Ela é capaz de fazer isso porque conhece o autor e a obra espelha o autor. Todo verdadeiro artista sabe disso e usa sua produção artística como divã, como terapia, como processo de autoconhecimento.

FASE DOIS: EXPOSIÇÃO DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA.

A fase dois não envolve necessariamente o produtor da obra artística. Alguns produtores são expositores também. Mas o produtor artístico pode simplesmente ficar só na fase um e terceirizar a fase dois. Quando um escritor entrega uma peça de teatro para o diretor, por exemplo, é isso que ele está fazendo, terceirizando a fase dois. Quando um compositor entrega sua composição para um intérprete ou um maestro, também. A maioria dos músicos e atores são artistas de fase dois, eles não produzem a obra artística, eles a expoem.

Expor uma obra artística pode ser muito terapêutico também, pois para dar vida a obra, o artista expositor incorpora e vivencia em si um tema de auto análise proposto e iniciado pelo autor da obra que ele está expondo. O mundo artístico é cheio de grandes artistas expositores. Cantores, músicos, atores, etc. Muitos relatam o aspecto terapêutico da exposição artística.

FASE TRÊS: CONSUMO DA PRODUÇÃO ARTÍSTICA

A fase três da arte é a que todos executam de uma forma ou de outra, em maior ou menor intensidade. Na fase três, você não precisa ser nem produtor, nem executor, basta ser humano. Quando você liga o rádio para ouvir música, você está executando a fase três. Quando você liga a televisão para assistir um filme, você também está executando a fase três. Críticos de arte são consumidores especializados na execução da fase três.

Consumir uma obra artística pode ser muito terapêutico também, pelo mesmo motivo da fase dois. Ao consumir uma obra artística você também incorpora e vivencia em si um tema de auto análise proposto e iniciado pelo autor da obra.

Entendida as três fases, fica fácil de perceber que a arte, seja na fase um, dois ou três, proporciona efeito terapêutico em quem a está executando. Eu executo as três fases e recomendo a execução das três. Para mim as três são importantes e benéficas.

Meio termo, em si, não tem problema. O problema é obrigação de chegar a um meio termo. Eu e você estamos numa convivência, discordamos, daí você vem rezando o sermão da montanha de que TEM QUE chegar num meio termo. E se eu não quiser meio termo? Percebe? TEM QUE ter meio termo é uma cagação de regra DISFARÇADA de democracia. Não é democracia de fato.

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seus pais.

Quer dizer então que não amo meus filhos?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seus filhos.

Quer dizer então que não amo meu cachorro?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seu cachorro.

Quer dizer então que eu não amo porra nenhuma?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama essa porra.

Você não reclama com o caixa eletrônico, mas você reclama com o funcionário humano do banco que executa o mesmo serviço do caixa eletrônico. Por que?

Até reclamo com o caixa eletrônico, mas sei que não vai dar em nada.

Por que não vai dar em nada?

Porque o caixa eletrônico é um robô programado.

O caixa eletrônico se comporta sempre de acordo com o gabarito dele (programação dele). E o ser humano?

O ser humano tem autonomia para tomar decisões e mudar de comportamento. Por isso reclamar com o atendente do banco é diferente de reclamar com o caixa eletrônico.

Ao invés do termo “autonomia para tomar decisões” vou usar a palavra “arbítrio”. Você não reclama com o caixa eletrônico porque sabe que o caixa eletrônico não tem arbítrio, logo, é impossível convence-lo a mudar de comportamento. Você sabe que pode chorar, espernear, chantagear e até explodir o caixa eletrônico, ele não vai mudar de comportamento para satisfazer seu desejo. Por isso você nem tenta. Mas você tenta com o outro ser humano, por que?

Porque o outro ser humano pode decidir mudar de comportamento e atender minha reclamação.

Exato! Você não consegue convencer o caixa eletrônico a lhe agradar, mas consegue convencer um ser humano. Mesmo que você apontar uma arma para um caixa eletrônico e disser “Me dá todo seu dinheiro ou eu atiro e te mato!”, o caixa eletrônico não vai mudar de comportamento. Você sabe disso. Então, você nem tenta. Porém, na infância, quando sua mãe tirou a teta da sua boca, você chorou. E sua mãe, mesmo cansada, mesmo sem leite, mesmo com o bico do peito doendo, ou seja, mesmo contrariada, deu a teta de volta para lhe agradar. Nesse momento você fez a matricula na faculdade do outroísmo e teve sua primeira lição de como transformar um ser humano em um escravo seu. Basta chorar e reclamar. Muita prática e hoje você é o mestre do mimimi. O problema é que são milhões de seres humanos no mundo e apenas um deles é sua mãe. Então, quando está convivendo com esse outros seres humanos, por mais que você chore, reclame e tente, a teta não vem.

Então, acredito que o amor impossível é possível porque o outro ser humano pode optar por me agradar, mesmo que ao fazer isso ele esteja desagradando a si mesmo?

Exato! E vice versa. Você tem arbítrio, então, você pode se obrigar a optar pelo que é mal, ruim, falso e nulo. Você sofre e vive mal quando faz isso. Mas isso é possível. Então, você passa a acreditar que é possível amar o que você odeia. Amar não é possível, por isso você odeia. Mas é possível optar por viver assim. Isso é o outroísmo submisso. No outroísmo impositivo, você tenta obrigar o outro a fazer, gostar, valorizar ou pensar igual você. Você não tem como controlar o arbítrio do outro, mas o outro se deixa ser controlado por você. Isso lhe dá a falsa impressão de que você consegue controlar o arbítrio do outro e por isso você acredita que consegue fazer o outro amar o que odeia.

Você não pratica o perdão, você pratica engolir sapo. O que você chama de perdão, não é você dando liberdade ao outro de ser outro, diferente de você, é você se obrigando a aceitar o que não aceita. Se você não aceita, como aceitar? Impossível. Mas você acredita que perdoar é aceitar, então, você se obriga a aceitar o que não aceita. Ao fazer isso, você nem perdoa, nem vive bem, pois violenta a si mesmo. Se obrigar a aceitar não funciona, se funcionasse, já tinha funcionado. Sua mágoa continua porque perdão não acontece com você se obrigando a aceitar o que não aceita, pelo contrário, acontece com você se permitindo não aceitar o que não aceita. Quando você considera algo errado, aceite que considera errado. Ao invés de engolir o sapo, saboreie o óbvio. Esse é o primeiro passo para o perdão. Enquanto você não dá o primeiro passo, é impossível você dar o segundo, que é considerar que do ponto de vista do outro, o que você chama de problema o outro considera solução. O terceiro passo é perceber que isso é fato. É claro que do ponto de vista do outro ele considera certo o que faz, por isso opta por fazer. Quando você chega no terceiro passo, você não precisa mais executar o perdão, pois os três passos é o perdão sendo executado.

Sim, as explicações da 1ficina vai comendo você pelas bordas e você nem percebe. Quando você se dá conta, já é tarde demais, o óbvio engoliu você. Primeiro fica óbvio que você é um ser desejante. Depois que desejo é egoísmo. Quando você entende isso, está igual peru de natal, pronto para o abate. Daí vem a machadada final. Amor é desejo. Kabum!!! Pode tocar a marcha fúnebre. The lovecórnio is dead!

Irmão é pouco! Irmão você até se permite odiar. Pior é quando você não ama sua mãe ou seu pai? Simplesmente não ama. É amor impossível para você? Daí vem a biba dizendo que “tem que amar pai e mãe” ou tá fudido. Ou então, quando seu filho não te ama. Simples assim. Não te ama e pronto. Como aceitar que um filho não te ama?

Justamente o oposto. O dinheiro te atrai porque você não tem dinheiro. Igual chocolate. Você fica esperando a pascoa. Quando chega a páscoa, depois de comer o oitavo ovo de páscoa, você não quer nem mais ver chocolate na frente. O chocolate não te atraí mais. O dia que você ficar rica, vai enjoar do dinheiro. Mas enquanto for pobre, vai desejá-lo. Outro exemplo é o casamento também. Quem está dentro quer sair, quem está fora quer entrar.

Mas se o dinheiro me atraísse, ele estava na minha realidade

Está, só que está na sua imaginação (realidade simulada).

Dinheiro na imaginação não é dinheiro, não serve pra nada.

Serve para você saber que quer dinheiro.

Se eu quisesse dinheiro fazia alguma coisa para conseguir.

Você faz. Você reclama que não tem dinheiro. O problema é que reclamar não é uma estratégia eficiente para você conseguir dinheiro.

Amor é desejo. Desejo é egoísmo. Então, amor é egoísmo. Eu sei que dói matar o unicórnio do amor. Por isso usamos estratégias de fuga como amor incondicional, amor verdadeiro, compaixão, abnegação, altruísmo e oscambau. Tudo besteira. Amor é egoísmo. Não tem outro amor, só tem egoísmo mesmo. E para viver bem é imprescindível deixar isso óbvio. Pra mim, é óbvio ululante. Não existe outra MOTIVAÇÃO senão a busca pelo bem, bom, caro e vero. Faço o que faço porque desejo o bem, bom, caro e vero. Não faço nada por abnegação. Não faço nada por amor incondicional. Não faço nada por compaixão. Não faço nada por altruísmo. Faço por egoísmo puro. Faço porque desejo o bem, bom, caro e vero. Simples assim. Sem mistério. Sem segredo. Sem idolatria. E pra mim é óbvio que assim também é com todos os seres, não apenas os seres humanos, mas com todos os seres do universo. Pra mim é óbvio que o egoísmo é a única motivação de todos os seres do universo porque é a motivação do universo. O universo é o egoísmo absoluto. O universo só se interessa por seu próprio bem. Até porque, que outra motivação o universo teria sendo que o universo é tudo. Dito isso, para se realizar um objetivo, não basta desejar realizar, é preciso usar uma estratégia eficiente. Eu uso a melhor estratégia que conheço: viver de forma autoísta. Não existe estratégia melhor do que essa para realizar o egoísmo. Desconheço estratégia melhor. Se um dia eu descobrir que tem uma estratégia melhor para realizar meu egoísmo, mudo de estratégia imediatamente.

Afeto é desejo afetivo, é você desejando o caro e rejeitando o nulo.

Então, sinto afeto ao que é caro para mim?

Sim, suas filhas são valorosas para você, por isso você as ama. As filhas do meu vizinho Egberto não tem valor nenhum para você, por isso você não as ama. As filhas de uma pessoa que você detesta, capaz que você deteste também, por tabela.

Afeto é o que me leva a prática do amor difícil?

Não! O que leva você a prática do amor difícil é o sofrimento. Viver é conviver. Ou você aprende a amar difícil ou morre de tanto sofrer com a convivência.

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