*Os livros estão na ordem de leitura recomendada.

AMOR FÁCIL, DIFÍCIL E IMPOSSÍVEL

15/09/2015 by in category Livros with 0 and 0

01 | QUATRO VEZES DIFERENTE

Existem três tipos de amores na experiência humana: Amor Fácil, Amor Difícil e Amor Impossível. Para que você possa entender porque são três, e qual é qual, primeiro você deve entender que ser humano é ser quatro ao mesmo tempo. Isto mesmo! Você é um ser em uma experiência que é quaternária. Vou usar o símbolo da 1ficina para explicar isso. Primeiro vou explicar o símbolo original. O círculo representa o ser que você é, o ser que cada um é. O ponto no meio do círculo representa o consciente. Você é um ser consciente. Só que você não é apenas consciente, você é um ser “humano” consciente. A polpa dentro do círculo representa sua humanidade. Ser é nada. Você é nada brincando de tudo. Ou melhor, você é nada brincando de um tipo de tudo. Que tipo de tudo? Tudo humano. É por isto que tudo que você experimenta é humano, porque você é um ser humano. O que estou explicando aqui, é que você existe, que você = existência, e por isto, atualmente, está humano. E também estou dizendo que sua experiência humana está dentro de você e não você dentro da sua experiência humana. O sinal de diferente representa sua singularidade. Cada um é igual e diferente. Você é igualmente diferente. Você é igualmente ser humano, mas você é um ser humano diferente. Aliás, você é um ser humano quatro vezes diferente, pois a experiência humana é quaternária.


02 | AMOR INTELECTUAL

Uma das quatro dimensões humanas é a intelectualidade. Intelectualidade é a dimensão do definir. É onde você define o verdadeiro e o falso. A todo instante você está definindo o verdadeiro e o falso. Por exemplo, quando você afirma, “Felicidade é morar na praia”, você está definindo o que é, e o que não é felicidade, ou seja, verdadeiro e falso. Cada um é livre para definir por si, então, verdadeiro e falso é relativo à definição de cada um. Você pode estar se perguntando: o que definir tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o falso? Claro que não! Ninguém quer o falso. E por que não? Porque todo ser humano ama o verdadeiro. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão intelectual, você ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro e odiar o falso, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o verdadeiro e odiar o falso. Você não precisa aprender a amar o verdadeiro e odiar o falso. Quando você entende que algo é verdadeiro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é falso, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é verdadeiro e o que é falso, é relativo, mas todo ser humano ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro é amor fácil, facílimo, inevitável.


03 | AMOR AFETIVO

Outra dimensão da experiência humana é a afetividade. Afetividade é a dimensão do avaliar. É onde você lida com atribuição de valor, com o caro e o nulo. A todo instante você está atribuindo valor. Por exemplo, quando você diz, “Eu te amo”, para uma pessoa, você esta atribuindo valor a pessoa, está dando importância, está apreciando. Cada um é livre para avaliar por si, então, caro e nulo é relativo a avaliação de cada um. O que avaliar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o nulo? Claro que não! Ninguém quer o nulo. E por que não? Porque todo ser humano ama o caro. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão afetiva, você ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro e odiar o nulo, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o caro e odiar o nulo. Você não precisa aprender a amar o caro e odiar o nulo. Quando você entende que algo é caro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é nulo, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é caro, e o que é nulo, é relativo, mas todo ser humano ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro é amor fácil, facílimo, inevitável.


04 | AMOR SENSORIAL

Outra dimensão da experiência humana é a sensorialidade. Sensorialidade é a dimensão do gostar. É onde você lida com o gosto, com o bom e o ruim. A todo instante você está lidando com o gostar. Por exemplo, quando você diz, “Adoro rock”, é porque ouvir rock é bom, é gostoso. Cada um é livre para gostar por si, então, bom e ruim é relativo ao gosto de cada um. Você pode estar se perguntando o que gostar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o ruim? Claro que não! Ninguém quer o ruim. E por que não? Porque todo ser humano ama o bom. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão sensorial, você ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom e odiar o ruim, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bom e odiar o ruim. Você não precisa aprender a amar o bom e odiar o ruim. Quando você entende que algo é bom, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é ruim, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bom, e o que é ruim, é relativo, mas todo ser humano ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom é amor fácil, facílimo, inevitável.


05 | AMOR FÍSICO

Outra dimensão da experiência humana é a fisicalidade. Fisicalidade é a dimensão do ponderar. É onde você lida com o benefício e o malefício, como o bem e o mal. A todo instante você está ponderando o bem e o mal. Por exemplo, quando você diz “O tomate está caro”, você está ponderando o custo benefício do tomate. Cada um é livre para ponderar por si, então, bem e mal é relativo à avaliação de cada um. Você pode estar se perguntando o que ponderar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o mal? Claro que não! Ninguém quer o mal. E por que não? Porque todo ser humano ama o bem. A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão física, você ama o bem e odeia o mal. Amar o bem e odiar o mal, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bem e odiar o mal. Você não precisa aprender a amar o bem e odiar o mal. Quando você entende que algo é bem, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é mal, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bem e o que é mal, é relativo, mas todo ser humano ama o bem e odeia o mal. Amar o bem é amor fácil, facílimo, inevitável.


06 | AMOR FÁCIL

Eis os quatro amores fáceis:

Dimensão Intelectual – Amor ao vero.
Dimensão Afetiva – Amor ao caro.
Dimensão Sensorial – Amor ao bom.
Dimensão Física – Amor ao bem.

Amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável.


07 | AMOR IMPOSSÍVEL

Sendo que amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável, o que é amor difícil? A resposta aparentemente óbvia, é que amor difícil é amar o falso, o nulo, o ruim e o mal. Eis o engano. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Você ama o verdadeiro porque odeia o falso. Se fosse possível você amar o falso, seria impossível você amar o verdadeiro. Você ama o caro porque odeia o nulo. Se fosse possível você amar o nulo, seria impossível você amar o caro. Você ama o bom porque odeia o ruim. Se fosse possível você amar o ruim, seria impossível você amar o bom. Você ama o bem porque odeia o mal. Se fosse possível você amar o mal, seria impossível você amar o bem. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Se fosse possível, você já teria obtido êxito neste objetivo. Porém, nunca obtêm, por mais que tente, pois trata-se de um objetivo impossível. É impossível amar o que se odeia, e todo ser humano odeia o falso, o nulo, o ruim e o mal. Quando isso fica absolutamente evidente, você desiste naturalmente do amor impossível, e está pronto para praticar o amor difícil.


08 | AMOR DIFÍCIL

Amor difícil surge naturalmente quando você percebe que o amor impossível é impossível, tanto para você, como para o outro. Amor difícil é respeitar o amor fácil dos outros. Amor difícil é respeitar a universalidade de veros, caros, bons e bens. Cada um é ímpar, singular, único, diferente. Sendo assim, o que é bem para você pode ser mal para o outro, o que é bom para você pode ser ruim para o outro, o que é caro para você pode ser nulo para o outro, o que é vero para você pode ser falso para o outro, e vice versa. Você é diferente do outro e o outro é diferente de você. E não tem nenhum problema nisso. O problema só surge quando você ignora isso. Quando acredita e supõe que o que é vero, caro, bom e bem para você, é para o outro também. É assim que surgem as guerras. E por que o amor difícil é difícil? Porque você não tem prática em perceber a impossibilidade do amor impossível.


09 | AMOR CONSCIENTE

Amor difícil não é abnegação. Assim como você opta pelo amor fácil por egoísmo, ou seja, porque é a melhor opção, você também opta pelo amor difícil por egoísmo, ou seja, também porque é a melhor opção. Amor difícil é amor consciente. A melhor coisa que você pode fazer por você é dar liberdade ao outro para amar fácil. Quando você dá liberdade ao outro de amar fácil, quem se liberta é você, que não precisa mais persistir no amor impossível. Abnegação é missão impossível, então, abnegação é amor ignorante.


10 | LEI DA ATRAÇÃO

PERGUNTAS

Sim. Só que deus não é outro (deusoutro). Deus é você (deuseu).

Sei exatamente o que você está dizendo. Também é assim comigo. Eu amo banana. Sou apaixonado por banana. Só que a banana não me ama. O que eu faço?

Engraçadinho!

Não estou fazendo piada, estou falando sério.

Quando você ama alguém, não quer reciprocidade? Eu amo e tenho que ficar sozinha com meu amor? Amando só dentro de mim? Sem reciprocidade do outro?

Tudo que você experimenta é solitário, só acontece em você, só você experimenta. Amor é você experimentando desejo. Então, não é exceção, é uma experiência tão solitária como todas as outras. Dito isso, volto ao exemplo do meu amor pela banana. Eu amo a banana, desejo a banana, quero comer a banana. Mas se a banana não quer ser comida por mim. Se a banana me rejeita. Respeito a vontade da banana. Não vou pegar a banana a força e comê-la contra sua vontade. Continuo amando a banana, mesmo ela me rejeitando. Só que, ao invés de comer a banana, como a maçã. Simples, fácil, sem drama e sem complicação.

Safado! Então, você não ama a banana!

Em verdade, em verdade, vos digo: não amo nem a banana, nem a maçã, nem a melancia, nem a pera, nem fruta alguma. Eu me amo. Só isso! Sou egoísta. Sou fiel ao amor, só e sempre, jamais ao objeto amado. Amo o sabor adocicado das frutas. Quando a fruta está azeda, jogo fora. Odeio fruta azeda. Você também é assim: egoísta. Todos os seres do universo são egoístas. É inevitável. Só que alguns, como os seres humanos, fingem que não são. E fingem por egoísmo, o que é mais irônico. Mas não recomendo. Fingir não ajuda a viver bem.

Você muda de objeto de desejo. Come outra fruta que também seja doce, é isso?

Exatamente! Por isso, se você ama a banana do rapaz, mas a banana do rapaz não te ama, tem outros rapazes com outras bananas no universo, não precisa se prender ao rapaz nem prendê-lo a você. Essa opção não produz bem viver nem boa convivência.

Porque você dá à palavra “amor” o significado de afeto (sentimento).

Toda doutrina é feita de palavras. O significado que você dá às palavras de uma doutrina, não vem da doutrina, vem da sua cabeça. Quando você entra em contato com uma doutrina que fala em amor, mesmo que você seja criança, você já ouviu pelo menos umas 10 mil vezes sua mãe lhe dizendo “eu te amo”.

Sua mãe estava se referindo ao afeto (sentimento) dela por você, estava dizendo que você é muito querido para ela, muito especial, muito importante. Só que sua mãe não te explicou que amor é desejo, que desejo é quaternário e que afeto (sentimento) é um dos quatro desejos humanos. Menos ainda que amor é fácil, difícil e impossível. Então, só lhe resta grudar esse significado afetivo e maternal à palavra amor. Amor = afeto (sentimento) que minha mãe tem por mim.

Daí, quando você entra em contato com uma doutrina que fale do amor e recebe um ensinamento que diz que você deve amar o próximo, o que você entende? Entende que deve amar o outro assim como sua mãe ama você. Ou seja, você deve dar mamadeira para o outro, fazer cafuné, lavar a louça, lavar a cueca, fazer almoço e janta, ficar preocupado, limpar a bunda do outro, enfim, você deve cuidar do outro assim como sua amorosa mãe cuida de você.

E mais! Você deve ter afeto (sentimento) pelo outro, sempre, faça ele o que fizer. Mesmo que o outro abuse de você, lhe violente, lhe desagrade, você deve amar o abuso, a violência e o desagrado, assim como sua mãe ama você.

Isso é amor impossível. Você pode respeitar a violência, o abuso e o desagrado, mas amar é impossível. Só que sua mãe não te explica isso quando diz “eu te amo”, nem as doutrinas religiosas, quando lhe dizem: “ame ao próximo como a si mesmo”.

Eis porque você não consegue amar o próximo. Amar o próximo não é afeto, não é sentimento, é dar liberdade ao outro de ser outro, diferente de você. Só isso!

E isso é inevitável. O outro é o outro, diferente de você. O outro não precisa da sua permissão para ser outro. Mas você, internamente, proíbe o outro de ser outro. E daí fica vivendo o inferno da proibição. Só você sofre com isso. O outro nem sabe que você está lhe proibindo de ser diferente de você. Só você sabe disso e só você sofre com isso.

Então, no final das contas, o ensinamento “ame ao próximo” visa ajudar você a se libertar do inferno da proibição e não fazer com que você seja o salvador da humanidade.

Se o que você deseja é boa convivência, sim, se for outra coisa, não, vai te atrapalhar, pois o que você deseja pode não desejar você. Por exemplo, você deseja ter Maria, mas Maria não deseja você, Maria deseja ter Roberto. Se você for praticante do amor difícil, você dará a Maria a liberdade de desejar ter Roberto e isso irá atrapalhar seu desejo em ter Maria.

A palavra tolerância pode ser entendida como aceitação e daí pular para submissão. Amor difícil não é se submeter a vontade do outro, é dar ao outro a liberdade de ser outro, diferente de você. E o outro nem precisa da sua permissão para isso. O outro é outro, diferente, inevitavelmente. Então, quando você dá ao outro a liberdade de ser diferente você não está libertando o outro, está libertando a si mesmo da crença da uniformidade.

Claro que o comportamento do outro interfere na sua experiência e isso pode ser doloroso, frustrante, insatisfatório, desagradável, etc. Claro que você gostaria de controlar o outro e mudar o comportamento dele para prazeroso, satisfatório, agradável, etc. Mas fazer isso é se escravizar ao ofício de viver observando e controlando o comportamento do outro. É por isso que amor difícil é a melhor opção de convivência, tanto para você como para o outro. Quando você dá liberdade para o outro cuidar da própria vida, você se liberta da prisão de ter que ficar cuidando da vida do outro.

Isso não significa que você e o outro não podem conversar e entrar num acordo. Sim, vocês podem e devem. O outro quer conviver bem tanto quanto você. Quando vocês conversam, vocês podem encontrar um jeito de cooperarem um com o outro e ambos terem seus desejos satisfeitos.

Para terminar, preciso dizer que essa decisão de dar liberdade ao outro de ser outro, só acontece de fato quando você está consciente que essa é única opção que produz boa convivência. Sem essa consciência, sua prática do amor difícil será falsa, você estará sendo carrasco de si mesmo e o resultado será a produção de raiva, mágoa e sentimento de vingança.

Felicidade não, produz boa convivência. Por exemplo, você quer fazer sexo com sua esposa, mas ela não quer fazer sexo com você. Se você é praticante do amor difícil você irá respeitar o desejo da sua esposa e não irá forçá-la a fazer sexo com você. Isso irá gerar boa convivência, mas você não ficará satisfeito com a escolha dela, você ficará insatisfeito.

Todo relacionamento é amoroso. Quando é odioso, não tem relacionamento. Agora, quais amores estão sendo satisfeitos em um relacionamento? Requer análise.

No outro está acontecendo a mesma coisa?

Sim, relacionamento é sempre 4 x 4. Seus quatro amores se relacionando com os 4 amores do outro

Então existe um outro “do lado de fora” e não somente dentro de mim?

Lado de fora é um entendimento materialista de alteridade, mas entendo o que quer dizer. Sim. Tem o outro de fato. E esse outro tem natureza intrínseca. O detalhe e sutileza é que o outro que você experimenta não é o outro em si, enquanto ser, é sua experiência do outro. E sua experiência do outro é feito dos seus significantes e seus significados, logo, é o seu outro. Por exemplo, você está conversando comigo. Eu sou outro. Sou o Ferrari. Mas eu sou o seu Ferrari. Sou o Ferrari-Suzanado. O Ferrari da Alexa é outro, diferente do seu. O Ferrari da Alexa é o o Ferrari-Alexado. E assim por diante.

Não! Amor é desejo. Felicidade e sofrimento são emoções. Seu sistema emocional (Mestre da Felicidade) não deseja. Quem deseja é você. Mas você não tem como ficar consciente do seu desejo sem a manifestação das emoções. Você fica consciente do que quer e não quer ao experimentar felicidade e sofrimento. Felicidade é seu sistema emocional falando que você quer algo. Sofrimento é seu sistema emocional falando que você não quer.

Por exemplo, se você sofre com seu emprego, esse sofrimento está dizendo que seu emprego é indesejado. Entende? Você não experimenta seu desejo diretamente, você experimenta o sofrimento e a experiência do sofrimento denuncia seu desejo oculto.

A mesma coisa com a felicidade. Se você é feliz com o seu emprego, essa felicidade está dizendo que seu emprego é desejado para você. E assim é com tudo. Seu sistema emocional é o Mestre da Felicidade porque lhe explica o que você quer, mas quem quer é você.

O amor impossível não. Você jamais irá amar o mal, o ruim, o nulo e o falso, isso é impossível. O que pode mudar é sua experiência com o objeto, e daí, mudar o tipo de amor que você tem em relação a esse objeto.

Por exemplo, eu amava o político Fulano pela honestidade dele. Até que descobri que Fulano não era tão honesto assim. Como eu amo honestidade, deixei de amar Fulano.

O mesmo acontece com qualquer objeto.

Outro exemplo, eu amava suco de laranja porque me fazia bem, até que começou a me fazer mal. Como amo o bem, deixei de amar o suco de laranja.

Outro exemplo, eu odiava lavar louça porque era entediante e tinha coisa mais importante para fazer. Até que entendi que não tem nada mais importante para fazer do que o que estou fazendo e lavar louça é brincar com água e sabão. Lavar louça ficou divertido e virou amor fácil.

Amor é desejo. Desejo é um carro que está sempre ligado e sempre em movimento. Só que assim como o motorista do carro não é o carro, o motorista do desejo também não é o desejo. O motorista é você. É você que dirige seu desejo e não seu desejo que dirige você.

Usando a linha de raciocínio da sua pergunta. Você pode ser um péssimo motorista: doente. Ou você pode ser um ótimo motorista: saudável. Seu desejo não tem nada a ver com sua direção. Desejo não tem consciência. Você é a consciência responsável por dirigir seu desejo.

Se você está vivendo mal é sinal que o motorista está doente e não o desejo. A doença do motorista é sempre a mesma: ignorância. Então, o remédio também é sempre o mesmo: praticar autociência para produzir autoconhecimento e sair da ignorância.

Você sabe o que é amor e ódio? Você sabe para que serve? Sabe como funciona dentro de você? Se você ignora a natureza, a serventia e o funcionamento do amor e do ódio em você, como pode lidar bem com o amor e o ódio nos outros? Não pode! Impossível. Percebe? É sua ignorância de si que lhe impede de lidar bem com o comportamento dos outros.

Quando você é consciente do seu próprio funcionamento, fica simples lidar bem com o comportamento dos outros, porque o outro é outro você, ser humano igual você. Então, o primeiro passo para lidar bem com o amor e o ódio dos outros, é virar o olho do avesso. Ou seja, ao invés de ficar olhando para fora, para o outro, olhe para o seu amor e o seu ódio. Observe do que se trata. Entenda para que serve. Veja como funciona.

Fazer isso é você praticando autoobservação. Autoobservação produz autoconhecimento. Quanto mais autoconhecimento você produz, menos ignorância. Quanto menos ignorância, maior sua competência em lidar com o comportamento dos outros, melhor você vive e convive.

Daí, você pode me perguntar: Como você sabe que me ignoro?

Se você não se ignorasse não estava me perguntando sobre algo que acontece em você.

Daí, você pode pensar: E você precisa jogar minha ignorância na minha cara?

E o que você espera que um professor de autociência faça com sua ignorância? Que a coloque em cima de um altar, acenda velas, se ajoelhe e a idolatre? “Louvada seja essa ignorância, para sempre seja louvada!” Eu posso até fazer isso, mas em que isso vai lhe ajudar a viver melhor? Jogar sua ignorância na sua cara é uma ajuda que lhe ofereço para que fique consciente dela e assim possa sair dela. E você não precisa aceitar minha ajuda. Minha oferta é voluntária, gratuita e sem expectativas de aceitação.

Daí, você pode concluir: “Então, não vou perguntar mais nada, vou ficar caladinho, assim escondo minha ignorância e vou parecer sábio”.

Isso é o que você tem feito sua vida inteira. Isso é o que todos os seres humanos têm feito desde sempre. Se funcionasse, já tinha funcionado. Então, porque não experimentar um novo caminho: expor a ignorância? Só de curioso. Só para fazer uma experiência. Só para ver se expor a ignorância é uma opção melhor do que escondê-la. Se não for, sem problemas. Só voltar para o esconderijo.

Exato! Por isso, primeiro você precisa aprender a respeitar a si mesma, respeitar sua unicidade, respeitar o que é bem, bom, caro e vero para você. Daí você entenderá que todos os seres humanos estão buscando viver em acordo com o que é bem, bom, caro e vero para eles, exatamente igual você. Ao ficar consciente disso, a opção de amar difícil (respeito) se fará presente e você optará por ela, pois saberá que é a única forma de viver e conviver bem.

Ninguém nasce sabendo o que é amor, mas essa palavra surge rapidamente na convivência humana. Você escuta sua mãe dizendo que te ama. O padre fala de amor na igreja e assim por diante. Você começa a construir um significado para essa palavra.

Meu entendimento do amor era superficial como de todo mundo. Eu acreditava que amor era um sentimento. Vivi com esse entendimento por muitos anos.

Daí, quando comecei a praticar autociência, entendi que precisava sair da superficialidade do amor, precisava encarar o amor, investigar a fundo e ver do que se tratava de fato. Quando fiz isso, ficou óbvio que amor é desejo.

Essa foi a EUreka do amor. Daí pra frente, foi só troca semântica para deixar cada vez mais explicito que amor é desejo.

Amor é desejo.
Desejo é atração e repulsão.
Atração e repulsão é magnetismo.
Logo, amor é magnetismo.

Amor fácil é amar o bem, bom, caro e vero. Boa convivência é bom, então, sim.

Amor difícil é amor consciente porque surge da consciência de duas obviedades:

1) Um é diferente de um, ou seja, você é diferente do outro e vice versa.
2) A melhor forma de convivência é a universalidade.

Mesmo uma pessoa de mentalidade materialista pode observar e constatar essas duas obviedades, por isso, sim, é possível amar difícil mesmo com mentalidade materialista.

Sim, eu já odiei usar fio dental, por exemplo, hoje em dia é amor quase fácil. Também já amei cigarro, hoje em dia é amor impossível. Tudo é circunstancial. É muito importante considerar isso. Quando você está odiando algo, odiando você está. Então, nesse momento, o que é amor impossível, impossível é. Mas no próximo instante tudo pode mudar. Ou seja, não tem receita de bolo. Viver é dinâmico. Viver bem também é dinâmico.

Estar cercado só de amor fácil é como se você pudesse ficar morando eternamente na barriga da sua mãe. Dentro do eterno útero você não experimentaria nenhuma dor, nenhum sofrimento, nenhuma frustração, nenhuma contrariedade, não teria nenhum boleto para pagar, nenhum amor impossível, só amor fácil.

Pense em seu atual amadurecimento e compare com seu amadurecimento quando estava na barriga da sua mãe. Em qual situação há mais amadurecimento?

Por isso que pessoas que só tem vida boa tendem a viver mal e pessoas que tem vida ruim tendem a viver bem. Pessoas que moram na favela, por exemplo, perdem tudo durante um temporal, inclusive familiares. Mas se viram e continuam vivendo. Pessoas muito ricas, quando sofrem falência financeira, se suicidam, pois não conseguem viver bem quando a vida está ruim.

Não. É impossível deixar de ser carente. Carência é inevitável. Carência é desejo. Todo ser é desejante, então, todo ser é carente. O bem viver não vem do fim da carência. Esse é o equívoco. O bem viver vem de lidar bem com a carência. Você está lidando mal com sua carência, estava lidando de forma outroísta submissa, por isso estava vivendo mal.

Lei da atração é um equívoco. Desejo não atrai, empurra. O desejo do macaco não atrai a banana, empurra o macaco para ir de encontro a banana. O funcionamento do desejo é exatamente o oposto do que é divulgado pelos ensinamentos conhecido como lei da atração.

INTERLOCUTOR: Você pode dar outros exemplos além do exemplo do macaco?

Tudo na sua realidade (vida) serve de exemplo. Na hora do almoço, seu desejo não atrai o feijão para o prato, seu desejo empurra sua mão até o feijão e depois empurra o feijão até seu prato. Quando é domingo, seu desejo não atrai a praia, seu desejo te empurra para ir até a praia. Vamos supor que você está assistindo novela agora, seu desejo não está atraindo a novela, está te empurrando para assistir a novela. Olhe para mesa da sua sala. Seu desejo não atraiu essa mesa, te empurrou para comprar essa mesa e agora ela está aí na sua sala. Esse sapato no seu pé. Como foi parar no seu pé? Seu desejo te empurrou para comprar esse sapato. Vamos supor que você é casada e tem filhos. Como seu marido e seus filhos surgiram na sua realidade? A partir do momento que seu desejo te empurrou para se casar e ter filhos. E assim por diante. Olhe ao seu redor e constate. Todas as coisas e situações chegaram e chegam na sua realidade empurradas pelo seu desejo.

INTERLOCUTOR: E onde fica a lei da tração?

Fica na prateleira dos equívocos, do lado dos unicórnios e do geocentrismo.

INTERLOCUTOR: Quando quero comprar algo, um carro, por exemplo, de marca tal, cor tal, etc, começo a ver um monte de carros pela rua daquela cor e daquele modelo. Se isso não é lei da atração, é o quê?

Isso é seleção de informação por interesse. Seu desejo faz você prestar atenção no que quer e ignorar o que não quer. Pegue uma revista e folheie a revista inteira. Depois pegue essa mesma revista e dê para seu filho folhear. Daí converse com seu filho sobre o que vocês viram nessa revista, as fotos, os títulos, etc. Você vai perceber que seu filho viu um monte de coisas que você não viu e vice versa. Por que isso? Por que seu desejo te empurrou para prestar atenção no que é do seu interesse e fez o mesmo com seu filho, e como seu desejo é diferente do desejo do seu filho, vocês viram e ignoraram coisas diferentes na mesma revista. Se você entender que sua realidade é como um revista, entenderá que a mesma seleção de interesse está acontecendo a todo instante.

INTERLOCUTOR: Então, a lei da atração é o quê?

A lei da atração é um equívoco. Um equívoco que vende livros, que deixa os autores ricos, que promete deixar os leitores ricos, mas que não deixa de ser um equívoco.

INTERLOCUTOR: Você pode explicar porque a lei da atração é um equívoco?

Já expliquei. Por que desejo não atrai, empurra.

INTERLOCUTOR: Então, existe ou não existe lei da atração?

A lei da atração não existe como lei natural, existe apenas como uma crença na cabeça das pessoas, tal como a crença na existência de unicórnios. O que existe de fato, como lei natural, é o desejo. E desejo não atraí, empurra.

INTERLOCUTOR: Então, não existe lei da atração!

Exatamente!

Em termos científicos, da física, sim.

PERGUNTA: E em termos psicológicos?

É desejo.

PERGUNTA: Mas se desejo é amor, então, amor é magnetismo?

Exato! Por isso o que você ama é atraente e o que você odeia é repelente.

Acho que você está confundindo os termos “amor difícil” com “amor impossível”. Mesmo que não esteja, é muito comum fazer essa confusão, pois o antônimo de fácil é difícil. Então, quando você pensa no oposto de “amor fácil”, automaticamente pensa em “amor difícil”. É quase inevitável pensar assim. Só que o antônimo de “amor fácil” é “amor impossível”. As palavras “fácil, impossível e difícil” ajudam por um lado, mas confundem por outro, eu sei. Por isso, é preciso muita atenção ao usá-las, e principalmente, autoconhecimento.

Amor difícil não é amor, não é desejo. Amor difícil é uma prática consciencial que RESULTA em respeito. Nem respeito é. Pois se você não executar a prática consciencial de ficar consciente do funcionamento do desejo, você não consegue chegar ao resultado que é o respeito. Sem a prática de ficar consciente do funcionamento do desejo você apenas se obriga a respeitar os outros, e fazer isso é engolir sapo, é outroísmo submisso, é você desrespeitando a si mesmo, desrespeitando sua unicidade. Então, não é respeito, não produz bem viver, nem boa convivência.

Dito isso, para você evitar confundir os termos, sugiro DELETAR a palavra amor do seu dicionário mental. Sugiro pensar assim: amor fácil = desejado, amor impossível = indesejado, amor difícil = prática consciencial que resulta em respeito. Entendido isso, nunca mais use a palavra amor. Deleta da cabeça.

A 1ficina só usou a palavra amor nesse livro para libertar você do equívoco da abnegação. Se a 1ficina não lhe explicasse o funcionamento do desejo usando a palavra amor, o equívoco da abnegação continuaria. Mas agora que você já se esclareceu sobre o equívoco da abnegação, sugiro deletar a palavra amor, pois de fato o que existe é o desejado, o indesejado e a prática consciencial que resulta em respeito.

Amor fácil e amor impossível é o mesmo amor. São os dois lados de uma mesma moeda. Amor fácil e amor impossível não são opcionais. Amor fácil é fácil justamente porque não é opcional, é inevitável. Quando você ama algo, você não tem opção de não amar, pois você ama. E por amar, simultaneamente, odeia o oposto, pois o ódio é o outro lado da moeda do amor. Então, amor fácil e impossível não é opcional. Amor difícil, esse sim, é opcional. Amor difícil é você executando seu arbítrio no sentido de dar liberdade para si mesmo e para o outro de amar fácil. Amor difícil é libertação. Dar liberdade é difícil porque você criou o HÁBITO de proibir a si mesmo (outroísmo submisso) e ao outro (outroísmo impositivo) de amar fácil. Abnegação é a crença de que é possível, louvável e saudável amar o que se odeia, ou seja, amar o mal, o ruim, o nulo e o falso. SUA abnegação é outroísmo submisso. É você se obrigando a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para você. Esperar abnegação DO OUTRO é outroísmo impositivo. É você obrigando o outro a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para ele.

Você ama a experiência do bem, bom, caro e vero que o outro estimula em você e não o outro. Por isso que ninguém ama ninguém. No instante em que o outro para de estimular experiência de bem, bom, caro e vero em você e começa a estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso, imediatamente e inevitavelmente, você começa a odiar o outro. Amor fácil não é pelo outro, é pela experiência de bem, bom, caro e vero. Amor difícil sim é pelo outro. Amor difícil é sua opção de dar liberdade ao outro de ser diferente de você apesar dessa diferença lhe estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso. Interessante observar que você faz isso com os objetos, plantas e bichos, mas não faz com os outros seres humanos. Manga tem sabor de manga. Se você acha ruim o sabor da manga, você não obriga a manga a ter sabor de morango. Ou seja, não obriga a manga a ser diferente do que é. Vaca dá leite. Se leite te faz mal, você não obriga a vaca a botar ovo. Ou seja, não obriga a vaca a ser diferente do que é. Fogo queima e você não obriga o fogo a fazer cafuné. Ou seja, não obriga o fogo a ser diferente do que é. Enfim, você não obriga os objetos, plantas e bichos a serem diferentes do que são, pois você sabe que isso é impossível e sabe que tentar realizar o impossível é se condenar a fracasso eterno. Porém, você faz isso consigo mesmo e com o outro. Você se obriga a fazer, gostar, valorizar e pensar igual o outro e obriga o outro a fazer, gostar, valorizar e pensar igual você. E ao invés de você chamar isso de insanidade, você chama de amor, abnegação, altruísmo, espiritualidade, religiosidade, nobreza, ética, virtude, educação, etc.

Amor materno é amor fácil, mais especificamente, afetivo. Afeto é valor. Não tem nada mais valioso para uma mãe do que seus filhos. Na cabeça de uma mãe, um filho é uma extensão dela mesma, afinal, o filho é uma criação dela. Por isso o afeto de uma mãe por seu filho é tão forte e singular. Por isso o afeto de um pai por seu filho não é tão forte como o afeto de uma mãe.

O desejo de todo ser é ser (autorrealização). Quando um ser está brincando de ser humano, como no seu caso atual, o desejo se especifica em autorrealização humana. Contudo, para viver em autorrealização humana, você precisa ficar consciente sobre como funciona a natureza humana e como você funciona dentro dela. Esse despertar psicológico e pessoal pode ser entendido como expansão. Mas não tem expansão no sentido de aumento existencial. Na verdade, sua ignorância é que fica menor. Com menos ignorância, mais autorrealização.

Afeto é desejo afetivo, é você desejando o caro e rejeitando o nulo.

Então, sinto afeto ao que é caro para mim?

Sim, suas filhas são valorosas para você, por isso você as ama. As filhas do meu vizinho Egberto não tem valor nenhum para você, por isso você não as ama. As filhas de uma pessoa que você detesta, capaz que você deteste também, por tabela.

Afeto é o que me leva a prática do amor difícil?

Não! O que leva você a prática do amor difícil é o sofrimento. Viver é conviver. Ou você aprende a amar difícil ou morre de tanto sofrer com a convivência.

Você já viu aqueles filmes de tribunal? É parecido. Cada um dos quatro amores é um advogado. Cada um expõe seu caso, defende seus interesses. Você é o juiz. Você decide.

Mas meus advogados sou eu.

Sim e não. É, mas também não é. São aspectos diferentes de você. Desejo não tem consciência. Não sabe de si. É você (consciência) que sabe dos seus desejos. Então, você ouve as partes e decide o que é melhor. E deve explicar para seus quatro advogados porque aquela decisão é a melhor, deve deixar óbvio. Você fazendo isso, é você explicando o óbvio para si mesmo.

Se faço isso, meus amores param de brigar?

Vão brigar contra o que? Contra o óbvio? É caso perdido. Contra o óbvio não há argumentos.

Você ama fácil ALGO. Vamos chamar esse algo de OBJETO do seu amor fácil. Você ama fácil esse OBJETO e é isso. Por que você ama fácil esse OBJETO? Qual o motivo? Você não sabe. Você sabe que ama fácil porque está amando, então, é obvio que você ama fácil. Só que você não sabe porque está experimentando esse amor. Você ignora o motivo. Nesse livro a 1ficina explica o motivo. Você ama fácil ALGO porque é bem, bom, caro ou vero para você. E mais! QUANDO é bem, bom, caro ou vero para você. Isso é o amor fácil. O oposto do fácil você odeia. O que você odeia é amor impossível.

Porque você tenta uniformizar seu amor fácil. Você ama estrogonofe, então, você quer que tudo tenha sabor de estrogonofe. Quer que seu marido tenha sabor de estrogonofe, que seus filhos tenham sabor de estrogonofe, que eu e todos os seres do universo tenham sabor de estrogonofe. Só que cada um tem seu próprio sabor. Mas você é cabeçuda, teimosa, impositiva e burra, então, está determinada a fazer com que todos os seres do universo satisfaçam suas expectativas. E como ninguém consegue ser diferente do que é, começa a treta. Se você for o única cabeçuda, teimosa, impositiva e burra do universo, a treta é pouco. Agora, imagina se cada um quiser que o outro tem o sabor do seu prato preferido? Imagina o tamanho da treta?

Por vários motivos. Vou citar três:

1) O ser humano é quaternário, então, tem quatro desejos. E sendo que amor é desejo. Então, você ama em quatro dimensões.

2) O tal do amor incondicional do qual tanto se fala, é amor difícil (respeito). Mas enquanto você não entende que amor é desejo, fica impossível entender o que é respeito e como se pratica o respeito.

3) A ignorância do que expliquei acima te mantém preso na abnegação e consequentemente, vivendo mal.

Por que você é um ser desejante, não tem como deixar de ser desejante e a natureza do desejo é polarizada, nunca é neutra (equânime).

Por dois motivos, primeiro porque o ser humano é ser e humano. Depois porque a natureza humana é quaternária. Se você analisar todas as definições de amor, você descobrirá que todas se encaixam em algum dos quatro amores fáceis ou então se refere ao amor difícil.

A definição platônica de amor, por exemplo, é igual à definição básica da 1ficina de que amor é desejo. A definição Aristotélica, de que amor é filia, é amor fácil na dimensão afetiva. A definição Nietzscheriana de amor fati, é amor difícil. A definição cristã de amor também é amor difícil. E por aí vai…

Todas as definições de amor se encaixam em amor fácil ou difícil.

Por dois motivos:

1) Porque na maior parte do tempo você opta subconscientemente.

2) Porque você programou seu subconsciente para optar de forma outroísta.

Por que seus filhos são caros para você e o filho dos outros são nulos. Se o filho dos outros fossem caros para você e os seus filhos fossem nulos, seu comportamento seria o oposto.

Provavelmente o que você está chamando de “colocar os conceitos da 1ficina em prática” deve ser algo como reprogramação mental. Você tinha uma programação mental Xis e está substituindo essa programação Xis pelos conceitos da 1ficina. Isso é muito comum entre iniciantes e ajuda nos primeiros passos, só que isso não é a prática da autociência. Autociência se pratica através da autoobservação e da autoanálise e não através da reprogramação mental. Os conceitos da 1ficina são para ajudar na prática da autociência, mas não são a prática da autociência.

Quando observei e fiquei consciente da minha unitrindade, eu ainda não havia escrito o livro Fábrica da Realidade. Quando observei e fiquei consciente do funcionamento do sofrimento, eu ainda não havia escrito o livro Mestre da Felicidade. Quando observei e fiquei consciente da quaternalidade humana, eu ainda não havia escrito o livro Quatrix. Ou seja, quando comecei a praticar autociência eu ainda não havia inventado nenhum dos conceitos da 1ficina que você está estudando agora. Eu não havia sequer inventado a palavra “autociência” ainda. Eu apenas pratiquei autoobservação, nada mais.

Se você quer ir direto ao despertar da consciência, sem conceitos, isso é ótimo! Foi isso que eu fiz. É isso que todo ser humano deveria fazer. Porém, contanto que você saiba que o mapa não é o território, os conceitos da 1ficina podem ser mapas de grande ajuda. Eu queria ter tido os mapas da 1ficina quando comecei minha jornada de autoconhecimento, teria me poupado de muitos unicórnios e buracos. Vocês, alunos da 1ficina, tem uma oportunidade que eu não tive. Aproveitar ou não, é decisão de vocês.

Porque afeto é valor. Quando uma pessoa tem muito valor para você, essa pessoa é cara para você. Já ouviu alguém falando “minha cara, fulana”. Caro é sinônimo de querido, que é sinônimo de afeto. Uma coisa que não tem valor, uma coisa sem importância, é nula. Por isso, no amor afetivo você deseja o caro e não deseja o nulo.

Meio termo, em si, não tem problema. O problema é obrigação de chegar a um meio termo. Eu e você estamos numa convivência, discordamos, daí você vem rezando o sermão da montanha de que TEM QUE chegar num meio termo. E se eu não quiser meio termo? Percebe? TEM QUE ter meio termo é uma cagação de regra DISFARÇADA de democracia. Não é democracia de fato.

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seus pais.

Quer dizer então que não amo meus filhos?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seus filhos.

Quer dizer então que não amo meu cachorro?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama seu cachorro.

Quer dizer então que eu não amo porra nenhuma?

Se você ama, você ama.

Então, o que muda?

Muda que agora você sabe o que é amor e porque ama essa porra.

Gula é busca por prazer, é amor ao bom (amor fácil sensorial).

Se é caro, é amor fácil afetivo.
Se é bom, é amor fácil sensorial.
Se é falso, é amor impossível intelectual.
Se é mal, é amor impossível físico.

Pergunta: Como lidar bem com essas divergências?

Com lucidez e maestria. Se está lidando mal, então, é isso que está faltando.

Pergunta: Como adquirir lucidez e maestria?

Praticando autociência.

Você não decide o surgimento do desejo e também não decide o desaparecimento. Desejo não tem botão de liga e desliga. Se tivesse, você desligava. Se tivesse, não existiria tanta música de dor de cotovelo no mundo. O que você pode e deve fazer é dirigir seu desejo quando ele surge.

Por exemplo, de repente, surge a fome. Fome é desejo pelo bem, desejo por comida. Você não tem como desligar a fome, o que você pode fazer é dirigir a fome, ou seja, decidir como realizar seu desejo, como saciar a fome.

Se você dirige bem seus quatro desejos (físico, sensorial, afetivo e intelectual), você vive bem. Se você dirige mal, você vive mal. Então, se quer viver bem, não tente ligar ou desligar seu desejo, isso é impossível. Pratique autociência e produza autoconhecimento. Quanto mais autoconhecimento, mais competência terá para dirigir seu desejo.

Você não reclama com o caixa eletrônico, mas você reclama com o funcionário humano do banco que executa o mesmo serviço do caixa eletrônico. Por que?

Até reclamo com o caixa eletrônico, mas sei que não vai dar em nada.

Por que não vai dar em nada?

Porque o caixa eletrônico é um robô programado.

O caixa eletrônico se comporta sempre de acordo com o gabarito dele (programação dele). E o ser humano?

O ser humano tem autonomia para tomar decisões e mudar de comportamento. Por isso reclamar com o atendente do banco é diferente de reclamar com o caixa eletrônico.

Ao invés do termo “autonomia para tomar decisões” vou usar a palavra “arbítrio”. Você não reclama com o caixa eletrônico porque sabe que o caixa eletrônico não tem arbítrio, logo, é impossível convence-lo a mudar de comportamento. Você sabe que pode chorar, espernear, chantagear e até explodir o caixa eletrônico, ele não vai mudar de comportamento para satisfazer seu desejo. Por isso você nem tenta. Mas você tenta com o outro ser humano, por que?

Porque o outro ser humano pode decidir mudar de comportamento e atender minha reclamação.

Exato! Você não consegue convencer o caixa eletrônico a lhe agradar, mas consegue convencer um ser humano. Mesmo que você apontar uma arma para um caixa eletrônico e disser “Me dá todo seu dinheiro ou eu atiro e te mato!”, o caixa eletrônico não vai mudar de comportamento. Você sabe disso. Então, você nem tenta. Porém, na infância, quando sua mãe tirou a teta da sua boca, você chorou. E sua mãe, mesmo cansada, mesmo sem leite, mesmo com o bico do peito doendo, ou seja, mesmo contrariada, deu a teta de volta para lhe agradar. Nesse momento você fez a matricula na faculdade do outroísmo e teve sua primeira lição de como transformar um ser humano em um escravo seu. Basta chorar e reclamar. Muita prática e hoje você é o mestre do mimimi. O problema é que são milhões de seres humanos no mundo e apenas um deles é sua mãe. Então, quando está convivendo com esse outros seres humanos, por mais que você chore, reclame e tente, a teta não vem.

Então, acredito que o amor impossível é possível porque o outro ser humano pode optar por me agradar, mesmo que ao fazer isso ele esteja desagradando a si mesmo?

Exato! E vice versa. Você tem arbítrio, então, você pode se obrigar a optar pelo que é mal, ruim, falso e nulo. Você sofre e vive mal quando faz isso. Mas isso é possível. Então, você passa a acreditar que é possível amar o que você odeia. Amar não é possível, por isso você odeia. Mas é possível optar por viver assim. Isso é o outroísmo submisso. No outroísmo impositivo, você tenta obrigar o outro a fazer, gostar, valorizar ou pensar igual você. Você não tem como controlar o arbítrio do outro, mas o outro se deixa ser controlado por você. Isso lhe dá a falsa impressão de que você consegue controlar o arbítrio do outro e por isso você acredita que consegue fazer o outro amar o que odeia.

Você não pratica o perdão, você pratica engolir sapo. O que você chama de perdão, não é você dando liberdade ao outro de ser outro, diferente de você, é você se obrigando a aceitar o que não aceita. Se você não aceita, como aceitar? Impossível. Mas você acredita que perdoar é aceitar, então, você se obriga a aceitar o que não aceita. Ao fazer isso, você nem perdoa, nem vive bem, pois violenta a si mesmo. Se obrigar a aceitar não funciona, se funcionasse, já tinha funcionado. Sua mágoa continua porque perdão não acontece com você se obrigando a aceitar o que não aceita, pelo contrário, acontece com você se permitindo não aceitar o que não aceita. Quando você considera algo errado, aceite que considera errado. Ao invés de engolir o sapo, saboreie o óbvio. Esse é o primeiro passo para o perdão. Enquanto você não dá o primeiro passo, é impossível você dar o segundo, que é considerar que do ponto de vista do outro, o que você chama de problema o outro considera solução. O terceiro passo é perceber que isso é fato. É claro que do ponto de vista do outro ele considera certo o que faz, por isso opta por fazer. Quando você chega no terceiro passo, você não precisa mais executar o perdão, pois os três passos é o perdão sendo executado.

Sua pergunta supõe que você é capaz de ligar e desligar seu desejo. Isso é um equívoco. Se você fosse capaz de desligar e ligar seu desejo, você desligaria a fome, por exemplo. Pronto! Estava resolvido todos os problemas de obesidade do mundo. As pessoas gordas desligariam a fome e emagreceriam do dia para noite. Se fosse possível ligar e desligar o desejo, não haveria homem broxa no mundo, nem mulher frígida. As pessoas decidiriam ligar ou desligar o desejo sexual e pronto!

Só que desejo não é decisão. Por exemplo, você não decide ficar com fome, o desejo de comer simplesmente surge, brota, acontece, inevitavelmente. O que você pode e deve decidir, é como realizar seus quatro desejos. Isso sim é opcional.

Dito isso, creio que ficou óbvio que é impossível você manter acesa a chama do desejo através do arbítrio. Mas é preciso observar também que o que você recebe durante um relacionamento acaba no instante exato em que recebe. Observe e comprove isso.

Vamos supor que você quer um carinho. Quanto mais o outro lhe acaricia, mais perto do fim você está de continuar tendo o que quer. Tudo que você recebe em um relacionamento é como um trem passando por uma estação, quanto mais o trem chega, mais o trem vai embora. Quando o outro termina de te acariciar, você perdeu tudo que queria. O carinho acabou.

Então, embora pareça contraditório, em um relacionamento, ter é perder, pois toda experiência começa para terminar. Por isso, quando um relacionamento é bom para ambos os lados, ambos querem repetir, pois ambos jamais irão se saciar do bom que um tem a oferecer ao outro.

Sim, as explicações da 1ficina vai comendo você pelas bordas e você nem percebe. Quando você se dá conta, já é tarde demais, o óbvio engoliu você. Primeiro fica óbvio que você é um ser desejante. Depois que desejo é egoísmo. Quando você entende isso, está igual peru de natal, pronto para o abate. Daí vem a machadada final. Amor é desejo. Kabum!!! Pode tocar a marcha fúnebre. The lovecórnio is dead!

Sim, claro! E felicidade por amor também. Você não está vivendo uma vida, você está brincando de descobrir o que é ser humano e como se realizar na forma humana. Tudo que você experimenta é oportunidade de autoconhecimento. Inclusive sofrer por amor.

Irmão é pouco! Irmão você até se permite odiar. Pior é quando você não ama sua mãe ou seu pai? Simplesmente não ama. É amor impossível para você? Daí vem a biba dizendo que “tem que amar pai e mãe” ou tá fudido. Ou então, quando seu filho não te ama. Simples assim. Não te ama e pronto. Como aceitar que um filho não te ama?

Quando seu amor por algo é completamente impossível, essa pergunta que você está me fazendo nem acontece. Quando algo é completamente mal, ruim, nulo e falso você não tem dúvidas sobre se afastar, você se afasta imediatamente. Você já viu gato com dúvidas em se afastar da água fria? Se você tem dúvidas sobre se afastar de algo, é porque seu amor por esse algo não é completamente impossível, tem algum amor fácil envolvido. Então, cabe a você colocar na balança os prós e os contras e decidir. Mas saiba que na nova opção também haverá prós e contras, inclusive prós e contras que você não é capaz de imaginar agora, mas que virão no pacote.

Não existe bem e mal absolutos. Bem e mal é sempre em relação ao desejo. Desejo é sempre particular. Então, bem e mal é sempre particular. Por isso não existe pessoa má. O que existe é um ser humano fazendo algo que você considera mal. O que não significa que todos os seres do universo consideram bem e mal igual você. Cada um considera diferente.

Numa guerra, por exemplo, cada país considera que o outro país é o mal. Quem é o bem e o mal de fato? Nenhum e ambos. Ambos são o bem aos seus próprios olhos e ambos são o mal no olhar alheio. O mesmo acontece com o estuprador. O estuprador está fazendo o que ama, está buscando satisfazer seu desejo, assim como você, assim como todos os seres do universo.

Claro que o estuprador poderia usar uma estratégia melhor que o estupro para satisfazer seu desejo e poderia considerar também o desejo de quem está sendo estuprado. Mas isso é outra conversa e não muda o fato que o estuprador estupra por amor.

Justamente o oposto. O dinheiro te atrai porque você não tem dinheiro. Igual chocolate. Você fica esperando a pascoa. Quando chega a páscoa, depois de comer o oitavo ovo de páscoa, você não quer nem mais ver chocolate na frente. O chocolate não te atraí mais. O dia que você ficar rica, vai enjoar do dinheiro. Mas enquanto for pobre, vai desejá-lo. Outro exemplo é o casamento também. Quem está dentro quer sair, quem está fora quer entrar.

Mas se o dinheiro me atraísse, ele estava na minha realidade

Está, só que está na sua imaginação (realidade simulada).

Dinheiro na imaginação não é dinheiro, não serve pra nada.

Serve para você saber que quer dinheiro.

Se eu quisesse dinheiro fazia alguma coisa para conseguir.

Você faz. Você reclama que não tem dinheiro. O problema é que reclamar não é uma estratégia eficiente para você conseguir dinheiro.

Amor é desejo. Desejo é egoísmo. Então, amor é egoísmo. Eu sei que dói matar o unicórnio do amor. Por isso usamos estratégias de fuga como amor incondicional, amor verdadeiro, compaixão, abnegação, altruísmo e oscambau. Tudo besteira. Amor é egoísmo. Não tem outro amor, só tem egoísmo mesmo. E para viver bem é imprescindível deixar isso óbvio. Pra mim, é óbvio ululante. Não existe outra MOTIVAÇÃO senão a busca pelo bem, bom, caro e vero. Faço o que faço porque desejo o bem, bom, caro e vero. Não faço nada por abnegação. Não faço nada por amor incondicional. Não faço nada por compaixão. Não faço nada por altruísmo. Faço por egoísmo puro. Faço porque desejo o bem, bom, caro e vero. Simples assim. Sem mistério. Sem segredo. Sem idolatria. E pra mim é óbvio que assim também é com todos os seres, não apenas os seres humanos, mas com todos os seres do universo. Pra mim é óbvio que o egoísmo é a única motivação de todos os seres do universo porque é a motivação do universo. O universo é o egoísmo absoluto. O universo só se interessa por seu próprio bem. Até porque, que outra motivação o universo teria sendo que o universo é tudo. Dito isso, para se realizar um objetivo, não basta desejar realizar, é preciso usar uma estratégia eficiente. Eu uso a melhor estratégia que conheço: viver de forma autoísta. Não existe estratégia melhor do que essa para realizar o egoísmo. Desconheço estratégia melhor. Se um dia eu descobrir que tem uma estratégia melhor para realizar meu egoísmo, mudo de estratégia imediatamente.

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© 2021 • 1FICINA • Marcelo Ferrari