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Adoradores de envelopes

17/01/2020 by in category Deus da cara preta, Textos tagged as with 0 and 0

As tradições religiosas são o apogeu da arte humana. Quem pintou a Capela Sistina não foi um pintor qualquer, foi Michelangelo. Existem simbolismos religiosos extraordinariamente expressivos. A roda de samsara, o sermão da montanha, a via crucis, as estrelas esotéricas, a alquimia, a cerimônia do chá, a mitologia grega, etc. Arte de primeira grandeza. Provavelmente produzida pelos seres humanos mais talentosos e lúcidos que viveram em cada época e em cada cultura.

Mas eu não confundo arte com história. Sei que o conteúdo das tradições religiosas são simbolismos do autoconhecimento. Entendo o que esses simbolismos representam porque eu me entendo. Sei o que é ser humano. Então, leio as religiões como se fossem um livro de poesia falando de mim.

Para mim, todas as religiões falam de mim, do ser humano que sou. Apenas falam isso em linguagens diferentes. Igual falar maçã e apple. Só muda o idioma. Aliás, não tem outra coisa para o ser humano falar senão do ser humano. Não tem outro assunto. É só disso que o ser humano sabe e consegue falar o tempo todo, pois o ser humano está preso e condenado ao ponto de vista humano.

Dito isso, posso afirmar que a prática da autociência não diminui nem retira a beleza das religiões. Muito pelo contrário, amplia. O que retira e diminui a beleza das religiões são os religiosos que apenas repetem uma tradição simbólica acreditando que é factual e assim obscurecem os simbolismos.

Símbolos religiosos são como cartas. Religiosos são adoradores de envelopes, pessoas que idolatram cartas que nunca abriram. Autocientistas abrem as cartas. Por isso entendem as religiões melhores que os religiosos e são capazes de explicá-las de forma prática e desmistificada. Mas isso é inaceitável para os adoradores de envelopes.

© 2021 · 1FICINA · Marcelo Ferrari