07ª Lição | Outroísmo submisso

10/11/2022 by in category Capitulos, Mestre da felicidade with 0 and 0

Outroísmo submisso é o oposto do outroísmo impositivo. Outroísmo submisso é quando você acredita que tem obrigação de satisfazer as expectativas dos outros (desejos dos outros). Isso também é um equívoco. Você não tem essa obrigação. O outro é o único responsável por satisfazer suas próprias expectativas (desejos). Por isso o outro tem arbítrio: para optar pelo que deseja e assim realizar seus desejos. Só que você usa mal seu arbítrio. Ao invés de você optar por realizar seu desejo independentemente da opinião do outro, você opta por realizar o desejo do outro para controlar a opinião dele sobre você.

Você é um escravo do que dirão. Você vive para agradar os outros. Basta o outro olhar torto para você que você já está sob seu controle. Você é feito um animal adestrado que obedece a todos os comandos do seu dono. O outro fala “deita” e você deita. O outro fala “rola” e você rola. O outro fala “finge de morto” e você finge de morto. Enfim, o outro fala e você obedece. Depois de um tempo, você está tão adestrado, que o outro nem precisa mais falar para você obedecer, você já obedece antes mesmo dele falar. Você internalizou o adestramento. Quando você chega nesse ponto de submissão, o outro pode desaparecer da sua vida, pode até morrer que você continua obedecendo seu dono como se estivesse presente.

Agora, pasme! Sabe porque você vive assim? Por amor! Você se submete à escravidão voluntária para ser amado pelo outro. Você se submete às expectativas dos outros para ser aplaudido, para receber um elogio, um tapinha nas costas, um sorriso de aprovação, um click de curti, um emoji de coração. Submissão é sua moeda de troca. Você se submete para comprar o amor do outro. Só que você dá sua pele para agradar o outro, doa todo o sangue do seu corpo, se transforma em um mico amestrado, mas o outro, além de não mover uma palha por você, ainda não te ama. Por isso você vive reclamando, vive se lamuriando, vive em depressão. É sua maneira implícita de dizer ao outro que ele está em dívida com você. “Ninguém se importa comigo! Ninguém me ama! Como as pessoas são ingratas!”. Você se sente o cristo encarnado, que faz tudo pelo outro, ama o outro, mas acaba sendo crucificado por quem ama. Só que você não ama o outro, você apenas tenta comprar amor com a moeda da abnegação. É por isso que eu apareço.

Abnegação é irrealizável, pois é impossível não-desejar e desejar é buscar o próprio bem. Só que você teima em acreditar que tem obrigação de satisfazer as expectativas dos outros (desejos dos outros). E para satisfazer as expectativas dos outros, você precisa se proibir de fazer o que você deseja e viver em abnegação. Quanto mais você se proíbe de fazer o que deseja, mais insatisfação você experimenta. Insatisfação é sofrimentês, sou eu te falando que você deseja algo. Porém, quanto mais insatisfação você sente, mais você acredita que a solução é comprar o amor do outro. Quanto mais você acredita nisso, maiores são seus esforços para tentar viver em abnegação. Quanto mais tenta viver em abnegação, mais eu aumento o volume da minha voz, ou seja, mais você sofre. E assim segue o ciclo vicioso do outroísmo submisso.

Como sair? Basta você me escutar! Eu apareço para te explicar a burrice que você está fazendo. Só que em sofrimentês. Nesse livro estou te explicando em português. Então, da próxima vez que você estiver me experimentando, procure se lembrar dessa explicação. Observe que minha permanência e aumento de volume de voz é resultado da sua opção pelo outroísmo submisso. Em seguida, faça uma coisa que ninguém pode fazer por você, nem eu: desista do outroísmo submisso. Minha função é te mostrar qual é a opção feliz e infeliz, mas optar é responsabilidade sua.

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