Nome aos bois

10/11/2022 by in category Capitulos, Egoísmo with 0 and 0

A palavra outroísmo é uma invenção minha. Então, para que você possa entendê-la, preciso explicá-la. Mas antes de explicar o que é outroísmo, primeiro vamos entender algo sobre o processo de nomear e conceituar. Nomear experiências comuns é fundamental para a comunicação. Quando se nomeia uma experiência abstrata, como calor, por exemplo, cria-se um conceito. Como o conceito dá concretude ao abstrato, através da nomeação e da definição, fica parecendo que o conceito cria a experiência. É justamente o oposto. A experiência vem primeiro, depois, para fins de comunicação, a experiência é nomeada e conceituada. Por exemplo, um objeto jogado para cima sempre caiu no chão, até que um dia, Issac Newton, foi estudar essa experiência e a nomeou lei da gravidade. A experiência da gravidade já existia antes de Newton nomeá-la, mas a partir da nomeação ficou possível e mais fácil conversar sobre a gravidade e outras experiências físicas relacionadas a ela. Ou seja, a nomeação possibilitou a comunicação. Outro exemplo é pensar na febre. A experiência da febre já existia antes de ser nomeada de febre. Alguém deu o nome de febre para febre. A partir daí ficou mais fácil se referir e conversar sobre febre. E por aí vai. Nomear e conceituar é muito importante, principalmente no campo da ciência. 1ficina é autociência, então, no primeiro livro que escrevi para 1ficina, eu precisava explicar um aspecto da experiência humana no qual ainda não havia uma palavra para comunicação. Sendo que não havia, precisei inventá-la: outroísmo. Pensei em outras possibilidades. Pensei na palavra “outrocentrismo” e até usei essa palavra durante algum tempo, mas achei que “outroísmo” era uma palavra melhor, daí mudei de opção. Enfim, a palavra “outroísmo” é uma invenção minha, mas o comportamento ao qual a palavra se refere, não é invenção minha.

© 2023 • 1FICINA • Marcelo Ferrari