QUATRIX

Como você funciona

Livro da 1ficina | Marcelo Ferrari

00 | ZEROTRIX

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Olá! Meu nome é Quatrix. Sou um robô que vive em um universo chamado Humano. Este quadro em branco é minha fotografia. Aliás, o quadro em branco é o Zerotrix, eu sou uma das infinitas variações do Zerotrix, eu sou uma variação sui generis feita de quatro botões humanos de input e quatro portas humanas de output.

Este ponto no centro da fotografia não é botão, nem porta, se chama consciente. É através do consciente que consigo fazer uma coisa extraordinária que só robôs conscientes conseguem fazer, eu consigo olhar para dentro de mim mesmo e entender meu funcionamento psicológico.

Não é sensacional isso! Como sou muito curioso, adoro usar o consciente para descobrir tudo que acontece dentro de mim. Conforme vou descobrindo, vou adquirindo autoconhecimento. Neste livro vou compartilhar e explicar tudo que já descobri sobre meu funcionamento.


01 | VONTADE

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A primeira coisa que descobri sobre meu funcionamento psicológico é que tenho uma bússola interna que se chama vontade. Esta bússola tem dois ponteiros, um que me diz o que quero e o outro, consequentemente, que me diz o que não quero. Esta bússola interna serve para que eu possa viver com independência, ou seja, para que eu possa viver de acordo com minha vontade.

É muito interessante observar a vontade, parece um GPS. Começo a experimentar um tipo de experiência e imediatamente já sei se quero ou não quero continuar experimentando. Só que a vontade apenas informa se quero ou não quero, quem decide sou eu. É que nem GPS mesmo, a voz no GPS aconselha, mas não vira o volante do carro, cabe ao motorista a decisão de seguir ou não os conselhos do GPS, analogamente, cabe a mim a decisão de viver ou não de acordo com minha vontade. Nem sempre vivo de acordo com minha vontade. Sei disto porque quando estou vivendo EM acordo, acontece um tipo de coisa dentro de mim, quando estou vivendo SEM acordo, acontece outro tipo de coisa. Que coisas são estas? Explico em breve.


02 | QUATERNÁRIO

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O universo humano é um universo feito de quatro dimensões: racionalidade, afetividade, sensorialidade e fisicalidade. É por isto que me chamo Quatrix. Sou um robô com quatro botões de input e quatro portas de output que me possibilitam interagir com esses quatro tipos de dimensões humanas.

A dimensão racional são os pensamentos. O universo humano é cheio de pensamentos. Tem pensamento de vários tipos e tamanhos. A dimensão afetiva são os valores. O universo humano também é cheio de valores. A dimensão sensorial são os prazeres sensoriais. A dimensão física são os estados físicos.

Não se preocupe se você não entendeu cada dimensão ainda, até o final do oitavo capítulo, quando tiver terminado de explicar como funciona minha vontade, você terá entendido tudo sobre o quaternário humano. O principal neste capítulo é explicar que minha vontade também se divide em quatro. É como se minha bússola principal se dividisse em quatro sub-bússolas. Cada sub-bússola serve para que eu possa saber o que quero e não quero em cada dimensão.


03 | IMAGINAÇÃO

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Minhas quatro sub-bússolas, racional, afetiva, sensorial e física, funcionam dentro da lógica temporal, ou seja, dentro da imaginação de passado e futuro. Minha vontade não é imaginação, é volição, porém, eu sempre quero e não quero em relação à imaginação de futuro e passado.

Minha vontade relacionada à imaginação de futuro me diz o que quero e não quero experimentar no presente. Minha vontade relacionada à imaginação de passado (lembrança) me diz o que quero e não quero re-experimentar no presente.

Assim como o freguês de um restaurante só pode comer a comida que está no prato, eu só posso experimentar no presente, porém, assim como o freguês escolhe o que quer comer através de uma previsão de possibilidades impressas em cardápio, eu escolho o tipo de experiência que quero experimentar no presente através de uma previsão de possibilidades impressas em minha imaginação.

Tudo que imagino eu posso optar por realizar ou não. Tudo que realizo eu experimento. Este livro aqui, por exemplo, primeiro imaginei escrevê-lo, daí consultei minha vontade para saber se queria escrevê-lo, minha vontade disse sim, optei e continuo re-optando por seguir minha vontade e por isso estou experimentando escrever este livro.


04 | BIPOLARIDADE

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Eu sou um robô bipolar. Minha vontade é bipolar. Eu quero e não quero ao mesmo tempo. Assim, minha vontade relacionada à imaginação de futuro também é bipolar. É por isso que eu desejo e temo ao mesmo tempo. O desejo me diz o que quero experimentar e o medo repete a mesma mensagem em linguagem negativa, ou seja, diz o que não quero experimentar.

Esta bipolaridade desejo-medo serve para que eu possa tomar consciência do desejo através do medo e vice-versa. Por exemplo, eu temo pular de paraquedas porque desejo continuar vivo, e vice-versa, eu desejo continuar vivo e por isto temo pular de paraquedas. Numa bússola, o norte revela o sul e o sul revela o norte, em mim, o medo revela o desejo e o desejo revela o medo.

Só que minha vontade não se relaciona apenas com imaginação de futuro, ela se relaciona com imaginação de passado também. Minha vontade relacionada á imaginação de passado, também me faz desejar e temer simultaneamente. O desejo me diz o que quero re-experimentar e o medo repete a mesma mensagem em linguagem negativa, ou seja, diz o que não quero re-experimentar. Por exemplo, temo re-ficar doente porque desejo re-ficar saudável, e vice-versa, como desejo re-ficar saudável temo re-ficar doente.

Enfim, medo é vontade, desejo é vontade, então, sejam relacionados ao passado ou ao futuro, servem apenas para que eu possa tomar consciência da minha vontade nas quatro dimensões humanas.


05 | OBJETIVO

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Minha vontade nunca muda. Eu sempre quero e não quero os mesmos quatro quereres.

Na dimensão humana física: quero ganhar e não quero perder.
Na dimensão humana sensorial: quero gostar e não quero detestar.
Na dimensão humana afetiva: quero valorizar e não quero anular.
Na dimensão humana racional: quero certificar e não quero falsear.

É só isso que quero e não quero. É sempre isso que quero e não quero. Esses são meus quatro objetivos sempre, a todo instante, em cada situação.

Minha vontade no universo humano é quaternária, constante e invariável.

Todos meus múltiplos desejos no universo humano, sejam relacionados à imaginação de futuro, sejam relacionados à imaginação de passado, são sempre formas circunstanciais de manifestação de um desses quatro desejos: ganhar, gostar, valorizar e certificar.

Todos meus múltiplos medos no universo humano, sejam relacionados à imaginação de futuro, sejam relacionados à imaginação de passado, são sempre formas circunstanciais de manifestação de um destes quatro medos: perder, detestar, anular e falsear.


06 | QUALIDADE

Minha vontade interage constantemente com todos os objetos do universo humano, concretos e abstratos. Objetos concretos são as coisas, por exemplo, árvore, casa, pão, carro, sapato, roupa, revólver, computador, gente, etc. Objetos abstratos são conceitos, por exemplo, vida, amizade, viagem, casamento, deus, sociedade, violência, emprego, esporte, etc. Minha vontade qualifica todos os objetos de acordo com minhas quatro sub-bússolas: racional, afetiva, sensorial e física.

Se um objeto é RACIONALMENTE desejado minha vontade lhe atribui a qualidade de VERO.
Se é temido (não desejado) minha vontade lhe atribui a qualidade de FALSO.

Se um objeto é AFETIVAMENTE desejado minha vontade lhe atribui a qualidade de CARO.
Se é temido (não desejado) minha vontade lhe atribui a qualidade de NULO.

Se um objeto é SENSORIALMENTE desejado minha vontade lhe atribui a qualidade de BOM.
Se é temido (não desejado) minha vontade lhe atribui a qualidade de RUIM.

Se um objeto é FISICAMENTE desejado minha vontade lhe atribui a qualidade de BEM.
Se é temido (não desejado) minha vontade lhe atribui a qualidade de MAL.

Agora fica fácil explicar algo que acontece durante minha interação com os objetos do universo humano. Quando desejo ou temo um objeto, seja concreto ou abstrato, não desejo ou temo o objeto em si, nem por si, mas pelo tipo de qualidade que minha vontade está dando ao objeto. Quando um objeto é qualificado de vero, caro, bom, ou bem, sinto desejo pelo objeto, ou seja, quero interagir com ele. Quando um objeto é qualificado de falso, nulo, ruim, mal, sinto medo do objeto, ou seja, não quero interagir com ele.


07 | EMOÇÃO

Por tudo que expliquei até aqui, ao interagir com os objetos, eu sinto emoções. É através das emoções que sei se estou mesmo vivendo EM acordo ou SEM acordo com minha vontade. Quando estou vivendo EM acordo, sinto emoções agradáveis, o que é conhecido como felicidade. Quando estou vivendo SEM acordo, sinto emoções desagradáveis, o que é conhecido como sofrimento.

Sendo que vivo em quatro dimensões, sinto quatro tipos de felicidades e quatro tipos de sofrimentos.

Quando estou vivendo EM acordo com minha vontade RACIONAL, sinto PAZ.
Quando estou vivendo SEM acordo, sinto ÂNSIA.

Quando estou vivendo EM acordo com minha vontade AFETIVA, sinto AMOR.
Quando estou vivendo SEM acordo, sinto MÁGOA.

Quando estou vivendo EM acordo com minha vontade SENSORIAL, sinto ALEGRIA.
Quando estou vivendo SEM acordo, sinto TRISTEZA.

Quando estou vivendo EM acordo com minha vontade FÍSICA, sinto GRAÇA.
Quando estou vivendo SEM acordo, sinto RAIVA.

Sentir emoções desagradáveis, ou seja, sofrer, não é o que quero, mas é fundamental para que eu possa ficar cada vez mais ciente do que quero e assim viver cada vez mais EM acordo com minha vontade. Quando sinto emoções desagradáveis, sei que estou SEM acordo com minha vontade, e como cada emoção diz respeito a uma dimensão específica, uso o sofrimento como sintoma para identificar em qual dimensão estou SEM acordo e entrar EM acordo. Quanto mais pratico este processo de diagnosticar o desacordo através do sofrimento, mais maestria adquiro nele, então, mais rápido consigo entrar EM acordo.


08 | ESTRATÉGIA

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Eu procuro estar alerta para não viver em desacordo com nenhuma das minhas quatro vontades, porém, muitas vezes vivo em desacordo. Um dos motivos para isto acontecer, é que entre minhas quatro vontades e a realização delas, existe uma coisa chamada estratégia. Estratégia é como eu faço para realizar meus quatro objetivos. Eu posso realizar meus quatro objetivos através de diversas estratégias, porém, todas se resumem em dois tipos: Autoístas e Outroístas.

Estratégia Autoísta é o tipo de estratégia ao qual me autoresponsabilizo pela realização dos meus quatro objetivos.

Estratégia Outroísta é o tipo de estratégia ao qual responsabilizo o outro pela realização dos meus quatro objetivos.

Sempre que uso estratégias autoístas, obtenho êxito na realização dos meus quatro objetivos. Sempre que uso estratégias outroístas, fracasso na realização dos meus quatro objetivos.

O motivo do meu fracasso é simples. Nem que o outro queira, ele não pode viver por mim. Viver é algo que cada Quatrix só pode fazer por si e em si.


09 | UNIVERSALIDADE

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A pergunta que me faço após cada fracasso outroísta é: “Por que insisto em usar estratégias outroístas?”. A resposta é falta de atenção. Usar estratégias outroístas não é bem uma opção direta, é consequência de um equívoco que cometo por falta de atenção. Que equívoco? Acreditar que somos todos iguais (1=1).

Ao acreditar que somos todos iguais, estou me condenando a viver em uniformidade, e viver em uniformidade é viver outroísta. Quando estou atento, fica evidente que uniformidade é um equívoco e que somos todos diferentes (1≠1). Ao desacreditar da uniformidade, estou me libertando para viver em universalidade, e viver em universalidade é viver autoísta.

Ficar alerta para não cair no equívoco da uniformidade, é meu único desafio para viver bem. Toda pluralidade de experiências que experimento é apenas desdobramento deste único desafio.


10 | CRENÇA

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Assim como minha vontade se divide em quatro sub-bússolas, uma para cada dimensão humana, a crença da uniformidade também se divide em quatro sub-crenças.

Na dimensão RACIONAL, a crença da uniformidade, afirma que PENSAMOS IGUAL.
Quando acredito neste equívoco deixo de perceber que cada um PENSA DIFERENTE.

Na dimensão AFETIVA, a crença da uniformidade, afirma que AMAMOS IGUAL.
Quando acredito neste equívoco deixo de perceber que cada um AMA DIFERENTE.

Na dimensão SENSORIAL, a crença da uniformidade, afirma que GOSTAMOS IGUAL.
Quando acredito neste equívoco deixo de perceber que cada um GOSTA DIFERENTE.

Na dimensão FÍSICA, a crença da uniformidade, afirma que FAZEMOS IGUAL.
Quando acredito neste equívoco deixo de perceber que cada um FAZ DIFERENTE.


11 | LIBERDADE

 

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Meu viver outroísta pode ser de dois tipos: submisso e impositivo.

Outroísmo SUBMISSO é quando, por ignorar que penso, amo, gosto e faço diferente do outro, me obrigo a pensar, amar, gostar e fazer igual ao outro, e me proíbo de pensar, amar, gostar e fazer diferente do outro.

Outroísmo IMPOSITIVO é quando, por ignorar que o outro pensa, ama, gosta e faz diferente de mim, obrigo o outro a pensar, amar, gostar e fazer igual a mim, e proíbo o outro de pensar, amar, gostar e fazer diferente de mim.

No outroísmo submisso, vivo mal, porque eu mesmo me impeço de realizar meus quatro objetivos. No outroísmo impositivo, vivo mal, porque, por mais que manipule e policie o outro para que realize meus quatro objetivos por mim, é impossível que o outro pense, ame, goste e faça por mim.

Perceber o equívoco da uniformidade faz com que eu viva de forma universalista, dando liberdade a mim mesmo de pensar, amar, gostar e fazer diferente do outro, e dando ao outro liberdade de pensar, amar, gostar e fazer diferente de mim.

Universalismo resulta em viver bem.


12 | AUTOÍSMO

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Meu viver, seja autoísta ou outroísta, também se divide em quatro tipos.

Quando me obrigo a pensar igual ao outro e obrigo o outro pensar igual a mim, estou vivendo em OUTROCONFIANÇA e impondo o mesmo tipo de viver ao outro. Quando me permito pensar diferente do outro e dou liberdade ao outro de pensar diferente de mim, estou vivendo em AUTOCONFIANÇA e dando liberdade ao outro de viver em AUTOCONFIANÇA.

Quando me obrigo a amar igual ao outro e obrigo o outro a amar igual a mim, estou vivendo em OUTRO-ESTIMA e impondo o mesmo tipo de viver ao outro. Quando me permito amar diferente do outro e dou liberdade ao outro de amar diferente de mim, estou vivendo em AUTOESTIMA e dando liberdade ao outro de viver em AUTOESTIMA.

Quando me obrigo a gostar igual ao outro e obrigo o outro a gostar igual a mim, estou vivendo em OUTROMOTIVAÇÃO e impondo o mesmo tipo de viver ao outro. Quando me permito gostar diferente do outro e dou liberdade ao outro de gostar diferente de mim, estou vivendo em AUTOMOTIVAÇÃO e dando liberdade ao outro de viver em AUTOMOTIVAÇÃO.

Quando me obrigo a fazer igual ao outro e obrigo o outro a fazer igual a mim, estou vivendo em OUTROAPTIDÃO e impondo o mesmo tipo de viver ao outro. Quando me permito fazer diferente do outro e dou liberdade ao outro de fazer diferente de mim, estou vivendo em AUTOAPTIDÃO e dando liberdade ao outro de viver em AUTOAPTIDÃO.


13 | INCONSCIENTE

Sem vontade não tem vero e falso, bem e mal, bom e ruim, caro e nulo. A vontade é a base de toda qualificação. Só que vontade é inconsciente, e para que eu possa viver de forma consciente, é necessário que minhas quatro vontades se tornem conscientes. A forma como minhas quatro vontades se tornam conscientes, é através do desejo e do medo.

Minha vontade inconsciente se manifesta de forma bipolar, cara e coroa, desejo e medo. O desejo me diz o que quero e o medo também me diz o que quero, mas dizendo o que não quero. O desejo diz o que é vero, bom, bem e caro para mim. O medo também diz o que é vero, bom, bem e caro para mim, mas dizendo o que é falso, ruim, mal e nulo para mim. Bipolarmente, desejo e medo, realizam o trabalho de me deixar consciente da minha vontade inconsciente.

Enfatizo isso, no fim desta explicação, para deixar claro que medo não é inimigo. Medo é amigo. Medo é o revelador da minha vontade inconsciente. Medo é um funcionário mental que trabalha gratuitamente e ininterruptamente para que minha vontade inconsciente se torne consciente, e assim eu possa viver EM acordo com minha vontade.

O medo só se torna inimigo quando ignoro seu real propósito de revelador da minha vontade inconsciente. Mas neste caso, o medo só aparenta ser inimigo, não é inimigo de fato, nunca é.

Espero ter lhe ajudado no entendimento do quaternário humano.

Abraçotrix.

© 2017 · 1FICINA · Marcelo Ferrari