PORQUE VOCÊ PENSA EM SUICÍDIO

06/07/2018 by in category Textos with 0 and 0

Nascer é sair do útero, sair da zona de conforto, sair da cápsula protetora e ficar a flor da pele, permeável ao prazer e também a dor. Viver não é sempre um mar de rosas. Também não é sempre espinhos. Viver é mar que sobe e desce alternando dores e delícias. A mesma onda que te afunda na dor, assim que muda de fase, te eleva ao pico mais alto da felicidade. Depois te afunda novamente e te eleva novamente e assim por diante, num sobe e desce sem fim. Não tem como ser diferente porque viver é isso: experimentar dores e delícias, felicidade e sofrimento, luz e sombra, som e silêncio, fome e satisfação, bem e mal.

Viver é um pacote de viagem completo que contém tudo, tanto as partes boas como as partes ruins. Não tem como você viver e fugir da dinâmica de dores e delícias. Ou seja, não tem jeito de viver e não experimentar dor. O único jeito é não vivendo. É isso que você faz. Você se proíbe de viver.

É uma delícia passear ao ar livre, sentindo a brisa acariciar os cabelos, mas você pode pegar um resfriado. É uma delícia cheirar o aroma das rosas, mas você pode se furar com os espinhos. É uma delícia brincar com o mágico, com a trapezista, com a bailarina, com o domador de leões e todos os integrantes do circo humano, mas eles podem te fazer de palhaço. Viver é perigoso. Melhor não viver para não arriscar sentir dor.

Mas como não viver? Você pensa em duas opções. Opção A: sair da brincadeira (suicídio). Opção B: fazer igual os três porquinhos, construir uma casa bem forte, impermeável, e morar dentro dela para não ser comido pela dor do infortúnio, pela dor da rejeição, pela dor da frustração, pela dor da decepção, etc. Você se encolhe e vive entocado feito tartaruga. Ao fazer isso, além de não ganhar da dor, ainda perde a alegria de viver. Por isso volta a pensar na opção A. Sugiro que numa próxima oportunidade pense na opção C: se permitir sentir dor. O benefício da opção C é finalmente conseguir realizar o motivo de ter nascido: viver.

© 2018 · 1FICINA · Marcelo Ferrari