GPS DO DESTINO

O guia infalível

Livro da 1ficina | Marcelo Ferrari

INTRODUÇÃO

No livro CADA UM NO SEU GABARITO expliquei que seu destino é ser você. Expliquei isso para tirar o destino da lógica do FAZER e trazer o destino para a lógica do SER. Ótimo! Está feito! Agora podemos conversar com clareza sobre como viver em acordo com o próprio gabarito. Vou explicar isso usando uma analogia.


DESTINO CONSCIENTE

Imagine que você decide se dar um destino e realizá-lo. Então, você se desdobra em dois: um desdobramento de você que propõe o destino, e outro desdobramento de você que deve realizar o destino. Feito isso, um diz para o outro: “Fiat batata quente”. Ou seja: “Faça-se a batata quente”. Pronto! Começou a brincadeira. Você está no quarto. Como o lugar de batata é na cozinha, você sai do quarto e vai para cozinha. Abre a geladeira. Abre a gaveta dos legumes. Pega uma batata. Abre o armário. Pega uma panela. Coloca água na panela. Coloca a batata dentro da água. Liga o fogo. Coloca a panela no fogo. Aguarda um pouco. A água começa a ferver. Pronto! Batata quente. Está consumado o destino.

Muito legal brincar de destino consciente. Você repete a brincadeira com outros destinos. Você diz para si mesmo: “Fiat sorvete”. E você realiza esse destino indo na sorveteria. Você diz para si mesmo: “Fiat novela”. E você realiza esse destino ligando a televisão. Você diz para si mesmo: “Fiat dentes limpos”. E você realiza esse destino escovando os dentes. E assim por diante. Você brinca de Destino Consciente com vários destinos. Até que você decide brincar de outra modalidade de destino. Uma brincadeira similar, mas que tem um diferencial que deixa a brincadeira mais desafiadora. Você decide brincar de Destino Inconsciente.


DESTINO INCONSCIENTE

E como funciona a nova brincadeira? O começo é igual. Você se desdobra em dois: um desdobramento de você que propõe o destino, e outro desdobramento de você que deve realizar o destino. Só que, nessa nova brincadeira, um diz para o outro: “Fiat destino”. Ou seja: “Faça-se o destino”. O desdobramento de você que recebe o destino, fica sem chão. Não entende nada. Como realizar um destino desconhecido? É impossível. O desdobramento de você que recebe o destino não sabe por onde começar. Então, percebendo sua angústia, o desdobramento de você que está propondo o destino, lhe diz: “Calma! Vai dar tudo certo. Confie em mim. Você vai conseguir realizar o destino mesmo não sabendo qual é. Eu vou ajudá-lo. Tem um jeito. Parece impossível, mas não é. Começa, que assim que você começar, você vai entender como conseguir”.

Você decide começar. Você está no quarto e decide ir para o banheiro. Quando você chega no banheiro: choque! Você sai do banheiro e volta para o quarto. O choque pára. “Que coisa estranha!”. Você volta para o banheiro: choque, choque, choque. Você sai do banheiro de novo. O choque pára. Você volta para o banheiro para ver se entende o que está acontecendo. Você entra no banheiro: choque. Você sai do banheiro e decide ir para outro lugar. Você vai para a cozinha. Na hora que você chega na cozinha é bom demais. A cozinha é o paraíso. Nunca você se sentiu tão bem em um lugar como você está se sentindo na cozinha. A cozinha é a felicidade! Você abre a copeira na cozinha: choque. “Ué, que estranho!”. Você fecha a copeira. Você abre a copeira de novo: choque. Você fecha a copeira. “Levei choque na copeira assim como levei choque no banheiro!” Você decide abrir a geladeira. Nossa! Abrir a geladeira é bom demais. Estar na cozinha e abrir a geladeira é o paraíso do paraíso!

Daí você abre a porta do freezer dentro da geladeira: choque. Você fecha. “Que estranho!”. Você abre de novo a porta do freezer: choque, choque, choque. Você fecha. Você pega o leite: choque. Você larga o leite. Você pega o queijo: choque. Você larga o queijo. Você abre a gaveta de legumes. Ah, que beleza! É a melhor sensação que você já teve na vida. Você pega o tomate: choque. Você larga o tomate. Você pega a couve-flor: choque. Você larga a couve-flor. Você pega a batata. Que felicidade! Que benção! Na cozinha segurando uma batata é tudo de bom. Você pega um coador de café: choque. Você solta o coador de café. Você pega uma panela. Ah, panelaaaa, que alegria! Você se sente muito bem com a panela. Você coloca coca-cola dentro da panela: choque. Você coloca arroz dentro da panela: choque. Você coloca água dentro da panela. Bom demais. Paraíso.

Você decide beber a água da panela: choque. Você decide lavar o sovaco com a água da panela: choque. Você decide escovar os dentes com a água da panela: choque. Você decide colocar a batata dentro da água. Delícia! Muito, muito, muito bom! Eis o sentido da vida: colocar a batata dentro da panela com água. Você decide colocar a panela em cima da mesa: choque. Você decide colocar a panela em cima da cabeça: choque. Você decide colocar a panela em cima do fogão. Sensacional. Agora sim é felicidade de verdade. Você decide lamber a panela em cima do fogão: choque. Você decide fazer um samba para a panela em cima do fogão: choque. Você decide ligar o fogo e esquentar a água. A batata esquenta. Nirvana e paraíso juntos! Tudo de bom.

Pronto! Batata quente. Está consumado o destino. Você conseguiu fazer uma batata quente como na brincadeira de Destino Consciente, mas sem saber qual era o destino. Você realizou o que devia realizar como na primeira brincadeira, mas em absoluta ignorância. Sem saber o que estava fazendo. Sem saber porque estava fazendo. Sem saber nada de nada. Apenas tentando acertar e levando choque.


EXPLICAÇÃO DA ANALOGIA

A experiência humana é uma brincadeira de DESTINO INCONSCIENTE. A batata quente é você. Seu destino é: “Fiat você!”. Traduzindo: “Seja você”. Só que você não diz para você o que você é. Você diz: “Começa que vai dar tudo certo! Você vai entender”. Daí, é claro que você fica perdido: “Quem queu sô? Donde eu tô? Pronde eu vô?”. Mas você não fala nada para você mesmo. Essa brincadeira é de DESTINO INCONSCIENTE, então, você deve viver sendo você sem saber quem você é. Esse é o tamanho do desafio que você está enfrentando. Ser humano é brincar de DESTINO INCONSCIENTE. Seu desafio a cada instante é viver sendo você sem saber quem você é. Não é nada fácil. É dificílimo. É extremo. É desafio para mestres, pois mesmo quando você leva choque, você não está descobrindo o que você é, mas o que você não é. Daí você abandona aquela opção e vai para outra. Mas a próxima opção pode dar choque também. E assim por diante. Ou seja, você vai realizando seu destino não por acerto, mas por erro. Você realiza seu destino por falta de opção. Você vai errando tanto que não sobra outra opção senão viver em acordo com seu gabarito, mesmo sem saber que gabarito é esse.


TENTATIVA E APRENDIZAGEM

O que é choque? Choque é sofrimento. E o que é sofrimento? É quando você erra seu gabarito! Olha só! Finalmente o sofrimento começa a fazer sentido. Você faz uma opção e experimenta a opção escolhida. Sofrimento é quando a opção escolhida está em desacordo com seu gabarito. Ou seja, a função do sofrimento não é apenas causar desconforto, mas possibilitar que você aprenda com ele. Sofrimento é uma lição de autoconhecimento. Sofrimento é caneta vermelha, é o xis de errado. Sofrimento é você se ensinando o que é certo para você através da experiência do que é errado para você. Viver é você brincando de tentativa e aprendizagem.

Sua unicidade é seu gabarito. Sofrimento é o jeito que você tem para ficar consciente de que não está vivendo em acordo com seu gabarito. Seu sistema emocional é um GPS. Quando você faz uma opção em desacordo com seu gabarito, seu sistema emocional te explica isso. Só que ao invés do seu sistema emocional te explicar isso repetindo a frase: “Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito. Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito. Atenção! Essa opção está em desacordo com seu gabarito”. E assim por diante. Seu sistema emocional lhe diz: choque, choque, choque. Ou seja: sofrimento, sofrimento, sofrimento.

Se você não tivesse um sistema emocional para lhe ajudar a viver em acordo com seu gabarito, daí a brincadeira de autorrealização não seria difícil, seria impossível! Você não iria conseguir jamais viver em acordo com seu gabarito porque você não teria nenhuma referencia sobre ele. Desafio difícil é uma coisa; desafio impossível é outra coisa. Se o desafio é impossível não tem brincadeira, é impossível. A brincadeira de autorrealização é difícil, mas para não ser impossível, tem que ter um jeito de conseguir, o jeito é seguir as mensagens do GPS do destino, ou seja, as mensagens do seu sistema emocional.

São dois tipos de mensagens: sofrimento e felicidade. Felicidade significa que sua opção está em acordo com seu gabarito. Sofrimento é o oposto. Significa que sua opção está em desacordo com seu gabarito.

Essa é a grande EUreka! Felicidade não é objetivo, apenas indica se você está ou não vivendo em acordo com seu objetivo, ou seja, vivendo em acordo com seu gabarito. Sofrimento também indica isso, só que de maneira inversa. Ou seja, seu sistema emocional, quer esteja te enviando sofrimento, quer esteja te enviando felicidade, em ambos os casos, é um GPS que está trabalhando para que você possa viver em acordo com seu gabarito. Só que GPS não dirige o carro. Esse é o problema. Por mais que seu sistema emocional lhe ajude a viver em acordo com seu gabarito, cabe a você decidir seguir ou não as indicações do seu sistema emocional.

Seu sistema emocional é seu sistema de navegação. Sempre é necessário um sistema de navegação. Outro dia, vi uma reportagem sobre cegos. Explicava como os cegos fazem para se deslocar pelas ruas. Nós que enxergamos não percebemos que a visão é nosso sistema de navegação espacial. O cego não tem esse sistema de navegação, então, precisa usar outro sistema. Que sistema o cego usa? O tato. Mas um cego anda tateando a rua? Não. Então o que ele faz? Usa uma bengala. Através da bengala o cego vai tateando a rua. Ou seja, a bengala é parte do sistema de navegação do cego. Nessa reportagem explica como o cego usa a bengala. Tem um monte de detalhes. Ele mexe a bengala para um lado, a bengala desliza, ele põe o pé. Ele mexe a bengala de novo, a bengala pára, ele vira o corpo. Outra coisa muito interessante, é que o caminhar do cego acontece no mais absoluto passo a passo. O cego faz um movimento na bengala, e decide sobre aquele passo, só daquele passo, nunca do próximo. O próximo ele só vai decidir depois do próximo movimento da bengala. E assim por diante. Passo a passo, decisão por decisão, e o cego atravessa a cidade.

Seu sistema emocional é o GPS do seu destino. Você só tem ele para viver de acordo com seu gabarito, assim como o cego só tem a bengala. Ninguém além do seu sistema emocional é capaz de confirmar se você está ou não vivendo em acordo com seu gabarito. É impossível. Só você experimenta o sabor emocional das suas opções, então, como o outro pode saber o que é bom para você? O outro não tem como saber do seu gabarito. Nem você mesmo tem acesso direto ao seu próprio gabarito. Então, para viver em acordo com seu gabarito, você precisa de algo que garanta com 100% de certeza, e com zero possibilidade de erro, que você está vivendo em acordo com seu gabarito. Essa coisa é seu sistema emocional produzindo felicidade e sofrimento.

Você é um ceguinho andando de bengala pela experiência humana. Essa é a metáfora. E você não tem como abrir o olho! Não adianta! A brincadeira de ser humano é viver em acordo com o próprio gabarito usando uma bengalinha! É um puta desafio? Sim, é um puta desafio! Mas você decidiu enfrentar esse desafio e está vencendo! Essa explicação é para você vencer mais facilmente ainda.


FIM

© 2017 · 1FICINA · Marcelo Ferrari