EUREKA

Você é a solução

Livro da 1ficina | Marcelo Ferrari

01 | AUTOCIÊNCIA

Você é um cientista nato. Todo ser humano é um cientista nato. Isso parece estranho devido seu habitual entendimento sobre ciência. Vamos ampliar esse entendimento.

Primeiro tem a ciência em si, que é sua capacidade humana de saber como algo funciona. Então, quando você direciona sua ciência para estudar o outro, por exemplo, a matéria, a luz, as células, as estrelas, as plantas, a sociedade, os bichos, etc, você está praticando outrociência. Física, por exemplo, é outrociência, pois Física é você estudando a matéria (outro), Astronomia é outrociência, pois Astronomia é você estudando os astros (outro), Química é outrociência, pois Química é você estudando as moléculas (outro), Biologia é outrociência, pois Biologia é você estudando as células (outro), Sociologia é outrociência, pois Sociologia é você estudando a sociedade (outro).

Enfim, tudo que você tradicionalmente chama de ciência é outrociência, pois tudo o que você tradicionalmente chama de ciência é você observando e estudando o funcionamento do outro. Quando você direciona sua ciência para estudar a si mesmo, seu pensamento, crenças, afetos, valores, emoções, desejo, felicidade, sofrimento, etc, você está praticando autociência. Outrociência produz conhecimento. Autociência produz autoconhecimento.


02 | PODER DA EUREKA

A Terra já foi plana e também já foi o centro do universo. O que mudou? A Terra mudou? O universo mudou? Nada mudou! Acabou a ignorância. Eis o poder da EUreka! Tudo muda sem que nada mude. Atualmente você ignora o que é ser humano, por isso vive mal e convive mal. Mas você pode viver bem. Basta você praticar autociência e descobrir a si mesmo. Basta você se EUrekar! E tudo muda sem que nada mude.


03 | AUTO-OBSERVAÇÃO

Ser humano é brincar de EUrekatividade, ou seja, brincar de descobrir. Mas descobrir o que? O que está encoberto em sua experiência humana? O que está encoberto em sua experiência humana é justamente a experiência humana. E sendo que sua experiência humana não está em lugar nenhum, sendo que está em você mesmo, então, para descobri-la você deve olhar para si mesmo, ou seja, você deve praticar auto-observação. Auto-observação é autociência em prática. EUreka é resultado. Sem auto-observação é impossível Eurekar, ou seja, se descobrir. Sem se descobrir é impossível se conhecer. Sem se conhecer é impossível viver bem.


04 | PODER DA IGNORÂNCIA

Com certeza você usa a porta para entrar e sair de uma sala. Com certeza, é óbvio para você que não funciona entrar e sair pelas paredes. Contudo, em se tratando de ser humano, você tenta entrar e sair pelas paredes. Que loucura é esta? Que poder é este que lhe faz meter a cara no fracasso em ser humano?

Não é loucura, nem poder, é ignorância. Quando você desconhece algo, você fica incapaz de lidar bem com esse algo. Atualmente, você desconhece o que é ser humano. Você é um motorista dirigindo às cegas por um labirinto. O labirinto é sua humanidade. Sofrimento é você trombando em sua humanidade. A causa das trombadas é sua cegueira. A solução é EUreka.


05 | OBJETO E OBJETIVO

O discípulo diz ao mestre:
— Cansei da felicidade, quero sofrer!
O mestre pergunta:
— Sofrer vai te fazer feliz?
O discípulo responde:
— Sim! Muito feliz!
O mestre conclui:
— Então, sofra e seja feliz!

Este é seu único desejo: felicidade. Você quer dinheiro, carro, casamento, família, diploma, espiritualidade, para quê? Seja qual for o objeto do seu desejo, seu objetivo é sempre: felicidade.


06 | ESTRATÉGIA DO NENÉM

Você quer felicidade, quer viver bem, porém, vive como se sofrimento fosse regra e felicidade fosse exceção. E pior! Você não investiga a causa do seu sofrimento. Sua estratégia de solução do sofrimento é a mesma do neném: berrar, espernear e esperar que o outro resolva seu sofrimento por você. Isto é impossível, pois sofrimento é resultado de autoignorância, e o outro não tem como EUrekar você por você. Então, ou você assume a responsabilidade por sua EUreka ou neca de viver bem.


07 | EMOÇÃO É SINTOMA

Não seria ótimo se você tivesse um conselheiro infalível para viver bem? Pois você já tem! Vem de fábrica. Chama-se sistema emocional.

Emoção não é aleatória, é funcional. Emoção é sintoma. Pense na febre. A febre é aleatória? Não! Febre é sintoma de problema fisiológico. O mesmo acontece com as emoções.

Emoções desagradáveis são sintomas de: TEM problema.
Emoções agradáveis são sintomas de: SEM problema.

Fluxo de emoções agradáveis é felicidade.
Fluxo de emoções desagradáveis é sofrimento.


08 | MELHOR AMIGO DO HOMEM

Um homem morava em um sítio. Certa noite, entrou um ladrão no seu sítio e começou a roubar as frutas do seu pomar. O cachorro do homem percebeu e começou a latir na janela do quarto. O homem acordou, mas como estava com sono, gritou para o cachorro: — Pare de latir! — e voltou para cama.

O cachorro foi até o pomar, confirmou a presença do ladrão e voltou a latir debaixo da janela do homem. O homem acordou novamente, mas como continuava com sono, jogou um sapato na cabeça do cachorro: — Pare de latir! — resmungou o homem e voltou para cama.

Mas o cachorro, fiel e inteligente, foi até o pomar e começou a latir dentro do pomar, o mais alto que podia, do lado do ladrão. O homem acordou, pegou a espingarda, foi ligeiro até o pomar… e… pá! Matou o cachorro.

Seu sistema emocional é seu cachorro, as emoções desagradáveis são seu sistema emocional latindo, você é o homem. Toda vez que você ignora seu sofrimento, você está matando uma informação emocional que só surge para lhe ajudar.


09 | FERRAMENTA DE DIAGNÓSTICO

Ninguém sofre por acaso. Sofrimento é funcional. Sofrimento é ferramenta de diagnóstico. Quando você pisa em um espinho, por exemplo, onde sente dor? Na orelha? No cotovelo? Na testa? No queixo? Ou no pé? É óbvio que você sente dor no pé! Percebe a dupla função da dor? Além de lhe alertar que existe um problema, ainda ajuda na identificação do local e da causa. O mesmo acontece com o sofrimento. Emoções desagradáveis não latem para lhe fazer sofrer, latem para lhe alertar que tem algo que você não está percebendo. Emoções desagradáveis não são inimigas, são suas aliadas. Nada em sua experiência humana é contra você, a não ser você mesmo.


10 | AUTOFRACASSO

Pense num momento de felicidade que já viveu, você estava sendo você mesmo ou estava tentando ser outro? Agora faça o contrário, pense num momento de sofrimento que já viveu. Você estava sendo você ou estava tentando ser outro?

Sofrimento é sintoma de autofracasso, ou seja, sintoma de que você está fracassando em viver sendo você. Seu sofrimento lhe dá sempre o mesmo conselho: seja você mesmo.

Laranjeira dá laranja. Goiabeira dá goiaba. Você dá você. Você é pé de você. Quando você se proíbe de ser você, seu melhor amigo e conselheiro infalível, o sofrimento, vem lhe despertar para o equívoco que você está executando.


11 | ÍMPAR FEITO

A causa do seu autofracasso é sempre a mesma: acreditar que você é imperfeito. Você se compara com o outro, ou com um ideal alheio, e surge em você a ideia de imperfeição. Pronto! Você caiu na arapuca da imperfeição! Daí para frente, viver para você, é tentar se corrigir. E você atravessa a vida tentando, sem sucesso, mas não por falta de esforço, mas porque não há nada para ser corrigido a não ser sua crença sobre perfeição. Você é único. Você é diferente. Você não é imperfeito, você é ímpar feito. Seu nariz é ímpar feito. Sua genética é ímpar feita. Seu desejo é ímpar feito. Seu medo é ímpar feito. Seu valor é ímpar feito. Seu certo é ímpar feito. Você é ímpar feito porque a natureza do universo é a universalidade: 1≠1.


12 | PATINHO FEITO

O universo disse “Faça-se!” e o patinho foi ímpar feito. Era um patinho diferente. Quando a dona pata o apresentou ao mundo, todos riram e caçoaram:

— Que patinho defeituoso!
— Defeituoso é pouco!
— Olha como anda errado!
— Vai nos estragar também!

Todo dia o patinho era maltratado. Até que, cansado de tanto maltrato, o patinho resolveu ir embora do mundo. Depois de muito caminhar, chegou a um lago. Ao aproximar-se, abaixou a cabeça e viu uma imagem na água. Sem entender que era apenas o reflexo de si mesmo, começou a conversar com a imagem.

— Por que sofro tanto?
— Boa pergunta, por que está sofrendo?
— Porque sou imperfeito.
— Quem disse?
— Todos dizem! O mundo diz!
— E você acredita?
— Claro que acredito.
— Por que acredita?
— Porque todos dizem.
— E como você gostaria de ser?
— Gostaria de ser perfeito.
— Perfeito como?
— Perfeito igual os outros.
— Mas cada um é diferente!
— Sim, é verdade!
— E por que quer ser igual os outros?
— Para que me aceitem.
— Ninguém te aceita?
— Não como sou, imperfeito.
— Quer ser perfeito para ser aceito?
— Sim, quero ser aceito.
— Eu te aceito!
— Você me aceita como sou?
— Exatamente como você é.
— Aceita minhas imperfeições?
— Sim, aceito suas imperfeições, pois são suas imperfeições que te fazem ser você.
— Nossa! É verdade!
— Você é além de perfeito!
— Como assim?
— Você é ímpar feito.
— É verdade! Sou ímpar feito. Meu sofrimento até passou!
— E não precisa voltar mais.
— Grato por me aceitar.
— O prazer é todo meu.
— Posso te abraçar?
— Claro, aproxime-se.

O patinho foi se aproximando da sua imagem espelhada no lago, até mergulhar em si mesmo. Quando voltou à superfície, estava ímpar feito.


13 | FELICIDADE AUTOMÁTICA

É impossível e desnecessário produzir saúde. Saúde é estado automático. Doença é bloqueio do automático. Quando você está doente, você não ingere pílula de saúde, você desbloqueia o que está impedindo sua saúde e sua saúde volta automaticamente. Analogamente, felicidade é saúde psicológica. Também é impossível e desnecessário produzir felicidade. Quando você está sofrendo, basta você tratar de desbloquear o que está impedindo sua felicidade e sua felicidade é restaurada automaticamente, assim como sua saúde.


14 | OUTROÍSMO E AUTOÍSMO

Um velho e um menino viajavam puxando um burro, quando uma pessoa falou:

— Que burrice! Vocês dois andando a pé e o burro de carga sem carga!

O velho colocou o menino em cima do burro e outra pessoa falou:

— Um menino cheio de vitalidade em cima do burro e um pobre velho andando a pé!

O menino desmontou do burro, o velho subiu, e outra pessoa falou:

— Um homem feito em cima do burro e um menino franzino andando a pé!

O menino subiu em cima do burro junto com o velho, e outra pessoa falou:

— Dois em cima de um pobre burrico!

O velho e o menino desceram do burro e colocaram o burro nas costas.
Moral da história:

O que bloqueia sua felicidade é viver de acordo com o ideal do outro. Este tipo de mentalidade, a partir de agora, vamos chamar de outroísmo. O que desbloqueia sua felicidade é viver de acordo com seu próprio ideal. Este tipo de mentalidade, a partir de agora, vamos chamar de autoísmo.


15 | CAMINHO DO MEU

Durante anos, Cidoutro tentou atingir a felicidade através do ascetismo. Até que, certo dia, decidiu comer arroz. Quando os companheiros de Cidoutro viram ele comendo arroz, exclamaram: — Você traiu seu ideal, Cidoutro!

Ele respondeu: — Pelo contrário, só agora o assumi. O ideal do ascetismo nunca foi meu. Meu ideal é aquilo que decido que é ideal para mim a cada instante, e neste instante, estou com fome, então, meu ideal agora é comer arroz. Eu sou a corda, o músico e a música, quando me estico para realizar o ideal do outro, sofro, quando me afrouxo para realizar o ideal do outro, sofro. O caminho do outro leva a felicidade do outro. O outro é outro. Eu sou eu. Minha felicidade está no caminho do meu.

E assim Cidoutro descobriu o Caminho do Meu e se tornou Cidauto.


16 | AUTO-RESPONSABILIDADE

Um fiscal foi fiscalizar uma fazenda e perguntou ao fazendeiro: — Que comida você dá aos porcos?

O fazendeiro respondeu: — Bagaço de cana, sabugo de milho, tudo que não presta.

O fiscal multou o fazendeiro por atentado contra a saúde pública. Passado um tempo, o fiscal retornou, fez a mesma pergunta e o fazendeiro respondeu precavido: — Agora dou caviar, salmão, tudo do bom e do melhor.

O fiscal multou o fazendeiro por desperdício de comida. Passado mais um tempo, o fiscal retornou, fez a mesma pergunta e o fazendeiro respondeu: — Não dou mais comida aos porcos, dou um vale refeição para cada um e eles que decidam onde e o que comer.

Moral da história:

Autoísmo resulta em bem viver, pessoal e coletivo, porque é uma forma autoresponsável de viver, onde cada um vive responsável pelo próprio viver. Outroísmo resulta em mal viver, pessoal e coletivo, porque é uma forma outroresponsável de viver, onde cada um vive responsável pelo viver do outro.


17 | LIBERDADE E LIVRE ARBÍTRIO

Os discípulos levaram o mestre para tomar sopa. O garçom, como combinado, serviu sopa para todos na mesa, menos para o mestre. Toda vez que o garçom voltava, fazia a mesma coisa. Quando todos já estavam saciados, o mestre chamou o garçom e disse: — Você não me serviu sopa!

O garçom respondeu: — Caducou, velho! Eu lhe servi sopa três vezes!

O mestre respondeu: — É verdade! Perdão! Mas a sopa estava tão deliciosa que vou aceitar mais um pouco.

Moral da história:

Liberdade é circunstancial. Livre arbítrio é sua resposta à circunstância. Você sempre pode responder de duas formas: Outroísta ou Autoísta. Outroísmo é ir contra o outro. Autoísmo é ir a favor de si.


18 | OUTROÍSMO IMPOSITIVO

— Vou cantar para fazer o Sol nascer, — o galo dizia, depois subia no telhado do galinheiro e ordenava: — Cocoricó! — e aos poucos o sol surgia.

— Pronto, fiz o Sol nascer de novo! — dizia o galo, e todos ficavam admirados com seu poder de controlar o Sol.

Até que, certo dia, o galo acordou atrasado e descobriu que o Sol já estava brilhando no céu. Aquilo foi um golpe duro para o galo. Ele parou de cantar e não saía mais do galinheiro. A coruja lhe disse:

— Já que você não tem mais obrigação de cantar para fazer o sol nascer, por que não aproveita e vai fazer o que quiser?

O galo teve uma EUreka. Jogou fora o despertador, pois não tinha mais obrigação de bater ponto. Depois foi viajar. Visitou vários lugares que não podia visitar antes devido a obrigação de fazer o sol nascer, comeu comida de outros galinheiros, bebeu água de rio, refrescou a crista e voltou. No dia seguinte, o galo acordou cedo, subiu no telhado e cantou mais afinado do que nunca:

— Cocoricó!

Os bichos exclamaram:

— Por que está cantando de galo se o Sol não precisa de você para nascer?

O galo respondeu: — Não estou cantando para o sol nascer, estou cantando ao nascer do sol.

(texto adaptado de Rubem Alves).

Outroísmo impositivo é quando você canta de galo no terreiro dos outros. Quem fica preso na tentativa de controlar o outro não é o outro, é você mesmo.


19 | OUTROÍSMO SUBMISSO

Outroísmo submisso é transmissão de responsabilidade, é quando você tenta transferir ao outro a responsabilidade de gerir seu viver. Só que gerir seu viver é responsabilidade intransferível. Então, você tem três problemas:

01) Você sofre.

02) Você fica de mãos atadas e não pode solucionar seu sofrimento, uma vez que o suposto responsável pelo seu sofrimento não é você, é o outro.

03) Mesmo que o outro queira resolver seu sofrimento, ele não consegue, pois a responsabilidade que você está lhe transferindo é intransferível.


20 | OUTROÍSMO SUBCONSCIENTE

Você não nasceu falando um idioma, você aprendeu. Você também não nasceu outroísta, você aprendeu. E aprendeu tão bem que se tornou uma competência subconsciente.

Competência subconsciente é execução automática, por hábito. Falar português é uma competência subconsciente explícita, outroísmo é uma competência subconsciente implícita.

Como desliga competência subconsciente? Não desliga. Nem precisa. Competência subconsciente é uma fantástica ferramenta mental. É por causa dela que você faz coisas complexas com facilidade. Competência subconsciente só causa problema quando você desenvolve um automatismo (hábito) em algo que é prejudicial a você. Viver de forma outroísta é um desses casos. 
Por isso, não importa o tanto que você queira viver bem, enquanto seu outroísmo for uma competência subconsciente, sua própria competência subconsciente lhe fará retornar repetidas vezes ao mal viver. Esta é a má notícia. A boa notícia é que se foi você que se ensinou a viver de forma outroísta, você pode também se ensinar a viver de forma autoísta.


21 | ETERNO NOVO HERDEIRO

Imagine que você é dono de uma fábrica. Sendo dono, cabe a você ensinar seus funcionários como eles devem funcionar para que sua fábrica produza o tipo de produto que você deseja. Você ensina. Seus funcionários aprendem e sua fábrica se torna uma produtora automática do produto que você deseja. Agora, imagine que você tenha herdado esta fábrica, e que o produto atual que sua fábrica está produzindo, não é o tipo de produto que você deseja. O que você deve fazer para que a produção da sua fábrica mude do produto atual para o produto desejado?

Sendo que o produto atual vem do tipo de produção herdada, sendo que o tipo de produção herdada vem do tipo de funcionamento dos funcionários herdados, sendo que você é o novo dono, para mudar a produção atual você deve mudar o funcionamento dos funcionários herdados. Como? Ensinando seus funcionários a funcionar no novo funcionamento.

Esta metáfora é para explicar como você pode mudar de um viver outroísta para um viver autoísta. A fábrica é você, os funcionários é seu subconsciente, o funcionamento atual dos seus funcionários é o outroísmo.

Por isso você sofre. Sofrimento é o tipo de produto que fábricas outroístas produzem. Porém, você é eterno novo herdeiro de si mesmo. Viver é herdar si mesmo de si mesmo. Então, cada novo instante é uma nova oportunidade de você ensinar uma nova forma de viver a si mesmo e assim produzir um novo produto, um produto desejado.


22 | ETERNO NOVO ARBÍTRIO

Imagine que você está no seu primeiro instante de vida e prestes a ensinar seu subconsciente o funcionamento mais básico que ele deve ter durante toda sua experiência humana. O que você está prestes a ensinar ao seu subconsciente, servirá de base para toda e qualquer programação posterior. Então, você digita em sua mente “1=1″. Você escreve este programa no seu subconsciente e morre, mas no instante seguinte, você renasce, herdeiro de si mesmo, podendo optar entre mudar o programa herdado ou mantê-lo. Seja qual for sua opção, você morrerá novamente e renascerá no instante seguinte, para mais uma vez ser herdeiro de si mesmo e optar novamente, até chegar neste agora. É sua vez de optar. Você pode manter a programação herdada de si mesmo ou mudar para “1≠1”. Qual é sua opção agora?


23 | AUTOCONSCIENTIZAÇÃO

Outroísmo é sua competência subconsciente atual, então, para você viver de forma autoísta, é necessário que você se re-ensine a viver. Como você pode fazer isto? Com consciência, mostrando o óbvio para si mesmo. Que óbvio? Que 1≠1. Toda vez que você deixa evidente, óbvio, explícito para si mesmo, que você é diferente do outro e que o outro é diferente de você, você está se des-ensinando a viver de forma outroísta e se ensinando a viver de forma autoísta.


24 | ÚNICA PRÁTICA

Para sair do viver outroísta e entrar no viver autoísta, basta praticar uma única prática: auto-observação. Mas tem dois tipos de autoobservação. Vou explicar a diferença com uma analogia.

Pense na diferença entre medicina preventiva e curativa. A prática da medicina preventiva previne o estado de doença. A prática da medicina curativa, cura o estado de doença. Então, quem pratica medicina preventiva não tem necessidade de praticar medicina curativa, pois a constante prática da prevenção evita de ficar doente. Porém, não adianta praticar medicina preventiva quando você já está doente.

Analogamente, o mesmo se dá com a auto-observação. Tem auto-observação preventiva, consciência desperta, que lhe previne de entrar no outroísmo, e tem auto-observação curativa, autoanálise, que lhe retira do outroísmo. Quando você pratica muito bem auto-observação preventiva, não tem necessidade de praticar auto-observação curativa, pois a constante lucidez evita que você entre no viver outroísta. Porém, não adianta você praticar prevenção para evitar de entrar em um viver outroísta que você já está executando. Neste caso, você deve praticar autoanálise.


25 | MENSAGEM FINAL DO FAROL

No meio da noite:

— Capitão, capitão, acorda!
— O que foi?
— Tem um navio vindo em nossa direção.
— Diga para o navio desviar.
— Já dissemos e ele não desviou.
— Vou dizer eu mesmo!

O capitão vai até a torre de comando e envia uma mensagem: — Atenção, navio desconhecido, desvie 20 graus estibordo, imediatamente!

Chega a resposta: — Desvie você 20 graus estibordo, imediatamente!

«Não acredito!» Pensa o capitão. Irritado, envia outra mensagem: — Aqui é Horácio Alcântara Neves, primeiro capitão da Marinha Real e ordeno que desvie 20 graus estibordo, imediatamente.

Chega a resposta: — Aqui é José e desvie você 20 graus estibordo, imediatamente.
«Que palhaço!» Pensa o capitão. «Somos um navio de guerra! Podemos explodi-lo agora mesmo!» Então, indignado, envia uma mensagem final:

— Aqui é do navio de guerra Missouri Flagship, patente OB-TL-A, ordenando pela última vez, desvie 20 graus estibordo, imediatamente, ou vamos disparar um míssil contra seu navio.

Chega a resposta: — Aqui é do farol.


Caro navegante da experiência humana: “Com consciência tudo se resolve, sem consciência tudo se complica”. Ou se preferir: “Com EUreka tudo se resolve, sem EUreka tudo se complica”.

EUreka? Boa viagem!

© 2017 · 1FICINA · Marcelo Ferrari