DEUS DA CARA PRETA

25/05/2016 by in category Livros with 0 and 0

PREFÁCIO

É impossível viver em paz acreditando que deus é outro. Nem deus conseguiria. Como viver em paz se a qualquer instante um estranho, todo poderoso, criador do céu e da terra, pode fazer o que quiser com o céu e a terra? Pode destruir com um sopro tudo que você construiu com suor? Pode matar você sem dó nem piedade? Pode pintar você de preto e te bater com chicote até sangrar? Pode levar você para tomar banho em uma câmara de gás? É impossível você viver em paz acreditando que deus é outro, porque essa crença é justamente a causa do seu pânico. Você morre de medo de viver, porque vive com medo de deus. A qualquer instante, o imprevisível e desconhecido deus, pode pegar você. A trilha sonora do seu relacionamento com deus é… deeeus, deeeus, deeeus, deus da cara preta… Você até tenta se prevenir das chifradas. Você acredita que se não der sopa para o azar, ou seja, para deus, o azar, ou seja, deus, não tem como pegar você. Só que pega. Você viaja de ônibus para evitar que deus derrube seu avião, mas deus te passa uma rasteira no casamento, ou puxa seu tapete no emprego. Nada resolve seu problema com deus, porque seu problema não é com deus, mas com sua crença de que deus é outro. Deus não é outro. Deus é você.


01 | MAIOR TABU HUMANO

Deus é o maior tabu humano. E não é só um tabu religioso, é um tabu científico também. É por isso, que este estudo não é religioso, nem científico, é autociêntifico. Autociência é similar a ciência tradicional, mas com um diferencial fundamental. A ciência tradicional é praticada através da observação, e produz conhecimento. Autociência é praticada através da auto-observação, e produz autoconhecimento. Assim, para que o descrito aqui se torne evidente para você, e não fique apenas como crença, é imprescindível que você comprove através da auto-observação. Na ciência tradicional, um cientista comprova o que o outro cientista diz reproduzindo a mesma experiência. Na autociência, a comprovação se dá através da auto-observação. Então, pratique autoobservação. Não fique apenas na teoria. Enquanto você não despertar para si mesmo, deus continuará sendo um tabu para você.


02 | FÁBRICA DA REALIDADE

Imagine que você fosse o único ser humano do planeta. Sendo assim, não existiria cultura no planeta. Todo seu entendimento seria seu, só seu, autoral. Não existiria outro ser humano para educá-lo em nada. Não existiria religião. Não existiria ciência. Todo seu entendimento seria fruto do seu próprio entendimento. Mesmo assim, inevitavelmente, você iria produzir um entendimento sobre deus. Por que inevitavelmente? Porque inevitavelmente você se questionaria sobre a fábrica da realidade. Quando você vê uma fruta, você se pergunta: “É fruta de que pé?” Você faz esta pergunta, porque fruta é produto, e você está procurando a fábrica da fruta. Por você experiementar uma realidade, você faz uma pergunta similar: Qual é a fábrica da realidade? É assim que você chega ao entendimento de deus. Deus é a fábrica implicita, da realidade explicita, que você está constantemente experimentando.


03 | DEUS OUTRO

Quando você se pergunta, “Quem está criando essa realidade?”, você já está assumindo que o criador da sua realidade não é você, pois se você se entendesse como criador da sua realidade, você não faria a pergunta. Uma vez que você assume que o criador da sua realidade não é você, então, é outro. Quem está criando essa realidade é outro. O criador dessa realidade é outro. A fábrica desta realidade é outro. Quem é este outro? É deus. É assim que surge o deus outro. E mesmo nas tradições espiritualistas, onde se afirma que você é apenas consciência assistindo a realidade, se a realidade que você está assistindo está sendo criada, quem está criando? Se quem está criando não é você, então, é outro. Mesmo nesse caso, deus é outro também.


04 | DEUS CONSCIENTE

Deus não é outro. Deus é você. Mas o que muda do deus-outro para o deus-eu? O que muda é a qualidade consciencial com que você faz o que sempre faz: criar realidade. Você sempre foi, é, e será, criador da sua realidade. Isso é o que garante que você possa experimentar sempre o tipo de realidade que deseja experimentar. A crença de que deus é outro, não lhe impede de ser deus, criador da sua realidade, apenas lhe faz ser deus inconsciente. Despertar para o fato de que você é deus, é apenas uma mudança consciencial na forma de fazer o que você sempre faz: criar sua realidade. Você apenas deixa a brincadeira da criação inconsciente, ou seja, deus inconsciente, para entrar na brincadeira de criação consciente, ou seja, deus consciente.


05 | SONHO E SONHADOR

O argumento que lhe convence que deus é outro, é assim: “Se eu fosse deus, então, eu seria o criador de tudo. Mas isto é um absurdo, pois não estou criando essa árvore, essas flores, o sol, a rua, a casa, as pessoas, os carros, etc. Eu não estou criando o universo. Como posso ser deus? Absurdo! Deus não sou eu!”. A todo instante você está reforçando esta lógica, e consequentemente, reforçando a mentalidade de que deus é outro. Como sair dessa mentalidade? Só tem um jeito. Investigando a natureza da sua realidade através da auto-observação, e dando a si mesmo a evidência de que realidade é criação mental “dentro” de você.

Despertar para o fato de que você é o criador da sua realidade, é como despertar para o entendimento de que você é o sonho, e também o sonhador. A virtualidade de um sonho, é análoga à virtualidade da sua realidade. Em um sonho, você toca as coisas, sente sabores, vê cores, conversa com pessoas, tem gravidade, peso, tempo de deslocamento, tudo como se fosse realidade, física e externa, mas nada em um sonho é material, nem está “do lado de fora”, tudo em um sonho é feito de sonho, e está “dentro” de você. Analogamente, é assim que sua realidade está “dentro” de você.


06 | NOVA BRINCADEIRA

Para brincar de criação inconsciente é preciso estar inconsciente. É por isso que, até aqui, você esteve inconsciente sobre o fato de que você é o criador da sua realidade. Você queria experimentar como é viver acreditando que deus é outro, que a realidade é caótica, aleatória, e desproposital. Você também queria experimentar o sentimento de ser vítima das circunstâncias, vítima da vida, vítima das fatalidades, vítima de deus. E você brincou muito dessa brincadeira. Sendo que está lendo este livro, e mais do que lendo, criando este livro na sua realidade, isso indica que está interessado em mudar de brincadeira. O caminho para mudança é a prática da auto-observação. O vídeo a seguir é para lhe ajudar a refletir mais sobre o assunto.


07 | DEUS SOU EU

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: Esse livro não menciona termos como reencarnação e carma. Como a 1ficina considera a causa das doenças genéticas e congênitas?

Sendo que você é o criador da sua realidade, então, a causa da sua realidade é você. Criador = Causador. São duas palavras diferentes para dizer a mesma coisa. Só existem duas opções de causa: A) Eu sou criador da minha realidade. B) Eu não sou criador da minha realidade. Não tem terceira opção. Se você quiser chamar a opção B de Deus, carma, reencarnação, Big Bang, fraternidade branca, Shiva, física quântica, vírus, obsessor, etc… é tudo opção B. Agora, se você acredita que não é a causa da sua realidade, praticar autociência é um absurdo e uma absoluta perda de tempo, pois sua realidade não tem relação causal com você, você não é a causa, você é apenas efeito. E por fim, sugiro observar que sua pergunta está procurando justificar o vitimismo. É muito justo e saudável você fazer isso, pois para viver bem não adianta você ACREDITAR que é criador da sua realidade, isso precisa ser óbvio, irrefutável, evidente.


PERGUNTA: O que é autoobservação? Como faço esse exercício?

Não é um exercício. Autoobservação é saber de si. Só isso! E você já está sabendo de si. Você sempre está sabendo de si, inevitavelmente, caso contrário, você sequer saberia que existe. O que acontece é que você está sabendo de si com pouca lucidez. Sua autoobservação é CONFUSA. Você está constantemente, ininterruptamente e inevitavelmente se autoobservando, mas você não tem DISCERNIMENTO sobre o que está “vendo”. Você sequer entende que está observando a si mesmo. Você ACREDITA que está vendo o mundo, a realidade, o universo, a vida, enfim, algo que não é você mesmo. Esse é o equívoco da transcendência. Acontece por é falta de discernimento. É como se o seu discernimento estivesse bêbado ou adormecido. Então, ao invés de você aprofundar no autoconhecimento, você fica rodando no mesmo lugar. Ou pior! Amplia a confusão. Com o desenrolar do ciclo de estudos você vai receber dicas de discernimento que irão lhe ajudar a melhorar sua autoobservação e diminuir a confusão.


PERGUNTA: Existem outras escolas, tradições e linhas de pensamento que também falam sobre criação de realidade. Como a 1ficina encara essas escolas?

A 1ficina encara tudo e todos de frente, cabeça erguida e olhando nos olhos. No caso das explicações alheias, canta o mantra: “Ema, ema, ema!” Ou seja, o que as outras escolas, mestres, instrutores, gurus dizem, não é problema da 1ficina. O trabalho da 1ficina se baseia apenas nas explicações da 1ficina.

Mas esse tipo de pergunta é muito frequente, pois quando vocês chegam aqui, vocês estão cheio de bagagens. São informações acumuladas de diversas escolas, tradições e culturas. Essas informações ficam martelando dia e noite dentro da na cabeça de vocês. Além de serem um fardo, são conflitantes e estressantes. Uma informação briga com a outra. É um inferno. Para ilustrar a briga, vamos dar nome aos lutadores. O budismo briga com o cristianismo, que briga com espiritismo, que briga com o materialismo, briga com o pensamento positivo, que briga com o carma, que briga com lei da atração, que briga com Nietzche, que briga com Platão, que briga com Aristóteles, que briga com a Física Quântica, que briga com O Segredo, que briga com o caralho-a-quatro. Nada encaixa em nada. Ao invés de solução, paz e felicidade, que foi o motivo de vocês acumularem tanta bagagem, só aumenta o problema e o sofrimento.

Então, quando você chega aqui, vocês joga suas bagagens para cima de mim e diz: “Me resolve!”. E eu aceito sua ordem de serviço. O trabalho da 1ficina é lhe ajudar a se resolver. Só que o motivo de nada se encaixar não é que nada se encaixa, é que você está DES_encaixado de si. Então, a 1ficina simplesmente ignora suas bagagens e coloca você para praticar CIÊNCIA DO ÓBVIO, pois sabe que a única forma de ajudar você a se resolver e fazer tudo se encaixar e ajudando você a se encaixar em si.


PERGUNTA: Eu sou deus, mas você também é. Cada um é um deus. Sendo assim, até que ponto o outro (deus) pode interferir na minha realidade?

O outro pode INTERFERIR totalmente na sua realidade. E vice-versa. O universo é liberdade absoluta. Todos os seres são absolutamente livres. Seres que estão sendo humanos, seres que estão sendo animais, seres que estão sendo insetos, seres que estão sendo samambaia, seres que estão sendo pedra. Enfim, todos. Essa liberdade absoluta é tanto fonte das dores como das delícias da convivência entre os seres. Dito isso, acrescento que um é absolutamente impotente em DETERMINAR a realidade do outro. Interferir não é determinar. Vamos estudar isso em outros livros.


PERGUNTA: O livro explica que a realidade é virtual e está acontecendo dentro de mim. É isso?

É mais do que isso! Você é a realidade que está experimentando. A separação entre experimentador e experimentado é apenas pedagógica para fins de estudos.


PERGUNTA: Como o outro aparece em mim?

Da mesma forma que esse texto está aparecendo no seu whatsapp. O outro se manifesta, você recebe a manifestação do outro, decodifica essa manifestação com seu sistema (atualmente) humano e experimenta essa manifestação decodificada em si.

PERGUNTA: Se a realidade está “dentro de mim” e não ha diferença entre experimentador e experimentado, como saber o que é eu e outro?

Essa é (A) pergunta. Posso lhe responder, mas se responder você vai perder a oportunidade de ter umas das EUrekas mais legais da brincadeira de ser humano. Sendo assim, sugiro prosseguir na investigação e descobrir por si mesma. Quando descobrir me convida para festa de celebração.


PERGUNTA: Eu experimento o outro ou a mim mesmo?

A resposta é ambos e simultaneamente. Vou pegar eu e você de exemplo. Você não está me experimentando enquanto ser. Isso é impossível. Você está experimentando minha manifestação decodificada pelo seu sistema de decodificação. Essa manifestação decodifica é o que você chama de Ferrari e entende como sendo eu. Esse eu (Ferrari) dentro de você é o SEU FERRARI. Minha mãe experimenta o Ferrari dela. Minha esposa experimenta o Ferrari dela. Meu cachorro experimenta o Ferrari dele. O pernilongo experimenta o Ferrari dele. Até eu experimento um Ferrari diferente, meu Ferrari. Sendo assim, existem tantos Ferrari como seres que convivem comigo. Qual é o Ferrari verdadeiro? Todos e nenhum! Cada Ferrari é a verdadeiramente a experiência que aquele ser está tendo e que ele chama de Ferrari. Só que nenhum desses Ferraris, nem mesmo o meu próprio ferrari, SOU EU. Eu sou um ser. Eu existo. Eu sou uma fábrica de realidade. Eu sou a fonte sem a qual nenhum desses Ferraris poderiam estar sendo experimentados, nem mesmo o meu Ferrari.


PERGUNTA: Como percebo que algo com o qual estou convivendo é fruto de co-criação ou é fruto de aleatoriedade?

Percebendo que não existe aleatoriedade, que aleatoriedade é um equívoco.

PERGUNTA: Por que aleatoriedade é um equívoco?

Porque realidade é efeito. Efeito é desdobramento da causa. A causa da realidade é o arbítrio. Logo, não é a aleatoriedade. Aleatoriedade é o nome materialista e cientifico do vitimismo.


PERGUNTA: O que diferencia um ser que sabe que é deus de um ser que sabe que deus é outro?

Ninguém SABE que deus é outro. Deusoutro é uma crença. Quando você acredita que deus não você, que deus é outro, você não está sabendo, está acreditando saber, está pensando que sabe. Sendo assim, o que diferencia um ser do outro é justamente saber disso.

PERGUNTA: Mas no viver? No dia a dia? O que muda?

Muda sua forma de viver. Quando você acredita no deusoutro, você vive de forma vitimista. Afinal, se o criador da sua realidade é deus, você é só uma vítima dele. Quando você está lúcido de que deus é você, não tem mais espaço para o vitimismo, pois você sabe que a realidade que está experimentando é criação sua.

PERGUNTA: Então, a resistência a deus-eu é fuga da responsabilidade?

Sim, totalmente. Porém, é um tiro no pé, pois é impossível fugir da responsabilidade. Até para fugir da responsabilidade você precisa optar por isso e optar é você executando sua responsabilidade. Ou seja, fugir da responsabilidade é tipo você gritando: “Eu sou mudo!”.


PERGUNTA: O despertar existencial tira meu chão? 

Não tira seu chão, desmaterializa seu chão. Você continua pisando no chão, só que se torna consciente que o chão que está pisando não é externo nem feito de matéria. Nem o chão, nem seu pé, nem nada. Tudo muda sem que nada mude. Tudo continua como antes, mas já não é o mesmo tudo, não é mais um tudo material e externo, é um tudo imanente e feito de experiência de matéria. Essa é a metáfora da ressurreição do Neo no filme Matrix. Ele leva um tiro e morre, mas depois renasce e começa a ver os pixels da Matrix. Essa cena é uma metáfora do despertar existencial, do fim do mundo externo. O Neo morre na mentalidade materialista e renasce para mentalidade existencialista. Só que quando você tem um despertar existencial, você não começa a ver pixels, isso é só uma metáfora. Quando você tem o despertar existencial, você apenas entende que a matéria é só uma experiência de matéria, e que não externa, é imanente.


PERGUNTA: Que tipo de dificuldades surgem com o processo de despertar existencial?

Despertar existencial não é um processo, é instantâneo. É como acordar de um sonho. Num instante você está sonhando, no outro não está mais, você despertou. No caso do despertar existência, num instante você acredita que é um humano-ser no outro você percebe que é um ser humano, num instante você acredita que a realidade é feita de matéria e no outro você percebe que é feita de experiência de materialidade, num instante você acredita que a realidade é externa e no outro você percebe que é imanente. Essa transição consciencial é papum, é um click. A dificuldade em fazer o despertar existencial acontecer vem da falta de prática em autociência. Isso é a dificuldade antes. Uma vez que você desperta, surge uma dificuldade em lidar com o “sentido da vida”. Perceber que tudo é apenas uma experiência, abala seu sistema de crenças materialistas sobre a vida. Mas como você não tem outra opção senão existir, e agora você está consciente disso, só lhe resta duas opções: existir bem ou existir mal. Para existir bem, você precisa entender o que é existir mal. E só tem um jeito de você descobrir, praticando autociência. Você segue praticando autociência e a vida volta a fazer sentido, um outro sentido, mas volta.

PERGUNTA: Mas tem um processo para dar esse click, certo?

Sim, a água a 100 graus entra em ebulição imediatamente, mas não chega a 100 graus imediatamente. Por isso estamos aqui estudando e praticando autociência. Quanto mais você praticar autociência, mais está se aproximando do seu ponto de ebulição.


PERGUNTA: Eu me materializo para experimentar ser humano?

Não existe matéria, o que existe é experiencia de matéria, então, não existe materialização. Seu corpo de carne e osso não é feito de carne e osso, é feito de experiencia de carne e osso. Você não está transformado em um corpo humano de carne e osso e por isso está sendo humano, é o oposto. Você está optando por ser humano e por isso está se experimentando como um corpo humano de carne e osso contido no espaço e interagindo com outros corpos, etc.


PERGUNTA: Porque tenho a sensação que sou um corpo me deslocando no espaço?

Porque é assim que funciona quando você está sendo humano. Se você estivesse sendo uma abelha, ou sendo uma pedra, por exemplo, estaria experimentando diferente.

© 2018 · 1FICINA · Marcelo Ferrari