CIÊNCIA DO NADA

Tudo sobre o nada

Livro da 1ficina | Marcelo Ferrari

01 | CRIADOR DA REALIDADE

Você entende e aceita que é criador da sua realidade até certo ponto. Quando você vai almoçar em um restaurante, por exemplo, você escolhe batata, feijão, cenoura, tomate, etc, e assim cria sua refeição. Neste caso, você entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Extrapolando essa ideia para outras áreas, você escolhe seu namorado, esposa, emprego, casa, roupa, amigo, etc. Nesses casos, você também entende e aceita que você é o criador da sua realidade. Mas entender que você é criador da sua realidade, não se limita a entender que você lida com as pessoas, com as situações, e as coisas. Entender que você é criador da sua realidade, significa que você cria tudo, toda a realidade, 100%, sem exceção. Usando o exemplo do restaurante, entender que você é criador da sua realidade, é entender que você cria as paredes do restaurante, as mesas, as cadeiras, os talheres, o chão, a mão segurando o prato, tudo que você experimenta e chama de realidade, e não apenas um pedaço da experiência, o pedaço que você chama de refeição.


02 | O QUE É MATÉRIA?

Quer dizer que você cria a matéria? Sim e não. Sim, porque você cria tudo que você experimenta, e não, porque matéria não é material, coisa física. Matéria é experiência de fisicalidade. Este entendimento é a revolução que muda tudo sem mudar nada. Nada muda porque matéria sempre foi experiência de fisicalidade, nunca foi outra coisa, nunca será, você é que tem ignorado isso. Tudo muda porque uma coisa é entender que matéria é material, outra coisa é entender que matéria é experiência de fisicalidade.


03 | EU SOU MATÉRIA.

Ao acreditar que matéria é material, você passa a acreditar que você também é material, ou seja, corpo. Você pensa assim: “Realidade é material. Eu sou material também. A realidade contém toda matéria e me contém também. Eu sou um corpo material contido na realidade e interagindo com outros corpos materiais contidos na realidade.” Isso é um engano. A realidade não lhe contém, você é que contém sua realidade. Quando você entende que matéria é experiência de fisicalidade, o fluxo da criação vira do avesso. Você entende assim: “Matéria é experiência de fisicalidade. Eu sou criador da minha experiência de fisicalidade. Fisicalidade é um aspecto da realidade que experimento. Eu não sou matéria, nem estou contido na realidade, é a realidade que está contida em mim.”


04 | OUTROÍSMO

Quando você se entende como corpo, como matéria, é inevitável também que você entenda que o criador da sua realidade é outro. A natureza, o universo, os átomos, a vida, deus, o caos, enfim, algum outro, menos você. Isto é outroísmo. E qual é o problema do outroísmo? Se você não é o criador da sua realidade, então, sua realidade não tem relação causal com você. Se sua realidade não tem relação causal com você, como e porque estudar uma relação causal que não existe? Ou seja, se você não é o criador da sua realidade, praticar autoconhecimento é um absurdo.


05 | MATÉRIA É ILUSÃO

Matéria é ilusão. Mas por que matéria é ilusão? Matéria é ilusão porque é experiência. E por que experiência é ilusão? Experiência é ilusão porque é efeito. Imagine um filme em uma tela de cinema. O filme na tela é ilusão. Por que o filme é ilusão? Porque não é o filme que está criando o filme, o filme não é a fábrica do filme, o filme é efeito. A fábrica do filme é o projetor. O projetor existe sem o filme, mas o filme não existe sem o projetor. Experiência é ilusão porque ilusão = efeito.


06 | REALIDADE É ILUSÃO

Realidade é ilusão. Ilusão = realidade = efeito. Mas isso não significa, de modo algum, que sua realidade deva ser ignorada e desconsiderada. Pelo contrário, muito pelo contrário, muitíssimo pelo contrário. Sua realidade deve ser absolutamente considerada. Por que? Porque quando você vai estudar a relação causa e efeito, não é desconsiderando o efeito, que você estuda a relação causa e efeito.


07 | TUDO E NADA

Nada é nada? Sim e não. Sim, porque se nada fosse alguma coisa, não seria nada, seria alguma coisa. E não, porque nada é potencial para tudo, para todas realidades. Nada é tudo-potencial, tudo é nada-realizado. Nada é a fábrica de tudo. Você é nada e tudo, todo ser é nada e tudo, criador e criatura. Viver é brincar de se transformar em tudo. Tudo sai do nada. Tudo que você experimenta sai do seu potencial. Por exemplo, se você é músico e está criando uma música, você é nada criando um tudo. Que tudo? A música. A música é sua manifestação, é você em forma de música. Imagine a experiência humana como sendo um instrumento musical. O que é sua realidade? Realidade é a música que você está criando e por isto, ouvindo, ou seja, experimentando.


08 | AUTOCONHECIMENTO

Realidade é ilusão, mas é imprescindível para você viver bem. Por que é imprescindível? Porque ilusão é efeito, e só através do estudo do efeito você pode obter conhecimento de causa. E para que serve conhecimento de causa? Serve para você poder melhorar a qualidade do efeito, ou seja, melhorar a qualidade da sua realidade. Vamos usar uma analogia para entender melhor isso. Um sonho é uma ilusão. Por que? Porque um sonho não é fábrica de si, sonho é produto. E qual é a fábrica do sonho? A fábrica do sonho é você, o sonhador. Porém, se você não fosse o sonhador dos seus sonhos, que utilidade e sentido teria estudar a relação dos seus sonhos com você? Não teria nenhuma utilidade e sentido. Realidade é como sonho. Você é um sonhador. A realidade que você experimenta é a realidade que você cria para si. É por isto que a prática do autoconhecimento é realizada através da investigação da relação causal entre você e sua realidade.


09 | FÔRMA HUMANA

Tem bolo redondo e tem bolo quadrado. Por que um bolo é redondo e outro é quadrado? De onde vem a forma do bolo? A forma do bolo vem da fôrma. O bolo quadrado é quadrado porque a fôrma que o formou era quadrada. O bolo redondo é redondo porque a fôrma que o formou era redonda. O bolo tem a forma da fôrma. Só que a forma é explícita, e a fôrma é implícita. Sendo assim, observe sua realidade como sendo um bolo. Se sua realidade tem forma, então, tem fôrma. Cadê a fôrma? Você não vê a fôrma da sua realidade porque também é implícita. Para entender isso, vamos melhorar a metáfora. Pense em um imagem na tela do seu computador. A imagem na tela do computador é forma. Se é forma, tem uma fôrma. Cadê a fôrma que forma a imagem na tela do computador? A fôrma da imagem é o programa do computador. Pronto! Assim como um computador usa uma fôrma chamada “programa” para criar imagens na tela, você usa uma fôrma chamada “humanidade” para criar a realidade que você experimenta. Assim como você não vê o programa que forma a imagem na tela do computador, você também não vê sua humanidade.


10 | LIMITE HUMANO

Pense em um programa de edição de texto. Pense no Word, por exemplo. O Word tem uma natureza específica que o diferencia dos outros programas, uma constituição que faz com que seja o Word. Essa natureza específica determina sua serventia. O Word serve para produção e edição de textos. Se você tentar usar o Word para produzir música, por exemplo, não vai conseguir. Sendo assim, a natureza do Word limita a natureza da sua produção com ele. Só que não limita a quantidade da sua produção dentro da natureza dele. Ou seja, o Word limita sua produção a produção de textos, mas não limita a quantidade de textos que você pode produzir com ele. Analogamente, para que você possa produzir realidade humana, você precisa usar um programa também. Que programa é esse? É sua humanidade. Assim como o Word, sua humanidade limita a natureza da sua produção, mas não limita a quantidade dentro dela.


11 | QUATERNÁRIO HUMANO

Um piano é um, e sete, ao mesmo tempo. Um piano é um, porque é um instrumento. Um piano é sete, porque tem sete notas. Então, quando usamos um piano, estamos usando sete notas para produzir música, para produzir sonoridade. Analogamente, o mesmo acontece com você na sua experiência humana. Você é nada produzindo tudo. Para produzir tudo, você está usando um instrumento chamado humanidade. Sua humanidade é um, e quatro, ao mesmo tempo. Sua Humanidade é um instrumento de quatro notas.

FISICALIDADE – SENSORIALIDADE – AFETIVIDADE – RACIONALIDADE


12 | POR QUE?

Vamos a pergunta que não quer calar. Aquela que fica travessada na garganta. “Então, por que?” Essa é a pergunta. Você pensa assim: “Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando essa realidade que não gosto”. Muitas vezes você experimenta realidades indesejáveis, desagradáveis, violentas, nojentas, injustas, hipócritas, etc, então, é inevitável você se perguntar: “Por que? Se sou criador da minha realidade, então, por que estou criando esta realidade tão ruim?”. Melhor do que eu lhe dar uma resposta, vamos analisar sua pergunta. O que está implícito nessa pergunta? Está implícito que você desconhece a causa. Perguntar porque, é perguntar sobre a causa. Então, o primeiro motivo de você criar uma realidade indesejada, é justamente para você se perguntar: “Qual é a causa?”. O segundo motivo é para você buscar a resposta, e descobrir que realidade é efeito, e que você é a causa da sua realidade.


13 | QUALIDADE DA REALIDADE

Realidade ruim é semelhante a uma música mal executada, onde o músico erra as notas e toca fora de harmonia. Agora, pense no seguinte, o violão tem como tocar melhor a música? Não! Pois é o músico que está tocando a música e não o violão. O violão é apenas o instrumento que o músico está usando para executar a música. O mesmo acontece com você. Sua humanidade é seu instrumento. Sua realidade é a música que você está tocando, e consequentemente, ouvindo. Assim como a causa da música ruim é a má execução do músico que está tocando o violão, a causa da sua realidade ruim é sua má execução em ser humano. A maestria ou falta de maestria do músico com o violão, é tanto o problema como a solução da qualidade da música, sua maestria ou falta de maestria em ser humano, também é tanto o problema como a solução da qualidade da sua realidade.


14 | MELHORANDO TUDO

Nada é o potencial para tudo, é como se fosse a partitura da música. Tudo é a realidade, é como se fosse a música que sai do violão. Não tem problema na partitura, que está escrita perfeita, nem na música que sai do violão, que é apenas resultado da execução. Quando a música que você está tocando está ruim, a causa é sua má execução do instrumento, quando sua realidade está ruim, a causa é sua má execução em ser humano. Uma vez que você descobre o que você está errando na execução de uma música, você pode melhorar a execução da música, uma vez que você descobre o que você está errando na criação da sua realidade, você pode melhorar a qualidade da sua realidade. A 1ficina está a disposição para lhe ajudar nisso. Disponha.

© 2017 · 1FICINA · Marcelo Ferrari