AMOR FÁCIL, DIFÍCIL E IMPOSSÍVEL

25/05/2016 by in category Livros with 0 and 0

01 | QUATRO VEZES DIFERENTE

AMOR FÁCIL 08 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade

Existem três tipos de amores na experiência humana: Amor Fácil, Amor Difícil e Amor Impossível. Para que você possa entender porque são três, e qual é qual, primeiro você deve entender que ser humano é ser quatro ao mesmo tempo. Isto mesmo! Você é um ser em uma experiência que é quaternária. Vou usar o símbolo da 1ficina para explicar isso.

Primeiro vou explicar o símbolo original. O círculo representa o ser que você é, o ser que cada um é. O ponto no meio do círculo representa o consciente. Você é um ser consciente. Só que você não é apenas consciente, você é um ser “humano” consciente. A polpa dentro do círculo representa sua humanidade.

Ser é nada. Você é nada brincando de tudo. Ou melhor, você é nada brincando de um tipo de tudo. Que tipo de tudo? Tudo humano. É por isto que tudo que você experimenta é humano, porque você é um ser humano. 
O que estou explicando aqui, é que você existe, que você = existência, e por isto, atualmente, está humano. E também estou dizendo que sua experiência humana está dentro de você e não você dentro da sua experiência humana.

O sinal de diferente representa sua singularidade. Cada um é igual e diferente. Você é igualmente diferente. Você é igualmente ser humano, mas você é um ser humano diferente. Aliás, você é um ser humano quatro vezes diferente, pois a experiência humana é quaternária.


02 | AMOR RACIONAL

Uma das quatro dimensões humanas é a racionalidade. Racionalidade é a dimensão do definir. É onde você define o verdadeiro e o falso. A todo instante você está definindo o verdadeiro e o falso. Por exemplo, quando você afirma, “Felicidade é morar na praia”, você está definindo o que é, e o que não é felicidade, ou seja, verdadeiro e falso. Cada um é livre para definir por si, então, verdadeiro e falso é relativo a definição de cada um.

Você pode estar se perguntando o que definir tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o falso? Claro que não! Ninguém quer o falso. E por que não? Porque todo ser humano ama o verdadeiro.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão racional, você ama o verdadeiro e odeia o falso.

Amar o verdadeiro e odiar o falso, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o verdadeiro e odiar o falso. Você não precisa aprender a amar o verdadeiro e odiar o falso. Quando você entende que algo é verdadeiro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é falso, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é verdadeiro, e o que é falso, é relativo, mas todo ser humano ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro é amor fácil, facílimo, inevitável.


03 | AMOR AFETIVO

Outra dimensão da experiência humana é a afetividade. Afetividade é a dimensão do avaliar. É onde você lida com atribuição de valor, com o caro e o nulo. A todo instante você está atribuindo valor. Por exemplo, quando você diz, “Eu te amo”, para uma pessoa, você esta atribuindo valor a pessoa, está dando importância, está apreciando. Cada um é livre para avaliar por si, então, caro e nulo é relativo a avaliação de cada um.

Você pode estar se perguntando o que avaliar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o nulo? Claro que não! Ninguém quer o nulo. E por que não? Porque todo ser humano ama o caro.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão afetiva, você ama o caro e odeia o nulo.

Amar o caro e odiar o nulo, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o caro e odiar o nulo. Você não precisa aprender a amar o caro e odiar o nulo. Quando você entende que algo é caro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é nulo, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é caro, e o que é nulo, é relativo, mas todo ser humano ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro é amor fácil, facílimo, inevitável.


04 | AMOR SENSORIAL

Outra dimensão da experiência humana é a sensorialidade. Sensorialidade é a dimensão do gostar. É onde você lida com o gosto, com o bom e o ruim. A todo instante você está lidando com o gostar. Por exemplo, quando você diz, “Adoro rock”, é porque ouvir rock é bom, é gostoso. Cada um é livre para gostar por si, então, bom e ruim é relativo ao gosto de cada um.

Você pode estar se perguntando o que gostar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o ruim? Claro que não! Ninguém quer o ruim. E por que não? Porque todo ser humano ama o bom.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão sensorial, você ama o bom e odeia o ruim.

Amar o bom e odiar o ruim, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bom e odiar o ruim. Você não precisa aprender a amar o bom e odiar o ruim. Quando você entende que algo é bom, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é ruim, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bom, e o que é ruim, é relativo, mas todo ser humano ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom é amor fácil, facílimo, inevitável.


05 | AMOR FÍSICO

Outra dimensão da experiência humana é a fisicalidade. Fisicalidade é a dimensão do ponderar. É onde você lida com o benefício e o malefício, como o bem e o mal. A todo instante você está ponderando o bem e o mal. Por exemplo, quando você diz “O tomate está caro”, você está ponderando o custo benefício do tomate. Cada um é livre para ponderar por si, então, bem e mal é relativo a avaliação de cada um.

Você pode estar se perguntando o que ponderar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o mal? Claro que não! Ninguém quer o mal. E por que não? Porque todo ser humano ama o bem.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão física, você ama o bem e odeia o mal.

Amar o bem e odiar o mal, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bem e odiar o mal. Você não precisa aprender a amar o bem e odiar o mal. Quando você entende que algo é bem, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é mal, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bem e o que é mal, é relativo, mas todo ser humano ama o bem e odeia o mal. Amar o bem é amor fácil, facílimo, inevitável.


06 | AMOR FÁCIL

Eis os quatro amores fáceis:

Dimensão Racional – Amor ao vero.
Dimensão Afetiva – Amor ao caro.
Dimensão Sensorial – Amor ao bom.
Dimensão Física – Amor ao bem.

Amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável.


07 | AMOR IMPOSSÍVEL

Sendo que amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável, o que é amor difícil? A resposta aparentemente óbvia, é que amor difícil é amar o falso, o nulo, o ruim e o mal. Eis o engano. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível.

Você ama o verdadeiro porque odeia o falso. Se fosse possível você amar o falso, seria impossível você amar o verdadeiro.
Você ama o caro porque odeia o nulo. Se fosse possível você amar o nulo, seria impossível você amar o caro.
Você ama o bom porque odeia o ruim. Se fosse possível você amar o ruim, seria impossível você amar o bom.
Você ama o bem porque odeia o mal. Se fosse possível você amar o mal, seria impossível você amar o bem.

Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Se fosse possível, você já teria obtido êxito neste objetivo. Porém, nunca obtêm, por mais que tente, pois trata-se de um objetivo impossível. É impossível amar o que se odeia, e todo ser humano odeia o falso, o nulo, o ruim e o mal. Quando isso fica absolutamente evidente, você desiste naturalmente do amor impossível, e está pronto para praticar o amor difícil.


08 | AMOR DIFÍCIL

AMOR FÁCIL 15 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade marcelo ferrari

Amor difícil surge naturalmente quando você percebe que o amor impossível é impossível, tanto para você, como para o outro. Amor difícil é respeitar o amor fácil dos outros. Amor difícil é respeitar a universalidade de veros, caros, bons e bens. Cada um é ímpar, singular, único, diferente. Sendo assim, o que é bem para você pode ser mal para o outro, o que é bom para você pode ser ruim para o outro, o que é caro para você pode ser nulo para o outro, o que é vero para você pode ser falso para o outro, e vice versa. Você é diferente do outro e o outro é diferente de você. E não tem nenhum problema nisso. O problema só surge quando você ignora isso. Quando acredita e supõe que o que é vero, caro, bom e bem para você, é para o outro também. É assim que surgem as guerras. E por que o amor difícil é difícil? Porque você não tem prática em perceber a impossibilidade do amor impossível.


09 | AMOR CONSCIENTE

AMOR FÁCIL 16 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade

Amor difícil não é abnegação. Assim como você opta pelo amor fácil por egoísmo, ou seja, porque é a melhor opção, você também opta pelo amor difícil por egoísmo, ou seja, também porque é a melhor opção. Amor difícil é amor consciente. A melhor coisa que você pode fazer por você é dar liberdade ao outro para amar fácil. Quando você dá liberdade ao outro de amar fácil, quem se liberta é você, que não precisa mais persistir no amor impossível. Abnegação é missão impossível, então, abnegação é amor ignorante.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

PERGUNTA: O que é “caro”? Será que é “querido”, tipo “caro amigo” ou “importante”? “Nulo” seria “desquerido”, “desimportante”, “sem valor” ?

Sim, é exatamente isso! Optei por usar a palavra “caro” ao invés de “querido” ou “importante” porque é uma palavra de poucas letras, assim como as palavras “bem” e “bom”. Esse também é o motivo da opção pela palavra “vero” ao invés da palavra “verdadeiro”.

PERGUNTA: Você diz no livro: “Você ama o CARO porque odeia o NULO. Se fosse possível você amar o NULO, seria impossível você amar o CARO.” Você pode reescrever essa frase trocando por um sinônimo que você dá as palavras “CARO” e “NULO”.

Sim! Fica assim: Você ama o que é IMPORTANTE porque odeia o que é DESIMPORTANTE. Se fosse possível você amar o DESIMPORTANTE, seria impossível você amar o IMPORTANTE.


PERGUNTA: Me chamou a atenção a expressão “ninguém ama ninguém” que você usou em um texto da 1ficina. Pode explicar melhor?

Você se refere a esse texto aqui:

AMOR É EGOÍSMO

Você ama a experiência do bem, bom, caro e vero que o outro estimula em você e não o outro. Por isso que ninguém ama ninguém. No instante em que o outro para de estimular experiência de bem, bom, caro e vero em você e começa a estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso, imediatamente e inevitavelmente, você começa a odiar o outro. Amor fácil não é pelo outro, é pela experiência de bem, bom, caro e vero. Amor difícil sim é pelo outro. Amor difícil é sua opção de dar liberdade ao outro de ser diferente de você apesar dessa diferença lhe estimular experiência de mal, ruim, nulo e falso.

Interessante observar que você faz isso com os objetos, plantas e bichos, mas não faz com os outros seres humanos. Manga tem sabor de manga. Se você acha ruim o sabor da manga, você não obriga a manga a ter sabor de morango. Ou seja, não obriga a manga a ser diferente do que é. Vaca dá leite. Se leite te faz mal, você não obriga a vaca a botar ovo. Ou seja, não obriga a vaca a ser diferente do que é. Fogo queima e você não obriga o fogo a fazer cafuné. Ou seja, não obriga o fogo a ser diferente do que é. Enfim, você não obriga os objetos, plantas e bichos a serem diferentes do que são, pois você sabe que isso é impossível e sabe que tentar realizar o impossível é se condenar a fracasso eterno. Porém, você faz isso consigo mesmo e com o outro. Você se obriga a fazer, gostar, valorizar e pensar igual o outro e obriga o outro a fazer, gostar, valorizar e pensar igual você. E ao invés de você chamar isso de insanidade, você chama de amor, abnegação, altruísmo, espiritualidade, religiosidade, nobreza, ética, virtude, educação, etc.


PERGUNTA: Então, não existe amor difícil (abnegação)? Tentar isso é sofrer?

Você está confundindo. Amor difícil não é abnegação, é libertação. Mas o que é abnegação então? Vamos caminhar passo a passo e entender isso. Primeiro é preciso entender que amor fácil e amor impossível é o mesmo amor, que são os dois lados de uma mesma moeda e que não são opcionais. Amor fácil é fácil justamente porque não é opcional, é inevitável. Quando você ama algo, você não tem opção de não amar, pois você ama. E por amar, simultaneamente, odeia o oposto, pois o ódio é o outro lado da moeda do amor. Então, amor fácil e impossível não é opcional. Amor difícil, esse sim, é opcional. Amor difícil é você executando seu arbítrio no sentido de dar liberdade para si mesmo e para o outro de amar fácil. Amor difícil é libertação. Dar liberdade é difícil porque você criou o HABITO de proibir a si mesmo (outroísmo submisso) e ao outro (outroísmo impositivo) de amar fácil. Abnegação é a crença de que é possível, louvável e saudável amar o que se odeia, ou seja, amar o mal, o ruim, o nulo e o falso. SUA abnegação é outroísmo submisso. É você se obrigando a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para você. Esperar abnegação DO OUTRO é outroísmo impositivo. É você obrigando o outro a amar o que é mal, ruim, nulo e falso para ele.


PERGUNTA: Por que amo ou odeio algo?

Funciona assim. Você ama fácil ALGO. Vamos chamar esse algo de OBJETO do seu amor fácil. Você ama fácil esse OBJETO e é isso. Por que você ama fácil esse OBJETO? Qual o motivo? Você não sabe. Você sabe que ama fácil porque está amando, então, é obvio que você ama fácil. Só que você não sabe porque está experimentando esse amor. Você ignora o motivo. Nesse livro a 1ficina explica o motivo. Você ama fácil ALGO porque é bem, bom, caro ou vero para você. E mais! QUANDO é bem, bom, caro ou vero para você. Isso é o amor fácil. O oposto do fácil você odeia. O que você odeia é amor impossível.


PERGUNTA: Se amor impossível é impossível, porque acredito que é possível?

Para apontar para o motivo disso, costumo dar o exemplo do caixa eletrônico de banco. Você não reclama com o caixa eletrônico, mas você reclama com o funcionário humano do banco que executa o mesmo serviço do caixa eletrônico. Por que?

INTERLOCUTOR: Até reclamo com o caixa eletrônico, mas sei que não vai dar em nada.

Por que não vai dar em nada?

INTERLOCUTOR: Porque o caixa eletrônico é um robô programado.

O caixa eletrônico se comporta sempre de acordo com o gabarito dele (programação dele). E o ser humano?

INTERLOCUTOR: O ser humano tem autonomia para tomar decisões e mudar de comportamento. Por isso reclamar com o atendente do banco é diferente de reclamar com o caixa eletrônico.

Ao invés do termo “autonomia para tomar decisões” vou usar a palavra “arbítrio”. Você não reclama com o caixa eletrônico porque sabe que o caixa eletrônico não tem arbítrio, logo, é impossível convence-lo a mudar de comportamento. Você sabe que pode chorar, espernear, chantagear e até explodir o caixa eletrônico, ele não vai mudar de comportamento para satisfazer seu desejo. Por isso você nem tenta. Mas você tenta com o outro ser humano, por que?

INTERLOCUTOR: Porque o outro ser humano pode decidir mudar de comportamento e atender minha reclamação.

Exato! Você não consegue convencer o caixa eletrônico a lhe agradar, mas consegue convencer um ser humano. Mesmo que você apontar uma arma para um caixa eletrônico e disser “Me dá todo seu dinheiro ou eu atiro e te mato!”, o caixa eletrônico não vai mudar de comportamento. Você sabe disse. Então, você nem tenta. Porém, na infância, quando sua mãe tirou a teta da sua boca, você chorou. E sua mãe, mesmo cansada, mesmo sem leite, mesmo com o bico do peito doendo, ou seja, mesmo contrariada, deu a teta de volta para lhe agradar. Nesse momento você fez a matricula na faculdade do outroísmo e teve sua primeira lição de como transformar um ser humano em um escravo seu. Basta chorar e reclamar. Muita prática e hoje você é o mestre do mimimi. O problema é que são milhões de seres humanos no mundo e apenas um deles é sua mãe. Então, quando está convivendo com esse outros seres humanos, por mais que você chore, reclame e tente, a teta não vem.

INTERLOCUTOR: Então, acredito que o amor impossível é possível porque o outro ser humano pode optar por me agradar, mesmo que ao fazer isso ele esteja desagradando a si mesmo?

Exato! E vice versa. Você tem arbítrio, então, você pode se obrigar a optar pelo que é mal, ruim, falso e nulo. Você sofre e vive mal quando faz isso. Mas isso é possível. Então, você passa a acreditar que é possível amar o que você odeia. Amar não é possível, por isso você odeia. Mas é possível optar por viver assim. Isso é o outroísmo submisso. No outroísmo impositivo, você tenta obrigar o outro a fazer, gostar, valorizar ou pensar igual você. Você não tem como controlar o arbítrio do outro, mas o outro se deixa ser controlado por você. Isso lhe dá a falsa impressão de que você consegue controlar o arbítrio do outro e por isso você acredita que consegue fazer o outro amar o que odeia.


PERGUNTA: Amor difícil é o mesmo que amar ao próximo como a si mesmo? Se sim, por que não consigo?

Porque você dá a palavra “amor” o significado de afeto (sentimento). Toda doutrina é feita de palavras. O significado que você dá as palavras de uma doutrina, não vem da doutrina, vem da sua cabeça. Quando você entra em contato com uma doutrina que fale do amor, mesmo que você seja criança, você já ouviu pelo menos umas 10 mil vezes sua mãe lhe dizendo “eu te amo”. Sua mãe estava se referindo ao afeto (sentimento) dela por você, estava dizendo que você é muito querido para ela, muito especial, muito importante. Só que sua mãe não te explicou que amor é desejo, que desejo é quaternário e que afeto (sentimento) é um dos quatro desejos humanos. Menos ainda que amor é fácil, difícil e impossível. Então, só lhe resta grudar esse significado afetivo e maternal a palavra amor. Amor = afeto (sentimento) que minha mãe tem por mim.

Daí, quando você entra em contato com uma doutrina que fale do amor e recebe um ensinamento que diz que você deve amar o próximo, o que você entende? Entende que deve amar o outro assim como sua mãe ama você. Ou seja, você deve dar mamadeira para o outro, fazer cafuné, lavar a louça, lavar a cueca, fazer almoço e janta, ficar preocupado, limpar a bunda do outro se ele cagar nas calças, enfim, você deve cuidar do outro assim como sua amorosa mãe cuida de você. E mais! Você deve ter afeto (sentimento) pelo outro, sempre, faça ele o que fizer. Mesmo que o outro abuse de você, lhe violente, lhe desagrade, você deve amar o abuso, a violência e o desagrado, assim como sua mãe ama você.

Isso é amor impossível. Você pode respeitar a violência, o abuso e o desagrado, mas amar é impossível. Só que sua mãe não te explica isso quando diz “eu te amo”, nem as doutrinas religiosas, quando lhe dizem: “ame ao próximo como a si mesmo”. Eis porque você não consegue amar o próximo. Amar o próximo não é afeto, não é sentimento, é dar liberdade ao outro de ser outro, diferente de você. Só isso! E isso é inevitável. O outro é o outro, diferente de você. O outro não precisa da sua permissão para ser outro. Mas você, internamente, proibi o outro de ser outro. E daí fica vivendo o inferno da proibição. Só você sofre com isso. O outro nem sabe que você está lhe proibindo de ser diferente de você. Só você sabe disso e só você sofre com isso. Então, no final das contas, o ensinamento “ame ao próximo” visa ajudar você a se libertar do inferno da proibição e não fazer com que você seja o salvador da humanidade.


PERGUNTA: Se Amor Difícil é dar liberdade ao outro de ser outro, então, perdoar é praticar o amor difícil?

Sim, exatamente!

PERGUNTA: Então, se pratico amor difícil não há necessidade de perdão?

Você não pratica o perdão, você pratica engolir sapo. O que você chama de perdão, não é você dando liberdade ao outro de ser outro, diferente de você, é você se obrigando a aceitar o que não aceita. Se você não aceita, como aceitar? Impossível. Mas você acredita que perdoar é aceitar, então, você se obriga a aceitar o que não aceita. Ao fazer isso, você nem perdoa, nem vive bem, pois violenta a si mesmo. Se obrigar a aceitar não funciona, se funcionasse, já tinha funcionado. Sua mágoa continua porque perdão não acontece com você se obrigando a aceitar o que não aceita, pelo contrário, acontece com você se permitindo não aceitar o que não aceita. Quando você considera algo errado, aceite que considera errado. Ao invés de engolir o sapo, saboreie o óbvio. Esse é o primeiro passo para o perdão. Enquanto você não dá o primeiro passo, é impossível você dar o segundo, que é considerar que do ponto de vista do outro, o que você chama de problema o outro considera solução. O terceiro passo é perceber que isso é fato. É claro que do ponto de vista do outro ele considera certo o que faz, por isso opta por fazer. Quando você chega no terceiro passo, você não precisa mais executar o perdão, pois os três passos é o perdão sendo executado. 

© 2018 · 1FICINA · Marcelo Ferrari