AMOR FÁCIL, DIFÍCIL E IMPOSSÍVEL

Como o amor funciona

Livro da 1ficina | Marcelo Ferrari

01 | QUATRO VEZES DIFERENTE

AMOR FÁCIL 08 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade

Existem três tipos de amores na experiência humana: Amor Fácil, Amor Difícil e Amor Impossível. Para que você possa entender porque são três, e qual é qual, primeiro você deve entender que ser humano é ser quatro ao mesmo tempo. Isto mesmo! Você é um ser em uma experiência que é quaternária. Vou usar o símbolo da 1ficina para explicar isso.

Primeiro vou explicar o símbolo original. O círculo representa o ser que você é, o ser que cada um é. O ponto no meio do círculo representa o consciente. Você é um ser consciente. Só que você não é apenas consciente, você é um ser “humano” consciente. A polpa dentro do círculo representa sua humanidade.

Ser é nada. Você é nada brincando de tudo. Ou melhor, você é nada brincando de um tipo de tudo. Que tipo de tudo? Tudo humano. É por isto que tudo que você experimenta é humano, porque você é um ser humano. 
O que estou explicando aqui, é que você existe, que você = existência, e por isto, atualmente, está humano. E também estou dizendo que sua experiência humana está dentro de você e não você dentro da sua experiência humana.

O sinal de diferente representa sua singularidade. Cada um é igual e diferente. Você é igualmente diferente. Você é igualmente ser humano, mas você é um ser humano diferente. Aliás, você é um ser humano quatro vezes diferente, pois a experiência humana é quaternária.


02 | AMOR RACIONAL

Uma das quatro dimensões humanas é a racionalidade. Racionalidade é a dimensão do definir. É onde você define o verdadeiro e o falso. A todo instante você está definindo o verdadeiro e o falso. Por exemplo, quando você afirma, “Felicidade é morar na praia”, você está definindo o que é, e o que não é felicidade, ou seja, verdadeiro e falso. Cada um é livre para definir por si, então, verdadeiro e falso é relativo a definição de cada um.

Você pode estar se perguntando o que definir tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o falso? Claro que não! Ninguém quer o falso. E por que não? Porque todo ser humano ama o verdadeiro.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão racional, você ama o verdadeiro e odeia o falso.

Amar o verdadeiro e odiar o falso, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o verdadeiro e odiar o falso. Você não precisa aprender a amar o verdadeiro e odiar o falso. Quando você entende que algo é verdadeiro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é falso, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é verdadeiro, e o que é falso, é relativo, mas todo ser humano ama o verdadeiro e odeia o falso. Amar o verdadeiro é amor fácil, facílimo, inevitável.


03 | AMOR AFETIVO

Outra dimensão da experiência humana é a afetividade. Afetividade é a dimensão do avaliar. É onde você lida com atribuição de valor, com o caro e o nulo. A todo instante você está atribuindo valor. Por exemplo, quando você diz, “Eu te amo”, para uma pessoa, você esta atribuindo valor a pessoa, está dando importância, está apreciando. Cada um é livre para avaliar por si, então, caro e nulo é relativo a avaliação de cada um.

Você pode estar se perguntando o que avaliar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o nulo? Claro que não! Ninguém quer o nulo. E por que não? Porque todo ser humano ama o caro.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão afetiva, você ama o caro e odeia o nulo.

Amar o caro e odiar o nulo, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o caro e odiar o nulo. Você não precisa aprender a amar o caro e odiar o nulo. Quando você entende que algo é caro, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é nulo, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é caro, e o que é nulo, é relativo, mas todo ser humano ama o caro e odeia o nulo. Amar o caro é amor fácil, facílimo, inevitável.


04 | AMOR SENSORIAL

Outra dimensão da experiência humana é a sensorialidade. Sensorialidade é a dimensão do gostar. É onde você lida com o gosto, com o bom e o ruim. A todo instante você está lidando com o gostar. Por exemplo, quando você diz, “Adoro rock”, é porque ouvir rock é bom, é gostoso. Cada um é livre para gostar por si, então, bom e ruim é relativo ao gosto de cada um.

Você pode estar se perguntando o que gostar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o ruim? Claro que não! Ninguém quer o ruim. E por que não? Porque todo ser humano ama o bom.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão sensorial, você ama o bom e odeia o ruim.

Amar o bom e odiar o ruim, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bom e odiar o ruim. Você não precisa aprender a amar o bom e odiar o ruim. Quando você entende que algo é bom, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é ruim, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bom, e o que é ruim, é relativo, mas todo ser humano ama o bom e odeia o ruim. Amar o bom é amor fácil, facílimo, inevitável.


05 | AMOR FÍSICO

Outra dimensão da experiência humana é a fisicalidade. Fisicalidade é a dimensão do ponderar. É onde você lida com o benefício e o malefício, como o bem e o mal. A todo instante você está ponderando o bem e o mal. Por exemplo, quando você diz “O tomate está caro”, você está ponderando o custo benefício do tomate. Cada um é livre para ponderar por si, então, bem e mal é relativo a avaliação de cada um.

Você pode estar se perguntando o que ponderar tem a ver com amor? Tem tudo a ver! Você quer o mal? Claro que não! Ninguém quer o mal. E por que não? Porque todo ser humano ama o bem.

A experiência humana é quaternária, isso significa que você tem quatro formas diferentes de amar. Na dimensão física, você ama o bem e odeia o mal.

Amar o bem e odiar o mal, é humano. Você não precisa se esforçar para amar o bem e odiar o mal. Você não precisa aprender a amar o bem e odiar o mal. Quando você entende que algo é bem, você ama, naturalmente e inevitavelmente. Quando você entende que algo é mal, você odeia, naturalmente e inevitavelmente. O que é bem e o que é mal, é relativo, mas todo ser humano ama o bem e odeia o mal. Amar o bem é amor fácil, facílimo, inevitável.


06 | AMOR FÁCIL

Eis os quatro amores fáceis:

Dimensão Racional – Amor ao vero.
Dimensão Afetiva – Amor ao caro.
Dimensão Sensorial – Amor ao bom.
Dimensão Física – Amor ao bem.

Amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável.


07 | AMOR IMPOSSÍVEL

Sendo que amar o vero, o caro, o bom e o bem, é amor fácil, facílimo, inevitável, o que é amor difícil? A resposta aparentemente óbvia, é que amor difícil é amar o falso, o nulo, o ruim e o mal. Eis o engano. Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível.

Você ama o verdadeiro porque odeia o falso. Se fosse possível você amar o falso, seria impossível você amar o verdadeiro.
Você ama o caro porque odeia o nulo. Se fosse possível você amar o nulo, seria impossível você amar o caro.
Você ama o bom porque odeia o ruim. Se fosse possível você amar o ruim, seria impossível você amar o bom.
Você ama o bem porque odeia o mal. Se fosse possível você amar o mal, seria impossível você amar o bem.

Amar o falso, o nulo, o ruim e o mal, não é difícil, é impossível. Se fosse possível, você já teria obtido êxito neste objetivo. Porém, nunca obtêm, por mais que tente, pois trata-se de um objetivo impossível. É impossível amar o que se odeia, e todo ser humano odeia o falso, o nulo, o ruim e o mal. Quando isso fica absolutamente evidente, você desiste naturalmente do amor impossível, e está pronto para praticar o amor difícil.


08 | AMOR DIFÍCIL

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Amor difícil surge naturalmente quando você percebe que o amor impossível é impossível, tanto para você, como para o outro. Amor difícil é respeitar o amor fácil dos outros. Amor difícil é respeitar a universalidade de veros, caros, bons e bens. Cada um é ímpar, singular, único, diferente. Sendo assim, o que é bem para você pode ser mal para o outro, o que é bom para você pode ser ruim para o outro, o que é caro para você pode ser nulo para o outro, o que é vero para você pode ser falso para o outro, e vice versa. Você é diferente do outro e o outro é diferente de você. E não tem nenhum problema nisso. O problema só surge quando você ignora isso. Quando acredita e supõe que o que é vero, caro, bom e bem para você, é para o outro também. É assim que surgem as guerras. E por que o amor difícil é difícil? Porque você não tem prática em perceber a impossibilidade do amor impossível.


09 | AMOR CONSCIENTE

AMOR FÁCIL 16 1ficina autoconhecimento relacionamento felicidade

Amor difícil não é abnegação. Assim como você opta pelo amor fácil por egoísmo, ou seja, porque é a melhor opção, você também opta pelo amor difícil por egoísmo, ou seja, também porque é a melhor opção. Amor difícil é amor consciente. A melhor coisa que você pode fazer por você é dar liberdade ao outro para amar fácil. Quando você dá liberdade ao outro de amar fácil, quem se liberta é você, que não precisa mais persistir no amor impossível. Abnegação é missão impossível, então, abnegação é amor ignorante.

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